Senti meu corpo apagar sozinho, aos poucos, na medida em que ele falava. Tantos anos... tantas angústias... e medos... tudo mais que pudesse lembrar... representados na figura do maior dos meus fantasmas...

- Sa... su... ke... -kun...

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Quando finalmente retornei de meu estado de torpor, senti as mãos firmes dele me erguendo e depositando calmamente na cama. Não sabia o que falar ou dizer, sentia medo dele, um pavor que impediu até mesmo minha reação como shinobi. Uchiha Sasuke era inimigo de Konoha e eu deveria ter avançado nele com tudo que tinha, era minha obrigação. Porém não me parecia um fardo possível de carregar. Estava... estática, sem forças, relutando para não acreditar naquilo que me coração já pressentia há horas.

Ele já não estava mais com o visual diferente de momentos atrás, era o Sasuke que conhecia, contudo mais velho. Seu semblante sério fazia com que sua aparência fosse um pouco mais velha que a minha, os mesmos olhos hipnotizadores... a voz era dele, como diabo não percebi antes? Será que estava tão desesperada para libertar meu coração que achei ser delirante demais que o desconhecido tivesse a mesma voz que ele? Kuso... que confusão...

Não falava nada, não conseguiria mesmo. Estava com os olhos abertos e pela expressão dele, com cara de idiota. Se fosse assim, seria a mesma Sakura que ele conhecia, nada teria mudado. Por dentro me esforçava para falar alguma coisa, balbuciar nem que fosse uma indagação das menores... Mas para desnortear-me por completo, uma das mãos dele tocou meu rosto, retirando uma mecha de cabelo que estava desarrumada. O toque dele era tão... próprio... e fora mais carinhoso que qualquer outro que já tinha recebido? Carinhoso? Por Kami-sama, é Uchiha Sasuke, ele não conhece isso...

- Sakura... desculpe enganar você. Mas tenho certeza que não aceitaria falar comigo em outra situação.

Balancei a cabeça veementemente, concordando, enfim conseguia forças para replicar.

- O que você quer comigo? Por que me procurar?

Um pequeno sorriso aflorou nos lábios dele e tive que me concentrar para manter a sanidade:

- Agora sim, fez a pergunta certa – Eu estava sentada na cama, ele se aproximava de mim, o medo que tinha foi crescendo a ponto de sentir-me recuando involuntariamente na cama, até atingir a cabeceira. Ele parecia gostar da pequena perseguição, como se divertia ao me torturar, me ver fraca... e como era idiota por ainda me sentir perturbada com aquilo. A mesma voz inebriante me fazia cada vez menos consciente naquele tom sussurrante, como instantes atrás, tendo as palavras sibiladas em meus ouvidos – Porque não posso deixar você me apagar da sua vida...

O que era aquilo? Uma espécie de tortura mental? Com que direito...?

- Por quê? Me trata dessa maneira por puro deboche? Eu preciso de uma vida normal Sasuke... vá embora, onegai... me deixe, preciso da minha mente sã... o que quer de mim? Qual o motivo egoísta para não querer que eu esqueça de você?

"Oh Sasuke, não fique tão próximo... não seja tão sedutor, onegai, seja egoísta, cruel... tudo o que venho falando para mim mesma todos esses anos..."

Ele lia meus pensamentos, só podia ser.

- Não vou embora... só preciso te lembrar daquilo que já sabe... você me pertence Sakura...

Senti um arrepio invadir meu corpo inteiro, arrebatador. Aquelas palavras ditas quase num tom ameaçador, mas tão sedutoras... como conseguia aquilo? Mas o pior era que eu não conseguia dizer o contrário, muito menos negar...

- Eu... não sou nada para você... pare com isso...

Cada palavra minha era um incentivo para que ele se tornasse ainda mais perigoso. Tinha certeza que ele se divertia com a minha insegurança.

- Claro que é alguma coisa para mim... você é a minha Sakura... e não vai deixar de ser.

Confesso que já não queria que dissesse outra coisa... queria tanto ouvir aquelas palavras, que surpreendentemente estava torcendo para que não fosse um sonho, pois não agüentaria. Era tudo que sempre quis ouvir, palavras ditas por ele, que me queria, mas não apenas assim... não passava de um brinquedinho para ele... e não era isso... eu também o queria...

- Sasuke-kun... onegai... não faça isto...

Uma das mãos dele afagava a minha nuca enquanto a outra me tomava pela cintura, enchendo o meu corpo de tremores. Os sussurros eram com certeza inaudíveis para outra pessoa que não nós dois... por Kami-sama, como resistir a ele ?

- Por anos tenho seguido você... esperado uma única oportunidade em que saísse da bendita vila sozinha... – Eu podia sentir a respiração dele arfando, tanto quanto a minha, estava se controlando para não fazer alguma coisa, mas não sabia o que – Sakura... não sabe o quanto a desejo.

Estava perdida... não sairia daquele quarto nunca mais, tinha certeza daquilo, mas ainda assim minha mente tentava resistir ao que meu coração já dava como certo. Com um empurrão forte, coloquei-o longe de mim, sentindo falta do calor dele.

- Você não tem o direito de dizer isto! Eu não sou um brinquedo, nem um animal qualquer!

Todo meu ser sabia que gritava para mim, não para ele. Já sentia as vertigens me deixando desnorteadas novamente. Ele mexia comigo muito mais agora... não tinha me dado conta que a sensualidade latente dele embriagava meus próprios desejos ocultos de mulher. Sasuke era meu amor e minha fantasia. Mas precisava resistir, sabia que era um caminho sem volta se o aceitasse.

Ele se aproximou de mim cauteloso, mas que olhos... não queria imaginar o resto... que pensamentos eram aqueles que faziam meu corpo retesar e relaxar ao mesmo tempo?

Sasuke não se impressionou com meu recuo, tomou-me novamente da mesma maneira, já estava preparada para ouvir aquelas palavras sussurradas em meus ouvidos, entretanto tenho certeza que sentiu meus tremores intensos quando os lábios dele tocaram meu pescoço sem reservas. Então quando ele finalmente disse alguma coisa, não havia preparação suficiente para resistir aquilo:

- Sakura, por favor, não fuja de mim.

Tenho tantas dúvidas, tantas perguntas, e ele apenas me responde com poucas palavras não esclarecedoras, que me deixam com mais dúvidas ainda, para me fazer esquecer dos motivos pelos quais eu deveria recusá-lo sem nem ao menos pensar novamente. Agora eu era uma mulher, não mais uma garotinha irritante. Ele continuava a distribuir carícias pelo meu pescoço, onde precisei de uma vontade que não me pertencia para resistir e não ceder. Era exatamente como imaginava em meus sonhos, ele conseguia ser tão ou mais sedutor, não... era muito mais! O que eu sabia de sedução? Mas ele parecia saber tudo... ao menos o necessário para me desconcertar.

Percebendo minha indecisão, ele se aproveitou e subiu a boca pelo pescoço até encontrar meus lábios e tomá-los sem licença. Senti meu primeiro beijo tão nervosa que nem ao menos entendi quando ele insinuava a língua para que eu permitisse um beijo tão intenso quanto ele gostaria. Impaciente, me tomou mais forte, então acordei do meu transe, deixando-o, satisfeito, me tomar voraz com a boca dele. Mas aquilo não era nada... o que me deixou sem ação mais que qualquer outra coisa foi sentir a outra mão dele que repousava antes tão quente em minha cintura, subir devagar pelo meu vestido rente ao meu corpo. Ele me tocava sem reservas ou medos, fazia exatamente como dizia: eu pertencia a ele por isso não precisava de pudores para me tocar. Ao menos era o que ele pensava, me deixando mais confusa ainda. Há instantes atrás, ainda tinha meus lábios intocados e agora tinha que senti-lo me descobrir tão rápido.

- Sasuke-kun... não... – Novamente forças que não me pertenciam falavam por mim.

Senti-o suspirar pesadamente, seria difícil para ele se controlar também? Não queria acreditar que mexia tanto com ele... mentira... aquilo estava me deixando satisfeita e muito. Ele voltou a mão aos poucos para minha cintura, encostando a testa na minha, suspirando pesadamente:

- Há cinco anos que espero por este momento... mas não posso ir além das suas vontades – Os olhos dele estavam fechados, quase num semblante de dor. Escutá-lo dizendo que queria me tocar, me sentir... mesmo me respeitando... como conseguia me seduzir?

Cinco anos? Isso quer dizer que... quando nos encontramos da última vez... ele já me desejava... e ainda assim tentou me matar? Mas ele estava lendo minha mente, tinha certeza:

- Não, foi naquele dia que entendi. E me senti uma pessoa desprezível por te machucar... e ainda assim te desejava. Ainda me sinto culpado... eu quero você, sou egoísta e sabe disso, não deixo a culpa sobrepor aos meus desejos. E você gosta de mim dessa maneira, você me quer assim.

- Sasuke... como pode dizer isso desta maneira... como pode dizer que te quero...?

- Porque você não me recusou...

Falava calmamente, no visível intuito de me hipnotizar. E conseguia...

- Quero ver seu corpo...

Não entendia se era um pedido ou uma ordem. Também não sei dizer se atendi ao pedido ou acatei a ordem. Só sei que segundos depois eu mesma retirei o vestido branco, as sandálias e a faixa que prendia meus cabelos. Fiz tudo de costas viradas, pois não conseguiria vê-lo percorrer minhas curvas, qualquer que fosse o olhar. Quando estava apenas com a calcinha branca que não tencionava retirar, cobri meus seios com as mãos, acanhada e ainda sem fitá-lo. Posso dizer que naquela hora compreendi que tinha ido longe demais com minha audácia desmedida, mas antes que mudasse de idéia, senti-o bem atrás de mim, as mãos dele tremiam ao me tocar.

- Quero tocá-la...

Não resisti em momento algum, apenas esperava ter forças para não abandonar o próprio corpo diante de tanta vergonha misturada com excitação. Sasuke esfregava as mãos abertas pela minha cintura e subia lentamente, agora sem o empecilho do vestido. Por mais que ele tentasse, percebia o nervosismo dele, obviamente muito menor que o meu, que aumentou ainda mais quando ele insinuou descobrir meus seios. Mas rapidamente encaixou o rosto no meu ombro, iniciando uma nova etapa de beijos, agora muito mais capciosos que antes. Diante disto, não consegui resistir e senti meus braços abaixarem sozinhos, relaxados. As mãos dele alcançaram meus seios livres, acariciando-os pesadamente por vários segundos. Ambos arfávamos descompassadamente e já estava tão entretida com as carícias que não percebi meu corpo agindo sozinho: uma das mãos estava erguida, segurando o rosto dele e impedindo que parasse com os beijos e a outra tentava inutilmente sobrepor-se as dele que me tomavam vorazes. Estranhamente, os meus sonhos mais pervertidos pareciam brincadeiras inocentes diante daquele clima.

- Vire-se para mim...

Obedecia agora, tinha certeza... faria qualquer coisa que ele mandasse... fiquei de frente para ele, agora sem encará-lo, mas ele me obrigou a fazê-lo, erguendo meu rosto até fitá-lo.

- Não tenha medo de mim...

Eu tentaria não ter medo... de verdade. Ele me deitou na cama e ficou sobre mim, retirando a camisa. Céus, Sasuke era lindo... perfeito... cada músculo definido por várias horas de treino, todos no devido lugar para enlouquecer qualquer mulher, no momento a escolhida era eu. Veio ao meu encontro, procurando minha boca avidamente e suas mãos percorrendo habilmente todo o meu corpo, sem reservas. Já sentia meu próprio corpo excitado e ficava envergonhada apenas com a possibilidade dele perceber isto.

Calmamente descia os lábios vorazes pelo meu pescoço e arrancou-me um gemido impossível de conter ao senti-lo tocar meus seios com a maciez de sua boca. Satisfeito, parecia tortura-me com aquilo, não era necessário me colocar mais tensa que naquele momento. Aquelas mãos tão inebriantes desciam pelo meu ventre e sabia o que fariam. Torci as pernas com força, temerosa que ele sentisse meu corpo tão desejoso.

- Me sinta também...

Como se não quisesse entender o que tinha dito, acanhadamente passava as mãos pelas costas dele, com medo de que fosse embora, ou me achasse desinteressante. Não sabia como satisfazê-lo...

Sasuke queria me tocar a todo custo, forçava os dedos por entre minhas pernas, entendia minha vergonha, mas queria que me libertasse dela. Pegou minha mão e abriu a calça que vestia, insinuando a minha mão a tocá-lo intimamente.

- Quero senti-la assim...

Sou uma médica e já tinha visto e tocado em homens daquela maneira, mas estritamente com o objetivo de atuar como médica. Ainda assim minha face corava bruscamente, o que me obrigava a usar um henge em algumas vezes. Mas naquele momento não poderia evitar: Sasuke estava com o membro excitado e pulsante bem ao alcance das minhas mãos. Não tinha certeza sobre o que fazer, mas tê-lo em minhas mãos era tão intenso... pela primeira vez consegui arrancar um gemido dele, quando segurei-o com um pouco mais de força. Aos poucos fui me desconcentrando e ele aproveitou para invadir-me com os dedos. Quando dei por mim, ele já tinha o semblante satisfeito tanto por receber as carícias da minha mão, quanto pelo fato de me ver tão entregue. Na medida em que ele me tocava, sentia os dedos dele escorregarem pela minha intimidade, apenas curiosos, depois mais ousados, roçarem forçados até que finalmente pude senti-lo invadir-me. Abandonei imediatamente o que fazia e fui obrigada a me render às sensações de prazer que ele me causava e que pareciam satisfazê-lo também. Aos poucos ele mesmo libertou-se do restante das roupas e sentia agora além das mãos dele, o membro que antes eu tocava sem pudores roçando entre minhas pernas. Era pedir demais que eu ainda tivesse algum controle.

Estava sentindo tantas coisas ao mesmo tempo... coisas novas, sensações maravilhosas. Como era possível que com apenas o toque ele pudesse me dar tanto prazer?

- Eu quero... – e sentia-o arfar pesado, os olhos fechados enquanto forçava o corpo contra o meu... – eu quero...

Não sabia o que ele queria, mas queria saber.

- O que quer? – Conseguia dizer ousadamente.

Não disse com palavras. Deitou-se na cama e me puxou, deixando na posição contrária a dele, sobre o corpo. Estava com os olhos vidrados no membro excitado e me repreendendo por querê-lo tanto... por ser tão volúvel...

Ele não pensava em nada disso, desceu minha calcinha já bem marcada com os sinais de minha excitação e senti-me livre por alguns instantes, pois ele forçou o rosto para o alto e senti a língua dele percorrer-me como antes os dedos faziam. Ao invés de deixar que apenas os sons do meu próprio prazer inundassem os ouvidos dele, compreendi que ele desejava o mesmo que eu. Confesso que não sabia como fazer e esperei que o tesão do momento e algumas conversas antigas com minhas amigas fossem o suficiente. Satisfeita, vi que eram, pois depois de alguns instantes senti que ele se via obrigado a interromper para respirar e se acalmar. Vitoriosa, aprofundei a carícia com a boca, envolvendo-o como ele fazia comigo. Alguns instantes foram suficientes para retirá-lo do falso controle, mas ao invés de me interromper, quão grande não foi minha surpresa ao ver-me tomada ainda mais abruptamente pela boca dele, muito mais intenso que meus movimentos. Retirou-me do sério, me obrigando a ficar entregue às assombrosas sensações de prazer. Senti meu ápice aproximar-se tão arrebatador, que não conseguiria me controlar, nem se quisesse. Segundos depois, ao me puxar para perto dele, ainda conseguia visualizar o rosto satisfeito dele com meus sons e efeitos. Estava exausta, como se tivéssemos realmente...

- Você gostou? – Ele me fitava até mesmo cínico, ciente da resposta, mas querendo que falasse.

- S...sim... – A verdade é que ainda me faltava muito ar.

Só então senti os braços dele que me envolviam sem cerimônia, mas afáveis, carinhosos, acolhedores. Estava confusa... mas tinha receio de perguntar. Forcei-me a isto, na verdade:

- Você não vai...? – Tudo bem, eu não sabia completar a frase na época...

Sasuke me fitou curioso, mas podia perceber o quanto estava sendo custoso para ele aquilo.

- Você me permitiu vê-la, tocá-la e senti-la porque eu pedi. Mas só irei possuí-la quando você quiser assim... – Fechou os olhos pesadamente, retesando o rosto para disfarçar o incômodo.

- Sasuke-kun... não precisa... – Ele novamente me tapou os lábios com um beijo desta vez casto e me aninhou no peito dele em silêncio, acariciando meus cabelos. A noite começava a dar sinais de frio e ele puxou um cobertor acolhedor para nossos corpos. Naquela noite não tive pesadelos, nem choro. Foi o sono mais pacífico de toda a minha vida.

E depois de tanto tempo, será que rolam reviews?