Senti um calor iluminado atingir meu rosto. Expremi os olhos e lentamente fui abrindo-os tendo a visЦo de pequenas faixas de luz atravessando as pequenas frestas da janela. Dei um pulo ao virar meu rosto e me deparar com a imagem de Reita nu em minha cama, demorei alguns segundos atИ recordar que haviamos passado a noite juntos... E nЦo sС.

Era constrangedor lembrar das coisas que tМnhamos compartilhado ontem, muito constrangedor. Fui atИ meu guarda-roupa a passos leves e apanhei meu roupЦo em seguida indo ao banheiro. Estava precisando de um banho.

JА me encontrava despido, apenas adentrei o box e liguei o chuveiro. NЦo estava fazendo calor, mas eu me sentia necessitado de um banho de Аgua gelada, minha pele ainda parecia ferver, talvez fosse novamente a suposta febre de ontem, ou nЦo. Posicionei-me de uma sС vez abaixo da Аgua e a deixei escorrer por todo meu corpo, fechei os olhos e levantei meu rosto para o cИu. Era relaxante... era bom sentir o jeito como a Аgua ia lentamente se esquent... PeraМ! Como a Аgua havia esquentado?!

-Como И que tem coragem de tomar banho de Аgua fria depois da febre que cЙ tava ontem? - Abri os olhos e me deparei com a imagem de Reita modificando a temperatura do chuveiro, e, em seu rosto uma expressЦo nЦo muito satisfeita com o que acabara de presenciar. - CЙ tА pedindo pra ficar doente desse jeito nИ?

-N-NЦo, eu sС... - minha fala foi bruscamente interrompida por uma paralisia repentina que me afetara ao sentir os lАbios de Reita beijarem carinhosamente os meus, o mesmo que poucos instantes depois pegou meu roupЦo pendurado atrАs da porta e vestiu-o em mim.

-NЦo quero te ver doente, tente cuidar mais de si mesmo. - Me abraГou. Estava sem camisa, apenas com a calГa que ele estava usando ontem. Suas mЦos e braГos anteriormente gelados agora pareciam gentilmente aquecer-me.

-Vou me esforГar. Obrigada por se preocupar. - Sorri. Nunca havia reparado nesse seu lado gentil, que provavelmente estaria escondido atrАs de toda sua personalidade ranzinza.

Fui atИ meu quarto e me vesti enquanto era contrangedoramente observado por Reita, que por mais que eu pedisse para que parasse, insistia em admirar minha vergonha ao ser visto em minha troca de roupas. JА era quase hora do almoГo, porИm, fui atИ a cozinha e peguei algumas embalagens da geladeira e as posicionei em cima da mesa.

Nunca fui fЦ de cafИ, entaУ fui atИ a prateleira em cima da pia para pegar um pote de nescau que eu havia comprado da ultima vez que Uruha havia me ajudado com as compras. PorИm, aМ se encontrava o problema: Uruha. Sempre gostou de me sacanear, colocava as coisas nas Зltimas prateleiras, as quais nunca consegui alcanГar.

Fiquei na ponta dos pИs e com os dedos fui vasculhando a prateleira com o intuito de alcanГar o pote de achocolatado.

-Quer uma ajuda aМ?

Minha espinha congelou ao sentir o corpo de Reita encostar no meu por trАs, que apenas ergueu um dos braГos e alcanГou o pote sem nenhum esforГo e entregou-me com um sorriso debochado em seus lАbios, o que ele sabia que me irritaria.

-Hunf, obrigado.

-Kehe. De nada pequeno. - AМ estava novamente o apelido, ele estava querendo me irritar И? Sentei-me А mesa e preenchi meu copo com leite em seguida pondo duas cheias colheres de achocolatado, misturando-o atИ ficar homogЙneo. Reita colocou suas mЦos sobre meus ombros e lentamente os massageou com os dedos, trazendo-me uma sensaГЦo de relaxamento. Minha cabeГa despencou para baixo, isso estava realmente me fazendo bem.

-CЙ tА tenso, hein? - Riu.

-Eu ando me estressando um pouco por causa da banda.

-и, eu reparei. - Interrompeu a massagem para me dar dois pequenos tapas nos ombros e em seguida enlaГar meu pescoГo com aqueles enormer braГos. Suspirei. A vermelhidЦo se apossou de meu rosto ao sentir a respiraГЦo quente de reita bater em minha nuca.

Lutava contra mim mesmo para nЦo abraГА-lo de volta, tenho certeza agora, o que eu tenho nЦo И febre alguma... Agora, o que И, jА nЦo sei dizer, mas posso deixar ele responder por mim hoje novamente. Girei atИ ficar de frente pra ele e o abracei, recebendo um beijo inocente, que futuramente ia rapidamente se aprofundando, porИm, foi interrompido pelo som do celular no bolso das vestes de Reita.

-Ah... espera aМ que eu vou atender o telefone. - Olhou com raiva para o celular e foi se retirando da cozinha.

-Tudo bem. - Abafei um pequeno riso.

Inclinei-me um pouco para a saМda da cozinha com o intuito de escutar a conversa ao telefone que jА durara alguns minutos. Pensamentos se apossaram de minha mente, por algum motivo, muitos deles me incomodavam, aliАs, com quem ele estaria falando para demorar tanto? Bom, era anti-Иtico ficar vigiando a vida das outras pessoas se nЦo tem uma relaГЦo comprometedora com a pessoa... и, exatamente, eu e Reita nЦo tinhamos nada, afinal.

-Pronto, desculpe a demora.

-Quem era? - Imediatamente perguntei ao ele terminar a frase.

-Hum? - Olhou pra mim confuso.

-Perguntei quem era.

-... uma amiga, porque?

-Amiga? SС amiga?

-...Kehe.

Formou-se um sorriso debochado em seus lАbios, o que me incomodou. Que amiga seria essa? SerА que ele andou saindo com alguИm? Bom, eu nЦo tenho nada a ver com a vida dele, nЦo somos casados nem temos nada, nЦo И minha obrigaГЦo saber de nada do que ele anda fazendo, por mais que essa curiosidade esteja me corroendo e meus dentes pareciam que a qualquer momento iriam perfurar meus lАbios de tanta forГa que eu depositava numa mordida neles.

Fechei a cara, me "emburrei"; Do nada, o mal humor se apossou novamente de mim. Virei para a mesa, cruzei as pernas, levei meus dedos atИ a asa da caneca e tomei um longo gole do que estava dentro.

-Pensei que nЦo gostasse de cafИ. - Ao terminar o gole meu rosto se expremeu com a amargura que se formou da lМngua А minha garganta e empurrei a xМcara para longe, e, ao abrir os olhos, pude perceber que havia trocado a caneca de Reita pela minha, e que o mesmo estava agora dando pequenas gargalhadas. - Essa sua careta de agora foi muito... meiga. - Chegou mais perto. - VocЙ ficou muito bonitinho com ciЗmes. - Parou os lАbios perto de meus ouvidos. - Deu vontade de morder.

-EntЦo morde. - Ri e levei uma de minhas mЦos А seu rosto, virei meu pescoГo para poder encarА-lo.

-VocЙ И quem manda.

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Enfim acabou o nada bem aproveitado final de semana de folga. Tinha em mente descanГar o final de semana inteiro, porИm, parece que nЦo foi possМvel, por mais que tenha valido a pena e meu humor estivesse bom, minhas energias estavam no limite, parecia que iria desmaiar a qualquer hora. Eu realmente estava precisando de um descanГo.

-Qual И, Ruki?! Mais animaГЦo, vocЙ acabou de sair de um feriado! Apostou que dormiu ele inteirinho. - Reclamou Uruha.

-Ah Uhura, nЦo me enche, vocЙ И um dos maiores motivos do meu cansaГo. - Ao dizer isso olhei para Reita, que me lanГou um olhar de "Tem certeza?". Desviei o olhar levemente ruborizado e me posicionei em frente ao microfone para podermos dar finalmente inМcio ao ensaio.

Foi extremamente difМcil permanecer acordado e ao mesmo tempo cantar sem desafinar ou diminuir o volume da voz. Daquele jeito sim eu iria acabar ficando doente, se continuar assim por muito tempo vou precisar tirar fИrias dentro de um hospital. Ao encerrar do ensaio me certifiquei de que havia guardado minhas chaves de modo seguro dentro da mochila.

Tudo pronto. Apena fui atИ o filtro para tomar um copo d'Аgua antes de sair. Enquanto bebia o lМquido de dentro do copo observava com o canto dos olhos o baixista que guardava cuidadosamente seu baixo em sua respectiva capa e colocava sua alГa em seus ombros.

Joguei o copo descartАvel no lixo e fui atИ o baixista.

-Reita, eu vou dar uma descanГada hoje e talvez eu chegue um pouco mais tarde amanhЦ, portando diga aos outros que eu fui atИ o mИdico, certo?

Demorou a responder, e olhou pra mim.

-Mentir И feio, pequeno. - Sorriu.

-Pare de me chamar assim! E eu sei que И, mas И que se eu nЦo descaГar um pouco acaberei realmente tendo que ir ao mИdico.

-VocЙ quem sabe... veio a pИ?

-NЦo, de carro, porque? - recebi um peteleco na testa. - Itai!

-Que perigo dirigir nesse seu estado. Eu vim apИ, eu te levo pra casa.

-NЦo precisa, Reita... - Algo dentro de mim queria que ele insistisse, uma pequena vontade de permanecer com ele brotou dentro de mim e a cada instante foi crescendo.

-Relaxa, pequeno. NЦo vou atrapalhar seu descanГo novamente. - Sorriu malicioso, fazendo-me sentir o estТmago dar um pulo.

-N-NЦo И nada disso! Eu... - Abaixei a cabeГa, mas imediatamente senti ela ser levantada por dois dedos de Reita posicionados sobre meu queixo. Depositou um inocente selinho em meus lАbios e tirou as chaves do meu carro de meu bolso, em seguida indo atИ a porta de saМda do estЗdio.

-Vem, pequeno.

-Quando И que vai parar de me chamar assim?

-Hein? VocЙ nЦo gosta?

Continua...