Sweet Candy
Capitulo 7
Quarta – dia 7
Planos, guerras e conversas
Acordou com um único pensamento na cabeça. Tinha que fazer com que Blaise se desinteressasse pela loira louca, e bem depressa, porque sempre que olhava para o amigo nos últimos tempos ele estava com um sorriso parvo na face. Ele não podia permitir que o amigo se magoasse naquela história, e ele iria fazer de tudo para isso não acontecer.
Só precisava de um plano. De um BOM plano.
…
"-Bom dia!" – disse Pansy passando com os braços por cima dos ombros de Ginny e Luna.
"-Uau! Que bicho te mordeu?"
"-Como assim Ginny?"
"-Primeiro, é de manhã e não estás com mau humor."
"-Eu não tenho mau humor matinal, Draco tem, eu não."
"-Que seja." – Resmungou a ruiva, mais por causa da menção do loiro. A tarde passada ainda não lhe saíra da cabeça. – "Mas porque estás empoleirada em nós? Tu não gostas de toques."
A morena riu e em seguida murmurou para as amigas.
"-Consoante a pessoa que me tocar."
"-O que queres dizer com isso?" – perguntou Luna inocentemente, enquanto que a ruiva a olhava chocada e Pansy ria afastando-se delas.
"-É….segredo. Tenham um bom pequeno-almoço."
"-Mas o que raio se passa com ela?" – indagou a ruiva assim que a amiga se afastou delas.
"-Cá para mim foi mordida."
"-Pela estupidez andante?"
"-Não Ginny, pelo bichinho do amor."
A ruiva arregalou os olhos e em seguida olhou para Luna. Pansy apaixonada? Por quem? Pelo Harry?
"-Tu achas que ela….ela gosta do….achas?"
"-É impossível?"
"-Não, apenas é antinatural."
"-Ora, não me digas que não gostas nem um pouco do Draco?"
"-Claro que não gosto do Draco, quer dizer, do Malfoy. Ele é….é….é impossível alguém apaixonar-se por …. Aquilo."
"-Sei. Por isso é que ontem à tarde não te vi mais."
"-Segundo me constou, tu passaste a tarde toda na torre da astronomia com o Blaise."
"-Pois foi. Mas eu admito."
"-Admites o quê?"
"-Que gosto dele."
Ginny abriu a boca não conseguindo dizer nada. Segundos depois Luna afastava-se dela, caminhando para a mesa da sua casa, enquanto que Ginny olhou para a mesa dos Gryffindores.
"-Bom dia ruiva." – Murmurou uma voz ao seu ouvido, no preciso momento em que ela começava a encaminhar-se para a sua mesa.
Os braços dele enrolaram-se em volta do seu ventre, e ela sentiu suas costas contra o peito do rapaz.
"-O que pensas que estás a fazer?"
"-Ora, a abraçar a minha namorada." – Respondeu ele sarcasticamente ao ouvido dela.
"-Muito engraçado. Agora fazes o favor de me soltar, estão todos a olhar, e para além disso eu tenho fome."
Ele riu divertido, voltando-a para si.
"-Eu deixo-te ir….mas só depois de eu fazer uma coisa."
"-O quê?" – indagou ela levemente assustada, vendo o sorriso maldoso dele.
"-Isto." – Murmurou antes de a beijar.
Era aquilo que ele queria, que todos vissem, que todos confirmassem com os seus próprios olhos. Queria que todos soubessem que ela era dele. Apesar de ele negar isso a si próprio.
Mas ele era um Malfoy, e se há coisa que um Malfoy faz bem, é vangloriar-se.
"-Como a minha irmã pode? Ele é o Malfoy. Pior, é um Slytherin." – Resmungava Ron sentindo as orelhas queimar, enquanto via a irmã beijar uma das pessoas que ele mais odiava na vida.
"-Se, ela gosta dele." – Comentou Harry.
"-Tu estás a defendê-la Harry?"
"-Não, apenas acho que se ela gosta dele ninguém pode fazer nada contra."
"-Mas, ele é um Slytherin, e eles não gostam de ninguém."
"-Como sabes Ron? Às vezes as pessoas são diferentes daquilo que tu pensas. Não deves de rotular todos com o mesmo nome. Há Slytherins que se preocupam com as pessoas, que gostam. Apesar de tu não quereres acreditar nisso, a verdade é que eles existem."
"-Que bicho é que te mordeu Harry? Tu odeias os Slytherin."
"-Talvez esteja na hora de isso mudar. Talvez seja altura de deixarmos de nos portar como crianças." – Respondeu o moreno levantando-se em seguida.
"-Mas o que se passa com ele?" – perguntou Ron à namorada, que apenas assistiu à conversa toda sem se pronunciar.
"-Talvez, ele esteja certo Ron. Tua irmã parece bem, e ele parece gostar dela. O Malfoy não se humilharia a este ponto, ele gosta dela talvez à sua maneira mas gosta. Acho que deves de lhe dar uma hipótese."
"-Mas sou só eu que vejo quem ele é?"
"-Não Ron, mas és o único que continuas preocupado com isso."
O ruivo olhou espantado para a namorada, mas não disse mais nada. Pelos vistos estavam todos contra ele.
….
"-É a primeira que vez que te vejo a beijar uma namorada em público. Na verdade se eu pensar bem, é a primeira namorada que tu tens."
"-Cala a boca e responde-me a uma coisa. O que é que tu e a Lunática ontem fizeram?"
"-Como? Desde quando queres saber pormenores sobre a minha vida amorosa?"
"-Desde que tu te interessaste pela Lovegood."
"-Não entendo, eu não quero saber sobre ti e a Ginny, porque queres saber sobre mim e a Luna?"
"-Ora….porque sou teu amigo."
"-E?"
"-Preocupo-me contigo. A Lunática não é uma boa opção."
"-Claro que é, ela é a melhor opção. Eu nunca me senti assim por ninguém."
"-Tu não podes!"
"-Porque não Draco?"
O loiro desviou o olhar do amigo. Não lhe podia dizer a verdade. Queria dizer-lhe a verdade, mas não podia. Ele não queria perder aquele jogo. Aquilo ainda era um jogo para eles todos, não era? Bem, para a Lunática era, claro.
"-Então, porque não?"
"-Já pensaste que se calhar só lhe achas piada porque ela é de outra casa?"
"-Desculpa?"
"-Lembras-te quando querias passar um tempo de qualidade, segundo tu, com a Melina McGrey dos Hufflepuf, e depois quando o passaste, a pancada passou-te? Já pensaste que se calhar é o mesmo?"
"-Se fosse assim como dizes que já não estaria interessado na Luna."
"-Vocês os dois….que nojo Zabini."
"-Não, nós não fizemos nada disso. Não entendes, com ela é especial. Eu sinto-me bem, ela faz-me rir, ela é divertida, gira, doida, interessante. Deixa-me nervoso, tira-me o sono, está nos meus sonhos. Essas tretas, que nunca imaginei sentir."
Draco engoliu em seco. Aquilo era bem pior do que ele imaginava. Pior, ele sentia o mesmo pela ruiva, exactamente o mesmo. Abanou a cabeça antes de dizer:
"-Queres ao menos ter a certeza?"
"-Em relação?"
"-Ao que sentes por ela? Eu tive um plano."
"-Qual?" – indagou fazendo com que o sorriso de Draco aumentasse.
…
"-Hei!" – chamou uma voz atrás dela, fazendo-a virar-se e encarar a colega da mesa detrás.
"-Sim?"
"-Vi-te com o Malfoy ao pequeno-almoço. Entre vocês é mesmo sério não é?"
"-Sim, é. Mas o que tens tu a ver com isso Parvati?"
"-Ora, era só para confirmar Weasley. É que tens que admitir é estranho, o Malfoy e tu."
"-Pois minha querida, mas o amor é estranho." – Disse ela com um tom estranhamente sarcástico.
"-Ok. Mas olha lá….vocês os dois já…?"
"-Já o quê?"
"-Ora, tu sabes, eu quero saber se o que dizem sobre ele nas casa de banhos e nos corredores é verdade."
"-E o que dizem?"
"-Que, ele é fogo."
"-Bem….eu diria mais que ele é gelo. Tu sabes, frio e tal."
"-Não, não era isso. Na cama…."
A ruiva arregalou os olhos deixando a pena cair em cima da mesa. Ela estava a perguntar como o Malfoy era na cama? Ela queria saber se eles os dois já tinham feito sexo? Mas desde quando a Parvati falava com ela? Melhor, desde quando ela tinha confiança com ela para lhe fazer aquele género de perguntas?
"-Sabes….eu não te vou responder, pelo simples motivo de que nós não somos amigas nem nada. Mas uma coisa é certa, às vezes o que se diz por ai é bem verdade."
A outra sorriu feliz, tendo sua curiosidade sido satisfeita e Ginny apenas se voltou para a frente abanando a cabeça e sorrindo. Às vezes as pessoas eram mesmo estúpidas.
….
Encontrou Luna pelo meio do caminho quando ia almoçar, o que a fez correr de modo a apanhar a amiga.
"-Oi de novo Pansy."
"-Oi. Vais almoçar já?"
"-Bem…sim. Porquê?"
"-Apetece-me conversar, nós não temos falado muito. Onde anda a Ginny?"
"-Não sei, talvez com o Malfoy ou assim."
"-Ok. Vamos conversar?"
A loira apenas concordou com a cabeça e em seguida as duas amigas caminharam para fora do salão.
….
"-Afinal qual é o teu plano para eu ter a certeza de que gosto da Luna? Não que eu precise, mas pelos vistos é a única maneira de tu acreditares mesmo."
"-Já vais ver." – Respondeu o loiro parando de andar, olhando para os lados e em seguida abrindo a porta de uma das salas.
"-Isto não me agrada." – Murmurou o negro antes de segui o amigo.
Assim que entrou na sala soube que realmente aquela não era uma boa ideia.
"-Podes explicar-me o que raio é isto?" – perguntou ele ao ouvido do loiro, fazendo com que o amigo o encarasse e perguntasse:
"-Não me digas que é feia?"
Zabini olhou para a jovem que estava sentada na mesa à sua frente. A saia claramente acima do aceitável, mais parecia um grande cinto, a camisa estranhamente justa de mais e com os primeiros dois botões abertos, os lábios brilhantes em demasia, o sorriso sedutor, o cabelo negro comprido cheio de caracóis que lhe ficava estranhamente bem.
De todo, ela não era feia.
"-Não, não é feia."
"-O que achas de….bem…tu sabes."
"-Tu estás a brincar comigo, certo?"
"-Não. Apenas quero que tu te convenças que não gostas da Luna."
Blaise olhou do amigo para a morena e em seguida para o amigo novamente e fechou os olhos.
Aquela era muito mais bonita do que Luna, tinha uma beleza cuidada, Luna não, tinha uma beleza natural, pouco evidente, pouco cuidada, mas não era superficial.
Sorriu e em seguida disse:
"-Ela é muito mais gira que a Luna é certo. Mas eu gosto da Luna, Draco. Podes ficar tu com ela." – E em seguida saiu da sala.
O loiro sorriu por segundos. Seu amigo estava mesmo apaixonado…mas isso era péssimo.
"-Parece que ficámos só nós dois Draco." – Disse a jovem aproximando-se perigosamente do rapaz.
"-É parece que sim."
"-Então, também vais fugir porque estás apaixonado pela tua namorada?" – indagou ela passando com a mão no cabelo do loiro enquanto sorria.
"-Não!" – respondeu convicto.
Afinal eles não eram namorados mesmo, não havia problema certo?
…
"-Então, sobre o que queres conversar?" – perguntou Luna assim que ela e a amiga entraram na sala precisa.
"-Olha, o que sentes pelo Blaise?"
"-Porquê?"
"-Porque, eu ando confusa." – Confessou a morena.
"-Já tinha percebido isso. Tu gostas do Harry, não é?"
"-Não posso. Ele é o Potter, um Gryffindor e isto é um jogo."
Luna sorriu e em seguida disse:
"-Mesmo que seja um jogo, mesmo que ele seja um Gryffindor e seja o Potter, o que é que isso interessa? Quer dizer, se gostas dele e ele de ti não importa. Na verdade é até mais interessante."
"-Interessante?"
"-Sim. Não era suposto nós descobrirmos qual é o melhor? Pois bem, se ele for sincero contigo, vais poder chegar à conclusão certa sobre ele."
"-Então para ti o Blaise é só um jogo?"
"-Eu disse isso?" – indagou a loira o que fez a morena sorrir.
"-Então parece que só para a Ginny é que isto é apenas e só um jogo."
"-Sabes…eu já acreditei mais nisso."
"-Tu achas que pode haver algum sentimento dela pelo Draco?"
"-Acho. E do Draco por ela?"
"-Sinceramente, acho que sim." – Respondeu a morena.
Luna riu divertida antes de levar a mão à barriga e dizer:
"-Estou cheia de fome."
"-É. Também eu."
…
Aquilo não era normal. Quer dizer, ele não lhe devia explicações nenhumas, e ela não tinha nenhum direito em vigiá-lo. Mas a verdade é que ele não estava no salão principal, e já era hora de almoço. Onde Draco Malfoy estaria?
A ruiva bufou, sentindo o coração bater forte. Porque é que estava nervosa? Não era nada de mais, ele apenas não viera almoçar.
'Será que está com alguém?' – Perguntou uma voz irritante na mente dela.
'-E com quem poderia ele estar? Blaise e Pansy estão a almoçar, Draco não anda com mais ninguém.' – Respondeu mentalmente.
'Uma pessoa do sexo feminino talvez.' – Supôs a voz irritante.
'-Claro que não! E se estiver? Eu não tenho nada a ver com isso.'
'Não tens?'
Bufou irritada, batendo com o garfo na mesa e em seguida levantou-se.
"-O que se passa Ginny?"
"-Nada Hermione." – Respondeu num resmungo antes de se encaminhar para fora do salão.
Porque raios, ela sentia ciúmes? Porque é que começara a discutir com a sua própria mente? Ninguém discute com a sua própria mente, bem, pelo menos ninguém normal.
Aquilo de conviver com o Malfoy estava a deixá-la estranha. Muito estranha. Pior que isso…louca.
Parou de andar e suspirou tentando acalmar-se. Por qualquer razão só conseguia imaginar Draco com outra qualquer. E aquilo provocava-lhe uma dor no peito estranha.
Abanou a cabeça voltando a raciocinar. Se não se sentia bem, só havia uma coisa a fazer. Apenas uma!
….
Não tinha fome, na verdade depois de tudo o que se passara com ele naquela sala a última coisa que ele tinha era fome.
Vagueava pelos corredores, até que parou em frente de uma sala que tinha a porta entreaberta, e estranhamente ele estava curioso. Draco não era uma pessoa curiosa, não por natureza, mas naquele momento ele quis espreitar, e foi o que fez. E não se arrependeu nem um pouco.
Sorriu levemente, abrindo a porta devagar e entrando na sala vendo que ela ainda não reparara nele.
"-Sabes que muitos doces engordam? E, tu já não és lá muito magrinha."
A ruiva voltou-se para ele irritada, e Draco viu que os olhos dela brilhavam de uma maneira estranha. Como se ela estivesse claramente zangada consigo, ou irritada, qualquer coisa.
"-O que raio fazes aqui?"
"-Estava a passear por perto. E tu? Almoçaste? Ou isso é o teu almoço?"
"-Isto é o meu almoço."
"-Ah! Tudo explicado, agora entendo porque és tão gorda e irritante."
"-Gorda? Irritante?" – perguntou ela pegando numa mão cheia de rebuçados e lançando-os para o loiro, enquanto se levantava.
"-Sim. Muito açúcar no sangue, faz isso."
"-Estúpido! Eu odeio-te Malfoy. Odeio-te. Odeio-te!" – gritou ela enquanto lhe atirava doces.
O loiro caminhou até à ruiva e segurou-a fortemente pelos pulsos.
"-Porquê? Porquê Weasley? Porque é que me odeias? Porquê?" – indagou abanando.
"-Solta-me! Estás a magoar-me." – Queixou-se ficando com os olhos húmidos.
Draco soltou-a no mesmo instante e em seguida passou com as mãos nos cabelos loiros, suspirando, voltando-se de costas para ela. Que foi aquilo que ele sentiu no peito quando ela lhe disse que o odiava?
"-Porque, tu só sabes maltratar-me. Porque quando eu penso que nós nos estamos a dar melhor, tu apareces e estragas tudo. Porque quando eu penso que talvez lá no fundo tu sejas uma boa pessoa, tu demonstras o contrário."
"-Eu nunca te disse que era uma boa pessoa." – Resmungou ele mantendo-se de costas para ela.
"-É. Talvez eu seja apenas estúpida em pensar que tu até tens coração, que és capaz de sentir algo. Pelos vistos só sentes uma coisa. Um prazer enorme em me maltratar."
"-Estás enganada. Eu não sinto um prazer enorme nisso, é só um hábito. E tu não sabes nada de mim. Não sabes o que eu sinto."
"-Não! Estás certo. Eu não sei."
Draco voltou-se para ela e ficou surpreso ao constatar que ela chorava.
"-Porque…."
"-Porque, eu odeio sentir-me assim."
"-Assim?" – perguntou ele aproximando-se dela.
A ruiva não respondeu, apenas engoliu em seco baixando o olhar. Draco ergueu o queixo dela com os seus dedos, forçando-a a olhar para si.
"-Odeias-me ou não?"
"-A única coisa que eu odeio, é já não conseguir odiar-te mais."
Sem aviso o loiro pousou ambas as mãos nas bochechas dela, puxando-a para si beijando-a.
O que era aquilo que existia entre eles? Porque a beijava com uma vontade tão grande, e nem conseguira pensar em beijar a jovem que arranjara para o Blaise? Uma jovem bonita e que realmente estava a fim dele, e ele pura e simplesmente disse que não podia e fugiu.
Ao sentir os dedos dela na sua nuca todos os seus pensamentos desapareceram. Não importava o que era aquilo, apenas que já não conseguia passar sem ela. Sem o sorriso dela. A voz dela. Os beijos dela. O cheiro dela.
Estranhamente, ela estava impregnada em si.
…
"-Olá." – Sussurrou ele assim que a apanhou sozinha. Pansy apenas se voltou, sabendo quem iria encontrar.
"-Olá Harry."
"-Então, vais ter que aula?"
"-Trato com as criaturas mágicas."
"-Óptimo, eu acompanho-te então. Vou para as estufas."
Ela sorriu e em seguida começou a caminhar pelo corredor.
"-Novidades?" – indagou ela saindo do castelo.
"-Nada desde ontem. E tu?"
"-Nada também."
"-Sabes da Ginny?"
"-Deve de estar com o Draco, suponho eu."
O moreno sorriu. Ainda bem que a amiga estava feliz com o namoro, apesar de ele ser o Malfoy. Mas ele não podia falar muito, pois não? Estava ali com a Parkinson.
"-Os teus amigos sabem?"
"-Sobre?"
"-Nós os dois." – Respondeu ela.
"-Não. E depois? É minha vida."
"-Sim, mas pensei que vocês não tivessem segredos."
"-Bem….não temos. Apenas, não calhou. Enfim….mas porquê? Queres que eu lhes conte?"
"-Tanto me faz. E já agora, o que lhes irias dizer?"
"-Como assim?"
"-Então, dirias que namoras, que curtes, que ficas, que andas a brincar….o que dirias?"
"-Não sei. O que se passa mesmo entre nós?"
A morena voltou-se para ele e sorriu, antes de pousar os lábios rapidamente nos dele.
"-Também não sei. Boa aula."
Harry viu-a ir-se embora e não disse nada, apenas a observou atentamente e em seguida caminhou até às estufas.
….
"-Devemos ir." – Murmurou sentindo suas costas baterem na parede e as mãos de Draco no seu ventre.
"-Não. Não quero….não consigo."
Suspirou fundo quando ele lhe chupou o pescoço.
"-Vai ficar marcado." – Murmurou ele ao ouvido dela, sorrindo.
"-Não importa." – Disse simplesmente, antes de sentir novamente os lábios dela contra os seus.
O que era aquilo? Porque é que ela se sentia tremer por causa dos beijos dele? E porque não ia embora? Aquele jogo estava a passar dos limites, completamente.
Mas….ainda seria um jogo?
Draco olhou-a, e a ruiva tremeu ao olhar os olhos dele. Amava aquele olhar, era tão diferente de todos os outros, era enigmático, frio, mas ao mesmo tempo, brilhante, belo.
Suspirou, puxando-o para perto de si voltando a beijá-lo.
Que se danassem as aulas. Que se danasse o jogo. Que se danasse tudo. Apenas importava ele e ela. Apenas eles. Que se danasse o resto.
….
"-Finalmente." – Murmurou Blaise ao ver Draco entrar na sala comum. – "Foi divertida a tarde com a tal jovem? Não apareceste a nenhuma das aulas."
"-Foi divertida a tarde sim, mas se queres saber não foi com a "tal jovem". Foi com Ginevra."
"-Ah! Então, deve de ter sido mesmo divertida."
Draco olhou para o amigo e em seguida para a lareira. Não devia de ser assim, ele não devia de se sentir ligado a ela. Não devia de sentir que tinham mesmo uma relação. Não devia de a beijar sempre que queria. Nem de a tocar. Ele não devia. Afinal, ainda tinha um pouco de bom senso, mas quando estava com ela não conseguia pensar noutra coisa. Apenas a queria sentir, a queria tocar.
Estranhamente não pensara em sexo nenhuma das vezes que estava com ela. Com todas as outras só isso importava, com ela, importava tudo. Os beijos, as carícias, os suspiros, as sensações. Especialmente as sensações.
O que é que ele tinha? Estaria doente?
Ele sabia que aquilo era um jogo, então porque raio não conseguia deixar de pensar que não queria saber isso?
Olhou para o amigo. Blaise estava visivelmente apaixonado, mas ele não sabia que era um jogo.
Sorriu, tendo uma nova ideia.
"-Blaise!" – chamou, fazendo o negro olhar para si.
….
Entrou na sala comum não conseguindo tirar da face o sorriso estúpido. Era estranho como ela se sentia bem com ele.
"-Olá Ginny." – Cumprimentou Harry assim que a viu.
"-Oi."
"-Será que podemos conversar?"
"-Claro. Diz!"
"-É…bem, é um pouco constrangedor."
"-Não precisas de ficar assim, não comigo. Afinal, és como um irmão para mim. Diz-me lá o que se passa?"
"-Eu acho que estou a gostar de uma pessoa. Só que não é uma pessoa qualquer. Na verdade há uns dias atrás eu nem olhava para ela, mas agora….agora só consigo pensar nela."
"-Sério?"
"-Sim. Ela é diferente sabes?"
"-Hum….ela sabe?"
"-Não sei se sabe. Não sei o que ela sente por mim. Como já te disse ela é diferente. Ela não é daquelas pessoas que diz o que sente, que se declara, eu não sei o que ela sente por mim. Não sei mesmo."
"-É a Pansy, não é?"
"-Sim, é ela." – Respondeu o moreno suspirando.
"-Bem….eu acho que ela sente algo por ti. Ela anda mais alegre, mais sorridente. Eu se fosse a ti arriscava, eu acho que não te vais arrepender."
"-Achas? Não, achas que seria estranho?"
"-Porque é que seria estranho?"
"-Ela é a Pansy Parkinson. Uma Slytherin."
"-Bem….mais estranho sou eu e o Draco. Uma Weasley e um Malfoy. E ele também é um Slytherin. E olha que as pessoas aceitaram bem, meus pais….bem, só o Ron é que não, pelo menos não ainda."
Harry riu. A amiga estava certa, não era estranho. Não havia nada de estranho em se gostar de uma pessoa.
"-Obrigada Gi. Vou pensar no teu conselho."
"-Óptimo." – Disse ela sorrindo.
….
Sentou-se na porta do corujal, esperando por ela. Já ali estava, há quase uma hora e ela nunca mais aparecia. Draco tinha sido bem explícito. Luna pedira para eles se encontrarem ali depois de jantar.
Mas afinal quando é que era o depois de jantar para ela? Era quase hora de recolher e ela ainda não havia aparecido?
Será que ela se tinha esquecido? Não, não podia. Quer dizer, ela não se ia esquecer do encontro que marcara.
Suspirou mais uma vez, olhando para o relógio. Quase 10 da noite.
"-Onde estás tu Luna? Onde?" – perguntou-se olhando em volta, na tentativa de ver um vulto ou algo assim.
….
Sentou-se na cama sorrindo. Àquela hora Blaise devia de estar a desesperar. É claro que se sentia mal por mentir ao amigo, mas era necessário. Afinal ele tinha que fazer com que o idiota do Zabini deixasse de estar apaixonado pela Lovegood, pois quando ele soubesse a verdade seria bem pior. E ele não queria que o amigo sofresse. Ninguém merece sofrer por amor. Ninguém.
Suspirou, sentando-se na cama. Tinha uma ronda para fazer, mas não tinha vontade. Não queria sair dali, ao menos ali sentia-se protegido. Encontrava-se na penumbra do quarto, na escuridão. Gostava de estar assim, acalmava-se no escuro. Mas aquele incómodo não desaparecia nem por nada.
Como ele podia sentir-se assim…por ela?
Ele sabia a verdade. Como pudera deixar-se enganar tanto?
Bateram à porta, e ele apenas se levantou, abrindo-a.
"-Sim?" – perguntou ao vislumbrar uma aluna do 6º ano.
"-Amanhã à noite vai haver uma festa, no local de sempre, por causa do aniversário de Garlick."
"-Ah! Tudo bem." – Disse fechando a porta em seguida.
Uma festa. Sorriu. Iria convidá-la. Convidava-a e iria fazer com que ela acabasse com aquilo, afinal ele estava farto daquele jogo, mas ele não queria desistir. Mas ela iria desistir. Era só ele fazer com que ela visse algo mau.
Suspirou. Como poderia beijar alguém na festa do dia seguinte se não fora capaz de beijar a morena linda e gostosa daquela tarde?
Abanou a cabeça. Não interessava, ele iria conseguir. Afinal tinha que afastar a Weasley de si, ou daria em louco. Ou pior, acabaria apaixonado por ela.
E isso era o pior que lhe poderia acontecer. Não era?
…
Abriu a porta do quarto do Draco, vendo o amigo sentando na cama lendo um livro qualquer sobre poções.
"-Tu tens mesmo a certeza de que ela marcou comigo no corujal depois de jantar?"
"-Claro que tenho. Mas porquê?"
"-Porquê? Porque, eu esperei por ela até agora, esperei por ela mais de duas horas e ela não apareceu. Como ela pôde? Como?"
"-Eu….não sei o que te dizer."
"-Ah! Mas ela vai ver. Ela vai ver." – Resmungou ela fechando a porta do quarto do amigo.
Draco sorriu. E seu plano dera certo. Agora só faltava o próximo plano também dar. O plano para se livrar da Weasley.
Fim do capitulo 7
Continua….
