Título: A Thousand Beautiful Things (Mil Coisas Belas)
Autora: Duinn Fionn
Tradutora: mila_crazyx (mila – sublinhado- crazyx -arroba- yahoo . com)
Beta da tradução: Verena
Classificação: R
Pares: Draco Malfoy – Harry Potter

Disclaimer: Essa história é baseada em personagens e situações pertencentes a JK Rowling, vários publicadores incluindo, mas não limitado à Bloomsbury Books, Scholastic Books and Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Nenhum lucro está sendo feito por parte do autor dessa fanfiction.

Contato da Autora: geoviki - arroba- msn . com

Sumário: Draco Malfoy confronta mudanças de sorte, de alianças, uma horrível guerra, um feitiço incomum, com a ajuda de um professor preocupado, um elfo-doméstico e um inesperado amigo grifinório.

Capítulo Quinto.

The past is never dead. It's not even past.

O passado nunca está morto. Ele não é nem passado.

Requiem for a Nun - William Faulkner

"O que você quer? Eu tenho cerveja ou cerveja."

"Não consigo me decidir… Ah, bem, ficarei com a cerveja," Dean disse a Harry enquanto tirava seu casaco e o jogava em uma cadeira como fazia toda semana.

"Ei, Dean," Ron gritou da cozinha. "Você deveria experimentar a cerveja, amigo."

Ele ouviu o som de garrafas batendo quando Ron entrou na sala, carregando quatro garrafas de cerveja. "Uma para você, uma para você, aqui está a sua Seamus, e uma para mim."

Ele abriu o pacote de salgadinho que trazia toda semana e o colocou na mesa na frente do sofá, de onde Seamus olhou para ele e sorriu. "Já era hora de você chegar. O jogo já vai começar."

Harry deu um leve tapa no seu ombro. "Pego um pote para o salgadinho?"

Seamus fez um gesto de impaciência. "Você pergunta isso toda semana, Harry. E nós dizemos sempre a mesma coisa. Não, inferno."

Dean riu. "A não ser quando você fala, 'Não, droga.'"

"Grossos," Harry disse, com irritação fingida.

Dean não ficou nem um pouco surpreso quando Harry comprou um apartamento na parte Trouxa de Londres depois da guerra, apesar de passar a maioria do seu tempo no lado bruxo do Caldeirão. Harry valorizava sua privacidade e não a encontraria em nenhum lugar perto do Beco Diagonal. E ninguém esperava que ele chegasse perto do Largo Grimmauld.

Mas o apartamento na Londres Trouxa de Harry, com sua televisão de tela grande era uma ótima atração para todos seus amigos. Eles criaram um hábito de se reunirem todo sábado de tarde para assistir futebol americano juntos. Ron já tinha ligado a TV na partida de aquecimento, e Dean ouviu a voz do narrador. "Newcastle United enfrenta Norwich City nesse jogo de hoje - os Canaries estão com uma onda de sorte desde o jogo da semana passada, mas os Magpies certamente são pássaros com as asas quebradas nessa tarde..."

Dean estava torcendo para os Magpies, decidindo que seria um adversário melhor para o Hammers na próxima partida.

"Recebi uma coruja de Neville essa semana," Harry contou.

"Onde ele está agora?" Seamus tinha colocado muita cerveja em seu copo, e estava bebendo rapidamente a espuma para não transbordar.

"Hum. Áustria. Não, espere, isso foi semana passada. Bélgica, eu acho. Eu deveria me lembrar dessa parte. É a única coisa que eu entendi na carta. Eu precisaria de um NEWT em Herbologia para entender o resto."

"Como estamos colocando os assuntos em dia – ainda nenhum sinal do bebê, Ron?" Dean perguntou educadamente. A esposa de Ron, Nancy, estava para dar luz alguns desses dias. "Ron? Ron!"

Seamus chutou levemente o ruivo. "Ron, responda quando falam com você."

Ron desviou o olhar da televisão, surpreso. "O que? Ah, desculpe. O que?"

Dean riu. Era uma piada entre eles, quão facilmente Ron ficava absorvido pela TV. Como sempre, ele sentou-se no sofá, sua atenção rapidamente dirigida à televisão de Harry com a animação de alguém que ainda não tinha se acostumado com o aparelho. Comerciais, programas - qualquer coisa o sugava como um buraco-negro. Dean repetiu sua pergunta.

"Qualquer dia agora, eles disseram."

Harry o lançou um olhar divertido. "E ela deixou você vir assistir futebol?"

Ron passou a mão casualmente pelo seu cabelo enquanto respondia, "Eu acho que ela estava feliz por se livrar de mim. Não consegue mais me ver a encarando.

"Ah, melhor você do que eu, amigo," Seamus riu.

"Considerando que você ainda não está casado, eu acho que concordarei com você," Ron respondeu sarcasticamente.

"Pelo menos eu tenho uma namorada, o que é mais do outras pessoas podem dizer."

Dean fingiu estar ofendido. "Eu tenho estado ocupado."

"Não ocupado o suficiente, eu diria."

Harry colocou a conversa novamente em assuntos seguros. "Bem, nós sabemos que Dean serve seu amor, a Arte. Como estão indo os desenhos?"

Ele aproveitou a mudança de tópico como um cão se lança ao osso. "Ótimos, na verdade. Eu fui convidado a exibir meu trabalho mês que vêm. Em uma galeria trouxa. Haverá uma recepção de abertura, e tudo mais, então todos estão convidados." Ele olhou diretamente a Seamus. "Álcool de graça, também, mas você tem que prometer que vai se comportar. Melhor ainda, traga Lydia, e ela fará com que você se comporte."

"Qual é, Dean, você não confia em mim? Não responda."

Dean ficou feliz quando Harry finalmente parou de agir como um anfitrião nervoso e relaxou na cadeira onde os casacos estavam, não percebendo quando eles caíram no chão. Ninguém se preocupou em avisá-lo. "Ainda desenhando pessoas?" Harry perguntou.

Ele hesitou por um momento. Ele não estava animado em contar quem ele estava desenhando ultimamente - exclusivamente também - mas decidiu que pareceria suspeito se mantivesse segredo. "Estou trabalhando com um antigo colega nosso agora. Hum. Draco Malfoy."

Ele se perguntou quanto tempo levaria para Seamus quebrar o silêncio. Mais do que esperava.

"Você está brincando." Seamus fez uma careta. "O Fuinha? Está desenhando vida selvagem agora?"

Até mesmo Ron desviou o olhar da TV com o comentário, e riu mais alto que Seamus. Dean sentiu uma enorme vontade de defender Malfoy.

"Eu não vejo a graça. Ele está disposto a posar para mim quando eu quiser, e ele é ótimo para se desenhar." Seu olhar os desafiava a contradizer suas palavras.

Seamus ignorou a defesa. "Mas Malfoy? Como você agüenta ficar perto dele? Quero dizer, você é um sangue-ruim para ele - ele não te insulta constantemente?"

"Ah, como mencionar a minha falta de namorada toda vez que me vê?" Dean perguntou sarcasticamente, e então teve que desviar o salgadinho que Seamus jogou nele. "Isso pode ser uma surpresa, mas pessoas mudam. Quero dizer, olhem para nós. Não somos mais os idiotas que éramos na escola."

"Graças a Deus," Harry murmurou baixo.

Ele continuou. "E ele também não é. Ele cresceu também, sabem. E todos os julgamentos dos Comensais da Morte - bem, ele provou que estava do nosso lado na guerra, não? Não é justo tratá-lo com as pessoas o tratam por causa de uma pessoa que ele fingia ser."

Seamus não desistiu. "Pra mim parece que você está ficando amigo dele, Dean. Por favor, me diga que estou errado."

Ele olhou para o outro tranquilamente. "Sim. Estou. Nós nos damos muito bem. Ele não tem mais ninguém, na verdade. Se vocês querem saber, eu acho que ele é solitário. Então ele vem posar para mim, e nós conversamos. E não há nada de errado com isso, e se disser mais alguma coisa, Seamus, vou te bater."

Seamus, ele sabia, podia reconhecer aquele tom de voz, e trocou as acusações pelo humor. "Sim, chefe. Escuto e obedeço."

Ron estava mexendo em uma pilha de artigos do Profeta Diário espalhados na mesa. "Engraçado você mencionar o Malfoy hoje. Eu li essa manhã que o pai dele morreu." Ele finalmente encontrou o que estava procurando na bagunça. "Vejam, aqui está. 'Lucius Malfoy, condenado Comensal da Morte e segundo em comando... blá blá blá... foi encontrado morto em sua cela em Azkaban no começo da manhã' . E só diz isso. Não haverá um funeral, aposto."

"E com bons motivos."

"Sem discussão da minha parte quanto a isso," Dean disse. "Lucius era um miserável." Mesmo assim, ele sabia que Draco seria afetado pela morte de seu pai - mesmo depois de presenciar alguns de seus feitos.

"Então Malfoy receberá sua herança agora?" Harry perguntou. Todos os detalhes da batalha de Malfoy contra o Ministério eram publicados no Profeta, o qual reportava obsessamente cada novidade legal.

"Acho que não. Draco me contou quer ele achava que o Mistério continuaria a lutar mesmo depois que Lucius morresse."

Harry franziu as sobrancelhas, confuso. "Por quê?"

"Muito alto o prêmio, acho. Além de que ainda há muito ódio ligado ao nome Malfoy no Ministério."

"Mas esse era Lucius. Como você disse, Draco estava no nosso lado," Harry disse.

"Essa linha é muito fina para algumas pessoas. Eles gostam de manter as coisas simples. Malfoys são ruins, certo? E enquanto o Ministério afirmar que só quer punir Lucius, todos ficam contentes."

"Menos Draco," Harry murmurou.

Dean continuou. "E quantas pessoas se preocupam com o que acontece com Draco Malfoy? Um minuto atrás eu estava sendo interrogado por tê-lo como modelo," ele adicionou friamente. Seamus teve a inteligência de parecer envergonhado.

"Não está certo," Harry disse.

"Não, não está," ele concordou. "E Draco está gastando uma fortuna em advogados para provar seu ponto. Se isso continuar por muito tempo, talvez não haja mais uma herança pela qual lutar."

Ron parecia atordoado. "Eu posso entender lutar pelo dinheiro, mas por que ele quer aquela velha Mansão? Imagino que deve ser horrível viver lá sozinho no meio de Wiltshire. Aposto que é cercado de Magia Negra. Dizem que Aquele-que-não-deve-ser-nomeado ficava muito lá."

Seamus adicionou. "E a mãe dele foi assassinada lá, e eu ouvi dizer que não foi uma cena bonita. Não há nada lá a não ser memórias ruins, eu acho."

"Ele afirma amar o lugar, no entanto," Dean contou. "Você imagina que não, mas ele ama. Diz que é parte dele." Ele ainda achava estranha a emoção com que Draco falava de sua casa ancestral.

"Deve ser por isso que ele é tão estranho. Casa estranha - lorde estranho. Faz sentido." Seamus disse.

"Mas não é uma casa estranha - nem um pouco. É linda. Nada perto do que eu esperava."

"Você já foi lá?" Harry perguntou, surpreso.

"Bem, algumas vezes," ele admitiu. "Eu esperava que ela fosse toda escura e gótica e assustadora, mas não é. É maravilhosa."

"Maravilhosa?" Seamus ecoou. "Bem, com aquela casa maravilhosa e a herança maravilhosa, eu suspeito que nosso maravilhoso Draco não ficará sozinho por muito tempo. Acho que haverá mulheres de sobra batendo na porta da Mansão."

Ele escondeu um sorriso, sabendo das verdadeiras preferências de Draco, mas não falando nada, pois sabia que nunca se livraria daquele tópico, mas percebeu que Harry estava fazendo a mesma coisa. Então ele descobriu as preferências de Draco, também? Bem, poucas coisas passavam despercebidas por Harry.

"Shh, galera, vai começar," Ron ordenou, e Dean estava grato pelo fim da discussão.

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A partida tinha sido mais longa do que o normal, com o ponto final dos Magpies, e a tarde rapidamente se tornou noite.

"É melhor eu ir," Seamus anunciou. "Prometi Lydia que iríamos sair para jantar."

"É, eu também," Ron concordou, e então parou. "Engraçado pensar que essa pode ser meu último sábado aqui sem ser um pai. Ainda é difícil de acreditar."

Dean começou a pegar as latas vazias de cima da mesa, e seus braços estavam cheios.

Harry olhou Ron estranhamente, como se não tivesse pensado muito na idéia de seu amigo como pai. "Bem, Ron, então eu acho que você finalmente terá algo que não é de segunda-mão."

Dean achou que isso era mais sem tato do que engraçado, principalmente vindo de Harry, que era cuidadoso com suas piadas. Era mais do perfil de Seamus fazer algo assim e seguir com várias risadas altas. Mas Harry não estava nem sorrindo.

Ron parecia surpreso também, conseguindo um sorriso fraco, mas não respondeu.

Mas Harry nem parecia ter notado. "Quero dizer, até mesmo sua esposa já foi usada, não é?"

O silêncio no quarto era absoluto. Os três encararam Harry, sem palavras diante dessa falta de etiqueta, e Ron estava ficando cada vez mais vermelho com cada segundo que se passava. Nancy já tinha sido casada com um Lufa-Lufa que morrera na guerra três meses depois do casamento.

Ron finalmente conseguiu rosnar uma resposta, "Não é engraçado, Harry."

Harry o encarou sem expressões como se não tivesse dito nada ofensivo. "Eu não estava tentando ser engraçado. Apenas apresentando um fato."

Ron o olhou friamente. "Ah. Como o fato de que você está sendo um completo idiota?"

Harry parecia um pouco surpreso com a resposta, mas parecia não estar preocupado com a reação de Ron.

Dean estava com uma sensação estranha em relação ao comportamento de Harry. Ele devia ter perdido algo importante, pensou; até agora Harry não parecia bravo com Ron de qualquer maneira, ele nem bebeu muito - menos do que o resto deles, na verdade. Nervosamente colocou as latas vazias na mesa, caso Ron começasse uma briga com Harry e ele tivesse que interromper. Apesar de Harry merecer, na verdade, depois do que disse.

Ron parecia estar se controlando para acalmar-se. "Bem, estou surpreso. Eu não esperava que meu melhor amigo me traísse assim, Harry."

"Não, isso seria o tipo de coisa que Dean faria," Harry disse.

Ele sentiu um nó em seu estômago. Ele não queria ouvir o que Harry tinha a dizer.

Seamus se intrometeu. "O que quer dizer, Harry? Dean nunca -"

"Ah, não? Por que não pergunta, Seamus? Embora não esteja surpreso que ele nunca tenha te contado o que ele fez."

Ah, Deus. Por favor, não aqui.

Mas Harry não estava parando. "Eu não sei como ele foi parar na Grifinória, sendo tão covarde. É claro que ele nunca te contaria como te entregou para os Comensais da Morte. Eu acho que não é algo do qual ele tenha muito orgulho."

Dean tentou entender o que estava acontecendo. Por que Harry estava descontando neles, do nada? E mais importante, como Harry sabia de sua traição? Apenas algumas pessoas sabiam - Severus. Draco. Goyle e Bryce, ambos mortos antes que Harry pudesse falar com eles. Então como -

Seamus estava gritando. "De que merda está falando? Dean nunca fez nada assim. Como você saberia? Você não estava lá."

"Ele não precisa me contar," Harry respondeu. "Eu sei. Eu posso ver. Ele até te contou quando você foi capturado, implorou por perdão naquela cela, e você o perdoou. Porque você é tão estúpido quanto ele."

Ele estava chocado. Era quase impossível que Harry soubesse do que acontecera naquela noite. Mas ninguém mais sabia daquela conversa privada entre ele e Seamus. Seamus não se lembrava. E Dean não podia falar sobre o assunto. Então como Harry sabia? Não dava para imaginar.

Ou era Magia Negra.

"Cala a boca, Harry," ele disse fortemente. "Não é da sua conta."

A reposta que saiu da boca de Harry foram vários insultos raciais que eram nojentos de se escutar.

Seamus correu na direção do outro, tentando defender seu melhor amigo, mas Dean segurou seu braço, não o deixando avançar.

"Seu maldito," Seamus gritou, tentando em vão se livrar dos braços de seu amigo.

"Seamus. Pare. Esse não é Harry. Alguma coisa está errada."

"É, isso é óbvio," o outro homem disse, tentando se libertar mais uma vez.

"Não. Quero dizer muito errada. Como um feitiço."

Harry os estava encarando como se os intimando a desafiá-lo, como se não estivesse sendo provocativo por vontade própria. Ron, que até momento estava imobilizado por causa do choque, retirou sua varinha depois do que Dean disse e gritou, "Finite incantatem."

Harry o olhou com raiva, e lançou mais insultos, dessa vez direcionados a Seamus.

Dean tentou outro feitiço. "Silencio," ele disse firmemente. Isso deveria deixá-lo quieto até decidirem o que fazer.

Mas para a surpresa deles, Harry não se silenciou nem por um segundo, continuando sua tirada como se nada tivesse acontecido.

Alarmado, Seamus repetiu o feitiço, mas acabou tão ineficiente quanto Dean. Ron, também, tentou, e então todos juntos, mas todas as tentativas fracassaram. Em pânico, Ron gritou, "Stupefy."

Ele poderia estar tentando lançar o feitiço em uma estátua e o efeito seria o mesmo. Harry não podia ser parado.

Confuso, ele teve que gritar para ser ouvido sobre os gritos de Harry. "Que tipo de feitiço é esse? Ele faz todos os outros inúteis. Eu nunca ouvi falar de algo assim antes."

Ron hesitou, e respondeu, "Talvez se o deixarmos sozinho, ele irá se acalmar e voltar ao normal."

Harry se jogou em cima de Ron e gritou, "Nem tente fugir, seu imbecil. Vocês não podem ir embora. Vocês têm que ficar aqui até eu terminar com vocês."

Seamus respondeu, irritado, "Quer apostar nisso, Potter?"

"Seamus, não deixe ele te afetar. Eu acho que ele não sabe o que está fazendo, e provavelmente não consegue parar."

"Então vamos embora." Ron sugeriu. Ele parecia miserável, e Dean não podia culpá-lo.

"Vamos, a gente espera do outro lado da porta e vemos o que ele faz quando não estamos aqui."

Dean concordou. Seria bom fugir do crescente nível de insanidade de Harry, quem continuou a ameaçá-los caso seguissem com o plano de ir embora. Os três rapidamente saíram do apartamento, gratos por escapar da loucura de seu amigo. Ron fechou a porta com um estrondo.

Mas o alívio foi pequeno. Pela porta, Dean podia ouvir o barulho de vidro quebrando - provavelmente das garrafas abandonadas - e altos sons de batidas que ele não queria identificar.

"Isso não é bom," Ron disse, e abriu a porta.

"Merda," Seamus exclamou. "Puta merda."

No pequeno tempo que ficou sozinho, Harry conseguiu destruir a pequena mesa e tudo em cima dela, e sangue corria pelos seus braços devido aos pequenos cortes.

"Eu avisei vocês," Harry riu sem humor, e o som era sinistro. "Eu avisei para não saírem."

"É melhor tirarmos a varinha dele," Ron disse, com voz baixa. "Dean, você e eu vamos ter que segurá-lo, e Seamus, você pega a varinha. Ele a guarda -"

"É, eu sei," Seamus respondeu. "No três. Um, dois -"

Harry lutou como uma fera selvagem, mas os três homens conseguiram pegar sua varinha, dando uma nova razão a Harry para xingá-los no topo de sua voz. Dean curou os cortes nos braços do outro quietamente, mas o sangue estava em todo o lugar, e ele não se preocupou com um feitiço de limpeza.

"Vamos colocar um feitiço silenciador no apartamento, senão os vizinhos vão chamar a polícia a qualquer minuto."

Para a sorte deles, conseguiram lançar os feitiços. Foi um alívio descobrir que alguns feitiços ainda funcionavam.

Mas eles não conseguiram lançar um feitiço em si mesmos para ficarem temporariamente surdos, sendo obrigados a ouvir os insultos, que só estavam piorando. E de tempo em tempo, Harry iria se lançar contra um deles em um breve ataque.

"Vamos amarrá-lo," Seamus disse. "Ele vai se machucar desse jeito." Um feitiço de aprisionamento não funcionou, apenas o deixando mais raivoso, então eles fizeram da maneira trouxa, com cordas. Assim que o último nó foi dado, Harry começou a gritar, tão alto que os deixou arrepiados. Longos minutos se passaram, e Harry não mostrava nenhum sinal de cansaço.

"Eu não acho que consigo aturar mais isso," Ron disse fracamente. "Nós temos que soltá-lo de novo."

"Temos que pedir ajuda," Dean gritou. Os nós foram soltos, e os gritos de Harry cessaram - mas não suas palavras, que continuaram igualmente insultantes.

"Eu vou chamar a Hermione," Ron respondeu. "Ela saberá o que fazer."

Ele esperava que sim, pelo bem deles. Ele estava cansado fisicamente de repelir os ataques físicos de Harry, e emocionalmente devastado assistindo Harry nesse estado tão dramático.

Ele viu a cabeça de Hermione na lareira, mas quase não conseguia ouvir a explicação de Ron por causa dos gritos de Harry.

"Ela vai chamar ajuda," Ron disse quando Hermione finalmente desapareceu. "E vai avisar Lydia e Nancy que estamos aqui, caso isso demore um pouco."

Dean não queria nem pensar em quanto tempo isso poderia durar. Isso acontecer com qualquer um já era horrível; acontecer com Harry era duas vezes mais trágico. Mas parecia que não importa o quê, tudo acontecia com Harry. De novo e de novo. Ele não tinha dúvidas que fora um alvo por causa de quem era. Ele tinha esperado - diabos, todos tinham esperado - que o fim da guerra e a morte de Voldemort trariam um fim aos problemas de Harry. Mas então, a guerra não tinha acabado tão limpa como todos pretendiam. Alguns Comensais ainda se encontravam em esquinas escuras, o suficiente para manter os Aurores ocupados muito tempo após o fim da guerra.

Mas os planos deles não tiveram sucesso até essa noite.

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A noite havia trazido ajuda, mas nenhuma solução. Hermione trouxe todos em quem conseguiu pensar - Remus Lupin, Olho-Tonto Moody, Tonks, Arthur Weasley - todos vieram com pressa e com feitiços inúteis. A maioria foi embora novamente, de volta à biblioteca ou ao Ministério, ou quem sabe aonde, para procurar informações do que estaria acontecendo com Harry. Seamus finalmente desistiu e foi embora algumas horas atrás, cansado e com sinceras desculpas. Dean estava feliz em ver ele, pelo menos, escapar por um tempo.

Ele checou seu relógio - 2:30. Harry tinha começado a respirar profundamente até que finalmente - finalmente - caiu no sono no sofá cerca de uma hora atrás. Ron tinha cochilado em uma cadeira, seus longos braços e pernas inconfortáveis no pequeno espaço. Lupin tinha sentado na cama de Harry com instruções expressas de acordá-lo ao menor sinal de mudança.

Dean estava tentando se livrar da adrenalina ainda correndo pelo seu corpo. A inesperada revelação feita por Harry, de sua captura e traição, ainda o perturbava imensamente. Depois que Draco restaurou sua memória, ele estava decidindo a melhor maneira de contar Seamus sobre o episódio. Mas era tão difícil. Seamus o tinha perdoado uma vez, e ele não sabia se teria a mesma sorte novamente. Eles tinham se tornado ainda mais dependentes um do outro durante a guerra, e não queria que nada destruísse essa ligação. Queria contar a Seamus mais cedo do que tarde; o que Harry fez foi inevitável.

Sons do sofá o alertaram que Harry estava acordando. Viu os olhos dele, tão vulneráveis sem os óculos, abrirem e analisarem a situação estranha. Harry parecia mais calmo, e Dean ficou mais esperançoso.

"Harry," ele disse cuidadosamente.

"Dean," Harry respondeu com uma voz rouca. Suas mãos procuraram por seus óculos, e Dean se inclinou, os entregando. Ele os colocou e então se virou na direção de Dean.

"Ai, meu Deus, Dean. Eu..." Dean podia ver o terror passar pelos olhos dele.

"Harry. Está tudo bem. Como se sente?"

Harry se sentou na cama. "Horrível. O que aconteceu? Eu…" Ele viu o olhar preocupado de Dean, e derrubou sua cabeça em suas mãos. "Não foi um sonho, não é? Eu realmente disse aquelas coisas, não foi?"

"Está tudo bem, Harry," ele repetiu, tentando parecer calmo, aliviado que Harry voltara ao normal.

"As coisas que eu disse. Ai, Deus, Dean, eu não sei por que disse aquelas coisas. E então..." Ele olhou para seus braços sem acreditar. Traços de sangue sujavam suas mangas. "Ai, droga. Desculpa."

"Você se lembra de tudo?"

Harry parecia tão horrorizado que Dean sabia da resposta antes de ele falar.

"Eu queria não lembrar. Eu me lembro de todo maldito minuto. Ai, Dean -"

"Bem, nós raciocinamos que tinha alguma coisa errada," ele interrompeu, tentando tranqüilizar Harry como podia. "Alguém lançou um feitiço em você. Mas acabou agora. Vá com calma."

Ron acordou com as vozes, levantando-se com um susto. "Harry."

"Ele está bem, Ron," Dean disse rapidamente. "Acabou."

Ron estava ao lado de Harry em um instante, colocando uma mão confortante nas costas do outro. "Droga, Harry, você me assustou. O que foi tudo aquilo, hein?"

Harry deu um pequeno sorriso. "Não faço a mínima idéia. Eu sinto muito, muito mesmo. Vocês têm que acreditar que eu não acredito em nada do que eu disse."

"Eu sei disso, amigo. Esqueça."

"Então o que você acha que aconteceu?" Dean perguntou.

"Eu nem sei. Quero dizer, nós estávamos sentados ali, vendo o jogo, quando eu tive essa sensação - eu não sei, odiosa, eu acho." Ele limpou a garganta, que ainda estava doendo por causa dos gritos da noite anterior, e desviou o olhar. "Eu queria dizer as coisas mais horríveis que podia, para me vingar de - bem, eu não sei de quê. E eu não pude me conter. Só saiu." Ele olhou Ron primeiro, então Dean. "Mas eu não estava dizendo coisas que realmente acho, mas escondo de vocês. Eu não acho aquelas coisas de forma alguma!"

"Eu sei disso," Ron disse.

"Mas era como ser possuído, sabe? Como Imperius. Ai, Deus…" ele parou, ainda horrorizado pela lembrança de suas ações.

"Harry, escuta," Dean disse, e então hesitou. "Aquilo que disse sobre Seamus e eu. Sobre a traição." Era difícil falar disso na frente de Ron, mas era necessário. "Como você sabia daquilo?"

Harry passou a mão pelos cabelos, enquanto tentava se lembrar da memória. "Eu podia ver. Um quarto, pequeno, sem janelas, só com você e Seamus, e vocês estavam presos na parede por um feitiço de aprisionamento. Eu podia ver Seamus, mas não você. Podia escutar o que ambos falavam, no entanto. Você contou como o traiu, e ele te perdoou. Mas não foi real, não é?"

Harry tinha lido sua mente. Dean não podia pensar em uma combinação pior - sob esse feitiço, parecia que Harry podia descobrir os piores segredos das pessoas ao seu redor e lançar os piores insultos. Dean estava horrorizado por ter seus segredos abertos tão abruptamente.

"Eu acho que vou chamar Remus, para avisar que você está bem."

E ele estava bem, pelo resto da noite, e no dia seguinte. Seus amigos passavam de vez em quando para se reafirmarem de seu estado, encorajando-o a descansar e ir com calma. Ele os obedeceu, e foi um exemplo de bom paciente.

E então, um pouco depois do jantar, para o horror de todos, começou tudo de novo.

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Após uma semana, a maldição de Harry não mostrava nenhum sinal de parar. Os insultos começariam à noite, e Harry iria xingar qualquer um próximo a ele até que, depois de longas e difíceis horas, ele dormisse por exaustão.

Seus amigos tinham que se preocupar em ter alguém com ele todas as noites - uma tarefa que ninguém queria ter - e ao mesmo tempo manter tudo fora do Profeta Diário.

Hermione servia de ponte entre Harry e os especialistas do Ministério. Depois da primeira terrível noite, todos concordaram que era necessário procurar alguém especializado em Magia Negra. Com certa dificuldade, ela conseguiu formar um time.

"Faz sentido que o Departamento de Mistérios trabalhe nisso," ela disse a Dean. Tinha sido recentemente promovida a chefe do departamento e brincava que podia contar o que fazia lá, mas então teria que matá-lo. Ele meio que acreditava nela.

"Quem mais está na missão?" ele perguntou.

"Bem, os Aurores, é claro. E o grupo de Percy Weasley no M.U. - o grupo que procura os Comensais da Morte."

Ele ergueu as sobrancelhas. "Eles acham que os Comensais fizeram isso?"

Ela concordou. "Faz sentido, não acha? Nós estamos falando de Harry Potter."

"Certo."

"De qualquer jeito, o M.U. queria ter essa missão, até que nosso chefe foi mais rápido que o chefe deles e foi até Tabernash. Resumindo, nós temos o caso agora."

Ele a olhou, suspeito. "E você não teve nada a ver com isso?"

Ela riu. "Bem, não que eu admita. Deus, Dean, política de escritório - você não tem idéia. Esteja feliz por trabalhar para si próprio."

Até o momento, a procura do time de Hermione não tinha trazido nenhum resultado. Ninguém sabia de uma maldição com aqueles efeitos, nenhum livro, nada.

Dean achava que a pior parte era que Harry se lembrava de tudo que falou e, é claro, ele sempre estava miseravelmente arrependido. Depois de nove dias, os dispostos a ficar com Harry tinham se reduzido a uns cinco amigos.

Ele tinha ido a noite passada e ainda estava se recuperando da experiência. No final das contas, ele decidiu, foi um dia ruim o que escolheu para pedir que Malfoy retirasse o feitiço de memória de Seamus, mas ele planejava terminar logo com isso.

Malfoy não teve nenhuma resistência à idéia, para sua sorte. E depois que Harry tinha lido a mente de Dean, era algo que tinha que ser feito logo.

Ele ouviu Malfoy chegando pela lareira em sua sala, e foi recebê-lo.

Depois dos cumprimentos, Dean disse, "Seamus não virá por mais uma hora, então eu achei que a gente podia trabalhar um pouco antes."

Malfoy deu um pequeno sorriso. "Malandro, não é? Para um grifinório, pelo menos." Mas ele seguiu Dean até o estúdio. Não pela primeira vez Dean se perguntou por que Malfoy continuava a posar para ele, sem recompensa ou reconhecimento. Quando ainda estavam na escola, não achava possível que pudessem ser... Bem, amigos, achava. Ele ficava cada vez mais confortável na presença de Draco, e achava que o outro se sentia da mesma maneira.

Eles tinham um temperamento em comum. Ele ficou surpreso quando descobriu que Draco era calmo, disposto e composto, muito diferente do menino briguento que costumava ser. Não que estivesse completamente irreconhecível - Draco ainda era muito centrado de vez em quando. Mas os anos de guerra, as perdas, o tinham acalmado.

Ele apreciava a natureza composta do outro, o humor um pouco obscuro, e a óbvia inteligência. Suspeitava que Malfoy fosse - diabos, talvez sempre tivesse sido - basicamente solitário e isolado. Bem, ele não era o único veterano de guerra que acabou assim.

Então eles passavam longas horas juntos, com suas conversas quietas e o som do lápis quebrando o silêncio. As discussões deles iam desde políticas do Ministério, fofocas de seus antigos colegas e discussões de seus conhecidos em comuns, incluindo o famoso colega - Harry Potter.

Draco não usava mais os apelidos que dava a Harry na escola - idiota-que-sobreviveu, Potty, testa partida - e perguntava dele sem animosidades. Dean tentou ser o mais factual que pôde ao contar os acontecimentos recentes.

"As coisas não estão boas no momento."

"Como assim?"

"Algum tipo de maldição foi lançada nele." Ele não pôde deixar de perceber como Draco endureceu com a notícia. "Uma maldição estranha. Faz ele criticar os amigos."

"O que você quer dizer? Criticar seus amigos - como?"

"Bem, até agora foram só insultos. Acho que você poderia dizer que ele só fala besteira. Coisas horríveis, no entanto. De alguma maneira ele parece atingir onde dói mais."

Draco franziu as sobrancelhas. "Continue."

"A pior parte é que ele não pode ficar sozinho. Alguém tem que estar com ele quando isso acontece, porque ele fica violento. É bem difícil. Cada um fica uma vez."

"Você sabe por que… quero dizer, você fica com ele também?"

"Às vezes. É difícil, isso. Quero dizer, nós sabemos que não dá para evitar. Quando acaba, ele se sente horrível, sabe. E não é culpa dele. Entre todas as pessoas tinha que acontecer com ele - depois de tudo que já enfrentou. Por que?"

"Por que eu posso," Draco disse com voz baixa.

"O que?" Ele percebeu que Draco estava se segurando para não mudar de posição.

"Parece ruim."

"Pelo menos ele não fica daquele jeito o dia inteiro. Noites, até agora."

"Por quanto tempo isso tem acontecido?"

"Uma semana e meia. Alguns especialistas do Ministério estão pesquisando, é claro. Hermione está envolvida também."

"Já tiveram alguma sorte?"

"Não. Ainda não. Mas esperamos achar algo logo. É horrível, Draco. É como estar com um dementador humano - ele suga toda a felicidade de você. E quando tudo acaba, ele se lembra de tudo e se sente como merda."

Draco não disse mais nada.

Mas quando a hora acabou, ele percebeu, que tinha desenhado um retrato de Malfoy que era quase devastador em sua tristeza.

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A chegada de Seamus foi quase anti-climática. Draco o cumprimentou educadamente, e Dean explicou brevemente sobre o feitiço de memória lançado tanto tempo atrás. Um curto Finite incantatum depois, Draco se despediu rapidamente, deixando Dean e Seamus sozinhos.

Seamus estava estranhamento quieto.

"Malfoy me devolveu as memórias cerca de três semanas atrás," Dean começou. "Quero dizer, a gente sabia que ele estava envolvido, até mesmo naquela época, mas algo estava me incomodando em todo o episódio. Ele não tinha apagado todas as minhas memórias daquela noite. Eu sempre me lembrava da minha traição."

Seamus não disse nada.

"Mas eventualmente eu decidi que queria que você se lembrasse de tudo também. Eu sei que andou tendo suas dúvidas ao meu respeito ultimamente. Diabos, durante meses, na verdade. Eu não me sentia confortável com você achando que eu era seu grande amigo. Eu... Bem, eu me sinto como uma fraude. Agora você sabe o que eu fiz com nossa amizade."

"Não," interrompeu. Dean ficou tenso, esperando Seamus continuar, mas parecia que era só isso.

Ele respirou fundo. "Desculpa, Seamus. Eu sentia muita culpa lá, e eu sinto ainda mais agora. Eu não tenho desculpas pelo que fiz com você. Eu te traí completamente."

Seamus inclinou a cabeça para o lado e o olhou diretamente nos olhos. "Olha, Dean. Eu já te perdoei uma vez. Você não entendeu isso, seu mané? Você acha que eu vou me arrepender agora?"

"Bem. Sim," ele conseguiu dizer.

"Por quê? Você me disse suas razões. No seu lugar eu provavelmente teria feito a mesma coisa."

"Não, não teria -"

"Dean." O nome foi dito com tanta força que ele parou para escutá-lo. "Eu nunca fui testado. Eu tive sorte nisso. Eu não sou mais nobre do que ninguém. Quem sabe o que eu teria feito no seu lugar? Você fez o que achava que tinha que ser feito naquelas circunstâncias, e você se desculpou, e eu te perdoei. Eu te perdôo."

E naquele momento Dean se sentiu como a pessoa mais feliz do mundo.

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They've got a name for the winners in the world; I want a name when I lose.

Eles têm um nome para os vencedores do mundo; Eu quero um nome quando perder.

Deacon Blues - Steely Dan

Draco declinou a sugestão de Sully para o jantar. Seu apetite havia sumido, pensamentos de comida desapareceram. A lembrança da revelação sobre Potter os substituíram - sobre a esquecida maldição, palavras ditas em uma tarde de outubro anos atrás que fizeram tanta diferença em sua vida. Como ele pôde esquecer?

Porque eu posso.

Naquela época, ele só se preocupou com o resto da discussão com seu pai. O que aprendeu naquele dia o levou a Severus, e à Ordem, tudo resultando em sua espionagem. A maldição - como era chamada? - era apenas uma nota de rodapé em assuntos mais importantes, algo facilmente esquecido. Algo com o que não teria que se preocupar até que Lucius morresse, uma eternidade no futuro. Pelo menos naquela época.

Mas a mágica nunca esquecia tão facilmente assim como bruxos. Previsível, inescapável, destinado, o feitiço havia sido lançado como um câncer secreto. Escondido até o dia em que Lucius não pudesse mais batalhar com o vazio de sua alma, e ele escaparia para sempre. Morto. Então as palavras venenosas do feitiço viriam à ativa.

E Draco sabia - tão certamente como sabia de seu lugar no mundo - o que iria acontecer com ele. As mentes mais brilhantes, os melhores quebradores de maldições, o poderoso Ministério que já estavam trabalhando para ajudar seu símbolo - o Homem que Sobreviveu e Derrotou Voldemort. Logo alguém conectaria a maldição de Potter ao seu pai. Alguém reconheceria o encanto. E com Lucius morto e ninguém para culpar, Draco sabia com certeza quem seria culpado por tudo. E de quem iriam querer vingança.

Ele foi até seu bar e abriu uma garrafa de uísque, servindo uma generosa quantidade em um copo. Naquelas circunstâncias, não estava interessado em comer - beber era bem mais tentador.

Seus advogados continuavam a assegurar que o apoio no Wizengamot estava crescendo. O Ministério poderia falhar em suas tentativas de retirar a Mansão se pessoas o suficiente o apoiassem - sendo o último respeitado Malfoy desde muito tempo. Mas por causa da guerra, ele seria obrigado a usar Veritaserum, e seria fácil fazê-lo confessar que sabia da maldição e não fez nada para impedi-la.

E não seria isso perfeito? Sim, senhor, eu ouvi meu pai, Lucius Malfoy, lançar uma maldição Negra em Harry Potter. Não, ele não queria destruir o salvador do mundo mágico, ele só estaca se mostrando para mim. Potter só estava passando por ali.

Por quê? Porque é isso que os Malfoys fazem, não é? Porque nós podemos.

E com essa admissão, perderia a Mansão. E se perdesse a Mansão, ele estava sob grande risco de perder a si mesmo.

Mas não sabia o que fazer.

Seu copo já estava vazio. Ele sabia o que fazer quanto a isso, pelo menos.

Sentou em silêncio, vendo o fogo queimando na lareira, nunca diminuindo. Ele permitiu que as chamas levassem seus pensamentos àquela noite no escritório de seu pai. Ele tinha prestado muita atenção nos feitiços que seu pai estava estudando naquela noite. Não era necessário dizer que eram maldições Negras. Mas naquela noite em particular, estava explorando feitiços estrangeiros.

Ele abruptamente se lembrou da história que Lucius inventou para ilustrar a maldição. Sobre amantes. A Maldição do Amor Rejeitado, era isso. E os amantes eram chamados Juan e Maria e Consuelo. Uma maldição espanhola.

Ele precisava achar o livro que seu pai usou. Tinha que estar na casa, provavelmente no escritório de seu pai. Repentinamente impulsionado, ele se levantou e se dirigiu à porta. Ele hesitou e se dirigiu ao bar, pegando a garrafa. Detestava ir ao escritório de Lucius, um lugar muito saturado com a presença de seu pai, e o evitava o máximo que podia. A garrafa ajudaria.

Ele teve um calafrio quando abriu a porta. Se acalme, pensou. É só um quarto vazio.

"Lumus," ele disse, um pouco alto demais. As luzes se acenderam.

Tudo estava exatamente igual a última vez que seu pai esteve ali. Seus olhos foram automaticamente na direção da cadeira em que Lucius passava tanto tempo sentado, e se forçou a desviar o olhar. Ele quase podia sentir o aroma distinto do outro, a única combinação de colônia refinada e couro, com um pouco de tabaco que fumava ocasionalmente. Até as sombras pareciam ecoar a forma de seu pai.

Ele admitiu que talvez o uísque tivesse sido uma idéia ruim, no final de contas - ele estava ficando muito temperamental. Melhor achar o livro e sair dali. Tinha uma boa razão para evitar o lugar.

"Accio livro de feitiços de maldições espanholas," disse cuidadosamente, e se preparou para pegar o que viesse na sua direção.

Viu três livros saírem da prateleira e vir na direção dele. Conseguiu pegar os dois primeiros e uma mão livre para pegar o terceiro antes que batesse na sua cara. Que bom que seus reflexos de apanhador não serviam só para o Quadribol.

Ele se recusava a examinar os livros ali. Um rápido "Nox" e o bater de uma porta, e estava novamente no corredor, tentando não suspirar em alívio. Ele foi novamente ao seu quarto.

Não se lembrava de ter olhado para o livro nas mãos de seu pai, então qualquer um dos três poderia ser o certo. Todos estavam em espanhol, então lançou um feitiço de tradução, optando por um mais complexo para ter certeza das palavras.

O primeiro livro se concentrava em poções e remédios, então o descartou. O segundo parecia mais velho e frágil. Abrindo a capa, ele encontrou as páginas em branco, mas isso não o desencorajou. Todo Malfoy sabia pelo menos dez feitiços para destrancar livros de Magia Negra. Ele lançou o correto em sua quarta tentativa.

Tinham menos feitiços do que ele esperava, então achou o correto rapidamente. Listado em "Maldições de Vingança", se estendia por muitas páginas. Pelo que se lembrava, as palavras da maldição não eram muito longas, e as descrição também não, então estava curioso pelo tamanho do capítulo. Ele continuou a ler.

Os efeitos desse feitiço terrível na vítima amaldiçoada.

O feitiço voltará toda noite, começando com o pôr-do-sol e acabando com a exaustão da vítima.

A vítima irá querer dizer as coisas mais abomináveis para todos.

A vítima ganhará a habilidade de descobrir os piores segredos e culpas das pessoas ao seu redor.

Se deixada sozinha, a vítima criará sérios danos a objetos e então a si mesma.

Feitiços silenciadores não terão efeito próximo da vítima.

Feitiços atordoantes não terão efeito próximo da vítima..

Feitiços de aprisionamento não terão efeito próximo da vítima..

Tinha uma ilustração de alguém amaldiçoado pelo feitiço, uma mulher gritando a um grupo de pessoas horrorizadas. Um deles estava vindo por trás da mulher com um machado. Enquanto olhava, a figura trouxe o machado para baixo com um golpe repentino, abrindo a cabeça da vítima e jorrando sangue por toda a figura. Enojado, teve que desviar o olhar, grato que a imagem não tinha som.

Então essa era a maldição que Potter sofria todas as noites. Não é surpreendente que o Ministério tenha se envolvido.

Seu coração se acelerou quando leu a próxima linha.

Como quebrar a maldição.

A maldição faz com a vítima não pare de falar. Para quebrar o feitiço, alguém tem que fazer um voto de silêncio secreto pela vítima. Apenas então a maldição acabará.

O quebrador da maldição deve anunciar ao mundo que ele ou ela não irão mais se comunicar, mas não devem mostrar nenhuma razão pelo voto de silêncio. As últimas palavras do quebrador devem ser as do feitiço para quebrar a maldição.

A maldição permite apenas uma tentativa para quebrá-la. Se o quebrador da maldição falhar, a maldição continuará até o fim da vida da vítima.

Então a quebra da maldição envolvia mágica de Troca. Nada muito diferente, até mesmo em magia que não é Negra. Uma ação por outra ação. Ele continuou.

O voto deve ser mantido por seis meses e cinco semanas e quarto dias e três horas e dois minutos e um segundo.

Que poético. Ele reconhecia o poder dessa ordem das suas aulas de Aritmancia. Ele trabalhava em padrões numéricos como este naquela noite que fugiu de Hogwarts.

Uma lista parcial de ações proibidas ao quebrador da maldição:

Você não pode falar.

Você não pode escrever.

Você não pode fazer gestos com sua cabeça ou mãos.

Você não pode formar palavras com seus lábios.

Você não pode assinar seu nome.

Você não pode contar a ninguém o porquê de não estar se comunicando.

Uma lista parcial de ações permitidas ao quebrador da maldição:

Você pode sorrir.

Você pode rir.

Você pode chorar.

Você pode tocar.

Você pode beijar.

Draco riu dessa última frase. Ele não conseguia imaginar um quebrador de maldição tendo uma grande vida social sem a habilidade de se comunicar. Virou a página.

A lista continuava página depois de página, com pontos detalhados. Cada item descrevia o que podia e o que não podia ser feito sob o voto de silêncio. Ele não se preocupou em ler todos os pontos em detalhe, mas uma coisa estava clara: qualquer tentativa de se comunicar com qualquer um iria levar ao fracasso e fazer o feitiço continuar até a morte da vítima.

Ele queria poder ver Potter sob o feitiço pelo menos uma vez.

Percebeu que estava examinando as condições como se estivesse realmente considerando quebrar a maldição de Potter. E esse era um passo sério. A ironia da situação não passou despercebida por ele - metade do mundo mágico iria carregar contente qualquer peso por seu ídolo. Os amigos grifinórios de Potter iriam felizmente fazer o voto por ele.

E Draco era a última pessoa, na mente dele e de todo o mundo, que iria ser um voluntário para quebrar a maldição.

Mas se queria ficar com a Mansão, era o único que podia. Porque tanto a maldição quanto a cura deviam permanecer em segredo - o envolvimento de Lucius nunca deveria ser exposto. E o voto de silêncio não podia ser explicado. De certa maneira, ele achava tudo intrigante. E desafiador.

Mas se recusava a se comprometer. Ele iria pensar por uma semana, decidiu. Uma semana para considerar todas as implicações do que estava pensando em fazer. Bem, não era como se tivesse como se tivesse uma vida social. Ele quase não via ninguém - Severus era seu contato mais forte, e ele não era do tipo sociável. Mas Draco precisava usar palavras para comandar seu elfo-doméstico. E mais importante ainda, para fazer quase toda mágica.

Mas pela primeira vez desde que Dean Thomas o contou da maldição de Potter, ele tinha uma pequena esperança de não perder tudo que importava para ele.

Porque eu posso.

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Meeting on the road to Basra, You half blind in a blood soaked coat

Me, I'm a fallen angel, Fallen from the burning tree of doubt

Encontrando na Estrada para Basra, Você meio-cego em um casaco encharcado de sangue

Eu, Eu sou um anjo caído, Caído da árvore em chamas da dúvida

God's Alibi - Capercaillie

Draco teve seu desejo de observar Potter sob a maldição atendido mais cedo do que esperava.

Ele estava novamente posando para Dean em um final de tarde, casualmente conversando como sempre faziam durante as longas sessões. Nunca iria admitir ao outro homem, mas sentia como se sua vida tivesse sentido novamente. Não importava que ele fizesse quase nada ali; o que importava era que alguém precisava dele.

Nunca tinha passado tanto tempo com alguém tão diferente dele. Pela primeira vez, se permitiu olhar além dos rótulos - nascido de trouxas, pobre, Grifinório - ele costumava ser fechado com estranhos, mas se deixou conhecer esse homem diferente. Dean não era tagarela como seu amigo Seamus, mas não se importava em dividir histórias do passado com Draco. E ao mesmo tempo ele não pressionava Draco a falar de seu passado também.

Essa noite, eles estavam discutindo os pais de Dean. Draco estava intrigado pela descrição de uma vida familiar feliz e íntima que ele e seus amigos Sonserinos nunca tiveram.

"Minha mãe e meu pai não sabiam nada do mundo mágico, sabe," Dean disse. "Mas eles sempre souberam que eu era diferente, com coisas estranhas acontecendo o tempo todo. Então veio a carta de Hogwarts. E Arthur Weasley veio na nossa casa para explicar tudo."

Draco sentiu seu interesse crescendo. Ele nunca tinha pensado em como deve ser para uma família de Trouxas descobrir sobre Hogwarts pela primeira vez. "Por que Weasley?"

"Ah, ele era muito bom para explicar as coisas. Ele é pouco intimidante, para começar. Foi algo muito surpreendente na nossa família, e todos tínhamos muitas perguntas. Ele fez tudo parecer muito especial - de uma maneira boa."

"Você estava assustado?"

Dean franziu as sobrancelhas enquanto pensava antes de responder. "Não muito, eu acho. Nós estávamos felizes por finalmente ter uma explicação para as coisas estranhas que aconteciam perto de mim. Eu estava tão animado. Era o quarto de seis crianças - eu sempre era esquecido no meio daquela multidão. Me sentia único. Você pode apostar que meus irmãos e irmãs ficaram com bastante inveja de mim depois disso." Ele sorriu. "E eu admito que gostei."

"O que eles acham de você agora?" ele perguntou, mas nunca recebeu uma resposta. A lareira de repente acendeu, e a cabeça de Granger apareceu. Estava falando alto e rápido no segundo em que estava sólida o suficiente.

"Dean, eu preciso de ajuda com Harry. Pode vir agora?"

Dean já tinha colocado seu desenho de lado. Ele não perdeu tempo perguntando detalhes. "Estou indo. Nós já iremos para lá."

Draco, percebendo a palavra "nós", o olhou com surpresa.

"Draco, você se importa? Nós talvez precisemos da sua ajuda, também. Mas olha, se você não quiser vir -"

"Não, eu vou com você," ele respondeu, tentando não parecer muito curioso sobre a condição de Potter.

Alguns minutos depois, estava limpando suas roupas no que parecia ser a sala de estar de Potter. Levou alguns segundos para se acostumar com o lugar. Gritos altos vinham da sala ao lado, junto com o som de alguma coisa - muitas coisas - quebrando. Ouviu a voz de Granger também, gritando Wingardium leviosa repetidamente. Dean correu até lá e Draco o seguiu.

"Harry. Harry. Pare com isso," Dean gritou.

Da porta na cozinha, Draco viu Potter se virar abruptamente na direção da nova voz. O olhar de alívio de Granger era palpável. Ao redor deles, cacos de vidro estavam no chão; muitos levitando no ar por causa dos feitiços de Granger e pairando como estranhas aves.

"Graças a Deus que você chegou," ela disse. "Eu não o agüentava hoje."

O ataque de ira de Potter parou com a chegada de Dean. Draco assistiu à face de Potter se transformar de um olhar raivoso a um sorriso mais calculista e maldoso.

"Dean Thomas. Meu Judas preferido. Que legal de você passar por aqui."

Tanto Potter quanto Granger viram Draco ao mesmo tempo. O alarme de Granger era óbvio, mas ela não disse nada. Potter, no entanto, cobriu seu choque inicial com uma expressão mais perturbadora - antecipação, talvez, ou animação maldosa.

"Ora, ora. Draco Malfoy. Que surpresa." Ele ignorou Dean e andou até a porta onde Draco estava sem se mexer. "Eu não te vejo desde o tribunal de seu pai. Não, espere - acho que foi o funeral de sua mãe."

"Potter." Ele cumprimentou, mas não se mexeu, excluindo qualquer emoção de sua face.

"Veio ver a aberração, não é? Sentiu a necessidade de me lembrar de como os grandes caíram?" A tom de voz de Potter baixou, até que ele parecia quase ameaçador. "Apenas se lembre, Malfoy, é apenas uma das inúmeras coisas que temos em comum."

"Você está certo, é claro," ele respondeu calmamente.

"Como o fato de que nossos pais morreram por nós. Apesar de que no seu caso, é mais por causa de você."

Em outro momento, ele supôs, os comentários de Potter o fariam responder com punhos, mas estava clinicamente longe de responder com emoções. Ao invés disso, o comportamento de Potter era interessante.

Mas Granger não sabia disso. A ansiedade dela estava ficando pronunciada, até que ela finalmente disse. "Eu não acho que foi uma boa idéia você ter vindo, Malfoy. Harry não mede palavras, e fica pior."

Dean tentou interromper. "Ele estava comigo quando me chamou, Hermione. Eu achei que talvez precisasse de nós dois."

Granger parecia inconfortável. Draco sabia o que ela queria dizer, e estava curioso de como ela iria se expressar sem ser insultante.

"Eu aprecio sua preocupação, Dean, mas - bem, sem ofensas, Malfoy - com a história deles, talvez essa não tenha sido uma boa idéia. Harry tem muita munição para usar contra ele." E vice-versa.

Draco levantou uma mão. "Talvez eu seja uma melhor escolha do que pensa. Você não sabe que eu já ouvi tudo isso antes? Não há nada que Potter me diga que eu já não tenha ouvido centenas de vezes. Ele não pode falar nada que eu já não concorde. Não me afeta mais."

Isso fez Potter rir. "Meu deus, Malfoy, você não mudou nada. Você ainda é a maior fraude que já pisou em Hogwarts. E eu aqui achando que Hermione era a cadela mais convencida. Você iria fazê-la lutar pelo título."

Mas Draco apenas riu. Ele pegou o braço de Potter, e Potter o deixou. "Vamos nos sentar na sala de jantar," ele disse. "Deixe esses dois limpar sua bagunça enquanto nós dois contamos as novidades." Ele viu Dean e Granger trocando olhares duvidosos, mas não tinha tempo de convencê-los.

Pelo menos no momento, Potter o estava achando divertido. "Mas é claro. Você pode me contar como foi transar para subir entre os Comensais da Morte." Draco os levou ao sofá. Deixando Granger e Dean sozinhos para limpar o desastre na cozinha.

Os olhos de Potter estavam brilhantes e selvagens, e seu sorriso era sinistro, uma combinação que, para sua surpresa, Draco achava sedutora. Talvez porque ele entendia dessa maldição, diferente dos outros, e não estava nem um pouco com medo - ao invés disso, estava fascinado.

Potter falou. "Então aqui estamos, dois garotos órfãos. Bem, a não ser que seu pai não está realmente morto ainda - ou está? É difícil saber. De qualquer jeito, eu acho que deveríamos estar criando laços ou algo assim." Ele sorriu sarcasticamente, uma expressão que lembrava Draco dele mesmo. "Mas eu odiaria interferir com a relação que você tinha com seu pai."

Ele reconheceu a provocação, mas deixou passar. "Desculpe, Potter, está errado. Dos muitos pecados que já cometi, incesto não foi um deles."

Potter o encarou por alguns segundos. "Não. Eu posso ver agora. Você estava muito ocupado tentando foder o Snape. Mas infelizmente para você, ele te rejeitou. Sorte sua, ele é hetero e não queria nada com você." Potter fechou os olhos por um momento, e quando os abriu novamente, seu olhar estava mais frio. "Isso foi na noite que você me beijou no corredor. Cristo, Malfoy, você estava excitado pelo pau de qualquer um, não estava? E nem estava escolhendo muito. E todo esse tempo eu achava que tivemos um momento especial naquela noite."

Só então Draco se lembrou que a maldição permitia que a vítima olhasse na mente dos outros. Ele rapidamente ergueu seus escudos, uma defesa familiar durante a guerra, mas algo que nunca mais usou.

Potter reconheceu suas defesas recém-erguidas. "Malfoy, você está se escondendo."

Ele sorriu. "Sim. Nunca te contaram que olhar na mente dos outros é falta de educação?"

"Não importa. Tem o suficiente escrito sobre sua vida patética no Profeta Diário. Nosso herói recluso e solteiro. Sem família, sem amigos, sem sexo."

Ele não estava surpreso ao perceber que Dean e Granger não estavam com pressa de se unirem a eles na sala. Potter manteve seus ataques pelo resto da noite. Draco não sabia qual era pior: escutar Potter sob a maldição ou escutá-lo depois, cheio de pedidos de desculpas.

Mas quando foi embora, sabia o que tinha que fazer.

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Pelo resto da semana, Draco estudou o feitiço e decorou as restrições, até o ponto em que se sentiu confortável com as regras sem precisar pensar muito nelas.

Depois, se desafiou a ficar sem falar, simplesmente para explorar sua habilidade de fazer magia. Era frustrante, mas não impossível. Ele ainda podia Aparatar, então locomoção não era um problema. No entanto, quase todos os outros feitiços que conhecia precisavam de palavras, e era impulsivo dizê-las. Sua primeira tentativa durou vinte minutos. No fim do primeiro dia, ele conseguiu aumentar para quase três horas, mas queria ter certeza de que estava preparado, já que só iria ter uma chance.

Sully parecia enormemente confusa pelo comportamento dele. Percebeu que ela poderia ser seu vínculo com a magia. Ele começou a especular como fazê-la entender sem dar razões para seu silêncio, e abriu o livro para analisar os riscos.

"Sully. O que você faz quando eu sento na mesa de jantar?" ele a perguntou.

Ela olhou para ele sem expressões. "O que é Mestre Draco quer?"

Ele suspirou. Pensamento abstrato não era um traço dos elfos-domésticos. "Eu estava pensando o que você acha que eu iria querer, se eu me sentasse na mesa."

Ela não respondeu. Estava além dela, ele achava, com frustração.

"Venha aqui," ele disse. Ele a conduziu até a sala de jantar e se sentou na mesa. Ela o observou em alarme.

"Fiz eu alguma coisa ruim?" ela perguntou, com a voz tremendo nervosamente.

"Não, Sully. Eu quero te mostrar algo. O que geralmente acontece quando me sento aqui?"

Ela deu um passo para trás. "Mestre pede por sua comida."

"Certo, eu peço. Mas seu eu não pedisse, Sully? O que faria?"

"Eu esperar até Mestre pedir?" ela tentou.

Ele suspirou. "E se eu nunca pedisse, Sully? Você me deixaria morrer de fome?"

Os olhos dela se arregalaram. "Ah, não, Mestre Draco. Sully nunca deixar você morrer de fome. Sully está cuidando bem de Mestre Draco." Ela parecia patética, com as orelhas caídas e o olhar no chão.

"Sim. Você cuida bem de mim. Certo." Paciência, ele pensou. "Então se eu nunca pedisse por nada, e sentasse aqui, e fosse hora de comer..."

"Sully traria Mestre Draco algo para comer?"

"Exatamente. Está exatamente certa. Você me traria algo para comer." Ela olhou orgulhosa para ele, e ele respirou fundo. "Você me traria o que geralmente traz - comida de café da manhã na manhã. E..."

Houve um longo silêncio. Então, finalmente. "Comidas de jantar à noite?"

Ele sorriu. "Certo de novo. Muito bom. Qualquer coisa que já tenha preparado antes. Pode escolher algo, não?" Seriam sete meses muito longos se ela servisse sempre a mesma comida, e ficou encorajado quando ela concordou. Ele se levantou e disse, "Me siga."

Ele a levou até o fim do corredor até seu escritório. "Tudo bem, está escuro aqui. O que você faz?"

Ela sorriu. "Eu acendo as velas." Sem problemas ali; ela fazia isso como regra.

"E se eu estivesse com frio, e fosse perto do fogo..."

"Eu acender fogo para Mestre Draco."

Ele sentou em sua cadeira. "E quando eu sento aqui e coloco essa mesa um pouco mais perto, eu devo estar pensando que quero..."

"Chá!" ela disse, animada.

"Muito bom, Sully. Você está indo bem."

Pela primeira vez, ele estava feliz por ter uma vida tão previsível. Eles rapidamente trabalharam em um método de identificar tarefas e decidindo o que fazer com elas, e ficou feliz em ver que Sully era treinada facilmente. Ela entrou em seu jogo com bom espírito, ficando mais animada quando era elogiada. Começou a ter mais esperanças. Ela conseguiria fazer isso, não é?"

Ele conseguiu ficar três dias, quatro horas, e alguns minutos de silêncio antes de murmurar um rápido "Lumus" uma tarde, seguida de "Porra, porra, porra," quando percebeu o que fez. Isso não estava nem perto do suficiente. A maldição não permitia quase. Apenas uma palavra na hora errada, e a maldição se tornaria permanente e Potter nunca ficaria livre dela. Melhor ainda, o Ministério descobriria de sua tentativa e o prenderia em Azkaban. Mais especificamente, se o Ministério descobrisse sua tentativa falha, seria sortudo se um lugar permanente em Azkaban fosse o único resultado.

Naquela noite, teve seu primeiro pesadelo com a maldição. Ele e Potter estavam andando pelo campo de Quadribol em Hogwarts. A boca de Potter estava se movendo, dizendo algo, mas Draco não entendia o que era.

Irritado,virou-se e gritou, "O que?", mas quando abriu a boca, dezenas de flechas saíram de sua boca, empalando Potter na parede de madeira. Draco acordou tremendo. Oh, Deus.

A inspiração veio na manhã seguinte. Ele fez uma pequena visita à Londres Trouxa e retornou como o orgulhoso, sem dizer doloroso, dono de um pino de língua. Tinha mexido nele desde então, não estando acostumado com o invasor. Mas precisava de um lembrete para manter-se quieto. Quando Severus descobrir, ele pensou com divertimento, ficará louco. A dor vai valer a pena só para ver a reação dele.

Nove dias, sete horas, e quatorze minutos, e ele ainda não tinha quebrado o voto de silêncio.

Estava pronto.

Uma coruja da Mansão foi enviada ao seu advogado, Redmund com instruções. Ele enviou uma longa, detalhada carta com tudo que achava necessário avisar a firma em relação à sua luta com o Ministério. Hoje, estava escrevendo um anúncio para o Profeta Diário. Selando cuidadosamente, deu um doce à coruja antes de soltá-la.

Agora que tinha se decidido, encontrou-se cada vez mais apreensivo. Ele decidiu escolher um quarto mais confortável para começar a quebra da maldição, e não sabia o que escolher. Percebeu com alarme que a lista de cômodos que não visitava estava crescendo. Nenhum freqüentado por sua mãe ou Lucius. Nenhum que o lembrasse das antigas reuniões de Comensais da Morte ou algum evento social entre eles. Nenhum com algum retrato Malfoy. Sem escolha, ele escolheu seu próprio quarto.

Carregou seu livro de feitiços com ele, sentindo o peso e poeira de anos na capa do livro que estava em sua perna. Abrindo-o na página necessária, sentou-se e começou o feitiço que iria o levar em uma jornada para quebrar a maldição sobre Harry Potter, o tempo todo percebendo a ironia de tudo.

Se tudo ocorresse de acordo com o plano, essas seriam suas últimas palavras em meses. Para ser específico, seis meses, cinco semanas, quatro dias, três horas, dois minutos e um segundo.

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"Ei, Severus, o que seu garoto Malfoy está aprontando?" perguntou Flitwick durante o café-da-manhã em Hogwarts. A pergunta o deixou alerta - Flitwick era sempre quieto durante a refeição matinal, preferindo ler o Profeta Diário ao invés de conversar com seus vizinhos. Snape não tinha problemas com isso; na verdade, era uma das razões que ele sentava ali todos os dias.

"Para começar, ele não é meu garoto. E em segundo lugar, eu não faço a mínima idéia do que está falando."

Aparentemente Flitwick havia dito o seu máximo naquela manhã, porque simplesmente passou o Profeta sem mais uma palavra.

Ele teve que olhar a página por longos momentos, porque não sabia o que estava procurando. Olhou pelos artigos - Empregado do Ministério pego mudando o clima para uma partida de Quadribol - George e Luna Weasley pais orgulhosos de trigêmeos - ah, Merlin nos ajude - Primeiras reuniões do Conselho de Lobisomens começa. Nada sobre Draco. Finalmente, ele notou o anúncio formal de Redmund, Hall, e Strongfellows. Ele leu:

Sr. Draco Malfoy, da Mansão Malfoy, Wiltshire,

Gostaria de anunciar que

Está fazendo um voto de silêncio

E não irá se comunicar de maneira alguma.

Ele se desculpa por qualquer inconveniência que possa surgir dessa ação

Maiores perguntas podem ser mandadas para

Redmund, Hall, e Strongfellows

Beco Diagonal

Simples assim, ele teve que ler muitas vezes antes que conseguisse absorver tudo.

Flitwick o estava observando curiosamente. "Concluo que isso o pegou de surpresa também," disse.

Ele nem conseguiu formar um comentário sarcástico em resposta, para sua grande perplexidade. "Eu não sei nada sobre isso."

"Muito estranho." Se ele se referia ao artigo ou à ignorância de Severus, não ficou claro.

Severus ficou em silêncio, e Flitwick parecia contente em terminar a discussão ali.

Ele não fazia idéia do que trouxe esse comportamento bizarro de seu protegido. A última vez que o vira foi depois da morte de Lucius. Não teve um funeral, é claro, mas os dois sentaram na Mansão e beberam em memória ao homem que Lucius costumava ser a muito tempo atrás. Ele não tinha visto nada de estranho no comportamento de Draco. Eles tinham trocado cartas algumas vezes nas últimas semanas desde então - Draco ainda estava muito isolado, na opinião dele, mas mencionou que estava passando tempo com Dean Thomas, posando, entre todas as coisas.

Ele se desculpa por qualquer inconveniência... Severus segurou uma risada quando contemplou a tão educada escrita. Draco acharia as conseqüências dessa estranha conduta mais do que inconvenientes, disso tinha certeza.

Não havia nada mais a fazer a não ser confrontá-lo, e decidiu ir a Wiltshire no dia seguinte. Até lá, deveria mandar uma coruja para Redmund e tentar chegar ao fundo dessa história.

Percebeu que Flitwick o estava olhando com desagrado, até que percebeu que ainda estava segurando o jornal do outro homem. Com rápidas desculpas, ele deu um último olhar descrente no artigo antes de entregá-lo ao seu colega.

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Como é difícil acordar calado

Se na calada da noite eu me dano

Calice - Gilberto Gil/Chico Buarque (Portuguese lyrics)

No fim do primeiro dia depois que Draco disse suas últimas palavras, ele se preocupou com o estresse de que não queria jantar. Sully não o deixaria evitá-lo, no entanto.

"Mestre Draco precisa sentar na mesa," ela disse teimosamente. "Mestre ir morrer de fome se não comer."

Ele decidiu sentar, e tentou não sair correndo quando viu o gigante banquete que ela trouxera.

No segundo dia, Severus veio visitá-lo.

"Redmund não pôde me explicar o que está acontecendo," ele disse. Sully estava parada na porta, e Draco colocou sua mão na mesa. Em um instante, ela foi buscar as bebidas.

Severus a observou desaparecer sem comentar. "Mais uma vez, você se tornou a nova fofoca do Profeta Diário. A última edição diz que uma linda e misteriosa bruxa quebrou seu coração e que você se recusa a falar até que ela retorne seu amor eterno." Ele franziu as sobrancelhas e olhou para Draco. "Grande precisão jornalística."

Sully estava servindo chá observando o visitante deles ansiosamente. Severus a fazia nervosa; hoje ela estava mais do que o normal quando percebeu a irritação dele. Em seu estado atual de proteção e preocupação, era uma surpresa que ela ainda não tinha espirrado o chá por todo o lado.

A observando de perto, Severus perguntou, "Então, Sully, você sabe por que seu mestre se recusa a falar?"

"Não, senhor. Ele não conta Sully."

"Não. Não estou surpreso. Ele não conta Severus, também. Ele não conta nenhuma maldita pessoa o que está fazendo."

Ela franziu as sobrancelhas, pareceu que iria dizer algo, hesitou, e finalmente disse. "Sr. Snape precisa ser mais gentil com Mestre Draco," ela disse, para a surpresa dos dois homens. "Ele estar tentando muito para não falar. Você deveria estar sabendo que ele está muito triste com isso. Sr. Snape não devia fazer Mestre Draco mais triste."

Draco não conseguia olhar Severus nos olhos depois dessa declaração.

No fim do quinto dia, a língua de Draco estava toda arranhada de ficar mordendo tanto nela. Ela não começou a sarar até o décimo quinto dia.

Surpreendeu-se no fim do décimo nono dia quando percebeu que passou seu primeiro dia sem problemas em semanas. Seu silêncio forçado o estava levando a um período de introspectiva e calma aceitação, o que não tinha esperado de jeito nenhum.

No começo da quarta semana, sentia-se confiável o suficiente - ou desesperado o suficiente - para ter companhia humana, e bateu na porta de Dean.

"Ah, meu deus, Draco. Entre. É bom te ver." A porta foi aberta, e Dean o mandou entrar com entusiasmo. "Como tem estado?"

Silêncio, então, "Ah, droga. Foi mal."

Draco sorriu, tentando não parecer tão estranho como Dean.

Dean respirou fundo e tirou seu cabelo dos seus olhos. "Olha, eu já vou te avisando que eu provavelmente vou fazer conversa com você até me acostumar. Não se ofenda."

Como deveria acalmar seu anfitrião? Talvez vir aqui tenha sido um erro. Seria muito rude virar e desaparecer trinta segundos depois de chegar, entretanto. Ele teria que ficar.

Depois de dez minutos, pensou por que não tinha vindo antes. Até o café horrível de Dean, forte como sempre, estava bom hoje.

"Eu terminei o último retrato que fiz de você, Draco. Venha ver."

Quando entraram no estúdio, Dean pareceu aliviar o resto da tensão. Com um sorriso de antecipação, ele retirou um desenho e o passou a Draco, o observando, um pouco nervoso.

Quando viu o desenho, percebeu o porquê: Dean o havia desenhado cercado por filhotes de cachorros e gatos. Pela primeira vez em semanas, ele se dissolveu em gargalhadas. A sensação era maravilhosa.

Dean limpou as lágrimas com sua mão enquanto ambos se acalmavam. "Fique com ele. É seu. Draco#7."

Draco alcançou e guardou o presente, cuidadoso para não amassá-lo.

"Bem, posso inspirá-lo a trabalhar em Draco#8?"

Draco nem hesitou, indo até o banco já familiar. Posar para Dean era algo que podia fazer facilmente sem se preocupar.

Na quinta semana, estava novamente visitando Dean quase diariamente.

Potter e Granger passaram lá para ver Dean no fim da sétima semana quando Draco estava posando no estúdio. Eles nem tentaram esconder a surpresa de vê-lo ali. Draco estava feliz que por continuar posando para Dean, ele pôde demonstrar uma indiferença que não sentia. Conseguiu dar uma boa olhada em Potter, no entanto. Ele parecia cansado.

Draco sabia que seu silêncio não era segredo para ninguém, e Potter falava com ele como se as coisas estivessem perfeitamente normais.

"Dean tem sorte por ter você como modelo, Malfoy," ele disse. Draco tentou fazer com que sua pele, que corava muito facilmente quando estava envergonhado, não reagisse, com pouco sucesso. Potter estava espiando o desenho de Dean. "Vai ficar legal."

"Como você sabe?" Dean perguntou. "Eu mal comecei."

Granger cobriu por Harry dizendo. "Você está deixando eles nervosos, Harry," ela disse, e Draco estava irritado com a suposição.

"Não, está tudo bem," Dean disse. "Olha, por que vocês não nos dão uns dez minutos, e a gente faz um intervalo. Por que não fazem café?"

"Se for chá eu faço," Granger disse, e Dean concordou. "Você quer chá ou café, Malfoy?"

Demorou mais do que Draco esperava para ela perceber seu erro. "Ah. Ah, droga. Eu não quis -"

Dean respondeu. "Não se preocupe, Hermione. Eu faço isso o tempo todo e ele ainda não me bateu. Faça os dois, aí ele pega o que quiser."

Depois de dez minutos, Draco foi em direção à cozinha enquanto Dean terminava de sombrear o rascunho, quando ouviu Granger mencionando seu nome. Parou para espionar.

"... livros na Mansão Malfoy. Provavelmente trancados com milhares de feitiços Negros, para ninguém tocá-los."

Com a palavra livros, seu coração acelerou. Ai, droga.

"Não que eu vou perguntar se posso olhar lá. Eu não receberia uma resposta."

"Isso parece te incomodar bastante, Hermione," Potter disse.

"Não incomoda. Quero dizer, eu só acho estranho, você não acha?"

"Eu não pensei muito nisso. Ele deve ter suas razões. Só porque não sabemos quais são não significa que são assustadoras."

Ela fez um som de irritação, e Draco podia imaginar a expressão de arrogância que sempre acompanhava.

"Eu nunca gosto de coisas que não posso explicar."

Potter riu. "Há tantas coisas que não posso explicar nessa vida que eu não posso me preocupar com todas elas."

Draco ouviu Dean vindo do estúdio atrás dele. O som aparentemente chegou à cozinha, porque a conversa parou. Dean veio e colocou um braço amigável pelos seus ombros.

"Vamos lá, Draco. Talvez Hermione faça um café melhor que o meu. Para o seu bem, eu espero que sim."