Título:
A Thousand Beautiful Things (Mil Coisas Belas)
Autora:
Duinn Fionn
Tradutora:
mila_crazyx (mila – sublinhado- crazyx -arroba- yahoo . com)
Beta
da tradução:
Verena
Classificação:
R
Pares:
Draco Malfoy – Harry Potter
Disclaimer: Essa história é baseada em personagens e situações pertencentes a JK Rowling, vários publicadores incluindo, mas não limitado à Bloomsbury Books, Scholastic Books and Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Nenhum lucro está sendo feito por parte do autor dessa fanfiction.
Contato da Autora: geoviki - arroba- msn . com
Sumário: Draco Malfoy confronta mudanças de sorte, de alianças, uma horrível guerra, um feitiço incomum, com a ajuda de um professor preocupado, um elfo-doméstico e um inesperado amigo grifinório.
Capítulo Sexto.
If I only had words, I would say all the beautiful things that I see...
Se eu tivesse palavras, eu diria todas as coisas belas que vejo…
Dindi - Jobim/Oliveira
"Você é o artista, então?" Dean escutou pela décima vez naquela tarde, e tentou não fazer uma careta. Apesar de ser sua a foto que aparecia no panfleto amassado em forma de cone que o cara segurava com mãos rudes. Ou então a foto dele na entrada, acompanhada de uma breve, parcialmente inventada biografia dos últimos sete anos de sua vida. Ou ainda considerando que ele era o único homem negro por perto. Ele resistiu à resposta que queria dar - Não, eu sou o irmão gêmeo malvado - e forçou sua expressão a ficar mais cordial e sua voz mais suave, impotente e passível, dizendo "Sim, esse seria eu. Dean Thomas. Obrigado por vir."
Isso parecia esgotar todos os tópicos de conversa em mão. O visitante saiu com um olhar metido de quem conseguiu falar com o artista. Dean percebeu que a maioria das pessoas presente evitava contato visual com ele, para não ter que então ir cumprimentá-lo. Tentou não parecer muito visível - difícil com sua altura privilegiada - ou exótico - novamente, difícil com seus dreads no cabelo que iam até os ombros. Se ele tivesse que participar de mais eventos como esse, decidiu que deveria parecer mais um agradecido-caso-de-caridade-graduado-em-Oxbridge.
No geral, tinha que admitir, estava honrado. Estava lisonjeado. Ele estava tudo que um artista iniciante deveria estar em sua primeira exibição em uma galeria. E também todas as coisas que um artista não tinha que estar, mas estava mesmo assim - nervoso, cheio de expectativa, irritado, muito esperançoso, cauteloso.
Ele observou o homem sozinho que estava lá a mais tempo do que o necessário para uma visita feita por obrigação à amizade com a dona da galeria. Ele se permitiu fingir por um divertido minuto que o homem careca, de uns quarenta anos andando vagarosamente no salão muito luminoso, mãos em seus bolsos, era um crítico incógnito do ArtForum. Mas a atenção cuidadosa do homem no modesto buffet, onde comeu alimentos com proteínas e não carboidratos e escolheu o copo de vinho mais cheio entre todos para pegar - bem, Dean reconhecia essa atitude como a de um colega artista.
Ele deu uma consultada rápida em seu relógio - mais duas horas.
Em seu desconforto, se encontrou virando na direção, não pela primeira ou até mesmo quinta vez, de Anne, a diretora da galeria.
"Tudo indo bem?" Ela sorriu com encorajamento.
"É. Tudo bem." Como os visitantes, ele se sentia estranho, apesar de estarem no mesmo time.
Naquele instante, para seu alívio, as pesadas portas de vidro se abriram para mostrar várias faces amigáveis e, naquele momento, as mais bem-vindas. Hermione liderou o caminho, retirando seu casaco com um gesto elegante. Atrás dela vinham Seamus, dado carinhosamente de mãos a sua namorada Lydia, seguido, para sua surpresa, por Harry. Eles trouxeram o ar frio de fora com eles quando entraram, tirando casacos, luvas e cachecóis enquanto entravam na galeria aquecida.
"Oi, Dean," disse Seamus, tipicamente muito alto para o local, mas naquele momento Dean não se importava.
"Oi, amigos, obrigado por vir," e dessa vez era sério.
"Tem outra coisa para beber que não seja esse vinho barato?" Seamus continuou, ignorando as expressões das pessoas por perto.
"Tem. Maldita e barata água mineral," respondeu, mais quietamente, mas com o mesmo tom de voz.
Seamus fez uma careta para expressar exatamente o que achava daquela sugestão. Pediu um copo de vinho para ele e o resto do grupo, passou um para Dean, que quase recusou, mas acabou pegando. Seamus então começou o que fazia de melhor - alegrar a festa com sua conversa boba, sua risada, e sua presença. Dean sentiu a tensão sair de seu corpo com cada palavra, e se sentiu relaxado pela primeira vez naquele dia.
Depois dos cumprimentos educados e conversa furada, percebeu que Harry saiu sozinho para olhar as pinturas mais de perto. Harry estava em um daqueles humores quietos que se lembrava tão bem da escola e, mais ainda, durante a guerra. Percebeu, pela primeira vez, quão isolado e cansado ele parecia. A luta de Harry com a maldição estava tendo seus efeitos. Ainda não tinham boas notícias. Não precisava saber disso de ninguém - podia ver nos olhos de Harry.
"Então quem são esses caras sortudos que foram desenhados pelo próximo-super-famoso Dean Thomas?" Seamus perguntou.
Ele entendeu isso como uma pista para começar a excursão pela galeria, apesar de Harry já estar muito à frente. "Bem, essa é Danielle, minha vizinha. E seu gato. Gatos. O marido dela, Bernard," Havia mais de seis desenhos nesse grupo.
"Estou surpreso que ela tenha um marido com tantos malditos gatos," Seamus disse com um sorriso sarcástico, e Lydia o empurrou levemente.
"Alguns homens gostam de gatos. Eu gosto de gatos," ele respondeu, recebendo um sorriso de Hermione.
"Quem é esse, então? Parece um Flitiwick mais chique."
"Gordon McAda. Trabalha na mercearia na esquina da casa de Ron."
"Bem, estou com inveja. Por que não me desenhou, Dean? Não sou bonito o suficiente para você?"
"Seamus, vamos, caia na real. Você nunca conseguiria sentar parado para eu desenhar três cílios seus, seu mané." Ele rosnou em divertimento à imagem de Seamus posando para ele. "Mesmo quando estávamos na escola, você nunca estava parado. Eu acho que consegui um rascunho seu no Salão Comunal em todos os anos que ficamos lá."
"Bem, então está combinado. Venha sábado à noite e você poderá ter uma série inteira: Seamus em repouso."
"Eu acho que a Lydia tem idéias diferentes para passar os sábados à noite, seu idiota."
"Obrigada, Dean," Lydia respondeu levemente. "Bom saber que pelo menos um de vocês tem bom-senso."
"Bem, então você pode desenhar a Lydia. Ou a Hermione, também. Como pode você não ter nada do que fez em Hogwarts? Cara, eu me lembro de um que fez da Ginny Weasley que era de matar."
"Eu não tenho nada da escola aqui," Dean disse simplesmente. "É tudo recente."
"Eu acho que você tem que nos mostrar então - puta merda -"
Todos olharam para Seamus, então para o retrato que causou a reação explosiva.
"Draco Malfoy," Hermione disse suavemente.
Ninguém disse mais nada. Então Lydia, percebendo a mudança de humor, cuidadosamente perguntou, "Então, quem é ele?"
Seamus ignorou a pergunta, decidindo desafiar Seamus. "Você disse que eram recentes."
"Eles são. Você sabia que eu estava trabalhando com ele." Ele colocou uma mão no braço de Seamus, então se virou para Lydia, respondendo, "Draco Malfoy foi um colega nosso."
"Posso entender porque você o desenharia," Lydia disse, e se assustou com os olhares que recebeu de Seamus e Hermione. "O que?" O tom dela era um pouco defensivo. "Quero dizer, olhem para ele. Ele é lindo."
"Bem, ele sabe como ficar parado por longos períodos de tempo, pelo menos," Dean adicionou.
Seamus parecia ter se recomposto. "Ele é quieto também, te digo isso."
Dean viu o olhar de realização em Lydia.
"Ah. Ah," ela disse. "Ele é de quem vocês estavam falando, então. O que desistiu de falar, não é?"
Hermione voltou à realidade. "Sim, Lydia, é ele."
"Seamus me disse que esse Draco salvou a vida dele. Durante a guerra e tudo mais. Dele e de Dean."
"É verdade." Seamus murmurou, mas resolveu não elaborar. Lydia percebeu a aura tensa do outro e não falou mais nada.
"E ele foi convidado hoje, então você poderá vê-lo ao vivo."
Eles continuaram a observar em silêncio os desenhos de Draco Malfoy que estavam expostos.
O pequeno grupo alcançou Harry, que estava parado na frente de uma figura que parecia capturar todos que visitaram naquela tarde. Era a figura Draco#8, e ele a tinha desenhado na semana depois que Draco fez o voto de silêncio. Começou como um rascunho normal, mas então optou por uma abordagem mais realista. Cabeça, ombros, e um chapéu. Mas eram os olhos que atraiam todos, na verdade; aquele olhar intenso que Draco tinha adotado quando parou de falar. Penetrando em você como se estivesse olhando no seu passado, ou em seu futuro, ou estivesse tentando avisá-lo de algo, ou confortá-lo, ou de alguma maneira fazer você uma parte dele. Dean nunca tinha desenhado nada que chegasse a essa intensidade.
Harry se retirou de sua profunda contemplação do retrato. "Seu trabalho é brilhante, Dean. Você sabe disso, não?"
"Valeu, Harry."
"O que eu tenho que fazer, então, se eu... bem, eu gostaria de comprar esse."
Ele estava chocado. Se era do pedido de Harry em comprar um de seus retratos, ou do pedido de comprar esse retrato, ele não podia dizer. Pelos olhares de Seamus e Hermione, sabia que não era o único com essa reação.
"Você não precisa comprar nada. Não se sinta obrigado -"
"Eu não me sinto. Eu gosto dele, e gostaria muito de comprá-lo."
Seamus riu. "Precisando de um alvo para jogar dardos, Harry?"
Harry não mordeu a isca, apenas dizendo, "Talvez eu apenas queira comprar as coisas boas agora, antes que Dean fique tão famoso que eu não tenha mais dinheiro para comprar nada."
Ele sentiu a defensiva de Harry, de sua oferta honesta de comprar o primeiro retrato em sua primeira exposição. Se Harry não queria explicar seus motivos - mesmo que Dean quisesse saber dos motivos, ainda mais por ser esse retrato - ele não precisava. Sabia que dinheiro não era um problema para Harry. Então apesar de ter definido o preço daquele retrato mais alto do que o normal - ele não queria se separar dele - o preço não era um problema. Por um lado, estava feliz que Harry ficaria com ele - assim sempre saberia onde o desenho estava.
"Valeu, amigo," ele disse. "Eu vou te passar para Anne, e ela pode te ajudar com os papéis. Se estiver tudo bem, eu queria deixar ele pendurado ali por um tempo, e então eu o mandarei para você."
O grupo se fragmentou naquele ponto, com Harry indo atrás da gerente da galeria, e Seamus e Lydia vendo o resto dos retratos de Draco, deixando Hermione com Dean.
"Isso foi… interessante," ela disse. Ela não parecia querer aprofundar, mas então, lembrou, ela sempre foi a mais educada entre eles.
Ele tomou uma decisão repentina.
"Sabe, Hermione," ele começou, "Eu gostaria de desenhar você. Quero dizer, se puder achar tempo."
Ele reconheceu interesse na expressão dela, revelado antes que ela pudesse escondê-lo. "Ah, Dean. Eu não sei. Quero dizer, eu não sou uma modelo, não como Malfoy, sabe."
Mas aquela primeira reação o encorajou a insistir. "Por favor. Eu não estou perguntando só para ser educado. Há muitas coisas que eu poderia fazer com você" - e não é mesmo que os artistas podiam se livrar dizendo as frases mais absurdas. "E eu gostaria de tentar. Por favor."
"Bem…"
"Por favor." Ele sempre tivera certo interesse por Hermione. Com o tempo, assistindo das laterais, começou a valorizar as qualidades que garantiam tantas brincadeiras no salão comunal. Com o passar dos anos, não tinha tentado nada, guardando qualquer sentimento por ela, achando que estava destinada a Harry ou Ron. Quando nenhum deles passou da amizade, ele ficou surpreso. Mas agora, concluiu, já tinha esperado demais.
"Tudo bem." Ela sorriu. "Mas nada de nudez. Eu sei tudo sobre vocês artistas."
"Combinado."
"Combinado." O sorriso dela aumentou.
"Uma coisa, no entanto," ele adicionou, com sinceridade falsa.
"Hmm?" Ela olhou para ele, curiosa, uma expressão que ele achou inesperadamente adorável.
"Eu realmente tenho alguns rascunhos que posso te mostrar"
A risada dela era relaxada, deixando Dean mais alegre do que quando fez sua primeira venda.
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O horário estava ficando perigosamente tardio para Harry continuar por ali, e seus amigos já haviam se despedido. Dean estava de volta ao jogo de especulação em relação às pessoas no salão. O casal mais velho bem-vestido demais - matando tempo quando perceberam que estavam muito adiantados para seu jantar e teatro a uma quadra dali. Dois estudantes de uma escola ali de perto, com outros amigos, provavelmente fazendo um trabalho escolar e essa sendo a primeira exibição em que iam, julgando pela expressão quando perceberam o vinho grátis olhem isso, galera. Seus amigos sorriam - acredite, já vimos.
Um homem que estava passando um grande tempo examinando a parte dos retratos de Draco parecia promissor. Nos seus trinta anos, casaco de couro impecável, cabelo bem arrumado para trás, exibindo os vários brincos em ambas as orelhas.
Antecipação ansiosa cresceu em seu estômago quando viu o homem pegar sua carteira e retirar um cartão. Feito isso, ele procurou ao seu redor pelo artista - cara esperto - e se dirigiu até ele.
"Dean Thomas?" perguntou com um sotaque Americano, mas com o tom de quem já vivia no Reino Unido por um tempo. O homem passou seus longos dedos pelo cartão e o passou a Dean elegantemente. "Jake Knightley," o homem pronunciou em sua voz firme e agradável. "Fotógrafo chefe no Estúdio JayKay."
"Como vai?" ele respondeu, tentando manter o nervosismo em sua voz a um nível mínimo.
"Trabalho impressionante, Sr. Thomas," o outro homem elogiou, "E aquele modelo em particular. Um amigo seu?"
"Um antigo colega de classe," ele respondeu suspeitosamente. "Se chama Draco Malfoy." Observou o outro cuidadosamente quando disse o nome. Nenhuma reação. Com certeza Trouxa, então.
"Tenho certeza de que não sou o primeiro a dizer que ele é muito atraente. Sempre estamos procurando por faces novas. Bem, sem surpresas para você aí, com certeza." Knightley disse em um tom de voz de quem fala de artista para artista. "Alguma chance de conhecê-lo hoje?"
"Ele foi convidado," Dean disse, tentando esconder o desapontamento que o invadiu. Sua fantasia não incluía a possibilidade de Knightley estar mais interessado no modelo do que no artista, e tinha que admitir que doeu.
"Estou muito interessado em falar com ele. Eu poderia usá-lo. Belo. Boas mãos, também, algo que não é tão comum."
Dean queria contar que não tinha nada de comum em relação à Draco Malfoy. Ele lutou para repreender a inveja que ameaçava engolfá-lo. Forçou seus pensamentos ao dia em que Draco o libertou dos Comensais de Morte, e sua inveja foi retrocedendo.
Knightley, parecendo perceber seu desapontamento - bem, se ele trabalhava com modelos regularmente, deve ser fácil perceber essa emoção - estava fazendo questão de elogiar seu estilo, técnica, e humor. Deliberadamente evitou mencionar o distinto modelo por vários minutos, mas o tópico era aparentemente muito importante para o homem de negócios.
"Você acha que ele se interessaria em posar para nós?"
Pensou na idéia por um momento. Sua primeira reação tinha sido, "Nem por um minuto," mas decidiu que agora, com as circunstâncias diferentes e futuro incerto, ele não podia ter certeza de nada.
"Para dizer a verdade, eu não tenho certeza," ele tentou. "Ele posa para mim como amigo," - até aquele segundo não tinha apreciado o ato - "Então eu não sei o que ele diria. Você terá que perguntar pessoalmente."
"Tudo bem."
Então ele se lembrou. "Bem, a não ser por um problema. Bem. Ele não fala com ninguém." Tentou explicar com o menor número de palavras possíveis. "E eu digo isso literalmente. Em um estilo 'voto de silêncio'. Nós achamos que é algo religioso, na verdade." Ele tentou explicar de maneira que um Trouxa pudesse entender.
Após seu olhar inicial de choque, Knightley sorriu. "Um modelo que não reclama? Já gosto ainda mais dele."
Por alguma razão, ele achou essa fala irritante. "Bem, Sr. Knightley, você deve entender que isso tornará os negócios com Draco um pouco... difíceis? Se você me entende."
O outro homem fez uma careta quando entendeu o problema. "Ah. Eu, hum. Sim. Bem, como você faz, então?"
Ele pensou sobre seu sistema de trabalhar com Draco. "Eu peço para ele vir posar para mim um determinado horário e local. Se ele puder, ele virá. Se não, ele não vem."
Knightley parecia pensar nisso por um tempo. "Isso funcionaria," ele murmurou, mais para si mesmo do que para Dean. Olhando para o outro, adicionou, "Eu vou esperar então, se estiver tudo bem, caso ele apareça. Não se sinta na obrigação de me distrair, no entanto."
Ele apreciou esse último comentário. Seu público exigente, ou o que se passava por ele, ainda estava lá, e ele era requerido em outros lugares para afirmar que era de fato o artista talentoso e não o gêmeo malvado.
Ele não pôde deixar de perceber, no entanto, que Knightley foi até a dona da galeria para discutir mais. Surpreso, ele retornou o sorriso triunfante que ela tinha algum tempo depois, e ela levou uma plaquinha de "Vendido" até um dos quadros em exposição na parte de Draco. Pelo menos, ele percebeu, ali estava um homem que sabia trocar favores.
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Words are just another violence,
Nothing rings as true as silence
Palavras são apenas outra violência,
Nada soa mais verdadeiro do que o silêncio.
Sorry - English Beat
Ficar em silêncio no meio de outras pessoas era educacional, no mínimo.
Draco tinha esperado que seu silêncio fizesse com que as outras pessoas se comportassem estranhamente. Ele estava certo em relação a isso. Observaria as mesmas reações em cada rosto - sempre a mesma expressão surpresa, seguida de um olhar nervoso, então a tentativa de não encarar. Estranhos tinham o hábito irritante de tratá-lo como se fosse surdo também, fazendo comentários para todos menos ele. Os poucos conhecidos com que se encontrava ficavam ainda mais nervosos, e observava enquanto eles tentavam reconciliar seus comentários frios com seu novo adquirido silêncio. Como se ele estivesse agora desarmado, mais ainda perigoso.
Mas não estivera preparado para como esse silêncio o afetaria. Agora que sua mente não estava tentando se adiantar a conversas para pensar numa resposta, se encontrou escutando o que era dito. E especialmente percebendo o que foi deixado de ser falado. Estava fascinado por expressões que nunca percebera antes, as emoções escondidas e sempre presentes nas interações humanas.
Dean, por exemplo, era uma pessoa de tato. Ele gostava de tocar coisas para se situar. Quando incerto, iria esfregar as pontas de seus dedos umas nas outras. Quando feliz, passaria suas mãos pelos seus braços. Relaxava com as mãos nos bolsos, e enfatizava conversas com pequenos gestos e acenos.
Jake Knightley também usava muito suas mãos, só que mais deliberadamente: para controlar, ou às vezes, para seu divertimento, até excitar. O fotógrafo era um operador respeitado nesse campo. Acostumado a comandar com sua voz e seu toque, o fotógrafo estava perdido quando o conheceu. Draco sabia que o homem suspeitava que ele fosse algum tipo de fanático religioso, talvez até mesmo um monge. No seu primeiro dia no estúdio, ele pôde ver que Knightley já estava reconsiderando todo o acordo.
"Ah. Draco, sim, entre. Olha, eu pensei em você apenas observar essa sessão e ver como as coisas são feitas. E então..."
E então você vai odiar e ir embora, e eu não terei que lidar com isso, Draco mentalmente terminou por ele. Ele sorriu em resposta.
Knightley mal conseguia esconder seu entusiasmo quando eles se conheceram dois dias atrás na exibição de Dean. Draco ficou impressionado com o fotógrafo, que parecia saber exatamente o que dizer para atiçar seu interesse para trabalhar com ele. Mas o dia seguinte trouxe contratos e advogados e muitos detalhes que provavelmente agravaram Knightley. Trabalhar com Draco e seus advogados Trouxas, mesmo com Dean agindo como um intermediário, tinha diminuído o entusiasmo inicial de Knightley.
Mas a vida pós-guerra de Draco estava muito monótona, e suspeitava que sua batalha contra o Ministério não fosse muito construtiva também. Ele queria tentar algo novo. Então decidiu canalizar seu Lufa-Lufa interior e agradar Knightley com sua sinceridade e trabalho duro.
"Draco, esse é Levon. E sim, a mãe dele era uma grande fã de Elton John." O outro modelo o cumprimentou sem emoções. Talvez ele estivesse com inveja - estaria competindo com esses outros modelos, percebeu pela primeira vez. Não que ele se importasse.
Achou a seção interessante. Era completamente diferente de posar para Dean - isso era tudo atividade e conexão, movimentos suaves de Levon e direção encorajadora de Knightley, até se criar o que parecia ser duas mentes controlando um só corpo. Eles se comunicavam com gírias que o deixavam um pouco perdido, mas percebeu que certos comandos indicavam um certo movimento. De tempo em tempo, Knightley iria parar para explicar o que estava fazendo, ou procurando, ou imaginando. Draco prestava o máximo de atenção. Quanto mais rápido aprendesse essa língua, provavelmente menos pareceria um idiota.
"DiBartolo é nosso cliente - o estilista italiano, é claro. A imagem deles é um pouco mais sombria, indomada, sabe, e definitivamente mais sexy," explicou enquanto trabalhava. Ele se inclinou para desabotoar a camisa do modelo, arrumando o material com mãos competentes. Levon parecia entediado. Então a câmera estava novamente em ação, e abruptamente ele reviveu, com movimentos graciosos e olhares intensos.
Pena que os retratos Trouxas não se mexessem, pensou. Bruxa Semanal teria um dia cheio com Levon e seus movimentos sensuais. Como Knightley sabia quando capturar a pose do modelo? Ele decidiu que o número de fotos que Knightley tirava deveria garantir que pelo menos algumas delas fizessem o esforço valer a pena.
Agora, a camisa era quase uma sugestão, retirada completamente e torcida no tórax de Levon. Confuso - afinal de contas, DiBartolo não queria mostrar suas roupas nas fotos? - ele então percebeu o que exatamente estava sendo vendido. Seu pensamento foi confirmado quando Knightley chamou um assistente, que desabotoou a calça de Levon e abaixou o zíper até um grau perigoso. Então, para sua surpresa, ele casualmente acariciou o pênis do modelo pelo material até que a ereção estivesse um pouco visível através da roupa. Levon não parecia perturbado pelos acontecimentos.
"Sexo vende, Draco," o fotógrafo disse, e parecia quase envergonhado. Levon olhou para ele como se o desafiando a dizer algo. Será que estava irritado em ter que dividir a atenção com um amador? Invejoso? Ameaçado? Draco o olhou nos olhos, com uma expressão tranqüila, e o momento passou.
Depois de certo tempo, Knightley perguntou, "Está pronto para tentar?"
Ele se levantou e esperou.
"Hum. Vou considerar isso como um sim. Marcy, você pode arranjar uma camisa branca? Calças pretas... não, brancas também, acho. Descalço."
Ele foi levado embora, onde foi atendido com o mesmo tanto de cuidado como se estivesse em um quarto cheio de elfos-domésticos. Nada diferente, então. Bem, com exceção da maquiagem, a qual achou estranha. O cabeleireiro também estava animado, penteando e mexendo no seu cabelo sem calar a boca por um segundo.
"Draco? Que tipo de menino britânico tem um nome desses? Hum. Você não é Americano, não é? Eles nomeiam seus filhos como coisas velhas. Carros, na maioria. Você não pode ser italiano, sua pele é muito clara. Então eu vou ter que nacionalizar seu nome. Dragão."
Ele tentou não fazer uma careta.
"Veja meu nome - Daniel - um nome britânico sólido e chato. Assim como eu. É, certo. Deus, amor, você tem o cabelo macio dos cabelos. Quero dizer, mulheres matariam para ter cabelo assim. Ou matariam para ter você, qualquer um. Mmm, bom."
Ele deu uma pequena risada. Até mesmo no mundo Trouxa, ele percebeu, não era incomum para cabeleireiros serem obviamente gays.
"Ah, então você pode rir? Isso é bom. Jake nos avisou que você não é do tipo tagarela. Está tudo bem, no entanto. Eu posso falar por nós dois."
Seu pequeno exército o escoltou até Knightley, todos parecendo orgulhosos com o resultado final.
"Vá em frente, Dragão, amor, você vai ser um natural," o cabeleireiro disse. "Boa sorte."
Knightley o analisou com óbvia aprovação. "Bom trabalho, todos." Ele se virou na direção de Levon. "Vá em frente e descanse, então, mas eu quero fotografar vocês dois juntos daqui a pouco."
Levon se levantou, vestindo a camisa abusada, e partiu sem olhar para ninguém. Ninguém comentou em sua saída.
"Beleza, Draco, você viu como as coisas são feitas. Eu vou te direcionar; tente acompanhar. Se não entender, apenas espere e eu explicarei melhor. Ah, e os modelos de DiBartolo nunca sorriem, então pense no pior momento de sua vida."
Draco deu um passo para trás em surpresa e choque. A afirmação descuidada de Knightley abruptamente o levou do estúdio para seu passado. Memórias sombrias o bateram tão forte como se fossem o Expresso Hogwarts. Quais piores momentos ele poderia pensar? A morte de seu pai ou de sua mãe? Espiando em Voldemort e nos Comensais da Morte? A batalha contra o Ministério pela sua casa e fortuna?
As emoções deviam estar óbvias em seu rosto porque Knightley então disse, "Foi mal. Ai, droga. Eu não quis ser tão literal. Apenas não sorria. Como você o faz é da sua conta."
Ele conseguiu uma expressão neutral, então foi até a frente da câmera. A princípio, estava tenso e nervoso, mas sua graça natural assumiu o controle e ele se encontrou absorvido no ritmo e movimentos da direção de Knightley. Ser modelo era mais difícil fisicamente do que parecia - ficar em poses estranhas, parando e começando, mantendo sua mente concentrada para ouvir a próxima instrução. Levon parecia tudo parecer muito fácil, ele concluiu; apreciava a força do outro modelo.
As luzes eram quentes em seu corpo, e não podia ver muito além delas. Ouvia as vozes da equipe, no entanto, e sabia que todos o estavam observando. Julgando-o. E por alguma razão, ele não queria desapontá-los.
"Levon, está pronto?" Knightley perguntou. Ele ouviu uma resposta murmurada; então o outro modelo estava do lado dele, o olhando indiferentemente.
"Agora, Draco, isso será mais difícil. Você não quer que sua pose seja muito diferente, mas não quer copiá-lo, também. Levon, talvez você pudesse seguir Draco primeiro, porque tem a experiência." Levon concordou, acenando a cabeça. "Daniel o cabelo - solto, você acha?"
O cabeleireiro foi até eles. "Ah, eu acho." Ele retirou o elástico que prendia o cabelo de Levon - longo e escuro - em um rabo-de-cavalo baixo, o penteando enquanto comentava incessantemente.
"Deus, amor, você é lindo. E vocês dois juntos, todo esse belo, belo cabelo preto e aquele brilhante loiro, todo em branco, ai meu Deus, muito sexy para palavras..." ele virou e passou a escova pelo cabelo de Draco também. "Ah, sim." Ele suspirou.
Ele encontrou os olhos de Levon e ofereceu um pequeno, simpático sorriso. Levon estava momentaneamente surpreso, então visivelmente relaxou e ofereceu um sorriso também. Draco achava que o sorriso fazia seu rosto ficar muito mais interessante.
Eles começaram novamente. O momento entre eles diminuiu a tensão, e Levon se esforçou para ajudá-lo, murmurando direções e pequenos comandos. Draco estava preso em toda a ação - levantar, sentar, mudar de camisa, retocar a maquiagem, virar, inclinar, tocar. Tudo era intensificado pelas luzes, barulhos das câmeras, vozes, pessoas se movimentando. Tudo era novo, era estimulante.
"Certo, tirem as camisas, então. Draco, coloque as suas em seu ombro, como uma toalha, sabe? Levon, a sua ao redor do seu pescoço. E as calças." Ele ouviu aquele tom de voz nervoso de Knightley de novo. "Hum. Botão e zíper." Percebeu que teria que fazer algo para retirar qualquer noção que Knightley pudesse ter dele se fosse fazer esse trabalho direito. Ele não era um monge. Bem longe disso.
Abriu seu botão e desceu o zíper antes que Levon se mexesse. Quando o outro modelo foi alcançar suas calças, Draco o parou. Surpreso, Levon o observou enquanto delicadamente desabotoava e abaixava o zíper das calças do outro homem. Cuidadosamente, levemente, e deliberadamente - mantendo seus olhos presos nos de Levon - ele massageou o volume embaixo da fina camada de roupa e sentiu a reação desejada. Os olhos de Levon se arregalaram, mas ele sorriu em resposta. Com a outra mão, Draco se massageou vagarosamente, mas já estava ereto devido ao contato íntimo.
"Ai meu Deus, chamem os bombeiros," ele ouviu o cabeleireiro dizer. "Está muito quente aqui."
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I need some distraction, beautiful release, memories seep from my veins,
Let me be empty and weightless, and maybe I'll find some peace tonight
Eu preciso de distrações, belo alívio, memórias se infiltram em minhas veias,
Deixe-me ser vazio e leve, e talvez eu encontre um pouco de paz hoje à noite
Angel - Sarah McLachlan
Draco logo aprendeu que a equipe no JayKay não era reunida sem método. DiBartolo costumava manter os mesmos modelos de anúncio para anúncio - construindo uma imagem corporativa, foi o que Knightley disse - então ele viu Levon bastante nos dias que se seguiram. E a equipe que os circulava era maior do que a do primeiro dia, também. Estava se acostumando aos poucos com a atividade intensa de se preparar para uma sessão. Até começou a se acostumar à maquiagem, embora ainda se encarasse no espelho em surpresa antes de cada sessão.
Outros modelos também se juntavam ocasionalmente às sessões, mas ele e Levon pareciam compartilhar uma afinidade especial depois do primeiro dia deles juntos. Levon continuou a encorajá-lo e instruí-lo, e cada vez mais ficava no estúdio só para ver suas sessões individuais. Draco estava intrigado em relação a ele, definitivamente atraído por sua aparência e confiança, e tinha a impressão de que a atração era recíproca. Levon tinha até mesmo se acostumado com seu silêncio, e tinha criado um hábito engraçado de criar respostas para ele quando estava a fim de conversar. Era fofo. E ao contrário da opinião popular, ele gostava de fofo, mesmo que só pelo romance. De algum modo, a idéia era de que os Malfoys gostavam de dor sexual. Talvez um Trouxa, pelo menos, não pegasse as correntes e chicotes no primeiro encontro.
"Quer sair para tomar um drinque, Draco?" Levon perguntou após uma tarde de trabalho, algumas semanas depois de se conhecerem. Ele então respondeu à sua própria pergunta. "Eu adoraria, Levon, eu estive morrendo esperando você perguntar. Minha casa ou a sua?"
Draco sorriu para ele, o divertimento alcançando seus olhos. Ele não estivera exatamente morrendo para sair com Levon, mas certamente estava interessado. Desde sua estranha conversa com Severus sobre seu isolamento, tentou fazer um esforço para melhorar sua vida social. Tinha que admitir que sair em um encontro com um Trouxa era melhorar sua vida social de maneira drástica. Honestamente, estava solitário e cansado disso - a maioria de seus amigos da escola estavam mortos ou o odiavam, e, com a exceção de Dean, a Ordem não era exatamente sua amiga, também.
Eles estavam retirando a maquiagem, lado-a-lado, e ele não pôde evitar lançar vários olhares na direção de Levon. Quando terminaram, Levon estendeu uma mão. Draco sorriu da maneira mais encorajadora que conseguiu, e entrelaçou seus dedos com os de Levon.
Já fazia muito tempo. Tempo demais.
Levon sorriu também e o levou até a porta e fora na confusão que era Londres. Draco estava contente em segui-lo.
Uma longa e silenciosa hora depois, ele foi convidado ao apartamento de Levon, indo pelo metrô. Draco estava feliz por estar sendo guiado, já que se perdeu na sua primeira tentativa de usar o método de locomoção de Londres. Até o conceito de rotas indiretas era estranho a ele - a idéia de mapas urbanos era um mistério total e um que ele não iria dominar logo. Francamente, a confusão e multidão da Londres Trouxa o intimidavam. Ele os evitava quando podia, e estava contente em deixar Sully cuidar das necessidades da casa e lidar com o mundo exterior.
Mais uma rua e eles estavam na porta de um prédio de tijolos. Levon mal conseguia esconder sua animação. Draco sentia, também.
"Ainda interessado?" ele sussurrou, e Draco sorriu.
Levon acendeu as luzes de seu apartamento e esperou nervosamente pela reação de Draco. Era sempre a mesma coisa - pessoas queriam que você gostasse da casa delas e eram inseguras até acharem que você gosta. Felizmente, Levon nunca tinha visto a Mansão Malfoy - aqueles que viam estavam sempre mais ansiosos quando Draco ia conhecer a casa deles, embora Levon não precisava se preocupar sobre isso. Era curioso sobre a casa das pessoas, não importava quanto humilde fosse. Bem, ele lembrou tarde demais, ele provavelmente tinha sido insofrivelmente esnobe algumas vezes. Os comentários em relação a Toca de Weasley vieram a sua mente.
O apartamento de Levon era entulhado de livros, do chão ao teto, em estantes que pareciam feitas à mão. Draco não conseguiu esconder sua surpresa.
"Eu gosto de ler. Na verdade, eu me formei em filosofia." Levon riu nervosamente. "Ninguém me avisou que filósofos não têm trabalho."
Ele foi até uma das estantes, passando a mão pelos livros. Vagarosamente leu os títulos, inclinando a cabeça para vê-los, enquanto Levon acompanhava seus movimentos. Seus dedos cuidadosamente retiraram um livro - A Biografia de John Adams. Folheou pelas páginas sem dar importância às palavras, apenas apreciando a textura do papel em suas mãos.
Uma mão firme retirou o livro dele e o devolveu à estante.
"Eu não te convidei aqui para ler, Draco," Levon disse. "Eu tenho outra coisa em mente, e eu espero que você tenha, também." Ele correu os olhos por Draco apreciadamente. "Ou estou totalmente errado. Espero que não."
Ele percebeu que Levon estava pedindo por reconforto. Ele tinha que lhe dar crédito por chegar até ali - comunicar-se com ele não era fácil, mas aqui estava, em seu apartamento. Os olhos deles se encontraram. Ele se aproximou e correu uma mão pelo braço de Levon.
Sorrindo, Levon pegou a mão de Draco e o levou até a modesta cozinha. "Vinho?" Pegou um saca-rolha quebrado e conseguiu de alguma forma abrir a garrafa de Cabernet com apenas alguns resquícios de cortiça flutuando na taça. Lucius teria lançado um Crucio em qualquer elfo-doméstico que fosse tão descuidado. Draco aceitou o copo de vinho e o toque que o acompanhou.
"À beleza," Levon brindou, brincando. "Senão eu nunca teria te conhecido."
Ele não conseguiu se lembrar se retornar um brinde era permitido, então não arriscou. Esperava que Levon não se ofendesse. Queria que a noite continuasse a ser sociável. Ele queria…
De repente, decidiu que cansara de bancar o inocente. Abaixando seu copo, aproximou-se de Levon, se aconchegando nos braços do outro, e levantou a mão até o rosto dele, acariciando sua mandíbula com dedos pálidos.
Levon inalou rapidamente e se inclinou no gesto provocativo. "Oh, Deus, Draco," ele murmurou, e escondeu seu rosto nos cabelos de Draco. Draco passou seus dedos pelo rabo-de-cavalo de Levon, retirando o elástico e soltando seus cabelos em uma sensual cascada negra.
Levon gemeu suavemente em sua orelha, então se virou e correu sua língua vagarosamente pelo seu pescoço, até seu queixo, e finalmente conectou seus lábios e línguas e dentes. Era quente, macio, molhado, intenso, tudo que ele precisava e queria naquele instante.
Levon não estava parando por nada. "Deus, como eu te quero..." ele murmurou. "Eu quero sua boca. Eu quero seu pau. Eu quero tudo, Draco. Você me deixaria tê-lo?"
Ele deixaria. Pressionou seu corpo contra o outro, sentindo sua ereção pela calça, e puxou o cinto que estava no caminho.
"Pare. Espera um pouco," Levon disse, respirando profundamente. Ele se separou e começou a retirar seu cinto, camisa e calça desesperadamente, enquanto Draco fazia o mesmo. Não teria jogos de sedução, ele sentiu; apenas a intensidade de desejo imediato e necessidade. E ele estava excitadamente indo na mesma direção. Qualquer sedução já tinha acontecido no estúdio, ambos cuidadosamente observando o outro e planejando essa noite.
Nu e livre, ele tomou uma pausa deliberada para assimilar a beleza de seu parceiro. Nunca estivera com alguém tão atraente e sedutor antes, e não deixaria de apreciar. Eles pararam juntos, sem ar, obviamente excitados, então voltaram a satisfazer aquela fome.
Sem tempo para quartos. Eles afundaram juntos no sofá, e era o suficiente. Ele sentiu dedos quentes, macios ao redor do seu pênis, e quase teve um orgasmo ali mesmo pelo toque tão esperado. Forçou-se fortemente no quadril e na coxa de Levon, perdendo sua concentração antes que pudesse evitar. Levon estava tão próximo, mais próximo do que o ar ao seu redor, e a mão de Draco o manuseava: molhado, duro e pronto sob seus dedos. Ele ouviu os gemidos do outro homem, gritos incoerentes para Draco e para Deus ou talvez para os dois juntos, e pressionou sua boca na do outro, alcançando-o e o saboreando em êxtase. Sentiu a repentina mudança de ritmo do corpo embaixo do dele, e então Levon ejaculou em sua mão, em sua pele, molhado e quente, e Draco concentrou tudo naquele momento e o segurou ali.
A mão de Levon parou por um segundo, perdido em seu próprio prazer, então levemente reajustou sua mão e acariciou, levando Draco a um lugar onde apenas sensações importavam. Sua mente estava repetindo uma série, sim sim sim sim, e ele abriu seus olhos para ver os de Levon presos nele, chocado por um momento ao perceber que aqueles olhos eram castanho-claros, e então estava perdido novamente, caindo em seu próprio orgasmo com o que parecia ser seu último suspiro.
Levon estava rindo levemente em seu ouvido. "Ah, sim, Draco. Tudo que eu imaginava que você seria." Ele esperou por certo tempo, então se respondeu, "E você é tudo que eu queria, também, Levon."
Ele só podia sorrir sua concordância.
Mas naquele momento, além do fogo de seu alívio sexual, Draco podia sentir os lobos da solidão começarem a circulá-lo, seus olhos famintos o observando.
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Severus tinha que admitir que estava um pouco curioso quando Hermione Granger o visitou naquela tarde. A coruja dela havia sido breve e direto ao assunto, o que ele achava ser a maneira com que ela controlava a situação. Era um truque inútil. Ele já sabia que o interesse dela era Draco Malfoy, seu trabalho no Ministério quase garantia isso. As fontes dele no Ministério confirmaram que o grupo de Granger era responsável por algo importante que estava acontecendo e que tinha a ver com Draco. Ele se sentiu tentado a mandar uma coruja respondendo - Eu sei menos do que você - mas resistiu. Ele lutou com ela na guerra; devia-lhe alguma cortesia agora.
Uma batida forte o alertou de sua chegada. Ele abriu a porta silenciosamente, e ela ofereceu um curto cumprimento e aceitou um chá. Ele esperava que ela estivesse um pouco nervosa, mas foi desapontado. Ela estava ali somente para negócios.
Ele permitiu que ela iniciasse a conversa - eles estavam ali por pedido dela, afinal de contas.
"Professor Snape, eu acho que você tem uma certa idéia do motivo de minha vinda. O Ministério está interessado na razão porque Draco Malfoy fez um voto de silêncio."
Ele manteve sua voz mais leve do que o normal - Granger não fazia decisões políticas no Ministério, e não podia ser culpada por suas ordens. Mesmo assim, ele estava irritado com alguém no Ministério por ser se meter onde não é chamado.
"Há alguma razão para esse interesse?"
Ela concordou com um gesto da cabeça. "Eu contarei tudo que eu sei sobre o assunto - mas se não se importa, poderia responder minha pergunta primeiro?"
A curiosidade dele tomou conta. "Tudo bem."
"A pergunta mais óbvia é: você sabe por que ele está fazendo isso?"
Bem que ele queria saber a resposta. "Senhorita Granger, mesmo que Draco tivesse me contado seus motivos eu não os passaria a você, não importa quanto o Ministério me ameace. Mas a verdade é que ele não me contou o porquê. Eu li sobre suas ações no Profeta Diário, assim como o resto do mundo mágico."
A expressão dela caiu. "Entendo. Eu achei que se ele fosse contar para alguém, seria você."
"Você me lisonjeia. Mas ele não o fez."
Ela suspirou. "Então eu acho que ninguém saiba a razão por trás do silêncio. Se ele não te disse nada, aposto que não disse para mais ninguém."
Isso era provável, ele pensou, mas disse, "Talvez os advogados dele tenham mais informações." Ele sabia que não tinham.
Ela franziu as sobrancelhas. "Não, eles estão no escuro, como todos. E bem chocados, também, por causa da preparação do julgamento. Eles deram a entender, em uma linguagem bem forte, que ele não está ajudando em nada no caso com esse comportamento, e as preparações deles estão sofrendo."
Ele podia imaginar a irritação de Redmund, algo que ele não gostaria de enfrentar pessoalmente. "Eu sinto muito, mas não posso ajudá-la nisso, então sua visita foi em vão."
"Bem, eu esperava que pudesse partilhar seu conhecimento mágico." Ele permitiu que ela o bajulasse um pouco. "Talvez você conheça de algum feitiço ou ma-" Ela parou, mas ficou certo que diria maldição. "Um feitiço que use silêncio como componente."
"Novamente eu sinto muito em desapontá-la, senhorita Granger. Nenhum feitiço em minha coleção usa um voto de silêncio." Ele a observou cuidadosamente antes de adicionar, "Na verdade, um voto de silêncio é mais comumente ligado a um ato religioso."
Ela sorriu. "Obviamente, mas nós não encontramos sinais de que seja isso. Na verdade, Malfoy tem um novo emprego que é distanciado da vida religiosa."
Ela o estava observando de perto para ver se a notícia era chocante para ele. Era, mas ele não deixaria que ela percebesse. E também não se rebaixaria perguntando qual é a profissão de Draco. Ele meramente esperou, observando-a até que ela quebrasse a tensão.
"Ele é um modelo. Na Londres Trouxa."
Bem, isso era inesperado. Não a parte do modelo - Draco era atraente o suficiente, ele achava, e imaginou que esse era um grande requerimento à posição - mas ouvir que ele estava trabalhando com Trouxas era incrível. Não teria preço vê-lo tentando se acostumar com o jeito Trouxa.
"Não é uma vocação muito espiritual, eu concordo."
"Não. E ainda mais, ele começou a fazer isso depois de fazer o voto de silêncio. Ele conheceu o fotógrafo através de Dean Thomas. Nós concluímos que os dois eventos não têm ligação."
Granger parecia ter acabado com suas perguntas, e sua xícara de chá estava quase cheia.
Ela estava alisando as pontas de sua blusa com unhas manicuradas, e ele estava feliz em notar que conseguiu deixá-la nervosa, afinal de contas.
"Professor Snape, eu prometi que contaria porque o Ministério está interessado no silêncio de Malfoy. Eu sei que não preciso pedir confidência sobre o que estou prestes a dizer."
Ela pausou para permitir-lhe assentir com um gesto da cabeça.
"Harry Potter está sob os efeitos de uma maldição não-identificada." Ele ouviu com interesse enquanto ela descrevia os efeitos da maldição. Quando terminou, o chá tinha acabado, e ele a ofereceu mais.
"Obrigada. Então me diga, Professor, você já ouviu falar dessa maldição? Ou até mesmo de uma parecida?"
Ele tinha que admitir que não. Nada nem perto daquelas manifestações peculiares de Potter. "Não. Certamente nenhuma poção teria causado esses efeitos."
Ela parecia desapontada. "O mais perto que chegamos foi algum tipo de maldição Pondera - uma maldição de Troca controlada por um bruxo que mantém o feitiço."
Os pedaços se encaixaram. "O que explica seu interesse em Draco."
"Sim. Seu voto de silêncio parece coincidir com o início da maldição."
Ele congelou. É claro que o Ministério procuraria em Draco primeiro. Ele estava surpreso que não estavam investigando seu próprio comportamento também; mas então, eles provavelmente estavam.
Ele nunca ajudaria o Ministério nisso. Ele sentou em silêncio, determinado a não oferecer nenhuma informação.
Granger parecia perceber a mudança de atitude. "Professor, eu sei que trabalhou com ele na Guerra. Mas pessoas mudam. Se há alguma possibilidade de que Malfoy está por trás da maldição de Harry, eu espero que nos ajude."
Ele se controlou para não responder com raiva. "Tudo que o Ministério tem nesse ponto é uma coincidência, Senhorita Granger. Eu não participarei disso."
Ela tomou um gole de chá. "E nem precisa. Não é apenas o voto de Malfoy que nos preocupa." Ela pausou, mas ele não a interrompeu. "Harry não pode ser deixado sozinho quando está sob a maldição. Nós nos organizamos para passar as noites com ele - cada um tem sua vez. Mas ultimamente, Malfoy tem passado a maioria das noites com Harry, sozinho. Ele se tornou seu principal guardião quando a maldição mostra seus efeitos. E para dizer a verdade, nenhum de nós está resistindo muito - não é fácil escutar ao Harry quando ele está daquele jeito."
"Você está dizendo que Potter e Draco são amigos?" Ele imediatamente se arrependeu de mostrar sua óbvia ignorância.
"Na melhor das hipóteses, amigos. No pior - bem, vamos dizer que o Ministério está segurando o julgamento."
Ele sinceramente duvidava disso. Ele sabia exatamente o que o Ministério achava de Draco, porque era o mesmo que pensaram de Severus pela maioria de sua vida. Redenção em seus olhos era um estado temporário, algo que podia ser rapidamente esquecido ao primeiro sinal de algo estranho e inexplicável que precisava de um culpado.
"Entendo."
"Então mais uma pergunta, Professor: você acha que Malfoy é confiável?"
Granger nunca diminuiu sua ousadia; ela apenas a disfarçou sob uma camada muito fina de civilidade.
"Sim, eu acho. Mas sei que minha opinião não é levada muito em conta pelo Ministério."
"Mas o Ministério o condecorou com uma Ordem de Merlin; certamente isso conta para algo."
O sorriso dele era frio. "Talvez devesse perguntar ao Sr. Malfoy sobre isso - eu me lembro que ele recebeu uma, também."
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Change the truth until it's worth money; it's a joke but it's not that funny.
Mude a verdade até que ela rende dinheiro; é uma piada mas não é tão engraçada.
Cheated - English Beat
A coruja de entrega do Profeta Diário chegou ao apartamento de Draco um pouco mais cedo do que o normal, o observando com olhos críticos e penetrantes. Ele automaticamente pegou o pote de doces e a passou um por fazê-la esperar. As penas sob seus dedos eram macias e quentes enquanto desamarrava o jornal, abrindo-o eficientemente enquanto se afastava da janela. Ele parou em choque quando leu a notícia.
Maldição lançada em Menino-Que-Sobreviveu
Espião Malfoy suspeito
Merda.
Ele refez seu caminho até a janela e a fechou com força, sem terminar de ler o artigo. Qualquer minuto agora, os Berradores chegariam sem parar. Ele precisava de um bom café-da-manhã e muito café antes de poder enfrentar essa situação.
Era apenas uma questão de tempo até que alguém o conectasse com a maldição de Potter. Ele deveria estar agradecido que levou quatro meses para isso ocorrer.
Na cozinha, ele se serviu antes de terminar de ler o artigo. Ele colocou o jornal embaixo de seu prato e ficou atento em fazer sua torrada, seus ovos mexidos, adicionar leite em seu café e tomar um gole. Quando terminou essa atuação de uma manhã normal, Draco terminou de ler.
Fontes nos informaram que Harry Potter, o herói mais famoso do mundo mágico - ele pulou os superlativos que sempre estavam presentes em artigos sobre o Garoto de Ouro - foi atingido com uma maldição não-identificada.
Quis saber quem essas fontes eram. Depois de anos de abuso e acusações do Profeta, seguidos de anos de exageros e adulações, nenhum dos amigos de Potter pensariam em contar até mesmo a marca da paste de dentes de Potter para um repórter.
O artigo continuava com uma série de feitos e heroísmos passados de Potter. Então o principal:
Draco Malfoy, filho do Comensal da Morte condenado Lucius Malfoy (recentemente falecido e sem lutos), têm sido visto perto do Menino-Que-Sobreviveu, cujos amigos estão fazendo o possível para protegê-lo do espião.
Culpado por insinuação - a especialidade do Profeta. Ele percebeu que não se preocuparam em mencionar que ele era um espião para a Ordem. E ele não tinha fé que os leitores do Profeta se lembrariam desse pequeno detalhe.
Mas o Profeta Diário recentemente descobriu que Malfoy começou um misterioso silêncio no mesmo período em que a maldição começou, e ele se recusa a falar, escrever, ou se comunicar com qualquer pessoa de qualquer maneira.
Incríveis habilidades investigativas, pensou, considerando que meus advogados postaram isso em um maldito anúncio no seu jornal dizendo a mesma coisa. Talvez seus outros anunciantes deveriam saber que você não lê seu próprio jornal.
Draco Malfoy está controlando essa maldição horrível que aflige nosso herói Potter? E como está fazendo isso?
Maravilhoso. Eles basicamente lançaram um preço na cabeça dele. Com sorte, se limitaria a Berradores em seu apartamento, e obscenidades murmuradas no Beco Diagonal, e o ocasional objeto lançado e o cuspe bem-mirado em público. Não apenas do fã-clube de Potter, também, embora eles fossem o maior contingente na cruzada peguem-Malfoy. Qualquer Comensal da Morte restante ou simpatizante iria acreditar nessa droga e iriam oferecê-lo seus serviços.
Merda.
Uma fonte bem localizada no Ministério que é ligada diretamente com Harry Potter confirma que pesquisas intensas estão sendo feitas por alguns dos melhores especialistas para descobrir qual é a maldição e como retirá-la. O oficial do Ministério, que não deseja ser identificado, está preocupado que a conhecida gentileza do Menino-Que-Sobreviveu permitiu esse incidente. "Harry não acredita que Malfoy seja uma ameaça para ele. Eu não posso provar, mas todos sabem quem ele é e do que é capaz. Por que esse repentino interesse em Harry? Por que não fala com ninguém? É tudo muito coincidente," a fonte afirmou.
Ele imaginou quem essa fonte misteriosa poderia ser. Nenhum dos amigos de Potter, ou o artigo mencionaria isso. Não que importasse, na verdade. Ele achava mais interessante saber que Potter não achava que ele estava por trás de tudo. Ainda não, pelo menos. Mas quanto tempo demoraria para ele suspeitar?
A batida na janela estava ficando mais insistente. Ele julgou que mais ou menos doze corujas já estavam ali. Suspirando, ele esperou até que Sully reaparecesse e se aproximou da janela, relutantemente a abrindo. Felizmente, todo elfo-doméstico dos Malfoys sabiam como desarmar Berradores. Ele estava antecipando que Sully ganharia muito prática hoje.
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As corujas não eram mais bem-vindas na casa de Harry, onde estavam circulando há horas. Nenhum Berrador, mas sinceros desejos de melhoras e mensagens de preocupação das centenas de bruxas e bruxos para quem Harry era o símbolo vivo de sua vitória. Dean foi até lá assim que viu o artigo, e foi logo acompanhado de Hermione, que tirou o dia de folga para ajudar a controlar as corujas. Eles sabiam como fazer depois de anos sendo amigos de Harry.
"Mas com quem eles falaram? Quem disse toda essa porra sobre o Malfoy?" Harry perguntou pela décima vez naquele dia. Dean sabia de experiências passadas que Harry considerava isso uma séria traição - infringir sua privacidade para permitir que o mundo visse - uma grande ofensa.
Uma batida interrompeu sua tentativa de resposta, e ele estava feliz pela distração. Era Percy Weasley.
"Eu esperava conversar com você antes que o Profeta Diário publicasse a história, Harry," Percy começou, e Dean percebeu imediatamente a agitação dele. "Mas eu estava ocupado no Ministério essa semana, e -"
"Foi você," Harry disse, em um tom de voz perigoso. "Você é a maldita fonte do Ministério."
Em Hogwarts, Dean se lembrou, Harry já estaria respondendo nos punhos agora, mas ao invés disso ele meramente cerrou suas mãos em punhos e encarou com ódio seu visitante.
"Deixe-me explicar, Harry," Percy começou nervosamente.
"Nem tente. Apenas saia. Eu não quero ouvir suas desculpas."
Ele tinha que dar créditos a Percy por não correr para longe dali naquele momento em frente da crescente raiva de Harry.
"Olhe, o Ministério está preocupado com você e essa maldição. Ninguém descobriu o que ela é ainda - mas iremos, Harry, iremos. Mesmo assim, o fato que Malfoy está andando com você, e sem falar nada. Bem, é suspeito no mínimo."
"Ninguém tem provas -"
"Harry, escute. Sabemos que é algum tipo de Magia Negra, tá bom? Quem sabe mais de Magia Negra do que os Malfoys?"
Harry cruzou seus braços e franziu as sobrancelhas, mas não respondeu. Percy entendeu isso como o máximo de aceitação que receberia. Continuou.
"Achamos que ele está alimentando uma Maldição de Troca de alguma natureza. Você sabe, desistindo de algo, como falar, e recebendo poder em troca para mantê-lo sob o efeito de algum feitiço que lançou."
"Eu sei o que uma Maldição de Troca é, Weasley, não sou estúpido."
Dean e Hermione trocaram olhares. Ela tinha uma expressão pensativa, obviamente ponderando o que Percy acabara de dizer. Ele considerou a possibilidade de alguém que não conhecesse Draco de pular à essa conclusão, mas algo nisso tudo não estava se encaixando.
E Harry não estava acreditando, também.
"Não. Merda, ninguém se lembra que Malfoy estava no nosso lado? Não apenas no fim, mas desde o início. Dean, diga a ele. Ele parece ter esquecido."
"Bem, é verdade, Percy," ele concordou. "Ele salvou a minha vida e a de Seamus Finnigan no começo da Guerra, e lutou nos últimos meses conosco disfarçado. Mas o Ministério sabe disso. Por que essa história agora?"
"Talvez porque Lucius faleceu," Hermione disse. "Eles precisam de um novo Malfoy para culpar."
Ele estava orgulhoso dela, e sorriu seu encorajamento. Ela estava momentaneamente corada pela atenção, mas conseguiu retornar seu sorriso.
"Mas ele te odiava na escola. Quero dizer, todo mundo sabe disso," Percy disse.
Harry franziu as sobrancelhas. "Por que as pessoas não conseguem perceber que isso foi há anos atrás. Meu Deus, eram apenas briguinhas de meninos. Nós crescemos. Nós não nos socamos mais por causa de Quadribol. Essa fase passou."
Percy percebeu que estava perdendo argumentos naquele momento, e se protegeu na maneira que praticava mais - conversa burocrática. "O Ministério acredita ser sábio nos mantermos no lado da precaução," ele começou em sua voz mais metida, a qual irritava Dean e provavelmente enraivecia Harry. "Eles me mandaram para explicar -"
Mesmo com o discurso de Percy, eles ouviram uma voz do outro lado da porta.
"Quem é esse?" Harry perguntou suspeitamente, mas não esperou por uma resposta. Ele foi até a porta e a abriu, assustando o homem do outro lado. Não era ninguém que Dean conhecia e obviamente ninguém que Harry conhecia, também.
"Sr. Potter," o homem começou, então viu Percy e direcionou seu próximo comentário a ele. "Ele esteve aqui, Sr. Weasley, e eu disse que ele não é permitido aqui. Ele já foi embora."
"Quem esteve aqui?" Harry exigiu. Ninguém respondeu. "Quem esteve aqui?" ele repetiu, mais quietamente e muito mais ameaçador.
"Draco Malfoy, senhor," o homem admitiu.
Com um nó em seu estômago, Dean sabia que as coisas iriam ficar feias. Quão feias dependia de quão rápido Percy Weasley perceberia que estava na frente de um aparentemente inofensivo, mas na verdade muito poderoso - e agora muito irritado - bruxo.
Hermione sabia, também.
"Harry, se acalme," ela começou. Harry a ignorou, virando-se na direção de Percy.
"Você o mandou embora. Ele veio para me vigiar hoje, e você o mandou embora como se fosse nada."
Percy encolheu.
"Talvez isso não signifique muito para você, mas eu preciso dele aqui. Ele é o único que agüenta essa merda toda noite, e você o trata como se fosse nada."
Dean pôde ver que Hermione ia interromper, e pegou o pulso dela gentilmente. Harry estava apenas irritado; Dean sabia que ele estava agradecido por eles. Hermione se controlou e fez um gesto com a cabeça.
"Você acha que eu vou deixar o maldito Ministério mandar na minha vida e dizer quem eu posso e não posso convidar para minha própria casa? Minha casa privada, ainda mais? Pelo que me lembro, eu não trabalho mais para o Ministério."
"Harry, por favor, escute -"
"Não, escute você. Você tem dez segundos para sair da porra da minha casa, e levar seu cachorro com você antes que eu te amaldiçoe daqui até a Toca. E você pode avisar o maldito Ministério que eu não preciso da ajuda deles, se isso é o melhor que podem fazer!"
Percy não precisava ser dito duas vezes. Ele olhou para o homem atrás dele e ambos Desaparataram.
Harry soltou um longo suspiro. "Inacreditável," ele disse finalmente.
Hermione deu um tapa confortante em seu braço. "Às vezes, inimigos não são o maior perigo. Às vezes são amigos que fazem o maior dano."
"Amigos. Acho que não." Ele se atirou no sofá e passou as mãos pelo cabelo em desespero.
"Percy nunca foi amigo de Harry," Dean disse.
Harry sorriu com a demonstração de apoio. "Por que Weasley está se metendo nisso, Hermione? Eu achava que seu grupo estava controlando esse projeto." Ele disse a última palavra com nojo.
"Hum. Nós estamos. Na maioria dos dias, pelo menos. Ah, vamos lá, Harry, você sabe como políticas de escritório são. Políticas de escritório do ministério são dez vezes pior. Percy está tentando criar um nome, só isso. E o chefe dele o encoraja - debaixo da mesa, é claro, então ele não tem que lidar com meu chefe."
Harry parecia enojado. "Ele fará um nome, com certeza. Na primeira página do Profeta - Maldito Percy Weasley provoca Menino-que-sobreviveu a cometer assassinato."
"Harry!" Hermione avisou, mas ela tinha um pequeno sorriso em seu rosto.
"As coisas não estavam ruins o suficiente, não é?" ele disse com uma careta. "O que eu faço agora?"
"Eu não sei," Dean respondeu.
Harry levantou a cabeça, parecendo mais derrotado do que estivera em meses. "Malfoy está provavelmente pensando que eu coloquei o guarda ali para mantê-lo longe. Que eu acho que ele está por trás da maldição. Mas eu não acho. Não acho."
Ele sentou ao lado de Harry no sofá. "Nós o avisaremos."
"Como? Ele não está mais vivendo na Mansão. Você sabe onde ele vive em Londres?"
Ele balançou a cabeça. "Mas você pode enviar uma coruja. Chegará até ele aqui na cidade."
Harry já estava de pé e indo até sua mesa. "É melhor eu me apressar. O sol está quase se pondo."
"Nós ficaremos com você, Harry," Hermione o reconfortou.
"Com certeza," Dean ecoou. "Não se preocupe com hoje à noite."
"Não que eu não aprecio. Vocês sabem que sim. Obrigado," Harry disse quietamente. "Mas é menos ruim quando Malfoy está aqui. Eu não me importo com o que o Ministério acha ou o que o Profeta diz. Eu preciso dele aqui."
Essa era a segunda vez que Harry admitira precisar de Malfoy, e Dean percebeu um tom de desespero em sua voz. Ele imaginava o que estava por trás disso.
Harry rapidamente escreveu uma mensagem, e preparou Edwiges para a entrega. Eles observaram a coruja branca desviar as várias corujas do lado de fora e voar para longe.
"Uma coruja não é o suficiente, no entanto. Eu preciso me encontrar com ele e me desculpar em pessoa," Harry finalmente admitiu. "Você acha que conseguimos achá-lo amanhã? Você sabe aonde ele vai?"
Ele ainda tinha o cartão de Knightley em algum lugar - o estúdio seria o lugar mais provável de se ir se Harry estava tão insistente. "Acho que conseguimos encontrá-lo, sim."
"Amanhã, então. Obrigado."
E essa foi a última coisa decente que Harry disse a eles. O sol se pôs.
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Draco estava em um breve intervalo, desaparecendo das luzes quentes e barulho frenético da sessão. Ele encontrou um sofá desocupado e se jogou nele. Ele queria fechar os olhos por um instante para recuperar o sono que perdera na noite passada.
Ele ainda não conseguia enterrar tudo que aconteceu no dia anterior. Acusado pelo Ministério antes do café-da-manhã, escondendo em seu apartamento até a hora do jantar. E então, finalmente, ser expulso da casa de Potter por um de seus guarda-costas - Potter nem se incomodou em fazer o trabalho sujo. "Você não é permitido aqui," foi dito tão facilmente. Foi ao mesmo tempo inesperado e tudo que deveria ter antecipado. Como um Malfoy. Sempre um Malfoy, primeiro, último, e antes de tudo.
Ele ouviu passos se aproximando, e fingiu estar dormindo - não queria ser incomodado hoje.
"Você acha que ele está dormindo?" ele ouviu uma voz dizer. Dean Thomas. O que ele estava fazendo ali?
Abriu os olhos, e rapidamente descobriu que Dean não estava sozinho. Potter o estava espiando com uma expressão que quase tirou seu fôlego de tão ansiosa.
"Olá, Draco," Potter disse quietamente. "Edwiges voltou noite passada com o bilhete que te mandei. Nós deduzimos que não está recebendo nenhuma coruja. Por causa do artigo."
Ele rapidamente sentou, balançando suas pernas até estar reto, mas se sentiu muito abalado para tentar se levantar.
"Eu te mandei uma coruja na noite passada para te avisar que não fui eu," Potter disse, atravessando palavras em sua urgência de se explicar. "Eu não tive nada a ver com o guarda na minha porta. Foi tudo o maldito Percy Weasley e o Ministério. Eu os mandei embora e eles não vão mais voltar, se eles souberem o que é bom para eles. Se eu soubesse -"
Potter teve que parar para recuperar seu fôlego. Aparentemente as pernas dele não estavam muito firmes também, Draco concluiu, porque ele abruptamente se sentou do lado dele. "Desculpa. Eu nunca te mandaria embora daquele jeito. Eu não acredito em nada que estão dizendo no maldito Profeta. Qualquer um com metade de um cérebro perceberia que é tudo besteira, sabe. Malditos repórteres."
Fazia muito tempo desde a última vez que viu Potter fazendo um discurso assim sem estar sob a influência da maldição. Ele ainda estava um pouco surpreso pela aparição dele ali, e o número de palavras e desculpas fizeram ele se sentir como se estivesse preso em um vento forte - mas era bom. Muito bom.
Potter não tinha terminado, também. "E nós queremos te levar para jantar quando terminar aqui. Para o Beco Diagonal. Deixar todos saberem o que achamos dessa merda, sabe? Quando pode sair? Você virá? Ai, Droga, eu sei que não pode responder, mas eu espero que saiba que eu sinto muito. Eu só quero deixar tudo melhor, entende?"
Ele entendia. É claro que entendia. Potter era o típico Grifinório que queria deixar tudo melhor para todos, e que ficava muito infeliz quando não conseguia.
Mas Draco deixaria ele tentar.
Dean interferiu no monólogo de Potter. "Eu vou conversar com alguém para descobrir os horários de Draco. Eu vou pedir para ficarmos aqui, se não atrapalharmos." Ele saiu em direção à multidão de pessoas.
A intensidade de Potter estava de volta, ele percebeu, deixando as palavras o engolfarem.
"Eu sei que você não me amaldiçoou. Eu sei que estava no nosso lado. Eu só queria que todo mundo se lembrasse disso. E eu não sei por que você parou de falar, e eu gostaria de saber, mas está tudo bem."
Ele quase podia sentir Potter queimando com a necessidade de ser entendido, de ser perdoado, e Draco inexplicavelmente queria fazer tudo isso. Ele alcançou uma mão, correndo-a pelo braço do outro homem, mandando o máximo de reconforto e aceitação que pôde com apenas um movimento,
Potter respondeu em seu típico estilo exuberante, lançando seus braços ao redor de Draco e o puxando para um abraço. "Desculpa. Pessoas são tão idiotas, sabe?" ele murmurou no ouvido dele.
Draco apertou com mais força em resposta, e teria classificado o abraço como amizade masculina - a não ser que os dedos de Potter estavam fazendo uma exploração, correndo pelo seu pescoço, seu cabelo, e finalmente sua orelha.
Ele se afastou em surpresa, e Potter parecia momentaneamente envergonhado.
Hum. Eu…" o que for que Potter iria dizer, ele esqueceu, e ao invés disso ofereceu, "Você está usando maquiagem."
Draco não pode deixar de rir com esse comentário abrupto.
"Ah, é claro. Estúpido," Potter murmurou. "Você é um modelo." Então ele adicionou, "Fica muito bem em você, no entanto."
"Ei, Garoto Dragão," ele ouviu alguém chamar. "De volta ao trabalho."
Os olhos de Potter se arregalaram. "Meu Deus, ele te chamam de Garoto Dragão? E ainda têm todas as partes do corpo unidas?"
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Dean estava fascinado com a diferença entre desenhar um modelo e fotografar um. A atenção dele estava capturada pela atividade, pelas pessoas, o movimento. Ele e Harry estavam discretamente observando o processo, quietamente conversando apenas quando necessário. Dean observou o máximo que pôde - os modelos, os assistentes, o fotógrafo, as luzes, o barulho. Harry observou Draco.
Uma voz insistente interrompeu o estudo dele.
"Eu ouvi que você dois são amigos do nosso misterioso dragão. E você, me contaram," - ele apontou um dedo para Dean - "foi quem o descobriu. O artista, certo?"
Ambos viraram na direção do interlocutor.
"Sou Daniel, um dos cabeleireiros." Ele olhou firmemente para Harry. "É alguém que corta e estiliza cabelos. Eu achei que você talvez precisasse de uma explicação," ele adicionou em divertimento.
As mãos de Harry foram automaticamente tentar arrumar seu cabelo bagunçado.
"Ah, nem tente, amor. Esse visual desarrumado é fashion hoje em dia."
Ele estendeu sua mão. "Dean Thomas."
Harry fez o mesmo, ainda surpreso com o outro. "Harry Potter."
Daniel os cumprimentou como se fossem a coisa mais interessante que acontecera a tarde inteira.
"Então me digam, queridos, qual de vocês Dragão está desejando?"
Chocado pela pergunta, Dean tentou responder, mas Daniel o cortou. "Ah, não percam seu tempo com negações. Quero dizer, eu sei que nosso silencioso modelo é sexo-em-pernas até mesmo em um dia ruim, mas alguém o deixou especialmente quente e perturbado hoje. Deus, eu queria que fosse eu, sabe? Quero dizer, olhem para ele. Ele nunca é tão intenso, vejam, como se ele quisesse ser fodido forte e repetidamente. E eu sei com certeza que não é por causa da mulher com quem ele está posando. Então digam."
"Não é nada disso," Harry disse. "Somos amigos, só isso. Fomos à mesma escola. Hum. Escola pública."
Daniel sorriu maliciosamente para rivalizar os de Draco. "Ah, amigos. Escola pública. Ooh. Festas à meia-noite depois que as luzes se apagam. Estou entendendo."
Ele achava os comentários de Daniel engraçados, mas ele pôde ver que Harry estava um pouco irritado. Daniel percebeu, também.
"Ai, droga, já vi que criei estrago. Desculpa, amor, você não me conhece ainda. Demora para se acostumar comigo. Sou inofensivo. Infelizmente."
"Tudo bem."
"Nós adoramos nosso Dragão, sabe. Embora ninguém saiba nada sobre ele. Nós apenas inventamos coisas para preencher nossa ignorância. E ele nunca nega nada."
"Bem, ele é bem normal," Harry disse, e Dean quase engasgou com a mentira.
Daniel também não estava acreditando. "Tão normal quanto qualquer extremamente rico, muito gay pode ser, você quer dizer."
Isso fez Harry parar, e ele ficou ali, piscando em choque. "Como você sabia que ele é-"
"Gay?"
"Hum, não. Rico."
Daniel sorriu. "Minha resposta é a mesma nos dois casos. Eu percebo as coisas."
Dean riu, e disse a Daniel, "Bem, ele sempre foi rico. Eu não sei da parte gay, mas o silêncio dele é novo. E antes que possa perguntar, não, nós não sabemos do que se trata. Ninguém sabe. E isso é tudo que temos a dizer sobre Draco."
"Tudo que têm a dizer, ou tudo que vão me dizer?" Daniel perguntou teimosamente. "Ah, bem. Não importa. Isso me dá mais liberdade para minhas fantasias. Se ele é como os outros modelos que conheço, ele é provavelmente muito burro, também."
"Não," Harry disse. "Ele era um dos primeiros da classe. Ele tinha as maiores notas do nosso ano em, hum, química."
"Interessante. Deixe-me dar um conselho, no entanto." Ele abaixou sua voz e se inclinou na direção de Harry. "Seria sábio de vocês se ficassem fora do caminho de Levon se pretendem roubar o Draco dele." Ele deu um discreto aceno na direção de um modelo de cabelo preto, que parecia estar encarando eles com irritação. Aparentemente, Daniel não era o único que percebia as coisas.
Dean tentou não encarar, mas Harry foi particularmente horrível em disfarçar seu choque, e Dean o deu uma cotovelada.
Uma voz chamou Daniel. "Ah, estão me chamando. A voz do mestre. Devo obedecer." Ele beijou o rosto de Dean antes, passando a mão pelos dreads no cabelo dele. "Eu quis fazer isso desde que chegou aqui, querido," ele confessou. Ele virou na direção de Harry e fez a mesma coisa, ajeitando várias mechas. "Você deveria me deixar fazer algo com isso."
"Acho que não," Harry disse. "Ninguém iria me reconhecer."
"Com essa cicatriz sexy sua? Nunca, amor." Pela segunda vez, Dean quase se engasgou em risadas.
