Título:
A Thousand Beautiful Things (Mil Coisas Belas)
Autora:
Duinn Fionn
Tradutora:
mila_crazyx (mila – sublinhado- crazyx -arroba- yahoo . com)
Beta
da tradução:
Verena
Classificação:
R
Pares:
Draco Malfoy – Harry Potter
Disclaimer: Essa história é baseada em personagens e situações pertencentes a JK Rowling, vários publicadores incluindo, mas não limitado à Bloomsbury Books, Scholastic Books and Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Nenhum lucro está sendo feito por parte do autor dessa fanfiction.
Contato da Autora: geoviki - arroba- msn . com
Sumário: Draco Malfoy confronta mudanças de sorte, de alianças, uma horrível guerra, um feitiço incomum, com a ajuda de um professor preocupado, um elfo-doméstico e um inesperado amigo grifinório.
Capítulo Oitavo.
Hard to tell or recognize a sign to see me through, a warning sign.
Difícil ver ou reconhecer um sinal que me veja por dentro, um sinal de aviso.
In a Lifetime - Clannad/Bono
Snape não pôde deixar de pensar que essa seria, com certeza, a última vez em que aparataria para a Mansão Malfoy. As chances de que seu próximo dono - um bruxo com fortuna e prestígio suficientes para retirá-la das mãos do Ministério, por certo lucro, é claro - quisesse ter alguma conexão com alguém de sua reputação eram quase nulas. Com divertimento repentino, ele imaginou as possibilidades de um Trouxa adquirir a Mansão - não seria essa uma justiça poética para a dinastia de Lucius Malfoy?
Desde a morte de Narcissa, ele era o único visitante que tinha permissão para aparatar diretamente na Mansão. Franziu as sobrancelhas, considerando a possibilidade de que Draco talvez tivesse estendido o privilégio a seu novo inconcebível amante.
Draco não parecia ter melhorado desde a última vez que o vira há três dias atrás na audiência.
"Eu nem vou perguntar se você andou comendo, porque posso ver que esse não é o caso," colocou da maneira mais sensível que pôde. "E dormindo, também."
Snape chamou o elfo-doméstico de Draco, porque este não se mexeu para fazê-lo. A criatura apareceu, fazendo uma reverência exagerada.
"Mestre Snape, senhor," ela disse. "Sully esperando você vir aqui para ajudar Mestre Malfoy, senhor." Ela levou as duas mãos à boca pela admissão, e ele fez um som de irritação.
"Ele já almoçou, Sully?" O elfo balançou a cabeça exageradamente. "Café da manhã?" Ela repetiu o movimento. "Traga-nos algo aqui, então. Chá também."
Ela desapareceu instantaneamente.
"Morrer de fome não é a solução, Draco. Você precisará de suas forças nessas semanas que virão, para fazer todos os arranjos para sua saída da Mansão."
Draco o olhou sem emoções.
"Redmund e seus associados podem arranjar a maioria dos detalhes, mas você precisará identificar o que gostaria de levar para sua nova casa em Londres e o que gostaria de deixar para trás. Felizmente, eles podem assinar qualquer documento crítico para você." Ele lançou-lhe um olhar de irritação. "Eu já mencionei que imensa inconveniência seu silêncio se tornou?"
Ele pensou ter visto Draco encolher um pouco, e escondeu seu sorriso satisfeito. Draco transferiu sua atenção à xícara de chá que Sully trouxera, e estava adicionando creme e açúcar em sua tentativa de parecer despreocupado. O elfo o rodeava com um interesse protetor que Snape nunca tinha visto em tal criatura, e achou engraçado.
"Sully, eu não sei o que Draco fará sem você quando ele for embora," ele disse.
A reação dela foi instantânea e não o que ele esperava. Se ela arregalasse mais os olhos, eles iriam cair da cabeça dela, ele temia.
"O que você estar falando, Mestre Snape? Sully não deixar Mestre Malfoy."
"Não hoje. Quis dizer quando ele tiver que deixar a Mansão."
"Sully ir aonde Mestre Malfoy for." Ela disse firmemente, como se qualquer outra solução fosse absurda.
Até mesmo Draco parecia surpreso com essa afirmação.
"O que está dizendo, Sully? Você não é ligada à Mansão Malfoy? Achei que você era obrigada a servir o mestre da casa."
"Então Mestre Snape estar pensando errado," ela respondeu, então pareceu alarmada pela crítica ofensiva. Por um segundo, ela pareceu estar considerando se punir, mas aparentemente ofender Snape não resultava em punição física. "Sully não estar servindo Mansão Malfoy."
Ele esperou que ela continuasse e se irritou quando ela não o fez. "Explique o que quer dizer."
Ela o olhou como se fosse um aluno do primeiro ano que não sabia o caminho para o Salão Principal.
"Mestre Snape não estar acreditando que Sully estar ligada a uma casa? Mansão Malfoy ser feita de tijolos e pedras. Sully não poder servir tijolos e pedras. Elfos-domésticos estar servindo bruxos, Mestre Snape."
Ela parecia estar adorando explicar algo para ele, embora parecesse que tudo isso era novidade para Draco também.
"Sully estar servindo a família Malfoy. Mestre Draco Malfoy. Ele sendo o único Malfoy, então Sully ir aonde ele ir. Sully estar surpresa que Mestre Malfoy não contou isso a você antes." E após essa revelação, repleta com reverências, ela desapareceu.
Ele encarou Draco gravemente. "Talvez porque Mestre Malfoy também não soubesse dessa pequena condição. E talvez porque Mestre Malfoy não está se comunicando com ninguém."
Draco estava evitando seus olhos deliberadamente.
"Eu tenho tido cuidado para não pressioná-lo nesse assunto, Draco, porque eu acreditava que independente das razões por trás de seu comportamento, elas haviam de ser boas. Mas após ficar sabendo de seu recente caso com ninguém mais do que o Menino-Que-Sobreviveu, estou tendo sérias dúvidas."
Ele esperou que Draco o olhasse nos olhos, mas para sua irritação crescente, ele parecia contente em deixar o silêncio se arrastar e se recusava a levantar os olhos de seu chá.
"Pelo amor de Merlin, se vai ficar só mexendo, faça um prato de comida e coma." Draco esperou tempo o suficiente antes de alcançar o sanduíche para não parecer que estava cumprindo uma ordem.
"Acredito que a frase 'O que você estava pensando?' é apropriada. Não que eu antecipe uma resposta. Na verdade, mesmo que estivesse falando, eu suspeito que você não me daria uma resposta convincente. Talvez nesse ponto seu silêncio seja bom."
Estava determinado em atrair a atenção de Draco, e ficou satisfeito por conseguir.
"Não está um pouco tarde para rebeldia adolescente, Draco? Embora, se quisesse fama, não teria arranjado parceiro melhor."
Draco estava tentando esconder sua raiva, mas Snape pôde vê-la em seus punhos e na pele branca em seus lábios cerrados.
"O Profeta Diário se ocupou com mais nada a não ser esse caso desde o tribunal. Mal posso esperar até que a Bruxa Semanal comece no assunto. Mas sério, Draco. Harry Potter? Pensei que tivesse bom-senso. Provavelmente não há uma pessoa nesse planeta que lhe deseje sucesso nesse relacionamento."
Era o suficiente. Ele não fez nenhum comentário sobre o que os pais de Draco diriam se estivessem vivos - ele distinguiu essa linha de crueldade.
"Sobre outro assunto, acredito que Lucius esqueceu de me devolver vários livros que emprestou de mim nos últimos anos. Eu gostaria de procurar por eles na biblioteca, se não se importar."
Draco parecia grato por largar o assunto entre ele e Potter, levantou-se e liderou o caminho até a biblioteca de seu pai. Abriu a porta mas ficou no corredor, recusando-se a entrar.
"Obrigado. Eu não demorarei muito."
Quando voltou ao corredor com seus livros, Draco não estava mais esperando por ele. Encontrou-o novamente no fundo da sala de visitas procurando pela pequena biblioteca de livros Trouxas mantida ali, seu prato intocado.
Ele sempre achou a coleção de clássicos Trouxas uma anomalia na casa dos Malfoy. Eles estiveram sob possessão do pai de Narcissa, parte de uma coleção muito maior. Quando ele morreu, Lucius insistiu que Narcissa pegasse sua parte simplesmente porque era dela por direito. Ele duvidava que eles sequer soubessem os títulos das obras nessas prateleiras. Os gostos de Lucius em leitura nunca se afastavam de estudos mágicos.
Não o surpreenderia, no entanto, descobrir que Draco lera muitos deles.
Curiosamente, ele encontrou alguns livros em cima da mesa que não estavam ali quando foi até a biblioteca de Lucius.
Inclinou-se para correr seus dedos pelas capas, virando-as para inspecionar os nomes mais atentamente.
Bleak House de Charles Dickens. Um óbvio paralelo com a luta pela herança de Draco.
Emma de Jane Austen. A história de uma mulher que tentou - mas não conseguiu - manipular a vida de seu amigo.
Romeu e Julieta de William Shakespeare. Soltou um ronco de divertimento.
Ele se recusou a comentar, "Estarei em contato com Redmund caso eu possa ser de alguma assistência nessas próximas semanas," ele disse. "E se você não se sentar e terminar sua refeição, ordenarei que Sully o amarre e o alimente ela mesma."
Draco sorriu um pouco, moveu sua cadeira e sentou-se com sua graça comum, pegou um sanduíche, e deu uma mordida deliberada.
"Muito bom. Obrigado. Eu descansarei melhor sabendo que você está pelo menos se cuidando." Ele hesitou, tentando formular palavras de despedida que não fossem muito sensíveis. Mas não pôde ignorar a dor tão aparente nos olhos do outro bruxo. "Draco, você passou por muitos julgamentos em sua curta vida. Eu me arrependo disso. Mas sei que você tem força o suficiente para passar por esse também."
Draco o olhou com gratidão, então desviou o olhar em vergonha.
Sentiu uma inesperada vontade de proteger Draco, e achou melhor Aparatar para Hogwarts antes que suas emoções saíssem de controle.
Words as weapons, sharper than knives...
Palavras são armas, mais afiadas do que facas…
Devil Inside - INXS
Hermione tinha uma necessidade urgente de falar com Harry, mas Dean finalmente a persuadiu a esperar até sábado na reunião semanal na casa do amigo deles. Ele alcançou o pacote aberto de batatinhas e pegou a última, inclinando-se com um suspiro. "Já vi o West Ham jogar melhor."
Ron riu. "Já vi alunos de primeiro grau jogarem melhor. Seis a Zero. Nossa. Os Hammers se ferraram."
"Bem, tanto o Vaughan e o Lonmire estão machucados, e o Black Cats estão quentes nesse mês-"
"É, é," Seamus riu. "Você já disse, Dean."
Harry desligou a televisão com um gesto de nojo. "Lá se vão as chances para a taça da FA."
Ele tinha que concordar. "Tá bom, esse jogo foi estranho."
Ron concordou. "Para terminar uma semana estranha," ele começou, então parou abruptamente. Dean não estava surpreso. Desde a confissão inesperada de Harry sobre suas… atividades com Draco Malfoy, tópicos tinham desaparecido entre eles. Ninguém queria ser o primeiro a começar uma discussão baseada naquele tópico sensível. Ron tinha murmurado antes que qualquer informação seria categorizada na seção de Informação Demais.
Seamus, no entanto, nunca considerou um tópico fora de limites em sua vida. "Eu quase desmaiei na audiência." Ele deixou um silêncio inconfortável crescer antes de acrescentar, "Sabe, quando o Wizengamot anunciou que tirariam a Mansão e toda aquela adorável herança. Como o Malfoy está indo, Dean?"
Pelo menos Seamus tinha maneiras para direcionar a pergunta a ele e não a Harry, pensou. Mas mesmo assim…
"Não posso dizer, Seamus. Ele não disse nada."
Seu amigo o olhou com irritação. "Você sabe o que eu quis dizer, seu mané."
"Bem, o que você acha? Você viu a cara dele quando leram a decisão. Ele deve estar deitado lambendo suas feridas. Eu não o vi. O estúdio dele me telefonou, preocupado. Você falou com ele, Harry?"
Harry o olhou com calma. "Não desde o tribunal. Eu queria visitá-lo na Mansão, mas Snape estava lá quando fui. Deixe-me dizer que Snape não me recebeu com muito entusiasmo, então eu adiei, e Draco trancou o Flu desde então."
Seamus parecia surpreso. "Vocês acham que ele ainda está na Mansão? Ou já veio para Londres?"
Harry respondeu. "Eles deram um prazo de até o final do mês para ele sair. Eu enviei corujas, e elas não voltaram, então eu acho que ele anda lendo a correspondência."
"Bem, pelo menos deixaram ele ficar na casa em Londres e com dinheiro. Não é como se ele estivesse falido." Ron falou.
Dean se assustou, mas então percebeu que era instinto de Ron em sempre comentar no preço das coisas. "Bem, para Draco nunca foi questão de dinheiro, na verdade. Ele tem a herança da mãe, afinal de contas. Ele sempre disse que a Mansão Malfoy é o centro da vida dele. Depois que perdeu tudo por causa da Guerra, ele pensou que era tudo que lhe restava. E agora, nem isso mais."
Nesse momento, Hermione chegou pela lareira com o mínimo de poeira e confusão. Ele se levantou e a cumprimentou calorosamente, então disse, "Não importa o que, não pergunte como o West Han foi."
Ela o encarou com divertimento. "Conselho recebido, Dean. Embora tenha que admitir, eu não ia perguntar."
Seamus riu. "Essa poderia ser uma diferença não consertável, sabiam. Mas dizem que os opostos se atraem."
"E você deveria saber," disse Ron. "Sendo que sua noiva é doce, educada, e um amor de se ter por perto."
Seamus o empurrou amigavelmente, o derrubando do sofá. "Quieto, você."
Harry riu e pisou entre eles. "Comportem-se, vocês dois," ele disse. "Violência nunca resolveu nada."
"Bom conselho, Harry," Seamus respondeu. "Agora que você e Malfoy decidiram parar de se atacarem. Ou... espere. Não, vocês não pararam, não é?"
Um silêncio inconfortável se seguiu. Até mesmo Seamus parecia se arrepender de ter falado.
Hermione foi até o sofá e sentou-se do lado de Ron. "Como está o bebê?"
Isso tirou a tensão. Um Ron orgulhoso respondeu, "Ótima. Ela está crescendo como uma planta. Eu não sei por que nós compramos um berço, ela está sempre nos braços de alguém."
"O que você esperava?" ela perguntou. "Meninas são raras na sua família. Aposto que sua mãe esteve morrendo de vontade de mimar uma garotinha desde que Ginny ficou grande demais para isso."
"Ah, sim. Com certeza. O pai também. Mas quer saber que são os piores? Fred e George. Eles estão destruindo qualquer chance dela crescer normalmente." O sorriso dele os informou que não estava muito preocupado.
Dean podia imaginar os titios. Ron falava sem parar de sua filha - achava que seu nome era Florrisant, mas ninguém a chamava assim desde a cerimônia de nomeação, ao invés disso usando Posie. Ele teve que se concentrar para parecer interessado. Já podia sentir o espaço entre eles aumentando, a nova filha de Ron o isolando mais de seus amigos de infância. Imaginou como seria ter filhos. Hum... Gostaria disso.
Falar em Posie parecia ter lembrado Ron de suas obrigações familiares. "Acho melhor eu ir para casa," ele disse. "Está ficando tarde."
Hermione tossiu para chamar a atenção deles. "Na verdade, eu vim aqui para contar as novidades sobre a maldição de Harry." Ela correu os olhos por todos eles. "Vocês são bem-vindos a ficar e ouvirem, também." Ron voltou a se sentar. Seamus parecia indeciso entre sair depois de seu fora vergonhoso e satisfazer sua curiosidade. Mas eventualmente decidiu ficar.
Ela esperou até ter a atenção deles antes de começar. Observou com divertimento enquanto Hermione adotava uma pose para discursos que era tão familiar das tardes no salão comunal Grifinório.
"As más notícias, primeiro, é que nós não conseguimos identificar a maldição precisamente," ela começou. Dean observou Harry afundar em sua cadeira. "Mas achamos que é algum tipo de maldição Pondera."
"Uma maldição de Troca?" Ron perguntou. "Isso é o que o Profeta Diário disse."
Harry interrompeu. "Mas não é esse apenas um argumento circular? O Ministério acha que é uma maldição de Troca por causa do Profeta ou vocês tem mais informações?"
Hermione parecia desapontada, como se a evidência não fosse tudo que ela esperava. "Bem, não podemos dizer com certeza, mas há coisas que apontam nessa direção," ela admitiu.
"Coisas como…" Harry a encarou com frieza.
Ela suspirou. "Eu quero que me escute, Harry, porque você não quer escutar isso. Você também, Dean."
Ele sabia imediatamente que ela estava se referindo a Draco, e pelo que parecia, Harry sabia, também. Ele franziu as sobrancelhas, mas não comentou. Por enquanto, pelo menos.
Hermione se apressou para dizer o que precisava em frente ao consentimento de Harry. "Um fato de que temos certeza é que o silêncio de Draco começou um pouco depois que a maldição começou. Talvez até antes."
"Não, foi com certeza depois," Dean disse. "Ele veio comigo na noite em que você pediu ajuda, lembra? Ele ainda falava, então."
Ela concordou. "Sim, agora me lembro. Então, tá bom, as datas não batem exatamente. Mas ainda é perto. Perto demais para o conforto do Ministério."
A expressão de Harry não tinha melhorado. "O que mais?"
"Bem, tem também a rivalidade escolar de vocês - não discuta comigo, Harry," ela adicionou quando Harry abriu a boca. "Não estou dizendo que concordo. Só estou informando algumas coisas em que o Ministério está pensando."
"Seria esse o mesmo Ministério que fez minha vida miserável por anos? O lugar em que Fudge e Umbridge trabalhavam? O que mandou Sirius para Azkaban sem um julgamento? Esse Ministério?"
Ron se mexeu inconfortavelmente em sua cadeira. "Mas o que Hermione está dizendo pode explicar por que a maldição está em você. Nós sabemos que Malfoy odiava você naquela época."
A cuidadosa tentativa de Ron falhou quando Harry prontamente o ignorou. "O que mais?" ele rosnou.
Hermione parecia estar inconfortável por um breve momento, então continuou. "O mais novo fato é o que você contou ao Wizengamot na audiência nessa semana. O Ministério acha significativo que vocês fizeram sexo desde que a maldição começou."
Até mesmo Seamus ficou quieto. Dean sentiu que precisava ajudar Hermione nesse silêncio estranho. "Por que isso significaria algo?"
Ela virou sua atenção para ele com gratidão. "Bem, você sabe que há muitos feitiços Negros que usam a magia do sexo. Então algumas pesquisas mostram uma correlação entre o silêncio e esse... ah... novo interesse sexual em Harry. Eles acham que há definitivamente uma conexão."
Seamus estava com a boca fechada, e o rosto de Ron estava virando um tom desagradável de vermelho. Dean estava sentindo uma curiosidade mórbida crescendo, junto com a profunda vergonha de ter Hermione discutindo a vida sexual de dois de seus amigos como se fosse algo com fins malévolos.
"Eles vão querer interrogá-lo sobre isso domingo, Harry," ela disse.
Isso foi a gota d'água para destruir a frágil compostura de Harry. "Foda-se isso. Isso não diz respeito a ninguém a não ser eu. Não vou responder ao Ministério sobre quem eu fodo e por que."
"Harry, escuta," ela começou, soando como a Professora McGonagall quando mais severa.
"Não, Hermione, você escute. Não foi assim. Draco não tentou me seduzir. Eu fui atrás dele, tá bom? Foi minha idéia."
Dean sabia que Hermione podia argumentar que preto é branco se estivesse no humor - e parecia que ela estava.
"Ou talvez ele quisesse que você pensasse que foi idéia sua." Ela levantou uma mão em aviso. "E não, eu não estou pedindo por detalhes. Mas se ele realmente está por trás da maldição, então ele seria cuidadoso em manipulá-lo. Não é como se ele não tivesse um histórico de comportamento manipulador."
Harry explodiu. "Isso foi há anos atrás. Droga, Hermione, ninguém se lembra que pelos últimos cinco anos ele foi um dos caras bons? Eu acho - sim, estou quase certo que eles mencionaram algo no julgamento. Ou ninguém estava escutando?"
"Harry está certo," Dean disse. "Draco é culpado por tudo que acontece na mesma cidade, desde alguma atividade dos Comensais da Morte até o tempo ruim nesse inverno. Só porque ele e Harry, hum..."
Harry continuou. "É, só por que eu e ele hum não significa que ele está tentando me machucar. Pelo menos sem que eu queira."
Seamus encolheu. "Harry, cara, informação demais."
Harry estava tão agitado que nem olhou na direção de Seamus. "O Ministério tem batido nesse ponto por semanas. E eu ainda não acredito que ele está por trás da maldição. Eu simplesmente não acredito."
Hermione o encarou nos olhos antes de continuar. "Você tem certeza absoluta? E você está disposto a arriscar sua vida, Harry? Porque algumas pessoas estão dizendo que esse pode ser o resultado."
Harry não respondeu. Ele correu o olho por todos antes de cair em sua cadeira com um suspiro exagerado.
"Olha, eu também não gosto muito dessa direção," ela disse. "Eu não sei se eu acredito ou não. E você está certo, Malfoy fez muitas coisas pela Ordem. Mas o comportamento dele tem sido tão estranho, eu tenho que imaginar o que está acontecendo. Você não se sente assim? Não é melhor se prevenir até descobrirmos mais sobre a maldição?"
A expressão de Harry ficou mais suspeita. "Qual é sua idéia de prevenção? Como se eu não pudesse imaginar."
"Bem, iria ajudar se você ficasse longe do Malfoy por um tempo."
"Ajudar quem, exatamente?" Harry respondeu com irritação.
"Você, é claro," ela disse, sua voz aumentando com sua raiva impaciente. "E Malfoy também, por falar nisso. Vamos encarar, todos estão falando dele e das possibilidades de que foi ele quem pôs essa maldição em você. Toda vez que ele é visto com você, a suspeita piora."
Dean interrompeu. "Eu acho que a suspeita é uma parte permanente da vida de Draco esses dias. Vem com o nome."
"Isso mesmo," Ron adicionou. Dean tinha esperado mais apoio de Ron, e ficou surpreso quando não recebeu. Será que Ron ainda carregava seu ódio escolar por Draco, mesmo sabendo do que ele fez pela Ordem? Ou foi só para não se meter no caminho da Hermione?
"Escute, Harry," Hermione disse. "Eu não quero brigar com você. Estou pedindo, como um favor, e para sua própria segurança, apenas se afaste até sabermos mais."
"Por quanto tempo?" Harry perguntou, então rapidamente adicionou, "Em caso de eu estar teoricamente considerando isso."
Ela parecia inconfortável novamente. "Bem, não é como se eu pudesse te dar um prazo, sabe."
"É claro que não."
Ela parou de repente, e olhou Harry com óbvia curiosidade. "Posso te perguntar uma coisa? Você está apaixonado pelo Malfoy?"
Harry não respondeu por um momento. "Não que seja do seu interesse, mas não. Não estou."
"Acha que ele está apaixonado por você, então?" Seamus perguntou.
Harry o encarou com sarcasmo. "Não sei dizer, Seamus. Ele não disse nada."
Seamus parecia estar em conflito. Nervosamente, olhou seu relógio, e Dean o fez, também. Estava ficando tarde. Ele e Hermione iriam ficar com Harry essa noite e ele suspeitava que Seamus e Ron estavam ansiosos para ir embora.
Harry mal percebeu o tempo. "Olha, não vamos resolver isso hoje. Eu sei que você está fazendo isso por mim, Hermione, e eu agradeço você me manter atualizado com os acontecimentos no Ministério. Mas eu não confio neles. Especialmente nessa semana."
Seamus e Ron conseguiram escapar, e Hermione foi até a cozinha preparar o jantar, deixando ele sozinho com Harry.
"O que você acha de tudo isso, Dean?"
Dean balançou a cabeça com tristeza. "Você tem que se lembrar que ele salvou minha vida, Harry. E a de Seamus. E desistiu de muita coisa para fazer isso, também. Eu já lidei com traições suficientes nessa vida e eu não posso fazer isso com ele. Mas você deve fazer o que acha que é melhor para você."
Era difícil não sentir pena de Harry. Parecia que toda vez em que ele achava algo que o fazia feliz - embora ele não conseguisse imaginar como ele e Draco eram felizes juntos - circunstâncias sempre trabalhavam contra ele. Parte dele queria dizer a Harry para ignorar Hermione e fazer o que queria. Ele merecia isso.
Mas observando Harry, ele pôde dizer que as suspeitas do Ministério já tinham começado, como um veneno, a entrar em sua mente. Não importava mais se Draco era culpado ou não - Harry tinha deixado o mínimo de dúvida entrar, onde certamente cresceria rapidamente. Dean sentia como se estivesse preso em uma grande tragédia de Shakespeare, na qual o destino de Draco nunca deveria ser confiado, e Harry nunca deveria confiar. E ali ele estava, um supérfluo grande ator, imponente para fazer algo sobre isso.
See, my friend, you won't have time to change your destiny,
Everyone can see the choice you made was wrong, all wrong.
Veja, meu amigo, você não terá tempo de mudar seu destino,
Todos podem ver que a escolha que você escolheu foi errada, toda errada;
It's All Over Now - Tania Maria
Depois do fato, Draco brigou com si mesmo, pensando que ele deveria ter imaginado.
Ele deveria ter imaginado que o Mundo Mágico nunca veria além de sua família, sua história, seu nome.
Ele deveria ter imaginado que não era uma boa idéia se meter no meio de um grupo de Grifinórios que nunca deixariam alguém como ele dentro de seu círculo de amigos.
E ele definitivamente deveria ter imaginado que não podia confiar no maldito Harry Potter.
A primeira sensação de que algo estranho estava para acontecer veio quando bateu na porta de Harry em uma tarde, e Harry não abriu a porta vigorosamente, como sempre fazia, convidando-o para entrar.
Ao invés disso, ele enfiou sua cabeça numa pequena abertura, cumprimentando Draco com uma cordialidade falsa.
Pelo menos ele foi direto ao assunto.
"Draco. Eu, hum, eu não esperava você aqui. Olha, tem algo que preciso dizer. Hum. Talvez você devesse entrar." A maneira como disse isso era como se estivesse convidando Draco para um funeral.
Harry não conseguia olhar para ele por mais do que alguns segundos por vez. O coração de Draco caiu. O que quer que fosse, era ruim.
"Bem, é sobre nós, na verdade. Até onde vamos com essa, hum, situação." Harry não conseguia nem dizer relacionamento. Era muito ruim.
Harry estava ficando tão nervoso, parecia que ele iria sair voando tentando dizer o que queria. "Bem, você sabe que eu estou passando por um momento muito ruim - o que estou dizendo, é claro que você sabe - e eu estava pensando que talvez com todo o stress dessa... maldição. Hum. Que nós deveríamos se afastar um pouco até que o Ministério descubra como quebrá-la."
Ele teve um repentino momento de iluminação - um lumus mental - quando percebeu qual era o problema de Harry. Era tão ridículo que ele mal podia acreditar - Harry estava terminando.
Bem, puta merda.
E, sendo Harry Potter, o corajoso Grifinório que nunca fugia dos seus problemas, ele estava tentando explicar no seu estilo mais inarticulado.
"Bem, é o seguinte, seu silêncio fez as pessoas falarem - você sabe o que estão dizendo, também, que você está por trás da maldição. Talvez se passarmos um tempo separados, os rumores vão parar."
Ele esperou Harry dizer que não acreditava nas fofocas. Quando isso não veio - quando Harry ficou silencioso no assunto - ele sabia que descobrira a razão porque Harry estava terminando com ele.
Em algum momento na última semana, Harry começou a acreditar nos rumores.
Quem inventou a frase de que ações falam mais do que palavras não estava falando por experiência. Ele tentou, nos últimos dias, deixar suas ações mostrarem a Harry tudo que ele não podia falar. Ele tentou pressionar confiança em seu corpo, traçar fé em sua pele, colocar ternura em lugares íntimos que Harry abrira para ele. Mas Harry não ouviu as mensagens escondidas.
Mil coisas vieram à sua mente com essa realização, e ele estava tão tentado a gritar com esse ser egoísta que estava murmurando desculpas miseráveis na frente dele. Mas não iria ser tão baixo; iria ficar ali e enfrentar tudo.
Mas acontece que ele não queria ficar ali, ele queria ir embora. Nesse instante. Lançou mais um olhar incrédulo a Potter - sério, ele já deveria saber que Draco não era assim - e deu um passo para trás.
"Espere! Eu preciso explicar -"
Que pena.
Um segundo antes de Aparatar, sentiu a mão de Potter alcançar seu braço. Ele acabou transportando os dois para uma rua na frente do Caldeirão Furado, embora essa não tivesse sido sua intenção. Eles tinham sorte por terem chegado inteiros.
Aparatar uma séria distância com um passageiro era cansativo na melhor das hipóteses, e ele estava sem fôlego e chocado. Estava furioso, com raiva fervente direcionada a Potter, que não conseguiu entender que ele não queria ouvir seu absurdo discurso sugerindo que Potter estava fazendo um favor a ele ao esfaqueá-lo pelas costas. Tudo um monte de besteiras.
Em seu ódio, ele nem percebeu a chuva, mas agora ela era difícil de se ignorar. O que era apenas uma pequena garoa no bairro de Harry era uma série tempestade aqui. Os céus tinham aberto, e só no pequeno tempo em que ficaram na rua, Draco já estava ensopado. Felizmente, o tempo ruim tinha expulsado todos, porque senão eles já teriam atraído uma multidão. Estavam sozinhos, no entanto.
Ele agarrou o outro braço de Potter e o empurrou para trás com força. Potter tropeçou mas conseguiu continuar segurando nele, então ele repetiu o movimento. Depois de mais algumas tentativas para se soltar, Draco libertou um braço e o socou.
E então Draco estava novamente em seu terceiro ano, e ele e Potter estavam brigando novamente, pelo Pomo de Ouro, ou um insulto rude, ou um feitiço. Estava socando com pouco efeito - Potter estava simplesmente tentando se segurar, colocando toda sua força em segurar seus braços e não soltar. Até mesmo enquanto se debatiam, ele sabia quão ridículo tudo isso era, quão idiota isso parecia - como dois ratos molhados - mas não tinha a habilidade de parar. Após todos esses anos, ali estavam novamente como se o tempo não tivesse passado, os dois, brigando um com o outro como crianças por causa de coisas que não eram importantes. Mas de alguma forma, agora, elas eram importantes. Elas tinham sido importantes. E doía pra caramba.
Potter finalmente perdeu seu apoio na pele escorregadia e molhada de Draco, e Draco conseguiu se libertar, tropeçando para trás e quase caindo. Ele recuperou seu equilíbrio a tempo, e saiu do alcance de Harry antes de tentar Desaparatar novamente. Mas Potter estava parado na rua, seus óculos tão encharcados com chuva que ele os retirou em algum momento, e Draco podia ver seus olhos claramente, arregalados e chocados com a realização do que acabara de fazer. A última coisa que ouviu foi a voz suplicante de Potter dizendo, "Sinto muito, Draco. Eu quero -"
Draco não tinha intenção de ficar para ouvir o que Potter queria. A única coisa que importava no momento era que Potter não queria ele.
Hope is your survival; A captive path I lead.
Esperança é sua sobrevivência; Um caminho perigoso eu levo.
I Will Find You - Clannad
Três dias depois, Draco ainda estava tentando recuperar seu equilíbrio. Sua raiva por Potter tinha trazido sua atitude nessa noite, culminando em sua raiva.
As chamas morreram ao redor de Draco no escritório devastado de seu pai, paradas por Sully em sua intervenção desesperada. (1) Ele queria nada mais do que queimar a Mansão inteira - consumir seu passado em uma fogueira espetacular - mas tudo que restaram de seus esforços foi o gosto ruim das cinzas. Sully o observou com nervosismo.
Destruir o escritório de Lucius não iria apagar seu legado doloroso. Ele sabia disso. A rebeldia de Draco havia satisfeito sua raiva naquele instante. Sabia que precisaria gastar o resto da sua vida tentando recuperar o que perdeu.
Talvez sua decisão de não queimar a Mansão inteira era um pequeno passo na direção de aceitar seu destino.
Os retratos Malfoys chamavam Draco de traidor, mas esse título cabia a seu pai mais corretamente. Lucius tinha traído tudo que fazia o nome Malfoy ser respeitado. Seu pai arriscou tudo em troca da promessa de poder vazia de um homem louco, e tinha perdido. O enorme custo de sua aposta egoísta foi algo que todos tiveram que aturar, não apenas Lucius, mas Draco e sua mãe, também. E todos aqueles que morreram na guerra, como Gregory e Dumbledore, e aqueles que viveram e tiveram que recolher os pedaços depois. Como Dean e Seamus, e até mesmo Potter - mas pensamentos dele doíam muito, então ele os enterrou.
"Mestre Draco." Sully disse, o assustando de volta à realidade. "Eu não estar sabendo o que Mestre estar precisando."
É claro que não. Draco não tinha praticado nada tão insano com ela antes de começar seu silêncio. Ele deu uma risada curta, mas saiu parecendo mais uma tosse.
"Eu estar sabendo que Mestre Draco estar triste porque estar dizendo adeus para Mansão Malfoy. Senhor Snape não estar vendo isso. Senhor Harry Potter não estar vendo isso, também. Mas Sully estar vendo. Sully estar sabendo."
Por um longo momento ela apenas o observou com olhos preocupados. "Talvez Mestre Draco estar precisando escutar algo. Algo que Elfos-domésticos estar sabendo por muito, muito tempo,"
Ele a observou com curiosidade.
"Mestre Draco já imaginou por que nós estar servindo bruxos?" Ela balançou a cabeça, parecendo uma mãe lidando com uma criança desobediente. "Sully nunca contou ninguém antes. Nenhum elfo-doméstico estar contando bruxos, porque eles nunca estar perguntando."
A pergunta o bateu com força - ele nunca tinha perguntado. Ele nunca nem imaginou. Era apenas um fato, como o sol nascendo toda manhã. Considerou aquilo uma garantia e não lhe deu mais atenção do que as interações diretas de mestre e servo. Elfos-domésticos sempre foram uma parte integral e nunca questionada de sua vida. Como a Mansão. Como seu pai. Ou assim ele achava.
A voz dela havia se tornado um quase-sussurro, como se estivesse dividindo um segredo de séculos. "Elfos-domésticos estar sabendo que todo bruxo e bruxa, todo centauro e gigante, todo ser que estar tendo pensamentos em sua cabeça - eles todos servir a alguma coisa. Goblin estar servindo ao dinheiro. Vampiros estar servindo às sombras. E elfos estar servindo a alguma coisa também. Humanos. Às vezes ser difícil de fazer, mas nós estar aprendendo muito tempo atrás que isso mantém nossos corações longe da escuridão. Nós estar enchendo nossos corações com ternura, e escuridão não achar lugar ali."
Que extraordinário.
Ele estava surpreso com sua própria ignorância. Tudo que ele pensava saber sobre Sully era vago e parcialmente formado, coisas que sempre ficou sabendo pelos seus pais ou outros bruxos. Ele sabia muito pouco sobre essas criaturas únicas com quem dividia sua vida. Estúpidos, imaturos seres, ele teria dito, que servem apenas como escravos para casas de grandes bruxos.
Mas essas idéias não poderiam ser de uma criatura estúpida e imatura. No seu jeito esquisito, ela estava descrevendo algo tremendamente profundo.
Ela sentou nos pés dele, perfeitamente calma, com o livro de maldições hispânicas em seu colo. "Isso é o que Sully estar contando ao Mestre Draco e Sr. Snape. Sully não estar servindo a Mansão Malfoy. Sully estar servindo Mestre Draco. Você estar precisando de mim, mas eu também estar precisando de você."
Ela franziu as sobrancelhas, mas seu olhar nunca se desviou, e ele também não conseguia olhar para outro local.
"Humanos, no entanto, estar servindo nada. Nós elfos nunca entender o porquê. Nada deixa eles vazios, e escuridão logo estar encontrando seu caminho no coração deles. O pai de Mestre Draco estava aprendendo isso. O coração dele estava sendo preenchido por grande escuridão, porque ele estar servindo a Mansão e a nome. Servindo coisas. Mestre Lucius estar pensando que aquelas coisas pertenciam a ele. Mas ele estava sendo errado. Ele estava pertencendo àquelas coisas."
Draco tinha procurado em sua mente mil palavras para descrever a tragédia da vida de seu pai, e nunca tinha chego perto de explicar tão bem quanto Sully acabara de fazer.
"Sully estar com medo. Sully não quer ver Mestre Draco pertencendo a coisas e preenchendo seu coração com escuridão. Mestre estar triste em deixar a casa de seus pais, mas Sully estar feliz. Amanhã, Mestre Draco ir parar de servir a Mansão Malfoy, e então ele ir encontrar algo melhor para servir."
E essa era sua própria tragédia resumida, não é? Ele estivera procurando desesperadamente por algo para servir, mas tinha se tornado cansado e quase desistiu. Será possível que ela estava certa? Ela parecia confiante de que ele encontraria algum significado longe da Mansão Malfoy. Talvez seja hora de parar de servir a tijolos e pedras, e achar algo mais digno de seu serviço.
Vendo o livro nos braços dela o lembrou novamente da maldição de Potter e suas próprias tentativas de quebrá-la. Pela primeira vez, ele começou a entender por que não tinha desistido, mesmo após as suspeitas de Potter os separarem. Ele sempre soube que não era um santo, não era virtuoso, ou humilde, ou gentil. O Chapéu Seletor tinha visto de primeira. O Ministério nunca iria honrá-lo pelas coisas que fez, convites de paradas para ele iriam permanecer não enviadas, o Profeta Diário nunca iria elogiá-lo. Ele não se considerava uma pessoa boa, mas sabia o que era certo. E tentar apagar os danos que seu pai causara era certo. Sully diria que ele estava tentando manter a escuridão longe do seu coração, do único jeito que sabia.
No dia seguinte, iria deixar a casa que achava não conseguiria viver sem, encarar o ódio do Ministério, a suspeita da comunidade, e a traição de seu amante. Ele iria descobrir o que era importante para ele como o último Malfoy, sem o símbolo de sua herança de que sempre dependera.
Mas tinha a devoção de Sully, suas palavras sábias, e aquele simples otimismo. Talvez por enquanto isso fosse o suficiente para continuar sua vida.
Levantou-se e Sully o seguiu, ainda mantendo aqueles olhos escuros e imensos fixados nele. Ele estendeu sua mão para ela, e ela ficou imóvel por um instante, e então deixou seus longos dedos serem capturados na mão dele. Mão em mão, eles deixaram o escritório destruído.
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Dean estava terminando os últimos detalhes de seu primeiro desenho de Seamus, quando ouviu alguém chegar pela lareira em sua sala. Sua primeira impressão era de que a pessoa fosse Harry. Desde que terminou com Draco, ele esteve aparecendo em horários estranhos, procurando reafirmações de que tinha feito o certo para ambos. Dean sabia que era ruim em ajudá-lo - ele odiava ficar na posição entre um de seus amigos mais antigos e um de seus mais novos. E para ser sincero, ele achava que Harry tinha cometido um grande erro.
"Dean?" Era a voz de Hermione, e ele percebeu uma nota de agitação nela.
Ele guardou seu lápis. "Aqui, Hermione."
"Ah, graças a Deus você está aqui. Eu preciso falar com você."
Ela apareceu na porta, ainda vestindo suas roupas do Ministério. Ele sentiu aquela preocupação no seu estômago que era tão familiar dos tempos de guerra.
"O que aconteceu?"
Ela hesitou. "Oh, Deus, Dean. Tudo. Nós encontramos a maldição de Harry."
O olhar devastado na face dela o deixou pior. "E -? Há como quebrá-la?"
"Bem, sim. Mas é muito mais complicado do que pensamos."
Bem, quando as coisas eram simples se tratando de Harry? "Então por que não me conta tudo enquanto tomamos chá? Isso é, se tiver permissão de me contar?"
"Sim. Não é segredo, apenas doloroso. E é tudo minha culpa."
Ele segurou sua curiosidade. Se havia uma contra-maldição, as coisas não eram tão ruins quanto temia. Hermione iria contar o que estava em sua mente quando estivesse pronta, e ele praticou paciência enquanto preparava chá na cozinha apertada e deixou ela sentar em uma cadeira, observando-o trabalhar.
Finalmente, ele colocou uma xícara na mão dela. "Então. Conte-me tudo."
"Bem, a razão porque não a encontramos antes é porque é uma maldição ilegal espanhola." Hermione sempre ficava mais confortável com fatos, então ele não se surpreendeu quando ela explicou os detalhes da maldição sem pressa.
"Parece horrível," ele concordou. "Mas o que é doloroso?"
Ela suspirou. "Bem, quebrar a maldição."
Ele perdeu o fôlego. "Vocês vão conseguir quebrá-la, não vão?"
"Sim. Mais ou menos. Bem, o que eu quero dizer..." Hermione geralmente não era tão inarticulada. "Nós não precisamos. Malfoy já está quebrando."
"O que quer dizer?"
"Bem, com o voto de silêncio - ele está fazendo isso pelo Harry. Para quebrar a maldição, alguém tem que ficar em silêncio por seis meses, cinco semanas, quatro dias, três horas, dois minutos, e um segundo."
"Isso é…" - ele procurou a palavra mais apropriada - "bizarro."
"Bizarro," ela ecoou gentilmente. "E muito altruísta."
"Mas por que Draco não disse nada antes? Se soubéssemos que ele ia-"
"Ele não podia. É parte da maldição - ele tem que manter suas razões em segredo."
Ele sentou em sua cadeira e soltou um longo suspiro. "Então Draco nunca tentou prejudicar o Harry. Apenas o contrário."
Ela concordou, colocando sua xícara na mesa com mãos trêmulas. "E eu nunca percebi. Eu nem suspeitei. Estava tão preocupada em ligar os fatos que me esqueci do fato mais importante - que haviam pessoas envolvidas." Ela olhou para cima e ele viu lágrimas nos olhos dela. "Eu machuquei eles, Dean. Muito, eu -" Ela não conseguiu terminar.
Ele estava do lado dela em um instante, a envolvendo em um abraço confortável. "Hermione, você não podia saber. Você deu a Harry o melhor conselho que pôde, considerando o que sabia na época."
Ele podia dizer que ela não acreditava nisso. Ela limpou as lágrimas com uma mão impaciente, e ele a passou uma toalha limpa. "O que eu sabia? Eu não sabia de nada. Eu sei fatos e datas e coisas que posso procurar em livros. Eu sei como estar certa todo o maldito tempo."
"Essas são coisas boas para se saber, às vezes."
"Eu não sei as coisas importantes, Dean. Coisas como humildade, e sacrifício, e... e amor."
Dean a puxou para perto e a segurou. "Isso não é verdade, Hermione."
"Harry não concordaria. E Malfoy - oh Deus… ele gosta do Harry. Ele está fazendo tudo isso por ele... deve ser tão difícil, sabe, o silêncio e a isolação. O stress de ter que pensar nisso todo minuto. E sem a voz dele, ele não pode fazer magia. Quero dizer, nós nos daríamos bem, mas Malfoy não está acostumado com isso. Eu não preciso te contar. Você vê ele. Você sabe pelo que ele passa."
"Ele vai bem. Sully ajuda bastante."
Ela estava apertando os braços dele com tanta força que doía, mas ele deixou. "E o julgamento. Ele deixou o Ministério tomar a casa e a herança dele, deixou eles publicarem a vida dele nos jornais, sem nunca dizer uma palavra. Ele fez isso pelo Harry. E depois de tudo que sacrificou, eu fiz com que ele perdesse a única coisa boa que ele ainda tinha." Ela estava chorando agora.
Ele estava dividido entre confortar ela e o desejo de ser honesto. "Você só pode ser parcialmente culpada."
Ela lutou para ter o controle, e a voz dela era trêmula. "Fala sério. Harry só terminou com o Malfoy depois que eu implorei para ele fazer isso. E Malfoy - eu nunca vou poder compensá-lo. Eu caí na mesma armadilha do que todo mundo - alguma coisa ruim acontece, culpe o Malfoy mais próximo."
"Hermione -"
"Não, não tente me dizer que não foi minha culpa. Porque foi. Você estava certo, Malfoy estava do nosso lado, mas eu não pude ver Draco além do pai dele. E, sim, ele era pentelho em Hogwarts. Mas isso não é a mesma coisa do que ser um traidor."
Houve um longo silêncio entre eles, e ele tentou consolá-la com toques gentis. Ela diminuiu seu aperto no braço dele, e Dean acariciou a mão dela até ela se acalmar.
"Então agora sabemos por que Malfoy fez um voto de silêncio," ele disse. "Eu imagino por que ele decidiu fazê-lo para começar? Vamos encarar, até a maldição começar, ele não tinha visto Harry desde Hogwarts, a não ser em multidões. Eles não eram amigos - na verdade, eu acho que todos nós acreditávamos que eles nunca seriam amigos."
Ela deu um pequeno sorriso. "Eu não vou nem tentar imaginar o porquê. Já estraguei tanto a vida deles por assumir que tinha todas as respostas."
Ele sorriu e beijou a testa dela. "Oh, Hermione, eu sinto muito. Mas obrigada por vir até aqui e me contar tudo."
"Já é difícil te contar. Eu não quero nem pensar em quando contar ao Harry."
Dean estava surpreso. "Você ainda não contou a ele?"
Ela parecia diferentemente envergonhada. "Não. Que Grifinória que eu sou. Vim direto para cá do Ministério."
Ele sentiu uma onda de carinho por ela. "Você sabe que Harry vai te perdoar."
"Por que deveria? Eu não mereço. Eu não acho que posso me perdoar."
"Escute-me. Isso é algo que sei por experiência própria. Pessoas não perdoam porque nós merecemos. Perdão é um presente que ninguém merece. E você irá se perdoar - eventualmente - porque é o único obrigado que você pode dar em troca."
Ela o puxou para perto e o abraçou. "Obrigada, Dean."
"Eu quero que acredite nisso, Hermione. Eu odeio te ver assim. Lembre-se, eu sei como é. Você acha que é ruim, espere até eu contar como eu sou."
"Mas eu não sou a única que precisa de perdão dessa vez. A pergunta mais importante é, será que Malfoy vai perdoar Harry por acreditar em mim? Vai que ele quebrou o voto e parou de tentar quebrar a maldição depois que Harry o rejeitou."
"Bem, se ele fez isso, um de nós vai quebrar a maldição no lugar dele."
Hermione franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça. "Não podemos. A maldição só permite uma chance para quebrá-la. Se Malfoy falhar, a maldição vai ficar com Harry até ele morrer."
"Ai, merda."
"Eu sei. Eu arrisquei mais do que apenas uma amizade quando decidi brincar de Deus. Quem sabe se eu não destruí a vida de Harry para sempre?"
De alguma maneira, conhecendo Draco, ele duvidava disso, mas não seria o suficiente para convencer Hermione. "Nós precisamos avisar o Harry, e então achar Draco para ver se ele continuou o voto."
"Não. Eu preciso avisar o Harry. Eu causei esses problemas, então eu preciso contar tudo para ele. Hora de começar a agir como uma Grifinória novamente."
"Tá bom. Tudo bem se eu for junto para dar apoio moral?"
"Sim. Eu agradeço muito, Dean. Mas tem mais um problema. Nós não conseguimos achar Malfoy. Harry disse que suas corujas estão voltando com as mensagens não lidas - ou recusadas - e ele não sabe onde ele mora em Londres. A não ser que -"
Ele balançou a cabeça. "Não, ele sempre vem aqui - eu nunca fui em outro lugar que não seja a Mansão. Mas eu sei quem sabe onde ele mora. Professor Snape."
"Oh. Certo."
Ele quase riu da expressão dela. "Não se preocupe, Hermione. Pelo menos deixe que eu falo com o Professor Snape. Pela honra dos Grifinórios."
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Dean observou enquanto Harry recebia a explicação de Hermione com um horrível senso de deja-vu - os olhos de Seamus tinham registrado a mesma negação chocada enquanto escutava como tinha sido tão brutalmente traído. Hermione nem tentou esconder a mortificação que sentia pelo dano que causara.
Harry sentou em silêncio por um longo tempo, sem olhar para nenhum deles. Finalmente, ele sussurrou, "Oh, meu Deus. O que foi que eu fiz?"
"Você só fez o que eu pedi para você fazer," Hermione respondeu com voz baixa. "Fui eu quem disse para você não confiar nele."
Ele a ignorou. "Eu preciso encontrá-lo."
Dean concordou. "Você já descobriu onde ele mora?"
"Não. Mas eu preciso encontrá-lo. Oh, Deus, eu fui tão horrível com ele. Eu deveria ter percebido."
"Harry, escuta -" Hermione começou.
Harry olhou para eles, e a expressão devastada na face dele dizia mais do que palavras poderiam. "Como eu pude tê-lo machucado desse jeito? Oh, Deus, não era minha intenção. Eu nunca dei a ele a chance de se defender. E todo esse tempo, tudo que ele fez foi por mim. Ele estava -"
Silêncio. Dean não conseguia pensar em nada para melhorar a situação para nenhum de seus amigos. Hermione estava puxando seus dedos nervosamente, sem se atrever a pedir perdão, mas sem querer desistiu da esperança que fosse oferecido.
Harry se levantou com nova determinação em seus olhos. "Eu preciso vê-lo. Eu preciso fazer ele parar com esse voto ou seja o que for isso - ele não precisa mais sofrer por minha causa."
"Não, Harry. Você não pode fazer isso. Ninguém mais pode quebrar a maldição agora," Dean disse.
"Ele está certo. Draco é o único que pode -"
Harry se virou na direção dela. "Eu ouvi o que você disse sobre a maldição. Eu entendo. Mas eu preciso dar a ele uma escolha. Talvez ele ainda possa ir até o Wizengamot, dizer o que aconteceu, e fazer eles mudarem a decisão da Mansão. Talvez não seja tarde demais."
"Harry…"
"Hermione, por favor. Deixe-me fazer isso. Eu preciso fazer alguma coisa para ajudá-lo. Não há outra coisa que eu possa fazer. Eu já o machuquei demais."
Ela deu um passo para trás. "Eu sinto tanto, Harry. Eu não sei o que dizer para vocês saberem quanto sinto."
"Eu sei. Eu só… Bem. Eu sei."
"Nós achamos que Professor Snape saberia onde encontrar Draco," Dean disse. "Deixe-me entrar em contato com ele."
Harry insisitiu em falar com Snape pessoalmente. Ele se recusava a chamar o professor, ao invés disso viajando até Hogwarts para conversarem.
"Snape sabe que Draco está furioso comigo. Ele nunca vai me contar onde ele está a não ser que eu o convença. E eu não consigo fazer isso pelo Flu. Eu preciso vê-lo em pessoa."
No matter where you go I will find you, If it takes a long, long time
No matter where you go, I will find you, If it takes a thousand years
Nachgochema Anetaha Anachemowagan
Não importa anode você vá eu o encontrarei, Se demorar muito, muito tempo
Não importa aonde você vá, eu o encontrarei, Se demorar mil anos
Nachgochema Anetaha Anachemowagan
I Will Find You - Clannad (Mohican lyrics)
A coruja de Potter alertou Snape da chegada dele. Ouviu a batida na porta de sua sala, mas demorou para responder. Ele não queria que Potter pensasse que ele esteve esperando por essa visita. A batida insistente continuou, e brincou com a idéia de adicionar mais um minuto às batidas antes de atender.
Ele observou seu antigo estudante dar um passo involuntário para trás quando ele finalmente abriu a porta.
"Professor Snape. Hum. Estou feliz em vê-lo."
Ele não retornou o sorriso inconfortável. "É mesmo, Potter?"
Potter teve o bom-senso de não responder ao desafio. Talvez ele tivesse finalmente aprendido algo em todos esses anos.
"Posso entrar?"
Ele não respondeu, mas se afastou um pouco. E Potter entendeu isso como um sim. Isso o deixou parado por um momento antes de apontar para uma cadeira vazia. Não ofereceu nenhuma bebida.
"Por que tenho a honra dessa visita, Sr. Potter? Certamente seus dias são cheios com banquetes e celebrações por suas várias conquistas. Ou você estava se sentindo particularmente nostálgico hoje e decidiu que precisava visitar seu antigo professor de Poções?"
Inesperadamente, Potter não se agitou.
"Hermione descobriu a maldição que está em mim. Pelo que parece, Draco está envolvido, mas não do jeito que pensávamos. Ele não está me mantendo nela - a está quebrando."
Ele achou mais fácil ficar em silêncio enquanto Potter elaborava. Ele absorveu os fascinantes detalhes da maldição, pensando em seu criativo uso das fraquezas humanas. Potter não especulou no lançador da maldição, mas para o olho praticado de Snape, tinha os dedos de Lucius Malfoy por todo o lado.
"Eu preciso encontrar Draco. Eu preciso me desculpar por duvidar dele. Mas eu não sei onde ele mora, e ele recusa todas minhas corujas."
"Com justa causa, eu acho. Agora entendo porque está aqui. Você quer que eu lhe informe onde pode localizar seu... amigo."
Potter suspirou. "Olha, Professor Snape, se você quer me redimir pelo jeito que tratei Draco, vá em frente. Dessa vez, não discordarei de você. Eu me comportei como um idiota. Acredite, já sei disso."
"Sabe? Bem, não importa. Não é como se Draco não estivesse acostumado com comportamento assim do resto do mundo mágico."
Ele observou que esse comentário atingiu em cheio. Potter parecia quase doente. "Eu já disse que sinto muito por não confiar nele."
"Oh, eu acredito em você, Sr. Potter. Você sempre foi ótimo em sentir muito por um fato. E você parece estar sempre ganhando prática nisso."
"Tá bom, eu mereci isso."
Potter estava sendo estranhamente submisso - Snape estava começando a achar que ele realmente estivesse arrependido. "E você concorda que Draco tem todo o direito de se sentir especialmente traído por sua suspeita dele? Ou talvez você nem se importasse. Ele era, como dizem, apenas uma transa?"
Esse comentário também atingiu em cheio. "Não. Não é isso. Draco não é só uma transa. Como pode dizer isso depois que -"
Ele levantou uma mão em aviso. "Por favor evite dar detalhes. Eu aceito sua palavra no assunto. Então. Por sua admissão, você e Draco dividiam mais do que uma cama, mas você arruinou isso com suas suspeitas. Acertei tudo?"
"Sim. Mas você esqueceu de adicionar a parte em que eu sinto muito e preciso encontrá-lo para me desculpar."
"Verdade. Considere dito - e aceito, também," ele disse com a voz neutra. Ele sempre se considerou o tipo de pessoa que evita chutar um homem quando ele está caído.
Ao invés disso, permitiu um silêncio inconfortável reinar entre eles e pôde perceber que estava perturbando Potter.
Bom. Deixe-o sofrer um pouco.
Ele estava muito tentado a recusar dizer o que Potter queria. O Santo Potter tinha ficado muito confortável e complacente depois de ter tudo entregue a ele em uma bandeja, era hora de lembrá-lo que suas ações também tinham conseqüências. Mas Draco estava sofrendo. Ele não disse nada a Snape, é claro; ele só sentou em silêncio na mesma cadeira em que Potter estava sentado no momento. Mas Snape já tinha ouvido as notícias. Não tinha demorado muito para essa fofoca - que Potter tinha abandonado Draco acreditando que Draco tinha lançado a maldição nele - chegar em Hogwarts.
E que Merlin o ajude, ele sabia que viveria para se arrepender, mas não podia negar a Draco essa felicidade, não importa quão pobremente escolhida ela fosse. Não depois de tudo que ele sofreu.
Mas gostou de ouvir Potter implorar. "Por favor, Professor. Por favor."
"Não se engane. Isso não é sobre você, Potter. É de minha opinião formada que você não merece nada mais do que a porta de Draco batida na sua cara. Mas contra meu melhor julgamento, eu lhe contarei onde Draco pode ser encontrado, mesmo que apenas para que ele possa fazer exatamente isso."
(1) Releia o capítulo 1 se não se lembra dessa parte!
