Título: A Thousand Beautiful Things (Mil Coisas Belas)
Autora: Duinn Fionn
Tradutora: mila_crazyx (mila – sublinhado- crazyx -arroba- yahoo . com)
Beta da tradução: Verena
Classificação: R
Pares: Draco Malfoy – Harry Potter

Disclaimer: Essa história é baseada em personagens e situações pertencentes a JK Rowling, vários publicadores incluindo, mas não limitado à Bloomsbury Books, Scholastic Books and Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Nenhum lucro está sendo feito por parte do autor dessa fanfiction.

Contato da Autora: geoviki - arroba- msn . com

Sumário: Draco Malfoy confronta mudanças de sorte, de alianças, uma horrível guerra, um feitiço incomum, com a ajuda de um professor preocupado, um elfo-doméstico e um inesperado amigo grifinório.

Capítulo Nono

The world was meant for you and me

to figure out our destiny (a thousand beautiful things),

To live, to die, to breathe, to sleep;

to try to make your life complete...

O mundo foi feito para você e eu

Para descobrirmos nosso destino (mil coisas belas),

Para viver, para morrer, para respirar, para dormir;

para tentar fazer sua vida ficar completa...

A Thousand Beautiful Things - Annie Lennox

Draco não deveria ter estado em casa naquela tarde, mas Jake teve problemas com as câmeras a manhã inteira e liberou todos no estúdio mais cedo do que o normal.

Então quando Sully anunciou em sua voz aguda que "Sr. Harry Potter estar aqui para ver Mestre Malfoy e estar esperando na sala de visitas," ele ficou surpreso.

Mestre Malfoy não queria ver Sr. Harry Potter. Mestre Malfoy ainda estava muito irritado com o Sr. Harry Potter e queria que o Sr. Harry Potter saísse de perto dele e o deixasse sofrer em paz.

Foi provavelmente o fato de que ele não tinha uma noção de para onde Aparatar, combinado com a abrupta interrupção no que prometia, mas não mais, ser uma tarde tranqüila, que o fez alcançar impulsivamente sua nova Nimbus e ir até o terraço. E, ele admitiu enquanto montava a vassoura, suas tentativas recentes de Aparatar para longe de Potter não tinham tido muito sucesso.

Sua escapada rápida não foi rápida o suficiente. Sully tinha deixado o agravante Grifinório entrar na sala no instante em que se preparava para decolar. Com reflexos praticados, ele se jogou do terraço em direção ao céu daquela tarde. Alarmado, percebeu que Potter, sempre pensando rápido e cheio de sorte, conseguira encontrar outra vassoura naquele pouco tempo e estava se jogando do terraço, perseguindo-o.

Ele acelerou no ar, indo até as nuvens antes de ser visto. Potter, montando a segunda melhor vassoura de corrida de Draco, já estava diminuindo o espaço entre eles.

A umidade das nuvens o engolfou como um cobertor encharcado. Ele voou dentro e fora das nuvens, balanceando a necessidade de se manter escondido com a de saber para onde estava indo. Atrás dele, Potter imitava sua performance, descendo e subindo, fazendo com que juntos parecessem dois golfinhos pulando nas águas de um mar cinza.

Eles estavam mais rápidos do que qualquer partida de Quadribol em que jogaram, nunca saindo daquele caminho reto - onde? Quando optou por uma rápida escapada de vassoura, ele imaginara uma voada rápida antes que Potter se irritasse e voltasse para casa. Ele não planejou uma cena de perseguição que parecia ser retirada da última batalha da guerra. Ele já estava começando a ficar com frio em sua roupa leve - droga, ele nem estava calçando sapatos. Maldito Potter. O que ele queria dessa vez?

Ele podia ver Potter entrando no seu campo de visão pelo lado esquerdo, mas não achava que podia acelerar ainda mais. Ouviu Potter gritar algo, mas suas palavras ficaram perdidas no meio do vento violento batendo em suas orelhas. Eles estavam lado-a-lado agora. Ele virou a cabeça para encarar sua sombra com raiva - não que encarar tivesse algum efeito com aquele idiota no passado - e assistiu assustado enquanto a figura voando ao seu lado se preparou para - não, ele não poderia estar pensando em pular a distância entre eles nessa velocidade? Com certeza não?

É claro que estava. Esse era o maldito Harry Potter, o bruxo com o mínimo de senso e o maior desejo de morte no planeta.

Em pleno terror pela vida de seu perseguidor, ele desacelerou significantemente. Estava praticamente mordendo fora sua língua para evitar si mesmo de gritar avisos inúteis para Potter. Sem acreditar, ele só podia observar enquanto Potter se aproximou dele até poder segurar em sua vassoura com uma mão, pulando atrás de Draco. O repentino aumento de peso fez com que a vassoura balançasse, e por um minuto, como ambos estavam inclinados para o chão, ele teve certeza de que iriam cair e morrer lá embaixo. Então Potter fez algo que retomou o equilíbrio deles, e Draco gradualmente os fez parar por completo.

Ele encarou Potter, com os olhos arregalados e respirando pesadamente devido àquele fim quase desastroso, esperando ele dizer algo - qualquer coisa - que fizesse algum sentido.

Como o imbecil sem noção que era, Potter não fez uma cena, como se comandar a vassoura de outras pessoas durante perseguições na Belgravia fosse comum.

"Droga, essa foi por pouco," foi tudo que disse.

Draco estava muito chocado para ficar furioso como sabia que deveria estar. Mas ele precisava fazer algo com toda a adrenalina pulsando em suas veias.

Então ele chacoalhou Potter o mais forte que pôde.

O jeito que estavam sentados colados na vassoura fez com que o ângulo entre eles fosse muito estranho para qualquer equilíbrio decente, e o movimento fez a vassoura se inclinar perigosamente. "Que merda, Draco, está tentando nos matar?" Potter gritou. Draco o encarou, surpreso e incrédulo com essa briga insana.

Potter piscou. "Bem, na verdade, talvez eu merecesse isso."

Draco apenas fechou os olhos em exasperação, imaginando como Potter conseguiu sobreviver nesses dez anos.

Potter se inclinou até poder ver Draco claramente e Draco o pôde ver sorrindo. "Eu vim falar com você. Mas aqui não é o melhor lugar para batermos um papo. Eu vou nos levar até sua casa, tá bom?"

Potter virou as vassouras, e Draco o deixou. Agora que estavam viajando em uma velocidade racional, eles levaram muito mais tempo para voltarem ao apartamento, todo o tempo entrando e saindo das nuvens. Felizmente, o tempo nublado manteve os vizinhos dentro de suas casas, e os que estavam lá fora não tinham o hábito de andar olhando para o céu. Tentou ignorar os braços familiares em volta dele, e o calor pressionado nas suas costas.

Quando voltaram ao escritório, ele estava tremendo, mas tentando esconder isso, sem sucesso. Potter lançou feitiços aquecedores em Draco primeiro, então em si mesmo. Sully não podia estar mais ansiosa, passando-os chá como se fosse água benta.

"Obrigada, Sully," Potter disse. "Nós ficaremos bem agora. Draco e eu precisamos conversar - err, isso é, tem algo que preciso dizer - a sós."

Ela finalmente se deixou convencer que, sim, Draco ficaria bem, e, não, não era culpa dela, e, não, ela não precisava se punir, e, sim, ela deveria se retirar. Agora.

Mas quando finalmente foi embora, Potter deixou o silêncio se estender por mais um pouco. Finalmente, ele limpou a garganta, e Draco sabia que estava prestes a ouvir o patenteado discurso Potter.

"Estou aqui para me desculpar, se já não percebeu isso. Eu acredito que depois daquele episódio" - ele deu um pequeno sorriso - "Eu não sou mais bem-vindo aqui. E eu entendo. Sério mesmo. Eu não fui nada mais do que um canalha."

Ele não teria discordado mesmo que pudesse.

"Eu ouvi outras pessoas quando deveria ter prestado atenção nos meus instintos. Você pensaria que depois de toda a confusão que já passei por causa disso... Bem. Você pensaria que eu aprendi a lição, mas estaria errado."

Potter podia fazer discursos tão apaixonados, ele se lembrava, mas sempre foi horrível em pensar antes de agir. Conhecendo-o, isso nunca iria mudar. Mas palavras bonitas nunca iriam apagar a feiúra do que Potter tinha feito com ele ou retirar a dor que causara.

"Eu estava errado. Eu sei disso agora. Estava errado e eu o machuquei terrivelmente. Estou implorando para que aceite minhas desculpas, mas não sei se você pode. Depois do que fiz, eu não o culparia se nunca mais quisesse me ver."

Draco se concentrou em preparar seu chá e nem olhou para ele.

"Tem mais uma coisa que eu queria dizer. Bem. Nós sabemos de tudo. Descobrimos porque você não fala mais. O que está fazendo." Seu olhar sério quase desfez Draco, cujo coração estava batendo mais rápido do que durante aquela perseguição. "Entende o que estou dizendo?"

Ele não podia desviar o olhar mesmo se estivesse sob Imperio.

"Hermione encontrou a maldição."

Draco fechou os olhos em rendição.

"Aquela maldição Espanhola. Ela encontrou o livro que descreve... tudo. Eu sei que você não está mantendo a maldição. Deus, Draco. Isso é o que torna tudo tão horrível. Mesmo depois de estar com você - Deus, de todas as maneiras - Eu ainda não tinha certeza sobre você. Sobre nós."

Potter parou, e Draco abriu os olhos para encará-lo.

"Parte de mim achou - eu não acredito como sou estúpido. Eu achei que você talvez ainda fosse capaz de querer me machucar deliberadamente, como na escola. Ao invés disso, você desistiu de tudo para me ajudar. E eu não sabia. Eu sinto tanto. Eu te devo tudo, e ao invés disso eu te traí."

Draco não conseguiu sentar parado e ouvir à dor tão óbvia na voz de Harry. Ele se levantou e foi até a lareira, onde parou, de costas para Harry.

"A Hermione se sente muito mal, também. Ela esteve escrevendo e destruindo cartas para você a manhã inteira."

Então era isso que trouxe Harry até ele pedindo perdão. Draco tinha esperanças de que Harry tivesse visto a verdade sozinho - que ele não poderia ter mantido Harry numa aflição tão horrível; que ele era uma pessoa melhor do que o Ministério e o Profeta Diário e as bruxas fofoqueiras nas ruas diziam que ele era. Mas Harry deixara outros o persuadirem do pior, e não tinha questionado essa dúvida até que a prova sólida da lealdade de Draco - os fatos gelados e duros - finalmente o forçaram a mudar de idéia.

Ele estava tão desapontado.

E Harry sabia disso, também. "Eu queria ter te visto pelo que eu sabia que você era, bem no fundo. Eu fui um idiota por acreditar nos rumores. Fui um covarde e eu traí sua amizade. Que coragem Grifinória. Eu queria ter vindo aqui e me desculpado antes de saber da maldição. Não me faz sentir menos, no entanto."

Mas fazia ficar bem mais difícil perdoá-lo, Draco pensou tristemente.

A voz de Harry estava rouca com emoção. "Eu queria. Precisava. Te dizer que você não precisa mais fazer isso por mim. Se quiser mudar de idéia, eu entendo. E talvez o Wizengamot entenda também. Você sabe. Deixá-lo ter a Mansão. Se você quiser contar tudo para eles. Você pode quebrar seu voto de silêncio, Draco. Se quiser."

Isso não estava nem perto do que ele queria, mas até aquele instante ele nem percebeu isso. Pensou que queria esquecer Harry Potter, esquecer que confiou nele, esquecer a dor de sua traição. Esquecer o gosto dos lábios dele, a textura de sua pele, os sons de seus gemidos enquanto estava em seus braços.

Mas ele já sabia que seria inútil resistir quando Potter tinha se concentrado em algo. E a tentativa dele de reconquistá-lo provavelmente tinha mais valor do que a maioria.

A verdade era que ele sentia falta de Harry. Durante todos seus anos em Hogwarts, mais do que ele gostaria de admitir, Harry tinha sido o foco de seus dias - embora não de uma maneira positiva. Ele sempre foi puxado para a órbita de Harry, desde o dia em que se viram pela primeira vez enquanto provavam roupas até a noite em que se beijaram no corredor. Ele perdeu aquele foco durante a guerra, durante os anos em que não viu Harry, mas assim que se reencontraram, não demorou muito para ele recapturar aquela quase obsessão em ganhar a atenção do Grifinório. Especialmente depois que essa atenção se tornou bem mais prazerosa.

Então, até mesmo agora, depois das desculpas depressivas de Harry, depois de observá-lo sofrer ao perceber o que fez, Draco ainda podia perdoá-lo. Ele iria perdoá-lo porque a vida é assim; as pessoas são assim. Ele aprendeu algo nos últimos anos sobre como viver sua vida. Ele aprendeu que não vivia em um mundo de santos e heróis que nunca cometiam erros terríveis em julgamento, que nunca desapontavam seus amigos, que nunca se aproveitavam de outras pessoas. Ele perdoaria Harry - agora, e todas as vezes necessárias nos anos que viriam - porque ele sabia muito bem como era precisar de perdão. De sua mãe e de Gregory. Perdão que, para ele, nunca viria.

Quando sentiu a respiração quente de Harry tão perto do seu pescoço, ele reprimiu um arrepio de antecipação. E quando ouviu Harry dizer com voz baixa, "Por favor, Draco. Por favor me perdoe," ele fez a única coisa que poderia ter feito naquele momento.

Os olhos de Harry se arregalaram quando Draco se virou graciosamente e levantou suas mãos para segurar seus braços. Ele segurou o olhar dele por um longo momento, e então, com um gesto devagar e deliberado, correu as mãos pelos braços de Harry e o puxou para perto.

Ele estava contente em apenas observar Harry então, assistir enquanto a ansiedade desaparecia e foi substituída por uma outra expressão mais gentil, de admiração.

Finalmente, quando não podia mais esperar, inclinou-se para beijar a boca consensual de Harry, lábios mal se tocando, o contato suficiente para enviar eletricidade por seu corpo.

"Você é tão, tão belo," Harry sussurrou, o que não estava nem perto do que ele esperava que o outro fosse dizer. "Como eu não percebi antes? E eu não estou falando da sua aparência."

Eles estavam se tocando como se fossem incrivelmente frágeis, e talvez, apenas naquele momento, eles fossem.

Harry acariciava a pele de Draco com seus lábios, enchendo sua face de beijos leves e gentis. Gradualmente, a intensidade dos beijos e das carícias aumentou. Draco estava muito mais excitado do que deveria por esses toques, e por um instante imaginou o porquê. Por que ele inevitavelmente respondia aos toques de Harry sem hesitação ou medo? Nenhum outro homem em seu passado tinha trazido esse tipo de paixão nele. Mas logo, ele não se importava mais com o porquê; ao invés disso, ele queria pensar no quando e onde e agora. Queria selar a reconciliação deles em calor e desejo e conclusão, e percebeu que Harry queria isso, também.

"Qualquer coisa, Draco. Farei qualquer coisa que me pedir. Só tem que me mostrar o que quer."

E eles tiveram o resto da tarde para praticar essa lição.

Eles começaram no chuveiro, porque a perseguição desesperada nas vassouras tinha os deixado suados. Draco adorava olhar o jeito como a água corria pela pele de Harry e escurecia os cachos na base de seu pênis. Ele esfregou mãos ensaboadas nos ombros musculosos de Harry, em suas costas largas, entre seus dedos, atrás de seus joelhos, todo o tempo amando os suspiros e gemidos que Harry oferecia em troca.

Obviamente, o banheiro foi desenhado por um arquiteto que buscava o prazer, com lugares no que eles colocaram em bom uso. Harry estava sentado em um banco com Draco ajoelhado na sua frente, aproveitando a visão de Harry tão excitado e ereto por sua causa. Ele provocou Harry com toques leves e sopros até que ele estava implorando por mais.

"Deus, Draco, você está me deixando louco. Por favor…"

Ele não o fez pedir de novo. Posicionou sua boca na frente do pênis de Harry, e deixou sua língua traçar o membro inteiro, até que Harry estava gemendo em resposta. Satisfeito, o tomou por inteiro em sua boca, deslizando seus lábios apertadamente em volta da pele quente e macia. Harry começou a levantar seus quadris em resposta à fricção, no começo gentilmente, e então mais insistente enquanto seu excitamento crescia. Então, com um leve gemido que Draco ouviu em toda parte de si, Harry estava apertando seus dedos no cabelo de Draco e então ejaculando, todo seu desejo virando um leite quente e salgado que desceu na garganta de Draco.

Ele engoliu todas as gotas.

Inclinou-se novamente no jato do chuveiro e deixou a água bater nas suas costas, adorando observar Harry se recuperar de seu orgasmo.

Eles passaram vários momentos se secando, então Draco os levou até o quarto.

Oh, como tinha sentido falta dos dedos atrevidos de Harry, suas poderosas mãos massageando sua pele, palmas que eram surpreendentemente mais macias do que pareciam ser e que o levavam ao delírio. Sentiu falta de sua boca quente, o leve encoste de cílios em sua bochecha, sua pele macia onde se tocavam, seu peso o pressionando nos extravagantes lençóis brancos.

E das palavras convidativas que Harry murmurava em seu ouvido - por favor, eu quero você, Draco, Deus, sim, eu preciso sentir você ejaculando dentro de mim - bem, ele tinha sentido falta delas mais do que tudo.

Tudo acabou muito rápido.

"Eu acho melhor você não ficar comigo quando estou sob a maldição," Draco o ouviu dizer. Harry estava brincando com mechas soltas do cabelo de Draco, fazendo-o relaxar mais do que achava ser possível. "Mas está tudo bem, eu voltarei mais tarde hoje. Deixe suas barreiras destrancadas se me quiser."

Draco o queria.

Os últimos dias do seu voto de silêncio deixou Draco inesperadamente contente. Ele só foi necessitado no estúdio um dia, o resto ele gastou em atividades leves de lazer e em crescente antecipação pela visita noturna de Harry. Até já tinha começado a se acostumar a acordar do lado de Harry, e não acordava mais quando o outro se mexia no meio da noite.

Ele passou a tarde cuidadosamente se preparando, tomando um longo, quente banho, permitindo que Sully fizesse suas unhas, e se vestindo com atenção cuidadosa.

Dean respondeu a porta de Harry, e parecia que ele tinha interrompido um jantar casual.

"O que está fazendo aqui?" ele ouviu Harry perguntar. "Pensei que só o veria mais tarde. Entre e junte-se a nós. Tem mais no forno - pode se servir."

Ele estava muito ansioso para comer.

Granger o cumprimentou com vergonha, e ele a permitiu que se desculpasse, até o momento que se tornou demais para tolerar.

Eles terminaram a refeição e lavaram a louça. Os quatro sentaram ansiosamente na sala, onde Harry sentou do lado de Draco no sofá e colocou uma mão em sua perna.

"Que horas são?" Dean perguntou, pela terceira vez em uma hora.

Garnger olhou seu relógio. "Oito e meia."

Harry levantou seu rosto em surpresa. "O sol se pôs há mais de uma hora. A maldição nunca demorou tanto. Mas eu não sinto nada. Nada mesmo."

"Você não vai sentir." Draco disse, sua voz quase inaudível. O simples choque de ouvi-lo falando pela primeira vez em meses captou a atenção de todos. "Você nunca mais vai sentir. A maldição acabou. Está terminado."

"Tem certeza?" Granger perguntou, sempre a cética.

"Sim, tenho certeza. A maldição acabou 5:38, perto do horário em que cheguei aqui. E já está muito tarde para começar, então sim, tenho certeza."

Dean o encarou, sem acreditar. "Então a contra-maldição funcionou. Você quebrou o feitiço, Draco. Não posso acreditar."

Harry ainda tinha que encontrar sua voz. Ele simplesmente encarou Draco como se ele não fosse desse mundo, segurando-o apertadamente com as duas mãos como se fosse desaparecer. Por um momento, Draco temeu que Harry fosse chorar, e então ainda mais que ele fosse fazer o mesmo.

Dean preencheu o silêncio estranho. "Posso ser o primeiro a fazer a pergunta que todos estão imaginando? Por que você decidiu quebrar a maldição de Harry?"

Draco ficou quieto por um longo momento. "Se não se importa, Dean, eu gostaria de dizer a ele primeiro. Em particular."

"Oh. Foi mal. Sim, claro."

Granger se apressou até onde Harry estava e o abraçou com força. "Harry, estou tão feliz por você. Não posso acreditar que finalmente acabou." Ela nem sabia o que dizer a Draco.

Harry finalmente conseguiu encontrar sua voz, "Eu também não acredito. Muito obrigado, Draco." Ele colocou seus braços ao redor de Draco e o puxou para um abraço apertado, colocando sua cabeça no ombro dele para que não pudessem ver seu rosto.

Hermione disse, em uma voz só um pouco indiferente, "Escute, Dean, por que não vamos até sua casa e começamos a contar a todos o que aconteceu. Não somos necessários aqui essa noite, e eu acho que os amigos de Harry - e o Ministério - deveriam ser avisados imediatamente. Harry, gostaria que cuidássemos disso para você?"

"Eu ficaria grato, Hermione. Tem algo que preciso fazer antes de mais nada. Então, sim. Obrigado."

Dean entendeu a dica. "Beleza." Com um ultimo parabéns e muitos abraços, eles Desaparataram.

"Droga, achei que eles nunca iriam embora," Draco disse.

Harry o encarou com divertimento e riu. "Meu Deus, você está terrível como sempre. Venha aqui, então, deixe-me agradecer direito. E depois disso, eu quero ouvir você falar a noite inteira."

"E o que você quer que eu diga, Harry?"

Harry parou abruptamente e o encarou. "Draco..."

"O que?"

"Essa é a primeira vez que me chama de Harry. Diga de novo."

Ele disse. Todas as vezes que Harry pediu.

"Então estou fazendo a mesma pergunta de Dean. Por que decidiu quebrar a maldição?"

Ele tentou contar, e no começo achou que estava fazendo um trabalho decente. Ele disse a Harry sobre sua tentativa de salvar a Mansão e manter o envolvimento de Lucius em segredo. Ele cuidadosamente explicou quão mercenário ele tinha sido em esconder a maldição de todos os outros, e como todo o plano era puramente Sonserino. Mas quanto mais falava, menos ele achava que Harry estava acreditando. Por alguma razão, Harry persistia em pensar que tudo foi um grande sacrifício por Harry, e que ele era um tipo de campeão.

Estúpido Grifinório.

Finalmente, Harry o calou com um toque. "Eu amaria ouvir você falar a noite toda. Eu não canso da sua voz. Mas sério, Draco, eu acho que preferiria ouvir você dizendo outra coisa nesse momento."

"Hmm. Como o quê"

A voz de Harry tinha virado um baixo grunhido em seu ouvido. "Oh, que tal algo como me foda, Harry... mais rápido... mais forte... agora." Ele riu levemente, e um arrepio de excitação desceu as costas de Draco. "Acha que consegue?"

"Eu posso tentar. Mas já faz um tempo, então me deixe praticar antes." Ele colocou sua boca no ouvido de Harry e sussurrou. "Eu quero que me foda, Harry... mais rápido... mais forte... agora."

Harry sorriu enquanto se dirigiam ao quarto. "Continue falando, Draco. Estou gostando do que ouço."

O toque da mão de Harry não era o bastante, no entanto, e a cama parecia estar muito longe. Impulsivamente, Draco puxou Harry para seus braços.

"Uou. Eu -"

Ele não deixou Harry terminar. Suas mãos já estavam no cabelo de Harry, ancorando-o para que pudesse saborear aquela boca tentadora. Algumas coisas eram expressadas melhor sem palavras, como o desejo crescendo dentro dele. Observou Harry fechar os olhos enquanto respondia à pressão dos lábios de Draco. Com sua língua brincando com a de Harry, ele conseguiu arrancar pequenos gemidos e suspiros dele.

"Draco, sim," Harry murmurou, e então suas palavras dissolveram em apenas sons.

Draco aprofundou o beijo deles, sentindo todo toque, todo gosto, todo suspiro em seu corpo, até seus dedos dos pés. Era tudo que ele queria e mais do que imaginara. E ele tentou dizer isso a Harry.

"Eu estive pensando em você o dia inteiro. Eu mal pude esperar para ver você livre. Eu -"

Dessa vez, Harry interrompeu a conversa com mais um beijo intenso. As mãos de Harry se aventuraram até suas costas em carícias gentis, parando nos quadris de Draco e o puxando para perto. Tão perfeito.

"Cama," ele sussurrou. Draco permitiu ser puxado sem relutância.

Ele foi distraído por uma considerável pilha de cartas que não estava ali da última vez que visitara.

"Essas não são o que eu acho que são, Harry. Me diga que não são."

Harry parecia envergonhado. "Eu não sabia o que fazer com elas."

Draco riu. "Incendio. Sempre funciona."

"Mas como você… Quero dizer, você não podia fazer feitiços. Ah. Talvez você não tenha recebido nenhuma, então."

"Não seja estúpido. Elas têm vindo em pilhas desde o julgamento. Sully cuida delas para mim."

"Você não as lê, então?"

"É claro que não. Já sei o que dizem - a maioria são cartas inarticuladas sobre minha perversão. Algumas me acusam de corromper o santo Harry Potter" - ele se inclinou e beijou Harry, acariciando o lábio inferior de Harry com sua língua - "hum, sim, ou dizem que eu te coloquei sob um feitiço negro. Algumas corujas trazem páginas e mais páginas de garotas - e alguns garotos - chateados, me amaldiçoando por tê-lo roubado das fantasias deles. Algumas de simpatizantes dos Comensais dizendo que eu os falhei novamente."

Harry o encarou com divertimento. "Você esqueceu de um grupo."

Draco levantou uma sobrancelha. "Oh?"

"As cartas não são todas horríveis. Algumas são de suporte."

"Encorajamento de outros bruxos gay, então?"

A risada que se seguiu o surpreendeu. "Bem, não. Não totalmente. Algumas são de mulheres casadas."

"Você está brincando. Isso é… estranho."

"Sei lá. Eu concordo com elas." Harry interrompeu o progresso deles e puxou Draco para mais um longo, profundo beijo.

Draco os separou, com relutância. "Posso?" Ele levantou sua varinha.

"Sinta-se a vontade."

Ele apontou sua varinha na direção da pilha de cartas, "Incendio." Uma chama rápida saiu de sua varinha e engolfou a pilha, que se desintegrou rapidamente.

"Deus, isso foi bom," ele disse, divertindo-se. "O primeiro feitiço que fiz em meses." Ele virou-se, observando o quarto. Logo o eco de feitiços de levitação, de limpeza, e transformações foi ouvido, misturados com sua risada.

Um par descartado de meias andou até a cesta de roupas. "Você é louco, Draco," Harry disse entre gargalhadas.

O sorriso de Draco era de falsa inocência, e o brilho em seus olhos o traía. "Você ainda não viu nada." Ele apontou sua varinha para Harry e começou a falar em voz baixa.

Os botões da camisa de Harry começaram a cair, e sua camisa escorregou de seus ombros. Harry levantou seus braços para a peça cair no chão.

Outra palavra e seus cadarços se desamarraram. Ele chutou seus sapatos de seus pés, e, no comando de Draco, eles andaram até um canto do quarto. As meias os seguiram.

O sorriso de Draco foi o único aviso do que viria a seguir. O cinto de Harry se abriu e caiu aos seus pés. Os botões da calça foram os próximos, seguidos do zíper, o qual se abriu em velocidade torturante. Uma última palavra sussurrada, e Harry estava apenas em sua cueca.

"Posso?" Draco perguntou novamente.

Harry concordou com um gesto da cabeça.

Draco não usaria sua varinha para isso. Ele descansou suas mãos na cintura de Harry e colocou seus dedos dentro do elástico, abaixando o material macio e cuidadosamente libertando a ereção de Harry sem tocá-lo sequer uma vez.

Harry sussurrou, "Ah. Eu. Sim."

Draco deu um passo para trás, mas Harry o seguiu, inclinando-se para um beijo e suspirando quando foi recompensado. "Você está lindo assim," Draco o informou.

"E você está muito vestido."

"Mmm. Deixe-me fazer algo quanto a isso." Ele usou seus melhores truques de estúdio para descartar suas roupas. Finalmente, eles estavam nus, face a face.

"Draco. Eu quero que faça algo por mim."

"O que?"

"Eu quero escutá-lo. Apenas fale comigo."

Ele estava confuso. "Estou falando com você, Harry."

"Eu sei. Mas eu quero ouvi-lo dizer o que está pensando quando eu te toco. Quando eu faço isso -" Ele correu suas mãos pelos ombros de Draco e pelas suas costas, dedos seguindo sua coluna. "Ou isso -" Ele traçou com sua língua o pescoço de Draco até sua orelha. "Ou isso -" Suas mãos alcançaram o traseiro de Draco e puxou para perto, as ereções deles se tocando e fazendo-os perder o fôlego com as sensações de fricção e calor.

"Ah, Deus. Eu não sei se consigo. Palavras não..." ele respirou.

"Por favor. É só que… eu imaginei isso. O que você diria para mim se pudesse. Nós nunca conversamos muito em todos os anos que nos conhecemos. Pelo menos conversas decentes." Harry se afastou um pouco para olhar Draco nos olhos. "Eu nunca ouvi sua voz de quarto a não ser em minhas fantasias."

"Ah." Ele não pensou nisso desse jeito - ele estava acostumado a ouvir Harry falar durante o sexo, e não considerara seus murmúrios. Mas Harry parecia querer ouvir essas palavras. Draco não tinha certeza se conseguia ser tão desavergonhado como Harry era nesse sentido - uma característica que não tem no sexo Sonserino. Ele sempre ficou confortável em apenas ceder seu corpo a seu parceiro, mas era cuidadoso para não deixar suas emoções se mostrarem. "Eu não sei se sou muito bom nisso."

"Vamos praticar." Colocando suas mãos na cintura de Draco, Harry os levou até a cama, deitando no topo do loiro. "Diga meu nome."

"Harry. Assim? Harry, Harry, Harry, Harry, Harry." Os lábios dele estavam acariciando a orelha de Harry.

"Perfeito. Agora me diga o que quer."

Draco pensou por um momento, então assentiu. "Eu quero sentir seus lábios na minha pele. Isso me deixa louco." Ele inclinou sua cabeça para trás para oferecer seu pescoço à boca faminta de Harry. "Ah, sim. Desse jeito."

Harry acariciou seu corpo com suas mãos e sua boca, trazendo novas respostas de Draco com cada beijo gentil, cada leve carícia. "Deus, Harry. Isso é tão bom. Não pare. Ah…"

"Diga, Draco. Conte-me tudo que quer que eu faça. Qualquer coisa."

"Deixe-me te foder."

"Sim." Imediatamente, Harry obedeceu, lançando um feitiço de lubrificação e deitando na cama com tanta submissão que Draco perdeu o fôlego em seu desejo. Testemunhar Harry cedendo poder e controle a ele de tão boa vontade, tão obedientemente, era uma experiência incrível. "Tudo que eu puder te dar, eu darei," Harry disse. "Apenas diga. É seu."

Eles estavam em território desconhecido, com esse tipo de admissão, e Draco estava com medo de que se falasse ele poderia revelar demais. Mas Harry o estava animando, sussurrando encorajamentos. "Diga-me o que quer, Draco."

"Eu quero que você... Eu... Isso é…" Ele penetrou Harry cuidadosamente, primeiramente com seus dedos e então com seu pênis, incrivelmente excitado e lutando para não terminar cedo demais. Os olhos de Harry estavam fixados nele, puxando-o para perto.

"Diga-me."

"Eu... Harry. Eu... quero… você." Ele começou a repetir as palavras como se fossem uma reza, mantendo a velocidade de suas penetrações. "Eu quero você."

"Sou seu, Draco. Eu quero que você me tome. Seu." Draco poderia ter atingindo o clímax apenas com a voz de Harry, mas a deliciosa fricção dos corpos deles o levou ao orgasmo. Ele ainda estava dentro do outro, e os murmúrios de Harry ecoavam na sua mente: "Seu. Seu. Seu."

"Seu," Draco respondeu, muito levemente, mas sabia que Harry o havia escutado do mesmo jeito.

Talvez o mundo não seja pequeno,

Nem seja a vida um fato consumado

Calice - Gilberto Gil/Chico Buarque (Portuguese lyrics)

Para a irritação de Draco e sem seu conhecimento, Harry havia dado uma entrevista exclusiva ao O Pasquim, dando detalhes sobre a luta de Draco para livrá-lo da maldição de Lucius. Ele estava completamente envergonhado e passou as próximas semanas escondido no lado Trouxa do Caldeirão Furado para evitar a publicidade.

"Eu não sou um maldito Draco Redimido," ele rosnou a Harry, tirando sarro da manchete antes de jogar o jornal a ele com nojo. "Será que não entra na cabeça dura deles que eu nunca fui mal para começar? Por que não esquecem isso?"

A resposta de Harry às suas reclamações era sempre a mesma: um beijo determinado que sempre levava à atividades mais gratificantes.

No topo de tudo, Harry recontou a todos nos Estúdios JayKay a história de seu misterioso silêncio, conseguindo fazer Draco parecer um herói na história inventada também. Já que ninguém do estúdio tinha ouvido ele falar, o drama de tudo interrompeu o trabalho por dias. E quando Daniel conseguiu colocar suas mãos nele, ninguém conseguiu contê-lo e ele praticamente o arrastou a todo lugar - Draco finalmente o impediu quando o outro quis ir até o restaurante do lado do estúdio.

Severus estava irritado com todo o caso. Ele tinha discursado infinitamente quão não-Sonserino Draco tinha agido, e eles ficaram meio estranhos um com outro por alguns dias. Draco insistiu que como sempre ele tinha procedido por interesse próprio, e Severus acabou cedendo. Mas ele ainda não estava feliz com o novo papel de Harry na vida de Draco.

"Não seja assim, Severus. Não foi você que me disse há muito tempo atrás que eu precisava me animar e arranjar uma vida? Não me diga que eu não segui seu conselho. E pelo menos você não vai ter mais que postar aquele anúncio no Profeta Diário sobre corações solitários para mim."

"Até mesmo quando a pessoa mais ridícula a responder ainda fosse muito mais preferível do que Potter?"

Ele apenas sorriu serenamente. "Encare os fatos. Eu e Harry temos certa notoriedade que manda pessoas correndo para as saídas. Na verdade, Severus, você se surpreenderia, mas somos um ótimo par."

Severus parecia muito irritado. "Draco, depois disso, nada sobre você me surpreenderia mais."

"Eu sabia que entenderia."

"E os amigos Grifinórios de Potter? Eles entendem?"

"Mais do que você pensa. Bem, Dean e eu começamos a ficar amigos antes que eu e Harry fôssemos um par - não pareça tão chocado por eu ter um amigo nascido Trouxa. E Granger está com Dean agora, então ela tem pressão dos dois lados para se comportar. O resto deles estão presos no fato de que não reclamaram muito quando eu comecei a cuidar de Potter para que eles não precisassem fazê-lo. Se reclamassem agora, seriam expostos como hipócritas, então eles agüentam."

Severus relutantemente aceitou.

Draco sabia que ainda devia muito à Sully, mas precisava cuidar do caso cuidadosamente.

"Você foi de uma ajuda imensa, sabia?" ele disse a ela. "Um bruxo que quer agradecer seu elfo-doméstico pode oferecê-lo roupas..."

Ele deveria ter trazido um lenço - ela agarrou suas pernas, e os joelhos de suas calças ficou rapidamente molhado.

"Mestre não estar mandando Sully embora? Sully não estar querendo roupas," ela chorou.

Obviamente, ele disse a coisa errada. "Não! Eu não estou te mandando embora. Nada de roupas, está bem? Foi uma péssima idéia. Pare de chorar, por favor, Sully."

"Sully estar ficando com Mestre Draco?" Ela assoou seu nariz no material limpo de suas calças, e ele tentou não se afastar.

"É claro. E só quero fazer algo legal para você. Para agradecê-la por tudo que fez nesses últimos meses. Você sabe de algo que gostaria?"

Ela se afastou com um sorriso tímido. "Algo que Sully gostaria?"

Ele afirmou com a cabeça. "Diga-me." Quão ruim poderia ser?

Um estralo dos dedos dela o respondeu. Em suas mãos estava uma revista Trouxa, obviamente muito lida. Ela ofereceu a revista com um sorriso entusiasmado.

Sua própria face o encarava da revista. Pior ainda, era um daqueles dias em que, por razões desconhecidas, o time de maquiagem de Knightley foi dez passos além da androgenia, e Daniel tinha enlouquecido com um baby liss. Ele podia rivalizar Pansy Parkinson em feminilidade. Como Sully tinha aquela revista era um mistério para ele.

"Mestre Draco pode fazer Sully bonita como ele está?"

Ai, merda.

"Bem. Hum. Sim."

Foi assim que ele se encontrou, dois dias depois, convencendo Harry a pagar Weasley e companhia para uma visita, cuidadosamente trancando o Flu depois que eles chegaram, e gastando as próximas horas demonstrando para seu elfo-doméstico a maneira correta de aplicar batom e misturar sombras.

"Não, Sully, olhe aqui. Você tem que esperar até o delineador secar, ou vai ficar parecendo um panda. Olhe, vamos limpar isso e tentar novamente."

Ele não era estranho, ele continuava a se dizer - ele era adaptável. Era uma coisa perfeitamente Sonserina a se fazer.

"Aqui. Eu comprei perfume para você, também." Ela abriu o frasco e, para seu horror, virou todo o conteúdo em sua cabeça. Ele logo aprendeu que até mesmo os mais caros perfumes franceses eram nauseantes em quantidade.

Granger era provavelmente a mais contrita dos amigos de Harry, tendo sido provada errada em seus julgamentos dele. Ela tentou compensá-lo de seu próprio jeito, tornando-se tão obediente que Draco a evitava sempre que podia. Mas como ela sempre estava com Dean, isso se provou difícil, e ele teve que aturá-la. Mas não quietamente.

"Eu finalmente terminei minha análise dos algarismos da maldição," ela disse, desenrolando o longo pergaminho como ênfase. "Na seqüência 6-5-4-3-2-1, mais especificamente. O número 6 mostra muito quando vejo dessa maneira." Uma explicação complicada se seguiu, mas Draco não tinha estudado isso em Hogwarts, e se perdeu. "Bem, vocês entenderam?"

"Não. O que isso quer dizer, na verdade?" Harry perguntou.

Senhorita Enciclopédia estava a toda. "A habilidade para quebrar a maldição está obviamente ligada ao número 6. Seis representa estabilidade, dependência, e principalmente proteção. Olhe essa parte." Ela apontou a uma mistura inteligível de números. "Resumindo, a seqüência expressa que por portar tanta responsabilidade e se mantendo em silêncio, o quebrador da maldição irá conseguir não somente harmonia com sua comunidade, mas também será o Protetor do amaldiçoado. Ainda, ele adquirirá um nível espiritual maior de entendimento de si mesmo e do mundo. Provavelmente o silêncio causa isso - um período forçado de reflexão quando o Protetor se torna introspectivo e intuitivo."

Draco achava que aquilo tudo era besteira, mas Harry parecia pensar que ela acabara de dizer as palavras de maior sabedoria.

"Tá bom, explica essa parte mais uma vez," Harry disse, muito entusiasmado. "Sobre ele ser meu protetor. Isso é exatamente o que aconteceu, você não acha, Draco?"

Draco levantou seus ombros, mas não negou.

Finnigan gastou muito tempo tentando inventar um apelido para Draco para combinar com "O-Menino-Que-Sobreviveu" de Harry.

"Já sei," ele proclamou orgulhosamente. "O-Homem-Que-Amou."

Draco fez uma careta para ele. "Cala a boca, Finnigan, seu mané." Harry apenas riu.

I thank you for the air to breathe, the heart to beat,

the eyes to see again (a thousand beautiful things)

And all the things that's been and done, the battles won,

the good and bad in everyone (this is mine to remember).

Eu agradeço a você pelo ar que respire, o coração que bate,

Os olhos que vêem novamente (mil coisas belas)

E todas as coisas que foram feitas, as batalhas ganhas,

O bem e o mal em todos (isso é meu para lembrar).

A Thousand Beautiful Things - Annie Lennox

Jake Knightley afastou seu rosto da câmera e olhou Malfoy com divertimento. "Acalme-se, lindo. Nós não podemos mostrar isso para Burberry, se lembra? Então espere um pouco e se controle. Tente pensar na economia."

Outra voz se juntou. "Margaret Thatcher. Nua."

"Não, Robin Cook."

"Ahh, que tal Ann Widdecombe." Isso trouxe risos apreciativos.

Era um jogo comum no estúdio - ajudar um modelo a se livrar de uma ereção inesperada. Draco nunca tinha sido o foco, no entanto, e mesmo com suas tendências exibicionistas, ele estava ficando com vergonha.

"Preso no ônibus em um dia quente."

"Com um grupo de turistas Germânicos."

"Que beberam cerveja a tarde inteira."

"Em lederhosen." Esse foi Daniel, é claro. "Ops, desculpa, isso não ajudou não é?"

"Hum. Talvez eu espere, hum..."

Jack se virou com a voz inesperada. "Bem, bem, se não é o Sr. Potter. Eu deveria ter adivinhado."

Todos riram, e Harry parecia completamente envergonhado, "Eu pensei em te pegar para almoçar. Até mesmo modelos têm que comer."

"É o que me dizem," Jake respondeu. "Repetidamente. Nós apenas estamos atrasados; só mais meia-hora. Bem, mais tempo, agora," ele adicionou com um sorriso.

Daniel falou, "Ou nós podemos parar agora e deixar o Dragão cuidar de seu probleminha. Tenho certeza que Harry -"

"Não termine essa frase se quiser viver," Harry avisou, e Daniel sorriu com inocência falsa.

"Não, vamos pegar meia-hora e terminar isso," Jake disse. "Vamos fazer umas fotos de casaco de chuva, fechadas, por um tempo. Meia-hora, Potter. Agora, vá embora."

Daniel o olhou, flertando. "Eu sei de algo que podemos fazer por meia-hora, Harry." Ele pegou a mão de Harry na dele, entrelaçando os dedos deles e o puxando.

"Se você tentar algo com o Harry, Daniel, eu vou te amaldiçoar daqui até as Ilhas Shetland." Draco avisou.

Harry encarou Daniel com severidade forçada. "E eu já vi ele fazer isso. Você conhece Stonehenge? Bem, lá costumava ser a casa do último cara que tentou dar em cima do namorado dele."

"É, é. Como é que eles dizem na América? Cachorro que late não morde?" Daniel continuou a andar de mãos dadas com Harry. "No entanto, eu sou um cavalheiro. Seus medos não têm fundamento. Infelizmente."

Meia-hora depois, Daniel voltou ao estúdio, ainda de mãos dadas com Harry e parecendo satisfeito com si mesmo como se estivesse acompanhando a Rainha. Ou melhor, um dos jovens príncipes. Um olhar na direção de Harry disse o porquê.

"Harry! O que aconteceu com você?"

Harry parecia apreensivo com as palavras de Draco. "Você odiou?"

"É claro que não. Você está ótimo. Não que já não fosse antes, é claro."

Um Daniel muito satisfeito finalmente ajeitou o cabelo de Harry, e Draco tinha que admitir que os resultados eram incríveis - bem mais curto, um pouco estiloso, mas ainda casual o suficiente para que Harry não parecesse estranho.

"Você tem certeza que gostou?"

"Ah, sim, tenho certeza. Daniel, você é um gênio."

Daniel fingiu estar muito ofendido. "Mas é claro, Dragão. Você acha que eu sou cabeleireiro só porque posso atacar modelos lindos como você o dia inteiro?"

Draco levantou uma sobrancelha. "Bem, sim, na verdade."

"Ah, tão malvado, amor. Eu acho que gostava mais de você quando não falava. Se você não fosse um modelo tão narcisista, Dragão, você perceberia que eu sou bom no que faço. Eu amo meu trabalho." Daniel colocou um braço ao redor de Harry e sorriu. "A parte de atacar é só mais uma vantagem. Nós, cabeleireiros gays, temos que manter o estereótipo, sabe. Não, você não saberia."

Draco sabia que Harry sempre se divertia com Daniel, já que nunca conhecera alguém como ele antes. "Então isso tudo é só uma atuação, Daniel?" Harry perguntou.

Daniel estava em um humor indulgente, principalmente depois de conseguir mudar a aparência de Harry. "É claro que sim. Por um lado. Quero dizer, todos fazem um tipo de atuação em público, você não acha? Você, por exemplo. Você é o garoto gay mais heterossexual que eu já conheci. E olhe o Dragão. Bem, ele não pode fingir que não é a coisa mais sexy em duas pernas, é claro, mas lá no fundo, eu aposto que ele é malvado. Ele só finge ser bonzinho para te levar para a cama."

Pela sua expressão, ele pôde ver que Daniel não entendeu por que eles demoraram tanto para parar de rir depois dessa.

Harry se recuperou primeiro. "Então você finge ser obviamente gay, mas na verdade -"

"Se você espera que eu diga que na verdade eu tenho uma esposa e três filhos em Bexley, está totalmente enganado. Eu realmente sou obviamente gay."

"Com um namorado e três cachorros em Earl's Court," Draco sugeriu.

"Exatamente. Um namorado que eu mantenho escondido de pessoas como você. Autodefesa, querido."

Harry levantou a mão em falso alarme. "Sem preocupação. Draco iria -"

"- amaldiçoar você daqui até as Ilhas Shetland?" Daniel terminou.

"Com certeza. Harry sabe que eu tive treinamento especial nesse tipo de coisa."

O olhar desconfortável de Harry mostrou que Draco estava levando as coisas longe demais na frente de Daniel, então ele emendou. "Oops, eu esqueci - é melhor eu fingir que sou bonzinho se quero que Harry me leve para almoçar."

Harry o ofereceu um sorriso relaxado com uma sugestão de gratidão. Ele recebeu isso como um sinal encorajador e colocou seus braços ao redor da cintura de Harry, puxando-o para perto. Daniel recebeu a mensagem, e largou Harry com óbvia relutância."

Ele não resistiu e passou a mão pelo cabelo de Harry. Daniel tinha feito algo para ele ficar incrivelmente macio, e ele enrolou seus dedos nas mechas acima da orelha de Harry até que Daniel deu um tapa em sua mão.

"Não toque, Dragão. Não. Toque."

Draco sorriu, e apertou o abraço, retornando sua mão ao cabelo de Harry. "Você ouviu algo, Harry? Como um zumbido distante ou alguma coisa assim?" Harry sorriu.

Daniel cruzou os braços, fazendo bico. "Posso ver que estou sobrando aqui. Ah, bem, que bom que estou casado com esse maldito emprego."

"Você não acabou de dizer que ama isso aqui?" Harry perguntou.

"Eu admito que é mais divertido do que se eu trabalhasse em uma loja mecânica."

"Eu concordo com isso," Draco disse.

Daniel rosnou. "Não, Dragão, amor, eu não consigo imaginar você com óleo embaixo de suas unhas perfeitas. Eu diria que você é perfeito para esse emprego também. Você só posa por aí, ficando bonito, onde eu posso correr atrás de você, e todos os outros podem ficar fantasiando com você."

Draco não queria pensar nisso agora, mas ele reconheceu que não estava mais satisfeito em modelar. Ele aceitou o emprego no começo porque era algo que podia fazer enquanto quebrava a maldição de Harry. Mas recentemente, ele sentia como se o emprego tivesse caído na categoria de algo para preencher o dia. Não que ele não apreciasse Daniel, Jake, e os outros, mas ele sentia como se tivesse que fazer algo mais produtivo do que apenas ficar bonito.

Ele sempre podia fazer isso só para Harry.

Talvez, se perguntasse, Jake não se importaria em ensiná-lo como era trabalhar por trás das câmeras.

Daniel estava encarando Harry com novo interesse, como se tivesse acabado de perceber algo. "Sabe, Harry, eu ainda não sei o que você faz."

Harry sorriu. "Não é óbvio? Eu sou um dos outros que fantasiam com o Draco."

"Não, sério. Me conta."

Draco ficou com pena de Harry. "Bem, ele costumava ser um grande herói de Guerra. Foi da lá que ele ficou com essa cicatriz feia - salvando o mundo das forças do mal. Agora ele é só um espião internacional. Mas, é claro, ele tem que contar a todos que é um banqueiro."

Harry sorriu. "É a vida. O que posso dizer?"

"Ah, é claro," Daniel disse. "Obrigado por me contar."

Harry consultou seu relógio. "É melhor a gente ir almoçar, já estamos atrasados."

Daniel suspirou. "Corram, então. Honestamente, eu nunca descobri como vocês conseguem ir até sua casa em Belgravia e voltar, almoçar, e ainda ter tempo para um sexo rápido."

"Nós não -" Harry começou a negar.

"Sim, vocês fazem. Não minta para mim."

"Ah, nesse caso," Draco disse, e lançou um olhar misterioso. "Magia."

"Não diga. Bem, até mais. E estou avisando, Dragão, não se atreva a arruinar esse cabelo, ou eu vou te amaldiçoar daqui até as Ilhas Shetland."

So ... Light me up like the sun, to cool down with your rain,

I never want to close my eyes again…

Então… Me ilumine como o sol, para refrescar com sua chuva,

Eu nunca mais quero fechar meus olhos...

A Thousand Beautiful Things - Annie Lennox

Harry estava muito sério para o que eles acabaram de fazer.

Eles tinham Aparatado até o apartamento de Draco, porque ali, ninguém estava perto o suficiente para ouvi-los - ou talvez era porque as paredes eram tão grossas. Harry, que sempre tagarelava durante o sexo, agora adorava encorajá-lo a ser igualmente vocal. Já os vizinhos não compartilhavam desse entusiasmo.

"O que está na sua mente, Garoto-Dourado?" Draco perguntou. Ele acariciou a coxa suada de Harry com sua mão - nenhum deles se preocupou em lançar os feitiços de limpeza ainda.

Harry se virou para encará-lo. "Ah. Só pensando em você."

"Ummhmm. Então por que não está sorrindo?"

Harry respondeu com um largo sorriso antes de se inclinar para beijar Draco. "Melhor?" ele murmurou em seus lábios.

"Melhor," ele concordou.

"Eu arruinei sua maquiagem. E seu cabelo. Sinto muito."

"Eu não sinto. Sua besta." Harry gostava de se desculpar por qualquer coisa, mas Draco achava que ele só era sincero de vez em quando. "Eu sei mais feitiços para me arrumar do que qualquer bruxo deveria."

"Por que não estou surpreso, Malfoy, seu metido?"

Harry tinha um brilho estranho em seus olhos e ele alcançou o cabelo de Draco com sua mão, bagunçando tudo. Ele o deixou brincar um pouco antes de parar o jogo com a captura de lábios e línguas até Harry o soltar.

Um pouco depois, Harry o soltou e se jogou em um travesseiro. "Na verdade, eu estava pensando como eu gosto de ouvir sua voz quando estamos transando."

Ele percebeu a referência em sua parte de quebrar a maldição, mas não queria ouvir isso. Ainda estava inconfortável com a gratidão de Harry em frente àquela situação. Ele queria que o relacionamento deles fosse baseado em algo menos altruístico.

"Do que mais você gosta, Harry?" ele sussurrou.

"Por que você fica tentando mudar de assunto?"

Ele arregalou os olhos em inocência fingida. "O que quer dizer? Eu achei que estávamos falando de sexo. Eu perdi alguma coisa?"

Harry riu, como Draco sabia que ele faria. Mesmo com toda a volatilidade entre eles dos tempos de crianças, eles conseguiram até aquele momento uma habilidade versátil de se tratarem como adultos. Até agora. Pelo menos Harry tinha o bom-senso de se afastar quando reconhecia que Draco estava em de seus maus-humores.

"Bem, nós estávamos falando de sexo. Mais ou menos. Na verdade eu estava tentando te dizer como eu aprecio ouvir você falar agora."

"Eu poderia ter usado essa apreciação em Hogwarts."

"Ah, cala a boca, Draco. Você sabe que não merecia naquela época."

"Não mais do que agora," ele disse levemente.

Harry se virou, e lá estava - aquela expressão que Draco estava aprendendo a evitar.

"Draco, por que você não me deixa dizer como eu sou agradecido por você quebrar a maldição para mim?"

"Você já disse. Uma vez é o suficiente. E eu já disse que não fiz por você. Eu fiz porque eu achava que era a única maneira de me segurar na Mansão. Por que você não me deixa dizer isso?"

"Você já disse. Uma vez é o suficiente. E aliás, é besteira, Dragão, e você sabe."

Ele se levantou até ficar sentado na cama, com os lençóis mal cobrindo seu colo. "Não, não é. É a verdade. Eu não sou o santo Grifinório que você está me fazendo parecer. Eu sou totalmente egoísta, e você não deveria estar me agradecendo por isso."

Para sua irritação, Harry apenas sorriu. "Talvez isso fosse verdade no começo. Mas eu observei você sentar durante aquela audiência inteira e não quebrar seu silêncio. Nem quando você teve sua única chance de ficar com a Mansão." Harry estava gesticulando com suas mãos, contando as situações em seus dedos. "Nem depois que o Ministério tirou ela de você. Nem mesmo quando eu fui um idiota e terminei tudo. Você não falou nada até a maldição quebrar. Agora me diga honestamente, que razão você poderia ter para fazer isso?"

Ele não respondeu, porque sabia que Harry estava certo. Aquelas últimas semanas, depois da audiência - ele tinha feito tudo por Harry. Mas isso não significava que estava pronto para admitir isso.

Harry não tinha terminado. "Alguma vez você considerou seriamente desistir de quebrar a maldição? E por favor me diga a verdade. Eu realmente gostaria de saber."

Ele debateu não responder. É claro que ele tinha pensado em desistir. Ele deixou a idéia vir à mente quando estava frustrado, deixou-a ferver quando estava bravo com Harry por duvidar dele. Mas ele nunca considerou desistir seriamente, não depois que viu Harry sofrer. E o fato que nunca pensou seriamente em abandonar Harry à maldição - bem, o assustava.

Ele deixou a palavra cair tão levemente de seus lábios que não tinha certeza se Harry conseguiu ouvir. "Não."

Mas Harry ouviu. "Obrigado," ele disse, igualmente leve. Draco não tinha certeza se era por ter respondido ou pela resposta.

Harry estava acariciando o joelho de Draco com seu dedo. "Está tudo bem, no entanto. Nós não temos que falar mais nisso. Eu tenho mais novidades."

"Hmm?"

"A Mansão está à venda."

Ele sentiu um aperto no estômago, e ficou surpreso em se ouvir dizer, "Boa-sorte para o Ministério em conseguir um bom preço por ela. Talvez alguém a compre e a transforme em um museu de Magia Negra."

Harry deixou o silêncio se estender antes de comentar. "Eu estava pensando em -"

Ele percebeu instantaneamente o que Harry estava prestes a dizer e o cortou rapidamente. "Não, Harry. Eu não vou deixar que você compre a Mansão para mim."

Oh, ele percebeu que Harry estava pronto para uma briga nessa, mas não tinha chances de ele deixá-lo fazer isso. Ele podia não ter mais a fortuna Malfoy, ou a Mansão, ou o legado, mas ele ainda tinha seu orgulho.

"Mas, Draco -"

"Não. Sem chances."

Harry tinha a mesma expressão que se lembrava da noite em que deixou Hogwarts, e sentiu o mesmo desejo irracional de deixar Harry ganhar o argumento. Mas ele não cedeu lá, e não iria ceder agora.

"Harry, por favor. Eu sei que você está tentando me compensar por ter feito eu perder a Mansão. Mas para falar a verdade, eu não acho que qualquer coisa que eu tivesse dito ao Wizengamot naquele dia pudesse fazer alguma diferença. Muita política, e pouco bom-senso, entende?"

Harry começou a interromper, mas Draco não deixou.

"Me escuta. Eu sei que você acha que a Mansão significava tudo para mim. É o que todos acham. Diabos, é o que eu achava - até um elfo-doméstico me endireitar."

A frase teve o impacto em Harry que ele esperava. "Hermione ficaria tão orgulhosa de você," ele conseguiu dizer. "Ela estaria te recrutando para o FALE em um instante."

"Sem dúvida."

Ele deixou a curiosidade de Harry crescer até que foi forçado a perguntar, "Então o que esse misterioso elfo-doméstico te disse?"

"Foi Sully, é claro. Eu sempre achei que ela pertencia à Mansão e teria que ficar para trás depois que eu a perdi, mas ao invés disso ela insistiu em vir comigo. Ela me disse que a Mansão era simplesmente tijolos e pedras, e que ela só poderia ser leal a uma pessoa. Isso me fez pensar."

"Em que?"

"Que é estúpido eu ser leal a tijolos e pedras. Já posso dizer que sou tão esperto quanto um elfo-doméstico."

"Sem dúvida."

"Sabe, quando eu era mais novo, eu só tinha ótimas memórias da Mansão Malfoy, mas nos últimos anos, tinha muito mais memórias ruins. Eu aposto que você não sabia disso, mas quando fui embora, eu já tinha permanentemente fechado metade dos cômodos. O quarto em que minha mãe foi morta, é claro. O corredor dos retratos. O escritório de Lucius. Bem, o que sobrou do escritório."

Os olhos de Harry arregalaram. "Por que, o que aconteceu?"

Ele estava envergonhado em admitir o que fez. "Vamos dizer que eu tive uma pequena crise no dia em que me mudei. Mas eu consegui parar antes de queimar a Mansão inteira."

"Ah." Parecia que Harry queria adicionar algo, mas ele balançou a cabeça vagarosamente, então adicionou, "Eu já tive noites assim."

"Com certeza. Eu não gostava de morar lá, e ainda assim eu ficava. E a única razão disso era que sempre me disseram que era lá que eu pertencia. Que eu não podia ser Draco Malfoy sem a Mansão." Ele passou uma mão pelo seu cabelo, tirando-o dos olhos para que pudesse ver Harry claramente. "Mas estavam errados. Só demorou um pouco para eu perceber isso."

Harry não mostrava sinais de querer interrompê-lo, contente em deixar suas mãos acariciar o corpo de Draco como se estivesse tentando acalmar uma brava criatura mágica. Draco sabia que Harry não teve muito contato de pele em seu passado, e às vezes parecia que, com todos os toques, Harry estava tentando compensar por oportunidades perdidas. Não que Draco estivesse reclamando.

"Severus tentou me avisar que eu não estava vivendo na Mansão, eu estava morrendo nela, mas eu não escutei."

A voz de Harry era pensativa. "Quando você finalmente percebeu, então?"

Ele sabia a resposta imediatamente. "Depois que a perdi. Eu descobri que sentia falta de lutar pela Mansão mais do que da própria Mansão. Não me entenda errado - eu estava irritado com o Ministério pelo que fizeram comigo. Ainda estou, na verdade."

Harry franziu as sobrancelhas, mas manteve sua constante massagem - pulsos, traseiro, ombros, tornozelos - qualquer pedaço de Draco que estivesse ao alcance. "Você não é o único que está irritado."

Ele sorriu. "Sim, e quando você vai lá para buscar sua Ordem de Merlin?"

"Nenhum momento próximo." A resposta de Harry provou que ele não era o único que sentia necessidade de proteger seu orgulho.

"Olha, Harry. Eu não vou fingir que não dói, mas estou superando. Eu ficarei bem. Depois que fui forçado a deixar a Mansão e vim para cá - bem, eu descobri pela primeira vez que não tinha mais o peso da minha história para carregar. Aqui, eu posso ser Draco Malfoy, não o filho de Lucius. De muitas maneiras, estou mais feliz agora do que nunca."

"Por que você perdeu a Mansão?"

"Porque eu perdi a Mansão. Entre outras coisas." Ele deixou os cantos de sua boca erguerem um pouco com o olhar inquisitivo de Harry. "Tá bom, talvez haja mais motivos para minha nova felicidade. Mas agora você sabe por que eu não quero que compre a Mansão para mim. Eu não a quero de volta."

Harry se ajustou para mais perto dele, trazendo a mão de Draco até sua face e acariciando com ela sua bochecha. "Eu a daria a você se quisesse, você sabe disso, porque você merece depois do que fez. Não só pelo que fez por mim. Pela Ordem, também. Mas eu acho que entendo."

Draco se inclinou e beijou o topo da cabeça de Harry. Ele quase disse que não aceitaria mesmo se a quisesse, mas qual era o ponto? Isso só provocaria um argumento por nada, e eles estavam tendo um ótimo... almoço.

"Olha, Harry, se você ainda sentir a necessidade de gastar pilhas de dinheiro comigo, bem, então vá em frente. Como eu disse, sou egoísta. Só não me compre a Mansão Malfoy."

"Tá bom, tá bom. Então que tal três cachorros?"

"De jeito nenhum. Nada que precise de mais atenção do que eu. Me dê uma Lamborghini e me ensine a dirigir."

Harry soltou uma risada. "Você está brincando. O que você sabe sobre Lamborghinis? Falando nisso, quando você viu uma Lamborghini?"

"Na sua televisão, é claro. Todos os caras legais dirigem uma."

"Oh, Deus, eu criei um monstro. Tá bom, pare de me bater, seu bruto. Se você realmente quer uma, eu vou comprar uma. Eu acho que você vai querer uma roupa combinando, também"

"Bem, isso é óbvio."

"Mas eu não posso te ensinar a dirigir, porque eu também não sei."

Ele sorriu. "Então eu terei que encontrar um bom instrutor italiano, não é? Oh, Paolo, me mostre de novo como trocar essa marcha... bene, bene... ei!" Ele foi muito lerdo para desviar o travesseiro que Harry jogou na cabeça dele.

"Sem chance. Embora eu posso permitir uma mulher feia."

"Ah. Seu ciúmes é aparente, carissimo." Ele se espreguiçou com demora, pausando deliberadamente para assegurar a atenção total de Harry, e então saiu da cama. "Olha, você fez eu me atrasar."

"Quer algo para comer?"

"Sem tempo. Eu vou agarrar algo da cozinha no meu caminho. É a mais nova dieta para modelos - muito sexo e nada de comida."

Harry o seguiu, puxando-o para um último beijo.

"Harry, eu preciso voltar ao estúdio," ele disse. "Senão, serei despedido, e então terei que viver às suas custas."

"E isso seria ruim, como exatamente?"

"Acredite, Harry, nem mesmo você tem tanto dinheiro."

"Bem, então, posso ir com você?"

Ele balançou a cabeça. "Melhor não. Eu arruinei seu cabelo. Daniel não ficaria feliz comigo se visse você." Isso não era verdade - o cabeleireiro tinha feito um ótimo trabalho, e pela primeira vez na história, ele se comportou e deu a Harry uma aparência bagunçada e sexy.

"Hmm. Eu ouvi que as Ilhas Shetland são lindas nessa época do ano. Se tiver sorte, talvez eu vá te visitar."

Draco o deu um beijo rápido e foi até a porta. Um segundo depois, ele enfiou a cabeça para dentro de novo.

"Harry, mio innamorato, aquela Lamborghini? Cores Sonserinas." Com um ultimo sorriso, ele se foi.

Fim.

A/N: Aí está, a tradução da fanfic A Thousand Beautiful Things, uma das mais lindas que eu já li e tive que traduzir para o português! Só para lembrar, que se alguém já leu a tradução idêntica no nome de Traducious, esse é um grupo de traduções que eu fazia parte, mas sou a mesma pessoa, tá? Só estou repassando para minha página pessoal. Ah! Além disso, começarei a traduzir outras dessas fanfics clássicas, do fandom Harry Potter e Naruto, então fiquem de olho! =*

mila_crazyx