Caminhando silenciosamente, ela avançava pelas ruas de Tókio. Atenta a todos os sons, todas as cores.
Os carros passavam rápidos e alguns silenciosos por ela, mas ela só se concentrava no que tinha que fazer.
Um sorriso iluminava o rosto angelical. Caminhava a passos rápidos.
Em poucos instantes, chegou ao apartamento.
Seu coração batia a mil.
Pegou o elevador, e subiu o mais rápido que pode, as pernas bambas e seu coração acelerado.
Bateu na porta e esperou, paciente.
Ele abriu e estava com um aspecto sujo.
A cor sumiu do rosto dele, e deu lugar a uma palidez admirável.
Parecia ter visto um fantasma.
- Haku…? – aos poucos ela se perguntou, preocupada com a expressão do noivo
- Haku – uma voz se vez ouvir, vinda de dentro do apartamento, completamente feminina. – Quem está ai?
Imediatamente ela entendeu.
Seus olhos se encheram de água, e ela saiu correndo pelas escadas, sem tempo de esperar o elevador. Ele a seguiu.
As lágrimas desciam pelo rosto angelical, mas sua mão estava dentro da bolsa, procurando o seu maior apoio.
Mas, ela se desconcentrou de mais.
Um cadarço de seu tênis estava desamarrado.
~*~
Seus olhos se abriram lentamente, se acostumando com a claridade.
Antes mesmo de eles estarem totalmente aberto, lágrimas preencheram seus olhos.
Acordou e percebeu que estava em uma cama de hospital.
Uma enfermeira de expressão neutra entrou no quarto, trazendo consigo várias fichas e papeis.
A primeira coisa que disse foi:
- Senhora.. está se sentindo melhor? – perguntou, receando a reação dela ao receber "A Noticia"
- Sim... eu cai da escada né?
A enfermeira concordou com a cabeça.
- E temos uma má notícia – A menina/moça prendeu a respiração – Sinto muito, Senhorita Rin Takashi, mas não conseguimos salvar seu bebê.
Lágrimas invadiram os olhos de Rin, e transbordaram imediatamente.
A enfermeira fez uma cara de compreensiva, o que irritou Rin.
De repente, a porta se escancarou, revelando uma figura conhecida e amada por Rin.
Era um homem de cabelos compridos e prateados.
Seus olhos eram âmbares.
Ele sentou-se na borda da cama e olhou para a enfermeira, que entendeu o recado e saiu o mais depressa do quarto.
- Pequenina... – e dizendo isso acariciou o rosto de Rin, molhado em lágrimas – você não quer falar sobre isso, não é?
Ela concordou com a cabeça, fraca de mais para falar.
Ele a envolveu pelos ombros em um forte abraço, colocando a cabeça dela sobre seu peito, coberto por uma linda camisa preta da Puma.
Ela fechou os olhos e adormeceu, entorpecida com o perfume adocicado.
~*~
Ele a empurrava lenta e delicadamente.
O rosto dela estava inchado, devido ao choro recente.
Ela virou a cabeça, olhando-o os olhos.
Ele estendeu a mão e afagou a cabeça dela.
- Pequenina... não pode mais se esquivar. Confie em mim. Sou seu melhor amigo. – o homem de cabelos prateados disse.
Ela então começou a narração, e uma vez ou outra lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Ele a olhou com ternura e pediu para ver o exame.
Ela o entregou.
Ele analisou calmamente o papel e depois a devolveu.
Ela prensou o papel amassado contra o peito e ficou se balançando.
~*~
Depois de dias e dias, finalmente Rin conseguia andar sem a cadeira de rodas.
Ela se tornara uma moça frágil e triste.
Seshomaru fazia tudo o possível e impossível para animá-la.
Certo dia, a levou ao parque.
- Ah Sessy... pra que me trouxe aqui? E o que é isso? – perguntou ela, apontando para um pedaço grande de plástico que jazia no chão.
- Te trouxe para ver se você se animava – e a olhou bem no fundo dos olhos. Depois de um tempo, sorriu – isso é plástico-bolha. Venha – e a puxou para cima do plástico, fazendo Rin sentir a gostosa sensação das bolinhas estourando abaixo de si.
Um sorriso sincero e largo apoderou-se do rosto da menina-mulher.
Dançavam como se fossem dois malucos fugidos do manicômio.
Depois de um certo tempo, quando os barulhos das bolinhas sendo estouradas diminuiu, Seshomaru recolheu o plástico e levou Rin para uma caminhada.
~*~
Ela o abraçou ternamente.
Seshomaru sorria e dava sorvete para ela, levando a colher até a boca, que quase nunca cumpria seu trajeto, sempre se espatifando contra a pequena mesa de madeira que estavam sentados.
- Ah, chega! – ela exclamou por fim, depois de uma gostosa gargalhada – se continuarmos a comer assim, vamos ficar todos melados – e se separou do abraço carinhoso.
Comeram silenciosamente, e a mente se Rin voltou para assuntos desagradáveis, como a traição de Hakudoushi e seu aborto.
Lágrimas caíram antes que ela percebesse.
Novamente, foi envolvida por um forte abraço.
- Pequenina, pare de pensar nisso. Te trouxa aqui para esquecer isso. – ele a abraçou com mais força.
- Obrigada, Sessy.. não sei o que seria sem você...
~*~
Resmungando, o homem se levantou do sofá e deixou sua garrafa de água ardente em cima da mesa.
Abriu a porta com relutância, espiando por uma pequena fresta.
Ele soltou uma exclamação ao sentir sua garganta se comprimindo e afiadas garras arranhando-lhe o pescoço.
Seus pés estavam suspensos.
Ele olhou para seu agressor, mais só viu dois pares de olhos âmbares, antes do aperto ficar mais forte e ele ficar inconsciente.
~*~
MESES DEPOIS
~*~
(música on - .com/watch?v=IxwpmLzv8HI - Orange Range—hana)
Rin olhava atentamente para o relógio.
Estava num bar que freqüentava com Seshomaru.
O relógio ia bater 23 horas.
Ela lia o jornal tranquilamente.
Havia uma manchete que dizia mais ou menos isso:
[i][u]HAKUDOUSI LIMOON PRESO POR DIRIGIR ALCOOLIZADO[/i][/u]
Ela suspirou e deu um frágil sorriso
- Típico dele. – pensou – ah, ainda atropelou várias pessoas. Que babaca.
Nisso, sua mão deslizou calmamente para sua barriga.
Lágrimas encheram seus olhos.
Ela balançou a cabeça e abriu a bolsa, atrás de algo que sempre a sustentava.
Tirou um maço de cigarro da bolsa.
Pego um de cravo fino – seu predileto – e acendeu.
Continuou com os olhos pregados no jornal, lendo silenciosamente, enquanto acalmava seu coração.
Mas, de repente, a cigarro foi arrancado da boca dela e alguém puxou-a pelo queixo, abrigando a ver a pessoa que fizera aquilo.
- Seshomaru... – ela sussurou, assustada.
~*~
- Então... Por que está agindo assim? – ele a olhou friamente
A garota puxou seu pulso rapidamente.
- Isso não te interessa mais, querido... – e seus olhos se encheram de lágrimas
- O que foi? Só por que você se afastou de mim, de repete, eu não sou mais seu amigo?
"Não. É por que eu te amo e você arranjou uma namorada", ela pensava, angustiada
- Me larga.. – ela estava com a voz embargada, lutando para tentar se livrar das mãos do youkai.
- Não – e o apertou aumentou
- Quer saber mesmo? – ela abaixou a cabeça, fazendo com que sua franja tampasse seus olhos
- Sim – Seshomaru a olhava com atenção
- É por que eu perdi meu filho. É por que eu perdi meu namorado. É por que eu perdi a pessoa que amava.
- E quem é essa pessoa?
- Você
Chocado, ele soltou a mão dela
Ela se levantou e foi até o carro, tranquilamente.
Apesar disso, as lágrimas ainda encharcavam seu rosto.
(música Off)
~*~
"Oi, Rin.. sou eu, Seshomaru... me liga... a Rin, atende, eu sei que você está em casa... Ta bom então. Eu ligo mais tarde. TUTUTUTUTU"
A almofada em forma de coração estava molhada.
Molhada das lágrimas da jovem que a abraçava fortemente.
- ah, Sessy... eu não sinto só um amor de amiga por você – e soluçou
