N/A: Eu pensei melhor e resolvi prorrogar essa fic só mais um pouquinho! :)
Obrigada por todas as reviews e pelos pedidos para que eu não a finalizasse ainda. Então, no próximo capítulo, finalmente, Edward e Bella ultrapassarão a última barreira! *feliz*
O próximo capítulo vai demorar mais ou menos de sair, dependendo da quantidade de reviews que eu receber dessa vez! Quero só ver!
Disclaimer: "Twilight", bem como seus personagens, pertencem à Stephenie Meyer. Eu apenas me divirto com eles de vez em quando. (y)
Quebrando Barreiras
"Como?"
Meu coração falhou uma batida. Havia dor nos olhos dele, e eu não conseguia entender o porquê. Puxei o edredom sobre o meu corpo e tentei me aproximar.
"O que houve?"
Eu o ouvi suspirar antes de responder à minha pergunta. Seus olhos se voltaram para o meu rosto lentamente, e quando ele falou, sua voz estava carregada de constrangimento.
"Nós não deveríamos estar fazendo isso, Bella. Você sabe tão bem quanto eu que eu posso lhe machucar seriamente. Você é tão... Frágil... Que eu me sinto culpado só de tocar o seu corpo."
Eu não podia acreditar que estávamos tendo essa conversa novamente. Nas últimas três semanas, nosso relacionamento atravessou barreiras nunca antes permitidas. Quando finalmente as coisas caminhavam para o desfecho que eu tanto desejava, Edward resolveu me pôr de volta em sua redoma de vidro blindado.
Respirei fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções que percorriam a minha mente, para tentar descobrir o que o havia feito desistir, afinal.
Meus olhos já estavam úmidos. Raiva, vergonha... Tudo se misturou e as lágrimas começaram a correr. Tentei conter os soluços, mas os ouvidos de Edward eram sensíveis demais às minhas lamúrias.
"Bella?"
"Você... Você não... Não me deseja..." – O choro descontrolado fazia com que meu rosto ficasse vermelho e inchado. Eu pude ver desespero e choque na expressão de Edward quando eu consegui formular uma frase inteligível.
"Eu... Você gemeu... Sentiu dor..."
"Claro que sim! Eu nunca fiz isso antes!" – Naquela hora, eu o odiava muito. Pouco me importava se ele havia parado por que eu estava sentindo dor. Ele não podia ter parado.
A expressão de Edward tornou-se sombria, mas ainda havia dor em seu olhar e cada nota do seu tom de voz musical expressava angústia quando ele falou.
"Eu... Creio que o melhor a fazer agora... É deixar você sozinha... Se você quiser, é claro!" – Ele acrescentou quando viu mais lágrimas se formando nos meus olhos. Instintivamente, eu pus meus braços ao redor do pescoço dele, trazendo-o para perto de mim, e beijando-o lascivamente. Num primeiro momento, parecia que ele iria ceder, mas no instante seguinte, eu senti o par de mãos duras como mármore afastando-me o mais delicadamente possível, mas decidido.
"Bella... Eu tenho que ir..."
A torrente de lágrimas se intensificou. Ele não me quer... Ele não me quer. Eu tentava arrancar essas palavras da mente, mas elas pareciam gravadas a fogo. Por causa das lágrimas e de sua velocidade descomunal, não vi quando Edward se vestiu; Quando percebi, ele já estava ao lado da janela, olhando-me com profunda mágoa. O desespero falou alto dentro de mim, antes que eu pudesse racionalizar as palavras, elas escaparam dos meus lábios:
"EDWARD MASEN CULLEN, SE VOCÊ SAIR POR ESSA JANELA AGORA EU NUNCA MAIS – NUNCA MAIS, OUVIU BEM? – VOU QUERER TE VER NA MINHA FRENTE!"– Eu gritava. A dor misturada ao desespero.
"Perdoe-me por isso, Bella..."
Dizendo isso, ele desapareceu. Corri até a janela e lancei um olhar na escuridão, tentando distinguir um borrão pálido afastando-se. Quando o meu corpo finalmente começou a protestar de frio, eu a fechei e pensei ter ouvido lá ao longe um sincero "eu te amo".
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O hálito frio da manhã penetrou o quarto pelas frestas da janela. Mais um dia escuro e úmido em Forks. Por causa da noite passada, eu não tive cabeça nem para me agasalhar devidamente, e dormi apenas com a roupa de baixo e um suéter velho que estava à mão. Com muita sorte, não fiquei resfriada.
Já era tarde quando desci para tomar o café da manhã. Ainda pude ouvir a viatura de Charlie sendo manobrada do lado de fora da casa enquanto tomava um longo e relaxante banho. Uma olhada rápida no espelho confirmou as minhas previsões: olheiras enormes e roxas, olhos vermelhos e inchados e o rosto marcado pelas lágrimas.
Havia um bolo em minha garganta que não tinha se desfeito. O cereal simplesmente não descia e eu tomei quase toda a garrafa de leite num só gole para não engasgar. Quando já estava à porta de casa, com as chaves da minha picape na mão, os meus olhos encontraram um calendário; era sábado.
Resmungando por causa do descuido, me arrastei até o quarto novamente, me desfazendo da capa de chuva e das botas impermeáveis. O meu corpo desabou sobre a cama e eu me enrolei como uma bola, tentando fechar a mente para os pensamentos que agora me ocorriam...
Eu havia dito a Edward para não voltar. Eu estava tão magoada com a sua (falta de) atitude que praticamente o expulsara de minha vida. Será que ele teria levado a sério as minhas palavras? De repente, me senti culpada. Eu devia saber que ele havia parado por medo. Medo de me machucar, medo de não conseguir conter sua força ou seus instintos, e acabar me destruindo.
As lágrimas já começavam a se formar novamente em meus olhos, mas eu estava decidida a fazer alguma coisa para reparar os problemas da noite anterior. Enxuguei as lágrimas com as costas das mãos e encarei o teto por algum tempo, buscando inspiração.
Num sobressalto, pulei da cama e corri escadas a baixo, pegando minha capa de chuva e a chave do carro no caminho. Não sabia o caminho, mas tinha certeza de que conseguiria chegar até lá.
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A chuva estava forte. O pára-brisa não estava dando conta da quantidade de água que caía e a visibilidade estava horrível. Eu sabia que estava fora da cidade já há algum tempo, mas não sabia se seria seguro parar para tentar me localizar. Rezando para não estar perdida, continuei dirigindo.
Poucos quilômetros depois, a caminhonete começou a fazer um ruído mais alto do que o já habitual. "Por favor, aqui não, aqui não..." eu pedia enquanto dava leves pancadinhas no volante. Não fomos muito longe. Meu carro velho e valente finalmente cedeu.
Eu estava longe de casa, em meio a um temporal, numa estrada pouco movimentada nos arredores de Forks e sozinha. Pode haver alguém mais sortudo do que eu?
Para meu júbilo, ao menos o aquecedor ainda estava funcionando. Liguei-o na potência máxima e alonguei-me confortavelmente sobre o banco da caminhonete, sabendo que ficaria de molho ali por um bom tempo. Por acaso, o meu cd player havia sido esquecido no porta-luvas, então eu simplesmente o liguei e tentei relaxar ouvindo música.
Em algum momento, devo ter dormido, porque quando abri novamente os olhos, minhas costas estavam levemente doloridas e eu estava afastada do lado do motorista. Lá, ocupando o lugar onde eu antes estava acomodada, estava Edward, olhando-me com ar sombrio.
"O que pensa que está fazendo?"
"Bom dia para você também." – Eu podia quase sentir a angústia das suas palavras no ar. Suspirei, sentando-me decentemente no banco do carro e finalmente encarando-o.
"Eu precisava ver você."
"E aí você sai nesse temporal? Bella, o telefone celular é uma invenção extremamente útil, você deveria experimentar." – A acidez de suas palavras fez com que eu me encolhesse. Baixei os olhos para as minhas mãos, enquanto as contorcia compulsoriamente. O mau humor de Edward não estava nos meus planos.
Pude ouvi-lo respirar ruidosamente, provavelmente tentando se acalmar, e então ele tornou a falar, dessa vez sem emoção:
"Por que quer me ver?" – Eu podia ver pelo canto dos olhos que ele estava me observando. Sabia que estava corando, pois senti meu rosto repentinamente quente.
"Desculpar-me..." – Murmurei para mim mesma, mas sabendo que a audição perfeita dele não deixaria essa declaração escapar. Arrisquei um olhar rápido para ver sua reação e me deparei com o par de olhos cor de ouro líquido cheios de ternura. Ergui um pouco o rosto, para ter certeza do que estava vendo.
"Você não está com raiva de mim?" – Arrisquei.
"Se tem alguém aqui com direito de sentir raiva de outro, esse alguém é você, Bella." – A resposta soou triste, mas ele lançou-me o sorriso torto que eu tanto amava.
A chuva lá fora ficava mais forte e agora eu podia ouvir o roncos dos trovões vindo das montanhas. Nós estávamos nos encarando, sem saber exatamente o que dizer um ao outro. Edward foi o primeiro a se mexer; apoiando o cotovelo no painel do motorista, ele levou o dedo indicador e o polegar à ponte do nariz, pressionando-o, como sempre fazia quando estava se culpando por algo.
"E se eu disser que não estou com raiva de você?" – Eu precisava fazê-lo sentir-se melhor. Não era culpa dele se eu havia resolvido seduzi-lo da maneira mais cruel possível.
"Você deveria. Aliás, deveria ter levado a sério suas próprias palavras. Seria o melhor a fazer..." – Ele falava num tom baixo e melancólico, quando tentei argumentar, ele ergueu a mão que não estava no rosto, num pedido mudo para que eu esperasse ele concluir o pensamento. – Mas não pense nem por um segundo que eu lhe obedeceria. Já lhe disse uma vez, Bella. Eu não posso mais sobreviver nesse mundo sem você. – Havia um brilho nos seus olhos quando ele fez essa declaração e isso fez meu coração pular. Eu sabia que Edward podia ouvi-lo fazendo verdadeiros loops dentro da minha caixa torácica e corei ainda mais. Ele riu, satisfeito com as sensações que só ele podia despertar em mim, eu imaginei.
"Eu não deveria ter interrompido as coisas daquela maneira..." – Edward continuou falando, aproximando-se lentamente de mim. Eu não queria que ele escutasse meu coração com mais clareza do que já escutava, então recuei até bater com as costas na porta do carona. Abri os olhos o máximo que pude e quase surtei quando o senti aproximar lentamente sua cabeça do meu peito. Ele aninhou-se ali e soltou uma longa exclamação de satisfação.
"Aahh..."
Temendo que ele se afastasse se fizesse algum movimento brusco, levei minha mão da maneira mais lenta que pude até os seus cabelos, começando a fazer um carinho suave. Os fios de cabelo dele tinham uma textura macia e um aroma delicioso, quase intoxicante. Edward emitiu um som semelhante ao do ronronar de um gato e eu ri intimamente, lembrando da comparação que ele havia feito de si mesmo com um leão da montanha.
Acomodando-me melhor no banco da caminhonete, Edward acabou ficando entre as minhas pernas. Apesar dos meus sentidos estarem fora de si, eu mantinha minha mente limpa; a última coisa que eu precisava agora era ser repelida novamente pela criatura que eu mais amava nesse mundo. Para minha surpresa, eu senti os lábios frios roçando suavemente na minha clavícula, enquanto uma das mãos dele agarrava uma das minhas pernas. Prendi a respiração, sem saber o que fazer. Pude ouvi-lo rir baixinho contra a minha pele antes dele se levantar e me pedir, divertido:
"Bella respire." – Soltei o ar, confusa. Olhei-o tentando entender o que se passava em sua mente e então seu sorriso tornou-se um pouco mais largo, deixando à mostra os caninos brancos e afiados.
Edward aproximou seus lábios dos meus, iniciando um beijo suave. Sem reservas, a língua dele deslizou para a minha boca, experimentando os sabores dela. Eu estava ficando sem ar, e me lembrava constantemente de puxá-lo com força pelo nariz, para não desmaiar. Quando interrompemos o beijo, estávamos sentados e os olhos de Edward estavam levemente escurecidos, deixando exposto todo o seu desejo reprimido. Ainda sorrindo, ele aproximou os lábios da minha orelha esquerda e sussurrou, enquanto dava beijos leves no lóbulo:
"Eu sei que posso fazer isso... Confie em mim."
Se havia uma pessoa no mundo em quem eu confiava esse alguém era Edward. Sentindo um frio na espinha, eu acenei positivamente com a cabeça. De repente a cabine da minha picape não era tão espaçosa como eu costumava pensar. Nós trocamos um olhar cheio de significados e, antes de tornar a beijá-lo, eu sussurrei contra os seus lábios:
"Eu estou em suas mãos agora."
