Garoto Vitrine – Capitulo 2.

Notas da autora:

Ola pessoal! Está é meu primeiro fic de YuYu Hakushô,esta é uma fic Ua com person's em OCC. Espero que gostem está bastante divertido. Este fic é dedicado a minha Diva Madam Spooky!

Disclaimer: Os personagens de YuYu Hakushô não são meus. Por que nos dia em que os ganhar de presente o Kurama será o personagem principal e terá um romance com a Botan. u.u

Casal protagonista: Kurama & Botan.

#Garoto Vitrine #

Por: Lyra Kajin

Revisora: Madam Spooky.

#Capitulo 2.#

O relógio marcava 17:42.

"Muito bem, Keiko, vamos resolver esse impasse de uma vez por todas. Agora!".

"Eu concordo, Botan, afinal isso tem que acabar uma hora". – Respondeu Keiko com os olhos fixados à frente.

"Com qual desses vestidos eu devo ir, Keiko?" – Falou Botan já com os olhos embargados, desmoronando em cima das peças.

"Eu continuo com aquele vestido preto com o dragão dourado".

"Você tem certeza disso, Keiko?" – Perguntou, fitando a peça nas mãos.

"Mas é claro que sim, ela tem tudo o que você deve demonstrar hoje... Delicadeza, elegância e força! Afinal, não é qualquer uma que consegue vestir um desses". – Falou se sentando ao lado da amiga.

"E eu, Nitta Botan, uma das sócias da mais conceituada agência de modelos de Tóquio sou a pessoa perfeita para usá-lo!" – Falou se levantando e começando a rodopiar em cima da cama com o vestido em mãos.

"Que tal a minha querida sócia começar a se arrumar? Caso contrário vai acabar ficando sem acompanhante". – falou Keiko, sorrindo quando Botan parou subitamente seus rodopios e desmoronou em cima da cama.

"Mas..." – Começou Botan com os olhos arregalados.

"Mas o que?" – Keiko sabia que isso não era um bom sinal.

"E se ele for um maníaco, assassino, lunático e tarado?" – Perguntou Botan, em pânico, saltando da cama para o chão. "É melhor eu levar um canivete!".

"Botan!" – Keiko deu um grito segurando a amiga pelos braços e a sacudindo. "Botan, ele não é maníaco e a parte do tarado não estava na descrição pessoal dele".

"Mas Keiko..." – Botan ainda tentou retrucar.

"Mas nada. Para o banheiro! Vá tomar seu banho e cuidado com o cabelo, não temos tempo de arrumar ele de novo!". – Keiko já bufava ao terminar as palavras.

"Ok... mamãe". – falou Botan, se dirigindo ao banheiro.

"Mamãe é a sua..." – Antes que Keiko pudesse terminar sua adorável frase a campainha da casa tocou.

A primeira atitude de Keiko foi olhar para o relógio. 18:12.

"Keiko, muito cuidado. Se for um maníaco não o deixe entrar!" – Gritou Botan do banheiro enquanto Keiko se aproximava da porta. "Deve ser o Koiji, mate-o para mim está bem?" – Terminou as gargalhadas.

"A única pessoa que eu vou matar aqui vai ser você, sua..." – Keiko abria a porta enquanto gritava com Botan no banho e nem se preocupou em ver quem poderia estar do outro lado dela antes.

"Boa noite". – Falou em tom calmo.

"Boa..." – O rosto de Keiko corou no mesmo instante. 'Deuses, essa não é a voz daquele lunático do Koiji'. "Noite". – Terminou de falar, se virando e se deparando com um par de olhos verdes a sua frente.

"Nitta Botan?" – Perguntou sem compreender a reação da jovem. 'Mais uma louca não!'.

"Quem... gostaria?" – Perguntou Keiko, ainda sem encontrar as palavras.

"Kurama, acho que tenho um jantar as 19h00min e como me deram um endereço de residência, imaginei que devesse chegar mais cedo". – Concluiu com um ligeiro sorriso no rosto. 'Essa ai está mais perdida do que eu'.

"Sim, é claro!" – Keiko quase gritou ao voltar do transe. "Ela está terminando de se arrumar, queira entrar, por favor". – Falou dando espaço para que o mesmo adentrasse o local.

Ele acenou positivamente em sinal de respeito e adentrou a casa. Era uma bela casa, muito bem decorada, o que o ruivo pode perceber ao passar seus olhos rapidamente pela sala. 'Pelo menos tem gosto'.

"Por favor, queira se sentar, eu vou lhe buscar um suco". – Keiko nem se quer deu tempo a Kurama de responder se queria ou não o suco e saiu imediatamente para a cozinha.

"Eu agradeço pelo suco". – falou o ruivo baixinho quando a jovem já havia saído da sala sorrindo.

Assim que chegou à cozinha, Keiko precisou de alguns instantes para pegar o suco. Mal acreditava no que tinha acabado de adentrar a casa. Um rapaz de longos cabelos ruivos muito bem tratados, olhos imensamente verdes, que por acaso não pareciam lentes, vestindo uma bela calça social com um blazer impecável preto por baixo de uma tradicional blusa branca que provavelmente deveria ser de linho. 'Ele está impecável!' – Concluiu Keiko, ainda abismada, voltando com o copo de suco em mãos.

O ruivo na sala estava sentado 'Apesar desses móveis serem muito bem colocados e de ter uma boa decoração, pela recepção imagino que você não seja assim tão responsável quanto tenta aparentar ser'. – O ruivo pensava, fitando os lados. Ouvia passos, mas eles pareciam vir de duas direções opostas a que estava.

"Aqui está" – Falou Keiko, entregando ao ruivo o copo de suco.

Mesmo com a jovem ao seu lado, o ruivo ainda ouvia passos.

"Keiko não acredito que você deixou esse incompetente do Koiji entrar nessa casa...".

Falava Botan, já apontando na sala envolta em uma toalha de banho e com uma toca plástica na cabeça. A jovem, desligada como sempre, nem se quer havia notado a presença do jovem ruivo na sala, que fitou a aparição da mesma pelos cantos dos olhos 'Agora tenho certeza de que ela é louca'. Keiko olhava pra a amiga buscando palavras, mas as mesmas não conseguiam nem sequer chegar a sua boca.

"Olha só, eu já falei que não quero nada com você será que você é burro mesmo ou está só fingindo?" – Quando Botan finalmente se virou sentiu seu coração parar e todo o seu corpo congelar em segundos. 'Deuses esse com certeza não é o Koiji'.

"Botan, este é o seu acompanhante, Kurama". – Falou Keiko perante o silêncio mortal da amiga.

"Boa noite, Nitta Botan". – Falou o ruivo, fitando-a de cima a baixo envolta na toalha com um meio sorriso no rosto. 'Pode ser completamente louca, mas pelo menos é bonita'.

Não houve resposta pelo lado da jovem. Ela apenas continuou ali parada, vendo o ruivo sentado a sua frente e sua amiga ao seu lado. O olhar dela se desviava de um para o outro. 'Botan você está na frente dele apenas de toalha'.

"Háááááááááá´". – Botan deu um grito e saiu correndo em direção ao quarto, seguida de Keiko 'Eu não acredito que ele acabou me vendo assim'.

"Botan, espera ai!"

O ruivo, no entanto, continuou na sala vendo as duas jovens saindo às presas e começou a rir quase que descontroladamente. 'Pelo menos sei que vou me divertir esta noite'.

"Keiko... ele é o... o meu..." – Botan andava de um lado para o outro dentro do quarto se lembrando do rosto do ruivo.

"Botan, ele é seu acompanhante".

"Mas... mas ele me viu assim!" – Falou, fazendo um bico.

"Talvez se você tivesse se arrumado mais cedo nada disso tivesse acontecido".

"Mas... é que...".

"Sem mais, Botan, já são 18:30 e você ainda está com uma toalha enquanto aquele ruivo lindo que nos custou 800,00 dólares para te acompanhar está impecável". – Keiko falou de uma vez, deixando a amiga sem ação.

"Ele está mesmo bem arrumado?" – Perguntou Botan, descrente.

"Ele está perfeito". – Concluiu Keiko com uma piscadela. "Agora se arrume logo antes que ele nos cobre pelos minutos que ficou te esperando".

Keiko acenou positivamente para a amiga e saiu do quarto em seguida. Chegando à sala, o ruivo sorria, mas desta vez ao celular.

"Estou trabalhando, não tenho culpa se você trabalha de dia".

"Poxa vida, você sempre trabalhando... Vai ficar louco assim, sabia? Pior do que isso, vai ficar careca e vai crescer uma espinha enorme bem no meio dessa tua cara de mauricinho".

"Tudo isso por uma bebida? Já sei, perdeu tudo no jogo!" – falou o ruivo rodando os olhos.

"Que jogo o caramba, é que é um saco sair para beber só com o Kuwabara! Você sabe muito bem que só sai briga e a velha fica querendo ir junto, ai não dá né?".

"Já que é assim, por que todos não enchemos a cara amanhã? – Falo o ruivo, fitando Keiko ao lado na sala "Não tenho nada marcado, você nunca tem nada à noite mesmo e o Kuwabara... Ah, esquece o Kuwabara!" - falou o ruivo, olhando para o relógio.

"Então tá fechado, Kurama, amanhã a gente vai beber até cair no chão e os cachorros lamberem a nossa cara!".

"Bom, se esse é o seu tipo de diversão, Yusuke, para mim tudo bem, mas pode esquecer a parte do chão e dos cachorros".

O ruivo desligou o celular e pode perceber que, atrás de si, a jovem louca, antes vestida na toalha, se aproximava. Ao virar para trás pode vê-la em um belo vestido preto, bastante justo ao corpo, o que muito valorizava suas formas, e que era transpassado por um enorme dragão dourado. Ela tentava manter um ar sério, mas, provavelmente lembrando-se de momentos atrás, não conseguiu evitar corar um pouco quando o viu. Seus cabelos caiam soltos pelas costas e uma parte do colo da mesma.

"Então, vamos?" – Perguntou Botan, tentando manter o ar sério e intelectual.

"É claro, mas acho que você estava mais à vontade na toalha". – Comentou o ruivo sem se alterar, ficando de pé.

Botan parou por alguns instantes, fitou a face de Keiko e em seguida a do ruivo que parecia ter dito a coisa mais natural do mundo; voltou a olhar para Keiko que lhe gesticulava alguma coisa que não conseguia compreender.

"Escuta aqui... O que é que você está pensando ao dizer isso, heim seu... seu..." – Botan apontava com o dedo indicador para o rapaz, se aproximando furiosa dele. 'Como ousa falar assim comigo. Será que você não sente o cheiro do perigo?'.

"Acompanhante". – Acrescentou o ruivo sem delongas. "Pode me chamar de Kurama. Como é um jantar profissional, imagino que venha a manter mais as aparências".

Botan rodou os olhos e antes que pudesse pensar em uma boa resposta, foi lançada para fora da casa por Keiko, que ainda gritou alguma coisa referente ao horário do jantar.

"Hei, Keiko, a chave do meu carro!" – Botan gritou, batendo na porta. 'Não acredito que me deixou aqui sozinha com esse maníaco metido a intelectual'.

"Sinto muito, mas acho que deveríamos ir no meu carro". – Falou o ruivo no mesmo tom calmo de antes. Ele havia observado toda a cena de Botan à porta. Ela parecia que tinha sido despejada pelo marido ou algo parecido.

"E eu posso saber por que você acha isso, ruivo?" – Botan perguntava rodando os olhos.

O ruivo apenas sorriu com o tom irônico da jovem.

"Bom, por se tratar de um jantar de negócios e por você ter me contratado, ao certo são pessoas que prezam muito os bons costumes e, apesar de estarmos no século 21, vivem mantendo regras do século 19. Devem se valer muito pela aparência, por isso você pediu para que eu estivesse impecável e está usando este vestido. Além disso, nada mais normal e convencional do que o homem da relação guiar o carro". – o ruivo terminou com um sorriso. Sabia, afinal, que tinha vencido a jovem. Botan rodou os olhos mais uma vez e bateu intensamente com o pé direito no chão. Fitou o ruivo com seu sorriso de vencedor e bufou.

"Tudo bem, mas e se você tentar algo mais comigo além do jantar?" – Perguntou Botan, olhando diretamente para os olhos dele. 'Agora você não me escapa, ruivo!'

"Terminado o jantar, eu te trago em casa. Até porque você não pagou para isso". – Kurama falou calmamente, já seguindo para a rua.

"Pera ai o que você quis dizer com pagou?" – Botan gritou, correndo atrás do ruivo.

Durante todo o caminho até o restaurante Botan foi explicando como o ruivo deveria se portar e que tipo de gente eram o Jiriah, as pessoas com as quais iriam jantar. Agora era o ruivo que não agüentava mais ouvir a voz da jovem. Quando Botan se fez parecer que começaria toda a explicação mais uma vez, Kurama não suportou.

"Botan"

"Nitta Botan, por favor". – Falou, quase perdendo o fôlego. 'Afinal quem você pensa que é para me chamar pelo primeiro nome?'

"Tudo bem, Botan" – Falou sorrindo "Eu compreendi da primeira vez que você falou".

"Se compreendeu, por que não me disse nada?" – perguntou furiosa.

"Talvez por que você ainda não tenha me dado à oportunidade". – Comentou com o tom de voz sempre calmo.

"Você sempre tem resposta para tudo?" – Perguntou, rodando os olhos mais uma vez. Afinal, era o primeiro homem que conseguia tira-la do sério tão rápido.

"Na verdade tenho"

"Húr" – Deixou escapar ao ser contrariada mais uma vez.

"Outra coisa: quando você roda os olhos e chuta o chão, balança as mãos ou suspira muito fundo, é um sinal de que você foi contrariada e de que está perdendo a sua linha sabia?" – Kurama perguntou, já adentrando o estacionamento do restaurante.

"E eu posso saber como você sabe de tudo isso?" – Perguntou, meio revoltada, meio desconfiada. 'Será que ele é paranormal?'

"Enquanto você desfilava, eu fazia a faculdade de psicologia". – Falou o ruivo já parando o carro. Botan saiu em seguida, antes mesmo de Kurama. "E então, qual vai ser a nossa desculpa?" – perguntou, trancando o carro e fitando o restaurante.

"Desculpa? Para que?" – Botan estava desnorteada, afinal estava no jantar mais importante de sua vida com um estranho que, apesar de bonito e impecável, era um psicólogo paranóico.

"Estamos quase 10 minutos atrasados". – Fitando o relógio.

"Droga, droga!" – Botan exclamou, começando a correr com o ruivo sendo literalmente arrastado por ela.

Logo um dos garçons foi guiando o casal até a mesa na qual, de longe, se podiam identificar três pessoas: um senhor que aparentava cerca dos 60 anos e dois jovens que deveriam ter mais ou menos a mesma idade que Botan e Kurama. Ambos seguiam para a mesa onde com certeza já haviam sido anunciados.

'Pense, Botan, pense!' – Botan seguia de braços dados com o ruivo, tentando imaginar uma saída para o atraso, no entanto seu corpo estava trêmulo e suas mãos geladas. 'Kami, o que eu vou fazer?'.

Eles já se aproximavam da mesa e o ruivo conseguia sentir nitidamente as mãos trêmulas e frias de Botan ao seu lado. Apesar de estar de blazer, a mão da jovem estava tão fria que passava instantaneamente por suas vestes. 'Se continuar assim vai ter um troço antes de chegar à mesa'.

Enfim chegaram à mesa, os sorrisos nitidamente voltados para eles, aparentando que todos aguardavam uma explicação. Mesmo que Botan tentasse pensar em algo para falar, parecia que as palavras sumiam em sua boca. O ruivo ainda fitou a jovem mais uma vez. 'Perdida'.

"Sentimos imensamente pelo atraso... Mas fui forçado a trocar meu par de meias três vezes porque não estavam combinando!" – Falou o ruivo com calma e sutileza, arrancando sorrisos das pessoas à mesa que logo sinalizaram para que eles se sentassem.

Botan sorriu em seguida e se sentou ao lado de Kurama, tentando ao máximo transparecer normalidade. 'Não acredito que ele me salvou com uma desculpa dessas?'

"Tenho que dizer que Nitta Botan é muito mais bonita pessoalmente". – Falou o senhor em sorrisos, o que fez Botan acordar de seus pensamentos.

"É muita gentileza, Senhor Jiriah" - Botan respondeu quase que automaticamente, suas mãos tremiam, seu coração estava acelerado e ela estava a ponto de ter um colapso.

"Estes são meus filhos que vieram para me fazer companhia e você?" – Perguntou fitando Kurama.

"Shuuichi Minamino, noivo de Botan. É um grande prazer poder lhe conhecer pessoalmente, ela está me falando deste jantar a mais de um mês!" – Sorrindo.

"O que?" – Botan respondeu automaticamente, sem nem ao menos pensar antes de falar. 'Quem você pensa que é para falar isso de mim?'.

"Não tem com que se preocupar, querida... "– O ruivo falou, batendo de leve no braço dela em sinal de negação. "Eu tenho certeza de que eles a acharam encantadora!". – O ruivo deu um leve sorriso a jovem, por sorte o deslize passou despercebido.

O jantar seguiu com vários sorrisos por conta do ruivo e do Sr° Jiriah, que insistiam em contar inúmeras piadas à mesa. Parecia que o ruivo tinha caído nas graças da família. Botan tentava se manter o mais natural possível, no entanto ela não conseguia fazer isso muito bem. Apesar dos sorrisos, estava tão temerosa com o comportamento do ruivo que acabou se esquecendo de seus próprios movimentos.

Deixou o talher cair no chão.

"Droga". – Falou baixinho, com o olhar extasiado.

"Não se preocupe, Botan, eu peço outro para você" – Kurama se pronunciava educadamente e nem sequer deixou a jovem pegar o que ela tinha derrubado no chão.

Derrubou a taça de água em cima da mesa.

"Eu sinto muito" – Falou, desesperada, vendo a água tomar uma pequena parte da mesa.

"Pelo menos eu não estou sentindo mais calor". – Comentou o ruivo com um sorriso, mesmo após ser o maior prejudicado com a queda do copo.

Desequilibrou-se ao sair da mesa e quase caiu no chão após tomar três taças de vinho.

"Há!" – Exclamou, já se preparando para o impacto no chão.

"Tudo bem, Botan?" – Perguntou o ruivo, segurando-a com os braços.

Nesse momento Botan se deu conta do quanto o ruivo era bonito ficando tão perto dele. É claro que Keiko já tinha dito isso a ela, porém ela nunca admitiria um fato desses nem sobre tortura.

O ruivo ainda a segurava 'Garota estabanada desse jeito, ela vai estragar esse jantar e colocar a culpa em mim'. Pensou ao ver os olhares sobre eles vindos da mesa.

"Ainda bem que eu tenho carteira de motorista!" – Falou em tom irônico e em seguida tudo já tinha voltado ao normal.

"Obrigada". – Botan falou baixinho, já se recompondo. 'Droga de acompanhante perfeito! Eu deveria ter escolhido alguém com mais defeitos... Mas como poderia saber que essa pessoa existia de verdade?'.

Tirando tais incidentes, o jantar aconteceu em um tom bastante tranqüilo e normal. Havia vários sorrisos sempre a mesa e o patriarca da família Jiriah parecia bem interessado na agência após Botan ter explicado nos mínimos detalhes como ela costuma atuar na cidade e da influência que tem em geral, tanto no ramo da publicidade como em afins.

"E então, Minamino, você não têm nenhuma opinião a respeito?" – Perguntou o patriarca interessado na resposta do ruivo.

"Eu só tenho voz fluente dentro de um laboratório ou como um psicólogo de modelos traumatizadas. Fora disso nem ao menos sei combinar o cinto com o sapato, até por que até hoje não entendi por que eles têm que estar combinando." – O ruivo fez uma feição de desentendido 'Por que eu dei meu nome verdadeiro para ele?' E Botan mal acreditava que ele havia conseguido mais uma vez sair de uma situação com tanta classe.

Ninguém presente na mesa sequer suspeitou de toda a armação. Kurama havia se portado perfeitamente durante todo o jantar, todas as gafes partiram por conta de Botan que graças aos esforços do ruivo foram perfeitamente contornadas. Assim que o jantar terminou, juntamente com todas as negociações informais, os Jiriah aparentavam uma grande satisfação e essa sensação foi confirmada com o pedido para que um advogado dos mesmos fosse a agencia de Botan no dia seguinte para que pudessem fechar contrato. Botan sorria de orelha a orelha e mal sabia o que fazer com tamanha felicidade, nem ao menos parecia se lembrar de agradecer.

"Nós ficamos muito felizes com essa decisão. Podem ter certeza de que Botan é uma pessoa extremamente competente e nunca irá decepcioná-los". – O ruivo falou, sorrindo e agradecendo enquanto beliscava Botan nas costas de forma que ninguém podia ver.

"Será uma grande honra para a Galaxi trabalhar junto com os senhores!" – Falou Botan, sendo acordado do sonho com o beliscão.

Os Jiriah se foram com promessas de um novo encontro em breve e da certeza do advogado no dia seguinte. Botan ainda sonhava acordada enquanto passavam a passos lentos pelo bar. 'Eu consegui! Como posso ser tão incrível e fantástica desse jeito?'.

O ruivo, no entanto, ficou a observar Botan que certamente estava se vangloriando do feito e isso ele concluiu pelo estado alucinógeno em que ela se encontrava. Se aquilo fosse uma cena de filme, certamente ela estaria voando agora em direção ao infinito tamanho seu ego. 'Aff'. – Pensou o ruivo rodando os olhos. 'Pelo menos essa noite já terminou e posso voltar para casa'.

"Muito bem, parece que a noite foi um sucesso, então posso te deixar em casa. Meu trabalho já terminou, afinal". – Disse Kurama, feliz por ter conseguido, apesar dos pesares, concluir a noite com sucesso 'Garota desastrada. Se fosse por você tudo teria ido pelos ares'.

"Do que você está falando, ainda são 22h30min." – Botan falou em total desagrado olhando para o relógio.

"Meu trabalho era te acompanhar no jantar e pelo que eu posso ver ele já terminou" – Kurama disse, olhando para os lados quando percebeu Botan se sentando em uma cadeira no bar logo ao seu lado.

"Tem toda a razão, ruivo, por dizer que seu trabalho era me acompanhar no jantar... no entanto eu paguei por você o equivalente a uma noite inteira e até onde eu sei a noite só termina a 00h00min" – Botan falou, triunfante, fazendo um sinal para o relógio, com um sorriso sapeca no rosto. "Então você é meu por mais uma hora e meia". – Terminou com uma piscadela para o ruivo que a fitava incrédulo.

Kurama terminou por suspirar ao lado da jovem que já fazia o pedido de duas bebidas. 'Droga, apesar de ser extremamente atrapalhada parece que é inteligente o suficiente ao concluir que eu devo ficar'. O ruivo suspirou enquanto se aproximava do balcão do bar.

"E eu posso saber o que você quer de mim nesta uma hora e meia?" – Ele perguntou, se sentando ao lado dela.

"Que tal me acompanhar na bebida?" – Botan disse já tomando um gole. Entregou o outro copo ao ruivo já aparentando um estado muito mais feliz e estabanado do que o normal.

"Eu dispenso, mas se quiser me pagar um suco eu posso te acompanhar". – Ele apenas voltou o copo de bebida para a jovem.

"Você não bebe, ruivo?" – Botan já terminava o primeiro copo.

"Até bebo, mas em outras ocasiões, não quando estou trabalhando". – Disse, seco.

"Que interessante, ruivo" – Tomou um gole do copo que era inicialmente dele.

"Kurama, não ruivo". – ele a repreendeu, tomando um gole de suco. 'Quem ela pensa que é para ficar me chamando de ruivo desse jeito?'.

"Como queira, RUIVO" – Repetiu mais uma vez em alto e bom som, fazendo Kurama olhar para ela com um olhar de negação que Botan mal conseguiu distinguir. Ela já tomava o terceiro copo.

Haviam se passado mais quarenta minutos e Botan já estava na terceira garrafa de saquê, depois de ter tomado cerca de oito doses da bebida anterior que Kurama nem sequer chegara a saber qual era, mas que pelo cheiro ele suponha que era whisky ou algum derivado.

"Essa sua garota bebe muito mesmo, não acha que é hora de fazê-la parar?" – Perguntou o barman, aparentemente preocupado com a situação em que Botan se encontrava.

"Quem sabe se ela desmaiar eu serei poupado da conversa dela no caminhão de volta?" – O ruivo falou, tomando um gole de água.

Eram 23h35min e Botan ainda permanecia de pé, se é que se podia chamar aquele estado de em pé. O ruivo rodava os olhos só de se lembrar que era ele a companhia dela. 'Se eu for embora, posso ligar para a casa dela avisando que está aqui para que alguém com a paciência de Athena possa vir buscá-la'. – O ruivo acabou se recriminando por pensar desse jeito. 'Que tipo de pessoa eu serei se fizer isso?'.

"Feche a conta desta criatura abençoada pelos deuses, por favor, e não dê mais nada a ela". – O ruivo falou ao barman que acenou positivamente enquanto Botan ainda tomava aquela que seria sua última garrafa de saquê da noite.

Em seguida o ruivo pagou a conta e se voltou para Botan, segurando-a por um dos braços.

"Muito bem, sua pequena alcoólatra, hora de ir para casa".

"Eu vou... com você... ruivo?" – Botan perguntava, se aproximando dos lábios dele.

"Sim, vai se prometer se comportar". – Falou, afastando o corpo dela e pondo-a de pé, dando alguns passos.

"E o que eu vou ganhar... se me... comportar?" – As palavras saiam embargadas da boca de Botan junto com um sorriso totalmente malicioso. Ela fitava o ruivo de cima a baixo.

"Uma grande xícara de café bem forte". – O ruivo falou, já saindo do restaurante com ela.

Com alguma dificuldade e em meio a alguns murmúrios inaudíveis, conseguiu colocá-la dentro do carro. Deu a volta e, ao colocar o cinto de segurança nele mesmo, saiu com o carro do local. Vinte minutos depois, estavam na frente da casa de Botan. Como qualquer bêbado, ela já tinha apagado ao seu lado. O ruivo colocou ambas as mãos no volante, tocando a cabeça com os dedos. 'Eu não acredito que ela realmente apagou'. Ele ainda tentou acordá-la, chamando e dando alguns toques nela e nada. Só então se deu conta de uma coisa: 'Como eu vou adivinhar onde essa maluca colocou a chave da casa?' O ruivo rodou os olhos desesperado.

"Eu deveria ter deixado ela naquele bar".

Continua...

Comentários:

Esta fic é dedicada única e exclusivamente a minha diva Madam Spooky... Espero que este capítulo esteja do seu agrado, afinal ela é sua mesmo!

Pessoal, agradeço a todos que leram e mandaram reviews pelo primeiro capítulo.

A Botan sempre acaba fazendo essas cenas... Ela é um verdadeiro desastre em pessoa. XDD

Coitado do Kurama vai enlouquecer com a presença dela na sua vida, mas isso eu acho que já deu para perceber né?

Prometo mais surtos por parte da Botan e muito mais cinismo por conta do nosso amado e idolatrado Kurama.

E não se esquecem de que estarei muito feliz em ler e responder reviews é claro, se esta fic for digna deles.

Muito obrigada, e até o próximo capítulo o/