Saint Seiya pertence à Masami Kurumada e Toei

O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe

Boa Leitura e divirtam-se :)


As namoradas do zodíaco

por Pisces Luna.

Capítulo XIX: Batom, chiliques, romance e gravata.


O clima estava tenso entre Alex e Sorento, eles não tinham voltado para gêmeos depois do término da festa e passearam pelo santuário até o raiar do dia enquanto todos os outros repousavam da noite anterior.

"Alex, você sabe que eu vou ter que partir, não sabe?"

"Sei" - respondeu ela tristonha evitando encará-lo - "Mas vamos nos ver novamente! Não é?"

"Espero que sim!"

Um silêncio se instaurou deixando uma situação um tanto quanto desconfortável. De súbito ele tomou as mãos dela entre as suas e a fez fitá-lo.

"Você também sabe que nunca deixei de pensar em você um único dia não sabe?"

Ela sorriu bondosamente colocando a mão delicadamente sobre a tez pálida do cavaleiro.

"Eu sei!"

"Alex..." - ele hesitou por um momento, mas prosseguiu logo em seguida tentando transparecer segurança - "Venha comigo!".

"Como?"

"Venha comigo, livre-se dessa prisão que tanto te sufoca! Tiro-a daqui e sem pensar duas vezes tomo-lhe por esposa se for de seu gosto".

Ficou surpresa com a proposta. Por um breve instante viu-se longe do santuário, feliz ao lado de Sorento - que sempre lhe dedicou o sentimento mais sincero - livre de todas as preocupações! Levando a vida normal que sempre cobiçou como uma garota que gozava dos prazeres da tenra idade.

Solta e livre como os pássaros e presa apenas pelos laços de amor que a uniam ao seu general marina. Depois começou a analisar a situação melhor. Teria que desertar ao posto de amazona, por um breve instante viu Saga com uma arma na mão saindo do santuário como um lunático jurando achá-los e matar Sorento. Vislumbrou os cavaleiros dourados desapontados, com ódio por tamanha desonra, algumas de suas amigas felizes por ela com seus pensamentos de que "o amor tudo vence", Yume sentada diante da estátua de Athena, pedindo aos céus para que não os encontrassem, Lilits sendo obrigada a comandar um pequeno batalhão de cavaleiros por todo o santuário na caçada do século. E, por fim, Shion enfartado por causa do desgosto, levando a um derrame ficando com meio corpo paralisado e sua amiga Lolly passando o resto de sua juventude cuidando de um mestre inválido. Sem contar que nunca mais veria seus amigos e dificilmente o perdão de Athena lhe seria concedido caso se arrependesse. Sem dúvida alguma, era uma viagem sem volta.

"Não posso!" - falou finalmente - "Meu lugar é aqui! Ao lado do meu mestre Saga, de meus amigos e da deusa Athena que jurei proteger com a minha vida".

Eles se encararam e Sorento disse:

"Compreendo"

"Sinto muito"

"Então me deixe ver seu rosto por uma última vez".

Ela retirou a máscara tentando conter as lágrimas que marejavam seus olhos, mas não conseguiu e elas rolaram por sua face entristecida. Sorento inclinou-se e começou a secá-las com beijos leves e delicados e seus lábios foram tomados por um gosto salgado. Alex não conseguia mais conter a emoção, nunca fora de demonstrar sentimentos, mas diante da dura realidade não podia fazer outra coisa. Ele beijou-lhe os lábios fazendo-a engolir um soluço, causado involuntariamente pelo seu corpo. O beijo foi se aprimorando até tornar-se lascivo e eles se perderem no momento.

"Devo ir" - anunciou triste - "Bian me aguarda na entrada da casa de libra para que de lá sigamos até a entrada do santuário. Por curiosidade, onde está Athena?".

Aquelas palavras a fizeram despertar de seu transe e a promesa que tinha feito à Saga de não revelar a localização da deusa ao general ressou em sua mente.

"Por que a pergunta?"

"Curiosidade! Nunca mais a vi desde que foi resgatada do templo submarino de Poseidon" - respondeu indiferente - "Alex, última coisa, tome muito cuidado, pois esse lugar talvez não seja o mais seguro daqui a algum tempo".

Ela piscou algumas vezes e a voz tornou-se fria.

"Você sabe de alguma coisa?"

"Não! Apenas temo por você e por Athena!"

"Athena?"

"Poseidon entendeu os motivos que a levaram a proteger tanto esse planeta" - sorri - "Por isso compartilho dos mesmos sentimentos que ele. A justiça e a paz dependem dela".

Ele dá-lhe um último beijo no rosto e sussurra ao pé do ouvido:

"Adeus Alex".


"O que faz acordada tão cedo? Deveria estar dormindo!"

"E alguém consegue dormir com o ronco do Shiryu? Estava ouvindo lá do meu quarto!".

Elena sentou-se no sofá da casa de libra, cruzou as pernas parecendo que ia meditar, colocando logo em seguida uma almofada em seu colo. Bian não pode deixar de dar uma olhada de esguelha e reparar na roupa que ela usava: Um short um pouco curto e uma camiseta simplória. Apesar da vestimenta desleixada, dos cabelos desalinhados e dos olhos um pouco inchados, não deixava de despertar certa chama de inquietação em seu íntimo.

"Onde estava indo?"

"Embora".

"Já?"

"Já!"

"E não ia avisar ninguém? Eu, por exemplo".

"Não queria incomodar-lhe". – respondeu – "Queria agradecer a Dohko a hospitalidade e o terorismo do interrogatório de ontem. Faria-me esse favor?".

"Certo".

"Então vou embora!"

"Vá então!" – respondeu ela tentando parecer indiferente e se sentindo um pouco ofendida. Até que tinham conversado bastante desde a chegada do cavaleiro e agora descobria de que simplesmente iria sem se despedir.

"Tchau!" – ele foi a sua direção com a mão estendida, mas tropeçou em uma saliência do tapete, tombando sobre ela, levando-a a deitar-se no sofá e ter que aparar com as mãos o peso do corpo dele sobre o seu. Os braços fortes de Bian chegaram a tempo de se posicionarem lateralmente ao lado da cabeça dela. Seus rostos a uma distância consideravelmente pequena. Os olhos verdes passaram a olhar minuciosamente o rosto espantado da amazona de libra.

"Desculpe" – respondeu o marina.

"Tudo bem! Agora saia de cima de mim, está me machucando!".

Ele não se moveu, tão pouco piscou. Ficou ali, fitando-a e tentando controlar a respiração descompassada devido à proximidade dos corpos quentes.

"Você está surdo ou o que?" – ela começou a ficar preocupada, os olhos dele a seguiam incessantemente.

Ele desceu com o rosto devagar, entreabrindo os lábios e fechando as pálpebras.

"Não se atreva a..." – tarde demais, Bian já a tinha calado com um beijo; depois se separaram e ele esperava por sua reação.

"Seu idiota! Pare com isso ou...".

"Ou vai gritar para o dragão vir lhe ajudar?" – respondeu debochado - "Uma garota como você merece mais que um paspalho como ele".

"Não tenha nada com Shiryu. Ele é praticamente meu irmão".

"Então eu ainda tenho chance". – sorri sedutor.

"Saia daqui!" – falou tentando se debater e chutá-lo.

"Vou! Mas levo isso comigo!" – ele se inclina mais uma vez e dessa vez da-lhe um beijo mais longo e ousado enquanto ela batia em suas costas tentando livrar-se do homem que a mantinha controlada graças à força. Depois de um tempo eles se separaram ofegantes.

"Não vou perdoá-lo por isso!".

"E nem eu vou perdoá-la por deixar-me maluco dessa maneira, estou perdendo as noites de sono por sua causa, a cabeça...".

"Juro que vai perder a cabeça literalmente, se não sair de cima de mim!". – ela o empurra com toda a força que possui se desvencilhando deste.

"Eu já vou!" – sentenciou Bian retirando-se aos poucos do lugar lançando um último olhar a amazona e rindo vendo-a proferir todos os palavrões que ela lembrava. Elena estava com raiva, mais com ela mesma por ter correspondido "passivamente" as investidas do cavalo-marinho.


A tarde ia caindo e por volta das dezesseis horas Shiryu e Kiki iniciaram sua viagem até Rozan para rever Shunrei. E à medida que a noite chegava o clima dentro das doze casas ia ficando mais tenso e os habitantes inquietos. Hora de se vestirem para a ocasião...

--- Áries ---

"Vou ajudá-lo a se arrumar Mu, não se preocupe! Vamos acabar indo de casal, mas com uma pequena alteração de papéis!" – dizia Yuki analisando o namorado para ver suas medidas.

"Estou com medo de você!"

"Tema Mu".

"ó.ò"

"xD"

--- Touro ---

"Cof, cof! Pare Calisto! Vou morrer sufocado com tanto pó de arroz!"

"Vai nada! Vai ficar lindo. Digo linda!"

"Não vou não! Estou ridículo! E não tem roupa de mulher que caiba em mim!".

"Eu e a Juliane já providenciamos isso" - sorriu - "Certo amazona de touro?".

"Certíssima!" - a bela moça apareceu no quarto do mestre com metade de seu figurino arrumado, faltando apenas alguns retoques e trazendo um enorme vestido florido de cor verde com rendinhas.

"O.õ Hum... eu não conheço esse vestido de algum lugar?" - reflete Aldebaran - "Me lembra um pouco aquela toalha tamanho família que..."

"x)"

"Vocês não..."

"É difícil achar o seu número!" - justificou Juliane - "Estamos indo pela diversão. Não se prenda as coisas materiais".

"Aquela toalha foi dada por uma tia minha juntamente com um conjunto completo de cama, mesa e banho!".

"Por quê?"

"Ela achou que eu já tava velho e devia estar me casando, um pequeno erro de percurso...".

"Sua família quer te desencalhar Aldebaran?" - riu Calisto.

"Oras essa, que piadinha sem-graça! Eu só não achei uma mulher que me complete!"

"Vamos Calisto! Temos que arrumar o nosso querido Deba!" - Juliane abraça-o pelo pescoço. - "Nós te amamos!".

"Eu também amo as duas!" - sorri primeiro para a Juliane e depois para Calisto. - "Só que cada uma de um jeito!" - pensa consigo mesmo.

"Eu vou procurar mais alguns adornos, um colar lá no meu quarto, eu já venho!" - Juliane retira-se deixando-os a sós.

Calisto aproximou-se da cômoda do quarto do cavaleiro de touro arrumando uma fileira de potes e estojos de maquiagem que estavam enfileirados sobre o lugar. Aldebaran ficou olhando-a fazer aquilo e por alguns minutos nenhuma palavra foi pronunciada, ela de costas para ele, com o zelo costumeiro, delicadeza, cuidado, atenção a tudo que manuseava.

Encantadora - repetia para si Aldebaran não mais conseguindo esconder o fascínio incomum que tinha pela delicada e pequena moça. Tudo nela era diferente era perfeição, mas a coisa que mais atraíam, sem dúvida, eram seus olhos. Por muitas vezes tentou definir os olhos de Calisto e nunca conseguiu palavras para tanto. Como falar deles? As palavras faltavam e justo ele que sempre teve a necessidade de definir tudo que o cercava. Olhos que tragavam, afogavam, consumiam...

Por fim, o vocábulo que buscava fazia dias aflorou em seu cérebro quando ela se virou em sua direção - o olhar sereno e meio opaco fitando-o criticamente - trazendo consigo um batom para passar pela boca do homenzarrão.

"Vamos, agora deixe que eu cuide de você!" - respondeu simples, sem um sorriso, um traço, apenas um olhar e as palavras saíram naturalmente dos lábios de Aldebaran.

"Você têm olhos de ressaca como os de Capitu!"

Calisto não entendeu sobre o que se tratava, mas lhe soou exótico.

"Digo que se não tivesse sido cavaleiro, deveria ter sido poeta!" - sorri. - "Quem é Capitu? E por que olhos de ressaca?".

"Eu li isso em um romance chamado Dom Casmurro¹ que foi escrito por Machado de Assis, um importante escritor brasileiro. Conhece?"

"Esse nome não me é estranho!"

"Pois então, Capitu era uma personagem do livro e os olhos dela foram definidos como olhos de ressaca! Machado traçou um paralelo com o recuo das ondas e a definição se aplica também aos seus olhos. Pelo menos para mim". - ele sorri meio sem graça.

"Fiquei curiosa com relação a esse livro. Dom Casmurro foi traduzido para o grego?".

"Eu creio que não! Mas, tenho a versão em português!" - ele se levanta de súbito, vai até o criado mudo localizado ao lado da cama de casal, abriu a segunda gaveta e de lá tirou o exemplar, entregando a ela em seguida.

"Não sei ler nessa língua!" - respondeu a garota folheando as páginas. - "É uma pena!".

"Tenho uma idéia! Venha para cá todos os dias depois do jantar e eu vou lê-lo para você!"

"Vai dar trabalho!"

"Trabalho algum. Faço com muito gosto! A história me agrada!".

Ela ainda sim hesitou por um momento, recuando o olhar e fitando a parede de um modo muito particular seu, mas cedeu por fim, adorava histórias e adoraria ainda mais esta que seria narrada pela companhia que mais lhe agradava em todo o santuário.

"Sabe de uma coisa? Os cavaleiros e amazonas são tudo o que eu tenho! Eu gosto muito de todos vocês, em especial você e Juliane, porque eu me sinto em uma família! Já que eu não sei onde a minha está e você se nega a me responder essa pergunta".

"Por que diz isso?" - perguntou passando a mão pelo pescoço, aparentando nervosismo.

"Está vendo? Fez de novo! Sempre fica nervoso quando pergunto deles".

"Não sei onde está sua família Calisto".

"Então, de onde eu vim? Da cegonha?" - ela dá um sorriso debochado - "Desculpe se sou rude, mas eu não tenho referência nenhuma de nada!" - com o olhar triste fitou os pés - "E eu tenho a impressão que você esconde algo para me poupar!".

"Não é verdade!" - ele respondeu sério, mas sem dizer mais nada. - "Mas, vamos descobrir sobre seu passado, juntos!".

Ela - relutante como um gato assustado - foi puxada para um abraço apertado de Aldebaran que se sentou em uma cadeira e a conduziu para perto dele delicadamente.

"Desculpe!" - ela sussurrou próximo ao ouvido dele. - "Eu nunca mais vou duvidar de você!".

O cavaleiro não respondeu. Sentia-se horrível, péssimo, desleal, crápula. Mas, só queria tê-la por perto para conversar, fazer planos, rir... Não era justo. Como ela reagiria quando descobrisse que não era serva coisa nenhuma? Que na verdade era uma jornalista intrometida que foi fotografar o santuário e perdeu a memória ao ser atingida por um galho de árvore que caiu em sua cabeça?

"Chega disso!" - respondeu Calisto arrumando a armação leve que ficavam equilibrados sobre o nariz - "Hoje é dia de festa! Amanhã começamos o nosso sarau literário".

--- Gêmeos ---

Kanon entra na casa pé por pé, vendo se alguém estava a sua espera.

"Ninguém a espreita!" - conclui.

Ele escuta barulhos e gemidos estranhos vindo do quarto das amazonas, se aproxima e coloca o ouvido na porta, reconhece a voz de Alex, Kassumi e Saga.

"Saga, o que está acontecendo? O que vocês estão fazendo seus safados? Eu também quero brincar!"

"Kanon, seu lesado! Fuja enquanto pode!"

"Por quê?"

Ele escuta passos próximos à porta e depois se abrir.

Kanon caiu de costas no chão vendo sua carrasca se aproximar. Alta. Cabelos prateados. Olhos violetas. Corpo bem desenvolvido...Linda Kasumi de gêmeos.

"Nunca vai me pegar com vida!" - balbuciou se levantando de súbito.

"Não seja teimoso! Você e o Saga vão ficar lindos como par de vasos!

"Nem morto!".

Ela avançou, segurando-o por uns dos braços com firmeza. Alto. Cabelos azuis compridos. Olhos azuis penetrantes. Corpo escultural...Belo Kanon de gêmeos.

"Venha se divertir conosco. Por favor!"

E quem era ele para negar um pedido de sua amada discípula? Aproximou seu rosto milímetros do dela e soletrou devagar:

"N-ã-o".

"Pois, muito bem". - tira de trás das costas uma corda muito comprida - "Vamos ver quem pode mais".

Enquanto isso...

"Saga, você está uma graça!"

"Eu não acredito nisso! Que horror! Eu - Saga de gêmeos - considerado o mais forte entre os 88 cavaleiros de Athena, vestido de... de... mulherzinha".

"Olha o respeito que não tem nada de mais em ser mulher".

"Hunf, você entendeu o que eu quis dizer... ¬¬. Tire essas cordas, por favor!".

"Só depois que eu terminar".

"Alex, o Kanon está lá sala amarrado". - falou Kassumi aparecendo na porta - "Posso levar o estojo de maquiagem?".

"Pode! Só deixa a cera e o pó de arroz".

"Ok!".

"Cera? Para que serve essa tal de cera?". - perguntou Saga fitando-a desconfiado.

"Você já vai descobrir... xD".

"Uhuu, Kanon? Eu cheguei amor".

"Ah, eu fico até emocionado de ouvir você falando assim, mas eu não quero participar das suas sessões sádicas agora".

"Eu? Não! A Alex que é".

"Por que diz isso?".

"Ela queria testar um produto em um pedaço da perna do Saga".

"O.O Que produto?".

"Cera quente ".

Nesse momento, eles ouvem a voz grossa gritando do ambiente ao lado.

"AAAAAAAAAAALLLLLLLLLLLLLLLEEEEEEEEEEEEEEEEEEXXXXXXXXXX".

--- Câncer ---

"Cacá? Onde você está?" - Lolly adentrava o corredor principal da mansão de Câncer. - "HORA DE SE TROCAR PARA A FESTINHA! VAMOS BROTO?".

"Broto?" - ele irrompeu pela porta do seu quarto - "Que gíria medíocre é essa?".

"Eu ouvi o Shion falando isso uma vez em um momento de distração".

"Ele te chama de broto? Oõ".

"Não! Seria TÃO antiquado. Apesar de que eu acho esses momentos dele um charme ".

"Imagino que sim! ¬¬. Ah! Você sabe quem deu esse berro agora há pouco?".

"Não! Mas, parecia a voz do Saga! Acho que ouviram lá da lua".

"Por que Saga estaria gritando?".

"Eu não tenho a mínima idéia!" - Lolly fitou o chão. Será que Alex teria colocado seus planos diabólicos em prática? - "E aí? Vamos nos trocar?".

Máscara bateu com a porta deixando-a com cara de taxo no corredor.

"Não precisa ser agressivo" - ela adentrou pelo portal logo em seguida. - "To entrando...".

"E eu to saindo!"

"Não sem antes ver as vantagens dos produtos que tenho a oferecer". - ela aponta para a pequena malinha que trazia - "AVON CHAMA!" - e o empurra fazendo-o se sentar na enorme cama de casal.

"Lolly, eu NÃO QUERO ME TROCAR! NÃO QUERO IR PARA A FESTA! NÃO QUERO QUE VOCÊ ME ARRUME! E VOCÊ NÃO É MAIS UMA DAS MULHERES DA MINHA VIDA!".

Pronto, isso a colocaria em seu devido lugar - pensou ele satisfeito com sua postura. Quem ela pensava que era para ir invadindo seu quarto e exigindo que ele se vestisse daquela maneira vergonhosa? Quanta ousadia. Agora mostraria QUEM mandava na casa de Câncer. Ele! O temido cavaleiro de ouro. E não ela, a amazona em treinamento. Entretanto, ele nunca esperaria tal comportamento da garota. Abaixar a cabeça e esconder o rosto das mãos, tentando abafar soluços que vinham junto com um choro penoso e sentido.

"Oh não! O que eu fiz?" - pensou consigo mesmo - "Lolly, que diabos! Não... não...". - abaixou-se, ficando de joelhos e no mesmo nível da moça.

"Cacá, você me odeia?".

"SEM SENTIMENTALISMO BARATO"! Ò.ó.

"Snif, snif, snif".

"Carlo, você é um monstro!". - voltou a meditar com seus botões. - "Pare de chorar tá?" - tirou um lencinho do bolso da calça - "Eu não falei sério! Eu não te odeio! Só um pouquinho u.u".

"Ju-ju-jura?".

"Sim! Agora pega esse lenço ¬¬".

A garota pegou o pedaço de pano rapidamente e se virou de costas para ele, fingindo limpar as lágrimas. Sim! Lolly fingira! Mas, e daí? Máscara era mal e não merecia tanta consideração assim.

"Quer dizer que eu ainda sou uma das mulheres da sua vida?".

"Eu não disse isso!" - cruzou as pernas e os braços, virando o rosto.

"i.i".

"Tá bom, tá bom! Mas, só as quartas-feiras!".

"Já é um começo!". - abraça-o.

"Er... eu perdi alguma coisa?". - perguntou Nana que acabara de chegar e estava parada fitando a cena.

"Vem aqui Nana! Abraço em grupo!". - convidou a amazona, jogando a cascata de cabelos prateados para o lado.

"Oh não! O último abraço em grupo que eu participei quase fui esmagada! Por Miro e Juliane lá no shopping".

"Luna não ficará satisfeita em saber que está se espremendo com o Miro xD".

"QUEM FALOU EM SE ESPREMER? OO". - quase cai no chão quando ouve a informação. - "Hunf! E nem Amy quando souber que você e Cacá estão com intimidades".

"Não ouse colocar essas loucuras na cabeça dela! Como se eu pudesse sequer cogitar a hipótese de trocá-la pela louquinha aqui". - respondeu Máscara da morte erguendo-se.

"Você é mal Cacá! ". - respondeu Lolly.

"Hunf! Aonde você vai?". - perguntou á Nana quando viu que esta tinha trocado de roupa.

"Shion mandou me chamar e disse que era urgente! Estou indo lá ver o que ele quer".

"Você volta para me ajudar a arrumar o nosso caranguejo?". – aponta a amazona para o homem.

"Sim! Estou tão feliz com a festa!"

"Esperem um pouco, eu não disse que ia!".

"Oras essas, alguém tem que ceder!".

"E não serei eu!" - passa por Nana e deixa o ambiente.

"Teremos trabalho!". - conclui a amazona.

"É o preço a se pagar!".

--- Leão ---

"Aioria, não fique emburrado" - falava Amy calmamente.

"Como você quer que eu fique? Estou patético e espero que nenhuma serva esteja lá...".

"Vai ser um golpe fatal para elas vê-lo nesses trajes xD"

"Precisamente! o.o Eu. O leão Aioria. Dono da quinta casa zodiacal. Nessa forma vergonhosa".

"Não faz drama! Sabe o que eu estava pensando?"

"No que?"

"Eu tenho uma roupa de bailarina muito bonita, de uma apresentação antiga, em que eu me fantasiei de Sininho, aquela fadinha do Petter Pan. E se eu fizesse uns pequenos ajustes você...".

"NÃO!" - rugiu o leão irritado - "ME NEGO PRONTAMENTE A TAL DESONRA A ORDEM DOS CAVALEIROS DE OURO!".

"Certo. Não precisa falar de forma pomposa. Já reparou que tem essa mania? Quando se irrita lembra-se das palavras mais complicadas".

"Hunf!" - ele se levantou de sua cadeira e rumou para seu quarto - "RECOLHER-ME-EI AOS MEUS APOSENTOS!".

"Esse leãozinho vai dar trabalho! xD" - falou baixinho.

--- Virgem ---

"Mestre! Eu nunca o vi assim!" - Marcella fitava o cavaleiro que estava deitado de bruços sobre um divã com a cara achatada sobre uma almofada de chita. Desde a noite passada o mestre entrara em estado de depressão por algum motivo ainda desconhecido e aparentemente sem propósito.

"Deixe-me morrer! Deixe-me! Que Buda me leve para um dos seis mundos. Eu mereço isso! Mereço!"

"Mas, o que aconteceu para se portar dessa forma?"

"Estou doente!"

"Qual a moléstia que lhe faz sofrer?"

"O coração padece".

"O que?" - agora ela se preocupa - "Então, o problema é físico! Correrei a enfermaria imediatamente e constatarei Aspasie sobre seu estado de saúde!".

Pensou em explicar-lhe o que se sucedera, mas estava cansado para tanto. Não tinha paciência para dizer por que estava assim, a esperança é que a terra o tragasse de uma vez só. Não queria ver nada, nem ninguém, tão pouco queria ser visto.

"Entendo que se preocupe, mas a única companheira que quero é a solidão!" - ele se levanta triste, a voz fraca, a cara amassada, os cabelos desalinhados como nunca. - "Mais tarde aparecerei naquele inferno se fizerem muita questão de minha miserável presença!".

Shaka se dirigiu para o quarto, fechou a porta devagar, a passos lentos chegou a sua cama redonda e deslizou para baixo dos lençóis brancos com a roupa que usava, desfazendo-se apenas das sandálias. O que ele tinha feito? Por que aquilo? Seu anjo beijara-lhe os lábios com ardor e ele retribuía com insegurança e repulsa? Mikage jamais lhe perdoaria. Ele jamais se perdoaria.

--- Libra ---

"Ohohoho. Você está lindo!"

"Muito engraçado Dohko!" - respondia Elena emburrada - "Zeus meu, olhe só como essa camisa fica gigante em mim!" - ela fitava a vestimenta. Usava uma enorme camisa verde-musgo muito comprida que parecia um vestido, uma calça preta que estava caindo, os cabelos presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça e por fim - mas não menos importante - um sapato tamanho quarenta e dois bico largo.

"Você me lembra um pato!" - dizia Dohko tentando conter o riso. A hora da vingança tinha chegado.

"Hunf, é por que você não deixou eu te arrumar!" - respondeu Elena sorrindo radiante por detrás da máscara. Faria com Dohko o mesmo que tinha feito com suas Barbies no passado. Bons tempos aqueles. - repetia para si mesma. Pegaria pasta de dente, álcool, corante artificial, detergente, creme esfoliante e misturaria tudo até que se transformasse em uma pasta pegajosa e esfregaria na cara dele com uma espécie de pincel.

"Negativo! Você não vai me arrumar! Eu pensei que você gostaria de aprontar comigo, por isso chamei outra pessoa para me ajudar!"

"E quem seria?"

TOC-TOC

"Entre!" - gritou Dohko para a pessoa que batia na porta - "Pode vir aqui no quarto!".

Plec, plec, plec, plec - era o barulho dos sapatos da pessoa que vinha pelo corredor até despontar na porta.

"Olá!"

"Ah! Como foi que eu não adivinhei?"

"Elena, você está tão engraçada!"

"Hunf, por que ainda não está pronta Teffy?"

"Vou me arrumar depois de ajudar Dohko!" - respondeu ela colocando a mão na frente da máscara - "Você me lembra um pato ou um pingüim!".

"Eu estava dizendo isso a ela sabia?!" - disse Dohko rindo.

"Affe, deixem esse papo de pato e pingüim para Hyoga e Camus! NÃO PARA MIM!"

"Espero que você não seja nem louca de repetir isso perto de qualquer um dos dois! Ou até mesmo da Mikage, aquela lá anda uma pilha de stress. Fui falar com ela hoje e só me recebeu por educação. Não queria ver ninguém!" - Teffy pareceu chateada com a amiga, mas sabia que deveria ter um motivo muito forte para que ela agisse assim.

"Teffy, a gazeta do santuário!" - comentou Elena maldosa - "Mais notícias?".

"Eu não sou fofoqueira! Mas, já que perguntou: Shaka não colocou os pés para fora de casa, Lilits e Hyoga estavam andando abraçadinhos por ai, o Sorento saiu do santuário com uma cara de enterro de partir o coração, Shion chamou Nana e Shun às pressas na sala do mestre agora a pouco".

"Só isso?" - perguntaram surpresos.

"É! Creio eu que só! xD"

Eles suspiram em coro.

"Bem, Dohko, mãos a obra!" - sorri Teffy - "Elena, nos dá licença?".

"Com muito gosto!" - e ela se retira.

"Por onde começamos?" - perguntou Teffy abrindo uma pequena maleta de maquiagem sobre uma cômoda, virando-se de costas para Dohko e quando olhou para o espelho que estava na sua frente pode fitar o cavaleiro livrando-se da camisa, deixando as costas bem trabalhadas desnudas. Ela mirou-o inteiro, desde os cabelos cor de chocolate, as costas, o dorso, os braços, as coxas, panturrilha. Porém seus olhos se demoraram nas costas. Aquilo era um tigre meio apagado?

"Belo tigre!" - comentou em voz baixa.

"Gosta?"

"É exótico. O que é isso? Tatuagem?"

"Como explicar?" - Dohko virou-se para fitá-la tentando encontrar as palavras - "Quando meu cosmo acende, ele fica mais nítido e vistoso".

"Posso tocá-lo?" - perguntou antes que pudesse conter a própria língua.

"Claro!" - respondeu virando-se de costas novamente e sentindo a mão quente da garota pousar-lhe sobre a "asa direita" e descer próxima a coluna vertebral de forma delicada, querendo sentir através das mãos o contornos e traços do belo desenho.

Ele fechou os olhos e começou a concentrar uma pequena - porém suficiente - quantidade de cosmo, para que ela pudesse vislumbrar melhor o contorno do tigre e ela sentiu que as costas do cavaleiro começaram a esquentar tremendamente, obrigando-a a se afastar. Dohko apenas virou de perfil e sorriu displicente.

"A assustei?"

"De maneira alguma!"

"Bom!" - ele sorri e eles se entreolham com certa cumplicidade. - "Depois eu vou arrumar você também!".

"Fico feliz que esteja disposto a entrar na brincadeira!"

"Como você mesma disse, é apenas uma brincadeira e será lembrada por nós em forma de anedota!".

Do lado de fora da casa de Libra, Elena estava muito preocupada com o novo hóspede que ela tinha trazido do shopping para o santuário.

"E agora? Não vou poder te esconder para sempre!" - dizia para a figurinha que estava próxima - "Não me olhe com essa cara! Sem Shiryu aqui não terei como... ai, você é tão lindinho".

"Miau-Miau"

Um gato de pelo rasteiro, orelhas pontudas e era listrado como um filhote de tigre estava se enroscando nas pernas da amazona de libra. No dia do shopping ela, Shiryu e Kiki se encantaram com o bichano e acabaram por trazê-lo. Mas, sem seus cúmplices por perto a tarefa se tornava quase impossível.

"E se eu levá-lo para alguém tomar conta?" - acaricia o bichinho - "Alex? Não! Teffy? Ela iria correndo contar para o Dohko! Hum... só se... não! É loucura! Contudo, até que nós nos damos tão bem e somos amigos. Não custa tentar... Venha Tomy!" - ela pega-o no colo e começa a subir a escadaria das doze casas com o animal.

--- Escorpião ---

"Estou surpresa de que você não esteja fazendo drama!"

"Por que eu faria isso?"

"Não sei, mas você me parece tão bem! Está alegre hoje!"

"Você também está com os olhinhos brilhando". - Miro sorri erguendo uma sobrancelha e tentando colocar algo parecido com um vestido rosa extravagante - "Afrodite caprichou!".

"Poupe-me de seus comentários!"

"Eu não entendo por que uma garota que se chateou tanto com ele quando chegou ao santuário esteja caída agora".

"Por que ele é diferente! Mudou! E... Miro não me deixe desconcertada sim?!"

"Pode deixar!" - ele vai até o espelho ver como estava ficando - "To bonita?" - respondeu desmunhecando a mão e fazendo pose.

"Poderooosaa! xD" - respondeu Teella - "Vai arrasar com os rapazes!"

"Ai, você é fofa amiga!" - pisca teatralmente mandando beijinhos.

"Epa, mas encarnou no personagem!"

"Pode ter certeza! Ohoho!" - ele olha para o espelho novamente e se fita por um momento. Ridículo! Como ele previra. Mas, e daí? Diversão era sua meta!

"E esse seu colarzinho básico vai te dar um toque delicado!" - falou a garota se aproximando, tocando o adorno que tinha a pequena lua pendurada e pousando a outra mão sobre seu ombro.

"Eu não vou com ele hoje!" - respondeu Miro levando as mãos a parte de trás de seu pescoço a procura do fecho.

"Como?" - Teella se espanta - "Mas, você não tira esse colar por nada! Vive com ele! Pensei que você lembrasse daquela garota lá".

"Eu entendo sua surpresa!" - respondeu rindo.

"Então?"

"Bem, acho que está na hora de me livrar desse fantasma do passado e buscar o futuro" - ele tira o colar e coloca em cima da cômoda. Já tinha tomado sua decisão, não sabia como um homem como ele se apegou tanto a uma única noite. Abrir mão dela era o melhor presente que poderia dar a Luna. O caminho estava livre para ela, não se livrava apenas do pingente, mas deixava seu passado de lado para se entregar à outra mulher. - "Vai ser uma doce lembrança!".

"Estou orgulhosa de você Miro!" - disse fazendo festinha em seus cabelos.

"Gostaria de lembrar que se essa história for retransmitida a alguém, você sofrerá com o veneno do escorpião fluindo pelas suas veias!"

"Calma! Não me esqueci do juramento que fiz naquele dia! E tenho muito amor a minha pele, por isso não se preocupe!"

"Acho bom!"

"Por curiosidade, quem além de mim sabe dessa sua aventura?"

"Adivinhe só..."

"Lilits? Camus?"

"Apenas Camus".

"Pensei que tivesse contado pra amazona de lebre também! Vocês três são tão amigos".

"Pra que? Pra ela virar e falar: Ah! Essa é boa! Miro, o garanhão, guardando na memória uma fulaninha que não se dá ao respeito. Típico dela".

"Camus não disse isso?"

"Chamou-me de irresponsável e pervertido! Mas, até ai normal!"

"Lilits tem seu lado romântico, duvido que falasse isso!"

"Não duvide!"

--- Sagitário ---

"Nem sinal da Teffy!" - suspirou Aioros cansado - "E agora? Quem vai me ajudar a me vestir?".

Ele dá uma olhada de esguelha para a porta entreaberta do quarto da amazona.

"Hum... não Aioros! Isso seria invasão de privacidade, eu não posso invadir o quarto da minha discípula atrás de roupas para a festa do trocado!" - toca as pontas dos dedos indicadores - "Mas, é por uma causa TÃO nobre!".

Ele começou a devanear sobre os segredos ocultos que sua discípula deveria manter dentro de seu quarto.

"Não devo! Não posso! Não é direito, mas... sagitariano curioso! Vamos! Teffy é uma garota, deve ter bonecas de pano".

Aioros entra no quarto e vai diretamente até o guarda-roupa desta. Lá, abre as gavetas e cabides e encontra vestidos, saias, blusinhas, camisetas, calças jeans, meias, lenços, shorts, cangas, longos, jalecos, sobretudos, sutiãs... SUTIÃS!

Ele pega peça de roupa e larga de qualquer jeito como se segurasse um animal venenoso, um tanto quanto envergonhado.

"Eu sabia que não era boa idéia!" - pensou consigo mesmo - "Que Aspasie nunca saiba que eu mexi no sutiã da minha discípula! o.o" - uma idéia lhe ocorre - "Hum, qual será o número do sutiã da minha enfermeirinha? xD" - pensa - "Não importa agora, deixe-me arrumar essa bagunça e pegar qualquer roupa! Vou me ajeitar de qualquer jeito!"

Aioros arruma as coisas de Teffy do jeito que estava e sai do quarto da garota. Uma coisa tinha acertado: a garota realmente tinha bonecas de pano sobre a cama.

--- Capricórnio ---

"Ahhh! Eu desisto!" - resmungava Yura chocada - "É a terceira meia-calça que você desfia seu bruto!".

"Yura, o que você quer? Eu não sou a Cinderela! Não é qualquer coisa que entra aqui!"

"Quem sabe se você cuidasse desse seu pezão desengonçado não fizesse tanto estrago! ¬¬".

"Oõ Meus pés são lindos e másculos ok?! As mulheres adoram!"

"Por que elas nunca viram você vestindo uma meia-calça!"

"Hunf, não reclame! Eu não pedi para você me arrumar!"

"Agradeça-me por estar fazendo um favor a você Shura u.u".

TOC-TOC

"Quem será o desocupado?" - perguntou Yura agora mexendo nos cabelos rebeldes do homem tentando ajeitar uma espécie de presilha.

"EU OUVI ISSO!" - gritou o indivíduo do lado de fora.

"Minha nossa, que ouvido bom! o.o" - sentenciou a amazona reconhecendo a voz - "Entre Elena!"

"O que? É a nanica?" - Shura se levanta de um sobressalto e horrorizado vê a garota entrar em seu quarto. Ele corre até a janela e se enrola na cortina as pressas.

"Olá!" - cumprimentou a amazona de libra segurando um pequeno "pacotinho" enrolado em um pano.

"TIRE-A DAQUI! NÃO ESTOU APRESENTÁVEL!" - gritava Shura envergonhado.

"Calma Chiliquenta! x)" - disse Elena rindo.

"Ele está se RE-VE-LAN-DO!" - soletrou Yura.

"Calem-se! Ou sentirão o peso da minha excalibur! ¬¬".

"Não ligue Elena, é a TPM! xD"

"Compreendo! "

"ò.ó Hunf! O que você quer pintora de rodapé?"

"Eu quero pedir um favorzinho do meu tamanho".

"Fale!" - Shura se desenrola do tecido e vai até o banquinho que estava sentado até pouco tempo atrás - "Mas, ser rir vai ter!" - ameaçou com o braço em posição de ataque.

Elena engoliu o riso. Shura estava definitivamente hilário.

"Comece!"

"Eu quero saber se você não pode cuidar de uma coisinha para mim, já que somos conterrâneos e...".

"Coisinha?"

A garota abre o pano e de lá sai o pequeno filhote de gato que desce de seu colo e cai no chão elegantemente, eriçando o pelo e a calda desfilando de forma pomposa.

"QUE FOFO! -" - gritou Yura ajoelhando-se para ver o felino.

"Um gato? Um gato nojento e fedorento?" - Shura ergue uma sobrancelha.

"Não é nojento! Ele é mais limpinho que você! ¬¬".

"COMO? ò.ó"

"PODEMOS FICAR COM ELE? PODEMOS? DEIXA? DEIXA? DEIXA?" - Yura estava em estado de graça vendo a pequena criaturinha deitar-se de barriga para cima, para ser acariciado, elevando as patinhas para o alto e miando.

"Negativo!"

"Por que não? " - perguntavam ambas chateadas.

"Eu tenho alergia a gatos! Se ainda fosse um cabritinho fofo igual o dos programas de TV que tomam leitinho na mamadeira, eu até aceitava. Mas, esse circo de pulgas?"

"Shura! Por favor!" - pedia Elena.

"E por que não cuida dele você?"

"Eu ia! Com a ajuda do Shiryu, mas o traíra foi ver a chinesinha dele e me largou aqui com o nosso bebê!"

"Bebê? Oõ"

"Shiryu chamou assim! Eu falei para ele que as pessoas iam pensar besteiras, mas enfim... u.u"

"xD"

"Não ouse insinuar nada! ¬¬".

"Eu não faria isso!" - respondeu Shura malicioso - "Onde eu estava? Ah sim... NÃO! Leve o netinho para o velho Dohko cuidar!".

"Olha o respeito!" - defendeu-se Elena - "Ele vai enfartar e me expulsar de casa se souber o que eu fiz junto com o Shiryu!".

"Deveria ter pensado nas conseqüências. Eu sei como é, já tive a sua idade, a adrenalina a flor da pele, acabamos fazendo loucuras e às vezes não nos precavemos o suficiente..."

"Gente, esse papo de vocês está tão engraçado se for levado para a ambigüidade!"

"Yura!" - falaram ao mesmo tempo.

"Desculpa! Não resisti!"

"É só por um tempo, até eu contar para ele! Por favor, Shura!" - Elena junta as mãos e fica olhando fixamente para ele.

"Não faça essa cara!"

Mas, ela não atendeu ao pedido e fez a carinha mais meiga de cachorro sem dono.

"Nã... não..."

"Por favor! Deixa ele ficar aqui querido, adorado, respeitável, insubstituível, idolatrado, amado, carismático, perfeito...Mestre Shura" - falou Yura.

"Bem, com um argumento tão convincente como esse e atendendo ao pedido de meus fãs. DOU-TE TRÊS DIAS! MAS, SÓ TRÊS DIAS!"

"Ebaaa" - gritaram Elena e Yura que começaram a pular abraçadas feito crianças.

"Acho que vou me arrepender por isso!" - Shura colocou a mão na testa - "E esse gato nojento não ouse usar meu quarto como banheiro! o.-" - disse olhando desconfiado para o bichano.

"Os gatos não fazem suas necessidades em qualquer chiqueiro!" - respondeu Elena mordaz.

"Está engraçadinha hoje! Quer que eu retire o que disse é?"

"É BRINCADEIRINHA SHURA! BRINCADEIRA!"

--- Aquário ---

"Tem certeza que quer fazer isso Hyoga?"

"Tenho Mikage!" - o loiro estava em seu quarto arrumando suas coisas em uma mala - "Não acho justo ficar ocupando lugar na mansão de Aquário já que não sou guardião dessa casa, tão pouco protegido pela constelação. Sou o cavaleiro de cisne! E vou me mudar para o alojamento dos demais. Não mereço regalias, sou como os outros!".

"Sempre admirei isso em você!" - uma voz gélida pode ser ouvida por ambos. Camus estava parado na soleira da porta vendo os discípulos.

"Está na hora de deixar esse lugar". - respondeu Hyoga dando um sorriso simples e o mestre retribuiu da mesma forma.

"Eu ainda vou ficar por aqui por um longo tempo" - disse Mikage.

"É boa discípula e determinada, me traz orgulho como ele! Mas, ainda tem muito que aprender!"

Mikage estava se sentindo triste, depois dos acontecimentos com Shaka na noite passada. Não se conteve e abraçou Camus pelo tronco. Queria carinho! Um abraço de amigo, de mestre, meio de pai!

Camus ficou chocado vendo a discípula naquela condição.

"E agora?" - pensou consigo mesmo procurando o olhar de Hyoga que o estimulou a retribuir ao afeto da garota com um gesto significativo. Camus então lhe afagou os cabelos devagar.

"Calma!" - sussurrou baixinho - "Tem que controlar essas emoções!" - ele a larga - "Por que nem sempre você terá um ombro amigo para desabafar! Lembre-se disso!".

Camus retira-se os deixando a sós e Mikage um pouco envergonhada. Até que a garota sentiu ser abraçada por trás, pelo pescoço.

"Mas, poderá contar comigo!" - disse Hyoga na forma reservada habitual vendo os olhos da garota marejarem. - "Agora, chega disso! Temos festa!".

"E você vai deixar ser arrumado de forma pacífica ou terei que abusar da força?"

"Eu pretendo colaborar na medida do possível".

"E será que Camus será bonzinho?"

Eles ouvem uma voz gritando do corredor.

"SE QUALQUER UM DOS ENGRAÇADINHOS TENTAREM ME FORÇAR A IR PARA AQUELA FESTA COM AQUELE BANDO DE MALUCOS DROGADOS EU ENCERRO EM UM ESQUIFE!"

"Isso é um não!" - murmurou Hyoga - "Mas, foi um não gentil!" - disse irônico.

"Pode crer! "

Eles ouviram a porta do quarto do mestre - que ficava no fim do corredor - fechar-se com violência.

--- Peixes ---

"Luna?"

"Hum?"

"O que você está fazendo comigo?"

"Fica quietinho e não abre o olho!"

Afrodite estava sentado em uma cadeira defronte a amazona que passava uma sombra sobre a pálpebra do cavaleiro.

"Não vou deixar muito forte por que pra você não vai ficar muito bom sobrecarregar demais!"

"Faça o que você quiser, eu confio em você, só não fure os meus olhos!"

"Você vai ficar ótimo! Ditosa!"

"O.- Ditosa?"

"Fecha esse olho! ò.ó"

"u.u Desculpe!"

"É o seu apelido mestre. Di-to-sa! Uma mistura de Dite com glamurosa! Entende?" - respondeu rindo.

"Entendo, mas não gostei muito!"

"Não se ofenda, faz parte da diversão!" - dá o retoque final - "Pronto!" - estende a mão para que seu mestre lhe entregue uma bela rosa vermelha que foi enroscada em uma mecha do cabelo azul piscina. - "Mestre! Até como mulher você fica bonito!".

"Obrigado? Oõ Digo, obrigada... Er... Hãn. Deixa quieto!"

"xD Normal!"

"Agora me deixe terminar de arrumar essa gravata!" - Dite fê-la levantar-se e passou a arrumar o adereço no pescoço da garota.

"Está me enfor...cando x.x"

"Desculpe!" - ele afrouxa o colarinho rapidamente.

"Cof, cof, cof".

"Gostei do toque final Luan!"

"O.O Luan?"

"Combina mais com o seu estado atual!"

" p"

"Chega disso, vamos para mais uma noite de diversão! E que promete ser inesquecível!"

"Sim!" - Luna se levanta animada, estava mais sorridente do que o normal, mas por motivos mais do que óbvios. Ainda não tinha encontrado com Miro desde a noite passada e queria sentir de como estava à relação dos dois depois de tudo. - "Me daria à honra senhorita?" - ela dá o braço para Afrodite que se levanta prontamente e aceita o convite.

"Senhora, por favor!" - ele arruma o colóquio sorrindo.

"És casada?"

"Ainda não, mas meu namorado está louco por mim!"

"Que boa notícia D"

"Vamos! Agora eu encarnei o personagem! xD"

--- Sala do mestre ---

"O QUE?" - gritavam Nana e Shun em uníssono.

"É o que vocês ouviram! Vão ver Athena imediatamente!"

"Mas, mas, mas..." - Nana estava pasma, olhando para a cara do mestre do santuário - "E a festa?".

"Sinto dizer-lhes que terão que perdê-la".

"Shion, mas por que essa mudança de planos tão repentinos?" - perguntou Shun surpreso.

"Estou preocupado com Athena! Muito preocupado! E quero saber se Seiya está cuidando bem dela!" - se levanta de sua poltrona que ficava na frente de sua escrivaninha e Shun e Nana estavam sentados em cadeiras confortáveis diante desta - "Quero que tragam Saori com vocês. É só para passar uma segurança a mais!"

"E não pode ser amanhã?" - perguntaram em coro.

"NÃO! NÃO PODE SER AMANHÃ!" - ele dá um soco na mesa - "Quem é o mestre aqui? Façam o que eu digo sim?! Eu sei que era a vontade de nossa deusa que Adriana fosse lá apenas para receber instruções com relação a algo. Contudo...".

"Certo, já entendemos!" - disse Shun irritado - "Mas, não precisa ser rude!".

Shion virou-se para ele com uma expressão carrancuda, abriu a boca para dizer algo, mas quando viu os olhos calmos e serenos do garoto calou-se. Droga! Ele tinha razão. Aquilo já era abuso de autoridade!

"Shion, eu não posso sequer dá uma espiadinha na roupa dos cavaleiros?" – pedia Nana quase suplicante.

"Sinto muitos, mas eu dei ordens para que um carro parta para o aeroporto em quinze minutos".

"E nossas coisas?" - perguntou a garota surpresa.

"É melhor correrem para suas casas! Não querem perder o vôo".

"SHION! T.T"

"Parem de reclamar e vão logo".

Shun se levantou da cadeira enquanto Nana ainda lançou um olhar a contragosto a Shion. Justo ela que se empolgara de verdade para essa festa? Não era justo! Ergueu-se de seu acento, empinou um pouco o queixo e saiu a passos rápidos da sala.

"Nana!" - chamou Shun indo atrás dela - "Tchau Shion!".

"Boa viagem!" - ele despencou em sua cadeira exausto esfregando a mão na testa vendo a porta se fechar com violência. - "Hunf. Agora ainda tenho aquela festa de maluco! Do que estou reclamando? Não vou ter que ir a caráter! Vejamos... Segurança? Ok! Decoração do salão principal? Ok! Dispensar as servas? ZEUS! ESQUECI DE DISPENSAR AS SERVAS! ELAS NÃO PODEM VER OS CAVALEIROS NAQUELES TRAJES!" - levanta-se de sua cadeira às pressas e corre para descer as escadarias cumprir o resto de suas obrigações.


O salão estava decorado para a festa, não estava muito diferente da noite anterior, apenas com alguns poucos efeitos de luzes e as caixas de sons bem maiores para que a música pudesse atingir altas proporções. A mesa tinha um coquetel exemplar, uma mesa repleta de guloseimas deliciosas e iguarias refinadas. E os convidados começaram a chegar, cada um dos que apareciam arrancava boas gargalhadas dos demais. Por ordem, os primeiros a chegar foram os moradores da casa de gêmeos.

Kassumi: roupa de treinamento do Kanon, sandálias gregas masculinas, cabelos soltos e rebeldes, a máscara lisa e com um pequeno bigode desenhado sobre o lábio superior.

Alex: calça social preta, camiseta preta que ia até o joelho, cabelos presos, pulseira de couro com espinhos, máscara lisa e sem adereços.

Saga e Kanon - com muito esforço foram de par de vasos - estavam usando roupas de colegiais, blusa branca justinha enrolada até os cotovelos, saia xadrez verde e cinza até os joelhos, meias três quartos e sapatos marrons de fivela tamanho extra-grande.

"Zeus meu, que vergonha! Que vergonha!" - Saga colocava as mãos no rosto envergonhado.

"Entra no clima Saga!" - disse Kanon que tirou do bolsinho da blusa um pirulito e começou a chupá-lo fazendo graça - "Huumm, eu gosto disso!".

"COMPORTE-SE DEPRAVADO!" - Saga dá um tapa na cabeça de Kanon fazendo engasgar e obrigando Kassumi a dar tapinhas nas costas dele para ajudá-lo a se recuperar.

"Cof, cof... Com licença! Depravada!" - sorri satisfeito vendo o irmão revirar os olhos.

"Vai ser uma longa noite!"

"Uhuu... olá querida!" - alguém acenou do outro lado do salão.

"Debitita!" - Kanon faz um aceno com as mãos e sai correndo ao seu encontro - "Seu vestido é TUDO DE BOM!".

"Graças às garotas!" - o taurino apontou para Juliane e Calisto que vinham logo atrás - "Digo, garotos".

"Kanon?" - Juliane começou a gargalhar vendo-o naquela situação.

"Qual é a graça?" - Saga apareceu.

"HAHAHAHAHAHA" - A risada dela aumentou de proporção quando viu os dois irmãos - "Par de vasos! Que meigo! ".

"Até quando eu me visto de mulher você me copia u.u" - respondeu Saga virando-se para Kanon com as mãos no quadris".

"EU COPIO? EU ME VESTI DE COLEGIAL SAFADA PRIMEIRO! VOCÊ VEIO ATRÁS!"

"Por favor, não briguem mais por hoje!" - disse Kassumi vendo a cena - "Eu não agüento mais, já foi um sufoco conseguir arrumá-los".

"Como vocês conseguiram essa proeza?" - perguntou Calisto curiosa.

"Cordas! xD " - respondeu a amazona de gêmeos.

"Tudo se esclarece!" - Juliane fez um movimento amplo com as mãos dando risada e levando as duas garotas ao riso, mas quando vê Alex em um canto da sala meio amuada se deprecia um pouco. - "O que ela tem?".

"Sorento!" - sibilou Kassumi. – "Tem hora que ela está bem, mas aí ela vê alguma coisa e fica assim, chateada".

"Coitadinha! Deve estar sofrendo muito não é?" - suspirou Juliane - "Vou conversar um pouco com ela! Mas, eu volto minhas gêmeas fofinhas!" - vai até Saga e Kanon e aperta a bochecha dos dois.

"Aiai, isso doeu". - falaram ao mesmo tempo.

"Era pra doer! xD".

"O.O"

"HAHAHAHA! EU ACHEI QUE ESTAVA RIDÍCULO! MAS, VOCÊS ME SUPERARAM!" - Shura irrompeu no salão junto com Yura e Elena.

O cavaleiro usava muitas pressilhas no cabelo, uma meia calça meio rasgada, uma saia jeans curta e uma blusinha branca de alça que acaba mostrando sua barriga. Nos braços muitas pulseiras, usava brincos de pressão na orelha e uma sandália rasteira.

Yura usava um blusão cinza com capuz muito comprido, uma bermuda que ia até os joelhos de cor branca, os cabelos soltos e tênis esportivos.

"Desculpe Shura, mas você ganhou da gente!" - disse Aldebaran dando risada - "VOCÊ ESTÁ TÃO FEMININA!".

"Hunf, você também gatona!?"

"Uma lésbica entre nós!" - falou Yura dando risada e apontando para o mestre.

"Com licença queridinha, mas o meu negócio é homem" - Kanon puxa Kassumi pelos ombros fazendo ficar bem próxima ao seu corpo. - "E que homem hein?!".

"Uhuu, controle esses seus hormônios sua colegial pervertida!" - respondeu a amazona de gêmeos.

"Não dá estão em ebulição prontos para explodir!" - piscou para ela.

"CHIFRUDONA! QUE SEXY!" - gritou mais uma voz da entrada principal fazendo com que a atenção de todos do grupo fosse para ela. - "Adorei sua roupa, Shura querida!".

"A MIRIAN CHEGOU!" - saudaram todos aplaudindo.

"Mirian?"

"Seu nome de guerra Miro!" - Elena dando uma piscadela.

"Calma garotos, não me sequem!" - retrucou o cavaleiro fitando as amazonas.

"Miro que papo é esse de chifrudona?"

"Não gostou? Foi um elogio, tolinha!"

"Saiba escorpião que eu ainda sei usar a Excalibur! ¬¬".

"Eu sei disso, mas guarde suas brincadeirinhas sadomasoquistas para o seu namorado!"

"Ò.Ó Olha o respeito!"

"Não estressa Shurão, nós sabemos que você é homem com "H" maiúsculo". - disse Elena.

"H de Homossexual!" - completou uma pessoa indo se juntar ao grupo - "Mas, essa piada é velha".

"Concordo, mas é sempre bom relembrar xD" - Elena riu.

"Vocês estão me zoando é?" – Shura fitava-os irritado.

"xD O que você acha?"

"Seja bem vinda Lolly!" - saudaram todos.

"Obrigada estrelinhas do meu coração!" - ela fez uma pequena reverência - "Qual das gatonas vãi me dar à honra dessa dança? Saga?".

"Ah Lolly, desculpe! Não quero dançar! Não consigo!"

"Não ligue para ele Lô!" - Miro foi até ela e deu tapinhas em suas costas - "Ela sempre foi uma mulher com problemas, eu lembro que quando ela teve a Alex ela sofreu de depressão pós-parto² e hoje vive a base de antidepressivos! Triste não?".

"MIRO Ò.Ó"

Risada geral - com exceção de Saga que se ofendera.


"Não ouse rir!"

"Não estou rindo!"

"Mas, pensou em fazê-lo!"

"Não se preocupe comigo, eu não vou fazer isso!"

Luna, Afrodite e Aioria se encontravam do lado de fora do salão principal espreitando o local da entrada.

"Eu devo te elogiar Aioria! Você soube combinar direitinho as roupas com a cor da maquiagem e suas madeixas sensuais". - falou a pisciana irônica.

"Sim! Caso ele não tivesse feito isso seria muito demodê!" - concordou Afrodite entrando no jogo da discípula.

"Para de dar corda para as piadinhas estúpidas dela!".

"Por que você não entra logo e acaba com essa frescura?" - perguntou a moça.

"Não é você que está parecendo um...um..."

"Um travecão? xD"

"Não se atreva a pronunciar isso de novo"

"Eu não ousaria"

Aioria virou-se de costas para poder olhar para dentro do salão e a garota murmurou.

"Purpurinada! x)"

"ò.ó"

"Ditosa, você entra comigo ou não?" - Luna encarou o mestre. Ela usava uma calça jeans larga com um cinto muito apertado, uma camisa branca, com uma gravata preta, sapatos de couro tamanho 40 e os cabelos estavam soltos.

"Entro sim!"

"Então vamos!" - dá o braço mais uma vez para o cavaleiro - "Se quiser eu acompanho a senhorita também!" - dirigiu-se a Aioria. - "Não fica bem uma donzela entrar desacompanhada!".

"A donzela aqui SE VIRA!" - ele lançou um olhar carrancudo a menina.

"Ok! Ok! Eu só quis ser cavalheiro! u.u"

E os piscianos adentram o salão deixando o leonino sozinho.

"E agora? O que eu faço? Não posso entrar vestido com esse... esse..." - ele olhava para suas roupas. Um vestido azul-marinho muito comprido até o pé, muitos colares e muita maquiagem compunham seu figurino.

"Uhuu, o que temos aqui?"

"Yura?" - Aioria mirou a garota que apareceu diante dele - "Você está engraçada!"

"E você está MUITO ENGRAÇADO!"

"Que bom que você chegou, assim posso ter companhia!"

"O que? Você acha que eu vim te ajudar? Eu não me esqueci do que você me disse ontem de noite!"

"Como?"

"Acho que agora vou ser obrigada a chamar Kanon, Miro e os demais para apreciarem esse seu modelito fashion!"

"NÃO VAI FAZER NADA!"

"Duvida? PESSOAL, OLHEM SÓ QUEM ESTÁ..."

Aioria tapou a boca dela com as mãos e a imprensou contra uma pilastra. Ele segurava seus braços e com um das pernas tentou paralisar os movimentos do quadril dela.

"Garota, qual o seu problema?"

"O meu problema? O seu problema!"

"Nos dávamos tão bem e desde ontem começamos a brigar!"

"Você está irritante! Isso sim! Chega de papo! OW POVO!"

"Se você ficar quietinha eu te dou um prêmio!" - sibilou Aioria tapando a boca dela mais uma vez.

"Não tem nada que você tenha que possa me satisfazer!"

"Nada mesmo?"

Aioria ergue uma sobrancelha e dá um sorriso meio debochado fitando o olhar de raiva. E como ela ficava bonita bravinha!

Yura viu como estava próxima dele e sentiu o coração acelerar e um calor súbito tomar conta de seu ser. Sabia por que começou a tratá-lo daquela maneira rude. Ciúmes! Ciúmes de Amy, de Teffy, de Lolly, de Alex, de Elena... De qualquer mulher que se aproximasse dele. Principalmente das lembranças que Aioria tinha da amazona de águia Marin. Ela tinha terminado com o cavaleiro antes mesmo dela chegar no santuário, mas temia de que o leão ainda nutrisse algum sentimento por ela.

"Deixe-me Aioria!" - pediu virando o rosto para a direita e fechando os olhos.

"Você está com ciúmes! Ficou louca ontem quando elogiei a Teffy! E sabe por que disso?" - ele mesmo respondeu próximo ao ouvido dela - "Está louquinha por mim!"

"Ohohoho. Não me faça RIR!"

"E eu tenho cara de quem está contando piada? Admita de uma vez! Não suporta que eu faça elogios a outras garotas, a lembrança de Marin a incomoda e você não consegue tirar os olhos de meus braços".

"O que?" - ela ficou vermelha. Realmente, não conseguia deixar de vislumbrar os braços fortes e bem trabalhados do cavaleiro. Eram lindos. Assim como o resto do corpo, as pernas, o tórax, cabelos, rosto... Tudo!

Aioria ficou fitando-a satisfeito. Ela estava em posição desfavorável e ele finalmente estava passando essa história a limpo.

Ele desceu os lábios sobre os dela devagar e fechou seus olhos. Yura ficou com os olhos abertos, chocada com o rumo que a situação tinha tomado. Aioria forçou-a a abrir os lábios devagar e se apossou totalmente da boca da garota, aos poucos foi soltando os braços dela que rumou suas mãos até sua nuca, estimulando-o a continuar mais e mais.

Quando se separaram - já sem fôlego e ofegantes - o corpo dele pressionado sobre o dela, Aioria disse:

"Já faz muito tempo que não é mais Marin que vem perturbar meus sonhos. Estou entregue a outra amazona no momento e agora que eu sei que você também me quer, não vai conseguir se livrar de mim com facilidade!"

"Cala a boca e me beija!"

E Yura o puxou pelo pescoço forçando-o a continuar com aquele jogo de sedução.


"CACÁ QUE FOFO! ".

Máscara da morte apareceu com os braços cruzados e com a cara emburrada. Ele trajava um vestido preto muito chamativo, enchimento para os seios, uma bolsa tira colo e o rosto continha muita maquiagem - batom vermelho, sombra azul e blush bem rosinha.

"Chegou a minha italianinha!" - disse Amy sorrindo radiante.

"Amy? Que roupa mais...".

"... LINDA?"

"Não! Idiota e brega!"

A garota usava uma calça marrom de tergal, cinto preto, camisa amarela, relógios e pulseiras douradas e na cabeça uma peruca de cor castanha bem curtinha – uma surpresa, ninguém acreditava que ela havia conseguido colocar os longuíssimos cabelos negros e cacheados embaixo do material - além da máscara branca e lisa.

"Não precisa falar assim comigo!" – sentenciou fazendo-se de ofendida e virando o rosto – "Qual o problema com tudo isso? É apenas uma brincadeira e você não deveria levar tudo tão a sério!".

"Sinto muito Amy, mas eu sou assim e não vou mudar para agradar ninguém!"

"Então aproveite bem a sua festa!" – passa por ele esbarrando em seu braço – "Sem mim!".

Máscara da morte ficou vendo-a distanciar-se.

"Mas, que diabos!" – murmurou irritado. – "Hoje vai ser mais um daqueles dias".


"Como assim?"

"Ele não quer vir!"

"Oh não! Ele vem sim senhorita!"

"Camus jurou que congela qualquer um que ousar sequer tentar".

Mikage estava parada diante de um grupo de mais ou menos uns cinco cavaleiros e amazonas tentando argumentar o motivo da falta do mestre na festa.

"Não é justo! Eu estou aqui passando por essa humilhação e o picolé não vem por frescura?" - disse Máscara da morte fitando os demais - "Isso é inaceitável!".

"Não seria justo!" - Aioros foi o primeiro - "Estou indo agora mesmo até Aquário trazê-lo para a nossa reunião!".

"Vou com você!" - prontificou-se Shura ficando ao lado dele - "Ele também vai ter que passar por isso!".

"Boa sorte! Não se preocupem, pois cuidaremos de Marcella e Aspasie para vocês!" - disse Aldebaran entre risos.

"COMO? Ò.Ó"

"Brincadeirinha! xD" - disse o cavaleiro de touro - "Mas, não posso deixar de lembrá-los que Camus é cismado e vocês não vão conseguir trazê-los de jeito algum! Ao menos, que seja desacordado".

"E até vocês conseguirem fazer isso ele congelou vocês antes!".

"Não nos subestime".

"É. Nós somos dois cavaleiros contra apenas um".

"Dois cavaleiros com salto alto e enchimento!" - respondeu Mu aparecendo diante dos convidados. - "Torço por vocês. Ou, como diria Shaka, que Buda ilumine suas almas rumo a um dos seis mundos e..." - ele parou de falar quando avistou Mikage - "Pensando melhor, esqueçam o Shaka".

"Falando nele, onde está a Barbie?" - perguntava o cavaleiro de Câncer com um sorriso maldoso - "Não me diga que terei que buscá-lo pelos cabelos".

"Não será necessário!"

Eles se viraram e deram de cara com o cavaleiro de Virgem. Fitaram-no dos pés a cabeça - um pouco surpresos até mesmo com o fato do indiano ter comparecido. O loiro usava um xador branco. (n/a: É uma veste feminina que cobre o corpo todo com a exceção dos olhos. São utilizados pelas mulheres muçulmanas na grande maioria dos países islâmicos, como, por exemplo, o Irã e a Arábia Saudita).

"Olhem só. O Shaka achou uma solução discreta! Veio de freirinha!" - Kanon mirava-o com maldade.

"Para a sua informação, criatura desprovida de cultura, isso é um xador!"

"Isso é uma vestimenta típica do islamismo!" – sentenciou Shura fazendo-se de sabido.

"Eu sei, mas foi à coisa mais adequada e discreta que eu pude encontrar para essa cerimônia".

"Shaka está se convertendo!" - sentenciou Kanon mais uma vez.

"Não! Não estou!" - respondeu sem emoção. "Pronto! Eu estou aqui! Podem me zoar à vontade".

"O.O"

"Hunf, assim não tem graça". - disse Miro.

"Precisamente" - completou Shura - "Nesse caso, dirijo-me a casa de Aquário".

"Vamos" - respondeu Aioros. - "Miro, por que você não vem conosco tentar tirá-lo daquela toca?".

"Tenho amor a minha pele e sei que Camus não vai dar o braço a torcer".

"Quem sabe se vier conosco não possamos tentar convencê-lo!"

"Vai sonhando... Mas, vou sim! Não custa tentar".

"Eu vou também" - respondeu Máscara da morte começando a segui-los.

"NÃO VAI NÃO!" - protestaram os três em coro.

"E posso saber por quê?! u.u"

"Simples, você irá provocá-lo e ai sim que ele nos congelará!" - Aioros olhava-o criticamente.

"Justamente!" - concordou Miro com a cabeça.

Máscara abriu a boca para dizer algo, mas eles não ficaram lá para ouvi-lo, seguiram para fora do salão para concretizar seus planos malignos.


"Acho que vou ganhar!"

Camus ergueu uma sobrancelha observando o tabuleiro de xadrez que estava disposto diante dele. Fitou o seu adversário que estava com um sorriso de vitória tamborilando nos lábios.

"O jogo ainda não terminou!" - respondeu o francês, movendo seu bispo na diagonal e eliminando o cavalo que ameaçava sua rainha.

"Hum... esperto!"

"Digo o mesmo para você Shion".

Os dois estavam na sala do mestre sentados em cadeiras bem localizadas, passando seu tempo jogando.

"Você é um bom estrategista..." - disse Shion atento, analisando a situação de suas peças - "Mas, eu sou mais!" - meche em um cavalo que estava posicionado ali propositalmente e com um movimento em "L" descreveu seu percurso, ocupou a casa do rei negro e anunciou - "Xeque-mate!".

O cavaleiro de Aquário mirou o tabuleiro e torceu a boca discretamente.

"Parabéns!" - proclamou - "Você mereceu! Acho que previ mal seus movimentos".

"Também acho que você me subestimou".

"Subestimar o inimigo é realmente a pior das tolices, ou a maior ingenuidade. Aparentemente, tudo estava bem no meu reino, as brancas dominavam o jogo e a rainha controlava tudo, mas de uma hora para outra o jogo virou...".

Shion começou a prestar atenção nas palavras deste enquanto Camus prosseguia.

"Um movimento mal calculado e tudo foi pelos ares. Primeiramente, acho que não posicionei bem os peões - que fazem o cordão de isolamento - depois não fiz jus às qualidades das peças com um valor mais alto - as torres e os cavalos - O bispo estava mal situado apesar de ser a peça da elite e a rainha, bem, acho que ela estava um pouco perdida". - o cavaleiro o encarou - "Você não concorda comigo Shion?".

E o mestre entendeu o que queria dizer. Não só descrevia o jogo de xadrez como um campo bem conhecido por ele: O santuário. E as falhas apresentadas eram justamente as que debilitaram o jogo de seu adversário.

"Mas, o que aconteceu para você deixar uma falha dessas acontecer Camus?" - perguntou entrando no jogo dele e também passando a falar por incógnitas.

"Aquilo ali". - apontou para o quadro de uma ninfa que estava deitada as margens de um lago e ficava pendurado na parede - "Às vezes, um belo espécime feminino pode distrair um homem. O que dirá se fosse várias como aquela. Deixariam qualquer um louco e com certeza o jogo estaria muito mais comprometido".

"As ninfas representam a inspiração, elas não deveriam ser uma distração e sim um estímulo. Isso varia e muito de acordo com quem vê". – ele suspirou profundamente – "O que você está tentando me dizer Camus? Acha que eu não administro o santuário com competência?".

"Eu não me atreveria!"

"Então por que essas insinuações?"

"O santuário ficou desfalcado depois que Saga assumiu. Vieram as guerras, a batalha contra Hades e acho que essas festas...".

"Eu sei o que estou fazendo!" - respondeu com firmeza - "Já mandei reforçar as fronteiras do santuário, dei novas instruções para os guardas. Eu não vou arriscar a vida de ninguém aqui e muito menos de Athena!".

"Sei que não vai! Por falar nisso, quando ela irá voltar?"

"Pedi para que Nana e Shun fossem até o Japão ver como estava tudo por lá, pedi para que eles voltassem em um ou dois dias".

"Vou ficar realmente mais tranqüilo se souber que ela está aqui sobre a nossa proteção".

"Eu também!"

Eles ouviram batidas na porta e se entreolham.

"Pode entrar" - autorizou o grande mestre com o tom habitual.

A porta foi empurrada para dar passagem às pessoas que não se demoraram em adentrar o ambiente.

"Oh Zeus!" - balbuciou Shion arregalando os olhos e colocando a mão diante dos lábios - "Eu não queria viver para ver essa cena".

"Oras, sem preconceito!" - respondeu Miro um pouco sem graça.

"E justo você escorpião, que sempre se orgulhou tanto das calças que veste!"

"É só uma brincadeira! Eu não me incomodo!".

Camus não conseguiu conter uma risada sincera. Ele tinha ficado mais engraçado do que tinha imaginado.

"Patético!" - sentenciou.

"Você não vai ficar muito melhor que eu!" - proclamou sombriamente o cavaleiro de escorpião - "Viemos te buscar!".

"Acha mesmo que vai me arrastar para aquela festa?" - ele ergueu uma de suas sobrancelhas bifurcadas e sorriu debochado. - "Eu não quero, logo não vou e não há nada que me obrigue a...".

Ele sentiu uma dor aguda em sua cabeça, virou-se e se deparou com Shura segurando os restos de uma garrafa de champanhe que tinha se desfeito graças a pancada.

"Bela tentativa!" - Camus sorri, dá três passos para frente e desmaia logo em seguida.

"OO Shu... Shura!" - Aioros fitou-o perplexo.

"Isso foi brutal!" - sentenciou o capricorniano - "Mas, eu devia isso a ele desde aquela briga por causa do estado deplorável da minha casa".

"Não foi culpa dele! Esqueceu-se que foram Alex, Elena e Lolly que fizeram aquilo?" - contrapôs Miro abaixando-se para erguer Camus e recebeu a ajuda de Aioros.

"Sim! Contudo, nunca me esquecerei das ofensas que ele dirigiu a mim".

"VOCÊS FICARAM LOUCOS?" - falou Shion. - "O QUE ESTÃO PENSANDO? ELE PODE TER SE MACHUCADO GRAVEMENTE!".

"Camus é forte!" - disse Miro segurando o cavaleiro pelos ombros, deixando-o de pé - "Esse pingüim aqui já agüentou golpes piores!" - dá tapas leves no rosto do amigo - "E eu nunca me perdoaria se ele perdesse uma festa daquelas! Ele já se diverte tão pouco e ainda fica se preservando... tsc, tsc... eu sei que ele irá me agradecer quando acordar!".

"De qualquer modo, acho melhor levá-lo até Aspasie". - respondeu Aioros que queria um pretexto para ver sua namorada e trazê-la para a festa, já que está ficou de plantão na matriz hospitalar do santuário - "Só para garantir!".

"Hum... eu tenho uma idéia melhor! Conheço algumas pessoas que iriam saber muito bem o que fazer para o bem do francês". - respondeu Shura pensativo passando a mão pelo queixo.

"Quem?" - perguntou Shion curioso.


"Ahh! Papai Noel veio mais cedo!"

"Vocês sabem o que fazer!"

"Pode deixar conosco! O arrumaremos em grande estilo".

Lolly, Alex - que já estava um pouco mais animada e pronta para curtir a festa – Amy e Calisto encontravam-se ao redor de Camus que tinha sido posicionado sentado sobre uma cadeira e estava com a cabeça tombada para frente, lembrando um boneco de pano. Eles localizavam-se em um canto afastado do salão de festas.

"Contamos com vocês garotos". - falou Máscara da morte que o fitava com uma maldade estampada na face.

"Então nos deixe a sós". - pediu Calisto - "Peça para que todos mantenham uma distância segura. Eu não quero nem ver se ele acordar no meio do procedimento".

"Certo!" - o cavaleiro de câncer fez que sim com a cabeça e lançou um olhar de esguelha para Amy que estava radiante com a possibilidade de enfeitar a boneca.

"Mudando de assunto Cacá" - chamou Alex virando-se para fitá-lo - "Onde está Nana? Eu não a vejo desde ontem à noite".

"Shion enviou-a ao Japão juntamente com Shun para apurarem o paradeiro de Saori". - respondeu Lolly antes que Máscara da morte sequer tivesse tempo de entreabrir os lábios.

"Será que o grande mestre acha que nós somos petecas? Um dia estamos no shopping, no outro temos festa..."

"Se quiser podemos cancelar o recreio e você volta para seu treinamento junto a Saga". - falou Dohko aparecendo - "Eu mesmo posso ir diretamente falar com Shion e...".

"Não estou reclamando Dohko!" - protestou Alex - "Só comentei. Nada demais. Além do que eu estou me divertindo muito com toda essa situação".

"Isso é bom!" - ele dá um sorriso simples e a encara - "Estão cientes de que Camus não irá gostar nada dessa situação?".

"Ele ainda não viu os resultados! -" - proclamou Lolly alegremente - "Vamos! Saiam daqui! Logo Kassumi aparece com os materiais necessários para transformar esse cubinho de gelo na princesa da neve".


Shaka tinha ido dar uma volta e não muito longe do salão encontrou algumas ruínas antigas, sentou-se no chão empoeirado repousando suas costas em uma pilastra e ficou ali, olhos fechados e ouvidos atentos. Até que notou não estar mais sozinho.

"Você está tão pensativo!"

"Apenas um pouco preocupado".

"Quer conversar?"

"Sinceramente..."

"Não!" - completou Juliane fitando o homem de cabelos loiros muito compridos. - "Mas, não se preocupe, não insistirei em manter uma conversa se você não quiser Shaka".

"Obrigado!" - respondeu o outro dando um sorriso simplório e tirando o pano que cobria seu rosto - "Agora sei como vocês amazonas se sentem! O que faz aqui fora? Não deveria estar curtindo a festa?".

"Conversar com os retardatários também é uma forma de se divertir". - por um minuto eles se calaram e passaram a fitar o céu.

"Acho que vou dormir" - resmungou o homem sem emoção.

"Está cedo ainda!" - argumentou. - "Shaka, posso falar uma coisa?".

"Fale!"

"Você é um homem tão esclarecido, bonito, decidido, nem combina com você essa sua postura com relação à Mikage e...".

"Foi o fofoqueiro do Mu quem te contou? Eu mato aquele Tibetano abusado e...".

"Ninguém precisou me contar! Eu vi você e ela ontem no salão e depois vocês se afastaram, não precisa ser gênio para prever o que ocorreu".

Shaka emudeceu por um instante, os lábios encresparam-se e ele levantou-se, pronto para ir embora.

"Não sei por que fiz aquilo!" - desabafou - "Mas, eu sinceramente não quero falar sobre isso".

"Tudo bem".

"Boa noite Juliane. Obrigado pela preocupação".

"Disponha".

O homem retirou-se a deixando só. Ela ficou lá por um instante, andou um pouco e voltou a fitar o céu. Foi com surpresa que ela sentiu ser abraçada por trás delicadamente e um beijo terno ser depositado em sua máscara do lado esquerdo.

"Ah! Estava pensando em você!" – respondeu feliz.

"Não parecia estar pensando em mim enquanto estava aqui com Shaka".

"Ciúmes?"

"Nunca! Você não me trocaria por ele".

"Quer apostar?"

Ikki arqueou uma sobrancelha e um sorriso sutil surgiu em seus lábios.

"Hunf, vou ignorar isso. Mas, apesar desse seu comentário infeliz, eu estou orgulhoso por você".

"Por quê?"

"Por que você se preocupa com os demais. Achei interessante você vir conversar com Shaka e ver como ele estava".

"Eu achei que ele precisava de consolo e uns puxões de orelha se necessário".

Juliane se virou e repousou o rosto no peito dele, sentindo ser abraçada com força e as mãos fortes do cavaleiro afagando os cabelos ruivos. Ikki era engraçado. Você nunca conseguia prever quando ele seria carinhoso e atencioso ou frio e indiferente.

"Mudando de assunto, por que não está fantasiado?"

"Não quis me travestir!"

"Todos se arrumaram. Por que você tem que ficar fazendo manha?"

"Eu não sou como os outros e não vou me portar dessa maneira ridícula".

"Por que não pode suportar uma brincadeirinha? Ao menos Seiya não está aqui para provocá-lo!"

"Sei que haverá outro para ocupar o cargo dele, quanto a isso não deve preocupar-se".

Juliane parou por um momento fitando o namorado. Os cabelos azuis e rebeldes, os olhos semi-cerrados, os lábios finos com um sorriso. Fascinante.

"Sabe, você tem uma mente tão fechada. De um senhor do século passado!".

"Não me importo!" - ele coloca as mãos no bolso da calça e vira-se de costas para ela.

A ruiva deu um suspiro tímido e desolado, aproximou-se do cavaleiro e falou-o ao pé do ouvido.

"Certo. Eu não vou insistir mais".

Ele sentiu a respiração dela próxima de sua nuca e não pode deixar de sentir um arrepio percorrer a região e virou-se para revê-la.

"Você é tão bonita, mesmo quando faz esse ar que me irrita".

Ela sorriu sincera, apesar da provocação. Aquela máscara deixava-a com os lábios a mostra e era um convite indireto e tentador. Ele olha ao redor para ver se alguém os observava e acaricia o queijo da garota com a costa de sua mão direita.

"Agora só eu e você Juliane de touro".


"O que você tem?".

"Eu? Nada!"

"Está tão calada hoje. Não gosta mais de dançar comigo?".

"Não seja bobo, não é isso. É que...".

Afrodite fez com que Teella desse um rodopio no mesmo lugar, para depois abraçá-la fortemente de costas contra seu corpo.

"É o que? Será que eu estou perdendo meus encantos por causa do cotidiano?".

Ela riu um pouco, se "desenrolando" de seus braços e voltou à posição da base.

"Sabe o que lembrei? Quando eu te conheci comecei a ter uns sonhos com rosas e um templo. Aí, quando começamos a namorar, ele cessou".

"Será um sinal dos deuses?". - ele ri. - "Ha! Até parece".

"E por que não seria meu adorado cético?".

"Eu não preciso de complô dos deuses, eu simplesmente sou!".

"Ás vezes essa sua petulância me irrita". - respondeu soltando as mãos. - "Vou dar uma volta".

"Teella...". - ele a segurou pelo braço - "Por que...".

"Não se preocupe comigo! Eu só estou meio...".

"Meio?".

"Meio!".

"O.O"

"Hunf, você sabe... meio feliz, meio triste, meio cansada".

Ele deu um olhar de esguelha e depois um beijo no alto da cabeça da garota.

"Vá então, estarei aqui no salão te esperando".

"Você não ficar chateado se eu for?".

"Não! Se você está mal...".

"Pensando melhor, eu não quero ficar sozinha. Vamos dar uma volta?".

"Tudo bem".

Eles se dirigiram para a porta principal e sumiram para a escuridão da noite.


"Lilits vá descansar! Eu assumo daqui para frente".

"Não! Tenho que terminar o meu turno".

"Deixe disso! É minha vez!"

A amazona de lebre deu um olhar de esguelha para um bonito cavaleiro que iria substituí-la na tarefa da vigilância noturna. Shion começara a tomar atitudes para a manutenção da segurança e das fronteiras do santuário e com isso teve que cumprir seus deveres e não pode comparecer a festa do trocado. O local em que montava guarda ficava em um dos pontos mais altos do lugar, entre ruínas de uma antiga construção, permitindo ter uma visão muito ampla de todo o santuário, com exceção das doze casas do zodíaco e do salão do mestre que ficavam bem mais acima.

"Ok?! Obrigada!"

"Disponha!" - respondeu sorrindo.

Ela passou a caminhar, mas sentiu ser seguida com o olhar, virou-se rapidamente e deparou-se com o cavaleiro vendo-a se distanciar com uma expressão pervertida.

"Olhe o respeito! Ou quer que eu vá aí e quebre todos os seus dentes?"

"Oras essas Lilits. Não precisa se ofender! Além do que, você tem pernas lindas. O que é bonito deve ser apreciado".

"Eu não sou pro seu bico". - falou sarcástica.

"Hunf, então quem é?"

"Não deveria tratar uma dama dessa forma!" - respondeu uma pessoa que apareceu por entre as pilastras do local e um vento gélido e cortante começou a fazer folhas secas dançarem próximas ao chão, além de finos flocos de neve caírem.

"Uma dama?"

"Sim! E acho bom não desacatá-la!" - sibilou perigosamente o cavaleiro de cisne - "Ou não sei do que serei capaz!".

Por já conhecer a fama do Russo e saber que fora um dos cavaleiros de bronze que se destacara nas batalhas mortais em nome da deusa Athena, o cavaleiro fitou o chão e resignado deixou o local. Hyoga esperou que esse se retirasse, os olhos azuis semi-cerrados e o punho esquerdo fechado. Saíra de si, o que não era de seu forte, mas não permitiria que falassem aquilo de sua namorada.

"Eu sei me defender loirinho". - falou pela primeira vez - "Fere meu ego de guerreira quando toma tal atitude, entretanto exalta minha auto-estima como mulher".

Ele chega perto dela e segura as duas mãos entre as suas, beijando as costas desta.

"Não me pesa em nada admitir que senti ciúmes".

"E devo dizer que essa brisa foi muito refrescante". - ela virou-se de costas para ele, sentindo ser abraçada pela barriga de encontro imediato com o corpo do cavaleiro. O queixo dele estava repousando em seu ombro enquanto sentia a respiração deste.

"O santuário é lindo não?" - perguntou ele vendo-a mirar o Coliseu lá embaixo.

"Sim! Eu não poderia ter escolhido lugar melhor para passar parte da minha mocidade, apesar de tantos sacrifícios".

Mais um vento gélido passou cortante, deixando-a toda arrepiada e ter que buscar proteção no corpo do belo rapaz que a abraçou ainda mais percebendo o desconforto desta.

"Pare com isso Hyoga! Sei que está provocando esse vento de propósito".

"Não resisti à possibilidade de tê-la ainda mais próxima".

Ela se virou para encará-lo e notou certo brilho no olhar, então sorriu maliciosamente, mas quando seus olhos fitaram o rosto dele com mais atenção não pode deixar de dar uma risada espalhafatosa.

"O que foi?" - perguntou vendo-a naquela situação.

"Isso é batom?"

Ele arregalou os olhos, passando as costas das mãos sobre os lábios e tirando um pouco da coloração rosada.

"Droga! Sabia que tinha esquecido de algo". - sorriu sem-graça desviando o olhar para não ter que fitar o rosto da garota.

Ela mesma passou as mãos sobre os lábios dele com o intuito de tirar o excesso.

"Saiu?"

"Sim! Bem melhor agora. Faz mais jus a sua masculinidade".

Os lábios dele alongaram-se em uma expressão de felicidade.

"Bendito o dia em que você estava atacada e procurando briga na arena".

"Eu me impressionei com a sua arrogância, suponho que ninguém teria ousado me enfrentar".

"Bons tempos". - sussurrou. - "Sabe do que me lembrei?".

"Só se eu fosse vidente".

"Bem, eu me mudei da casa de Aquário!".

Lilits encarou o namorado, os braços envoltos no pescoço deste que tinha que se encurvar um pouco por causa do tamanho da mulher.

"Por quê?"

"Cansei de lá! Gosto de ter meu canto! Quer conhecer?"

"Quando?"

"Agora mesmo!"

"Está um pouco tarde!".

"Não se preocupe! Eu não mordo". - sorriu maliciosamente - "Ao menos... que você me peça". - as mãos dele desceram instintivamente pelas costas e pousaram sobre a cintura

"Isso é um convite?".

"Depende! Eu estou agradando á moça?".

"Está!".

"Posso ser muito mais gentil se você quiser". - ele dá um beijo na face dela e desce pela lateral de seu pescoço dando leves mordidas levando-a involuntariamente a suspiros e gemidos sugestivos.

"Estou me cansando de seus joguinhos, querido".

Ele ficou surpreso e um sorriso de deboche tamborilou em seus lábios.

"Como?".

"Você fala demais, mas faz pouco". - ela desce com as mãos pelo braço de Hyoga, arranhando-o de leve. - "Por que não me mostra do que é capaz?".

Como eles chegaram até a casa de Hyoga? Isso nem eles mesmos sabem. A visão estava um pouco turva pelo desejo e eles só queriam se entregar logo ao jogo de sedução. Entre beijos e tropeços eles foram entrando pelos corredores da morada, esbarrando nas coisas e derrubando móveis de pequeno porte como cadeiras e mesinhas.

Ele a levou até seu quarto e caiu com seu corpo calmamente sobre o dela. As pernas intercaladas e as mãos passeando um pelos corpos do outro.

(Leitor recatado, contenha sua curiosidade se não quiser ter uma surpresa!)

"Não vai se arrepender depois?". - perguntou o loiro receoso erguendo o rosto para poder fitar as orbes castanhas - "Se você não...".

Calou-o com um beijo.

"Quero você nesta noite! E quero agora!".

"Como quiser...". - ele ergue-se e se senta sobre as suas próprias pernas, tirando a blusa devagar - "... minha amazona!".

Os olhos dela desceram maliciosamente pelo corpo, podendo analisar todo o belo tórax despido. As mãos delicadas alisaram o local fazendo com que ele, num primeiro momento, retraí-se os músculos, mas depois foi se acostumando com o toque e deixou-a seguir independente de sua vontade. Ele fez menção de deitá-la novamente, mas esta o impediu.

"Não! Primeiro as damas!". - beijou-o com fervor, suas línguas traçando um duelo incansável e deliciosamente excitante. Lilits começou a passar sua face contra a dele sentindo certo vestígio de barba recém-feita para depois apoderar-se devagar do pescoço. Quando Hyoga estava deitado com as costas repousadas sobre o colchão, ela subiu sobre ele, cada uma das pernas numa lateral de seu corpo. O russo divertia-se a vendo guiar a situação, querendo saber até onde ela poderia ir, para ajudá-la a se equilibrar segurou-a pela cintura firmemente. Então a garota desceu com sua cabeça e passou a beijar o tronco, algumas vezes dando leve mordidas nos mamilos e outras lambidas vulgares para atiçá-lo um pouco mais.

Ele, por sua vez, começou a gemer baixo com a audácia da moça que nunca demonstrou suas investidas de forma tão aberta e espontânea.

"Está gostando?" - ela falava numa voz calma e de falsa submissão.

Ele não conseguiu responder, estava com os olhos fechados e tentando controlar a respiração.

"Eu não ouvi uma resposta!" - voltou a morder o mamilo e arranhar o braço musculoso.

Ele gemeu involuntariamente.

"Hum... dessa vez a resposta veio rápido". - ela riu. - "O que aconteceria se nós tentássemos outros lugares mais... sensíveis?". - foi um pouco mais para trás, se posicionando no meio da extensão da perna e pousando a mão delicada sobre a fivela do cinto do rapaz.

"Nós poderíamos descobrir, mas antes..." - ele ergueu o tronco, puxando-a ao seu encontro - "Eu gostaria de ver o resto do rosto por baixo dessa máscara! Não será justo se eu não puder vislumbrar sua expressão quando estiver delirando em meus braços". - tirou o material de porcelana vendo a face da moça.

Delicadamente ele ajudou-a a livrar-se do resto das roupas dela para depois percorrer com os olhos o corpo cheio de curvas.

"Minha vez amazona de lebre".

Com a boca desceu pelo colo, trabalhando toda a região com a língua e os dentes - ora suavemente e depois aumentando o ritmo com entusiasmo enquanto as mãos passeavam pelas coxas roliças. As mãos dela desceram por debaixo da nuca, enrolando os dedos nas mechas loiras, estimulando-o a continuar e de sua boca saiam apenas palavras sem nexo e gemidos.

Ele atendeu ao pedido, vitorioso por sua conquista. Desceu pela barriga, deixando um caminho molhado e chegando a parte mais sensível do corpo da moça. Naquele local optou por estimulá-la com os dedos e língua levando a gemidos mais estridentes e, como se uma corrente elétrica passasse por seu corpo, ela gritou.

Hyoga subiu com a cabeça, apossando-se dos lábios dela novamente, os corpos suados pedindo urgentemente por mais contato.

"Não quero mais esperar por isso" - confessou o loiro que já estava saindo de si enquanto ela ainda permanecia agarrada aos lençóis de olhos fechados. Lilits ergueu-se de súbito e começou a ajudá-lo a tirar as últimas duas peças de roupa. A moça desceu com a mão delicada pela região mais sensível de corpo do cavaleiro que soltou gemidos graças ao toque íntimo.

Ele a deitou novamente e depois se colocou aleatoriamente entre as pernas dela, a invadindo devagar - primeiramente - para depois aumentar a velocidade dos movimentos de vai e vem, enquanto ela acompanhava-o com os quadris. Passado um tempo, auxiliou-a a colocar as pernas ao redor de sua cintura, e o ritmo cada vez mais e mais rápido.

Gritos de dor e gemidos de prazer ecoaram pelos corredores da casa, seguidos dos nomes deles que eram pronunciados. Até que um orgasmo arrebatador veio quase que ao mesmo tempo para ambos, levando Lilits a fincar suas unhas ainda mais fundo nas costas marcadas de Hyoga enquanto esse pronunciava palavras desconexas, seguido por um grito rouco de glória.

O corpo do cavaleiro caiu quase inerte sobre o da moça, aos poucos tentavam recuperar o fôlego e o juízo que sobrara. Um beijo apaixonado e gentil encerrou o momento e ele saiu dela para cair na cama e puxar o corpo nu da parceira sobre o seu, fazendo-a aconchegar-se em seus braços.

"Você foi..." - ela tentou completar a frase, mas as palavras saiam entrecortadas de sua garganta enquanto seus olhos se fechavam.

Ele acariciou os cabelos cacheados e meio desalinhados dela carinhosamente e beijou sua testa.

"Melhor você repousar".

Ela não fez objeção ajeitando-se ainda mais em seus braços.

"Durma bem" - disse antes de cair em um sono profundo.

"Você também, meu amor".

(Leitor? Psiu! Você ainda está ai? Acabou! Pode retomar á leitura!).


No salão ainda encontravam-se grande parte dos cavaleiros e amazonas, apesar de algumas pessoas terem desaparecido. Isso não impressionava mais ninguém, era fato inegável que muitos ali estavam se envolvendo amorosamente e causando certa dispersão do grande grupo composto por mais de trinta integrantes.

Em uma região afastada do enorme salão ainda estavam Kassumi, Alex, Lolly e Amy, terminaram de arrumar Camus há algum tempo e agora o rodeavam esperando o momento em que ele acordasse. Seria, sem dúvida, o ápice da festa, considerando que poucos ainda dançavam e pouquíssimos faziam piadas com relação à vestimenta dos demais.

"A qualquer momento... ele vai... acordar". - falou Lolly contendo uma seqüência involuntária de bocejos.

"Sim!" - respondeu Kassumi apoiando-se nas costas de Alex e esta, por sua vez, fazia o mesmo. - "Meninas, eu acho que vou dançar um pouco antes que acabe dormindo".

"Vai lá chamar a sua geminiana para dançar, antes que outro homem chegue nela". - disse Amy brincando.

"Como? Oo"

"Realmente, Kanon está uma loucura com aquela saia". - falou Lolly.

"Não sei por que. Ela nem depila as pernas como o meu papai Saga".

"Mamãe você quer dizer...". - corrigiu Kassumi.

"Era isso que eu ia falar".

"O que você quer dizer com depilar as pernas Alex?" - Amy olhou-a e esta reprimiu uma risada esculachada.

"Eu explico depois. E vamos falar baixo, senão a gente acorda a nossa fofinha". - a morena lançou um olhar a Camus.

"E eu estou indo". - Kassumi levantou-se - quase derrubando Alex que protestou logo - espanou as roupas rapidamente e deixou o grupo.

Em uma mesa afastada - do outro lado do salão - Yuki conversava com Máscara da morte.

"Ah, esse salão está tão vazio. Porém, ainda não vi a Nana hoje, você sabe onde ela está?"

"Nana? Ah! Ela foi para o Japão". – ele já se cansava de justificar o repentino sumiço da irmã.

"Quando?"

"Hoje. No fim da tarde para ser exato. Ah! E acompanhada pelo garoto com cabelos verde alface".

"Sinto certo ar de deboche e ironia nessa frase".

"E está certa. Ele é tão bonzinho que chega a me dar coceira só por olhar para a cara dele".

"Engraçado, sempre ouvi que as pessoas se sentiam bem e felizes em estar perto de um garoto como o Shun, que ele lhes passava proteção e...".

"Sonso. É isso que ele é!".

"Pois, para mim, isso é ciúme de irmão mais velho".

"Não! Nada a ver! Por que eu teria ciúmes? Ou você tá sabendo de alguma coisa que está acontecendo entre eles?"

"Não sei de nada e, além do que, eu não tenho muita afinidade com a Nana e ela é uma pessoa que não fala da vida pessoal".

"Hum... agora você me deixou com a pulga atrás da orelha".

"Normal, eu sempre soube que você não tomava banho direito". - falou Shura que se aproximava.

"CALADO!" - berrou o italiano dando um soco na mesa, derramando os copos que estavam expostos, obrigando Yuki com sua fraca levitação trazer de volta uma taça que cumpria um trajeto em queda-livre rumo ao solo. Algumas pessoas olharam para o local, tentando entender o que ocorria.

"TÃO OLHANDO O QUE?"

"OW MASCARADA! SEGURA A FRANGA POR QUE NINGUÉM TÁ A FIM DE BRIGA HOJE!" - gritou Aioria que dançava com Yura em um lugar próximo.

"Ai, é hoje!". - sentenciou Yuki vendo que o cavaleiro de Câncer já ia se levantar para tirar satisfação pela piada. Shura, no entanto, entrou na frente contendo-o.

"Calma Máscara, calma! Você é muito nervoso, se irrita por tolices. Um dia desses vai acabar enfartando".

"Era o que ia dizer". - disse Yuki - "Calma! Relaxe!" - pegou uma das mãos do cavaleiro de câncer, que estava sobre a mesa, e passou a dar tapas leves e de incentivo. - "Menos nervoso?"

"S-s-sim!". - respondeu fechando os olhos, expirando todo o ar dos pulmões calmamente e voltando a mirá-los.

"Quem sabe se você tomasse aulas de meditação com o Shaka". - Yuki parou de dar tapinhas em Máscara.

"AULAS COM A BARBIE? NUNCA!" - voltou a socar a mesa.

"Máscara da morte ¬¬" - pronunciaram Shura e Yuki em uníssono.

"Tá, tá... não foi intencional".

"Vou fingir que acredito nisso".

"Eu sei que pareço ser nervoso, mas... Hei! Veio-me uma piada a cabeça agora. Posso contar?".

"Ok o.o".

"Uma menininha estava brincando em um balanço em um parque. De repente ela caiu, por que isso ocorreu?".

"Ela se desequilibrou?".

"Não".

"Hum... não sei! Por que ela caiu?".

"Por que ela não tinha braços!" - um sorriso maldoso apareceu em seu rosto e ele riu discreto.

"OO"

"Máscara, vai se tratar! Faz um favor pra você e pra todos nós". - pediu Shura.

"Vocês nunca ouviram falar em humor negro?".

"Só você pra falar uma coisa dessas!" - comentou Yuki levantando-se da cadeira e tentando arrumar a vestimenta. A cintura fina estava ainda mais delineada devido ao cinto que estava com o feixe preso na antepenúltima casa; também usava uma camiseta muito larga e vermelha, com as mangas até os cotovelos e a cascata de cabelos lisos soltos um pouco além das costas e preso com um elástico na metade do comprimento; no rosto uma máscara branca e lisa sem nenhum adereço especial e que impedia de mostrar os lábios - como já era comum de sua pessoa, já que diferente das demais amazonas de ouro não tinha aderido á nova tendência.

"Agora que eu prestei atenção na sua roupa, garoto!" - falou Shura - "E esse elástico no cabelo hein?! Ficou um pouco parecida com o Mu".

"Shura, não vês que é uma homenagem ao maridão?" - argumentou Máscara da morte feliz por estar sendo inconveniente.

"Mu não é meu marido! o.o" - a garota corou furiosamente por detrás da máscara.

"NÃO? Pois, parece viu?! xD" - riu o cavaleiro de câncer.

"Vou-me embora! " - falou envergonhada.

"Tudo bem, mas antes você deve me responder o que sabe sobre Nana e Shun para fazer aquela insinuação".

"Eu não insinuei nada e já disse que não sei. Se quiser respostas pergunte a Amy".

"Não! A Amy não!" - protestou de imediato, pois estava irritado com a namorada.

"Hum... quem sabe Alex ou Lolly".

"Elas estão com a Amy".

"Luna? As duas até que conversam bastante, ela poderia lhe informar sobre algo".

"Pode ser... Onde será que ela está?"

"Isso eu já não sei! Dê uma volta pelo salão, duvido que ela esteja longe".

"Procurarei". - Máscara se levanta, empurrando sua cadeira para trás e deixa-os a sós.

"E você? Viu a Marcella?" - agora era Shura que falava a amazona de Áries.

"Estava dançando com Aldebaran se não me engano!"

"Se incomoda se eu for...".

"Oh não! Não! Vai lá! Ela deve estar ansiosa por encontrá-lo".

"Si si. Yo soy un hombre irreemplazable³ ".

"E modesto! "

"Até" - respondeu ele acenando e retirando-se.

Yuki voltou a sentar-se em sua cadeira e soltar um suspiro tímido vendo os casais dançando. Ou pelo menos, uma tentativa frustrada de uma valsa, levando em consideração que Aspasie mal-alcançava o ombro de Aioros e este parecia um equilibrista de circo por causa do exagerado salto-agulha que calçava. Dohko pisava nos pés de Elena a cada dois minutos por causa do sapato quarenta bico largo que ela usava. Entre outras pessoas um pouco mais discretas. Até que sentiu duas mãos fortes pousarem sobre seus ombros e começarem a fazer movimentos circulares naquela região.

"Quer uma massagem?"

"Sim! Obrigada!" - respondeu agradecida.

"E um beijo também?" - sentiu a pessoa descer a cabeça e dar um beijo delicado sobre seu ombro esquerdo e ir subindo pelo pescoço até próximo a sua orelha.

"Haha... Mu, isso faz cócegas!".

"Imaginei que sim". - ele puxou uma cadeira e se sentou ao seu lado, tomando uma de suas mãos entre as suas.

"Não deveria fazer isso em um lugar público".

"Os que não estão um pouco altos por causa da bebida estão ocupados demais com seus respectivos pares, ou ainda, tirando sarro um da cara do outro".

"Pegaram leve com você!".

"Foi sim!" - respondeu sem-graça e encolhendo os ombros. Ele usava um vestido bordô, com uma saia rodada e rendas pretas, deixando parte do tórax á mostra por causa do decote que tinha tido preenchido com generosa quantidade de enchimento. Os cabelos lilases estavam presos em um coque no alto da cabeça e no pescoço um medalhão em forma de coração.

"Ohohoh... você me lembra uma cafetina! xD"

"E você me lembra... eu mesmo! Só que sem os pontinhos e com os cabelos negros". - ele dá uma risada discreta, depois faz um movimento rápido tirando o prendedor, permitindo que a cascata lilás caísse pelas costas, deixando Yuki abobada com a beleza do namorado.

"Você é lindo meu querido!" - agora foi ela que deu um beijo delicado no ombro dele.

"Pensei que não quisesse chamar a atenção dos demais".

"Quem se importa com a opinião alheia? E sabia que você ficou muito bem com o meu medalhão?"

"Medalhão que eu te dei no dia dos namorados".

"Por isso ele é tão especial. Ainda te devo um presente em contribuição".

"O meu presente é a sua felicidade".

"Sabe o que estava pensando?"

"Fale..."

"Será que Kiki está bem?"

"Oh sim! Não se preocupe".

"Será que Shiryu e aquela tal de Shunrei cuidarão bem dele?".

"Acho que Kiki cuidará de Shiryu e Shunrei". – corrigiu Mu com certo ar de divertimento

"Que tal se fossemos para Áries?". – perguntou a garota.

"Mas, já? Por que tão cedo?"

"Hum... estou com um pouco de sono!" – argumentou corando levemente. Grande mentira! Na verdade, queria ficar sozinha com ele. Apenas com ele. A sós. Se é que vocês entendem...

Ela virou o rosto e passou a fitar os próprios pés, com certa vergonha pela própria idéia.

"Quer saber? Esquece! Vamos dançar?" – puxou-o pela mão e o conduziu diretamente para o centro da pequena pista de dança.

Enquanto isso, Shura ficou vendo Marcella dançar com Aldebaran, admirando-a se mover graciosamente mesmo com as roupas compridas e que escondiam o belo corpo. Nossa como ele gostava dela. Cansou de ficar olhando, era hora de ficar um pouco com sua garota.

"Deba! Larga o meu homem! Agora!" - respondeu caminhando até os dois.

"Não seja possessiva!" - respondeu o cavaleiro - "Ele é todo seu! Falamos-nos depois Marcella".

"Ok!" - sorri e abraça Shura pelo pescoço - "Por que demorou tanto para aparecer?".

"Estava te admirando ao longe... Hahaha, e lembrando de quando nos esbarramos".

"Esbarramos? Nós rolamos a escadaria das doze casas!".

"Você, sempre apressada, me agarrou na primeira oportunidade".

"Mentiroso. Nós nos beijamos acidentalmente". - pegou as mãos dele como uma dama e passou a guiá-lo - "Hoje eu o controlo!".

"Isso é uma promessa de ser uma noite inesquecível em todos os sentidos?".

"Por que você sempre leva para a malícia?".

"Quer dizer que mais uma vez eu vou perder as esperanças?".

"A esperança é a última que morre! xD".

"Hum... eu tenho chances!" - volta a segurá-la pela cintura e muito bem segura por seus braços fortes, a faz jogar a cabeça para trás e inclinar sua coluna. Um passo conhecido em muitas danças famosas.

"Uau! O que foi isso?" - perguntou Marcella voltando à posição inicial.

"Gostou? Posso fazê-la se contorcer mais e...".

"Por que você não pode ser mais romântico? Eu sou uma lady!".

"Não! Eu sou a lady!" - respondeu Shura - "Persuada-me". - e saiu andando na direção oposta.

"Meu espanhol atrevido ".


"Enfim..."

"... sós!"

O casal encontrava-se do lado de fora do salão, um pouco além da entrada em um canto escuro. Ele a encurralou contra uma parede, os braços apoiados nas laterais da cabeça dela. A moça mantinha os próprios braços nas costas e ergueu um pouco o queixo para poder fitar o homem que era mais alto.

Por um segundo ele analisou todo o rosto da moça, louvando Athena em pensamento por permitir que as amazonas usassem a máscara que deixava a boca á mostra. Então, desceu com a cabeça para tomar seus lábios - já com as pestanas semi cerradas - e ela o aguardava com ansiedade.

"OW MIRO! O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AÍ NO CANTO?"

Miro assustou-se, desviou os lábios de sua rota e depositou um beijo leve no ombro de Luna.

"Ohoho! Por um acaso eu ia perguntar se você tinha a visto, mas pelo que vejo você não só a encontrou como...".

"QUIETO!" - sibilou nervoso distanciando-se dela e se colocando de frente para Máscara da morte - "Poupe-nos de seu deboche!".

"Tudo bem, mas o meu assunto é rápido, pombinhos!".

"Fale!"

"Não é com você! É com ela".

"O.o Comigo por quê?"

"Por que sim!".

"Depois você some daqui?".

"Oh claro! Percebo que estou sendo inconveniente!" - sorri satisfatoriamente vendo Miro revirar os olhos impaciente. - "Mas, é uma conversa particular".

"Eu não vou te deixar sozinho com ela aqui no escuro".

"Diferente de você, as minhas intenções são puras e castas". - respondeu tranquilamente dando um ar de superior.

"Pára!" - pediu a garota - "Vamos para próximo da entrada, você entra, toma uma bebida e depois que eu falar com ele te encontro lá dentro".

Miro deu um olhar a contragosto para ela, com os braços cruzados diante do peito.

"Ah! Faz o favor! Ele me odeia depois daquele incidente desagradável que ocorreu na casa de câncer".

"Sim, isso é verdade. E você não faz meu tipo ¬¬".

"Digo o mesmo Máscara da morte u.u".

"Percebe-se de longe que você gosta do modelo grego, petulante, pornô, agressivo".

"Mascarado, estou sedento por dar um murro em alguém. Acho que vai ser premiado se continuar a me provocar".

"Quanto mais rápido você for, mais rápido nos livramos dele". - sentenciou Luna.

Ele se deu por vencido, puxando-a pela mão até a entrada do enorme salão e esperando que o cavaleiro de câncer se aproximasse.

"Comporte-se!" - falou entre dentes.

"Não vou me demorar! Quero apenas falar com ela".

Miro retirou-se a passos lentos, com uma postura rígida imaginando as mais diversas técnicas de tortura para aplicar no outro cavaleiro.

"Fale!" - pediu a garota impaciente fitando-o e pensando no troco que daria pelo acontecimento.

"Vou fazer uma pergunta e quero que seja sincera".

"Máscara, eu responderei. Sim! Você é um estorvo!".

"Não era essa a pergunta, chega de brincar... ¬¬".

"Hunf!".

"A Nana e o Shun estão tendo alguma coisa além da amizade?".

"VOCÊ INTERROMPE A MINHA CONVERSA COM MIRO PRA BISBILHOTAR NA VIDA DA SUA IRMÃ? Ò.Ó".

"Bisbilhotar é uma palavra muito feia u.u".

"Eu não vou responder! A vida é dela e você não tem nada a ver com isso".

"Você sabe de alguma coisa".

"Não sei, mas mesmo que soubesse não falava".

"¬¬"

"Olha, a única coisa que eu tomei conhecimento é que eles são muito ligados. Mas, amigos! Nada mais! O Shun é tão irmão dela quanto você!". - ela deu tapinha nos ombros dele - "Relaxe e vá curtir sua festa, chame a Amy pra dançar, vocês estavam dando um baile na pista ontem, você com aquele chapéu estilo-máfia... ".

"Eu fui grosseiro com ela. E não vou dar o braço a torcer".

"Bom, você sabe o que fazer não é?". - sorri - "Posso ir agora?".

"Pode, eu sei que minha companhia hoje está insuportável pra qualquer um".

"Só fica mais calminho tá? Bebê!".

"Não fale com essa voz estúpida".

"Que vozinha estúpida Cacá? xD".

"Grrrr..."

"To indo, to indo..." - e ela entra no salão.


Outra dupla dançava de forma lenta, aparentemente, Aspasie tinha exagerado na bebida e no momento - com a cabeça encostada no tórax de Aioros - tentava dormir enquanto esse a guiava de forma suave. Eles não pronunciavam uma única palavra, até que ela deu um bocejo leve e Aioros afagou seus cabelos.

"Esqueci-me que você trabalhou o dia inteiro no hospital. Quer repousar?".

"Não! Eu quero curtir a festa... uaahh". - ela sabia que Aioros não se divertia há tempos e para deixá-lo feliz com sua companhia, faria o possível.

Ele sorriu bondosamente mirando-a. Tão bonita e cansada.

"Vou colocar você para dormir".

Ela não fez objeção, grata pela sugestão, apenas repousando a cabeça sobre seu ombro direito e permitindo que este a carregasse no colo, saísse do salão e a levasse dali.

"Pensando melhor, eu deveria ficar no salão. E se alguém passar mal?"

"Se alguém passar mal vai ficar com ressaca amanhã. Tem que parar de se preocupar tantos com os outros e um pouco mais consigo mesma. Minha enfermeirinha". - sentenciou o cavaleiro.

"É o meu trabalho! E mais uma coisa, eu não sou enfermeira! Sou médica!"

"Força do hábito. Desculpe!". - ele seguia com ela, até que notou uma pessoa vindo no sentido contrário. Aspasie deixou de falar e deixou sua cabeça tombar para trás.

"Aonde vai com Aspasie?"

"Ela bebeu um pouco demais e estava quase desmaiando na pista de sono. Vou levá-la para repousar".

"Em sua casa?"

"NÃO!" - apressou-se em consertar - "Nos aposentos dela e depois rumarei para minha morada, está um pouco tarde não acha?".

"Muito tarde!" – completou.

"Justamente! Com sua licença". - Aioros seguiu seu trajeto, sem se preocupar com o indivíduo que acabara de encontrar.

Shion seguia até o salão, mas deparou-se com outra pessoa no meio do caminho.

"Onde estava indo? Pensei que não quisesse seguir para aquele pequeno antro de perdição".

"E não queria. Apenas senti curiosidade. Se bem que... se todos estiverem trajando saias iguais a sua...".

"Hum... sabia que tinha esquecido algo". - sibilou enrubescendo e observando as pernas que estavam cobertas por uma calça e uma saia por cima. - "Esqueci-me disso antes de sair do salão". - Dohko desamarra o feixe e esta se solta de sua cintura, então passa a dobrá-la. - "Não achei conveniente andar pelo santuário vestido dessa forma, já estava me sentindo incomodado".

"Certo! Entendi..." - completou Shion fitando-o - "Dohko, eu queria fazer uma pergunta".

"Pois faça..."

"Não achas que os cavaleiros e amazonas estão muitos... muito... próximos". - o grande mestre batia a ponta dos dedos de uma mão com a ponta dos dedos das outras mão.

"Próximos como?"

"Oras essas... próximos!" - o cavaleiro enlaçou-as, fazendo as mãos se juntarem.

"OO".

"Não dá pra ser mais claro que isso! u.u"

"Oh... compreendo. Você se refere próximos como você e a senhorita Lioncourt?".

"DOHKO! NADA DE AFIRMAÇÕES LEVIANAS! Ò.Ó".

"Não são afirmações levianas caro mestre".

"E isso também não é da sua conta!".

"Então com que argumentos você vem perguntar sobre o relacionamento dos demais?"

"Permita-me ser claro: Eu sou Shion, grande mestre do santuário, zelo pela paz e justiça da Terra há muitos anos e minha obrigação é não permitir que problemas pessoais interfiram no andamento desse processo. Não seria nada agradável se os protetores de Athena se... se...".

"Apaixonassem?".

O ariano deu um sorrisinho de deboche.

"Qual é a graça?" - perguntou o outro.

"Apaixonassem? Acha que homens como eles teriam condição para tanto?".

"Não vejo por que não!"

"Ohoho...Dohko!".

"Você se esquece de que eles são humanos?".

"Não, mas acho pouco provável nutrirem algo do tipo...".

"E por quê?".

"Por exemplo, Máscara da morte; apesar de ter passado para o lado de Athena sempre teve uma essência tenebrosa. Shaka; reservado, sério, neutro. Miro; mulherengo e com pouca chance de se prender a uma única pessoa. Camus; individualista, não demonstra sentimentos, compenetrado; Afrodite; sinceramente, não acho que uma pessoa que procura seu reflexo em colheres de chá tem condições de criar uma vida a dois. E etc..."

"Shion, se um homem como VOCÊ se interessou por uma mulher indiscriminadamente, o que dizer dos demais?". - retirou-se na direção oposta.

"Dane-se!" - balbuciou baixo.


No interior do lugar, a festa já minguava, já passava das quatro da manhã e grande parte dos convidados se via em dúvida se esperava Camus acordar ou se retiravam para suas respectivas casas zodiacais.

"Não sei por que tanto esforço só para vê-lo se estressar!"

"Eu também não sei por quê!" - respondeu Aldebaran fitando Calisto - "Mas, então por que o arrumou?".

"Graças a influência de terceiros o.o".

"Ah! Que isso Calisto? Até parece que não foi divertido transformá-lo nessa bonequinha!" - respondeu Lolly apontando para o cavaleiro de Aquário. Ele estava com uma fita no alto da cabeça com um laço caprichosamente amarrado, uma blusa com uma sequência de botõezinhos e uma saia que ia até os joelhos. Tudo rosa. Nos pés um sapatinho de cor branca.

"Eu posso colocar uma flor nele?" - pediu Luna que chegou acompanhada por Miro.

"Uma rosa você quer dizer!". - concluiu Alex - "Mas, ele já tá rosa demais".

"Mais eu dou uma de cor branca! Daí pode combinar com os sapatos e vai ficar um mimo".

"Se ele acordar e ver a rosa vai concluir que foi você que armou tudo". - falou o cavaleiro de escorpião.

"Ah! Camus não vai fazer nada, ele não pode ser tão vingativo assim, ou será que pode?".

"Eu o conheço há muitos anos e por isso estou dizendo".

"Não importa, eu quero colocar do mesmo jeito". - ela tira uma rosa branca que já desabrochara entre seus dedos e passou a arrancar os espinhos - "Lolly, você quer colocar ou eu...".

"Tanto faz! Dê-me" - pegou a flor, abriu dois botões da blusa do francês, enroscou-a na gola e depois fechou uma casa. - "Pronto".

"Ele tá tão bonitinho! Eu estou tão orgulhosa do meu trabalho que vou... vou..." - Alex se aproximou da obra-prima e depositou um beijo na testa do cavaleiro. - "Agora eu sei como papai Saga se sente com relação a mim. Será que Camus não aceita ser a minha filhota?".

"A-Alex! Olhe!" - Lolly apontou para a moça que estava acordando.

"Ops". - ela recuou um passo para trás.

O Francês começou a abrir seus olhos devagar e um pouco zonzo foi começar a tomar conhecimento do que estava acontecendo. Lolly foi para trás de Aldebaran que conversava com Calisto, enquanto Luna e Alex foram para trás de Miro.

"O-onde eu estou? A-aqui é a casa do mestre?". - fitou o rosto de todos que ali estavam e reparou que mais pessoas se amontoavam ao redor dele.

"Olá chuchu! Quer um drinque?" - convidou Amy sorridente ostentando uma bebida.

"Bebida? Chuchu? SHURA! Onde está aquele fils d'une flâneuse(4)?"

"Aqui!" – respondeu levantando a mão – "Mas, gostaria de lembrar que Miro e Aioros também me ajudarão a trazê-lo aqui".

"MIRO SEU IDIOTA! COMO PODE DEIXÁ-LO FAZER AQUILO COMIGO? DEPOIS SE DIZ MEU MELHOR AMIGO!".

"Calma! Não precisa ficar tão nervoso por uma piada. E além do que, acho que você ainda não tomou ciência do que mais eu deixei que fizessem com você".

Camus começou a sentir uma corrente de ar por entre suas pernas, aquilo era bem confortável apesar de ser - ao mesmo tempo - estranho. Olhou para baixo e viu-se coberto apenas por uma camada de algodão de coloração rosa bebê. "Oh não" - pensou. Mirou os braços que estavam desconfortavelmente revestidos por uma manga bem mais apertada que a costumeira, depois fitou o busto com a rosa branca e a fileira de botões; passou a mão pelos cabelos e sentiu a faixa que aprisionava as rebeldes madeixas azuis.

"Bem vinda a festa do trocado do santuário de Athena babe!?" - proclamou Kanon maldosamente - "Se um dia você morrer de novo, você vai virar PURPURINA!".

Camus fechou os olhos devagar e respirou fundo.

"Eu acho melhor vocês pegarem mais leve!" - pediu Lolly não conseguindo conter um riso de contentamento - "POR MAIS ENGRAÇADO QUE POSSA PARECER! HAHAHA!".

Tudo aquilo provocou um efeito surpreendente no cavaleiro que fechou os olhos e passou a concentrar seu cosmo. O salão começou a esfriar, uma corrente de ar muito forte passou a correr pelo lugar e os cabelos dele começaram a esvoaçar.

"Nossa! Eu nunca vi meu mestre assim!" - sentenciou Mikage.

"Acredite, nós também não?!" - respondeu Shura dando alguns passos pra trás.

"Cadê o Mu e aquela parede de cristal quando se precisa dela?".

"Dane-se o Mu! Pernas pra que te quero!"

Todos se viraram em direção a porta, o ar estava ficando muito pesado e a temperatura caia gradativamente. Mas, encontraram uma pessoa tapando a passagem.

"O que ocorre aqui?" - perguntou Shion adentrando o recinto. - "E por que está tão frio?".

Os demais deram espaço e um grande corredor central formou-se permitindo que o mestre do santuário pudesse ver Camus - já de pé - e com seus cabelos sacudindo graças ao vento. Por um momento ele riu, mas conteve seu lapso e voltou a embrutecer.

"Pare com isso cavaleiro de Aquário! PÁRE JÁ!".

Por alguns poucos segundos Camus não teve a intenção de parar, como se fosse tomado por um desejo doentio de congelar tudo e a todos no recinto. Entretanto, sua personalidade forte voltou a reinar e ele parou com o ato. O saldo final desse "deslize" foi uma fina camada de gelo sobre o assoalho e neve salpicando os convidados.

"Por que diabos vocês tem que se portar como crianças? Foi só chegar esse bando de ninfetas e o santuário virou um poço de confusão". – falava o aquariano.

"Agora a culpa é nossa? Ah! A culpa é desse bando de marmanjo aqui!". - protestou Alex colocando a mão na cintura.

"Sabe qual foi o seu problema piveta? FALTA DE CINTA!" - respondeu Camus dirigindo-se até a moça que encolheu os ombros.

"Você não fala assim comigo senão...".

"SENÃO O QUE?"

"Eu vou chamar o meu pai? n.n"

"Camus, não fala assim com ela! Todo mundo teve uma parcela de culpa". - defendeu Lolly.

"Você também?".

"Um pouquinho assim". - respondeu fazendo um gesto indicando uma pequena porção. Ele seguiu na direção dela.

"Ow, tá esquecendo dessa rosa aí no seu decote? Essa não foi idéia minha!".

"Traidora ".

"Já ia me esquecendo de você". - agora ele seguiu rumo a Luna.

"Gostaria de lembrar que eu só providenciei a rosa e quem arrumou grande parte da maquiagem foi a Calisto".

Ele desviou de caminho de novo e seguiu na direção da moça que se escondeu atrás de Aldebaran que não se moveu um centímetro.

"Uma coisa é você querer acertar as contas com amazonas treinadas e outra é com uma moça que não tem a mesma força que você! Se quiser culpar alguém vá falar com os marmanjos que trouxeram você para a mesa de operação".

"CHEGA!" - gritou Shion - "ESTÃO QUERENDO INICIAR UMA GUERRA? FAÇAM O FAVOR DE SE CONTEREM!".

Todos se calaram e um silêncio quase sepulcral se fez.

"Eu vou dormir! Só passei para ver como estava o andamento da festa! Contenham-se! Vocês são amazonas e cavaleiros de ouro". - Shion deu meia volta e foi para a porta - "Camus! Eu te proíbo de transformar qualquer um aqui em um esquife de gelo sob penitência de trabalhar o resto de seus dias na cozinha do santuário. Aos demais, eu lastimo o grau de infantilidade e falta de classe a que chegaram. Boa noite a todos". - retirou-se.

Mais uma vez o silêncio se fez até que Miro quebrou-o.

"Só queríamos que você entrasse no espírito da brincadeira!" - tentou se justificar. - "Você nunca adere a nada do que tentamos propor, está sempre tentando se isolar de alguma forma".

"Isso é mentira! Eu participo de tudo que vocês fazem, treino, me reúno, danço... Mas, existem coisas que eu simplesmente não quero compactuar e gostaria que vocês respeitassem. Esse é o meu jeito de ser e está acabado. Eu não tenho que me adaptar a nada e vocês não tem que fazer disso um campeonato: Opa, opa! Quem tira o Camus do sério primeiro? Parem com isso, pois já cansou! O que me irritou não foi vocês me vestirem de mulher. Todos vocês estão ridículos e patetas, alguns até piores que eu. SÓ QUE DÁ PRA RESPEITAR A MINHA VONTADE E PARAR DE FORÇAR UMA COISA A TODO CUSTO? VOCÊS CONSEGUEM ENTENDER ISSO?

Ele respirou fundo e devagar seguiu pelo salão, tentando não escorregar por causa do gelo, depois sumiu pela porta e vagou pela noite.

"Será que nós exageramos?" - perguntou Calisto um pouco chateada.

"Não faço idéia!" - confessou Lolly.

Por um tempo todos ficaram em silêncio e sem se comunicar, uma atmosfera estranha e triste pousou sobre o lugar.

"Bem pessoal, a festa ainda não acabou não é? Som na caixa e vamos dançar!" - Kanon puxou Kassumi pelo braço para o meio do salão e começou a atiçar para que os demais casais fizessem o mesmo.

Miro fez menção de seguir o amigo, mas antes procurou a acompanhante.

"Luna?"

"Hum?" - ela dava apoio para um dos braços e mantinha uma mão sobre a boca numa postura pensativa. - "Espere até amanhã! Ele está um pouco nervoso agora e não vai querer papo. Além do que você é um dos amigos mais próximos, deve estar chateado".

"Eu fiz isso só por diversão. Não pensei que fosse fazer isso e se zangar de tal maneira".

"Diga isso á ele! Amanhã!". - completou. - "Ah! Pedindo minha opinião?".

"O que tem isso demais?".

"Nada! Apenas achei que não tem nada a ver com você. Miro de escorpião NÃO precisa dos outros".

"Só de algumas pessoas mais importantes. Como você".

Ela riu desconcertada - "Agora você me deixou sem graça!". - passou a fitar o chão evitando encará-lo - "E pare de olhar pra minha cara!". – deu meia volta e seguiu para a direção oposta.

Miro sorriu levemente vendo-a se afastar e passou a refletir. A festa acabara, pelo menos, para ele.


Quanto a Saga e Yume, permitam-me reservar um parágrafo especial para eles. O casal desistira da festa, não agüentavam mais toda aquela loucura de música alta e bebidas aos montes, a farra fora boa, mas tudo que é demais enjoa. Ainda mais para a sacerdotisa - que mantinha um ritmo constante - e que precisava repor suas forças com certa urgência.

Como o cavaleiro de gêmeos não suportava mais ser motivo de piada para os demais, a "grande mãe" - apelido dado carinhosamente por seu irmão - acompanhou a moça até sua casa. Saga trocava-se no banheiro do local, livrou-se de todas as roupas que usava antes e que adulteraram sua imagem sóbria e séria. Ouviu batidas na porta e abriu uma fresta.

"Tome essas mudas de roupa! São suas mesmo".

"Por que eu te dei roupas masculinas?"

"Você me emprestou para experimentar e ver qual delas caia melhor em mim para a festa. Essas roupas são as que eu não usei!".

"Certo! Entendi!" - pegou as mudas de roupa e trancou a porta. Quando a mulher estava a uma distância considerável da porta voltou a abrir-se - "Yume?".

"Sim?".

"Obrigado".

"De nada Saga!" - ela sorriu bondosamente e seguiu seu caminho.

Um tempo depois ele encontrou-a ainda vestindo as roupas da ocasião. Entretanto, ela desistira de usar os sapatos - grandes demais para os pequeninos pés – por isso andava descalça. Soltou os cabelos que estavam presos e caídos até a cintura.

Linda - deduziu Saga sorrindo sem dizer nada.

"Ah! Você já chegou! Devo dizer que prefiro você assim e sem aquela maquiagem pesada".

"É um alívio saber que fico melhor do jeito que sou".

"Sim! Sabe... eu reparei que a sua perna está marcada perto da panturrilha".

"Sé-sério? Eu nem percebi!" - ele ficou um pouco nervoso e lembrou-se mentalmente do castigo severo que daria á Alex pela eficiência da cera quente.

"Mudando de assunto, você não gostaria de tomar o café-da-manhã. Já é praticamente de dia".

"Que horas são?".

"5h20".

"Eu não sei, pensei em ir para gêmeos dormir um pouco. Estou muito cansado".

"Ah, tudo bem". - ela ficou um pouco desapontada, mas tentou disfarçar.

"Ao menos que você faça muita questão".

"Eu gostaria de sua companhia".

"Então eu fico, mas só me permitir ajudar".

"Acha mesmo que vou ficar trabalhando para você sem mais nem menos?".

Ele sorriu novamente, mas um brilho diferente se formou em seus olhos azuis e eles se encararam demoradamente.

"O que você tá olhando?" - ela perguntou.

Saga não respondeu de imediato. Foi como se de mansinho ele fosse tomado por uma coragem arrebatadora e se não falasse aquilo agora, não falaria mais.

"Posso te beijar?". - ele deu um passo para frente e mexeu numa das mechas dos longos cabelos negros, fitando os olhos - também azuis - da moça.

"Por que quer isso?"

"Por que..." - ele depositou um beijo leve em seus lábios e depois aprofundou o gesto com gosto.

Como resistir ao romantismo e ao gênio de Saga? Homem tão mutável ela nunca conhecera. Nem tão encantador. Eles se separaram por um momento, apenas para que ele completasse a frase.

"... amo você".


Todos iam embora, a festa já acabara e apenas um homem aguardava sua amada sair do salão.

"O que está fazendo aqui fora?" - perguntou Amy secamente e se despedindo de Lolly e Alex que desistiram de esperá-la e seguiram seu caminho.

"Eu... eu estava esperando você sair". - respondeu Máscara da morte um pouco irritado.

"E por quê?"

"Eu tenho que te falar uma coisa!"

"Fale então". - respondeu Amy soltando a peruca e deixando os cabelos negros caírem até metade das costas.

"Desculpe!" - balbuciou sem encará-la - "Eu não quis ser grosseiro".

"Meme...". - ela falou sem se conter, fitando o cavaleiro que estava ainda vestido de mulher e chateado, com o orgulho ferido. Seu lema: Máscara da morte de câncer nunca pede desculpas. - "TÁ DESCULPADÍSSIMO QUERIDO!" - ela pula nos braços dele, enroscando-se em seu pescoço já sem a máscara e dando um beijo em seus lábios, fazendo-os cair no chão.

"Se eu soubesse que seria tão fácil assim, teria ido falar com você antes". - respondeu sinceramente.

"Estou lisonjeada com esse seu ato, mesmo sabendo que eu iria te perdoar de qualquer maneira".

"Sério? Então eu retiro o que eu disse! u.u".

"Ó.Ò Como?".

"Er... brincadeira!" - ele levantou o tronco, e fez a garota sentar-se em seu colo - "La mia principessa (5)" - e tomou seus lábios novamente para um beijo gentil.

Continua...


Vocabulário:

¹- Referência à obra de Machado de Assis: Dom Casmurro.

²- Depressão pós-parto: A depressão pós-parto é uma forma de depressão que afeta mulheres após terem dado a luz a um bebê.

³- Si si. Yo soy un hombre irreemplazable: Sim sim. Eu sou um homem insubstituível.

(4)- Fils d'une flâneuse: Filho de uma vadia.

(5)- La mia principessa: Minha princesa.


N/A: Mais uma vez a demora. Pensando melhor, ignorem as minhas previsões, eu definitivamente não tenho controle do meu calendário.

Mais um capítulo postado e pra ser sincera, eu estou orgulhosa do resultado. Minha meta para o próximo: rumar para uma história mais séria, se tudo correr bem e eu não alterar meus planos novamente.

E sim! O santuário tem uma mascote... O gato. Eu troquei o Shiryu e o Kiki por um circo de pulgas. As roupas, ou grande parte delas, estão horríveis, mas a intenção era a brincadeira. Quanto a cena de Hyoga e Lilits, bem... eu achei válido escrevê-la. Para bom entendedor meia palavra basta, o que dizer de um texto um pouco mais explícito? E sobre as frases em negrito separando as partes mais ousadas, teve uma boa aceitação da última vez, achei que seria interessante recolocá-las novamente. Idéia da minha amiga Lulu!

E por falar em amiga, espero que a Alana não se chateie comigo por não ter dado o capítulo para ela betar, mas já estava tudo muito atrasado.

A formatação da fic está em constante modificação e quem sabe os próximos capítulos serão mais curtos e escritos mais rapidamente. Espero que tenham gostado de mais esse pedaço.

Comentem deixando opiniões, críticas e sugestões.

Felicidades á todos e até a próxima.

Atenciosamente

Pisces Luna