Saint Seiya pertence á Masami Kurumada e Toei.
O nome Carlo é de autoria da ficwritter Pipe.
Boa leitura e divirtam-se :)
As namoradas do zodíaco
Por Pisces Luna
Capítulo XX: Pecado Original
Uma noite turbulenta para Marcella que acordou exasperada depois e mais um pesadelo tenebroso. A cabeça rodando, uma ânsia de vômito provocada pelas bebidas fortes da noite passada e um sentimento horrível obrigou a amazona de virgem erguer-se prontamente de sua cama no interior de sua respectiva casa zodiacal e correr para fora do aposento. Abriu o pesado portal rústico de seu quarto quase tropeçando na grande roupa de dormir bem comprida que cobria os pés e as mãos e passou a gritar...
"SHAKA! SHAKA! ATHENA ESTÁ MORRENDO! ATHENA ESTÁ MORRENDO! SHAKA!".
Do outro lado de um aposento enorme veio Shaka correndo com os olhos fechados e os pés descalços para ver o que assustava a garota, desesperado de tanta preocupação.
"Marcella, calma!" - respondeu segurando-a pelos braços.
"Não, Shaka! Athena está morrendo". - ela falava com a voz embasbacada e os gritos cada vez mais estridentes.
"NÃO! ELA ESTÁ BEM! ACALME-SE!".
"SHAKA ME ESCUTE! EU TIVE UM PESADELO! É VERDADE! É FATO".
"NÃO É! PÁRE DE SE DEBATER" - ele a sacudiu com firmeza como se quisesse fazê-la acordar. - "Athena está bem". - ele disse tranquilamente - "Foi só um sonho, um sonho ruim... shhiuu".
"Shaka... mas, não pode ser...". - ela sentou-se no chão vencida pela força do mestre e o peso do próprio corpo - "Era real demais".
"Era mentira!" - ele fez carinho em seus cabelos longos e castanhos que estavam soltos - "Era um pesadelo. Fique tranqüila". - foi escorregando até o chão e segurou a cabeça da discípula com as duas mãos, mas gentil - "Pare. Eu já tive isso um dia a muito tempo atrás quando não conseguia controlar meus poderes tão bem".
"Não, me escuta, é verdade. Eu pressinto o pior, acredite em mim, POR FAVOR! ACREDITE EM MIM!". - já aos prantos de desespero ela se desvencilhou dos mestres a força.
"Não chore, não chore! Está tudo bem... bem...".
"Athena! ATHEna! ATHENA".
E como se o lamento tomasse proporções sonoras incríveis, ele ecoou em um timbre tão estranho que foi ouvido por uma outra pessoa que estava muito distante dali...
"Marcella?" - chamou Saori em seu quarto na mansão Kido, virando-se na direção da porta com a impressão de ter ouvido a voz da garota atrás de si. - "Marcella?" - questionou mais uma vez indo até o corredor diante de seu quarto e olhando para as duas direções contrárias para ver se ela realmente não estava ali.
"Estranho, jurava ter ouvido a voz dela...". - disse Saori para si mesma se preparando para entrar no quarto novamente.
"Voz de quem?" – perguntou a pessoa, aparecendo na outra extremidade do corredor.
"Seiya...". - disse com um sorriso terno nos lábios - "Pensei ter ouvido Marcella agora a pouco".
"Onde? Aqui?".
"Sim".
"Impossível".
"É eu sei. Será que estou ficando louca?".
"Louca eu não sei, mas está mais bonita hoje que em dias normais. Está corada". - disse sorridente.
"Obrigada" – respondeu ficando ainda mais escarlate.
"Agora está mais vermelha ainda. É o efeito que eu causo nas mulheres bonitas".
"Seiya!"
"Hahaha... desculpe. Vai descer tomar café? Já está bem tarde...".
"Sim... já vou" – ela adentrou o quarto, mas antes de fechar a porta se virou para ele mais uma vez – "Até daqui a pouco".
"Até".
Ele ficou observando a porta ser encostada, fechando os punhos dentro do bolso da calça branca, um pouco preocupado.
"Um dia ela tem sonhos ruins, no outro está imaginando ouvir a voz das amazonas, um dia vai me chamar de Dohko ou Shura sem querer...".
"O QUE ESTÁ FAZENDO AÍ, SEIYA?" - perguntou Tatsume despontando na outra extremidade do corredor - "ESTÁ SONDANDO O QUARTO DA SENHORITA SAORI?".
"Um dia eu te conto o que eu estou fazendo aqui tão cedo..." – respondeu para provocá-lo com um sorriso nos lábios e encenando um olhar sonhador.
"Esse sorrio demente, esse jeito ridículo de andar, SEIYA VOCÊ NÃO SE ATREVERIA A..." - Tatsume parecia à base de um colapso.
"Tchau Tatsume... Hahaha".
"Não, espere! ESPERE!".
"O que está acontecendo aqui? Tatsume?" - perguntou Saori voltando ao local - "Que gritaria é essa?".
"N-n-não é nada, senhorita!" - disse afrouxando o colarinho do terno discretamente. - "Eu só vim avisar que Shun e a senhorita Adriana encontram-se no andar inferior aguardando ansiosamente sua aparição".
"SÉRIO? AH! QUE Bom...". - a voz foi perdendo a convicção aos poucos. Se por um lado era bom rever rostos conhecidos e amigáveis, por outro não era nada anormal de se supor que Shion gostaria que ela voltasse ao santuário, esquecendo completamente seus sentimentos como sendo simplesmente uma garota normal de 13 anos e já ir se acostumando novamente a não ver Seiya sempre quando desse na telha.
"Alguma coisa errada, senhorita?".
"Não, de modo algum, avise-os que já irei cumprimentá-los, colocarei algo mais apropriado" - falou indicando um modesto penhoar rosa claro.
"Certamente". - girou nos calcanhares e com seus movimentos - muito próximos de um robô - andou até o andar inferior, passando pelas escadas, dando a volta no labirinto que era o térreo e chegando a sala de visitas que era decorada com todos os padrões ocidentais.
"A senhorita Kido não se demorará em recebê-los. Aceitam um café?".
"Não, obrigado Tatsume". - disse Shun tomando partido pelos dois - "Você não poderia fazer um chá? Nana está amuada graças à viagem".
"Certo". - e retirou-se torcendo o nariz para o garoto.
Shun virou-se para fitar a garota que tinha sido depositada por ele há alguns instantes no sofá de três lugares da sala. Ela semi-flexionou um dos braços e cobria os olhos com a costa da mão esquerda enquanto mantinha a outra sobre o tronco.
O rapaz deu uma espiada pelo rosto encoberto da jovem e assim, sem querer, foi descendo com o olhar pelo corpo bem trabalhado na garota. Do rosto para o colo, aos seios, barriga, demorou-se nas coxas torneadas, joelhos e os pequeninos pés. Pensamentos pouco puros percorreram seu cérebro por um momento até seus olhos voltarem a se fixar nos pés dela que estavam encobertos por finas meias e um tênis com amortecedores.
Desconfortável para uma pessoa que está passando mal. Diante dessa cena, a malícia sumiu, já que tem horas que coisas como, carinho e amizade são muito mais importantes que instintos carnais. Ele se dirigiu bondosamente, desamarrou os cadarços e devagar retirou cada um dos calçados, libertando os pés da jovem.
"Shun, não faça isso. Não fica bem, eu sou visita".
"Duvido que o Tatsume se importe".
"Sei lá, não entendo uma única palavra do que ele fala". - disse erguendo-se abruptamente - "E quer saber? Sinto-me bem melhor". - ela deu alguns passos para frente, até tropeçar no tapete e se aparada maquinalmente por um Shun atento.
"Você está ótima, Nana". – respondeu rindo e então, ergueu-a novamente e a depositou no sofá.
"Desculpe por dar trabalho, você cuidou de mim a viagem inteira, deve estar exausto".
"É, estou sim". - diferente de Nana, ele não se importava de aparentar desgaste. - "Mas, eu agüento mais um pouco".
"Nem dá pra acreditar que você foi possuído pelo espírito de Hades já que tem toda essa bondade".
Ele virou espantado para ela, os olhos meio arregalados para depois cerrá-los rumo ao chão, com um misto de vergonha e certa, porém escassa, repugnância.
"Desculpe". - ela balbuciou temerosa - "Imagino que isso não deve te trazer boas lembranças".
"Sim, mas não precisa se preocupar... isso vai passar aos poucos". - ele sorriu - "Você me lembra meu nissan, mas mais doce e perfumada".
"Hahaha..." - ela sorriu tão naturalmente com o comentário que o encantou só de ver um sorriso tão espontâneo - "Em que aspecto?".
"No de fingir ser sempre uma fortaleza".
Ela parou de rir aos poucos e uma sensação meio incômoda veio á tona.
"Falei algo errado?".
"Não" - e se aquietou, levantando logo em seguida e fingindo olhar os quadros expostos – "Ele percebeu..." – pensou espantada no modo como ele conseguia ser tão observador.
"Nana...".
"Sim?".
"Saori está vindo".
A menina apareceu cumprimentando Shun e depois Nana, ambos com abraços, não se importando de demonstrar sua felicidade.
"Que bom que vocês estão aqui. Por um acaso, Marcella não veio com vocês?" – questionou a deusa esperançosa de que não estava ouvindo coisas.
"Como?" – Perguntou Shun não entendendo nada.
"Ah... nada, nada... Acho que devem estar cansados, por isso trataremos de assuntos burocráticos depois, certo Adriana?".
"Sim, Athena".
"Aqui no Japão sou só senhorita Kido, mas já que tocou no assunto, é Saori para você".
"E Sasa para os muito íntimos, como é meu caso". - disse Seiya aparecendo no ambiente.
"Que pertinente, Ogawara".
"Hahaha... desculpem-me a brincadeira, Saori-san".
Ela acenou não dando muita importância e indicando um caminho para fora do lugar.
"Vamos, quero que repousem. Bem-vindos ao Japão".
Voltando a Grécia, em um estábulo escondido no interior do santuário, atrás da floresta e de uma colina, havia uma área onde cavalos eram muito bem tratados e mantidos em estrebarias, com muito feno e confortos próprios para os animais. E ali, naquele reduto, que certo casal passou a noite. Afrodite foi o primeiro acordar e fitar o teto do lugar. Tinha se recostado em um monte de palha muito fofo e bem tratado. Em seu peito Teella jazia adormecida com o cabelo rosa esparramado pela região do abdômen dele e parecendo ter um sonho muito bom, pois estava sorrindo.
"Teella... acorde...". - ele tentou se erguer forçando-a acordar, mas recuou de volta a sua posição como se o peso de seu corpo fosse um fardo terrível.
"Hãn? O que? Onde estamos?".
"Estábulo, ébano, caramelo, santuário...".
"Hum... pelo jeito acabamos dormindo".
"Nem me fale, estou com uma dor terrível nas costas".
"Lembra sobre todo aquele papo sobre romantismo e tals, Dite?".
"Hum...".
"Por mais que eu goste desses animais, eles não estavam nos meus planos".
"Nem nos meus, mas quem deu a idéia de cavalgar altas horas da madrugada?".
"Eu ia saber que ia ficar com sono só por encostar a cabeça no teu peito? E pra completar, seus cabelos cheiram a rosas e me dão vontade de dormir mais ainda".
Ela voltou a se jogar sobre o tórax bem definido do cavaleiro e ao sentir o músculos um sorriso maroto aflorou em sua face desmascarada. Finalmente tinha se lembrado de que Dite usava roupas femininas e um decote avantajado deixava parte do local á mostra.
"U-la-la". - ela suspirou dando um beijo carinhoso no lugar.
"Teella, agora não, estou morto".
"Como você é do contra..." - ela se levantou, espanou as roupas e se preparou para dar o primeiro passo, mas foi puxada pelo braço com força de volta ao seu colchão improvisado.
"Para palha viemos e na palha permaneceremos".
"Piadinha infame".
"Não fique chateada minha querida, eu não quero que se aborreça comigo".
"Às vezes eu acho que você está se cansando de mim".
"Se surpreenderá se eu disser que sinto o mesmo?". - a boca dele parecia seca momentaneamente e sentiu um nó em sua garganta.
"Não é verdade, mon amour". - ela fitava o homem que estava de costas para a cama, com os cabelos azuis claros desarrumados e com os olhos semi-cerrados.
"Prove" - ele atiçou-a para depois puxá-la de encontro a seu corpo, dando um beijo afobado, com uma mão em sua nuca, a outra espalmada em suas costas e as pernas separando as dela.
Foi o que se sucedeu até Afrodite puxar a nuca dela levemente para trás, apenas para poder fitar a boca avermelhada e ela tentando recuperar o fôlego.
"Você pode até achar que é o dono da situação, mas na verdade, quem planejou isso tudo fui eu. Detalhe por detalhe, para te trazer até aqui".
"Estou com medo dessa mulher fatal. Sou seu escravo, me use para qualquer um dos seus fetiches mundanos".
Ela olhou-o com seriedade para aos poucos não controlar mais a inacreditável vontade de... Rir.
"Hahaha... sou seu escravo e me use para qualquer um dos seus fetiches mundanos foram frases impagáveis". - ela caiu sobre o tórax dele, rindo sem parar.
Ele não agüentou e riu também, riu como nunca antes e abraçou-a junto dele.
"Eu amo você". - ele falou num sussurro quase inaudível, que se confundia com o descompasso do coração dele e que Teella podia ouvir graças à situação em que se encontrava.
"Não fale essas coisas, posso acabar me iludindo".
"Não é ilusão".
"Eu também te...".
"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, por Antoine de St. Exupery. Eu já achei minha rosa e torço para que os outros também tenham a mesma sorte que eu".
"Você me interrompeu". - ela se ergue e senta sobre as próprias pernas e logo em seguida, o homem faz à mesma coisa. Depois de fitar as mãos, dar um sorriso tímido, ela finalmente falou - "Eu também te amo, Afrodite de peixes".
E depois dessa frase, uma dezena de beijos carinhosos, sedentos, safados, secos, molhados, elaborados, abençoados e gentis se concretizaram entre aquelas paredes de madeira.
Será que naquele momento existia casal mais feliz que aquele? A competitividade era grande se comparado aos jovens amantes Lilits e Hyoga depois de, vocês sabem muito bem o que...
A amazona de lebre acordou só na cama macia do cavaleiro de cisne e um suspiro de desaprovação foi a única resposta que conseguiu pronunciar a se ver em tal situação. Pensou em ir ao banheiro tomar um banho, mas se tratando de um lugar quase que desconhecido - ela não teve tempo de visitar o lugar com calma - apenas pegou emprestada uma camiseta de manga - para ela parecia uma espécie de camisola - e recolocou uma roupa de baixo mais essencial. Antes deu uma passada no banheiro e lavou o rosto demoradamente tentando acordar.
Seguiu pelo corredor da casa, ainda meio bagunçado pelos pertences do namorado e se surpreendeu quando o viu na cozinha preparando um café da manhã para eles, naquele momento estava fazendo algo parecido com suco de laranja.
"Lilits... volte pra cama, quero lhe fazer uma surpresa". - ele disse aparentando falsa irritação quando sentiu a namorada abraçá-lo por trás carinhosamente - "Mas, eu não estou com pressa alguma para comer mesmo..." - ele jogou um guarnapo que trazia consigo para o lado e virou-se ficando diante dela. - "Bom dia".
"Bom dia, meu bem". - ela beijou-o nos lábios, ficando na ponta dos pés para isso.
"Permita-me ajudá-la". - ele a ergueu pelas coxas e depositou-a devagar no armário do outro lado da cozinha, enquanto a beijava, estimulando-a numa posição que para ela era muito prazerosa - "Mas, imagino que estejas com fome agora para pensar em fazer qualquer outra coisa".
"Pra ser sincera...".
"Então venha se servir, preparo a mesa num instante".
"Quer ajuda?".
"Não, vai ser mais rápido se eu preparar as coisas".
Arrumado tudo, eles se juntaram para o café, trocando carícias mimosas e olhares significativos.
"Espero que goste". - ele desabafou.
Não demorou pra ela tirar o primeiro gole de suco e engoli-lo com certa dificuldade.
"Sabe estaria muito bom, mas...".
"Mas?".
"Você trocou o açúcar pelo sal". - ela fez uma careta, graças ao gosto amargo proporcionado pela bebida.
"Hãn... bem... o que dizer? Eu não faço essas asneiras sempre, você que me deixa nervoso".
"Tudo bem... eu não estou brava, mas tem certeza que não trocou mais nada?".
"Não".
Ela largou a torrada que levava caminho da boca.
"Estou sem fome".
"Lilits!"
"Que foi? Eu não vou comer e passar mal pra te agradar...".
"Ohoh... quanta gentileza". - ele falou sarcástico - "Obrigada pelo apoio, você foi de grande valia".
"De nada" - respondeu teimosa.
Hyoga tirou um gole do suco e uma mordida da torrada, depois de saborear tudo meio as pressas, completou:
"Tá uma deli... cia!".
"A primeira mordida e o primeiro gole são fáceis, quero ver você comer tudo isso sozinho".
"Droga, eu não tenho que provar nada pra você".
"Não tem mesmo, só que você começou a querer bancar o gostosão".
"Ah, você é a única aqui que pode responder essa pergunta" - ele sorri indiscriminadamente, não deixando passar a oportunidade de alfinetá-la.
"Quer a verdade? É bem melhor que essa torrada" - ela se ergueu de seu lugar e se dirigiu até a cozinha - "Vou tentar fazer alguma coisa rápida para comermos".
"Tudo bem... Lili".
"Lili? Que apelido bobo. Não quero que me chame assim".
"Certo, Lili".
"É sério, Hyoga".
"Hahaha... dê-me um excelente motivo para que eu a ouça".
"Miriano vai me perturbar, Aldebaran vai me perturbar, Mu vai rir discretamente e... já disse que Miro não vai deixar o nome esquecido?".
"Ok então, eu não a incomodarei mais e me lembrei de uma coisa, você está uma graça com essa camiseta, penso que ficou melhor em você do que em mim".
Ela riu e se dirigiu ao seu destino, voltando algum tempo depois com alguma coisa comestível.
"Delicie-se"
"Sua auto-suficiência me emociona".
"Se eu fosse auto-suficiente não teria caído nos seus gracejos, cisne".
"Receio que foi justamente o contrário" - se levantou e a beijou avidamente. - "Obrigado por aceitar esse cozinheiro frustrado, querida".
"Meu melhor agradecimento é vê-lo devorar tudo que preparei". - ela o virou e foi empurrando-o pelas costas até que este voltou a se sentar em sua cadeira e depois saiu andando devagar na direção oposta com um sorriso maroto como se uma idéia tivesse ocorrido de súbito em seu cérebro.
"Aonde você vai?".
"Eu?" - ela riu caminhando até o corredor, de costas para ele e arrancando a camiseta larga e ficando apenas com uma única peça de lingerie, deixando as costas completamente desnudas para depois permitir que os cabelos cacheados de tonalidade castanha e meio ruivos caíssem pelas costas - "Tomar um banho". - e se foi até chegar ao banheiro e deixar a porta levemente encostada, com uma fresta visível.
Ele a viu se afastar, completamente abobado com a visão, tirou um gole do novo suco disposto diante de si,
"Ela ficará mais irritada se eu a deixar esperando ou se eu não comer o lanche que ela preparou? Hum... primeira opção".
Então, foi caminhando para encontrá-la no outro ambiente...
"Não, eu sei que ela terá uma boa explicação para ter passado a noite fora de casa, contenha sua fúria, Miro...". - pensava consigo mesmo o cavaleiro de escorpião plantado diante da porta de sua casa - "Eu sei que não vai demorar muito, são 7h30 da manhã e ela não vai querer deixar pistas. Por um lado, é uma atitude hipócrita da minha parte, já que eu quero me envolver do mesmo modo com a discípula de Afrodite... o que fazer?".
- Pausa -
"DANE-SE SE É HIPOCRISIA OU NÃO! É A MINHA PUPILA E NÃO VOU DEIXAR AQUELE MANÍACO ATRÁS DELA".
A maçaneta rodou devagar e a porta foi empurrada e Teella surgiu atrás da mesma, tão cansada ao ponto de desmaiar a qualquer momento.
"Bom dia, mestre" - ela disse inocente.
"Ora, bom dia, minha pupila virgem, pura e inocente" - ele falou entre dentes.
"Bem, boa noite" – disse no intuito de indicar que agora iria dormir.
Dirigiu-se para seu quarto a passos leves, até sentir ser segurada por força e jogada sobre uma confortável poltrona.
"BOA NOITE NADA!".
"Mestre, você quer que eu treine nessas condições? Olha, já vou avisando que se for pra correr, me exercitar e disputar alguma prova olímpica com você, pode esquecendo...".
"Teella, eu sou um homem muito liberal, mas onde você passou a noite?". - ele falou de forma que parecia que seus dentes iam trincar. - "E pense bem, pois TUDO que você falar poderá ser usado contra você no tribunal".
"Tribunal? Ah, já sei, você sempre quis dizer isso não é? Quanto você vem com essas frases prontas...".
"Estou falando sério".
E agora? O que diria? Não podia falar que estava com Afrodite e muito menos que tinha ido ao estábulo, já que Miro nem imaginava que ela conhecia a existência do lugar.
"Eu estava na casa de Touro. A Juliane me convidou pra dormir lá essa noite quando percebeu que eu estava muito cansada e você sabe, é uma longa subida até a casa de escorpião".
"E é por isso que fica piscando duro toda hora, parecendo que vai capotar?"
"Algumas horas de sono né? Não dá pra recuperar tudo".
"Acha que eu vou acreditar nisso?".
"Bom, daí isso já é problema seu".
"Problema meu? Olha aqui, uma amazona não pode ficar falada de jeito algum. Você sabe muito bem disso!".
"Eu esqueci como esse lugar é machista, graças a homens como você".
"Não seja injusta!" - ele proferiu - "Só me preocupo com você, já que pensei que estivesse com Afrodite".
"Não estava".
"Menos mal, afinal, um homem que vive no meio das ervas não deve ser tão boa coisa assim".
"Erva? Haha... Miro, que maldade! Você não pode falar muito, já que a Luna...".
"Eu sei lidar com ela!" - ele cruzou os braços e virou de perfil, como quem anuncia que o assunto estava encerrado.
"Certo, então posso descansar?".
"Hum... vai lá".
Ela não perguntou mais nada e subia a escada que dava para os quartos no andar superior.
"Teella...".
"Sim?".
"Limpe o chupão que está no seu pescoço, sim?"
Ela arregalou os olhos surpresa, pelo jeito não era tão fácil driblar a fiscalização acirrada do escorpiano. Subiu as escadas aos pulos, meio envergonhada e resolveu não abordar mais o tema.
Na escadaria da casa de gêmeos, Kassumi via o sol subindo no horizonte e as casas de Touro e Áries ao pé do declive. Usava uma roupa, tipicamente grega e branca e nada nos pés, ela abraçava as pernas enquanto teimava em jogar os fios rebeldes dos cabelos prateados e extremamente lisos para trás. Era uma das amazonas mais alta e o corpo bem realçado graças à vestimenta meio transparente. De tão distraída que estava aproveitando o último vento da manhã que não notou um cavaleiro robusto aparecendo atrás de si e sentando-se ao seu lado.
Ele se sentou silenciosamente ao seu lado, calado e pacífico. Ela juntou ainda mais as pernas junto ao corpo e repousou a cabeça sobre os joelhos, fitando-o.
"Bom dia, mestre Kanon de gêmeos".
Ele sorriu de leve.
"Bom dia, Kassumi de gêmeos".
"Está triste?" - ela perguntou com um sorriso terno colocando uma mecha do cabelo azul dele atrás da orelha - "O que há de errado?".
"Nada".
"Nada mesmo?".
- Pausa -
"Você me conhece tão bem assim? Coloquei meu sorriso mais falso pra aparecer diante de você".
"Uma vez você me disse que éramos parecidos. Eu penso que é verdade e não é muito difícil descobrir isso. Você sorri quando tá triste, conta piada muitas vezes quando está preocupado e debocha dos outros quando está com uma pitada de mágoa".
"Você acabou de se descrever, sabia?".
"É, parece que sim!" - ela ergueu a cabeça novamente e voltou a fitar o mesmo campo de visão de antes.
"Eu te admiro, sabia?".
"Jura? Não brinque ". - ela deu risada.
"Juro. Essa sua capacidade de conseguir admitir seus préstimos e seus defeitos é incrível" - ele se aproximou um pouco dela - "Você é única".
"Iiii, deu pra fazer elogios agora? To começando a achar que você aprontou alguma. Quando começa com esse papo mole...".
"Eu tenho cara de quem tá brincando?"
"Não!" - ela disse respirando fundo - "Não está".
Ele a fitou longamente nos olhos, para depois virar o rosto na direção oposta.
"Kassumi, eu quero te falar uma coisa...".
"Não antes de mim, por que eu não vou ficar guardando isso por mais tempo".
Ele se virou e se deparou com uma surpresa maravilhosa. Kassumi se livrara da máscara lisa. Ela tinha um rosto lindo, com lábios carnudos e rosados, um nariz fino e arrebitado, olhos lilases e meio puxados, uma pele branca e fina, uma testa de proporções médias e com uma meia lua bem no centro desta, de cor meio arroxeada.
"O que..." - ele falou abobado.
"Não me importo mais, desde o primeiro dia que nos conhecemos você tinha curiosidade pelo meu rosto e hoje eu estou te mostrando. Depois disso, não tem mais muito que falar. Eu não vou te matar Kanon, ao invés disso eu vou carregar o peso desse ato, mas eu vou entender se não constar nos seus planos assumir algo comig...".
Susto inicial por parte dela para se transformar em prazer e explosão de felicidade. Ele a beijou levemente para depois se aprofundar no gesto, modelando-o conforme a necessidade, segurando o rosto dela em suas mãos. Se separou dela para apreciá-la.
"Eu estava disposto a manter uma postura respeitosa se fosse do seu agrado e treiná-la como seu mestre até o dia que fosse me deixar, mas eu precisava ouvir um veredito seu e ele veio da forma mais agradável possível. Você me desperta mais que risadas, raiva ou apetite sexual... você me dá segurança, afeto e ternura e é mais do que eu sempre almejei em uma mulher".
"Kanon...". - ela derramou uma lágrima de felicidade.
"É por isso que eu aceito. Sou todinho seu, dos pés a cabeça, pode me carregar no colo até o quarto".
Uma mistura de riso com soluço saiu dos lábios dela e ela sorriu com a cara vermelha.
"Seu trouxa, só sabe fazer piada, ainda mais no momento mais lindo da minha vida...".
"Haha... Kassumi" - ele a puxou e a abraçou contra seu peito, cheirando e acariciando seus cabelos perfumados.
Ele derramou uma lágrima disfarçada também - não se enganem; o velho Kanon é uma manteiga - mas não demorou a secá-la, enquanto confortava seu mais precioso tesouro entre risos e beijos em sua cabeça.
"Pronta para ser oficialmente senhora da casa de gêmeos?".
"Sim"
Ela fez sinal para que esse se abaixasse e beijou-o com devoção, enquanto ele cuidava de enlaçar os corpos quentes.
Porém...
"O QUE SIGNIFICA ISSO?"
Uma voz muito conhecida soou ao ouvido do homem e antes que permitisse que Kassumi vira-se para encarar a pessoa que gritava, a forçou com firmeza a esconder o rosto contra seu peito e permanecer de costas para o indivíduo.
"QUE POUCA VERGONHA, COMO PÔDE? COMO? SEU ANIMAL! ANIMAL!" -Urravadescontrolado.
"O que? ANIMAL? EU? POR QUÊ?".
A amazona tateou rapidamente o chão á procura de sua máscara e recolocou-a rapidamente, podendo assim encarar o mestre do santuário, Shion.
"NÃO! ISSO EU NÃO VOU PERMITIR! MONSTRO INESCRUPULOSO, VIL, VILÃO".
"EU NÃO SEI POR QUE!" - ele se levantou, estimulando a mulher a fazer o mesmo - "Vá pra dentro, Kassumi".
"NÃO! Eu vou ficar...".
"Kassumi, vá, por favor...".
"NÃO! SOFRERÃO O PECADO DE SEUS ATOS JUNTOS, VOCÊ O SEDUZIU! SEDUZIU!".
"Que gritaria é essa?" - Alex disse, aparecendo sonolenta e apenas de pijama - "Shion?".
"Alex, leve Kassumi daqui".
"JÁ DISSE QUE NÃO VOU, KANON". - ela disse com firmeza e batendo de frente com ele, a centímetros do rosto de seu mestre.
"QUE DIABOS ESTÁ HAVENDO AQUI?" - berrou Alex não entendendo mais nada.
"ESSES PECADORES ESTAVAM... SE BEIJANDO! E SABE-SE LÁ ZEUS O QUE MAIS FIZERAM...".
"Só isso? E vocês me acordaram por causa de um beijo?...".
"ISSO É RESTRITAMENTE PROIBIDO! NÃO PODE TER ENVOLVIMENTO ENTRE MESTRE E DISCÍPULO, ISSO É PECAMINOSO! KANON, VOCÊ DEVERIA SER COMO UM PAI PARA KASSUMI! ESSA ERA SUA FUNÇÃO! EDUCÁ-LA COM O MESMO RESPEITO DE UM PAI TEM POR UMA FILHA!".
"Shion, pêra um pouco! Também não é assim, cara" – argumentava a amiga do casal vendo que Kanon estava prestes a soca-lo e Kassumi próximo do choro.
"Eu não sei qual era sua noção de moral na Itália, Alex. MAS, AQUI ISSO É PIOR QUE INCESTO! PIOR QUE A POLIGAMIA! TENHO VERGONHA DE IMAGINAR QUE UM GUERREIRO COMO VOCÊ TENHA CEDIDO AOS PRAZERES DA CARNE".
"CALE A BOCA! VOCÊ NÃO SABE DE NADA, TÁ OUVINDO? NÃO VAI OFENDER MAIS NINGUÉM AQUI! NEM EU E NEM KASSUMI".
"AINDA ACHAS QUE TEM RAZÃO? SUJO! VOCÊ NÃO É DIGNO DE RESIDIR NESSE SANTUÁRIO!".
"NÃO FALE ASSIM DO KANON! VOCÊ NÃO É O DONO DA VERDADE, O PODER ESTÁ SUBINDO A SUA CABEÇA. NOSSO DEVER É COM A DEUSA ATHENA E NÓS TAMBÉM SOMOS HUMANOS E NÃO UMA SIMPLES PROPRIEDADE DO SANTUÁRIO".
"A MINHA CONVERSA COM VOCÊ É DEPOIS, KASSUMI. KANON DE GÊMEOS, ESTEJA PRONTO PARA ENFRENTAR SEU CASTIGO! O CABO SÚNION!"
"Kassumi, fique longe de mim! Agora! Isso é uma ordem de seu mestre!" - ele respondeu empurrando-a, fazendo com que ela caísse de costas em cima de Alex que a amparou, sem querer, com o próprio corpo.
"PODE VIR, SHION" - ele disse elevando seu cosmo.
Foi tão rápido que só deu tempo de Alex e Kassumi se abaixarem o mais próximo do chão que conseguiram...
"Athena nos ampare" - pedia Yume diante de um pequeno altar em sua casa, feito para as oferendas á deusa, rezando desde o incidente daquela manhã. - "Volte logo, por favor! Kanon e Kassumi precisam muito da senhora".
Saga entrou, parecendo cansado e se sentando sobre suas pernas, ao lado da sacerdotisa, suspirando penosamente. Ela terminou as orações às pressas e se virou para vê-lo.
"E então?"
"Não teve jeito, depois que Shion conseguiu desacordar Kanon com o seu golpe, ele conduziu meu irmão com a telecinese até a prisão marítima e o trancafiou lá".
"Ele não pode tentar fugir?".
"É impossível! Ainda mais agora que ele não tem informações de Kassumi e Shion tomou cuidado para cercar a região com guardas para impedir que qualquer um se aproxime. E ela? Como está?".
"Está com Aspasie na enfermaria, teve um surto de febre quase que simultâneo aos acontecimentos e chora sem descanso. Ela se sente culpada por não ter conseguido defendê-lo".
"Eu nunca imaginei que ele e Kassumi estivessem... não! Eu creio que seja algo recente, talvez estivessem bêbados graças à última noitada".
"Bebida? Não, acho que o caso deles foi... meio parecido com o nosso" - ela corou um pouco - "E agora? O que a gente faz?".
"Nós esperamos Athena voltar, pois até lá, não vejo outra solução".
"Estou tão triste por eles".
"Não! Você tem que agüentar firme, Kassumi vai precisar do seu apoio". - ele colocou as duas mãos em cada ombro dela e a incentivou a olhá-lo.
"E Kanon do seu".
"Não me importa o que Shion disse, eu vou vê-lo assim que a poeira baixar um pouco".
"O mestre saiu ileso da luta?"
"Nem pensar! Ele está acamado na sala do mestre...".
"Coragem Aspasie. Por mais que á vontade seja grande, tente não aumentar propositalmente a dosagem do remédio do mestre. Resista" - a médica estava diante da sala do mestre depois de uma cansativa subida até a 13ª casa, com seu habitual conjunto branco - uma calça e uma blusa comprida com mangas - e os cabelos vermelhos presos em um coque no alto da cabeça. Seus materiais de trabalho: estojo de primeiros socorros muito bem equipado.
Respirou fundo e soltou o ar pela boca, caminhou e bateu rapidamente na enorme porta de madeira trabalhada. Esta foi aberta por uma serva que nada mais era que uma garotinha com cabelos castanhos e cacheados.
"Bom dia, senhorita Aspasie" - ela fez uma pequena reverência.
"Bom dia" - retribuiu do mesmo modo.
"Acompanhe-me, a levarei até o Mestre Shion".
Aspasie a seguiu pelo lugar muito amplo e que tinha enormes paredes decoradas.
"Poderia lhe oferecer algo para beber, senhorita Aspasie?".
"Ah! Um copo de água seria maravilhoso".
"Pode esperar aqui então? Eu já o trarei".
A jovenzinha se distanciou, deixando-a submersa em pensamentos, principalmente se Shion estaria propagando ainda mais o trabalho infantil do santuário, chamando uma mocinha que aparentava seus dez anos. É, seria muito difícil se conter para não errar a dosagem do Mestre com mais essa na sua "ficha criminal".
"Aspasie, onde está seu profissionalismo?... No consultório". - respondeu para si mesma.
"Aqui está" - disse a garota entregando um copo para ela.
"Obrigada"
Ela tomou um gole, sedenta, e em pouco tempo saciou-se.
"Pronto"
"Então, vamos até o Mestre...".
Chegaram à frente do quarto e a médica foi anunciada pela garota.
"A deixo aqui. Boa sorte".
"Sim! Tchau".
"Pode entrar, Aspasie" - chamou a voz rouca e fraca de Shion.
"Lá vou eu..." - e a médica entrou no recinto.
N/A: Aqui estamos de volta, e a partir de agora vou fazer capítulos mais curtos e mais rápidos. Não sei se todos vão gostar da idéia, mas parece que eu vou dar conta com mais facilidade. Será que alguém se lembra do ébano e do caramelo, os fiéis mascotes do santuário de Athena? Já estava ficando com saudades deles e cá estão de novo.
E pela primeira vez na vida estou gostando de escrever sobre a Saori e o Seiya, aparentemente o cavaleiro de Pégaso subiu alguns pontos no meu conceito desde o início da Saga de Hades. Quanto a Saori, eu acho que no caso dessa história, ela está cansada de ser tão bem guardada e não podendo viver as maravilhas da juventude, e é isso que ela está tentando proporcionar aos cavaleiros e amazonas, uma forma de compensação... "Já que eu não tenho, não posso privá-los disso também...", e graças a esse raciocínio a deusa - visto sobre minha ótica - sobe cada dia mais no meu Ibope pessoal.
Muita gente deve ter se surpreendido com a meia-lua da Kassumi, a explicação é uma marca de nascença bem exótica e a inspiração foi o Sesshomaru, o que eu considero uma homenagem legal ao personagem - Boa idéia, Kassumi. A propósito, eu amei a cena deles! Eu cheguei a escrever a cena de luta do Kanon e do Shion, mas quando acabei percebi que ela ficou muito pesada e isso iria prejudicar muito o rumo da história. Então, optei por cortá-la do capítulo.
E respondendo a pergunta, o nome da querida médica - e namorada exemplar do Aioros - é Aspasie, mas se fala Aspasi, sem o e no final. Bom, provavelmente eu farei um capítulo só para escrever as curiosidades restantes da fic - risos - bem, acho que é só. Ah! Já ia me esquecendo...
Para concluir, agradecimentos mais do que merecidos a Alana por ter betado o capítulo vinte.
O próximo capítulo vem mais rápido. Até a próxima!
Atenciosamente.
Pisces Luna
31/01/07
