Saint Seiya pertence à Masami Kurumada e Toei
O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe
Boa leitura e divirtam-se :)
As namoradas do zodíaco
por Pisces Luna.
Capítulo XXIII: O amor de uma deusa
Seiya descia as escadarias da mansão Kido para poder tomar seu café da manhã como já era de costume. Encontrou uma pessoa no corredor a caminho da sala de jantar, onde também realização refeições de pequeno porte.
"Olá, Tatsume" - falou parecendo bem disposto - "Dormiu bem?".
"Muitíssimo" - replicou entre dentes - "E você?".
"De jeito algum. Essa mansão dispõe de coisas muito mais interessantes para se fazer... Como eu poderia dormir hein?".
"Ora seu..." - os olhos quase saltaram do rosto quando ouviu aquela insinuação.
"Haha... calma. Eu ando com insônia, só isso! Fiquei lendo um livro!".
"Seiya, nunca se esqueça de uma coisa... eu luto kendô!".
"Oh sim, sua técnica letal. Tudo bem eu não esquecerei".
O som de um piano ecoou pelo ar e ambos viraram a cabeça em direção ao fundo do corredor amplo.
"Ela está acordada tão cedo..." - balbuciou Seiya involuntariamente, seguindo na direção da melodia.
"Não vá importuná-la. A senhorita está praticando".
Não deu atenção e foi até lá, batendo na porta de vidro opaco e afastando a porta de correr do caminho. O lugar era bem arejado, com cortinas brancas e finas, cheio de livros e com estandes que iam até o teto. Um piano de calda de cor marfim e um aroma delicioso deixavam o ambiente ainda mais agradável. E ali, em um banco, com a postura reta e as mãos deslizando sobre o teclado, Saori estava. Os olhos fechados como se a inspiração tivesse se apossado dela e o intuito de tocar as teclas fosse quase involuntário. Ela tocava com paixão e por isso não viu quando o cavaleiro entrou.
Seiya atravessou a saleta, se posicionou do lado do piano e ficou vendo-a com os olhos fechados correr as mãos brancas pelo teclado com uma rapidez chocante. Ele sabia que a deusa treinava desde os seis anos e era uma das coisas que mais agradavam. Maroto, ele apertou uma das teclas laterais, fazendo-a perder o compasso e abrir os olhos se libertando do transe.
"Bom dia" - replicou sorrindo - "Acho que nunca te disse isso, mas você toca bem, Saori-san".
"Olá, Seiya. Obrigada" - ela corou e fitou o teclado - "Gostaria de experimentar?" - se afastou um pouco, dando espaço no banco almofadado em que poderiam caber os dois.
"Não. Eu nunca tentei. Imagino ser uma tragédia".
"Eu posso te ajudar se quiser" - indicou o lugar vazio.
Ele suspirou e não demorou a sentar ao seu lado.
"Ca-han..." - fez pose de pianista, estalou os dedos e depois abaixou todos de uma vez sobre as teclas dando um toque desafinado - "Chopin teria inveja de meus dons".
"Não diga blasfêmias" - retrucou a garota em tom de repreenda divertida - "Vou mostrar as notas musicais básicas. Dó, Ré, Mi, Fa, Sol, La, Si, Do".
"Isso eu já aprendi há muitos anos tá?".
"Esqueceu tão rápido quanto aprendeu".
"Hunf, você não valoriza meus dons musicais. Mas, com o violão, não tem pra ninguém!".
"Concordo. Teve uma época que tentei aprender, mas...".
"Mas..."
"Bem, o instrutor perdeu a paciência comigo algumas vezes. Eu não conseguia me concentrar naquelas cordas. E a distância entre uma casa do violão e outra era grande demais para meus dedos curtos" - tocou as teclas novamente - "Por isso, me aprimorei do piano". - sorriu.
"Sábia escolha".
"Está dizendo que sou uma tragédia".
"Soou tão abertamente assim?".
"Seiya...".
"Desculpe. Eu te ensino violão, com um professor como eu é quase impossível não aprender".
"Eu acho que vai ser ainda mais difícil me concentrar" - falou corando e virando o rosto para o outro lado.
"Por quê?" - ele perguntou se aproximando - "Me diz, Sasá".
"Sasá é a sua avó!".
"Saori-san, tenha bons modos, por favor! O que a elite japonesa pensaria se te visse falando assim? Hahaha...".
"Desculpe, foi sem querer. Eu nunca pronunciei algo do tipo. Não em alto e bom som...".
"Você xinga as pessoas discretamente?".
"Quando eu era pequena, olhava para as pessoas e as xingava e pensamento, encarando-as. Algumas até no olho...".
"Você era uma diabinha".
"Olha quem fala... Seiya Ogawara!".
"Eu era peralta, é diferente!" - ele continuou rindo, meio embalado nas palavras - "Quando cresceu virou um anjo... é claro, depois de MUITO tempo".
"Não fale assim" – respondeu meio irritada.
"Eu te deixo nervosa, Saori-san?" - ele virou a cabeça e ela também. A mão calejada de lutas tocou a mão delicada que repousava sobre as teclas. Olharam-se com brio.
"Você sempre me deixou... diferente".
"Isso é ruim?".
"Isso é... estranho" - ela soltou a mão dele sobre a dela e tocou a face bronzeada do japonês, colocando algum fio desproporcional e rebelde atrás da orelha e depois depositou um beijo na maçã do rosto - "Uma vez Mu me disse que o amor de Athena deveria ser dividido entre todos os cavaleiros. Eu entendi muito bem, e segui o que ele mandou. Mas, o amor de Saori só poderia ser de um só guerreiro. E por ironia, o garoto que ela mais odiou quando era menor".
"Saori".
"Desculpe por tudo que fiz você passar. As guerras... se um dia tudo acabasse, as lutas, o sangue e a dor, eu gostaria de viver com esse guerreiro até que a vida me faltasse. Precisa dizer ainda quem é esse homem?".
"Precisa. Fale. Por favor" - replicou com a voz rouca e meio falha de tanta alegria - "Fale olhando nos meus olhos" - ele tomou seu rosto em suas mãos e a ergueu de modo que os olhos fizessem uma corrente de ternura.
"Não é Athena que ama o cavaleiro de Pégaso. É Saori que AMA o Seiya".
"Obrigado, Zeus" - ele disse sorrindo e depositando um beijo em seus lábios.
Um sorriso lindo figurou o rosto de ambos antes de darem um beijo gentil e que poderia ser chamado de divino se o ato não fosse considerado carnal.
"AH! COMO ESTOU FELIZ!" - replicou se levantando, como se livrasse de amarras - "AHHHH! EU PODERIA... PODERIA PULAR... CANTAR... SAIR LÁ FORA E DAR UM BEIJO NA CARECA DO TATSUME!".
"Seiya..." - ela disse sorrindo, cobrindo os lábios com as mãos, vendo-o rodar e gritar pela saleta.
"Saori me ama... SAORI-SAN ME AMA!" - ele abriu a janela, encheu o pulmão de ar e berrou - "SOU O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO! ELA ME AMA!".
Os passarinhos do jardim levantaram vôo com tanto barulho.
"N-não faça isso! Os hóspedes poderão ouvir..." - ela disse, tentando fechar à persiana da janela branca.
"Que ouçam!" - disse com um sorriso bobo e a puxando para perto de si - "QUE O MUNDO OUÇA COMO SOU CORRESPONDIDO! DESDE... DESDE NÃO LEMBRO QUANDO SOU LOUCO PELA MINHA DEUSA! PELA MINHA SAORI-SAN!" - ele a ergueu nos braços, fazendo-a tirar os pés do chão e girar no ar.
"Exagerado!" - ela disse abraçando-o pelo pescoço quando voltou ao chão - "Mas, estou feliz também! Muito...".
O sorriso de Seiya foi diminuindo gradativamente enquanto acariciava as mãos pequenas e brancas entre as suas, para sua voz ir ganhando um tom um pouco dramático:
"Não vão apoiar isso e... você sabe, certo?".
"Os cavaleiros de ouro só tem influências perante a Athena, mas não sobre Saori. O único que faz isso é...".
"É?".
"Você" – sussurrou meio tímida.
A porta se escancarou rapidamente e o mordomo adentrou o local parecendo temeroso com alguma coisa.
"Tatsume, sabe que deve bater na porta antes entrar...".
Aparentemente ele não ouviu nada do que ela disse, só teve tempo de vê-los tão próximos e de mãos dadas, com os rostos corados.
"Seu... seu... fedelho... ahh... senhorita! N-nã-não!".
"TATSUME" – eles gritaram ao mesmo tempo antes de vê-lo desmaiar ali mesmo.
"Nana, Shun... como estão? Dormiram bem?".
"Sim! Foi uma noite maravilhosa" - replicou a italiana fitando os pés e sentindo um calor em sua nuca, pois era observada por Shun - "É hoje que retornaremos a Grécia?".
"Te interessaria ver mais alguma coisa?".
"Não! Apesar de curta foi uma visita agradável. Eu nunca tinha estado no Oriente".
"As portas dessa casa sempre estarão a sua disposição".
"Obrigada, Athena... digo, Saori".
A moça de cabelos roxos e fortes sorriu em ver que a garota já estava se acostumando a tratá-la como igual e isso a agradava sensivelmente.
"Eu... andei pensando um pouco, acho que não há mal nenhum passarmos só mais esse fim de semana aqui!".
Nana e Shun se entreolharam como cúmplices, pois sabiam muito bem o motivo que os tinha trazido ali era justamente levar Saori de volta ao santuário o mais rápido possivel.
"Não acho prudente" - disse Shun - "Shion pediu que... Seiya, não acha que devemos partir?".
"Sasá decide isso" - cruzou os braços diante do peito e sorriu alegre.
"Então, eu quero ficar aqui mais um pouco" - desviou um olhar de esguelha para Seiya - "Apenas mais esse fim de semana, eu prometo!".
"Bem... acho que tenho outro assunto para falar com vocês dois. Uma vez que Saori já sabe ao que me refiro" - Nana deu uma última limpada nos lábios com o guardanapo e quando ergueu os olhos encontrou os orbes verdes e curiosos de Shun a fitá-la.
"Pode dizer" - carinhosamente sorriu.
"Aqui não seria apropriado. Eu peço restrição".
"Vamos à biblioteca. Já terminou seu café, Seiya?".
"Sim" - ele completou apressado - "Podemos conversar agora".
"Então vamos".
Eles se ergueram e seguiram até a sala ampla e bem arejada que já era uma espécie de refúgio dos outros ambientes tão imponentes da mansão. Depois de fechar com todo cuidado a porta, Adriana virou-se para encará-los.
"Algum problema?" - disse Shun vendo que o rosto dela não estava muito feliz e colocou com toda a doçura uma mecha de seus cabelos atrás da orelha desta. Todavia, ela segurou a mão entre as suas e disse:
"Como você agiria se tivesse que contar algo para uma pessoa e... e... não saberia se esta aceitaria um segredo?".
"Segredo?"
"Quer que eu inicie o assunto? É óbvio que está desconfortável" - apurou a deusa.
"Não! Eu preciso fazer isso". - ela desvencilhou-se e ficou em uma posição para que pudesse encarar Shun, Saori e Seiya - "Quando Máscara da Morte foi embora da Itália eu resolvi seguir os passos dele, mas minha visão de mundo seguia um caminho diferente do dele, apesar do meu interesse pela arte da luta e estratégias de guerra que sempre foram paixões que cultivei. Bom, eu treinei com um mestre oriental que se instalou em minha pequena cidade e durante anos ele me ensinou diferentes técnicas da arte marcial. Era mais conveniente e mais digno das minhas idéias do que me tornar amazona. Enfim, treino, luto e pelas minhas habilidades fui chamada por Athena para ajudar na proteção ao santuário. Durante todo esse tempo em que estive lá eu observei os treinamentos, mas não me sinto autorizada a dar palpite com respeito aos ensinamentos dos cavaleiros de ouro, portanto detive-me na guarda da periferia... Uma pessoa que vê de fora pode ver com mais clareza as falhas de um sistema. E... é isso! Não podia falar nada para preservar minha segurança e porque fora um pedido da deusa e... espero que não esteja chateado comigo, Shun".
O japonês manteve-se estático, apenas entreabriu um pouco a boca, mas mantinha-se fixo em sua mecânica função. Saori sorriu nervosa vendo a reação do outro e foi Seiya que quebrou o gelo:
"Você é uma espécie de ninja?".
"Eu não colocaria dessa maneira, mas algo muito próximo disso".
Shun soltou um muxoxo baixo e não demorou a se levantar e caminhar até a janela.
"Você... ficou bravo por eu não ter lhe contado?".
"Não" – mentiu de forma brilhante.
"Tem certeza?".
"Seiya... tem flores lindas no jardim hoje, que tal ir colhê-las comigo?".
"Hãn? Ah! O Tatsume faz isso...".
"Ele quase enfartou. Já se esqueceu?".
"É mesmo. Esqueci de perguntar por quê... ele deve ter passado por uma situação muito forte" – assentiu Nana tentando desviar o foco da situação.
"Mais ou menos... Vamos, Saori" – ele foi até ela e a empurrou docemente para fora do aposento.
"Hum... eles estão juntos" – disse Shun de repente.
"Como você sabe?" – desconfiou Nana.
"Seiya está tratando Saori simplesmente pelo nome e... isso é muito raro. E porque outro motivo Tatsume teria tido um aumento tão brusco de pressão?".
"É verdade" – ela sorriu marota – "Desculpe por não ter falado".
"Tudo bem. Não se preocupe comigo".
"Fiz isso apenas para preservação e...".
"Nana, eu já esqueci" – deu um beijo no alto da testa – "Tem que parar de se preocupar tanto... eu confio em suas decisões! Se fez isso pelo seu bem, por mim está tudo ótimo".
Ela sorriu um pouco encabulada e deu um beijo nos lábios de Shun, erguendo-se na ponta dos pés.
"Que tal curtir o pouco que nos resta de privacidade?".
"Ótima idéia, querida".
Aldebaran cumpriu o trato que fez com Calisto e logo depois de se despedirem de Juliane - que fora encontrar Ikki - jantaram juntos - como há tempos não faziam. Depois se reuniram na sala de estar e abriram um dos livros de literatura brasileira do dono da casa. Devoraram várias páginas em um único dia, sem que o cansaço os arrebatasse, ou quase isso. Por horas e horas e horas...
"Chega por hoje! Estou exausto" - ele pediu contendo um bocejo discreto - "Está gostando?".
"É um pouco diferente do que estou habituada a ler, mas é válido. Dom Casmurro é uma boa obra".
"Milo e Camus têm um bom acervo de livros, quando terminarmos com a literatura brasileira pode pedir alguns emprestados".
"Com certeza" - ela replicou - "Por favor, leia mais alguma coisa para mim".
"Ah! Está bem!" - ele abriu o livro na página marcada e com as pupilas semi cerradas retomou sua leitura.
Seus olhos já se fechavam quando sentiu que ela tombou discretamente sobre seu peito e seus cabelos escorreram pela região. Ele fechou o livro e mirou a garota que estava pouco lúcida e parecia prestes a desmaiar. Resolveu se levantar e levá-la para dormir - não fez objeção em detrimento do sono que também pesara aquele horário da noite.
Os braços fortes do cavaleiro sustentarão o corpo e ele a depositou na cama do seu quarto e a cobriu com um lençol que retirou de um baú - aproveitou e pegou um travesseiro e um cobertor para si mesmo, pois iria dormir em outro lugar aquela noite.
"O-oque está fazendo?".
"Te pondo para dormir" - ele disse se sentando em um pequeno espaço de sua cama, ao lado do corpo inerte da garota - "Boa noite".
"Não quero te atrapalhar".
"Você nunca me atrapalha" - ele falou sinceramente com um sorriso dócil.
Ela ergueu a mão insegura no escuro e tateou por um tempo a procura pelo rosto dele e não demorou a sentir os traços rudes de Aldebaran entre suas mãos macias. Incrível como não conseguia mais se assustar com seu tamanho de gigante e nem sua força, aquilo lhe era atrativo, era contraditório a pessoa boa e gentil que ele era.
"Calisto, você quer alguma coisa?" - ele perguntou tocando a mão que jazia sobre sua face direita.
A mão dela se encaminhou para a nuca, podendo sentir seus cabelos finos, curtos e lisos. Com a pouca força que possuía - e a boa vontade de Aldebaran - ela o puxou para junto de si e ele se inclinou até ficar a uma distancia desprezível de seu rosto. Os olhos se procuravam no escuro e ele pôde sentir o calor de seu bafo quente bem perto de seus lábios.
"Te amo" - sussurrou temerosa da reação dele.
A resposta de Aldebaran veio simples e direta. Ele roçou seus lábios no dela e permaneceu assim, os braços sustentando o peso de seu corpo com temor de machucá-la e uma sensação de alívio e peso ainda maior caíram sobre seus ombros - "Não vou suportar que ela vá embora um dia".
"Eu também" - retribuiu logo após os lábios se separarem.
Calisto se levantou e sentou-se sobre seus próprios joelhos, mirando o colchão com um pouco de vergonha:
"Você não acha que eu fui fácil demais?"
"Fácil?" - ele sorri - "Calisto, você foi à pessoa mais difícil de eu conquistar até hoje, desde o dia em que chegou aqui e... não! Você só foi você! E eu? Fui fácil?".
"Deba, não zombe de mim" - falou com uma nota de divertimento.
Ela empurrou ainda mais a armação de encontro ao seu rosto e puxando as mechas de seus cabelos negros para trás da orelha.
"Mas, sinto que está assustada".
"Você é tão... grande. E eu sou... pequenininha".
"Não pense nisso" - ele praguejou tocando os cabelos dela enquanto esta permanecia a fitar o colchão - "Se isso te incomoda então até você puder se acostumar com a visão de nos ver juntos... não use isso" - ele tirou os óculos de armação fina que ela usava, fechou suas abas e colocou de lado no colchão.
Calisto ergueu o rosto e viu a imagem difusa de Aldebaran, até sentir que este a puxava delicadamente e sem muita possessão para perto de si. Ela ficou de pé na cama enquanto este ficou de joelhos e então voltaram a se beijar ardorosamente. Sentir é bem melhor do que ver - pensou consigo mesma.
"Até que ponto eu sou capaz de agüentar essa situação? Até quando eu vou continuar com esse sentimento de estar enganando-o?".
"LUNA! MOSTRE-SE MAIS COMPENETRADA E PÁRE DE FICAR OLHANDO PARA O MIRO!".
"EU NÃO ESTOU OLHANDO PARA ELE NÃO". - replicou a garota sentindo o rosto corar e os olhos de todos os ocupantes da arena recairem sobre ela, inclusive o do próprio Miro que só soube sorrir em tom lisonjeiro.
"Hehe... eu não a culpo, eu sou irresistível" - ele disse tão baixo que apenas sua discípula ouviu.
"Ela gosta realmente de você".
"Eu também gosto dela".
"Não. Não é simplesmente gostar, ela.. Ela realmente muda quando você aparece. Você não percebe porque ela é sempre de uma forma com você, mas para quem convive percebe claramente que se transforma".
Miro não disse nada, apenas ficou ouvindo aquelas palavras e refletindo.
"Por que está dizendo isso? AHA! VOCÊ QUER FUGIR DO TREINAMENTO NÃO É? ESTÁ ME ENROLANDO!"
"Adivinhou tão rápido! Uhuhu..." - ela deu um tapa no rosto docemente e revirou os olhos - "Está um dia quente demais para quem deve praticar esportes".
"Você precisa desse treinamento e é bom começar a concentrar cosmo para atingir uma boa velocidade, por que hoje iremos caçar animais na base do veneno...".
"De novo não..." - replicou desanimada.
Naquela manhã pequenos grupos de cavaleiros dividiram-se pelo santuário para treinar em conjunto. Como era o caso de Yura e Elena que se encontravam no centro da arena e lutavam brutalmente com objetos pontiagudos.
"YURA, FURE-A! FURE-A!".
"Shura, não leve uma luta de amazonas tão a sério! Elas estão treinando lembra-se?" - disse Dohko mirando o combate entre as duas que estava bem equilibrado.
"Hum, pelo que vejo você não a deixou só diante do rio pensando sobre a vida. Ela manuseia bem a espada".
"É a minha menina rebelde!" - falou cruzando os braços diante do peito e estufando-o um pouco, mas de forma quase imperceptível.
"Já cansou de apanhar ou precisa de mais um pouco? AHHHH".
"APANHAR? AH! EU ACHO QUE BATI MUITO FORTE EM VOCÊ! ESTÁ TENDO CRISES DE AMNÉSIA OU NÃO SABE QUE QUEM ESTÁ LEVANDO A PIOR É VOCÊ?". - Elena deu impulso com os pés e pulou alto, a espada em riste sobre sua cabeça, aproximando-se rapidamente de Yura que se livrou de sua lança e, com as duas mãos, impediu que ela a atingisse, impulsionando a sua oponente de volta ao chão e a desarmando.
"EXCALIBUR!... cof... cof... esse papo de gritar o golpe não ta com nada!" - disse limpando as cordas vocais e massageando sua garganta.
"IÁÁÁ!" - Elena voltou a tentar digladiar a colega, dessa vez se apoderando da lança de sua oponente.
"Roubar não vale... Ahhh" - ela passou a fugir da garota e correram em círculos pela arena, até que a libriana parou, mediu a distância e com toda a força de seu braço tentou acertá-la, mas errou, quase acertando Máscara da morte que se assustou consideravelmente - a lança passou raspando sobre sua cabeça.
"DROGA! ERREI!" - disse Elena estralando os dedos.
"Você se refere a mim? Ou a ele?"
"CACÁ, FALA COMIGO!" - pediu Amy que largou o treinamento com Aioria para abanar um Máscara da morte fora de órbita - "SE AFASTE DO SEIKISHIKI! NÃO VÁ PARA A LUZ!".
"Não exagere, ele sequer foi acertado" - disse Lolly que presenciara a cena - "Foi só um susto!".
"AHHH... EU VOU MATAR AQUELA ANÃ!" - replicou erguendo-se de súbito - "UMA MÁSCARA COM A CABEÇA DELA E...".
"Não" – disseram Lolly e Amy ao mesmo tempo, intercedendo pela saúde física de Elena.
"Elas não estão fofinhas com aquele uniforme de treinamento?"
"Sim! Muito!".
"LUNA! MIKAGE! PAREM DE SER CORUJAS E VENHAM IMEDIATAMENTE DE VOLTA A SEUS POSTOS". - gritaram os respectivos mestres.
"Mestre Camus, já vou..." - disse a moça de cabelos loiros voltando a fitar a luta de sua irmã mais nova, até sentir um vento congelante perpassar suas costas mal cobertas - "To chegando. Não precisa ficar irritado! Hehehe".
"Venha, quero sair daqui".
"Cheguei".
"Quando o seu treinamento acabar a guiarei até a Sibéria, será maravilhosamente bom para você... aprender a ter um pouco mais de disciplina".
"Mas, lá deve ser extremamente frio, precisarei de muitos casacos quentes" - disse Mikage durante sua conversa com Camus enquanto deixava a arena para se aproximar do lago do santuário.
"Casaco é para os fracos. Não para uma amazona do seu nível" - virou-se rapidamente fazendo uma rajada de neve sair de suas mãos e se deslocar rumo à garota que rapidamente desviou com um movimento vertical de seu braço. - "Está vendo? Já está bem melhor de que quando chegou aqui".
"Que espécie de mestre você seria se eu não fizesse nenhum progresso? Sua reputação estaria na lama".
"E sua cabeça a prêmio, vamos parar de tagarelar! Eleve seu cosmo. Quero que congele o lago".
"Vai ser fácil e... o lago inteiro?".
"Deve saber que me refiro apenas a superfície".
"Essa água não é salgada, tem certeza que abaixo dessa superfície não haverá problemas? Shion vai me matar se souber que eu matei metade dos peixinhos dourados...".
"Faça como quiser" – disse cruzando os braços – "Só tem que estar forte o suficiente para que eu possa andar sobre ele".
"Ai, droga" – pensou Mikage enquanto tentava limpar sua mente e se concentrar apenas em seu cosmo crescente, até que abaixou sua coluna, ajoelhou-se na terra e tocou a água com seus dedos.
"Vamos cosmo... vamos".
Quando abriu os olhos novamente pode ver uma camada branca de gelo que percorria toda a extensão do lago.
"Consegui" – pensou sorrindo por trás da máscara.
"Hum... bom" – disse Camus sem sorrir – "Agora, corra até o centro do lago".
"Porque ele tem que ser tão maligno?" – refletiu com um sorriso amarelo.
Seguiu as instruções e pouco temerosa chegou à posição que lhe foi cobrada e parou incrédula com o grau de fusão que chegara. Ultrapassando os 0ºC.
"Aceitável" – concluiu Camus caminhando até o ponto em que ela estava – "Você fez um bom trabalho, mas vai ter que reduzir a temperatura bem mais que isso para poder se equiparar a mim".
"Sim, senhor".
"Por hora está bom. Venha, vamos congelar rochas".
"Lá vou eu de novo".
Não muito longe dali Juliane treinava arduamente com seu mestre próximos das ruínas antigas.
Ela elevou o cosmo o máximo que pode, deu tapas, arranhões, socos, chutes, pressão psicológica e nada estava surtindo efeito em Aldebaran, afinal, este parecia petrificado por algum feitiço que o deixava magicamente mais forte do que o habitual.
"Puf, puf... o que há com ele?" - perguntava-se a amazona com os punhos cerrados e as mãos em posição de defesa - "Ele nunca me pareceu em tão melhor forma".
"Juli, querida, por que não prossegue com seus golpes de uma vez? Já estou ficando entediado..." - ele provocou com uma expressão mais dura e séria em suas feições. Apesar de ser um homem bom e íntegro, conseguia ser tão cínico e ardiloso como uma cobra em combate.
"Isso é impossível. Até ontem eu conseguia fazer você se ajoelhar no chão da arena e hoje... AHHHH!" - ela correu em círculos em volta dele, tentando confundi-lo para atacá-lo, levantando dose considerável de poeira e confundindo a visão de seu oponente.
Ele estreitou os olhos e, no momento exato, passou uma rasteira bem elaborada, fazendo a amazona despencar e cair de cara no chão.
"... Por que está tão forte?" - ela desanimou vendo o homem andar até perto dela e tapar a luz do sol com seu corpo.
"Eu não estou mais forte, você que está mais fraca" - ele deu um sorriso canastrão com certa classe e depois deu a mão para que se levantasse. Ela aceitou o gesto, aproveitou o momento de distração e tentou arrancar o equilíbrio dele, jogando seu corpo contra o dele e depois aplicando uma chave de braço em seu pescoço.
"Gasp... Menina... esperta" - ele pronunciou sentindo o ar começando a faltar na garganta, mediante força que a moça usava com destreza - "Mas... ingênua" - ergueu-se sem muita dificuldade, quase a deixando pendurada em seu pescoço e depois conseguiu jogá-la de costas no chão com apenas um movimento de seu braço.
Sua coluna estalou, seus olhos vidraram na visão do homem e um gemido abafado foi a única coisa que conseguiu pronunciar, deixando-se cair semi vencida no chão. Suas pernas ergueram-se no ar, deu impulso com as cochas e logo suas costas acompanharam o movimento, voltando a ficar em pé, mexeu o pescoço e as asas dos braços, pronta para a próxima rodada.
"Sua técnica não é a agilidade! Você deve manter-se firme em posição de luta".
"Legal, agora fale uma coisa que eu não saiba".
"Não seja má perdedora! Eu também quero que você consiga se desvencilhar. Certo, eu vou tentar atacá-la. Está pronta?".
"Sempre" - ela desafiou com os olhos brilhando por trás da máscara lisa.
A resposta de Aldebaran foi a que ela estava esperando e ele avançou como um enorme muro, onipotente e forte, seus passos ecoando pelo chão de pedra, sua grandeza dava uma impressão de impacto profundo só pelo fato de poder sentir seu peso propagar-se pelo chão.
Hesitou por um momento e esse gesto foi um erro, pois o homem percebeu quais eram suas intenções, freou seu corpo e esperou que ela desse impulso com as pernas traseiras e pulasse para atacá-lo. Ele cruzou os braços diante do rosto e ela sofreu com a força do seu golpe virando contra si própria. Sentiu-o agarrar sua perna esquerda, rodá-la e jogá-la de encontro à pilastra mais próxima.
"Ahh... ai..." - ela gemeu de dor e olhou desanimada - "Certo, cansei de brincar!".
O cosmo começou a aflorar de seu corpo, suas estranhas, seu coração. A raiva e dor estavam incomodando-a. Sabia que era capaz de se equiparar ao mestre e queria mostrar a ele que sua dedicação não era em vão e que aproveitava potencialmente todas as técnicas que lhe eram passadas.
Os braços se cruzaram diante do peito, às pernas ficaram uma de cada lado, seu copo estático e resistente como um monumento e a respiração contida para impedir que a taxa de nervosismo tentasse atrapalhar seu golpe. Uma luz dourada propagou-se com dimensões imensas.
"Sou capaz! Eu posso fazer isso... eu sei que consigo...".
"Com o cosmo? Pois muito bem, eu juro que não vou facilitar pro seu lado. E acredite: isso vai doer muito mais em você do que em mim".
"Vamos ver como se sai, mestre" - retrucou com deboche e diversão.
Aldebaran elevou o seu cosmo também, não se importou em gastar quantidade considerável e ele não podia facilitar.
"Se ela não tiver aprendido nada do que ensinei, essa brincadeira pode lhe custar à cabeça e provocar sérias lesões. Agora, sua integridade física está em suas mãos Juliane...".
Mais uma vez. Os pés deslizaram rente ao chão, os braços se abriram e os dedos flexionaram-se, os joelhos o impulsionaram e rapidamente um de seus braços maciços tentou acertá-la com destreza. Juliane sentiu o impacto do enorme braço de pedra sobre sua quase minúscula mão - os braços se abriram intuitivamente para dar conta do golpe do oponente - suas mãos se confrontaram, calejadas e ardentes, o cosmo queimando-os com intensidade de uma fogueira em chamas.
Os olhos se encontraram assim que ela abriu uma de suas pálpebras, deixando os cílios bem delineados à mostra. Era como perceber pela primeira vez que lutava com uma mulher e era curioso imaginar como em combate se esquecia dessa questão. Sua discípula era tão forte quanto ele e podia se orgulhar, sentia-se pela primeira vez em meses, completo por tudo que acontecia.
"Juliane, se continuarmos assim nossas mãos serão decepadas".
"Que seja a sua então..." - ela não facilitou, prosseguiu com o golpe, suas pernas já empurravam seu corpo para trás e ela não demoraria a encontrar a parede, mas enquanto conseguisse se sustentar, iria se manter daquela forma - "Preciso buscar forças...".
Concentrou-se mais, pensou em Athena, nela mesma, no mestre, no santuário, nos amigos e, por fim, escolheu Ikki para ser o pivô de suas forças. Podia sentir o cosmo dele emanando com intensidade em algum lugar daquelas ruínas, como se ele pudesse falar baixinho ao seu ouvido, trazendo conforto.
"Quero acabar logo com isso, quero vê-lo..." - ela fixou seu pé com força ao chão, as solas firmes; segurou o braço de Aldebaran e puxou para frente - este estava preocupado demais em se defender apenas da força contrária - e ele acabou tendendo para frente. Conseguiu que ele se desequilibrasse e caísse no chão, vulnerável, ela aplicou o soco mais forte que conseguiu em suas costas e ele respirou com dificuldade. Virou-se rápido, flexionou as pernas e jogou a garota na parede oposta, fazendo-a cair de costas e bastante machucada, pois nunca usara tanto de sua força e cosmo em um único dia. Seu mestre era, definitivamente, o grande cavaleiro que sempre se orgulhou de ter como professor.
"Arf, arf... Você foi muito bem, Juliane".
"A luta ainda... ai... não...".
"Sim! Acabou! Mais uma leva dessas e não estaremos aqui amanhã" - ele protelou contra a insistência da discípula em continuar a lutar - "Meus parabéns, você realmente está bem melhor... Mas, ainda não sabe como se livrar de um inimigo grande como eu. O segredo: força no tronco, pois é ele que vai sustentar seu oponente no alto de sua cabeça na hora de arremessá-lo".
"Não vou me esquecer disso na próxima vez. Aldebaran, eu posso... posso...".
"Ver Ikki? Acho que ouvi seu cosmo chamando por ele durante nossa luta".
Ela corou com a percepção do mestre e não que tivesse problema em assumir publicamente que estava com Ikki, mas é algo que realmente queria guardar para si naquele momento. Sentiu muita falta do cavaleiro.
"Não se preocupe. Eu não sou a favor da política do Shion de deixar os cavaleiros e as amazonas afastados. Pode ir, mas volte daqui a pouco para poder terminar seu treinamento. E lembre-se, só faço isso por que você se esforçou muito agora... alem do que, eu também quero... ver a Calisto".
Um sorriso maroto apareceu em sua face enquanto ele estava sentado sobre o piso de pedra. Os olhos a fitar o chão, como escolhendo a melhor forma de comunicar aquilo a ela. Mas, não precisou de mais nada, a moça entendeu o que aqui significava. Apenas consentiu com a cabeça, sorriu de alegria por ver que o mestre se entendera definitivamente com a moça que gostava, limpou as roupas e seguiu para longe da vista de todos, foi atrás de seu querido cavaleiro.
"Será hoje que veremos Kanon" - proclamou Alex arrumando seus cabelos em um coque no alto da cabeça - "Eu não quero imaginá-lo naquele lugar horrível e estou cansado de ouvir as lágrimas de minha irmã rolando sobre seu travesseiro... eu não consigo dormir com barulho".
"Vou fingir que você é a legume que finge ser e que não se preocupa com os sentimentos de Kassumi" - disse Amy apaziguadora.
"Ok! É por ela que devemos ir! Pelos dois" - defendeu - "Eu vou com ela hoje. Quem mais vai?".
"Se vocês forem pegas não vai ser só a cozinha do santuário que vai arrumar" - disse Amy fechando os olhos e dando um suspiro penoso - "Estou cansada de brigas e encrencas...".
"Às vezes elas são necessárias. Bom, pensei em você para ir conosco, pois tem uma grande força nas mãos! Sei que pode quebrar aquelas barras do Cabo Súnion".
"Meu mestre já disse que é impossível, elas são muito resistentes e...".
"O que você tem? Medo?"
"Porque não pede ajuda a Lolly?" - revidou o jogo de palavras - "Afinal, vocês são bem unidas e pensam da mesma forma, já que não gosta de ser contrariada em nada".
"Lolly está mal! Você sabe bem disso" - ela abaixou os olhos e ficou vendo os outros cavaleiros treinarem ao longe - "Ela só come sob decreto do Cacá. Eu nunca a vi nesse estado".
"Não é natural que ela reaja assim? Sabe quanto Shion é importante para ela...".
"Não é natural que minha melhor amiga insista em parar de viver por causa de um homem como Shion. Ele... não é a pessoa que nós pensamos que fosse. É antiquado e moralista!"
Amy olhou a amiga que estava ao seu lado e se fosse um pouco mais sensível teria chorado ali mesmo, mas não era do feitio da moça. Um pé fincou na terra enquanto o outro fazia círculos no ar um pouco acima do solo, os cabelos negros e lisos soltaram e esconderam sua máscara, a cabeça estava baixa.
"Eu não posso suportar a idéia de que... as pessoas que eu gosto estão me deixando ou deixando de ser elas mesmas só por causa de uma ironia do destino. Eu quero fazer algo!".
"Eu entendo você" - disse a garota de cabelos negros e cacheados - "Mas, será que isso cabe a nós?".
"Nós lutamos pela justiça. Somos amazonas da deusa Athena e ISSO não é JUSTO".
Alex ergueu o rosto e encarou a moça com quem falava. Os olhos azuis de Amy estavam levemente vermelhos, pois compartilhavam dos mesmos sentimentos. Estava, assim como as outras, tentando levar sua vida normal, mas nem sempre uma postura neutra pode ser de grande ajuda e por isso tomou sua decisão.
"Precisamos de Lilits para essa missão" - a italiana limpou uma lágrima teimosa que tentou rolar pela sua máscara - "Ela é uma amazona de prata e está aqui há mais tempo... ela poderá nos ajudar se pedirmos. Não podemos tirar Kanon de lá, mas eu vou levar Kassumi até ele!".
"Sim! Esse é o espírito" - disse Alex fechando o punho esquerdo em sinal de aprovação - "Será hoje à noite...".
Certa úlcera consumia o santuário. Com a prisão de Kanon e a intriga plantada dentro das doze casas do zodíaco faziam com que o clima de instabilidade se propagasse por entre os demais, indo até a fronteira do enorme lugar; todos clamavam nas ruas - ou em pensamento - o retorno do único bem que unia todos com fortes amarras naquele lugar:
"Athena..." - disse o homem de cabelos azuis e escuros olhando para o céu azul enquanto mexia com o pé uma pedra disforme e desajeitada.
"Apesar de ser a deusa que eu protejo e zelo, não gosto de ver o meu cavaleiro tão saudosista por sua causa".
"Não sou seu cavaleiro, Juliane" – destilou Ikki com a gentileza dos tigres – "Sou cavaleiro de Athena".
A garota ergueu uma sobrancelha e já se colocava pronta para retrucar quando ele completou mais mansamente.
"E de você? O que eu sou? Seu homem. E isso é um dos maiores cargos que uma mulher pode ocupar".
"Será que eu devo me sentir lisonjeada apesar da sua colocação tênue de submissão?".
"Sim. Deve" – disse seriamente não fazendo questão alguma de se aproximar – "Sente-se aqui comigo" – indicou uma pedra maior enquanto cansado de seu próprio cronograma de treinamento, tombava meio exausto.
Ela fez o mesmo e repousou a cabeça em seu ombro, podendo ouvir a aceleração do coração dele através da pele fina de seu pescoço. Como raramente fazia, ele tocou seus cabelos ruivos e massageou sua nuca, fazendo-a rir um pouco.
"Faz cócegas" – disse livrando-se do contato do outro.
Ele sorriu com a resposta e sentiu a mão dela se encaminhar para seu pescoço.
"O que está fazendo?".
"Você não sente cócegas?".
"Cócegas?" – perguntou-se.
Sim. Um ato simples, mas um tanto quanto desconhecido para Ikki que não estava habituado com essas simples apreciações da infância e involuntária sensação do corpo.
"Não".
"Hum... você é estranho".
Eles ficaram em silêncio até que o homem disse:
"Não me importo. Se eu fosse diferente do que eu sou você não seria tão maluca por mim".
"Convencido".
"Honesto!".
"Haha... você ouviu não foi? O meu cosmo te chamando. Por isso estava tão próximo".
"Ouvi" – admitiu – "Sim. Vim por sua causa, mesmo sabendo que não deveria fazer isso, pois você tem que treinar com afinco".
"Treino melhor com você por perto".
"Sei..." – retribuiu irônico – "Diga-me, o que vai fazer se houver uma guerra?".
"Lutar, claro".
"Então, não se disperse tanto por causa de um rostinho bonito" – ergueu o rosto e deu um sorriso pretensioso e absolutamente sedutor.
"Hunf, farei isso. Não vou me entregar a tentação!".
"Tem certeza? Então, vamos testar você" – ele tentou retirar a máscara da mulher, mas foi impedido por ela.
"Arrogante! Sempre acha que pode só dar um sorriso que eu vou correndo pros seus braços".
"Hum... ta bom! Então, deixarei você em paz" – tentou se levantar, mas ele não se permitiu ir embora. Quando deu um olhar de esgelha deteve-se na figura da amazona de cabelos soltos, ruivos e brilhantes e suas pernas cruzadas; sugestivamente, ela apoiou o corpo nos braços que se afastaram e o busto estava ainda mais latente graças a posição.
"Ikki, você cairia como um patinho por um bonito par de pernas".
"E quem disse que suas pernas são... bonitas?" – engoliu seco entrando no jogo dela.
"Seu corpo me diria se eu quisesse" – destilou cheia de segundas intenções se aproximando dele e tirando a máscara, mostrando seus lindos olhos e seus lábios carnudos. Forçou seu corpo sobre o dele e logo o beijou, sendo correspondida por um Ikki meio contrariado – afinal, ela tinha certa razão -, porém com desgosto teve uma revelação quando ele tocou suas costas com as mãos grandes para aproximar os corpos.
"Aaaaiii" – gemeu a amazona se afastando e depois olhando um pouco preocupada para Ikki.
"Aldebaran te machucou?".
Ela confirmou com a cabeça um pouco encabulada e por dois motivos: o primeiro é o fato de ser uma guerreira e ter saído bem machucada de um simples treinamento. O segundo é que não estava em condições de retribuir como queria aos afagos dele.
"Desculpe" – retrucou recolocando a máscara – "Acho que preciso me cuidar primeiro".
"Entendo" – replicou desanimado – "Quer que eu vá com você para se medicar com Aspasie na enfermaria?".
"Não! Ela vai cismar e sabe como ela é, vai me virar do avesso".
"Você tem trauma daquele lugar".
"Hum... nem tanto. E você sabe por que".
"Que tal ir até minha casa? Posso fazer um curativo nas suas costas".
"Eu agradeceria muito".
Foram até a casa de Ikki que ficava bem afastada e próxima dos aposentos dos outros cavaleiros de bronze, mas como esses se encontravam longe dali – para o sossego da fênix – o lugar estava bem mais tranqüilo do que de costume.
"Fique a vontade"
Bem, ela já estivera bem à vontade ali muitas vezes, mas não era momento, necessariamente, para relembrar disso.
"Vou preparar os curativos. Pode repousar no meu quarto".
Ela fez o que foi sugerido, chegou ao aposento e deitou-se de bruços sobre a cama confortável. Algum tempo depois ele apareceu trazendo uma bacia com água e panos frios.
Ele sentou-se na beirada do colchão, afastou sua blusa e logo pode ver os hematomas roxos e vermelhos, bem como a alça do sutiã preto que estava atado em suas costas. Ikki passou a executar os atos mecânicos enquanto a distraia com uma conversa qualquer para que se esquecesse da dor que água fria proporcionava.
"Ainda está doendo?" – questionou finalmente.
"Sim!" – disse contraindo os músculos.
O cavaleiro suspirou penoso e começou a mirar a alça delicada que se encontrava ao redor das costas da namorada e se imaginou desatando aquele incômodo feixe.
"Isso deve estar machucando, certo?" – perguntou com uma voz aparentemente sóbria – "Quer que eu desabotoe?".
"Faça como quiser" – disse com um sussurro.
A mão dele se desfez daquela parte da roupa e começou a massagear a região exposta e vermelha com o pano frio, levando-a um gemido de dor e de prazer. A água fria e a mão quente dele faziam sua pele arrepiar pela expectativa.
Foi com deliciosa surpresa que sentiu ele se entregar ao apelo mudo do seu corpo e passou a beijar os machucados por toda a extensão da lombar, subindo pela espinha dorsal, empurrando seus cabelos e beijando sua nuca.
"Você... sabe como agradar" – ela retribuiu vulnerável.
A resposta foi uma mordida bem trabalhada em sua nuca e que já se dirigia para as laterais do seu pescoço.
"Hum... não me parece com cócegas agora".
"Nem você me parece nem um pouco relutante a isso".
"Eu nunca luto contra você" – retribuiu – "Está disposta a superar a dor para sentir prazer?".
Finalmente localizou sua orelha, mordendo o lóbulo desta, deixando-a vermelha e depois, virando seu corpo lateralmente, beijou sua boca e quase a deixou sem ar quando insistiu demoradamente no gesto.
"Vamos fazer um trato, Ikki? Você não pergunta!" – ergueu-se nas próprias pernas e de costas para ele terminou de tirar o sutiã que pendia preso em seus braços – "Você faz!".
"Você é quem manda, alteza" – destilou extasiado pela decisão da ruiva, sentindo seu corpo se encher de vigor e luxúria.
Abraçou-a por trás, fazendo-a sentar em seu colo, enquanto uma mão atrevida resolveu mais do que de repente, tocar o tronco despido da amazona que gemeu com o contato. Não demorou a ser depositada de costas no colchão para que Ikki pudesse se dedicar melhor as suas funções.
"Com dor?" – ele perguntou com uma nota momentânea de preocupação quando as costas dela voltaram a cair no colchão.
"Hum... um pouco".
"Não se preocupe" – retrucou com malicia – "Substituiremos esse desconforto por outro muito mais interessante".
Ele colocou-se na ponta da cama e puxou as coxas dela para se alinharem ao lado de seus quadris e ele pudesse atiçá-la um pouco mais, fazendo-a esfolar a região machucada de seu corpo na superfície em que estava apoiada.
Não reclamou e sentiu-se ainda mais febril com o gesto ousado e, extasiada, esperava um Ikki malvado parar de provocá-la em sua barriga, abrindo os botões de sua calça, desnudando seu ventre e tocando o local com sua língua abusada e hábil. Em alguns momentos cansava-se daquilo e quando ela finalmente achou que estavam chegando a algum ponto considerável, ele subiu rápido pelo corpo e beijou o vale entre os seios fartos, chegando ao pescoço e voltando a boca sôfrega da amazona. Sim! Ele sabia ser paciente em suas investidas e muito bem entendido do corpo da amante.
"Sabe o que isso parece, Ikki?" – ela provocou com a boca vermelha pelos beijos lascivos – "Um blefe de um canastrão. Não está me convencendo".
As mãos se aproveitaram e começaram a rastejar por baixo da blusa folgada do homem que arfou ao sentir a pressão das unhas sobre suas costas, enquanto podia sentir os seios dela roçando insinuante sobre seu tórax bem trabalhado.
Com força, ela forçou que ele se erguesse e sentase, ajudou-o a se livrar da camiseta incômoda. Passou a beijar a região e os músculos do rapaz que resolveu deixa-la brincar um pouco com seu corpo, sentindo a boca dela percorrer o local e a mão...
"JULIANE!" – gritou ao sentir o toque firme dela sobre seu ponto mais sensível. Estava entregue, não teria como se desvencilhar daquilo e seria marionete dela até que esta se cansasse.
Não retribuiu de imediato, estava provando uma sensação prazerosa de poder e proporcionar prazer perante o parceiro e por isso prosseguiu incansável com os toques, deixando-o louco e fazendo-o arfar cada vez mais alto.
"Você é meu, Ikki" – sussurrou com volúpia, beijando o pescoço deste, vendo-o de olhos fechados.
Aquela frase foi como atiçar o demônio, viu-o abrir os olhos e a contragosto afastar a mão dela de si apenas para poder responder a altura a provocação. Desceu esfomeado sobre os montes e deu uma atenção especial a cada um, vendo que ela se agarrava aos lençóis enquanto suas pernas tentavam se mexer, mas o peso do corpo dele tinha voltado a tombar sobre ela. Sentia apenas a língua ávida a provocá-la no ponto certo e sentindo toda a potência do membro dele entre sua sensibilidade ainda bem preservada dentro da calça.
Conversa? Não tinham mais condição para esses simplórios atos de humanos racionais. Não havia razão! Não existia mundo além das brigas entre coxas quentes, mãos possessivas e línguas úmidas.
Ikki terminou de explorar com sua mão as curvas suntuosas e expostas da bela ruiva que estava tirando-o do sério com o simples fato de gemer seu nome em alto e bom tom. Foi por essas e outras que ele segurou seu cabelo com força, manipulando-a, enquanto com a outra tentava arrancar-lhe a calça. Com esforço cumpriu sua missão, deixando-a apenas com uma mínima peça preta e que teria o mesmo destino que o sutiã. Dito e feito, esta também se encontrava no chão junto com as outras peças de roupa. Os dedos começaram o que a língua terminou depois na região e ela se derreteu em um calor surpreendentemente forte e que a fez experimentar de um turbilhão dentro do seu corpo.
Depois de algo tão prazeroso, nada mais digno do que retribuir a investida latente e ela inverteu o jogo, fez o cavaleiro se erguer de cima dela, sentar-se na beirada da cama, enquanto apressada abria os botões de sua calça e o deixava na mesma situação em que se encontrava. Sua boca investiu violentamente contra a local, ativamente, enquanto as mãos de Ikki apenas a estimulavam a prosseguir com o recuo que sua cabeça fazia durante o ato.
Não agüentariam mais. Nem um e nem o outro. Ele não deu opção de escolha e a puxou mais uma vez para junto se si. Dessa vez – e finalmente – nus e sem barreiras que impedissem o encontro dos corpos desejosos.
Juliane caiu de costas da cama e apesar da sua preferência ter sido ficar sobre o corpo dele, não se arrependeu de ter se deixado cair de costas mais uma vez e preenchida violentamente pelo membro do amante que começou a investir longamente contra a região mais sensível da amazona. Os movimentos foram ritmados e não demorou muito para que ela fosse arrebatada por um orgasmo suficientemente forte para tirá-la de si momentaneamente. Ikki não agüentou e algum tempo depois ele atingiu o seu momento de nirvana, sua visão ficou momentaneamente turva. No entanto não caiu sobre ela de imediato e ainda tentou resistir mais um pouco, tentando perpetuar o momento de prazer. Mas, sem sucesso, saiu de cima dela e caiu exausto ao lado do corpo quase inerte e satisfeito da mulher que respirava com dificuldade.
Ele se virou de perfil e ela fez o mesmo, olhando-se com paixão e ainda resquícios de volúpia a preencher o vazio das palavras. De todos os atos realizados pelos dois, aquele tinha um sabor deliciosamente novo e ainda mais picante, a única conclusão é que o tesão e o sentimento dos dois aumentava a cada dia, apesar de um nunca proferir isso ao outro.
"Você foi maravilhosa" – ele disse com os olhos fechados e tentando respirar adequadamente – "Me lembre de te provocar mais vezes".
"De agora em diante você é o meu enfermeiro particular".
"Desde que esteja disposta a tomar minhas injeções" – ele mordeu o lábio inferior, sentindo um tapa dolorido em seu braço musculoso – "Não gosta de piadinhas ambíguas?".
"Não... agora!".
Ele se aproximou dela e a beijou com apetite e depois do seu último toque lascivo a olhou com ternura.
"Quando estará próximo para o segundo round?".
"Não tão cedo! Você me deixou exausto" – ele a abraçou e beijou seu rosto – "Quando eu acordar... vamos continuar o nosso joguinho?".
"Só se acrescentarmos o verdade ou desafio e... só vale o desafio".
"MAIS FORÇA NESSE GOLPE, ALEX! ERGUA AS PERNAS!" - gritava Saga vendo a luta que se sucedia. Kassumi e Alex confrontavam-se frente a frente na arena, seguido por olhos curiosos de cavaleiros de menor porte e que estavam abobados com as técnicas que ela desenvolvia.
No entanto, as próprias lutadoras não estavam com toda a dedicação de dias normais. Kassumi apenas estava ali para cumprir seu papel, mas suas feições eram duras por trás da máscara, seus olhos lilases estreitos, seus cabelos prateados destoavam mais para o cinza do que para o branco perolado – quase prata - de todos os dias.
"Kassumi, eu tenho uma boa notícia para você! Iáááá..." - Alex ergueu seu cosmo e tentou passar uma rasteira em suas pernas, mas a outra mulher parou de mover-se e apenas bloqueou seu ataque com restrição. Seu cosmo aumentando gradativamente e arremessou a moça para o lado oposto.
"Não quero ouvir" - murmurou seca - "Está fazendo isso para me distrair!".
"Não é verdade" - tentou argumentar a garota - "Kassumi, eu consegui apoio, você verá Kanon hoje à noite".
Os olhos dela abriram e seu rosto se fechou mais ainda.
"Como pode usar desse artifício para tentar ganhar de mim? Sabe que é impossível! Não há como chegar até lá embaixo e mesmo que houvesse uma maneira... se ele fugir agora não conseguirá mais voltar! Seria considerado traidor novamente..." - tentou acertá-la com um golpe certeiro e a sua oponente rolou no chão com destreza, erguendo-se logo em seguida.
"PAREM DE CONVERSAR! QUERO UMA LUTA DE VERDADE!" - dizia Saga com os braços cruzados. Sua expressão era dura e fria, os olhos azuis estavam gélidos, nada despertava nele agrado ou simpatia. O retorno de Kanon ao Cabo Súnion também surtira efeito no cavaleiro de gêmeos.
"Até ouvir a voz do Saga me dói o coração... eu sei que não é o Kanon, mas... mas eles são tão parecidos! Não suporto vê-lo" - respondeu a amazona com raiva de sua fraqueza e acabando por desabar de joelhos no chão - "Não há como...".
Alex enraivecida ergueu-se e chutou a amiga, e esta fez com que suas pernas descrevessem um movimento circular no ar e a amazona de gêmeos pulasse para trás usando a força de seus braços e caindo com as pernas semi flexionadas.
"Você pode vê-lo! Mas, tem que ser forte! Não somos mais crianças e você deve esse retorno a ele. Tenho certeza que ele quer vê-la também! Em todo o caso, eu vou lá! Se quiser decepcioná-lo ou for fraca demais para vê-lo em situação degradante, não me faça perder tempo tentando convencê-la!".
As palavras duras foram como um soco certeiro em seu estômago e pode sentir até o ar fugir dos pulmões e a garganta ficar seca.
"Quando foi que você achou que estava pronta para me dar lição de moral?" - retribuiu com certo rancor, ergueu seu cosmo e ficou em pé - "Me convenceu! Eu vou com você, mas eu vou fazer algo por ele antes mesmo de chegar lá! Vou mostrar que sou uma boa guerreira e honrar seu nome".
Suas mãos posicionaram-se diante do corpo, os olhos se fecharam, o cabelo esvoaçou, ela não estava mais ali. Deveria ficar forte, provaria para ele, iria vê-lo depois de tudo o que aconteceu e precisava estar em condições de lutar contra qualquer oponente que tentasse impedi-la de conseguir isso. Quando suas pupilas abriram, suas pernas correram e ela fechou seu punho com toda a força sobre a barriga de Alex.
Saga conteve o impulso de impedir algo, fechou seu próprio punho e cerrou os olhos. O gemido de dor de sua discípula ecoou até o alto da arquibancada onde estava e ele apenas lamentou. Quando voltou a olhar novamente o jogo parecia desequilibrado, pois Alex tentava se esquivar da seqüência de golpes da outra e, sem tempo para se concentrar, apenas conseguia fugir.
"Desculpe, mestre" - pensou Alex antes de forjar uma fina camada de gelo para poder ganhar velocidade. Seu corpo virou-se de frente para sua perseguidora e as mãos abriram-se como conchas, atadas pelos pulsos e como procurando algo em sua memória, soltou uma labareda de fogo por entre seus dedos fazendo Kassumi se assustar e fechar os olhos.
"Consegui!" - ela pensou acertando um golpe muito forte no corpo da outra, levando-a ao chão com pouca facilidade.
"ALEX! NÃO! VOCÊ É A AMAZONA DE GÊMEOS! DEVE USAR O QUE FOI PASSADO" - gritou Saga irritado com o rumo da situação, vendo a discípula de seu irmão semi nocauteada no canto da arena enquanto tentava pegar ar.
Os murmúrios de conversa dos cavaleiros já ecoavam e ganhavam grandes proporções. Ninguém ali estava preparado para o golpe da amazona de gêmeos daquele nível, tão incomum ao ponto de despertar o interesse e a repulsa de alguns.
"O que é essa aberração?".
"ABERRAÇÃO?" - retrucou Alex irritada com o comentário indiscreto - "Hunf, só me faltava essa".
"Cuidado" - gritou um aprendiz mais novo apontando para as costas dela.
Alex se deu conta de que continuava em combate e deu de cara com uma Kassumi arfante e sedenta por revanche. O comentário que ela tinha feito, somado com a saudade de Kanon e o ódio pelo santuário fizeram com que a moça se tornasse momentaneamente uma arma de guerra.
O cosmo flamejante ardeu mais uma vez, ela sangrava um pouco, seus joelhos estavam ralados, mas ela continuava a se manter de pé. Não sabia se tinha direito a proferir aquele golpe que já tinha visto tantas vezes, achou uma hipocrisia fazê-lo, mas necessitava expulsar seus males de seu corpo.
"Agora é a minha vez... EXPLOSÃO GALÁTICA".
O vento era tão agressivo, algumas pessoas se afastaram e a única coisa que Alex teve tempo de fazer é jogar-se com toda a força de seu corpo rumo ao chão, rasgando suas vestes de treinamento. A bola de fogo correu e parecia que não ia parar, mas essa se chocou com o lado da arquibancada, levando algumas pessoas a correrem dali apressadas.
Um grito agudo foi o que se ouviu e a última coisa que Kassumi se lembrou antes de desmaiar por ter gastado todas as suas energias é a voz grave de Saga ecoando e correndo até ao que sobrou da construção dilacerada para socorrer alguém.
"CALISTO"
Acordou horas depois em uma cama na enfermaria. Uma moça de cabelos ruivos e presos em um rabo de cavalo do alto da cabeça, olhos azul e vestido de branco dos pés a cabeça estava ao seu lado com um pano sobre sua cabeça.
"Ela abriu os olhos" - disse calmamente e uma pessoa se aproximou da cama - "Que susto você nos deu, hein?!".
"Quem? Onde?".
"Kassumi tentou acertar Alex no Coliseu durante um combate de treinamento, mas nossa amiga exagerou na força" - a enfermeira deu espaço e Calisto pode ver a moça repousando na cama do outro lado do local. Estava bem pálida, mas respirava calmamente - "O estresse está consumindo-a".
"Ela vai ficar bem?" - perguntou um homem aproximando-se.
"Sim, Aioros. Vai! Mas, acho que ela está meio perdida nas idéias".
"Saga está preocupado com você! Ele acha que a culpa foi dele e que deveria ter imaginado que Kassumi não estaria em condições de lutar, pediu para que eu viesse ver como você estava, já que tive que acompanhar a pequena Teffy a enfermaria também".
Calisto virou o rosto para o outro lado e viu uma moça de longos cabelos castanhos encostada em uma poltrona e com os olhos enfaixados, junto com mãos e pernas.
"Eu tenho esperança que ela se recupere logo..." - disse o homem brincalhão.
"Que sorriso sincero eles tem" - pensou a moça os vendo tão perto e preocupados com sua saúde, mas disse por fim o primeiro nome que lhe veio à cabeça.
"Aldeba... ran".
"Ele está muito preocupado com você! Saiu daqui agora pouco, pois também estava esgotado. Juramos cuidar bem de você e por isso aceitou deixá-la um pouco...".
"Espere, Aspasie. Ela quer falar alguma coisa..." - Aioros deu um olhar conciliador e tocou sua mão - "Pode falar, Calisto".
"... quem é Aldebaran? E quem são vocês? Onde está minha câmera fotográfica?".
Sorento caminhava de cabeça baixa até o local em que antigamente ficava o castelo que continha a entrada ao mundo dos mortos. Hoje, apenas ruínas velhas de uma batalha sangrenta e mortal. Tempos difíceis.
O senhor Julian tinha livrado-o de seus serviços e desde então dedicava-se a um novo projeto forçado e acabou submetendo-se a uma nova causa, pouco fundada é verdade, mas que sua participação era essencial.
Foi com espanto que ele foi recebido por uma mulher muito bela - divina divindade - com um cosmo muito poderoso.
"Que notícias tens para mim, Sorento?".
"As melhores, senhora Perséfone...".
N/A: Mais um capítulo! Espero que tenham gostado, finalmente teve um pouco mais de ação. Ufa! São as cenas que dão mais trabalho, mas é muito prazeroso escrevê-las.
Acho que todo mundo está sofrendo com o que aconteceu com o Kanon, mas é muito difícil agir e é como um novo estado de amadurecimento. Estão começando a aparecer às primeiras brigas, mas é mais do que natural, considerando os problemas que o santuário vem enfrentando, os nervos andam exaltados em todo mundo. Só os cavaleiros de ouro para tentarem manter a calma nessa hora. Ah! Quanto as cenas de luta no Coliseu, bem, espero que tenha ficado claro o que ocorreu alí, como tudo era muito rápido e várias coisas aconteciam ao mesmo tempo, as pessoas só surgiam. Não sei se isso facilitou, mas eu queria dar esse efeito.
Como eu criei coragem para publicar aquela cena? - pasma - estou envergonhada. Esses cavaleiros de bronze estão saindo mais fogosos que os de ouro, o que está acontecendo aqui? Parei de colocar notas avisando quando começam e terminam as cenas mais explícitas, não fica estéticamente agradável.
Calisto recuperou a memória - planos antigos – e agora vem à reação dela e tudo o mais. Quanto a Saori e Seiya – não tem como não falar deles – tira aquela idéia que eles tem que se declarar quando estão expurgando sangue feito loucos em alguma batalha. Ora, romantismo, simplicidade e açúcar sempre combinaram tão bem. Viva o amor! Mas, por quanto tempo?
Atenciosamente
Pisces Luna
18/08/07
