Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e Toei

O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe

Boa leitura e divirtam-se :)


As namoradas do zodíaco

por Pisces Luna.

Capítulo XXIV: Ao cair da noite


"Como?" - os olhos de Aspasie piscaram algumas vezes - "Calisto? Amnésia temporária... droga!".

"Não se lembra de nós?" - interrogou Aioros preocupado - "Como isso é possível? A pancada foi mais forte do que esperávamos! Bem... isso acontece com algumas pessoas, não é um acontecimento comum, mas...".

"Não é nada comum" - disse Aspasie passando a mão pela própria testa - "Aioros, chame Aldebaran aqui! Por favor".

"Como quiser. Se Teffy acordar mande-a de volta a casa de sagitário" - depositou um beijo em sua têmpora, mas a médica não se importou e continuou com seus procedimentos médicos.

Assim que Aioros deixou o ambiente Calisto fez menção de se levantar, mas foi impedida pela médica que fez com que ela voltasse a se deitar.

"Calma! Não devemos nos precipitar".

"Eu estou bem, na verdade, pode me informar onde eu estou...".

"No santuário de Athena, oras".

"Santuário? Não! Eu não poderia estar aqui! Espere... eu estou começando a me lembrar de você e...".

Um flaskback começou a voltar em sua mente, lembrou-se de um homem muito alto e de cabelos curtos e castanhos aplicando-lhe um beijo, mais uma recordação e uma moça ruíva e alta sorria para ela enquanto conversavam ao redor de uma mesa de jantar em uma enorme construção de mármore, uma festa com diversos homens e mulheres fantasiados em roupas esdrúxulas e outro dia, com as mesmas pessoas, vestidas com roupas de gala. Um jantar organizado por ela junto com um homem de cabelos azuis e sobrancelhas bifurcadas, entre muitas e muitas visões que começaram a correr em sua mente. A mais fresca em sua memória naquele momento era de estar passando atrás de umas ruínas e um clarão intenso estar se deslocando em sua direção, uma voz grossa e preocupada perto de si e um homem alto e de cabelos azuis carregando-a nos braços para socorrê-la.

"Estou aqui há quanto tempo?".

"Eu não faço idéia. Meses eu diria..." - olhava Aspasie atônita e chocada com o rumo da situação - "Você falou de uma câmera fotográfica...".

E, por último, a visão do galho da árvore caindo sobre seu corpo inerte enquanto um homem alto e corpulento vinha atrás de si. Lembrou-se de uma sala, um homem de cabelos verdes - Shion? Era esse seu nome? - uma moça - Lolly! Sim! Acho que é isso - maçãs, Aldebaran... Por que a imagem desse homem está tão presente em minhas lembranças?

Ele a salvou. Abrigou. Cuidou. Ouviu. Conversou. Cada lembrança começou a fluir em sua mente, cada palavra, cada coisa... Mas, afinal, tudo fazia sentido! Aldebaran, o cavaleiro de touro, tinha impedido que ela se embrenhasse na cerimônia de iniciação das amazonas no santuário e que tirassse fotos para uma revista que estava interessada em qualquer tipo de movimentação suspeita dentro das ruínas. Choveu muito, uma árvore despencou... uma árvore... uma árvore... - a imagem ia e voltava, ia e voltava, ia e voltava, ia e voltava...

"Eu sou uma serva, Aldebaran? Como pode?" - as lágrimas começaram a rolar por seu rosto e salpicar as vestes de água salgada - "Por que mentiu?"

Tudo fazia sentido agora. Depois do salvamento o mestre do santuário e a amazona de ouro de câncer foram visitar as doze casas. Lolly disse a Shion que era uma das servas do santuário apenas para justificar o fato de Calisto estar deixando o quarto de Aldebaran e ele confirmou a história, afinal, o Mestre nunca a tinha visto naquela região.

"Por que? Aldebaran... você me traiu" - socou o colchão com selvageria e tristeza - "Por que esperou que eu me apaixonasse por você?".

"Calisto, calma! Não fique nervosa! Não fará bem para você".

Aldebaran apareceu estupefato, um sorriso no rosto e não demorou a sentar-se ao lado da moça que escondia o rosto e abraçava as próprias pernas.

"Que bom que está bem, minha querida" - ele tentou tomar suas delicadas mãos entre as suas, mas ela se desvencilhou e fitou-o com raiva.

"Você mentiu para mim, Aldebaran".

Os olhos dele encararam os dela e ela prosseguiu com suas palavras duras:

"Não sou serva porcaria nenhuma! Era fotógrafa! Free-lance! Cai de para-quedas aqui sem querer, era por isso que nunca sabia onde estava minha família... era por isso que não sabia me informar e sempre ficava nervoso".

O riso sumiu de sua face gradativamente, ele abaixou os olhos e constrangido olhou o chão.

"Você se lembrou...".

"É CLARO QUE LEMBREI! ACHA MESMO QUE EU NÃO IA...".

"Fale baixo, isso é uma enfermaria...".

"DANE-SE" - gritou enraivecida e erguendo-se, pulou da cama, calçou os sapatos que estavam dispostos perto do leito e com as lágrimas ainda escorrendo pelas pestanas prosseguiu com seu surto - "Eu... eu...".

"Aldebaran, nós vamos deixá-los a sós" - disse Aioros apaziguador e guiando Aspasie para fora.

"Aioros, faça-me um favor! Chame Mu aqui" - pediu o cavaleiro de Touro.

"Mu? Bem, não vou discutir com você em um momento como esse".

"Por favor, não façam barulho. Kassumi e Teffy precisam muito de repouso" - falou a médica preocupada com o estado de saúde das pacientes.

"Não se preocupe, não vamos fazer barulho...".

"Continua tomando as decisões por mim, Aldebaran" - replicou jocosa - "Eu não quero ouvir você".

"Não quero saber, vai me escutar" - ele disse definitivo - "Sente-se!" - mandou autoritário.

Ela não queria obedecer, mas cruzou os braços e ficou vendo a porta se fechar e Aiolos e Aspasie deixarem a enfermaria definitivamente.

"Eu fiz aquilo pelo seu bem...".

"Mentiu pelo meu bem? Ah!"

"Se Shion tivesse descoberto aquele dia que você era uma intrusa teria sido morta. O santuário não tolera esse tipo de afronta e eu, conhecendo as regras, participei da farsa para protegê-la".

"Mentiu para me proteger? Que coisa não é?!"

"O meu erro foi ter me envolvido com você e querê-la perto de mim sem te dar a possibilidade de escolha. Eu admito, esse foi o meu pecado, mas saiba que foi por amor a você".

"Egoísmo seu" - destilou irritada - "Quando se ama uma pessoa você a deixa livre".

"Quando se ama uma pessoa quer que ela fique perto de você. Eu queria você perto de mim...".

"Isso não justifica!" - ela suspirou chorosa - "Além do que, eu tenho amigos e parentes lá fora. Como acha que eles devem ter se sentido? Sem saber onde eu estou...".

"Eu só sabia que você tinha um nome: Calisto. Não podia deixá-la partir e agora, você sabe demais sobre todos nós".

Ela voltou a encará-lo, surpresa e temerosa:

"Sou sua prisioneira agora?".

"Não! Eu sou um prisioneiro seu. Gostaria que pudesse se lembrar disso..." - ele se ergueu e olhou para o lado de fora da janela - "Ótimo! Mu está chegando".

O cavaleiro de Áries adentrou o recinto só, mirou o local e olhou simples para Calisto e depois para Aldebaran.

"Boa tarde. O que se passa aqui?".

"Conte a ela sobre o dia em que ela chegou ao santuário. Conte...".

"Aldebaran, você..." - ele fitou o amigo que estava virado de perfil para ele, mas de costas para Calisto e percebeu o quão triste o homem estava em contar aquilo.

"Espere um pouco. O que Mu tem a ver com...".

"Eu pedi ajuda a ele para salvá-la quando choveu! Achei que ele pudesse ter alguma forma de cura e estava certo. Se está aqui hoje deve metade disso a ele".

"Não exageremos, Aldebaran. Bem... de fato, você estava muito ferida e tinha levado um corte muito profundo na cabeça, desacordada, enxarcada até os ossos e, para variar, uma estranha que sabe-se lá de onde veio. Depois de tudo eu deixei ao encargo dele, mas mesmo Shaka soube da movimentação suspeita daquela noite. Se ele não falou nada a Shion, foi por causa da consideração que temos pelo nosso amigo aqui e ele deu um voto de confiança a você. Entenda que se ninguém disse nada foi porque você já tem um destino selado com o santuário de Athena. Agora você também é parte disso e, como você já conhecia a existência das doze casas, não poderíamos permitir que uma pessoa comum retornasce e muito menos uma fotógrafa bisbilhoteira".

"Não!" - ela disse - "Não pode ser... eu quero sair daqui! Ver meus amigos e a minha família, abrir as janelas da minha casa e regar minhas plantas de manhã... eu não escolhi ser amazona! E ESSA NÃO É A VIDA QUE EU QUERO PARA MIM!" - ela desabou com lágrimas nos olhos, chorando copiosamente. Os dias que foram, os dias que vieram, pelos que viriam... tudo encaminhava a tristeza.

"Entendemos o motivo por você estar assim" - Mu se aproximou, tirou um lencinho do bolso da calça e começou a enxugar as lágrimas da moça - "Mas, agora, você também tem uma família! Você entrou como uma estranha, mas é importante para cada cavaleiro e cada amazona que habita as doze casas...".

"Deixe-a ir" - sibilou Aldebaran ouvindo o choro da moça interromper adruptamente.

"O que foi que disse?" - ela perguntou com sua voz melodiosa - "Vai me deixar ir?".

"Aldebaran! Você conhece as...".

"Vou levá-la em segurança para além das fronteiras do santuário essa noite" - replicou desanimado - "Eu naõ quero a infelicidade dela e, se for para o seu bem, eu faço qualquer negócio, mesmo que isso signifique... desistir de você".

Ela nada disse de imediato, apenas limpou o rosto com as costas da mãos e encarou as costas do homem a sua esquerda.

"Essa é a sua vontade?" - ele perguntou mais uma vez.

"Sim" - confirmou.

"Então, despeça-se dos amigos mais importantes, mas sem mencionar que vai embora e arrume suas malas".

Mu pensou em intervir e contra argumentar, mas vendo que o amigo encontrava-se destruído emocionalmente, a única coisa que foi capaz de fazer foi recolher seu lenço e acatar suas decisões.

"Vou fingir que essa conversa não aconteceu! Vá ver Yuki na Casa de Áries, ela a considera muito e vai lamentar não se despedir de você".

"Farei isso" - ela concordou se erguendo e pegando o óculos em cima da cômoda ao lado do leito - "Hoje a noite deixarei o santuário de Athena".


"Eu sinto... tristeza" - disse Marcella a Shura naquela noite enquanto este fazia uma visita a casa de Virgem - "Eu não sei porque, mas é como se os sentimentos de todas as pessoas desse santuário viessem me atormentar e eu ainda não consigo isolá-los! É uma sensação horrível de impotencia diante de algo bem maior que eu".

"Shaka está sobrecarregando você?" - ele beijou seu rosto desnudo , enquanto abraçava-a - "Não se preocupe, isso vai passar".

"Não vai!" - ela disse com convicção - "Ainda temos muitas coisas e barreiras contra que lutar e enquanto isso não ocorrer... eu vou sentir tudo isso sobre meu corpo... esse peso me esmaga".

Se fosse Yura mandava parar de choramingar e erguer-se como uma guerreira, mas por se tratar de Marcella, apenas conseguia afagar seus cabelos e tantar fazê-la ver adiante de tudo aquilo.

"Eu estou aqui..." - ele disse - "E tudo vai ficar bem, pois eu vou te proteger!".

"Suas palavras me consolam, mas eu sinto um grande sentimento de frustração e outro de melancolia vindos da casa de Câncer..."

E ela estava certa, naquele exato momento duas pessoas se concentravam na mansão, sentados e imóveis, encarando-se com expressões distintas.

"O que aquele velho fez com você?".

"Nada".

"Não minta! Eu sei que aquela pose de grande chefe é só para enganar e que ele te magoou de alguma forma".

"Mesmo que fosse verdade o que você poderia fazer, Cacá?".

"Não me chame de Cacá, discípula engrata".

"Desculpe".

"Não peça desculpas! Desculpa é para gente pequena".

"Desculpe".

"Hunf..." - ele suspirou - "Não gosto de vê-la assim. Você deve treinar com afinco! Apenas fica lamentando. Se não consegue achar um motivo bom para se erguer, busque um mal dentro da sua alma".

"Um motivo? Mal?".

"Sim! Há sempre uma causa para que devemos lutar! Se não pode lutar por Shion, lute contra ele! Não merece suas lágrimas, sua tristeza, sua angústia. Ele é desprezível...".

"Máscara da Morte, você matou pessoas aos montes, porque falas de Shion?".

"Eu me arrependi parcialmente do que fiz! Estava dominado por algo alem do meu corpo ou compreensão. Você me chamando pelo nome? Hum... sabe que pareço muito mais másculo quando ouço as mulheres pronunciando meu nome".

"Se não quer que eu te chame de Cacá, chamo de Máscara da Morte".

"Faça isso" - ele sorriu satisfeito.

"Agora, vou me deitar...".

"Mas, ainda é tão cedo".

"Temos um longo dia amanhã. O treinamento merece o máximo da minha dedicação".

"Vai tentar escalar a janela e fujir?".

"Se eu quisesse deixar a mansão de câncer, sairia pela porta da frente!".

"Petulante... essa é a minha garota!"

"Com licença..." - e deixa o recinto um pouco cabisbaixa.

"Hum... então ela realmente não está bem! DROGA! Odeio isso" - replicou para si mesmo - "Nesse caso eu irei ver Amy".

O homem salta do sofá e caminha rumo a quinta casa zodiacal.


"Aiolia, não!" - disse Yura sentindo beijo lascivo do amante começar a descer pelo seu pescoço - "Amy está em casa!".

"E daí?".

"Eu não gosto disso".

"Disso o que? Sexo?".

"E quem aqui falou em sexo?".

"Você".

"Eu não falei em... aiai, certo! Não é que eu não goste de sexo".

"Quer dizer que eu não sou o primeiro?".

"Eu também não... está fazendo isso de propósito certo?!".

"Sim! Você fica bonitinha irritada" - ele tocou a ponta de seu nariz com o dedo indicador e sorriu vendo-a morder seu dedo - "Não! Eu não curto sadismo".

Ela deitou a cabeça sobre o colo do homem que permitiu acariciar os cabelos castanhos e soltos da moça que estava parecendo muito cansada do que em dias normais.

"Eu ainda não acredito que você está aqui".

"Nem eu! O que será que eu vi em você?".

"A perfeita imagem do homem bom e viril" - ele ergueu uma sobrancelha e esboçou um sorriso cínico - "Não esqueçamos de... modesto".

Ela fechou os olhos e apenas ficou ouvindo o namorado pronunciar palavras gentis e carinhosas. Até sentir um toque mais ousado em sua barriga, mas não fez nada para impedir. Podia sentir o hálito quente de sua boca próxima ao seu queixo e um sorriso aflorou em seus lábios. Esperou ansiosa pelo que viria a seguir... batidas no portal da casa de leão. E um sonoro palavrão em grego por parte do dono da casa.

"SUMA DAQUI! E NÃO VOLTE NUNCA MAIS".

"Aiolia, é assim que trata suas visitas?" - disse Máscara da Morte em tom jocoso - "Falarei a Shion sobre seus modos".

"Hunf, não é homem para me enfrentar! Pode ir reclamar com o mestre do santuário!".

"Deixe de papo! Eu não vim aqui pelos seus olhos sedutores e sim pelos de Amy... ABRA A PORTA DESSA ESPELUNCA".

"Não" - disse zombeteiro e desanimado, pois Yura deixara seu colo quente e voltara a sentar-se do seu lado - "Eu odeio esse caranguejo! Desculpe, querida. Mas, acho que terei que despachá-lo".

"Sem brigas, por favor! Vá conversar com ele".

Um baque forte ecoou e a passos rápidos o cavaleiro de câncer irrompeu no fundo do corredor e chegou a enorme sala em que estavam o casal.

"Boa noite, senhorita Yura" - ele fez um referencia - "Aiolia, será que o cavaleiro de capricórnio sabe de suas intenções impuras para trazer a discípula dele aqui a esse horário da noite?".

"Eu não sei se ele sabe, mas eu sei de suas intenções com a minha! Como ousa invadir a minha casa?".

"Com a coragem que me sobra! Já que você não fez as honras, acho que eu mesmo terei que encontrar minha querida... AMY! AMY"

"Não vou permitir que vá entrando na minha casa... MÁSCARA DA MORTE".

Tarde demais, o cavaleiro passou a caminhar a passos largos até chegar aos aposentos íntimos e bateu na porta daquele que sabia ser o de Amy. Aiolia só não reagia, pois tinha certa recusa por cenas de violência diante de Yura e porque era contra seus princípios destruir sua própria casa.

"AMY... AMY?" - ele olhou ao redor, mas aparentemente a moça não estava em seu quarto - "Onde ela está?".

"Mas, ela me disse que iria deitar mais cedo hoje" - disse Aiolia preocupado - "Onde ela poderia ter ido? Você está aqui e eu não me importo que ela frequente as outras casas zodiacais...".

"Que estranho" - disse uma Yura pouco convincente.

Máscara da Morte colocou a mão no queixo e Aiolia na cintura, bufando, ambos pensando sobre o paradeiro da garota, até que se viraram devagar e os olhos dos dois encontraram o rosto da amazona de capricórnio.

"Hehe... porque estão olhando para mim?".

"Onde ela está?".

"Como é que eu vou saber? Eu não nasci grudada da Amy, sabia?".

"Vocês devem ter planejado isso!" - suspirou Aioria - "Mas, porque você insiste em trair minha confiança?".

"Eu não trai sua confiança porcaria nenhuma! Eu... não sei onde ela está".

"Desembucha, menina!" - coagiu Máscara da Morte irritado - "Não queremos essa garota se metendo em problemas. Bom, acho que se formos falar com Alex...".

"Ela foi jantar na casa de peixes" - disse Yura depressa.

"Bom, então, não vou até lá".

"Por que?".

"Afrodite e eu ainda temos um pequeno impecílio pessoal por causa daquelas rosas grotescas".

"Você é realmente anormal" - defendeu Yura - "Aquelas rosas são lindas".

"Blergh! Mulheres! Quem as entende?" - ele virou o rosto e cruzou os braços diante do peito - "Bem, cansei! Estou entendiado, mas vou para a casa dormir...".

"Como? Minha discípula sumiu e... sua namorada sumiu!".

"Haha... agora ela é minha namorada! Que propício hein?!".

"Com a sua ajuda a situação ficaria mais fácil".

"Chega! Amy é crescida e sabe o que faz da vida dela. Desde que ele não esteja com outro homem para mim tudo bem...".

"E... e... como é que você vai saber se ela não está?".

"Porque confio nela" - os olhos se cruzaram por um segundo, mas o italiano não demorou a desviá-lo para alisar os cabelos levemente azulados - "Boa noite".

"Isso foi lindo" - protelou Yura encantada - "Ah! Eu quero um homem assim...".

"Fica com ele, oras" - disse Aioria irritado com o comentário da garota.

"Quem sabe se ele não gostasse tanto da Amy e ela não fosse minha amiga... Pelo menos ele CONFIA NELA! Ao contrário de CERTAS PESSOAS...".

"E desconfio mesmo! Você ainda é muito nova para entender as preocupações de um mestre...".

"Tchau, Aioria. Acho que você é bom demais para uma pessoa como eu" - ela argumentou enquanto seguia para fora do querto e era seguida pelo homem.

"Desculpe!".

"O que diferem os homens são seus atos! Teóricamente vocês são todos iguais, mas você tem que se diferenciar pelo que faz e eu não gosto de ser menosprezada".

"Não quero menosprezar você! Desculpe" - ele pediu enquanto voltava a retirar sua máscara e fitar seu rosto exposto - "Agora, aceite-as logo, pois eu não sou o tipo de pessoa que...".

Ela o beijou rapidamente, mal dando tempo para que fechasse os olho e isso continuasse gradativamente até se entregarem as carícias um do outro.

"Acho que pela primeira vez em anos eu ouvi o Máscara da Morte falar algo plausível: minha discípula sabe o que faz".

"Já estava na hora de você perceber isso".

"E, voltando ao nosso assunto de agora a pouco, acho que estamos sozinhos agora..."

"Hum... e o que você sugere?".

"Não é capaz de imaginar?"

"Só se você me mostrar... agora...".


O momento que todos estavam esperando chegou. Lilits, Amy, Alex e Kassumi encontravam-se na penumbra, perto do mar, em uma região considerada quase fora dos domínios do santuário de Athena e perto da entrada do antigo templo submarino de Poseidon. O vento uivava perto das rochas e as ondas selvagens provocavam um barulho irritante e alto, suficiente para abafar qualquer tipo de convesa.

"Lilits, eu quero agradecer por ter aceitado vir conosco" - disse Alex feliz.

"Só faço isso por consideração a vocês e porque não concordo com a política de Shion" - a amazona parecia mais rude do que no dia anterior e isso em detrimento de uma pequena discussão que tivera com Hyoga, as palavras dele ainda soavam em seu ouvido:

"Por que não posso ir com você cobrir o turno da noite?".

"Não é sua função! Eu sou a amazona de lebre e não você. Por isso deixe-me executar meus afazeres em paz".

"Gostaria de tornar sua noite mais agradável e não irritá-la".

"Então, deixe-me cumprir minhas obrigações e cuide de seus afazeres".

"Se quer assim, amazona" - retrucou com rispidez.

Certo, talvez tivesse sido dura com ele. Era claro como água que a compania do loiro mexia com ela, ao ponto dela não conseguir se concentrar em outra coisa, mas não iria admitir prejudicá-lo com aquela história de ir até o Cabo Súnion. Traição daquele nível custavam o mesmo castigo e ela morreria se Hyoga fosse trancafiado lá, a possibilidade lhe provocava arrepios na espinha.

"Certo! Estamos uns quinhentos metros de distância. Perto das barras existem buracos fundos na areia e é fácil afundar ali. Se elevarmos grande quantidade de cosmo a movimentação poderá ser sentida do salão do mestre, isso se os outros cavaleiros de ouro já não puderem presentir que estamos aqui...".

"Acha que eles já sabem?".

"Talvez não estejam empenhados em constatar alguém no momento, por isso, pouco importa onde está cada um dos integrantes das doze casas...".

"Conseguimos muitos voluntários para vir aqui hoje, mas é essencial que não despertemos suspeitas" - disse Amy - "Bem, acho que eu sou a que tenho melhor condição de quebrar aquele metal, pois o treinamento de Aioria exige de mim grande agilidade e força nos membros superiores...".

"Nesse caso, eu e Alex iremos distrair e brincar de pega-pega com os vigias da encosta. Tentem não usar o cosmo de modo algum".

"Espere, assim vocês não vão poder ver Kanon" - interpos Kassumi ligeiramente surpresa com a revelação.

"Trouxemos você aqui para que você pudesse lhe trazer palavras de conforto. E lembre-se, homens não gostam de lágrimas! Sorria bastante" - disse Lilits tocando os cabelos prateados da moça - "Escute, tomem cuidado com a intensidade da água e para não ficarem presas".

"Certo".

"Quinze minutos é o máximo que vocês podem permanecer ali! Depois disso os soldados vão tentar conferir a caverna. Quero que nadem pelo lado direito e saiam pelo outro lado, pois nós os atrairemos para cá. Alguma dúvida?" - pergunot Lilits com certa autoridade - "Então, vamos".

As amazonas tomaram seus postos. Alex e Lilits subiram a encosta e tomaram direções opostas enquanto as duas amazonas saltaram ao mar com detreza e começaram a nadar contra a maré. A água violenta dificultava seus movimentos, além da salinidade do mar arder seus olhos e enxarcar seus ouvidos. Mesmo assim prosseguiram por cinco minutos até alcançarem as pedras mais próximas da prisão submarina e que estava muito escura e parecia inabitável.

"Vou pular primeiro" - disse Kassumi definitiva, tomando cuidado com os buracos que Lilits tinha alertado e procurando apoio em pedras salientes conseguiu tocar as barras. A água chegava até seu peito e ela forçou a vista para tentar visualizar algum vulto conhecido.

"KANON" - sua voz ecoou por toda a extensão da caverna e o barulho propagou-se mais alto do que ela previra. No alto do rochedo um dos vigias do santuário virou o rosto para aquela direção a procura do emissor do barulho.

"Submergir" - balbluciou Amy saltando ao mar e Kassumi abaixou-se por baixo d'água, prendendo a respiração o máximo de tempo que conseguiu.

"QUEM ESTÁ AÍ?".

O homem não obteve resposta e certo de que ouvira uma voz feminina tentou se aproximar do local. A lenda das sereias fluiu na cabeça do soldado e ele sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Não devia ter medo, pois essas coisas não eram reais.

"Hei, saia daí! Precisamos de ajuda no lado oeste! Um intruso de longos cabelos negros" - gritou um outro soldado aproximando-se e guiando o amigo para longe dali.

Amy foi a primeira voltar a superfície, sedenta por ar fresco e completamente molhada.

"Tomara que não peguem Alex" - pensou - "Kassumi? Você está bem?".

A moça estava submersa ainda, seu pé prendera-se acidentalmente a um buraco no fundo da lama e ela - assustada - não conseguia desvencilhar-se, ao mesmo tempo que sentia as ondas empurrarem seu tronco e cabeça com violência de encontro as barras de ferro. Mas, por um milagre, duas mãos fortes seguraram-na com precisão e trouxeram-na devolta a superfície para que ela pudesse respirar.

Respirou sôfrega, tentando conseguir o máximo de ar dos pulmões até finalmente abrir os olhos e dar-se conta de quem era seu salvador.

"Kanon..." - ela chamou feliz vendo o homem diante de si. Suas mãos fortes ainda mantinham-se firmes em sua cintura, aproveitando a baixa densidade da água e o fato do corpo dela ser mais leve naquelas situações. Suas mãos ultrapassaram as barras de ferro para executar o ato, mas ainda impediam os corpos de se tocarem com perfeição.

"Você veio" - ele riu alegre, tossindo um pouco.

Ela deu uma boa olhada no homem que tanto admirava e gostava. Os cabelos perderam o brilho, as mãos estavam enrugadas devido ao constante contato com a água, parecia mais magro e com olheiras profundas, não conservando uma aparência nada saudável.

"Você está doente?" - ela perguntou preocupada tocando seu rosto - "Shion te feriu?".

"Não se preocupe! Eu estou bem... você está aqui, isso me basta" - ele tossiu mais uma vez - "Athena irá chegar logo, Saga me disse...".

"Saga veio lhe ver?".

"Sim! Ontem á noite! Está fazendo um bom trabalho como seu mestre?".

"Tentando, mas eu prefiro você para me ensinar!".

"Eu sabia... cof, cof... Saga é um incompetente! Vou demiti-lo".

"Não faça piada com coisas sérias..." - ela teimou em chorar por vê-lo em situação tão degradante.

"Se eu não puder fazer piada com a minha desgraça, farei sobre o que?".

"Como está fazendo para se alimentar?".

"A maré me traz peixes! Eles não tem a mínima chance contra um cavaleiro de ouro... Hahaha! Não chore, por favor! Eu já estive aqui antes e vou sobreviver a isso por mais alguns dias. Tenha fé em Athena".

"Olá, Kanon" - Amy pulou ao lado de Kassumi e esticou uma mão para cumprimentar o prisioneiro - "Bonita noite de lua não é?".

"Disso não posso reclamar! Tenho a vista mais privilegiada de todo o santuário" - indicou o corpo celeste que estava dependurado no céu, além de suas miseráveis barras de ferro - "Estou feliz que tenham vindo".

"Alex e Lilits estão distraindo os guardas para que pudessemos aparecer! Eu vou tentar quebrar as barras para que você possa sair daqui".

"É inútil! Eu já tentei mil vezes...".

"Mas, eu ainda não".

A amazona elevou pouco quantidade de seu cosmo - rezando para não chamar a atenção - e aplicou força no material que não fez nem o favor de ranger um pouco. Parecia fundido em algo muito mais forte e superior. Tentou dez vezes e todas fracassadas.

"Não... quebra" - ela replicou desanimada - "Como é possível?".

"Não são barras comuns! A lenda é que ela foi feita com fogo do próprio inferno".

"Deixe-me tentar" - sibilou Kassumi executando os mesmos movimentos da amiga, mas sendo em vão - "Droga!"

"Chega! Quero que guardem suas forças para saírem daqui ao invés de ficarem gastando cosmo á toa. Terão sérios problemas se forem pegas".

"Se o meu castigo fosse ficar aqui com você, eu obedeceria sem pestanejar...".

"Não vai me ajudar em nada se for presa! Quero que saia daqui e continue o treinamento".

"Kassumi, os guardas" - disse Amy espreitando atrás de uma rocha - "Eles estão vindo pra cá".

"Vão agora" - ordenou Kanon preocupado - "Não vou me perdoar se aqueles cachorros colocarem as mãos imundas deles em vocês".

"Mas...".

"Foi um prazer revê-lo, Kanon. Vamos achar uma maneira de tirá-lo daqui".

"E existe uma forma: Athena".

"Shun e Nana foram buscá-la! Não se preocupe" - retribuiu Amy com um sorriso encorajador - "Vamos agora, Kassumi".

"Você ouviu a amazona de leão" - disse Kanon brincalhão tocando a máscara da amante. Ela retirou a máscara e tentou aproximar seu rosto da barra para beijar-lhe os lábios e conseguiu com certa dificuldade sentir a boca fria e quase incolor de Kanon.

"Não volte mais aqui" - pediu o homem preocupado.

"Por que não?".

"Por que eu amo você" - ele balbuciou baixinho - "Vá!".

Amy não esperou mais nada, puxou Kassumi com toda a força para baixo d'água e elas nadaram todo o percurso submersas. Foi por um triz que não acabaram por encontrar um dos guardas e só quando estavam bem afastadas ousaram erguer a cabeça para fora.

"Gasp, gasp... foi por pouco" - pestanejou Amy feliz por não ter sido descoberta e com a consciência tranquila - "Athena vai voltar, espere para ver...".

"Eu quero crer nisso, minha amiga".

"Vamos! Alex e Lilits devem estar preocupadas".

Deram uma última olhada na direção do mar e voltaram ao santuário para, mais tarde, abrigarem-se desconfortáveis em suas camas macias.

Longe dali, perto das fileiras de ruínas antigas, um homem e uma mulher caminhavam lado a lado e sem pronunciar uma única palavra.

Então, era daquela forma que tudo iria terminar? Mal começara e agora ela ia embora de sua vida, com rancor e raiva? A vida nunca fora justa, mas agora parecia que ela ficava cada dia pior. Pelo menos era o que Aldebaran achava enquanto encaminhava a mulher que amava para longe de sua vida, definitivamente.

Chegaram ao lugar sem muita dificuldade, os guardas respeitavam a figura onipotente de Aldebaran e, por isso, não tentavam impedi-lo de prosseguir, mesmo olhando a garota que o seguia com certa curiosidade. Dado momento um grupo de servas cumprimentou Calisto e ela só fez balançar a cabeça em constatação. O homem riu:

"Você é muito querida aqui! Por todos e independente do posto que ocupe. Seu jeito propiciou isso...".

"Não me martirize! É duro para mim também deixar esse lugar, mas é inevitável que algo assim ocorra".

"Por que?".

"Por que eu não faço parte disso! Sou só decorativa! Não cresci aqui, desconheço seus moldes, entenda isso...".

"Eu respeito, mas não consebo! Não queria que acabasse assim".

"É tarde para isso".

"Que seja" - ele balbuciou triste - "Bem, chegamos".

A estrada agora era ampla e bem arejada, andando reto e sem parar em qualquer lugar poderia-se ver a entrada dos portões e a vila que desembocaria com mais uns dez minutos de caminhada na cidade de Athenas. Não havia risco algum até lá, até porque era bem iluminado pelos lampiões dos aldeões do lugar. Os grilos e os vagalumes conseguiam deixar o ambiente mais tétrico do que já era.

"Despediu-se de todos?".

"Apenas de algumas pessoas... eu não consegui dizer adeus" - ela despejou as palavras, parecendo triste - "Então, tchau".

"Tchau" - ele falou com os olhos fechados.

Viu o vulto da pequena garota dar alguns passos com a mochila de camursa na mão, segurando-a junto do corpo esguio, os cabelos negros e levemente azulados esvoaçantes com o vento, até que ela parou sem se virar, ainda de costas para ele:

"Sabe o que eu não perdôo?"

"Hum?".

"Você ter esperado eu me apaixonar por você para me dizer a verdade!".

"Eu lamento! Mas, somos vítimas um do outro".

"É só isso que tem a dizer?".

"Quando você quiser voltar eu estarei aqui".

"Isso não vai acontecer, Aldebaran de Touro" - ela esperniou estupefata com a falsa calma que ele encenava.

"Sua declaração não altera em nada minha postura! Eu vou estar aqui..." - ele virou-se de costas para ela e agora nenhum dos dois se via, apenas as costas despediam-se enquanto ele dava os primeiros passos de volta ao santuário.

"Você não perguntou, mas eu nunca vou contar a ninguém sobre esse lugar. Não vou vendê-lo as revistas!".

"Eu sei que não vai" - ele suspirou fundo e só pode ouvir o barulho dos sapatinhos dela de encontro ao cascalho da estradinha, guiando-a de volta para casa.


N/A: Por que eu continuo a escrever essa fic ?