Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e Toei

O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe

Boa leitura e divirtam-se :)


As namoradas do zodíaco

por Pisces Luna

Capítulo XXV: Submissão


"É ela!"

O homem de longas vestes de um tom azul escuro correu até a entrada de sua casa para receber a pessoa que foi a razão de sua vida durante quase toda uma existência. Alinhou-se e abriu um largo sorriso enquanto via sua silhueta ficar mais nitida por todo o percurso enquanto a mesma subia as escadarias.

"Seja bem-vinda, Athena" - disse enquanto tombava todo o seu corpo de mais de 1,90 m sobre o único joelho esquerdo em sinal de reverência e respeito. Como era bom tê-la de volta embaixo de suas asas.

Ela sorriu de volta enquanto se aproximava do homem e beijava-o no alto de sua cabeça fazendo com que corasse um pouco.

"Senti sua falta, Shion".

A multidão de cavaleiros e amazonas douradas que tinha seguido Athena até o alto pela primeira vez manteve-se quieta vendo a cena em sinal de franco respeito e alegria pelo que estava acontecendo.

"Ela voltou" - balbuciou Shura visivelmente tocado pela presença da deusa.

Yura olhou-o de relance e pela primeira vez sentiu que compartilhava dos sentimentos de seu mestre. De um modo geral todas aquelas jovens sentiam o mesmo e gozavam da mesma sensação de esperança que aquela moça trazia.

Athena virou-se de costas para o grande mestre e contemplou todos os seus cavaleiros e amazonas, sorriu mais uma vez e fez um aceno de cabeça leve para todos eles.

"Mais tarde gostaria de falar com todos vocês, mas por hora peço que não se importem que eu descance um pouco".

"De modo algum afinal a casa é sua" - disse Dohko contemplativo.

"Hehe, mas que piada mais infame" - retribuiu Máscara da Morte com um sorriso de canto de boca.

"Não é piada".

"Mas antes quero ser acompanhada de chá com bolachas com o Mestre".

"Com todo o prazer. Vamos" - ele indicou a entrada do salão e fez menção para que Saori fosse a primeira. Ela olhou o gesto e sorriu, depois parou por um momento e um pouco corada retornou para a pequena multidão e chamou:

"Seiya, vem comigo?" - estendeu a mão para o vazio.

Todos olharam ao redor para ver o forte rapaz de cabelos castanhos se surpreender e um pouco receoso se precipitar a frente da deusa e estender suas mãos calejadas de luta diante dela que a segurou com firmeza e guiou para dentro do local. Shion olhou estupefato e ninguém disse nada até o enorme portal de madeira se fechar.

"Vocês viram aquilo?" - disse Shaka chocado.

"Eu vi, você também? Que estranho, afinal você não utiliza os seus olhos!" - concluiu Aiolia brincalhão.

"Calado, eu não acredito que..."

"Nenhuma bolachinha nos ofereceram" - choramingou Afrodite em sinal de pouco caso.

"Qual o seu problema? Seiya e Saori estão... estão..." - Milo tentava completar a frase, mas só apontava incrédulo para o enorme portão.

"Milo, daqui a pouco vou achar que você tem ciúmes de todas as mulheres que estão sobre sua proteção! Ou será que você gosta da Teella e da Saori?" - os olhos de Luna faiscaram em sinal de brincadeira astuta.

"De onde você tirou essa maluquice? Seria quase uma pedofilia considerando a idade mental da Teella e a verdadeira da Saori"

"Obrigada, mestre" T.T

"CALEM A BOCA" - urrou Dohko enquanto se virava para encarar todos os integrantes que a seus olhos, naquele momento, não passavam de crianças - "SERÁ... será que ainda não se deram conta do que está acontecendo aqui? Como podem ser tão alienados?" - disse furtivo voltando a encarar a porta - "Deixemos noss deusa em paz por hora".

"Deixá-la em paz..." - replicou Máscara da Morte trêmulo de uma raiva que há tempos não se manifestava - "Não aguento mais ouvir de você e daquele velhote estranho para deixar vocês cuidarem dos problemas do santuário. OS DOIS ESTÃO ESTRANHOS E FICAM NOS TRATANDO COMO MOCINHAS!".

"Hei, o que quer dizer com mocinhas?" - perguntou Alex, mas recebeu um olhar em represália de Saga.

"Ele tem razão, Dohko. O que está havendo?" - perguntou Shaka com sua voz etérea.

"Shaka, pelo menos não se faça de cínico. É exatamente o que está pensando e eu não preciso dizer ao homem mais próximo de Deus porque tanta preocupação".

"Então, só está confirmando minhas suspeitas".

Um homem que mantinha-se sentado diante do aglomerado de pessoas se levantou fazendo com que sua impotente sombra se projetasse sobre os demais, chamando toda atenção para si.

"Estarei a serviço de Athena assim que ela precisar, mas até lá estarei em minha respectiva casa. Juliane, vamos...".

"Mas mestre...".

"Agora" - ponderou.

Juliane mirou o homem com certo desgosto, pois era claro e desnecessário ser tratada como uma menina perante aos mais de vinte guerreiros e guerreiras que ali se encontravam, mas tratando os amigos como mereciam não deu-se ao trabalho de se irritar e acatou as ordens como fora pedido.

A tensão, o confinamento, o sol quente e até mesmo suas vidas de contos de fadas já estavam complicando o convívio entre os guerreiros e guerreiras. Por mais que a amizade e o espírito de união fossem pontos fundamentais para que todos convivessem em harmonia era cada vez menos frequente as visitas entre as amazonas e cada dia mais elas se atolavam em treinamentos árduos e difíceis. O que dizer então dos laços amorosos que as uniam aos cavaleiros mais fortes de Athena? Ou estavam se afrouxando ou cada dia mais se atenuavam. Casos como os de Afrodite e Teella que cada vez mais tentavam se aproximar um do outro, assim como Shaka e Mikage, enquanto casais como Yume e Saga já não conseguiam se ver como outrora. Não, não era natural e nem saudável para os mesmos.

A multidão se dispersou com nítido desânimo enquanto perante ao grande portal apenas uma pessoa acompanhada de um homem alto e de cabelos azuis vislumbrava a sala do mestre.

"Yume, vamos?".

"Está na hora, Saga... é minha vez de fazer algo antes que minha participação seja inútil".

" O que é que você vai...".

"Confie em mim. Eu sou uma das pessoas que Athena mais vai querer ouvir e disso tenho certeza".

"Eu não duvido, sacerdotisa. Mas, por hora, venha até minha casa e me faça companhia".

"Saga, estou farta de ser sua companhia" - ela retribuiu amargurada ainda de costas - "Não confunda o meu amor com submissão, por favor".

"Então, faça como quiser" - ele destilou em tom jocoso e sem dar muita importância. Estava exausto de problemas, intrigas e questões que ele não conseguia resolver. Estava prestes a jogar a toalha a suas questões pessoais. Desceu a escadaria enquanto sua mulher apenas permanecia em silêncio observando e esperando a porta ser aberta.

Poderia demorar um pouco, mas sabia que deveria se fazer ser ouvida ainda naquela noite. Pelo bem de um casal que precisava urgentemente de ajuda.

"Vai me agradecer por isso depois, querido Saga".


"Eu estou a par desses pequenos problemas que o santuário vem enfrentando" - Saori levou sua bebida aos lábios enquanto saboreava os resquícios de açúcar e devolvia o utensílio de volta a mesa - "Depois da guerra contra Hades as nossas baixas foram muito altas e apesar de termos recrutado as amazonas que estavam em treinamento pelo mundo para virem ao santuário treinar estou ciente de que não estão em número suficiente para suprir a proteção das fronteiras".

"Então porque não treinar um número considerável de garotos como nós?" - perguntou Seiya antes que conseguisse conter a própria lingua.

"Porque a intenção era um novo padrão de guerreiras, uma nova elite dourada que fosse grande em habilidade, força e determinação" - disse Shion com um pouco de orgulho - "Estou certo de que os cavaleiros de ouro fizeram um excelente trabalho, contudo..."

"Contudo?" - completou Saori com um olhar curioso.

"Gostaria de tratar desse assunto mais tarde" - pediu Shion fitando Seiya - "Afinal, são questões um pouco mais sigilosas".

"Certamente, estamos apenas comendo um chá com bolachas" - ela defendeu - "Hum... sabe Shion, queríamos falar de outro assunto nesse momento".

"E posso deduzir qual é?!" - ele perguntou erguendo uma sobrancelha - "Pelo jeito o cavaleiro de Pégasus mostrou suas reais intenções".

"E espero que isso não seja o início de um sermão" - defendeu Seiya se exaltando - "Amo Saori e quero ficar com ela para sempre, acho que já mostrei provas mais que suficientes ao longo desses anos de que sou fiel e digno de confiança".

"Confiança?" - Shion riu-se por um momento esboçando um sorriso cínico - "Sem dúvida é um grande guerreiro que fez tudo por nossa deusa e a paz e justiça na Terra, mas a essa altura do campeonato você descobriu-se, de repente, apaixonado pela pessoa que você devia ter como um estandarte?".

Seiya pegou ar para responder com todas as forças de seus pulmões e já separava as palavras para uma verdadeira luta com palavras e que Shion venceria ardilosamente se ele não fosse sensato. Sentia-se pedindo a mão de Saori ao pai dela e isso o fazia suar frio. Tolice.

Foi simples e direto em sua resolução.

"Sim" - Seiya sorriu ao ver a garota apertar sua mão discretamente por baixo da mesa - "Espero que você não crie problemas para nós".

"Não é essa minha função e creio que suas vidas íntimas também não são da minha conta, mas é inegável que o amor de Athena deveria ser algo platônico e para todos os cavaleiros. Nossa deusa metida em casos de ordem tão corriqueira quanto uma paixão...".

"Todos os cavaleiros tem o amor de Athena, Shion..." - Saori sorriu - "Mas apenas um tem o de Saori Kido. Não quero criar confusão com você por isso e seria muito importante para mim que você entendesse e nos apoiasse, pois sei que não vai ser fácil para o santuário aceitar isso".

"Sem dúvida que não era o momento para uma revelação dessas" - ele suspirou enquanto tamborilava seus dedos sobre a mesa - "Eu respeito a sua decisão" - destilou meio afetado - "Porém, quero pedir que se for para assumir essa relação em público que seja após um acontecimento que tenho esperado há algum tempo".

"Acontecimento?" - Seiya ergueu uma sobrancelha - "O que é? Diga!".

"Não seja impaciente" - pediu Saori - "Por favor, será que você podia nos deixar a sós?".

"Certo" - ele ergueu-se da cadeira e encontrou os olhos desgostosos do mestre do santuário que apenas desviou o olhar no instante seguinte - "Vejo você mais tarde. Faça o favor de ir dormir um pouco, tivemos uma longa viagem".

"Não se preocupe. Estou bem" - ela sorriu - "Seiya, faça-me mais um favor: peça pra Yume entrar quando sair do salão do mestre".

"Hein?! Ela está lá fora? Como sabe que...".

"Eu sei" - replicou simples - "Obrigada" - deu uma piscadela discreta para ele que vagou para fora do recinto.

Algum tempo depois a sacerdotisa entrou na sala já com as costumeiras roupas pesadas e com seus longos cabelos negros como o ébano enlaçados a uma trança abaixo da cabeça.

"Athena, preciso lhe falar urgentemente" - ela não sorriu - "É sobre Kanon".

"AH! Esse assunto não será abordado agora, tenho outro muito mais urgente a tratar...".

"E qual seria?"

"A guerra que nos aguarda...".

"Guerra?" - Saori sentiu o ar de seus pulmões lhe faltar e por um momento um aperto sufocante estrangular sua garganta - "Como? Porque?".

"Perséfone" - disse Yume - "Ela está há semanas implantando imagens na cabeça de Marcella sobre destruição, sangue e...".

"Perséfone?".

"Não sabemos, mas temos certeza que ela planeja atacar o santuário em breve numa empreitada ardilosa".

"Mesmo que tente não pode contra o número de cavaleiros que temos não é mesmo?" - virou-se para Shion.

"Sim. Isso é verdade, mas não sabemos o que ela pode fazer se... tentar reanimar os antigos servos do marido".

"Os espectros tem fidelidade a Hades e não a sua mulher. Nem mesmo ela tem tamanho poder para...".

"Não sabemos como ela é capaz de agir. A deusa Perséfone sempre foi muito neutra em questões como essa e não sabemos ao certo porque faria isso agora" - disse Yume - "Bem, estamos esperando o tão aguardado e cordial comunicado de guerra".

Saori fitou o chão em silêncio apreensiva.

"Será que ela busca vingança?" - falou sem querer - "Ela amava-o muito. Talvez tenha sido por isso que... entendo. Talvez não seja exatamente poder que ela quer, mas vingar a morte de seu marido".

"Perséfone nunca se entregou inteiramente a Hades, lembra? Afinal, ela foi obrigada a casar com ele".

"Isso não quer dizer que não o ame, afinal ela comeu a romã¹"

"É verdade, mas porque só tomou uma atitude agora?".

"Porque esteve com sua mãe" - disse Saori sem pestanejar - "Estava com Demétre, não poderia voltar para o marido nesse meio tempo".

"Então ela está só e livre agora?".

"Por enquanto, Perséfone também reencarna sempre que o espírito de Hades regressa a Terra, mas provavelmente nesse tempo ela... não sei, suposições minhas pelas lendas que cresci ouvindo. Confirma isso, Shion?".

"Devemos aguardar. Acho que vingança ao santuário como um todo pela morte de seu marido é a única situação plausível... se estivesse atrás de você talvez já tivesse atacado-a".

"Sim... falemos de Kanon agora" - pediu a deusa - "O que aconteceu?".


"Eu amo você..." - repetia para si diante do espelho - "Certo, eu sei que nunca te disse, mas... ai... como eu vou contar isso pra ele?".

Teffy andou até sua cama e jogou-se em cima da mesma.

"Como vou falar pra você, Dohko?".

Quando, como, porque, desde sempre... questões como essa não paravam de pairar sobre sua cabeça. Ahhhh... até quando permaneceria calada? Os treinos já não rendiam como antes e nada se mostrava suficientemente importante diante de sua imagem daquele homem tão distante.

"Teffy, já vamos para a arena" - disse Aioros adentrando o quarto da discipula - "Levante-se daí".

Ela levantou-se e seguiu o mestre em silêncio.

Tudo tornou-se repentinamente triste. Não. O santuário não parecia mais abençoado pela beleza dos poderes de Afrodite mesmo com o retorno de Athena. Talvez fosse o período das secas que retiravam a beleza da paisagem e algo a mais.

Na aldeia a margem da fronteira do santuário regia a lenda de que há cada mil anos a deusa do amor presenteava o santuário de sua irmã Athena com uma onda de amor e paixão por seus arredores que consumia todos e transformava-o em um lugar abençoado. Mas nos últimos tempos...

"O que você quer dizer para não me meter?" - perguntou Amy ardilosa arrancando um livro da mão do namorado - "O que está insinuando?"

"Eu afirmo que você está se INTROMETENDO nos problemas dos outros e que não deveria ficar...".

"Meme, querido, você não sabe nada sobre alma feminina. Uma mulher não quer pedir ajuda, ela quer que você a ajude expontaneamente! E você não está ajudando Lolly! u.u".

"A vida é dela e eu não tô nem aí desde que ela continue treinando e fazendo o meu jantar" - pega o livro de volta - "Com licença" - vira-se de costas e pega um sininho que estava na banqueta - "Looooooollyyyyyyyyyyy".

A moça entra no lugar com uma aparência apática, olheiras fundas e um sorriso anormal.

"Sim, mestrinho?".

"Já arrumou o seu quarto?".

"Sim".

"O meu?".

"Também".

"Limpou a prataria?".

"Como ordenou".

"E o que fará mais tarde?".

"Arrumarei suas roupas, costurarei suas meias, limparei as máscaras da parede, tratarei da dispensa e vou treinar arduamente todos os rituais cabalisticos e estranhos que você criou".

"E porque fazemos isso?".

"Pois somos guerreiros de câncer".

"ISSO! ESSA É A GUERREIRA QUE EU TREINEI" - sorri satisfeito enquanto Amy pára perplexa. A amiga estava realmente mal desde que Shion a tinha deixado, permitindo se submeter aos caprichos do mestre.

Lolly sai com uma reverência - fizeram lavagem cerebral nela? o.o - e Máscara continuou sua leitura.

"Meme..." - cantarolou Amy.

"Sim, principesca?".

"VÁ SE DANAR, SEU IDIOTA!" - jogo um vaso contudo na cabeça dele fazendo-o cair no chão atordoado.

"VOCÊ FICOU LOUCA?" - ergue-se bruscamente enquanto se desviava dos outros objetos.

"Como pode abusar dela assim? Não vê que está passando por um momento... quer saber? eu odeio você! Odeio seu jeito arrogante! Odeio essa sua pose! Odeio - ele se aproxima com cara de irritação, mas a segura pelo punho fazendo-a andar para trás com um sorriso cínico - Odeio essa sua cara de megalomaníaco e esse... esse - olha para o namorado que a impressa contra a parede - ... esse corpo bronzeado!".

Ele sorri com a dubia opniao da moça e aproveita para provocá-la.

"Não permito que você jogue nada em mim, AMY!" - machucou-a nos punhos enquanto falava ao seu ouvido - "Eu não poupo mulheres!".

"Ah é? E quem disse que eu tenho medo de você?"

"Deveria ter! Eu posso machucar você" - coloca um beijo em seu pescoço enquanto morde o mesmo com um pouco mais de força fazendo a garota gemer pela dor, deixando-a marcada.

"Seu cretino idiota, pensa que só porque me agarra eu vou ficar de boca fechada é?".

"Mas o que eu quero agora é ouvir você gritar, querida..." - disse jocoso, vendo-a arrepiar enquanto a soltava e sentia que ela batia em suas costas com força.

"Solte-me! Cansei de brincar... não quero nada com você agora".

"Eu quero e isso basta!" - disse definitivo - "E você quer também..." -

"Não quero NÃO!" - empurra-o e se afasta sentindo-se irritada - "Meme, você não era assim... antes você me ouvia".

"Eu ouço" - disse com um leve nuance de autoritarismo na voz - "Só que não concordo COM TUDO que você faz só porque é minha namorada".

"Idiota" - indignou-se.

"E quer saber? É melhor você ir, pois daqui a pouco começa o treinamento da minha discípula e ela é um exemplo".

"O que está insinuando?" - aproxima-se - "Acha que Lolly é melhor amazona que eu?".

"Não!" - replicou rápido demais vendo que os olhos da amazona faíscaram perigosamente - "Apenas que... talve falte mais empenho de sua parte...".

"Ora, deve ser porque eu estou sempre por aqui sendo compania para um parvo idiota como você!" - aproxima-se para dar-lhe um tapa na cara, mas é detida por mãos hábeis que a impedem e a enlaçam.

"Tsc, tsc. Mas, me diga, quais são as vantagens do parvo idiota hein?".

"Não estou vendo muitas nos últimos tempos, seu grosso".

"Fale mais" - a segurava com força e brutalidade.

"Cretino, estúpido, ignorante...".

"Gostoso como tantas vezes você me disse entre um beijo mais provocante e outro. Isso! Adoro ver essa sua expressão de horror quando não consegue se afastar de mim..." - vira seu corpo e a segura pela frente com violência - "Fale mais, muito mais..."

Ficou quieta e não se manifestou mais enquanto deixava-o beijar sua boca e a abraçar com certo desejo. Ele a soltou e de bom grado ela própria enlaçou seus braços esguios ao redor de seu pescoço. Máscara da Morte parou o beijo e se afastou.

"Tchau, querida" - sádico retirou-se e foi para o interior da casa deixando-a só.

"Esse homem é a minha perdição" - passa as mãos pelos cabelos negros pensando em segui-lo, só que seu orgulho a impediu. Adentra a casa de câncer a procura de Lolly. Teria outra conversa com ela a respeito de Shion. E como sempre a amiga não a ouviria...


Não se lembrava ao certo como tinha chegado até ali, mas o fato é que Kassumi pulou nos braços de Kanon assim que ele foi jogado na sala do mestre trazido por cinco homens de escalão menor.

Seus cabelos e suas roupas estavam encharcadas dos pés a cabeça, ele pingava e via triste a água que escorria por seus cabelos enquanto terminava de cuspir os resto do líquido, enojado pelo sal.

Mesmo assim caiu de joelhos, as mãos sustentaram seu corpo enquanto tentava acostumar-se a claridade novamente. Sentiu que alguém afagou sua cabeça e ele repousou seu rosto no colo branco de Kassumi.

Agradeceu.

Mas não demorou-se em se erguer com dignidade e depois passou a olhar a mulher de cima a baixo, do alto de seu 1,90 m.

Sorriu ao ver Athena que também retribuiu ao gesto.

"Acho que agora que estamos todos aqui podemos finalmente chegar a uma discussão calma e racional" - disse Saori suavemente e um pouco envergonhada quando todos os olhares daqueles homens e mulheres - bem mais velhos do que ela - decairam sobre seu semblante.

Segurou seu báculo com mais força do que pretendia e podia sentir o suor enxarcar suas mãos.

"Bem, primeiro, vamos deixar algumas coisas claras aqui: Kanon, desculpe-me por isso".

"Eu... mereci de certo modo".

"Não. Não mereceu" - disse Alex dando um tapa nas costas dele - "Titio..."

"Hunf. Insolente" - ele deu um riso meia boca e retribuiu o cumprimento, mas não conseguiu abidicar da postura séria que assumiu.

"Mas não poderá mais treinar Kassumi e habitar a casa de gêmeos".

"NÃO" - Kassumi protestou enquanto segurava as mãos de Kanon - "Porque? Por minha causa? De forma alguma... antes eu deixo a casa de gêmeos!".

"Não seja iludida" - disse Kanon cansado - "Não pode deixar a casa de gêmeos".

"Claro que posso".

"Não. Você é do santuário tanto quanto o santuário é seu. Uma vez aqui dentro não há como deixar sua função".

"O Cabo Súnio não te fez tão mal, Kanon" - disse Shion com um riso zombeteiro.

"Quieto, velhote. Juro que vai demorar bem mais para se recuperar da próxima".

"Não diga asneiras" - protestou Camus - "Aceite e vamos conversar sobre coisas que realmente importam".

"É claro que não foi você a visitar o Cabo Súnion por semanas..." - disse Saga entre dentes.

"Não fui eu a merecê-lo" - retribuiu - "Correto?" - ele eleva seu cosmo.

"O fato..." - Saori voltou a chamar a atenção - "É que Kanon sairá da casa e Saga continuará a treinar Kassumi e Alex. Vai deixar sua casa e seu cargo como guardião da casa de gêmeos".

"E para onde eu vou?" - perguntou sem reagir.

"Para a casa de Yume!"

Shura e Máscara da Morte começaram a rir um pouco tentando manter a compostura diante da deusa, mas não suportando devido a possibilidade do fato.

"Pfff... Vai morar da casa da namorada do irmão gêmeo. Poligamia geral não é?" - disse Máscara da Morte batendo nas costas do Shura.

"Hahaha... também quero um irmão gêmeo. Haha..ha..." - o espanhol parou de rir assim que encontrou o olhar fuzilante de Marcella do outro lado da mesa e voltou a manter sua postura.

"Na verdade, achamos uma solução bem menos embaraçosa" - disse Yume pronunciando-se e não demonstrou-se ofendida com a insinuação - "Resolvemos que eu vou... eu vou para a casa de gêmeos para desocupar a outra".

Kanon virou o rosto para encontrar o de Saga e não conseguiu deixar de notar um sorriso de canto de boca que estava estampado nas feições do irmão que parecia razoavelmente satisfeito com a solução.

"Hum... não que seja da minha conta..." - disse Afrodite chamando a atenção - "Mas, sacerdotisas da deusa Athena não deveriam ser puras, castas e virgens?".

"A-FRO-DI-TE" - sibilou Teella - "Isso é coisa que se fale?".

"O que? Só estou perguntando".

"Uma coisa não tem nada a ver com a outra" - disse Saga - "Yume só vai morar na casa de gêmeos conosco e eu não pretendo encostar um dedo nela, como não fiz até agora...".

"O que? Você está na seca desde que ela chegou?" - perguntou Aiolia espantado e sendo seguido pelo olhar atento de outros cavaleiros.

"Porque Aiolia? VOCÊ NÃO ESTÁ?" - Shura coagiu com os olhos brilhando atentamente e fitou a discipula que não esboçou reação alguma e estava mais do que satisfeita por usar uma máscara.

"Isso não importa... Athena quer nos falar. Podemos prestar a atenção, por favor?" - pediu Teffy irritando-se - "Estou cansada de ter nossas vidas íntimas descadas em público. Isso é muito constrangedor!".

"Você tem razão. E olha que você tem a sorte de não gostar de ninguém!" - disse Elena ingenuamente não percebendo que o olhar da amiga encontrou com as costas de Dohko.

"Tá! Chega! Kanon você foi expulso. Roda. Pauta número dois..." - Máscara da Morte bateu palmas como adestrando um poodle imaginário e viu Amy bufar e revirar os olhos.

"Então, também deixarei minha casa..." - colocou-se Mu encarando Shion - "Pois eu também estou me envolvendo com minha discípula".

"MU!" - Shaka quase teve um enfarte e ele encarou o amigo surpreso - "Seu idiota!".

"Um idiota honesto" - sorriu para Yuki - "Desculpe por não ter assumido isso antes, tá?".

Shion não disse nada e apenas encarou o chão enquanto mastigava aquelas palavras.

"A lei é para todos" - disse o Mestre do Santuário cruzando os braços - "Deixo isso por conta de Athena".

Saori respirou fundo e ficou extremamente incomodada.

"Como... eu posso dar palpite sobre suas vidas? Vocês são os donos de suas escolhas e de suas ações...".

"Athena..." - Dohko ficou um pouco preocupado vendo-a estravassar.

"Estou cansada de ficar fingindo que eu sei como e o que devo fazer. Shion, eu sei que o santuário está sob seu domínio e leis seculares, mas... imprevistos acontecem ao longo da história. Será que vou ter que tirar um dos cavaleiros mais forte de sua casa em um momento como esse?" - ela levantou-se de sua cadeira na ponta da mesa e respirou fundo pensando em uma solução razoável que não ferisse nem interesses da instituição e nem suas leis - "Mu, ficará na casa de Áries, mas não mais treinará Yuki".

"Não quero outro mestre" - pronunciou-se a amazona - "Quero continuar a ser treinada por um guerreiro de Áries".

"Em nenhum momento pensei em deixar seu treinamento desfalcado... certo, Shion?".

O cavaleiro sorriu lembrando-se que há tempos não treinava ninguém e ficou pensativo por um momento.

"Está brincando? Ele vai me matar" - protelou a amazona pensando em árduos e desastrosos treinamentos.

"Não vou. Aceito o meu posto como minha deusa assim o quer".

"Obrigada" - agradeceu - "Yuki, mude-se ainda hoje".

Quis retrucar, mas não o fez. Aceitou.

"Bom, acho que também tenho uma coisa a revelar a vocês: Perséfone pretende nos atacar em breve".

Um murmúrio se fez presente e Aioria foi o primeiro a se erguer de súbito.

"Como? Não pode ser! Ganhamos a benção dos deuses, voltamos a vida, prometeram não mais...".

"Se não esperava por isso, porque acha que estava treinando amazonas?" - destilou Dohko - "Não espante-se tanto. Devemos sempre estar preparados para todo tipo de imprevisto... A novidade é que ela não está atrás de Athena...".

"NÃO?" - Perguntaram todos ao mesmo tempo.

"Então, está atrás de quem afinal?" - perguntou Afrodite.

"Está... atrás de vocês" - disse Saori dando uma olhada na noite alta lá fora - "E, como fui informada hoje a tarde através de um comunicado, o ataque começará dentro de três dias...".

continua


¹ Na mitologia grega, Perséfone, era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.

Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.

Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Deméter, junto com Hermes, foram buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone.


N/A: Eu pretendo terminar essa história, portanto peço paciência para quem continua acompanhando.

Não vou mais responder rewiens. Sinceramente não tenho tempo - e isso é sério -mas agradeço futuros estímulos a uma escritora exausta.

"Nossa, como a fic está séria"

POIS É! A história mudou de foco. E se não for para ter guerra NÃO TEM motivo para ter AMAZONAS. Correto?

Sinceramente, estou desapontada com vocês, a idéia era justamente a interatividade entre escritora/leitora, mas acho que poucas pessoas conseguiram acompanhar a fic. Entendo que eu demoro para entregar capítulos e etc, mas é incrivel como eu me afeiçoei aos personagens independente da participação de alguns ou não, e por diversos momentos de raiva tive vontade de deletar essa fic, mas tenho a PLENA consciência que se eu melhorei e muito como escritora foi graças a esse trabalho.

Em suma: brochei.

Mas, vou levar esse barco ATÉ O ÚLTIMO CAPÍTULO!

O que eu não vou levar é a nota da autora.

Falar sozinha é que eu não vou.

Luna

04/05/08