Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e Toei

O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe

Boa leitura e divirtam-se :)


As namoradas do zodíaco

por Pisces Luna

Capítulo XXVI: A lenda dos antigos


"PÁRA TUDO" - disse Afrodite já de pé - "Perséfone quer nos matar? Minha deusa, desculpe, mas a senhorita ficou louca?".

"Afrodite! Tenha modos" - sibilou Shion - "O que nossa deusa sustenta é a mais pura verdade. Perséfone não está atrás dela, mas de nós sim".

"Por que?" - cortou Shura não conseguindo achar nexo em todas as propostas que tinham sido apresentadas.

"Perséfone teve o império de seu marido arrasado por vocês, certo? Acha justo mata-los como fizeram com o homem que ela amava".

"Vigança então...".

"E por isso também quer acabar com as amazonas. Pelos laços de afeto que se formaram aqui dentro".

Aldebaran socou a mesa fazendo a madeira ranger e sua sempre neutra postura revelou-se realmente perturbada. Iriam atrás de Juliane? E as outras? Realmente, agora não havia mais dúvida que não haveria outra opção além da guerra.

"Ela declarou um ataque em três dias" - disse Saori com um sorriso trêmulo - "Agora devemos pensar como vamos armar o santuário".

"Athena, quer sacrificar uma vila inteira e colocar todo o santuário em alerta por nossa causa?" - perguntou Aiolia - "E se... nos entregássemos?".

"Estariamos dando o santuário de bandeja pra Perséfone" - disse Lolly opondo-se pela primeira vez - "Acho que realmente não temos escolha".

"Não temos como armar as fronteiras em três dias".

"Agrupe os cavaleiros mirins" - disse a amazona de câncer.

"De nada adianta não estão em número suficiente".

"Bom... quem sabe pudéssemos reforçar as fronteiras com..."

"Athena, acho que eu posso me manifestar agora?"

Nana adentrou timidamente o recinto espreitando por uma fresta da porta e se aproximando logo em seguida.

"Já ia convocá-la".

"Nana, o que está fazendo aqui?" - perguntou Máscara da Morte - "Deveria estar repousando da viagem! Na verdade é bom que nem tenha desfeito as malas, vai voltar pra Itália assim que essa reunião acabar".

"Não voltarei não, meu irmão".

"Não discuta comigo".

"Não voltarei porque também farei parte dessa rebelião e... acho que eu deixei de te contar alguma coisa ao longo desses anos...".

Ele não compreendeu porque o olhar da irmã parecia tão firme e absurdamente diferente do que estava acostumado ao longo daquele tempo em que foram separados. Foi com espanto e incredulidade que viu sua irmã mais nova recontar a mesma história que ela tinha narrado a deusa Athena e a Shun na mansão Kido há alguns dias atrás: o treinamento na Sicília, as técnicas marciais, o treinamento nos montes Alpinos e, por fim, como tinha sido chamada meses antes por um comunicado oficial da deusa para se juntar aos cavaleiros e trabalhar para o santuário.

"Trabalhar?" - ele repetiu piscando diversas vezes - "Trabalhar?".

"Eu não podia te contar não é mesmo?" - tentava justificar - "Afinal, o que é que as pessoas iriam pensar se soubessem que eu tinha formação especial sem ser sagrada amazona? Nunca iriam deixar eu freqüentar o santuário sem usar a máscara já que eu era uma guerreira, mas eu não posso por a máscara, pois feriria os meus princípios e...".

"Guerreira?"

"Ow, que é que foi? Porque esse espanto todo? É natural que ela tivesse se espelhado no irmão mais velho para seguir treinamento" - disse Shura - "Se bem que se espelhar em você não é, nem de longe, uma atitude sensata".

"Por isso eu vim aqui para poder... ajudar a planejar um bom plano de defesa".

"Isso é quase um insulto considerando nossa experiência" - disse Saga perspicaz - "Deixar o santuário nas mãos de uma fedelha".

"Levando em conta que você já está bem passado" - disse Camus não contendo o comentário ferino.

"Não é hora para discutirmos e vamos ouvir o que a moça tem a nos dizer" - destilou Milo sério.

Não demorou para que ela tirasse do bolso de trás de seu jeans um pedaço de papel e uma caneta mostrando um esboço meio surrado do santuário de Athena.

"As fronteiras não tem barreiras naturais, o máximo um rio e algum trecho de mata típica sem muitos lugares para nos escondermos. Se atacarmos de frente perdemos território e realmente não sabemos que tipo de guerreiro ela usará para nos enfrentar...".

"Os espectros?"

"Talvez alguns deles" - ela abriu espaço e se colocou ao lado de Athena na ponta da mesa - "Eu repensei muito durante o vôo até aqui e estive estudando o terreno por conta própria. Minha única sugestão é deixar os cavaleiros de ouro onde sempre estiveram, nas doze casas do zodíaco, enquanto as amazonas...".

"Ficam conosco" - disse Mu firme.

"Vão conter as fronteiras para compensar o desfalque de soldados da última guerra.

"Justo" - protelou Amy pensativa - "Acho que vai ser até um pouco emocionante não é meninas?".

Ela tentou sorrir, mas ao ver o olhar de descrença por trás das máscaras a única coisa que conseguiu fazer foi tentar sustentar seu sorriso de falso divertimento.

"Não vejo outra maneira" - concordou Luna tentando dar base para o comentário da amiga - "Estamos mesmo sem emoção por aqui".

"Não podem fazer isso" - disse Afrodite - "Não estão preparadas para lutar, ainda não terminaram o treinamento, faltam alguns...".

"Não estamos o que?" - a discipula se enraiveceu - "Estamos aqui há meses! Temos condição de lutar sim".

"Guerra é bem mais do que eu te ensinei durante as refeições e o café da tarde, amazona" - destilou o mestre - "Você, como as outras, não está em condição de lutar na linha de frente".

"Ah é?" - ela encarou o olhar frio do mestre - "Pois vocês não tem escolha! Se não formos nós a combater nas fronteiras eles vão invadir as vilas, os outros pontos e chegarão em um número muito grande as doze casas... o ideal é só ganhar tempo para vocês"

"Ela tem razão! Se não forem elas não há como conter a ocupação" - disse Saori - "E seus postos oficiais são as doze casas, mas os delas não".

"Além do que vamos todos estudar esse mapa juntos e fazer algo bem planejado. Se tudo correr como pretendo nossas baixas não serão...".

"Muito graves?" - completou Yura com uma secura descendo pela sua garganta.

Eles passaram a madrugada toda estudando e discutindo sobre a ocupação de todos os arredores e territórios; resolveram transferir a enfermaria para mais longe das doze casas, falaram sobre a possibilidade de bloqueio do rio, mais isso acarretaria em falta de água, os cavalos do estábulo mais afastado seriam levados para perto do terreno pedregoso e logo de manhã começariam a ser preparados para servirem com iscas.

As doze casas deveriam ser preparadas para os embates e as armas e armaduras prontas para o momento que se sucederia em três dias.

Ao fim daquela reunião quando todos pareciam cansados e irredutivelmente dispostos, todos se afastaram para suas casas, para tentar dormir e repousar o cérebro para o que veria a seguir.

Apenas Shion, Dohko e Athena ficaram para trás quando o último dos cavaleiros deixava o salão do mestre.

"Shion, Dohko... eu não disse a eles, mas pretendo lutar dessa vez também".

Shion sorriu bondosamente e apenas disse:

"Sabe que não vamos permitir isso".

"Precisamos que a senhorita se mantenha segura para podermos nos preocupar também com a segurança dos demais. Se colocada em perigo afeta todo o plano de ataque e defesa" - disse Dohko sério.

"Até porque vamos precisar muito da senhora... quando tudo acabar".

Palavras foram poupadas e os dois guerreiros saíram da sala finalmente, deixando a moça sozinha sentada na ponta da mesa, vendo o lugar que antes era ocupado por doze guerreiros e guerreiras.

"Reunião longa, não é?".

"Pois é!" - ela disse parecendo exausta quase se lançando ao tampo de madeira.

"Precisa dormir urgentemente! Daqui a pouco vai amanhecer e suas olheiras vão ficar visíveis demais. Vou me assustar e...".

"Babaca" - ela respondeu dando um tapa leve no homem que se sentara ao lado esquerdo ao seu.

"Sasá, vamos ter outra guerra?".

"Vamos".

"Não se preocupe. Eu ainda dou conta do recado. No duplo sentido..." - ele sorriu safado.

"Seiya, não vou conseguir rir agora".

"Tudo bem. Não quero ser seu namorado apenas para rir com você. Pode se abrir só não espere um bom conselho, porque sinceramente, era a Marin que me dava algum" - ele deu um beijo em seu rosto - "Precisa dormir. Agora".

"Deixa eu ficar aqui só mais um pouquinho... junto de você".


"Camus?"

"Olá, Gabi".

CABUM

Foi essa a resposta que o cavaleiro de Aquário recebeu ás oito horas da manhã daquele dia fatídico diante do pequeno sobrado em um bairro residencial de Atenas.

"Você amassa meu carro e some. Me encontra do shopping e some. Vem até minha casa em um dia especial, transa comigo e some. O que foi, Camus? Sentiu saudades foi? Se quer sexo vá falar com alguma daquelas suas amigas estranhas!".

"Gabriella... abra a porta".

"Não!".

"Tudo bem então, se você quer assim..." - ele se afastou da porta e já ia caminhando em sentido contrário quando ouviu a porta de madeira abrir atrás de si discretamente.

"Você desiste rápido, hãn?".

"Pelo jeito você sentiu minha falta".

"O que... o que... você é tão estranho! E porque está com essa olheira de panda na cara? Trepou com alguma vagabunda a noite passada?".

"Gabriella, não vamos nos ver mais".

Ela não acreditou no seu ouvido. Sim! Pois apenas um cretino se desbancaria do outro lado da cidade apenas para dar uma notícia que ela já sabia que chegaria um dia.

"E porque você se deu ao trabalho de vir até aqui me dar essa notícia?".

"Para deixar você em paz" - disse frio - "Não sinta minha falta".

"Não vou sentir"

"Seja muito feliz, mas saiba que eu gostei de... você".

"Obrigada CAMUS! ME SINTO LISONJEADA" - o rosto estava vermelho e ela cruzou os braços diante do peito, vestindo um roupão branco listrado de preto - "Quer saber? Não é assim! Vou procurar você naquele seu emprego ridículo de guia lá no santuário e fazer um...".

"NÃO! Não permito que se atreva a chegar perto do santuário".

"Isso te incomodaria hã? Mas me incomoda ser usada e ser jogada fora TAMBÉM!".

"Oras, e a moça pura e ingênua também não me usou?".

"Mas você está aí integro e eu que estou aqui me descabelando...".

"Não acredite tanto em seus olhos" - ele deu um sorriso de canto de lábios - "Gabi, eu não gosto de você! Desculpe se eu te magoei. Mas, estarei indo fazer uma viagem e não sei quando volto, portanto é melhor acabar tudo de uma vez e deixá-la em paz".

"Certo. Boa sorte então" - ela estendeu a mão para ele.

Ele já estava de costas e indo embora contrariado, mas retornou e apertou a mão da mulher. Fez menção de abraçá-la quando viu que ela ficou rapidamente na ponta dos pés e beijou-o a força.

"Tchau".


Mirava-se no espelho vendo seu reflexo forte e pomposo diante de seus olhos azuis. Sua armadura luzia brilhante como nunca, estava em ótima forma no auge de seus vinte anos, uma astúcia digna do posto que ocupava e seria leal, como sempre, a mais uma causa.

Em tempos normais apenas elevaria seu cosmo e a armadura de escorpião cobriria seu corpo forte em instantes. Mas, gostava da mania narcisista de se cobrir com ela aos poucos. Cada parte: o protetor das pernas, dos pés, dos ombros, do tronco, dos braços e o da cabeça.

Onde está o da cabeça? - afastou-se um pouco e viu que a máscara da armadura estava afastada ao canto do quarto, nas mãos de outra pessoa.

"Está ficando boa em esconder o cosmo. Eu não consegui perceber que estava aqui".

Ela sorriu, mas ele não percebeu.

"Posso colocar em você?".

O homem consentiu e ela se aproximou, tirou os cabelos de seu rosto já queimado pelo sol enquanto colocava o elmo devagar sobre a cabeça, encaixando-o em sua nuca enquanto a cauda do capacete caia por suas costas, majestoso, como um escorpião.

"Lindo" - ela titubeou orgulhosa - "Muito, muito bonito".

"Você fala isso só para me agradar" - riu a puxando para perto de si, fazendo com que seu rosto repousasse sobre a fria armadura - "Está com medo?".

"Não tem motivo. Você é o meu herói".

"Oh. Pensei que fosse o grande Afrodite de Peixes, o grande mestre".

"Não".

"Estou pensando... quero te pedir duas coisas. E te dou o direito de me negar apenas uma delas e a outra cumprir. Promete?".

Ela se afastou para encará-lo por um segundo e como uma tola deixou-se participar de seu jogo sem pensar muito.

"Não lute nessa guerra".

"Sabe que esse pedido não vou...".

Ele a forçou a se sentar na cama diante deles e ficou a sua frente.

"Você ouviu. Perséfone vai dizimar tudo por aqui".

"E quer que eu vá sabendo que você vai ficar pra morrer, Milo? Quem sabe viver infeliz pra sempre e casar com um rico fazendeiro um dia".

"Pensei em você velando minha memória como uma viúva pra sempre, mas enfim..."- ele tentou rir - "A guerra é terrível".

"Sou uma amazona como você é cavaleiro. Não vou embora".

"Então, vai ter que cumprir o acordo e... fazer o que eu pedir agora".

"Peça" - ela disse sem constrangimento algum e com leve curiosidade.

"Quero ver seu rosto!".

Ela sentiu o coração quase saltar do peito, mas não recuou um milímetro do corpo quente diante de si. Tirou as mãos de dentro das dele, levou suas próprias mãos ao rosto e com nervosismo permitiu pela primeira vez em meses que seu rosto fosse visto.

Era um rosto comum, com algumas sardas leves, uma tez pálida, mas com bochechas e lábios vermelhos, olhos castanhos e grandes, sobrancelhas finas e castanhas, não tinha um nariz arrebitado e petulante, as maçãs do rosto muito bem delineadas.

Ele sempre pareceu desconfiado, mas ela nunca podia apostar um palpite com certeza. Estava claro que ele nunca acreditou nessa possibilidade e sua surpresa era de um espontaneidade impossível de ser ensaiada.

As mãos dele foram rápidas para tocar seu rosto, entrar atrás de seus cabelos e forçar um beijo estranho, saudoso e desesperado. Ela se deixou cair em seu colo, também se dando liberdade para estimulá-lo a beijá-la.

Até que ele parou de repente, como percebendo do que estava acontecendo, um olhar de incredulidade e meio traído, raivoso, mirando a boca vermelha que beijou há tão pouco tempo.

Mordeu-a como castigo. Firme com seus dentes, fazendo-a penar um pouco, mas ela não recusou seu castigo, sentia que devia algo a ele.

Eles não se falaram, porque simplesmente não tinham como se justificar. Nem um nem outro. Amaram-se aos poucos, deixaram se levar como já tinham feito antes, há muito tempo e ao longo daqueles meses todos.

"Porque não me disse?" - perguntou depois não conseguindo desviar-se do corpo da amante.

"Porque não... foi só uma coisa de momento...".

"E depois que viu isso não me disse porque?" - ele arrancou do próprio pescoço o colocar que antes fora dela.

"Fantasia apenas. Pura fantasia. E você não estava...".

"Apaixonado? Mulheres e suas carências".

"E não estava mesmo".

"Estava louco de tesão".

"Que você acabou de saciar" - ela riu erguendo-se dos braços fortes dele, sentindo sua pele queimar ao toque dele.

"Senti sua falta!" - disse fazendo-a virar o rosto - "Não acredito que fiquei todos esses meses ao seu lado e não me disse".

"Olha aqui, na ocasião, não sei se o senhor se lembra, nem perguntou meu nome".

"Eu me prendi a outros tipos de detalhes como o seu corpo".

"Grandes detalhes, não me reconheceu em meses...".

"É que você mudou um pouquinho, está mais... como vou dizer? Crescidinha?" - beijou o lóbulo de sua orelha apertando-a contra si - "Não vá fugir mais de mim".

"Não tenho essa intenção desde que te reencontrei quando cheguei ao santuário" - ela o encarou - "Desculpe por tudo, mas não foi difícil só pra você".

"E eu não preciso mais disso" - colocou o colar dentro das mãos dela - "Disse que se um dia eu a encontrasse devolvia a dona".

"Vou guardar enquanto estivermos juntos então".

"É melhor guardar com carinho, vai ficar com ele por muito tempo ainda, se você quiser..."

Ela sorriu satisfeita e ainda um pouco encabulada.

"Vamos nos compor de novo, temos uma guerra pela frente e não devíamos estar fazendo essas coisas agora...".

Ele respirou fundo e soltou todo o ar pela boca, infeliz, para ele, ela ainda não tinha percebido como estava estasiado e preocupado.

"Está certo, amazona. Vamos a guerra".


"Eu ainda não entendi o que me pediu".

"Quero que vá vigiá-la, Hyoga".

"Não posso sair daqui, devo ficar para reabilitar as fronteiras".

"Quem não pode sair daqui sou eu, mas não vou ficar satisfeito se a garota morrer por minha culpa".

"Admita que você gosta da moça".

"O QUE ISSO IMPORTA? VAI DESOBEDECER AO SEU MESTRE?".

Hyoga cruzou os braços diante do peito e encarou o homem com desdém.

"Acontece que eu também tenho motivos forte o suficiente para ficar".

"Proteger indefesos é sua função" - disse pausadamente o homem virando-se para encarar o loiro que estava diante do portal da casa de Aquário, já devidamente arrumada para as batalhas, com o salão completamente vazio e pronto para receber qualquer intruso.

"Proteger minha deusa também é".

"Já terá gente o suficiente aqui".

"Desculpe, mestre... Mas, minha mulher é mais importante pra mim do que a sua".

O entrave entre os olhos azuis gélidos durou alguns instantes, mas foi feroz. Camus não perdoaria a negação dos serviços do loiro.

"Lilits sabe se cuidar muito melhor que você".

"Disso eu não duvido. Quero ficar aqui e lutar com ela".

"Ela é uma guerreira. Gabriella não é! Será uma vítima fácil demais se acaso quiserem matá-la".

"Não posso, eu sinto muito".

"Hyoga, isso é uma ordem" - disse sério e irredutível - "Não tolero desobediência".

"Quantos anos acha que eu ainda tenho? Vai falar assim e eu correrei? Não posso, mestre".

"Então... não poderei ocupar meu posto na casa de Aquário".

"Irá desertar?".

"VOCÊ... você não me dá outra escolha" - ele tentou se controlar, mas sua voz tremeu de fúria - "Hyoga. Última vez que eu peço. VÁ PROTEGÊ-LA PARA MIM, POR FAVOR!".

O russo pensou em retrucar, mas algo no tom de voz do mestre fez com que ele parasse de chofre e se perguntasse se Camus faria o mesmo por Lilits.

"Vou pensar" - e retirou-se da casa de Aquário apressado.


Dohko treinava sua discípula o máximo que conseguia. Deu tudo a ela nos meses que passaram juntos e agora, com um pé dentro de uma verdadeira guerra, via que tinha conseguido atingir sua meta.

"Não é mais minha garotinha..." - olhou orgulhoso.

"Qual é? Não vá ficar muito meloso agora!" - disse Elena rindo e se aproximando do mestre ainda empunhando a lança que manuseava a pouco - "Minha adrenalina está aumentando, quero lutar logo".

"Você mostrou seu valor durante todos os dias de treinamento e não será agora que simplesmente tudo fará sentido, ao contrário, tudo poderá fazer bem menos sentido!".

"Mas temos que lutar e darei o meu melhor! Acho que posso treinar mais um pouco".

"Eu prefiro que você durma um pouco, já está bem tarde da noite. É importante dormir quando não se sabe quando haverá outra noite de sono novamente".

"Isso quer dizer..."

"Que não saberemos quando a guerra terminará...".

"Então, acho que vou indo" - ela ia embora quando sentiu ser puxada pelo braço e o homem dar um beijo terno no alto de sua cabeça enquanto acariciava seus longos cabelos castanhos.

"Minha pequena, tenho orgulho do que você já conseguiu".

"Tá! Tá! Velho estranho, deixe eu dormir... eca! Parece o Saga!".

Foi-se.

Deixando Dohko em presença de uma outra pessoa que se aproximava rapidamente.

"Eu também devia estar treinando com Aiolos agora, mas ele correu para ajudar Aspasie e tentar dar algumas dicas de proteção da enfermaria. Acho que ouvi algo sobre uma bacia com água fervente sobre o batente da porta".

"Ele não estaria de todo errado se os feridos não tivessem que entrar pela janela se fosse o caso da circunstancia" - replicou sem sorrir - "Vá dormir, senhorita. Já está bem tarde".

"Não é estranho imaginar que Perséfone esteja se vingando agora de Athena. Nunca pensei que ela pudesse ser uma ameaça".

"Ela não está se vingando de Athena apenas".

"De nós também?".

"Ah... não só. Mas, acho que isso é assunto dos deuses e não meu".

"Gostaria de ouvir seu parecer".

"Não agora. Eu também estou cansado depois de tanto lutar o dia todo" - espreguiçou-se manhosamente ostentando o belo tigre que tinha nas costas desnudas.

"Eu preciso falar com você" - disse a moça mexendo nos longos cabelos um pouco nervosa - "Hum... é".

"Depois de tudo isso teremos tempo para conversar...".

"Não posso correr o risco de morrer".

"Hahaha... não vai morrer".

"Porque tem tanta certeza?".

"Porque não está apaixonada" - disse seguramente.

"E você? Está?"

Ele riu e não respondeu.

"Boa noite, Teffy. Durma o máximo que puder e não se resfrie" - já se afastava - "Vamos ter muito tempo pra conversar quando tudo isso terminar".

"Seu otimismo me desespera!" - ela confessou, mas talvez por covardia própria de suas pernas e medo de ouvir que talvez ele gostasse de outra que apenas deixou o lugar e voltou para sua casa.


Nana foi até o templo de Athena naquela tarde para conversar com elas alguns últimos assuntos pendentes e em meio a conversa soltou a seguinte pergunta:

"Saori, porque parece que todos os cavaleiros se envolveram todos ao mesmo tempo".

"Hum... digamos que eu ganhei um presente de uma irmã um pouco distante".

"Presente?".

"Nunca ouviu a lenda que os aldeões contam sobre o presente de Afrodite ao santuário de Athena a cada milênio?".

"Que ela lançaria um feitiço e...".

"E todos os amores e antigos desejos reacenderiam os mais leais guerreiros de Athena" - a própria deusa completou - "Fico imaginando se ela providenciou o mesmo para mim de propósito".

Nana silenciou-se por um tempo. Nunca fora romântica ou mística, mas desde que pisara naquele lugar muitas de suas concepções tiveram que mudar ao longo do tempo.

"E é também pela minha irmã que Perséfone tem atacado".

"Como assim?".

"Bem... me sinto á vontade falar essas coisas para você. É muito discreta e eu não tenho a impressão que vai contar isso para as outras amazonas assim que sair daqui".

"Pode confiar em mim".

"Perséfone quer se vingar, indiretamente, de Afrodite. Imagino que conheça a lenda de Adônis".

"É muito bonita".

"Pena que não é lenda. Adônis foi morto graças ao ciúmes de Ares, o deus da guerra e marido da deusa do amor, já que Afrodite tinha se apaixonado por ele. O jovem morto desceu então ao submundo, onde governava ao lado de Hades a esposa dele, a deusa Perséfone, que também apaixonou-se por ele. Isso causou um grande desgosto em Afrodite, e as duas deusas tornaram-se rivais".

"Então ela vem vingar-se por seu marido e por seu amante".

"Sim. De certo modo não posso deixar de pensar que acabar com uma criação de Afrodite também é uma forma de vingança. Mas, nem de longe, acho que o castigo dela será maior que o meu".

"Estaremos preparados!".

"Assim espero...".

"Nana..." - Shun apareceu a porta do lugar - "Vamos dormir".

"Sim. Boa noite, Athena".

"Boa noite, Nana. Para você também Shun".

O rapaz apenas acenou e o casal desceu de mãos dadas.

"As estrelas estão lindas, não é?".

"Sim" - disse a moça desanimada - "Procurei Ikki o dia inteiro para dar instruções sobre a luta...".

Shun sorriu triste.

"Ele não lutará. Desapareceu de novo".

"Então, menos um para nos ajudar...".


Resistentes armaduras foram entregues as amazonas no dia seguinte e últimas orientações foram dadas, umas vez que um plano de ataque já tinha sido consumado e preparado.

Perséfone contudo não quis esperar e foi de súbito, no fim da tarde do segundo dia, que todos foram rapidamente alertados para ocuparem seus postos, pois o santuário seria invadido em breve.

"E vamos a guerra" - disse Shion observando atentamente o santuário do alto da sala do mestre enquanto voltava para dentro para proteger Athena de qualquer perigo iminente.

Continua


N/A: Ah! Eu gosto de fazer nota de autora mesmo falando que não ia escrever mais. Bipolar.

Vamos desfazer uma idéia ruim que ficou do capítulo passado? Eu não tava falando de rewien, estava falando de companheirismo e relação mútua de leitor-escritor. Até assustei quando duas amigas minhas vieram falar comigo e estavam chateadas pelo comentário... nossa! radicalismo não! Espero que mais ninguém tenha tido essa imagem ruim.

Então, tudo resolvido? Deixa eu falar do capítulo... atrasado como sempre. Sim. Um dia terá fim! Eu espero... ficou menor do que deveria e foi mais para colocar alguns pingos nos "i". O próximo vai ser a guerra mesmo! (heeeeeeeee) e já foi escrito, só estou com uns enroscos de enredo, mas eu vou resolver isso...

Até a próxima!

08/10/08