Desculpa a demora! Mas aí está o capítulo um pra vocês! Boa leitura!
Guerra Mutante – primeira parte
Terra, 205 depois da colonização
Ele andava apressadamente no meio da multidão, desviando-se com habilidade das pessoas. Estava sendo seguido e não gostava nada disso.
Avistando um beco, ele rapidamente entrou nele, sentando-se no chão. Quando é que poderia viver como uma pessoa normal?
- Não vai conseguir me despistar.
A voz o fez estremecer de susto. Desde quando ficara assim? Mas ao ver quem era, se acalmou.
- Quatre?
- Desculpe o susto Heero. – sorriu o loiro – Finalmente consegui te encontrar!
O japonês sorriu levemente. Já fazia dez anos que não via nenhum dos pilotos...principalmente ele.
O ex-piloto do Sandrock havia crescido consideravelmente. O corpo torneado se destacava pelas roupas, enquanto um par de óculos escuros moldava seu rosto. A voz, mais grossa, ainda possuía o mesmo tom gentil e caloroso.
- Queria me encontrar? Por que?
- Precisamos conversar. Além disso, é sempre bom rever um amigo! Café?
- Porquê não?
- Venha, conheço um ótimo lugar.
Eles rapidamente saíram de lá.
- E então? O que anda fazendo da vida?
- Eu dirijo a companhia do meu pai. Então ando bem ocupado.
- E os outros pilotos?
O árabe sorriu.
- Wufei está na Preventers, como deve saber. Trowa...bom...nós estamos juntos.
Heero nem se abalou. Para ele sempre fora óbvio a atração que ambos sentiam.
- Mas o que você realmente quer saber é como está o Duo, não é?
Isso sim fez o japonês engasgar com o café.
- N-ani?
- Sempre foi óbvio que você o ama Heero. Acho que só o idiota do Duo não percebe.
O ex-soldado perfeito desviou o olhar. Ela tinha dito a mesma coisa.
- Foi difícil encontrar seu rastro depois que Relena foi assassinada. Você sabe sumir quando quer.
- Precisava...pensar. Além disso... – seu semblante mostrou uma leve agonia – Foi minha culpa...eu não estava ao seu lado...para protege-la...
- Porque ela não quis. – sibilou o loiro o encarando – Eu falei com ela naquela noite e ela me contou tudo.
Lembrar daquilo doía demais para Heero. A última noite em que vira Relena viva passava sem parar na sua cabeça como um filme.
Flashback
- Por que? – perguntou o japonês num tom neutro.
- Você poderia começar a viver sua vida Heero. – respondeu a loira enquanto terminava de se arrumar – Eu posso ir muito bem sozinha nesse baile de confraternização.
- E quem vai cuidar de você l�?
A ex-rainha do mundo sorriu. Um sorriso triste. Ela levantou-se da penteadeira onde estava e caminhou em direção ao ex-soldado encostado na parede, na penumbra do quarto. Já fazia quase dez anos que ele vivia no reino Sank com ela. Ele era o melhor amigo que ela poderia ter, mas isso não era mais suficiente.
- Até quando vai ficar fugindo? – disse Relena num tom baixo, enquanto passava as mãos delicadas no rosto do jovem. Não, agora ele era um homem.
- Fugindo? Do que está falando? – perguntou o rapaz, seus olhos cobalto encarando-a.
- Fugindo do seu coração. Dos seus sentimentos. – ela desceu as mãos até encostar no peito dele, sentindo-lhe as batidas do coração – A guerra já acabou há tanto tempo. Você não precisa mais esconder o que sente.
- Se estou aqui é porque quero, ninguém me obriga. – sibilou o rapaz, tirando-lhe a mão e caminhando até a porta.
- Porque foge dele?
- O que? – ele voltou-se, um olhar assassino no seu rosto.
Ela nunca se intimidaria com aquele olhar. E agora que tinha tomado essa decisão, iria até o fim.
- Porque foge de Duo Maxwell?
- De onde tirou essa idéia?
- Eu não sou cega Heero! E muito menos burra! – rebateu a loira num tom exaltado. Ela suspirou, fechando os olhos – Eu reparei o quão próximo vocês ficaram durante a guerra...e como você está triste desde que se separou dele depois daquele incidente da Mariméia.
- ... – o japonês não sabia o que dizer.
- Você o ama. Acho que só aquele americano idiota não percebe.
- Você nunca gostou dele, não é? – disse o ex-soldado perfeito.
A ex-rainha do mundo sentou-se novamente em frente à penteadeira. Então respondeu:
- Não é isso. Apenas o acho idiota demais para não perceber o quanto é amado por você, quando eu queria esse amor pra mim!
- Relena... – o rapaz ficou estático.
- Acho que nunca escondi que te amo Heero. Mas desde o começo percebi que nunca ia ser correspondida.
Ela colocou as luvas e se levantou, parando em frente ao outro.
- Eu te amo... – ela deu um selinho nos lábios dele – mas quero que vá embora.
- Na...nani?
- Se essa for a única maneira de conseguir fazer com que você o procure, então quando eu voltar do baile, não quero vê-lo mais aqui.
Ela passou por ele. Antes de sumir no final do corredor disse num tom que ele pudesse ouvir:
- Fique tranqüilo, eu irei me cuidar.
Fim do flashback
- Podemos mudar de assunto?
- Não sei se vai ser possível. – respondeu Quatre desanimado – Eu recebi um e-mail do doutor J.
Heero arregalou os olhos, encarando-o.
- O doutor J?
- sim. Ele disse que sabe porque a Relena foi assassinada. Você pode me encontrar amanhã nesse local? – murmurou o loiro entregando um cartão.
- Claro. – respondeu o japonês apaticamente.
O local era aquele. Um restaurante pequeno, localizado no centro da cidade. Heero entrou no lugar, scaneando a área atrás do árabe. Então os localizou.
Quatre estava sentado numa das mesas com Trowa, que ainda era mais alto que o loirinho. Eles tinham as mãos entrelaçadas, numa cumplicidade explícita.
- Olá.
- Heero! Que bom que veio!
- Há quanto tempo Heero. – disse o moreno, sua voz mais grossa do que se lembrava.
- Sente-se, vamos esperar os outros.
- Os...outros? – exclamou o ex-soldado perfeito alarmado.
- Ele convocou a todos Yuy. – sibilou uma voz atrás dele.
- Wu-fei...o que houve?
O chinês sorriu amargamente. Ele tinha os cabelos curtos, além de ter crescido. Alguns arranhões no seu rosto, além de um braço engessado numa tipóia.
- O prédio da Preventers...foi destruído.
- Como isso aconteceu? – disse Trowa indicando para os dois sentarem.
- Ainda não se sabe a causa. O prédio simplesmente implodiu! Além de mim, poucos saíram com vida.
- Porque algo me diz que isso tem a ver com o que J quer nos falar?
- Talvez tenha razão Q.
Todos os olhos voltaram-se para o recém-chegado.
- Duo!
O loirinho levantou-se para abraçar o amigo.
O japonês observava o americano fascinado. Antes que pudesse conter-se, as palavras saíram da sua boca:
- Você...cortou o cabelo?
Ao ouvirem a pergunta, todos reparam no detalhe. Ele agora tinha os cabelos rentes a nuca. O jovem shinigami desviou o olhar.
- Eu tive que cortar. Depois do...acidente.
Heero arregalou os olhos. Quatre percebeu.
- Senta Duo.
- Acidente?
- É, parece que alguém está querendo acabar com nós, não é? – disse o americano num tom amargo. Heero estava aturdido pela mudança.
- Bom, todos chegaram na hora. – disse Trowa passar para as coisas práticas – Quatre?
O loiro pegou um laptop que estava que estava no seu colo e abriu-o na mesa, para que todos pudessem ver. Após digitar algo, uma tela cinza apareceu, para se transformar num rosto.
- Há quanto tempo garotos.
- Doutor J. – sibilou o japonês.
- Eu mesmo, 01. Sobrevivendo.
- Então foi você quem nos reuniu? – disse o chinês desconfiado.
- Sim, 05. Infelizmente foi necessário. Uma nova guerra está para começar.
- What? – exclamou o americano.
- O que isso tem a ver com o assassinato da Relena? – perguntou o ex-soldado perfeito. Ele não notou o olhar de tristeza que Duo lhe dirigiu.
- Tudo. – quem disse foi Quatre – Naquela noite ela estava tentando selar um acordo para que as armas bélicas fossem definitivamente extintas.
- Depois de muita investigação, eu descobri quem estava por trás disso. – agora era J quem falava – O nome dele é Lance Alvers. Ele está no comando da Neo Oz.
- Neo Oz? – disseram os cinco.
- Sim. Mas como ele sabe dos acontecimentos da última guerra, ele começou a eliminar qualquer ameaça ao seu exército.
- Preventers. – sibilou Wufei com raiva.
- E nós. – completou Duo.
- Precisamos de vocês. Como o 05 sabe, poucos agentes sobreviveram ao ataque. Vocês ajudarão?
- Não temos escolha. – disse Trowa, apertando gentilmente a mão do árabe.
- Todos irão ajudar.
O silêncio dos cinco rapazes era a resposta. Eles lutariam pela paz novamente.
- Ótimo. E já tenho uma missão pra vocês. Vocês precisam resgatar uma pessoa.
Uma foto apareceu na tela. Era uma jovem, provavelmente 17 anos, de cabelos negros. Os olhos eram um azul e outro verde.
- O nome dela é Júlia Yamigumo. Ela havia se infiltrado na Neo Oz, mas foi pega.
- E devemos resgata-la?
- Ela é vital para a missão. Infelizmente não posso falar nada agora. Passarei a localização do cativeiro. Ela deve ser resgatada o mais breve possível.
- Por que? – perguntou Heero.
- Daqui dois dias ele irá à corte marcial. Será julgada e executada.
- Entendemos doutor J. Deixe conosco. – disse Trowa.
- Voltaremos nos falar assim que vocês a resgatarem. Até mais e boa sorte.
O silêncio imperou na mesa após o laptop ser desligado. Então estavam de volta as lutas. Estavam juntos novamente.
- Ei, você! Levante-se logo daí!
O soldado após gritar, pegou a prisioneira rudemente e tirou-a da cela. Ele levava a jovem pelo braço, através do longo corredor. Mas como estava fraca, não resistiu e acabou caindo de joelhos.
- Imprestável! Levante-se logo, você vai a corte marcial!
Ele mal percebeu o pequeno sorriso que a jovem dera. "Hora de sair desse lugar maldito", pensou ela.
Fim da primeira parte
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Mystik
