Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e Toei
O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe
Boa leitura e divirtam-se :)
As namoradas do zodíaco
por Pisces Luna
Capítulo XXVII: a última guerra
O aglomerado de pessoas, animais, embrulhos, roupas, utensílios, barulho, bagunça e medo aflorava na aldeia aos pés do santuário de Athena. A ameaça tinha sido pronunciada aos quatro ventos e era importante que os aldeões deixassem suas casas.
"Uma guerra que sequer é nossa!" - bradava um valentão atiçando o grupo de homens e mulheres que se formava no centro da aldeia - "Afinal, o grande mestre nos prometeu que não teríamos que passar mais por isso... que as guerras ficariam no nosso passado ao menos nessa era".
"Ele mentiu para nós!" - dizia outro.
"A última invasão de Hades levaram meu pai e minha irmã! O que os deuses querem agora? Meus filhos?" - gritava chorosa uma mulher arrastando duas crianças pela mão - "Não agüento mais...".
"Foram as bruxas!" - dizia um homem mais velho e ancião - "Tão logo elas aqui apartaram, pouco pior tornou-se nossas vidas! Filhas do Tinhoso" - apontava para o santuário e para as doze casas, cuspiu insolente no chão e depois pisou em cima.
"Maldito! Como podem dizer algo assim?" - um outro homem, mais jovem e inexperiente, surgiu perante a multidão - "Meus avós sempre foram fiéis e gratos a Athena por sua proteção divina, nossa plantação é farta e nunca passamos a fome de outros povos. Conseguimos manter aqui a tradições de nossos antepassados apesar do progresso da vida lá fora, como sempre quisemos, isso graças aos cavaleiros!".
"Ele está certo!" - gritou outra voz mais fina - "Se eles pedem para que evacuemos nossas casas é porque se preocupam conosco".
"HAHAHA? Se preocupam? E o que mandam para nos salvar? GAROTINHAS!" - replicou apontando mais uma vez para o alto - "AMALDIÇOADOS SEJAM AQUELES QUE NOS ABANDONARAM!".
"CALADOS!" - gritou uma mulher pequena e histérica - "Reclamam, reclamam, reclamam... MAS UMA GUERRA ACONTECERÁ AQUI DENTRO DE HORAS! Vão embora ou fiquem pra enterrar seus mortos".
"E quem é você, estranha?" - protelou um homem levantando uma foice.
"Uma amiga dos cavaleiros e das amazonas douradas, por isso é bom não me impedirem de passar".
"Nós não costumamos barrar amigos, Calisto" - uma voz bonita e gentil pertencente a uma bela ruiva devidamente armada ficou mais clara dentre a multidão - "Aldebaran vai dar pulos quando te ver!".
"Juliane!" - correu e abraçou a moça com todas as suas forças que, convenhamos, não eram muitas perto da outra mulher.
"O que faz aqui?"
"Eu quis voltar... Precisarão de alguém a mais na enfermaria. Quero ajudar".
"E a sua família?".
"A minha família foram vocês nesses meses e eu não podia mais negar isso".
"Então, corra para seu posto, enfermeira" - disse Nana apresentando-se diante dela, seguida por Teffy também armada com um arco e flecha de prata que luzia intermitente aos últimos raios de sol da Grécia.
Ela obedeceu e apenas com um aceno correu para o seu posto, enquanto as três mulheres se voltavam para a população inquieta.
"Insisto para as ordens do grande mestre que foi dada esta manhã. É necessário que saiam de suas casas".
"E se nós não formos?" - desafiou um campones atrevido - "Nunca tive que deixar minha casa, aqui foram enterrados todos do meu sangue".
"Poderão voltar para a reconstrução da vila quando tudo terminar se tudo correr bem" - pronunciou-se Nana apaziguadora, indo até o centro da multidão e ficando em pé a beirada de um poço no meio da rua de pedra - "Por favor, peguem apenas seus pertences mais valiosos, mãe e pais segurem seus filhos, os mais velhos que precisarem de ajuda para locomoção eu terei o prazer de ajudar".
"Eu não quero!" - disse um homem muito velho com a voz cansada - "Quero morrer aqui".
"E isso vai acontecer se não for embora, velhote..." - cochichava Teffy para Juliane que também não sabia como agir.
"Pois eu não!" - falou um rapaz novo - "Estou pronto para partir, podemos pedir auxilio nas aldeias ao norte... estou indo e quem quiser viver SIGA-ME!".
Ele caminhava devagar, sem muita convicção, e aos poucos os demais fizeram o mesmo, alguns ainda invictos se seria adequado, mas começaram a partir. A grande movimentação de cavaleiros fortemente armados pelo local fez com que todos temessem pelo pior, os mais relutantes não se atreviam a movimentar-se.
A tarde foi assim com a retirada das pessoas e ao fim do dia apenas meia dúzia de homens ainda se atreviam a permanecer na aldeia.
"Seu velho arrogante! Não posso perder meu tempo preocupada com você quando os malditos espectros aparecerem por aqui!" - dizia Juliane exasperada de preocupação.
"Não pedi sua ajuda, ruiva! Deixe-me em paz!" - fechou-se em casa com seu cão e não saiu mais de lá.
"Velho... IDIOTA!" - disse a moça verificando a armadura - "Se ele morrer não vou sentir remorso".
"Isso não vai acontecer" - disse Nana também verificando suas roupas. Usava um protetor do peito feito de um metal muito pesado, com protetor para os joelhos e os braços, revestiu a cabeça com uma espécie de elmo resistente. Na cintura uma espada de lâmina fina, nas mangas os truques de sua terra.
"E agora? A noite já vai cair..." - balbuciou Teffy vendo a lua já subir ao alto enquanto afiava com uma pedra a ponta de sua mais fina lança de prata e diamantes.
"Um material tão precioso feito para matar" - disse Juliane tocando o arco de prata - "Poucos materias são tão resistentes quanto eles não é?".
"Acha que consigo um bom preço na Cartier quando isso acabar?"
"Diamonds are a girls best-friends...".
A moça sorriu mirando seu reflexo na pontiaguda lança e pensando que aquela talvez fosse sua última conversa agradável.
"Onde está Ikki?".
"Não sei" - disse desgostosa - "Ele sumiu de novo, assim como Hyoga... Lulu e eu estamos preocupadas que eles tenham um caso e fugiram juntos ".
Ela riu com o comentário, mas a própria autora da piada não se deu ao trabalho. Se seu namorado não fosse tão durão estaria tendo um enfarte.
"Nana..." - chamou Teffy olhando a guerreira - "Você está bem?".
Não. Ela não estava.O sono da noite em vigília estava afetando seus movimentos, impedindo-a quase de ficar em pé, suava frio e suas pestanas pesavam como chumbo.
"Ora, ora... mas o que temos aqui?".
Juliane pulou do seu posto e colocou-se em alerta.
"Amadores".
"TEFFY, DO SEU LADO" - disse Nana sacando a espada e não tendo tempo de se defender, sentindo que alguém a segurou firme pelo cabelo.
"Loira... gosto de loiras" - replicou o homem muito próximo de seu ouvido - "Quietinha mocinha, eu não quero machucá-la".
O escárnio e a voz embasbacada por suave represão era visível em sua fala. Os dedos firmes e grossos enlaçaram-se como cobras sobre o pescoço branco da italiana que se contorcia ofegante desejosa pelo ar da noite em seus pulmões.
"SOLTE-A!" - berrou Teffy impunhando o arco e a flecha diretamente para o rosto do espectro.
"E porque não?" - ele a jogou diretamente ao chão, empurrando-a contra suas amigas. Juliane acolheu a mulher que se encolheu perto do chão, ainda ofegante pelo aperto que sofreu - "Posso dar uma chance a vocês, mas não se acostumem...".
Um outro espectro de longos cabelos negros e olhos azuis, muito belo e com uma nítida cicatriz perto do queixo escarrou em meio a rua de pedra e com um sorriso zombeteiro.
"Prontas para serem prostitutas no inferno?".
"Não queremos tirar os clientes da sua mãe" - replicou Juliane no mesmo tom - "E vocês? Querem voltar capados para lá?".
"HAHAHA! Vamos nos divertir muito, ruiva..." - retribuiu em posição de luta mostrando a lustrosa sapuris.
"Qual é o problema desse povo? Será que só tenho esse apelido? Ruiva, ruiva, ruiva..." - ela e o espectro se repeliam a uma distancia, fazendo círculos, um não tirava os olhos do outro.
"Senhora Perséfone disse que os guerreiros de Athena tinham ótimo humor... não vou perder tempo com você. Vou adorar brincar com suas outras amiguinhas... não se preocupe, não vai doer muito".
"Pena! Em você VAI!" - jogou-se sobre o guerreiro com toda a violência que pode, elevando o cosmo flamejante e com força total.
"A luta começou!" - disse Mu percebendo os cosmo violentos que se alastravam como veneno pelas doze casas. Sentia que seus companheiros de luta também tinham percebido a presença dos visitantes inesperados pela norma da própria Perséfone.
"Víbora maldita" - disse Shion enquanto só diante do salão do mestre - "Ao menos estávamos preparados...".
Todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas quando a morte passa tão próxima de você, respirando atrás de sua nuca, seguindo-a como uma sombra, nada parece fazer mais sentido do que o medo. Aquelas férias na praia que você planejou se dissolvem, aquele agradável almoço do dia anterior parece que não passou de um sonho, talvez mentiras.
Teella teve certeza disso enquanto aguardava sozinha, encoberta por folhagens, no alto do cavalo ébano.
"Você também está nervoso?" - cochichou para o animal que não se atreveu a bufar pelas narinas grossas, apenas raspando seu casco lentamente junto a relva - "Vamos caminhar com Afrodite quando tudo isso acabar. Eu sei que prefere que ele lhe coloque os arreios e que eu acabo apertando um pouco demais".
O animal, obviamente, não a entendia, assim como nunca a entendera. Seus diálogos com o bicho serviam de consolo enquanto sentia que o vento seco e pesado da Grécia lambia seus ombros.
Estava aguardando o sinal. Um lampejo ao longe de Lilits que espreitava perto das árvores mais distantes, até que o sinal foi dado e ela saiu desabalada para a orla do escuro local, sentiu um golpe ser pronunciado próximo a sua nuca. Encontrou Lilits lutando só contra cerca de vinte homens fortemente armados que riam enquanto ela aplicava golpes quase sem efeito devido a quantidade de pessoas.
"Amazona de lebre? Pode fazer melhor, coelhinha!".
"MALDITO!" - gritava enquanto o socava e pulava com destreza sobre o cume das árvores - " VOU ACABAR COM VOCÊS!".
"HAHAHA.. sabe que seus cabelos cacheados darão um belo escalpo. Me lembra uma ruiva que deixamos lutando lá atrás, duvido que ainda esteja viva".
"NOJENTO MALDITO!" - urrou.
Ela elevou seu cosmo com todo o seu ódio, sentiu que seus olhos se umedeceram com a declaração do espectro e ela sentiu-se abater. Não poderia estar acontecendo, sua melhor amiga naquele santuário não poderia ter sido derrotada.
Vingaria sua morte!
"LILITS! NÃO! VAMOS EMBORA!" - disse Teella enquanto tentava acalmar o cavalo que relinchava e tentava investir contra os homens - "TEMOS QUE SAIR DAQUI!".
"CONTINUE! EU VOU FICAR!" - ela gritou quase gutural como que mortalmente ferida, sentindo ser atacada por trás, mas se defendendo rapidamente - "VAI! VAI! VAI".
Teella sabia que deixá-la lá era deixá-la para morrer, mas precisava continuar com o plano, guinou o cavalo com sua rédea e fugiu na direção oposta, chamando a maior atenção que conseguiu.
"VAMOS! VOCÊS ME QUEREM? VENHAM! VENHAM!".
"SENHORES, A MOCINHA NOS CHAMA! VAMOS!".
Pelo menos quinze dos homens fugiram enquanto cinco ficariam para seu deleite e divertimento, esperando acuar Lilits que ficara sozinha na clareira.
Enquanto perseguida ouviu o zumbido do vento perto dos seus ouvidos, correu por uma passagem estreita em declive, por entre uma estrada recém-feita e barrenta. O cavalo desembestado sendo machucado pelos galhos pontiagudos, apenas o calor do seu cosmo iluminando o caminho.
Os risos diabólicos enchiam-na de temor e agouro: estava quase lá, passaria pela ponte e estaria pronta para lutar com os que sobrassem ao longo do caminho.
"CORRAM! ESTAMOS QUASE ALCANÇANDO-A COM AQUELE CAVALO MALDITO!" - disse o chefe do grupo - "Como pode correr tão rápido? Somos cavaleiros de Hades!".
"Não... consigo respirar senhor!".
O homem alto virou-se para trás e viu sua frota reduzida a cinco homens prestes a cair em falso no meio da relva.
"NÃO RESPIREM! É ESSE CHEIRO MALDITO!" - disse ainda caminhando pela floresta - "MERDA! QUE ERVAS DANINHAS MALDITAS SÃO ESSAS? A VEGETAÇÃO DA GRÉCIA NÃO É ASSIM!" - bradava para as plantas no escuro.
"SENHOR, SÃO ROSAS!"
Teella agradecida tentava correr desembestada.
"ÉBANO! AGÜENTA! POR FAVOR!" - dizia a mulher de cabelos rosas - "POR FAVOR... VAMOS LÁ! ESTAMOS QUASE LÁ!"
O animal tinha suportado muito. Seu pelo grosso permitiu que ele resistisse aos espinhos das rosas venenosas que tinham sido colocados no caminho para impedi-los de atravessar, também por esse motivo foi importante que ela usasse o animal, para não ser picada, mas isso as custas do pobre que ofegava com a lingua para fora da boca.
"ÉBANO NÃO!" - o animal caiu no chão e ela também desmontou de sua cela, ouvindo o barulho de seus perseguidores ao longe - "Vamos! Precisamos ir!"
Ele não conseguia mais se manter em pé, sem forças.
"A culpa é toda minha! Toda minha! Eu devia prever que isso ia acontecer... desculpe, amigo! desculpe" - ela começou a chorar desesperada tentando forçá-lo a se levantar - "Mas eu vou cuidar de você, Ébano! Levante! Por favor!".
Ele não conseguia.
"AGORA! VAMOS!" - ela já estava histérica enquanto ouvia os homens se aproximarem do lugar onde estava - "Se não se levantar vou... vou bater em você com isso!" - mostrou um galho próximo e fingiu molestá-lo. O animal nada fez, apenas bufando, já sentado sobre as próprias pernas e quase deitando completamente.
"Ébano..." - ela chorou infeliz - "Não posso ficar mais".
Percebia que o animal tremia e sofria com os ferimentos, seu dorso já sangrava e ele relinchava. Com a unha em riste apenas injetou quantidade precisa de seu veneno sobre o animal. Se ele tivesse que ser sacrificado seria por suas próprias mãos. Deixou-o para morrer e correu como o vento por uma trilha com menos mata fechada, onde não seria atingida pelos espinhos e sua máscara a protegeria do veneno que chegaria aos seus pulmões.
"SENHOR! TEM UM CAVALO AQUI" - disse um dos espectros se aproximando do lugar onde o animal estava - "Está morto".
"A menina não deve estar longe... VAMOS CONTINUAR! RÁPIDO".
Mais ao longe enquanto ainda tentava se equilibrar sobre o peso do seu corpo, andava vacilante pela mata, até sentir alguém atravessar pelas folhagens e quase atropelá-la.
"TEELLA? O QUE FAZ AQUI? ONDE ESTÁ SEU CAVALO?"
"Morto... cof, cof..." - disse já bem cansada - "O veneno das rosas está muito forte!".
"Suba!" - ofereceu a mão para que ela montasse apenas sobre mais um cavalo sobrevivente, Caramelo, que também fazia o trecho da perseguição desde a área norte da floresta escura, guiado pela amazona de leão.
Teella segurou-se em Amy e agradecida deixou seu corpo tombar sobre o animal que corria desembestado pela floresta e também já estava bastante exausto.
"NÃO VAMOS CONSEGUIR PASSAR POR AQUI!" - disse mirando o paredão de rosas que se estendiam.
"VAMOS TER QUE CONTINUAR COM O PLANO! CUSTE O QUE CUSTAR! TEELLA, TOME AS RÉDEAS".
Amy ergueu meio corpo sobre a cela e com seu cosmo acesso abriu uma clareira ampla por entre a folhagens, fazendo uma labareda de fogo subir mais de quatro metro antes de rasante destruir tudo que encontrou em seu caminho.
"Vamos, Caramelo".
Ele não se atreveu a mergulhar nas chamas e o calor fez com que ele ainda se afastasse.
"VÁ LOGO, CAVALO!" - com firmeza chutou a barriga do animal que se equilibrou pelas patas traseiras.
"VAMOS! VAMOS" - pediu Teella acariciando-o e finalmente o animal o fez, atravessando a, ainda quente, relva maltratada.
Chegou ao lago em que parecia calmo com suas águas claras.
"Atravesse o rio, eu vou ficar desse lado".
"O QUE? AMY, NÃO VOU DEIXAR VOCÊ SOZINHA!".
"Cala a boca!" - disse sorrindo - "Está machucada, esse cavalo sangrando e quase tendo um treco, aproveite enquanto ainda tem forças e vá com ele para o outro lado. Vou precisar que você esteja lá caso eu não consiga contê-los desse lado".
Elas se entreolharam, a moça de cabelos rosas fez com que o cavalo nadasse pela água fria até chegarem ao outro lado. Assutou-se quando virou de costas novamente e não encontrou a colega de luta do outro lado da margem. Seria possível que ela tivesse voltado para dentro da floresta?
"Teella... o que você faz desse lado?".
"Luna!".
A amazona de peixes caiu de quatro sobre a grama, muito fraca, sangrando.
"O que aconteceu?".
"Hum... o que acha?" - voltou a se por de pé - "Estão vindo! Temos que atravessar o rio".
"Acabei de vir da outra margem!".
"ACHEI!" - um golpe quase acertou Teella na cabeça que guinou e deu um salto para trás, caindo a três metros de distancia e em posição de luta.
"CANSEI DE CORRER!" - disse revoltada espantando o cavalo para que deixasse espaço para a luta.
Cerca de dez homens apareceram por trás das árvores, vestindo suas armaduras negras e parecendo bem mais dispostos que elas.
"Merda" - murmurou Luna levantando-se - "Certo. Então, querem brincar rapazes? Espero que não me desapontem!" - disse cínica, rindo de sua própria desgraça.
"Não se preocupe, menina. Mandarei você ao inferno em breve, garanto que estarão nas mãos nos mais famosos necrófilos de Hades".
"Nojentos!" - gemeu Teella repulsiva vendo os homens sobre um outro ângulo agora, preferia morrer do que servi-los. Apesar de alguns serem bonitos, traziam nas roupas o cheiro de enxofre do inferno.
Um dos homens lançou um golpe rápido para Teella que correu em volta dele, fazendo-o se cansar com tamanha velocidade.
"PÁRA PARA QUE EU POSSA MATÁ-LA".
"Sou muito pra você, querido?" - disse com escárnio.
Luna estava fraca demais para fazer qualquer coisa ali, na margem daquele rio, precisaria voltar para o interior da floresta para poder defender-se, mas não poderia deixar Teella ali pra morrer. Até que viu um rosto conhecido atrás do espectros e não se fez mais de rogada, correndo com o máximo de sua velocidade para dentro da mata.
"PEGUEM-NA!" - ordenou o chefe - "MALDITAS NINFETAS!".
"Tsc, tsc... isso são modos de falar das moradoras dessas terras? Visitas ingratas!".
"Quem fala?" - perguntou olhando ao redor erguendo seu machado que usava como defesa, olhando com calma ao seu redor.
"Hahaha. Adivinhe!".
"ACHEI!" - ele se virou muito rápido, jogando seu machado em direção a voz, acertando no alto do cume de uma árvore, raspando a lâmina afiada no tornozelo da amazona que caiu humilhada.
"Cara, você não sabe tratar uma dama!".
"Mas sei muito bem como cuidar de uma vadia como você" - sorriu zombeteiro, elevando seu cosmo para que o machado voltasse até suas mãos.
Ela se levantou rápida e riu por trás da máscara.
"Meu mestre sempre disse que é educado se apresentar para o oponente para que ele saiba quem o matou. Darei essa honra a você!" - esquivou-se de um golpe de outro guerreiro insolente que tentou acertá-la e que recebeu um chute na cara - "Sou Mikage! Agora... que tal vocês descobrirem de quem eu sou discípula".
O ar começou a ficar muito pesado, enquanto com violência as águas se mexiam revoltas, o orvalho da madrugada congelava nas folhas das árvores formando gelo com violência ergueu suas mãos sobre a cabeça, unidas como numa prece.
"Suas últimas palavras... ".
"MORRA, VADIA!" - disse o general estalando os dedos, formando um círculo ao redor da jovem que com o máximo de cosmo que conseguiu reunir fez com que a água levantasse em uma enorme onda atrás de si e tragasse a todos, varrendo todos que ali estavam.
"Senhor! O que é aquilo?" - replicaram os homens da outra margem que viam a enorme onda se levantar - "Que cosmo... assustador".
"Será que foi... a amazona de Aquário?".
"Não importa! Se foi mesmo... duvido que tenha tido forças para superar seu próprio poder".
"Aquela onda tinha mais de três metros!".
"AINDA NÃO EXPERIMENTARAM O PODER DOS MEUS GOLPES, MALDITOS!" - retrucou Amy saltando das árvores e com o poder de seu cosmo queimou tudo de uma só vez , fazendo com que todo seu ódio pela possível morte das amigas não fosse em vão - "QUEIMEM!".
Voltando ao outro lado, na parte mais densa na floresta, apenas alguns guerreiros ainda resistiam contra apenas uma amazona que ainda sobrava.
"Onde está você, menina? Onde está?".
"Agora, onde nós estavamos, senhores?".
A amazona surgiu ferida por entre a relva.
"Vou ajudá-los a levar lindas rosas a Perséfone no inferno" - disse zombeteira e um pouco insana, ansiando por vingança imediata.
As folhas das árvores balançavam ruidosamente, com violência e imediatamente rosas e caules começaram a brotar por todos os lados, como trepadeiras, piranhas, subindo pelas pernas dos generais, deteriorando ao pouco suas armaduras, vendo-os morrer e sangrar.
"O sangue de vocês é negro... e fede" - disse a amazona irritada, lágrimas rolando por seu rosto - "Não me importo quanto tempo demore, vou ficar aqui para ver minhas rosas acabarem com vocês!".
"ACHA QUE ESSAS PORCARIAS VÃO NOS DETER?" - disse um dos guerreiros livrando-se das amarras verdes.
"Talvez não num primeiro momento" - riu irônica, sentando-se de pernas cruzadas - "Se não forem os espinhos, quem sabe o veneno que você respira... você pode ficar sem respirar? acho que não...".
O homem não conseguiu dar nem um passo, as flores cresceram novamente e prenderam-no pelos calcanhares, subindo por suas pernas, chegando ao peito.
Os homens ficaram por diversos minutos tentando se livrar das rosas, mas elas cresciam de novo, cada vez mais fortes, os golpes que tentavam contra Luna não surtiam efeito, as mesmas rosas as protegiam, como um círculo ao seu redor.
"Eu poderia ficar aqui por horas, vendo você pingar como um porco no abate, mas... não" - ela se levantou e olhou para todos os homens que estavam ali - "Só sobrou você do seu exército".
"Vou arrancar sua cabeça quando sair daqui, maldita!" - disse se desvencilhando das flores.
"Eu não duvido, por isso não vou permitir que venha atrás de mim" - enroscou uma rosa branca e bonita perto do seu coração.
"O que essa faz?".
"Já vai descobrir!" - disse sádica tentando buscar algum prazer no que fazia - "Sabia que eu nunca matei ninguém com arte. Terá a honra de ser o meu primeiro".
Ele cuspiu sangue com dignidade, o ódio a fúria estampada em seu rosto. Era um homem bonito apesar de tudo, seus olhos verdes e nefastos a espreitavam com intensidade, aquele demoraria por perder a loucura.
"Minha... puta maldita!" - disse rouco num último momento de voz - "Vou matar Milo e a culpa será sua, depois a sua irmã e o seu mestre de merda".
"Como sabe tantas coisas ?"
"Deusa Perséfone sabe..." - riu enquanto sentiu que ela marcou bem seus dedos em sua cara com um tapa.
"Você não é homem ou guerreiro suficiente pra eles" - ela riu e voltou-se para o rio, esperando ver, enfim, os resultados da briga.
"EU VOU SAIR DAQUI, AMAZONA! ESPERE E VERÁ! EU QUE VOU MATAR VOCÊ".
Uma chuva fina começou a cair...
Não muito longe da orla da floresta apenas a enfermaria permanecia com todas as luzes acessas enquanto Aspasie cuidava dos feridos lá dentro com a ajuda de Calisto.
"A flecha está muito funda!" - disse a enfermeira vendo um guerreiro bastante machucado que delirava com a febre alta - "Rapaz, quero que morda esse pano pra mim e respire fundo".
Ela virou-se para seu balcão, lavou as mãos numa bacia que estava ali disposta, lamentou não poder ter mais condições de higiene naquele momento do que álcool e água.
"Calisto, preciso que segure os braços dele".
"O que? Está louca?" - ela disse levantando-se de perto de outro que estava ferido - "É um cavaleiro, pode nos jogar contra uma parede se quiser...".
"Temos que fazer isso!" - disse revoltada com a atitude dela.
"Aspasie, apague as luzes!" - disse uma mulher entrando pelo aposento e fechando a porta, apagando as velas.
"O que? Não! Se eu não atender aquele homem vai morrer".
"ESTÃO VINDO! Espectros estão chegando... não podemos deixar que eles percebam que tem alguém aqui!" - retrucou apagando as velas e o lugar ficou em total escuridão - "Vamos rezar para que eles não venham buscar abrigo da chuva aqui dentro!".
Elas tatearam os feridos, colocando os lençóis sobre os moribundos, pedindo que não chorassem ou gemessem. Se abaixaram perto da janela, não ousaram largar nenhum instrumento dos quais estavam segurando.
"Senhor, acho que não há ninguém aqui. Apenas uma das casas abandonadas".
"Espere, sinto o cheiro de querosene queimado..." - disse um outro com voz grossa - "Revistem!".
"Não vejo necessidade" - disse outro - "Não há cosmo algum...".
"Eu sinto, pouco e fraco, mas há alguma coisa aqui" - ele chutou a porta e olhou o aposento, vendo apenas alguns lençóis sobre corpos.
"Viu? Mortos! Como deviam estar".
"Há um cosmo aqui... fraco, posso senti-lo".
As três mulheres se amontoaram embaixo de leitos, o pano fino das camas cobriam até o assoalho, todas imperceptíveis, não se atrevendo a respirar.
Yume chocou-se ao ver que um dos espectros parou sobre seu leito, retirou o lençol e achou o homem ferido com a flecha que respirava com dificuldade.
"Achem a armadura dele" - ordenou o rapaz examinando-o.
"Está ali senhor".
"Peguem a armadura e vamos".
As mulheres esperaram que os homens se afastassem e deixassem a cabana, rastejando para fora dos esconderijos.
"Podem sair" - disse Yume espiando por uma fresta da cortina - "Não sinto a presença deles" - virou-se para ver o ferido - "Aspasie, não puxe o lençol!".
Tarde demais, ela já tinha feito e quase gritou, mas teve sua boca fechada por Calisto que chorava baixinho, horrorizada com a cena. A flecha não tinha sido arrancada do peito, mas puxada até abaixo do umbigo, deixando a mostra todo o sangue que gotejava e os orgãos perfurados.
"Não... não pode... eu sequer... vi" - retrucou chorando - "Imundos... imundos...".
Yume não disse nada, acendeu as velas novamente, voltando a cobrir o morto com o lençol, sentindo uma ânsia de vomitar terrível.
"Os outros estão vivos. Apenas dormem, mas vamos conferir um por um".
"Porque eles não mataram os outros?".
"Esses cavaleiros não tem cosmo, são de um escalão muito baixo para serem ameaça" - disse vendo os homens adormecidos - "Aspasie...".
A enfermeira tremia dos pés a cabeça, pois desde que entrara para cuidar dos feridos no santuário nunca tinha presenciado algo tão grotesco.
"Você não podia ter impedido" - disse Yume sensata - "Calisto, me ajude a levar o corpo para fora".
"Não..." - gemeu baixinho ainda abalada.
"Eu PRECISO de ajuda, esse homem era muito pesado" - disse firme - "Aspasie não está em condição".
"E eu? Estou?".
Yume não respondeu, apesar do seu abalo sempre teve que aprender a se controlar pelos outros, não seria diferente agora.
"Por favor".
Elas enrolaram o corpo com o lençol e com a força que conseguiram levaram até fora da casa e colocaram perto de alguns troncos.
"Espere. Por que não deixamos mais perto da floresta?".
"Por que?" - perguntou Yume preocupada.
"Se... se mais alguém tentar vir... vai ver o corpo e achar que o trabalho já foi feito" - disse chorando nervosa - "Depois daremos honras, como todos os outros...".
"Tem razão" - disse a outra mulher concordando, arrastando o corpo para perto da mata, retirando o lençol e vendo-o ali com os olhos vidrados, fixos para o céu.
"Athena cuidará bem de sua alma" - ela abaixou e rezou uma prece rápida para o pobre infeliz - "Fique em paz" - fechou suas pálpebras penalizada enquanto segurava suas próprias lágrimas.
Ela já presidia funerais, mas todos estavam em lápides limpas, mortos bem vestidos, com moedas nos olhos e sem sangue.
"Vamos cuidar dos outros".
Voltaram para dentro da cabana, vendo Aspasie limpar o leito e trocar os lençóis banhados de sangue, o rosto muito vermelho por suas próprias lágrimas. Voltou-se a bacia com aguá, suas mãos manchadas lavaram-se do sangue, as mangas arregaçadas...
"Estão todos bem. Calisto, aqueça água, vou ter que tirar um espinho venenoso de um deles" - abriu uma gaveta, tirando de lá uma faca afiada e a amolando no batente da janela.
"Sim!" - disse prontamente a moça e indo rapidamente pegar uma bacia.
"Vou voltar para meu posto" - disse Yume se distanciando.
"Sabe..." - começou a enfermeira.
"O que?".
"Sua fé está meio fraca? Porque não era para isso ter acontecido com uma sacerdotisa da deusa".
"Eu sou humana, Aspasie" - disse conciliadora - "E você? Perdeu a fé no seu trabalho?".
"FORA DAQUI!" - urrou completamente fora de si - "EU... NUNCA... NUNCA PERDI UM PACIENTE!".
"Você não perdeu! Abaixe essa faca, ela não é pra mim" - fechou a porta atrás de si e voltou-se para ver a relva iluminada pela lua.
"Já é meia-noite" - disse vendo o corpo celeste - "Nenhuma amazona precisou da enfermaria ou não conseguiram chegar até aqui?".
Os homens sobreviventes andavam sorrateiros pelas colunas brancas, as chamadas ruínas gregas, antigos templos abandonados perto da encosta do mar. O cheiro da maresia chegava até ali e o quebrar das ondas podiam ser ouvidos a longos metros.
"Tem certeza que é por aqui?".
"Absoluta!".
"Alguns dos outros estão mortos e senhorita Perséfone não tem poder para trazê-los de volta. É bom saber o que está fazendo... e que não nos traia".
"Eu dei motivo pra isso?" - retrucou calmo.
"Um guerreiro que trai a mulher que diz amar...".
O homem se virou de súbito com sua armadura, segurando o outro pelo colarinho, os olhos faiscando de raiva. O oponente riu satisfeito por tirá-lo do sério.
"Pára com isso" - disse o amigo - "Não é hora para você perder a cabeça...".
Ele soltou o outro e continuou sozinho na frente, deixando o bando de espectros para trás.
"Ao menos ele não se vendeu em troca de viver uns anos a mais".
"Quem é você para falar de escrúpulos?" - retrucou adiantando-se para acompanhar o amigo que andava a frente.
De repente uma ventania muito forte começou a se formar, impedindo-os de ver o caminho.
"Vocês não são dignos de estarem aqui...".
"ABAIXEM-SE!" - gritou um dos espectros tentando se proteger da tempestade de areia e pedras. De repente a temperatura ficou sufocante e insuportável e eles se viram novamente no inferno que tão habituados estavam de ver.
"Mas que... merda!".
Espíritos famintos começaram a se levantar da terra e segurá-los pelos pés, puxando-os para baixo, quanto mais se mexiam ou tentavam acertá-los, mais presos por suas garras ficavam.
"Não consigo andar... porcarias!".
O homem de longos cabelos loiros jogou sua capa para trás e proferiu um golpe com toda sua força contra aqueles vermes, forçando os outros a seguirem seu exemplo.
"De onde eles vem?".
"Não vão sair daqui".
"Essa voz... de mulher. É tão bonita" - disse um dos homens andando em frente.
"ESPERE!".
O guerreiro caiu para o vácuo de repente, como se num abismo de proporções incalculáveis e apenas sua voz num grito abafado foi ouvido. De repente todos estavam na mão de Buda.
"Marcella... a discípula de Shaka de Virgem!" - proferiu o homem de cabelos curtos e azuis - "Tapem os ouvidos, vamos sair daqui".
Ele levou a sua boca sua flauta transversal, tocando uma amaldiçoada canção, fazendo com que a ilusão fosse desfeita, chegando finalmente ao lugar aonde estavam antes e a pessoa que fazia aquilo estática em sua frente.
A amazona de Virgem não chegou a se privar da visão como o mestre, mas escolheu os ouvidos para tapar com o máximo de algodão e cera de abelha que pôde, para não ter que sofrer os efeitos daquele golpe. Mas, os golpes do instrumento atingiam diretamente seu cérebro não conseguindo portanto se defender.
"Satisfeita amazona? Conseguiu nos levar até as mãos de Buda, deixe-me passar! Já mostrou seu valor".
"Nunca!" - replicou na posição de Lótus voltando sua concentração habitual - "Não permitirei que dêem um passo sequer".
Um rio de sangue começou a fluir abaixo dos pés daqueles homens, um sangue ácido e aparentemente corrosivo que parecia destruir seus membros inferiores.
"NÃO!" - voltou a tocar a flauta e a moça voltou a perder a concentração.
"CHEGA, SORENTO!" - ele foi atingido por um golpe muito rápido na cabeça, seu oponente deu a volta tão rápido que ele não conseguia ver quem era, corria ao seu redor para deixá-lo tonto.
"PÁRA DE GIRAR, COVARDE!".
O oponente parou de chofre, com lágrimas nos olhos, os cabelos negros e sedosos presos, retirando a máscara rapidamente.
"COVARDE? SERÁ QUE EU SOU A COVARDE?".
"Alex..." - Sorento sorriu aliviado - "Que bom que te encontrei antes dos demais... vamos embora".
"O que?"
"Não temos tempo para conversas Sorento, vamos sem você!" - disse um dos espectros.
"NÃO PASSARÃO!" - gritou Marcella livrando-se dos tampões e ficando de pé.
"SAIA DA MINHA FRENTE, MOLECA!" - disse um deles se adiantando e correndo em sua direção acertando-a um golpe, jogando-a contra uma das pilastra, fazendo essa quase ceder.
"Não permitirei que passem..." - disse Marcella erguendo-se, mas recebendo um golpe particularmente dolorido em suas costas, aplicado pelo próprio Bian que fez questão de segurá-la pelo pescoço e sufocá-la contra seu peito, vendo-a se debater, mas estava fraca graças ao excesso de cosmo que tinha usado anteriormente.
"Pronto" - disse o cavaleiro soltando-a ao chão, talvez morta.
"NÃO!!" - urrou Alex - "MALDITO BIAN".
"ALEX, VAMOS EMBORA AGORA!".
"SEU TRAIDOR NOJENTO!" - cuspiu em sua cara - "SE APROXIMOU DE MIM DE NOVO PARA AJUDÁ-LOS NÃO É?".
"NÃO!! NÃO!! FIZ ISSO PARA SALVAR VOCÊ! O ATAQUE... EU JÁ SABIA! TROQUEI MINHA LEALDADE PELA SUA VIDA!! PELA SUA, ALEX!!". - urrou segurando-a para encará-lo - "EU AMO VOCÊ! TUDO QUE EU FIZ...".
"NÃO ACREDITO... NÃO!" - urrou batendo-o no braço e no peito, chorando infeliz.
Os outros espectros correram por entre as ruínas e Alex frágil demais não pode fazer nada.
"Deus me perdoe, mas eu também... TAMBÉM O AMO!" - debatia-se em seus braços, vendo-o apertá-la contra seu peito.
"Alex..." - ele repetia chorando - "Eu sinto muito, pela suas amigas, seu mestre, mas...".
"Se me ama, então me ajude! Eu não posso viver sabendo que fugi de uma luta para poupar minha vida".
"Não".
"Se eu morrer vai ser pelo que acredito. Minha deusa e meus amigos. Se consegue entender isso é o homem certo para ficar comigo! Por favor, PRECISO DE VOCÊ! Caso contrário, apesar de tudo, MATO JUNTO COM OS OUTROS".
"Você não...".
"Não tente me provocar, pois sabe que eu tenho poder o bastante pra isso!".
Um bater de palmas foi ouvido e mais um grupo de espectros se aproximava, cheios de falsa comoção.
"Uma vez traidor, sempre traidor" - disse um homem de cabelos negros que sangrava muito e tinha espantosos olhos verdes - "Há pouco fui amarrado por uma bruxa com flores lá atrás, mas já resolvi meus assunto com ela. E agora, Sorento? Vai fazer um favor para nós e matar essa amazona ou terei que acatar as ordens expressas de nossa deusa?".
"O que?" - disse com a voz raivosa e os olhos estreitos.
"Acha mesmo que iriamos poupar sua noivinha? Eu acho que não".
"Podem vir!" - disse Alex recolocando a máscara, dessa vez mais segura de si do que antes - "Vamos ganhar! Não é?" - olhou para Sorento no fundo dos olhos azuis e ele retribuiu sorrindo. Deveria prever que ela faria algo do tipo.
"Vamos juntos, então...".
Alex e ele deram as mãos e elevaram seu cosmo juntos, o vento do mar mais forte do que nunca revoltando seus cabelos compridos.
"Terei o prazer em mostrar a vocês uma outra dimensão...".
Ela soltou-se dele e correu desabalada para chutar um dos espectros que não teve tempo de se defender e apenas tombou ao chão, enquanto com sua agilidade se esquivava de um segundo ataque aplicado por outro, maior e mais agourento. Sorento levou novamente sua flauta a boca, Alex caiu de joelhos no chão e tentou de todo jeito pensar em qualquer coisa que não o golpe do amante, tapando os ouvidos.
"ALEX, AGORA!" - ele gritou.
Ela pulou nas duas pernas e com a força de seu cosmo fez um grande portal abrir-se ali e sugar os espectros para dentro.
"CONHEÇAM OUTRA DIMENSÃO".
Aos gritos eles foram sugados e arrastados para lá, mas como estava ocupada demais naquele gesto só depois viu que outro guerreiro se preparava para atacá-la.
"ALEX, CUIDADO" - Sorento pulou na frente dela e o golpe atingiu-o em cheio no peito, perpassando seu corpo e também atingindo a amazona que tombou por causa do ferimento e do peso do corpo dele. Ambos sangrando muito.
"Não... Sorento..." - ele não respondia aos seus chamados e ela própria não conseguia forças para se levantar - "Não quero... viver sem você".
"ALEX!!" - urrou Lolly sentindo o cosmo enfraquecido da amiga ao longe enquanto se esquivava de um golpe peculiar e se escondia atrás de uma das grandes pilastras das ruínas - "ALEX!!".
Ela distraiu-se e acabou sendo atingida novamente, estava ferida e sendo atacada por cerca de treze espectros ao mesmo tempo.
"Ela é bonita, chefe! Será divertido mantê-la viva por um tempo".
"Sabem quem eu sou?" - ela ergueu o rosto com ódio - "FOI UM ERRO... UM ERRO MUITO GRANDE MATÁ-LA!" - sentia que o cosmo de sua melhor amiga ia diminuindo, cada vez mais, cada segundo - "NÃO PERDÔO".
Aumentou o cosmo com uma força que sequer imaginava que tivesse, sentiu suas entranhas revirarem e quase como se todo o sangue de seu corpo pudesse fluir ao contrário; seu rosto ficou vermelho assim como seus punhos. Sem saber ao certo sobre o que estava fazendo, usava seus poderes telecinéticos para mover as pilastras ao redor e jogá-los contra os espectros, muitos sem conseguir reagir.
Mas, não por muito tempo, ela foi imobilizada ao chão por um dos espectros que pulou em seu lombo e chegou a morder seu pescoço, pois tinha caninos afiados, fazendo com que urrase de dor.
"O QUE É VOCÊ, MONSTRO? UM VAMPIRO?".
Ele riu ainda com os lábios manchados do sangue da moça - "MOCINHA, MONSTROS NÃO EXISTEM!!" - retrucou impúdico se aproveitando para tocar-lhe as coxas com malícia. Ainda era um homem, mesmo que pronto para matá-la. Os outros ao redor riam da manobra do outro.
"Me largue..." - disse fraca - "Me largue...".
"Eu apenas inoculo veneno, mas não te concedo a vida eterna. Quem sabe, apenas um prazer passageiro" - voltou ao pescoço da moça, lambendo o sangue da ferida, beijou sua orelha, já arrancando suas vestes de treinamento do ombro, tentando desnudá-la - "ELA SERÁ DE VOCÊS APÓS A MINHA DIVERSÃO".
Riram satisfeitos pela declaração e com a promessa do guerreiro que chefiava o bando.
"O meu veneno provoca alucinações, doces alucinações..." - mordeu o lobo da orelha da jovem - "Posso ser aquela pessoa que você mais gostaria de ver no momento...".
"É você?" - ela fechava as pálpebras e abria não acreditando no que seus olhos viam. Era Shion, ali, sobre ela, sorrindo - "Shion. Devemos salvar Alex".
"Ela está bem" - dizia o espectro brincando com sua cabeça - "Não seja apressada".
"Ahhh Shion" - ele movia suas mãos sobre sua veste de treinamento, tocando a parte interna de sua coxa, provocando-a - "Por favor, continue...".
"Hahaha... Mas com muito prazer". - voltou a tirar o protetor do peito mostrando apenas a blusa branca e fina que a cobria, desamarrando o fino laço que ali estava, deixando a mostra o colo branco. Desceu com sua boca e a beijou, raspando seus dentes e a machucando.
"Está me machucando!" - disse Lolly inebriada, sentindo que seus cabelos estavam sendo soltos. Shion estava ali, sorrindo lindo e satisfeito para ela.
"Assim que é bom, vadia" - grunhiu o homem em êxtase pela situação tentando tirar suas próprias calças.
"Hum... não!" - ela abriu bem os olhos e se deleitou com o rosto de Shion, tocando seus braços fortes, querendo também deixá-lo em condições pouco discretas como ela. Mas o cosmo não era o dele, não era quente e nobre, não havia nada além de tesão naquele olhar e seu adorado mestre, nunca a olhara daquela forma fria, como se fosse apenas um pedaço de carne - "Shion, é orgulhoso demais para me deitar de repente nesse chão de pedra" - ela elevou seu cosmo o máximo que pode, com uma sensação estranha - "E se uma coisa meu mestre me ensinou é não me deixar levar pelas aparências".
"O que está dizendo? Sou eu: Shion".
"Ah é?" - ela semi-flexionou o joelhos e acertou o homem em sua masculinidade - "Shion... é mais bem dotado que você! Imbecil".
O espectro tombou pela dor e caiu arrasado para o lado, enquanto ela pulou para longe de suas garras e dava dois saltos para trás.
"Vamos meninos, quem vai ser o próximo... ai..." - ela ainda estava com a visão turva pelas feridas abertas em seu pescoço, não teria muito tempo antes de apagar completamente.
Ergueu seu cosmo, seus cabelos esvoaçaram e com um soco de suas mãos abriu um buraco na terra que não demorou a se transformar numa enorme cratera bem funda.
"AQUI ESTÁ O BURACO PARA O SEIKISHIKI! REZEM PARA QUE EU TENHA COSMO SUFICIENTE PARA MANDÁ-LOS PARA LÁ, CASO CONTRÁRIO ALGUMA PERNA DE VOCÊS FICARÁ PRESA NO TEMPO ESPAÇO".
O buraco estava aberto, mas ela não tinham forças para jogá-los, precisaria de muito cosmo para tanto.
"Eu posso ajudar?".
"YUKI!".
Ela usou sua telecinese e empurrou todos os espectros que pode para o buraco, vendo-os caírem aos berros para dentro da cratera. Foi bem a tempo de Lolly desmaiar completamente e o buraco se fechar, levando o último homem.
Quando terminou e o buraco voltou a ser apenas um buraco a amazona de Áries correu até a outra e segurou-a pelo braço.
"Muito bem então só falta você!" - mais homens chegaram até ali - "Apenas uma moça".
"Não pense que será tão fácil" - replicou no mesmo tom - "Venham me atacar".
"COMO QUISER... IÁÁÁÁÁÁ!" - todos correram, mas apenas um ficou imóvel vendo o que se sucederia a seguir.
"Tolos. Não vai adiantar nada".
E não adiantou, os espectros se espatifaram contra um muro invisível e foram jogados a metros de distância.
"Muro de Cristal" - disse o espectro - "Não esperaria outra coisa da discípula e amante de Mu de Áries. Derrotando vocês temos uma vantagem que talvez muitos de vocês não tenham pensado".
"E qual é?" - retribuiu.
"Vendo seus golpes derrotaremos seus mestres depois. E o mesmo golpe não funciona duas vezes com o mesmo cavaleiro".
"E como pretende fazer isso? Depois que eu matar você?" - ela abriu os braços movimentando as pilastras enormes além do muro de cristal, preparando-se para esmagá-los em breve.
"Tem muito mais espectros, só estamos abrindo caminho para quem verdadeiramente vem acabar com os cavaleiros de ouro, preferimos matar o fruto de seus esforços. Por isso que depois que você me matar, vai vir alguém e acabar com você".
Ela ergueu as pilastras e arremessou contra os espectros, vendo cada um ser amassado, um por um, gritando aterrorizados. Não gostava daquilo, mas não deixaria que aqueles vermes se aproximassem do templo de Athena e estava pronta para morrer pelo que acreditava.
"Quando essa guerra vai acabar?" - perguntou esmagando a perna do espectro que lhe falava e que urrou de dor - "Não me importo em torturá-lo se necessário".
"A guerra... só acaba quando a Senhora Perséfone se vingar. E para isso... vocês vão morrer!".
Yuki sentiu um par de dedos fortes em seu pescoço e depois ela foi lançada com poderes telecinéticos fortíssimos contra uma pilastra, não podendo evitar a queda. Depois mais uma vez arremessada há mais de quinze metros de altura e voltando junto ao solo, conseguindo dessa vez evitar a queda com seus fracos poderes.
Virou-se rapidamente e deparou-se com um espectro de capa que vinha em sua direção, prestes para atacá-la novamente. Fez mais uma vez o muro de cristal, mas o homem desapareceu e reapareceu bem perto de si.
"Teletransporte não é um privilégio dos cavaleiros de ouro" - replicou socando-a com toda força.
"Impossível!" - disse vendo a máscara rolar pelo chão - "Telecinese não funciona dentro das doze casas".
"Mas, não estamos nas doze casas" - retribuiu sorrindo desdenhoso - "Seu rosto é lindo. Mu tem bom gosto".
"Como sabe de Mu?".
"Posso ler seus pensamentos, posso saber de tudo que viveu e sente".
"Que profético!" - sarcástica.
"Não adianta fugir de mim...". - disse quando ela tentou correr - "Yuki, você tem que morrer. Apenas entenda isso".
"O que Perséfone quer?".
"Seu corpo empilhado junto com as outras amazonas, é a lei da deusa, assim será feito" - retribuiu mostrando uma fileira de dentes amarelados - "Não se preocupe, temos serviço de quarto no inferno".
A última parada antes das doze casas era o enorme e frondoso Coliseu que hoje estava particularmente vazio. Com exceção das únicas três amazonas que habitavam a espreita o lugar, felizes por ainda não ter aparecido ninguém para lutar e preocupadas com as demais. Sabiam que eram o ponto final, o que deixava sua responsabilidade ainda maior, um fardo terrível que teriam que cumprir.
"Certo, certo... desistimos do efeito surpresa" - disse um dos espectros se aproximando com um grupo de pelo menos mais cinco - "Somos os últimos que restaram!".
Naquele grupo de espectros estava o homem que lutara com Nana, o que fora perfurado pelas rosas de Luna na floresta, o homem com poderes telecinéticos e apenas um estranho que vinha completamente íntegro e que era ligeiramente mais baixo que os demais.
"Que voz fina" - comentou Kassumi vislumbrando atenta seus oponentes - "Você é gay por um acaso?".
"Hahaha... não" - disse o guerreiro arrancando seu elmo negro - "Mas, sou o único de uma classe. Digo, unica".
A mulher deixou uma cascata de longos cabelos azuis caíssem além de suas costas, pronta para lutar.
"MULHER?" - gritaram as três ao mesmo tempo.
"Hunf, depois o Shura diz que somos únicas, não dá pra ser única desse jeito" - disse Yura zombeteira.
"Chega de papo e vamos ao que interessa" - disse Elena com a espada da armadura de Libra em riste. Seu mestre permitira que ela escolhe-se um dos componentes da vestimenta para sua proteção e seria o único apadrinhamento que teria.
"Venham para a morte então" - disse Kassumi - "Daqui não vão passar".
A amazona de gêmeos ergueu seu cosmo, fazendo o pó da arena se erguer, estava pronta para enfrentar um homem com poderes de telecinese tão potentes quanto os dela. Ele se teletransportou atrás dela, aplicando uma chave de braço.
"Incrível, eu sequer o vi!"
"Não pode correr, você deve morrer pelas minhas mãos. É o seu destino".
"Quem é você?".
Saltou na direção oposta, ficando defronte a ele, tentando chutá-lo, mas impotente e imobilizada quando este a segurou com seus poderes.
"Não resista!"
"Não resistir?"
Ele retirou o capuz e olhou no fundo dos seus olhos azuis, fazendo-a retirar a máscara para melhorar o efeito de sua hipnose.
"Você deve morrer!".
"Devo morrer!" - replicou flutuando no ar alguns centímetros.
"Mas, não se preocupe, Kanon fará companhia a você".
O homem tão concentrado que estava em seu ato não viu quando Elena se aproximou por trás dele e aplicou-lhe um golpe rápido com a espada em sua barriga, fazendo-o urrar de dor, levando Kassumi ao chão.
"Quem deve morrer aqui é você, velho!" - disse irritada - "E eu tenho experiência com velhinhos...".
"Maldição".
"Deixe-a comigo..." - retrucou o homem de lindos cabelos negros - "Você me lembra, vagamente, alguém que eu matei lá trás... será que era sua irmã?".
"O que?" - a amazona se espantou um minuto, com um ódio crescente muito grande, parecendo um gato selvagem de um momento para o outro - "Seja lá o que você fez com ela, você me parece bem furado feito uma peneira. Fez um bom trabalho... então, vou terminar o que ela começou".
Com a espada sobre a cabeça ela correu para atacá-lo com um golpe no ar, o homem se esquivou e ela continuou tentando, com todas as suas forças até que ele caiu para trás e estava prestes a perder, mas Elena foi atingida, por uma pessoa amiga.
"AI! YURA! O QUE ESTÁ FAZENDO?".
"Você deve morrer...".
"Que? Tá doida é?".
Até que percebeu o que estava acontecendo, ela estava sendo controlada, pelo mesmo homem que tentara matar Nana e que tinha poderes para tanto, rindo a um canto da arena.
"Minha briga não é com você".
Yura se precipitou aplicando um golpe, acertando a perna da garota, caindo de costas no chão, ferida, com o sangue que escorria pelas suas roupas.
"Hora de morrer!" - disse o homem de forma maligna - "Diga adeus, amazona de libra".
"Não! Diga adeus você" - disse a moça ainda tentando ficar de pé - "Não preciso de minha espada, nem da minha perna se for preciso..." - urrou enraivecida, elevando seu cosmo, com lágrimas nos olhos - "Eu não treinei tanto para morrer assim, dessa forma estúpida".
Elevou seu cosmo, o peito arfando sem parar, uma sensação de fogo em brasa subindo pelo seu coração, podia ouvir até o mínimo farfalhar das folhas ao longe, seu rosto ficou vermelho e ela jogou a máscara ao chão para que pudesse com narinas e boca, pegar a maior quantidade de ar que seus pulmões pudessem suportar, os cabelos longos e castanhos acabaram por se soltar do seu rabo de cavalo.
"Eu também vou acender aos céus! Que meu cosmo... chegue até as estrelas".
O vento ao seu redor estava muito forte e ela parecia que seria levada pela força de seu próprio cosmo; Yura foi arrebatada contra a força do vento e bateu a cabeça contra a arquibancada.
"Agora não vai mais usar meus amigos de escudo".
O seu oponente começou também a elevar seu cosmo negro, mas não era tão forte quanto o dela, que se levantou como um animal aos céus, urrando em aprovação. Seu inimigo foi acertado em cheio, voando para longe, levantando tanta poeira que todos que ali estavam ficaram sem ver nada por um tempo, até a poeira abaixar e não restar nem sinal do espectro ou de Elena.
"Onde ela está?" - perguntara o homem de cabelos negros - "Sumiram os dois".
"Não importa, você pagará pelo que fez..." - disse Kassumi erguendo-se, abrindo os braços e revelando um portal bem diante de seu corpo - "Triângulo de ouro".
O homem foi abatido graças a força golpe de Kassumi, mas antes de morrer também proferiu um ataque que acertou a moça, fazendo-a cair agonizante do chão.
"Vai... chorar... muito antes de nos vermos... lá embaixo" - caiu com o sangue se esvaindo pela boca.
Kassumi respirava com dificuldade e já perdia os sentidos, vendo que o mundo já sumia de sua retina.
Yura não podia ajudá-la, já não era controlada e lutava com a única mulher do bando de espectros a um canto.
"Você é a discípula de Shura de Capricórnio han? Gosto dele: muito másculo!".
"Sem dúvida!" - disse com o braço pronto para desferir outro golpe, já que ela apenas corria das investidas do braço que cortava como uma navalha.
"Se tem um homem que aprecio mais ainda... é Aiolia de Leão. Muito bonito e gostoso, já o vi de longe...".
"Sim. MEU NAMORADO É LINDO!" - retribuiu insana de raiva.
"Huhu... Perséfone me garantiu que ele poderá me servir como escravo no inferno. Por isso que desde o começo queria lutar com você... saiba que seu namorado será muito bem tratado no submundo".
"Cale a boca sua vadia mal acabada" - retribuiu nervosa, acertando um golpe perto do braço dela, vendo-a se desequilibrar - "Aiolia não vai querer você e mesmo que fosse possível, EU NÃO IA DEIXAR ELE IR NUNCA!".
"Huhuhu... agora chega. Cansei! Vou acabar com você de uma vez e ir buscar o meu prêmio lá nas doze casas".
"Só por cima do meu cadáver...".
"Como quiser, querida!".
O cosmo de Yura ergueu-se finalmente, aterrador como nunca tinha se mostrado. Não! Ninguém tomaria Aiolia dela, o amava demais e tinha superado tudo e a todos para ficar com ele. Foi com espanto que sentiu ser acertada por um soco tão forte que perpassou sua barriga, seus olhos giraram nas órbitas.
"Aio...Aiolia não...".
"Huhu... vamos transar muito... muito... muito... porque o inferno é uma eterna, infindável, continuação" - repetia no ouvido de Yura, com um prazer imenso de ter matado aquela moça. Foi com surpresa que sentiu uma lâmina afiada acertar seu coração em cheio, fazendo-a cuspir sangue pela boca.
"Jamais".
Elas se encararam com ódio.
"Você... primeiro!" - disse Yura sentindo que sangue também saia pela sua boca.
A mulher espectro retirou sua mão da barriga de Yura e a amazona de capricórnio fez o mesmo com a suas mãos afiadas no coração da outra. Ela recuou meio metro e caiu ensangüentada, mas tinha certeza que a outra também estava morta. Sabia que faltava um espectro, mas não conseguiria ir atrás dele, queria dormir... queria muito dormir...
O último espectro não lutara com nenhuma das amazonas diretamente, mas foi acertado de raspão diversas vezes e também estava bem fraco, mesmo assim dirigiu-se lento e pesaroso até as doze casas dos zodíacos, pronto para encarar o desafio de enfrentar o primeiro cavaleiro de ouro.
O sol estava voltando a reaparecer quando ele viu trajando uma armadura de ouro o cavaleiro de ouro, Mu de Áries, ao pé de sua casa, esperando para defender sua morada ao passar do primeiro espectro. Ele estava com uma dura expressão no rosto apesar deste estar manchado de lágrimas.
"Perséfone... venceu" - balbuciou com escárnio mirando o homem grandioso a sua frente.
Foi com espanto que sentiu sua carne ser atravessada por uma flecha de diamantes que perfurou todo o coração, atravessando o outro lado de seu corpo. Demorou a tombar, mas logo caiu de cara sobre a escadaria de mármore, lavando-a com seu sangue negro.
Ali, parada com o arco de prata, estava Teffy, também ferida e sangrando, satisfeita por ter conseguido honrar sua palavra.
"Nós... vencemos".
Caiu sobre o primeiro degrau da escadaria das doze casas.
Mas o corpo ainda quente de Teffy não teve o descanso, sequer o respeito, da idealizadora de toda aquela guerra. A bela deusa pulou o corpo inerte da menina, chegou ao seu espectro e simplesmente depositou uma moeda de ouro sobre cada olho do serviçal, por fim olhou para Mu que tremia de ódio e elevava seu cosmo de forma ameaçadora. Perséfone então disse:
"Bom dia, Mu de Áries".
Continua...
N/A: Tá meio complicado ler a fic, porque as cenas são cortadas já que os acontecimento ocorrem quase ao mesmo tempo, mas espero que tenha ficado interessante de ler. Apesar da dificuldade em escrever cenas de luta eu adorei por minha idéias doidas no papel e com tanta amazona... acho que não esqueci ninguém certo?
Até a próxima!
19/10/08
