Depois de algum (muito) tempo...Boa leitura!

Guerra Mutante – segunda parte

O tribunal era todo com móveis de mogno, dando um aspecto soturno e frio ao local.

Os quatro rapazes, previamente disfarçados, estavam sentados na primeira fileira de bancos. Wufei não pudera ir porque ainda estava muito machucado. Então, ele ficara no esconderijo, ajudando-os pelo intercomunicador.

- Eu ainda não entendi o porque de resgatarmos essa garota. – sussurrou Duo.

- Acho que só saberemos quando a levarmos a salvo daqui. – respondeu Heero numa voz neutra. Ele ainda se lembrava da breve conversa que tivera com o americano antes de irem até lá.

Flashback

- Er...Duo? – chamou o japonês.

- É você Heero? Sente-se aqui. – respondeu o rapaz que estava na varanda.

O ex-soldado perfeito sentou-se numa cadeira ao lado do outro.

- Sem sono? – sussurrou Heero num tom baixo.

- Mais ou menos. – respondeu Duo. Ele usava apenas a calça do pijama, seus cabelos curtos e arrepiados balançando com o vento.

Heero observou o outro de perfil. Ele ainda continuava lindo, como sempre se lembrara. Mas algo o deixava curioso. Ele nunca fora assim, mas...

- Posso perguntar algo Duo?

- Claro. – disse o americano, agora o encarando com seus olhos violetas.

- Mais cedo...você disse que cortou o cabelo por causa de um...acidente. O que houve?

Duo deu um suspiro amargo. Então voltou a olhar o céu.

- Foi um acidente de moto. Um carro se jogou contra mim na via expressa. Eu praticamente fui lançado no ar. Acordei um mês depois...com os cabelos curtos. – o americano então se aproximou e levantou uma parte do cabelo da nuca.

Heero arregalou os olhos. Uma pequena placa de metal estava incrustada no local. Inconscientemente ele passou os dedos lá, sentindo o ex-shinigami estremecer.

- Tiveram que fazer uma cirurgia, pois um pedaço da moto entrou aqui. Então...cortaram meu cabelo. Um mês em coma...dois meses para voltar a andar.

- Eu...sinto muito. – sibilou o japonês, encarando-o. Só então percebera o quão próximo seus rostos estavam.

Duo levantou-se abruptamente e foi entrando na casa.

- Boa noite. E...sinto pelo que aconteceu a Relena. Sinto pela sua perda.

O ex-soldado apenas observou o outro sumir nas sombras da noite.

Fim do Flashback

- Tragam a ré. – disse um senhor vestido com uma farda negra.

Eles viram-na ser arrastada, aparentemente fraca demais para andar sozinha. Sua roupa, da cor cinza-chumbo, estava toda esfarrapada.

Ela foi posta num banco ao lado do senhor de farda. Todos ficaram de pé, fazendo os pilotos repetirem o ato.

- Júlia Yamigumo, Você é acusada de espionagem militar e assassinato de três soldados da Neo OZ. Afirma essas acusações?

- Sim. – a voz dela era levemente rouca. Houve um burburinho no local.

- Você será condenada a execução através do fuzilamento.

- Executada? – murmurou Quatre para si.

- Tem alguma coisa a dizer antes da sentença, senhorita Yamigumo?

- Sim. – ela levantou-se, suas mãos ainda presas nas suas costas.

- Estaremos começando a operação daqui a cinco minutos. – sibilou Heero.

- Você tem permissão para falar. – disse o general.

- Eu cansei desse local. – respondeu Júlia sorrindo, mostrando as mãos soltas, enquanto girava as algemas entre os dedos.

Houve uma pequena confusão no local. Todos os soldados se levantaram para detê-la. A jovem jogou a algema, acertando um guarda em cheio. Com um chute, ela nocauteou o outro, se apoderando da metralhadora que ele carregava.

Logo ele começou a matar um a um dos soldados com habilidade, rumando até a saída.

- Acho que ela não precisou da nossa ajuda – disse Duo sarcasticamente.

- Mas vamos atrás dela de qualquer maneira.


Um, dois, três soldados. Eles iam caindo a sua frente conforme ela atirava. Mas por dentro sua mente estava embaralhada, devido a uma droga que haviam aplicado em seu braço algumas horas antes.

"Kuso. Não consigo usar toda minha força", pensou Júlia. Ela se encontrava agora nos tubos de ventilação. Foi quando viu quatro homens pararem embaixo dela.

- Onde ela foi parar agora? – um moreno disse.

- Provavelmente ela já escapou.

- Vamos garantir que ela tenha saído mesmo.

"Quem são eles?", pensou a morena enquanto continuava seu caminho até a saída.

Do lado de fora, Júlia começou a correr, mas sua visão se embaçava cada vez mais. Ela se escondeu atrás de um dos carros do exército, observando os guardas a procurarem. "Não posso apagar agora. Não posso!"

Ela jogou a arma sem balas do lado e pegou uma faca que havia tirado de um dos soldados. A morena calculou uns cinqüenta metros até uma densa floresta que ficava na parte de trás da base. Era sua única chance.

- Um, dois, três...agora! – Júlia levantou-se e começou a correr o máximo que conseguia.

Ela estava quase conseguindo...quando ouviu gritos de soldados que haviam encontrado-na. Ela correu com mais velocidade, mas começando a sentir sua visão embaçar cada vez mais. "Merde!", pensou enquanto ia quase alcançando a floresta.

Ela chegou na floresta, suspirando de alívio, logo se enfiou entre os arbustos, ouvindo o exército correr atrás dela. Ela encostou-se na árvore e começou a ofegar, sentindo seu corpo todo amolecer.

- Eu...não posso...mais.

E tudo escureceu.


Júlia levantou-se num pulo. Ela piscou uma, duas vezes. Onde estava? Ela observou em volta e percebeu que se tratava de um quarto. Um quarto bem arrumado e uma cama macia, onde estava deitada. Tudo que ela se lembrava era estar fugindo da Neo Oz e...

Era isso! Ela apagara na floresta! Ela se salvara? Ainda estava viva, mas como? Levantando-se lentamente ela começou a caminhar pelo quarto, em direção a porta. Estava destrancada. Ela abriu e se viu num imenso corredor.

Seus sentidos ainda estavam levemente fracos, mas ela não sentira ninguém a sua volta. Ela caminhou lentamente pelo corredor que dava numa escada de espiral. Ela desceu até uma espécie de sala de estar, com pouca mobília. Do seu lado direito havia duas portas e do seu lado esquerdo uma passagem, que ela presumiu ser uma cozinha.

- Um refúgio...onde raios eu estou? – perguntou para si, enquanto optou por ir até uma das portas da direita.

A morena entrou no local, e logo descobriu se tratar de um escritório, muito bem organizado. Um laptop estava aberto e rodava um programa. Ela sentou-se na cadeira macia e viu os caracteres japoneses deslizarem pela tela.

- Pelo menos eu sei que alguém que está aqui é japonês. – falou de forma divertida enquanto lia o conteúdo. Aparentemente seu salvador também estava espionando arquivos secretos da Neo OZ.

Ela passou os olhos coloridos pela tela e viu se tratar de uma base em especial, onde um cientista, chamado Robert Merry, estava em cativeiro e sendo forçado a trabalhar num projeto confidencial. O programa ainda não havia conseguido acessar aquela parte do projeto.

- Uhn. Acho que vou dar uma pequena ajudinha. – disse Júlia, estralando os dedos.

Por muito tempo ela ficou digitando no laptop, testando programas, vírus variados, e programas decodificadores. Logo ela conseguiu acessar o projeto por inteiro e deu um pequeno riso de vitória. Sua mãe havia lhe ensinado muito bem.

Ela começou a ler e seus olhos arregalaram-se a cada parágrafo. Como a Neo OZ havia conseguido...aquilo? Foi quando ela ouviu barulhos vindo da sala. Rapidamente ela levantou-se e procurou algo pra se defender. A pessoa podia tê-la tirado das garras da Neo OZ, mas ainda era cedo pra saber se era amigo ou inimigo. Ela visualizou um abridor de cartas e pegou-o na mão.

A porta se escancarou e dois rapazes entraram. Um tinha cabelos castanhos claros curtos, e olhos da cor violeta. Outro, cabelos castanhos mais escuros, bagunçados, e olhos azul-cobalto. Ambos pararam ao vê-la ali.

- Então já acordou hein? Você ficou apagada por dois dias querida! – disse o de olhos violeta.

- Onde...eu estou? – falou enquanto escondia o abridor de cartas nas costas.

- Você andou mexendo no laptop! – exclamou num tom frio e perigoso o de olhos azul-cobalto, se aproximando.

Júlia apontou o abridor de cartas e exclamou:

- Nem mais um passo, ou sua garganta vai ser atravessada com isso! Me digam quem são e onde estou!

- Nervosinha ela, parece alguém que eu conheço há alguns anos atrás. – o outro mais atrás disse meio rindo.

- Urusai Duo. – exclamou o japonês.

A morena sentiu flashs rápidos invadirem sua mente. Então deu um sorriso sarcástico.

- Heero Yuy e Duo Maxwell, eu suponho?

Os dois mencionados a encararam.

- Se sabia, porque perguntou? – disse o americano ainda meio surpreso.

- Eu não sabia. – ela abaixou o objeto em sua mão – O que dois ex-pilotos Gundam fazem me 'resgatando'?

- Duo, Heero, o que está hav... – Wufei entrou no escritório e parou.

A morena riu levemente enquanto via vários tipos de emoções passarem pelos olhos negros antes de serem mascarados com surpresa.

- Pelo jeito...nossa 'missão' já acordou.

- Missão? – dessa vez a dúvida voltou a cercar a mente de Júlia.

- Doutor J nos deu a missão de resgata-la. – sibilou Heero num tom neutro.

A morena fechou os punhos e rangeu os dentes.

- E quem disse que eu precisava de ajuda para ser resgatada?

- Pra ser capturada pela Neo OZ, você não deve ser um soldado muito competente. – disse o chinês com uma ponta de ironia na voz.

Júlia devolveu a ironia rapidamente.

- Eu não fui capturada, e sim me deixei ser. A melhor forma de se espionar o inimigo na minha opinião.

- Numa cela? – exclamou Wufei.

- Eu tenho meus métodos. – disse com uma ponta de mistério. Então se curvou e disse – De qualquer forma...arigatou pela ajuda. Preciso ir andando.

A jovem ia passar, mas foi barrada pelo japonês.

- Onde pensa que vai? E quem mandou mexer no meu laptop?

Júlia encarou-o de cima a baixo.

- Dá licença. – disse num tom frio.

- Ai, ai, não briguem, sim? – falou Duo, esfregando a testa com a ponta dos dedos – Caso vocês dois não saibam, o Doutor J foi muito claro em dizer que teríamos que trabalhar juntos de agora em diante.

- Nani? – ambos exclamaram em japonês.

Trowa e Quatre entraram no aposento, por terem ouvido as vozes exaltadas. Júlia paralisou onde estava ao ver o loirinho. Era...ele!

- Você já acordou, que bom! – disse o árabe, sorrindo.

A morena sorriu docemente e seus olhos ficaram úmidos. Para espanto de todos, ela atravessou o aposento e abraçou o loirinho.

- Mon ange... – sussurrou com a voz abafada.

Choque. Essa era a palavra certa para descrever o estado de todos naquele escritório. O moreno logo fez a jovem parar de abraçar Quatre.

- O que pensa que está fazendo?

- Desculpa... – ele estreitou os olhos – Namorado do Quatre. Trowa Barton, não é?

- Como... – o mencionado ficou surpreso.

- Mas...Quatre é meu anjo. – Júlia de um sorriso tímido – Ele salvou minha vida anos atrás.

- O que? – o árabe disse, não se lembrando do fato.

- Sei que não deve se lembrar, mas...seu rosto ficou gravado na minha memória por todos esses anos. Eu sempre quis agradecer... – seus olhos coloridos o encararam com ternura.

Quatre então paralisou e se lembrou da garotinha que tinha tirado dos escombros, dez anos atrás. Ele tinha marcado na sua memória, aqueles olhos tão incomuns: um verde e outro azul.

- Você!

Júlia deu um sorriso.

Fim da segunda parte

Gente, peço desculpas a demora. Mas devagar se vai longe, como dizia o outro! XD Espero comentários, sim! Ja ne!

Mystik