E a ação começa! Boa leitura!

Guerra mutante – terceira parte

Dois dias. Esse fora o tempo que a jovem sumira, dizendo que precisava ir até o seu refúgio pegar suas roupas e todas as informações que conseguira nesse tempo sobre a Neo OZ. Eles já estavam ficando meio preocupados. Quando um ronco estranho começou a ser ouvido do lado de fora da casa.

Todos foram para fora e ficaram surpresos pela segunda vez com a garota. Em frente ao seu refúgio uma Harley Davidson, moto raríssima naqueles dias, se encontrava parada. A jovem descia dela com algumas mochilas. Ela estava usando uma calça preta extremamente justa, uma frente única também preta e óculos escuros. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo e um cigarro se dependurava de seus lábios.

- Quem é você e o que fez com a Júlia? – disse de forma sarcástica o americano.

A morena sorriu. Ela pegou um cigarro do bolso e acendeu-o. Heero deu um grunhido de reprovação.

- Um soldado fumando...

A morena o encarou e disse, num tom sarcástico.

- Me processe.

Ela passou por eles com duas malas e uma pasta debaixo do braço. Após guardar tudo no seu quarto, ela voltou à sala, e abriu a pasta, mostrando algumas fotos e alguns documentos, aparentemente relacionados ao que Heero havia pesquisado.

- Quando vi o nome do Dr. Merry no seu laptop, logo lembrei que isso tinha a ver com o que eu descobri quando estava infiltrada. Vocês leram o resultado da pesquisa?

- Sim. Um resultado estranho se quer saber. – disse Wufei pegando uma das fotos nas mãos – Esse é o novo General? Parece...patético perto de Kusherenada.

Os outros quatro concordaram. A morena apenas riu baixo.

- Não devia subestimar os outros, monsieur Chang. Ele pode ter algum trunfo que nós não sabemos.

Heero terminou de ler o relatório que estava em suas mãos e então encarou-a.

- A única coisa que ficou confusa é a espécie que Dr. Merry está sendo obrigado a estudar.

Júlia levantou-se do sofá e se dirigiu até a janela, observando o lado de fora. Ela apenas sussurrou.

- Mutantes.

- O que? – disse Trowa. Todos prestavam atenção nela agora.

A jovem voltou seu olhar colorido a eles.

- Ele está fazendo experiências com mutantes.

- Mutantes? Eles ainda existem? – disse o americano surpreso.

- Você já ouviu falar de mutantes, Duo? – disse o loirinho.

O jovem passou a mão pelos cabelos curtos.

- Bem, existiam muitos deles no antigo território dos Estados Unidos, sabe? Eu vi nos relatórios da minha colônia, já que ela foi originada de lá. Aparentemente...eles foram a causa do começo da construção das colônias espaciais.

- Nani?- exclamou o japonês. Os outros três pensavam o mesmo.

- Houve uma guerra entre eles. – quem disse dessa vez fora Júlia. Ele sentou-se numa poltrona de frente pra eles – Uma guerra entre dois grupos de mutantes, que eram inimigos. Vocês podem imaginar as proporções catastróficas que isso tomou, já que cada mutante possui habilidades que superam a imaginação.

- Por exemplo? – disse o chinês, encarando-a com interesse.

- Não sei de muitos. Havia uma mulher, que a chamavam de Tempestade, que tinha o poder de criar ventos e raios, controlar a natureza conforme sua vontade. Porém do outro lado da guerra tinha um jovem chamado Pyro, que manipulava o fogo. – ela suspirou, encostando a cabeça na poltrona – Estes são alguns exemplos. O fato é que os humanos não-mutantes decidiram acabar com essa guerra e lançaram uma bomba atômica no local da batalha, que foi na antiga região do Oriente Médio.

- E o resultado, como se sabe, foi a destruição da Terra, que ficou praticamente impossível de ser habitada. – completou Trowa.

- Oui. Disseram que todos os mutantes haviam sido extintos, mas aparentemente isso não é verdade.

- Então além de termos que resgatar o Dr. Merry, temos que descobrir do que se tratam essas experiências?

- Seria exatamente isso 01.

A voz do Dr J, fez todos encararem o laptop de Quatre, que estava pousado na mesa de centro. Júlia encarou a versão digital do homem.

- Dr. J. Quem disse que você podia mandar pessoas atrás de mim na Neo OZ, hein?

- Minha querida Júlia. Eu confio plenamente nas suas habilidades. – disse o senhor – Mas sabe tão bem quanto eu que você não poderia usa-las com facilidade naquela base.

- Que habilidades são essas que vocês tanto falam? – perguntou Duo, curioso – E como você conseguiu essas informações estando presa?

- E porque você sabe tanto sobre mutantes? – disse Wufei.

A jovem levantou-se e foi até a janela novamente. A voz do Dr. J soou na sala.

- Você devia contar a eles, Júlia. Afinal eles serão seus companheiros daqui pra frente.

- Não preciso deles.

- Pare de ser idiota garota. – disse Heero num tom frio.

Os olhos coloridos flamejaram. Ela tirou um punhal da calça e lançou na direção do japonês. Antes que todos pudessem fazer alguma coisa, a lâmina parou a centímetros da garganta do ex-soldado perfeito. A voz soou fria.

- Cuidado com o que diz monsieur Yuy, se não quiser ter seu pescoço transpassado pelo objeto cortante mais próximo.

E com isso dito, o punhal retraiu-se e voltou a mão dela como se estivesse magnetizado. Ela então sussurrou.

- A razão de eu saber tanto...é porque eu sou uma mutante também.

O silêncio caiu pesado na sala. Ela voltou a se sentar na poltrona.

- Umas das únicas que restaram, pelo menos era isso que eu acreditava até dias atrás. Normalmente os poderes mutantes surgem na adolescência, mas os meus surgiram quando eu tinha sete anos. Isso aconteceu, segundo o Dr J, por eu ter passado por uma experiência traumática. - Ela soltou o punhal mas ele não caiu no chão, ficou parado no ar. – Eu consigo mexer qualquer coisa sólida com a força da minha mente...e consigo ler pensamentos também.

- Cool... – Duo foi o primeiro a se pronunciar – Com você do nosso lado temos mais chances!

A morena sorriu. Ela então pegou o punhal novamente e disse.

- Eu não tinha contado antes por causa desse mesmo tipo de reação que você está tendo agora Wufei.

O chinês arregalou os olhos.

- Me desculpe se isso me deixou chocado...e pare de ler minha mente!

- Eu não estou lendo...ela está gritando pra mim. – retrucou a jovem com um sorrisinho.


- Bom dia, minha deusa. – disse o senhor, cujos cabelos grisalhos ocupavam grande parte da sua cabeça. Seus dedos encostavam na superfície fria do bloco de criogênio. Uma forma humana podia ser vista dentro do bloco.

Robert Merry estava dividido. Ele, a princípio, fora seqüestrado e trazido para aquela base da Neo OZ. O general deles, que lhe passava a impressão de ser muito jovem para comandar um exército daquele porte, lhe pediu seus talentos para realizar algumas experiências com alguns mutantes congelados que ele encontrara.

O renomado cientista riu quando ouviu a proposta absurda. Como ele podia achar que trabalharia para ele, e ainda por cima, com criaturas que não passavam de lenda?

Mas ao vê-las pessoalmente, toda sua curiosidade científica despertara. Ele logo começou a trabalhar no mutante conservado, querendo descobrir o que o fazia ter aquela habilidade.

Mas aí começava seu dilema. Ele descobrira muitas coisas, coisas impressionantes. E perigosas. Sua consciência martelava que aquilo definitivamente não devia cair nas mãos de Lance Alvers, dirigente da Neo OZ. Mas seu tempo estava se esgotando e suas desculpas também.

- Mas aposto que daremos um jeito não é minha deusa? – disse para o mutante preso.

Ele mandara um recado secreto para os Preventers, mas depois que vira no noticiário que o prédio havia sido implodido, com poucos sobreviventes, ele sabia que suas esperanças haviam sido quase que extintas. Suas descobertas cairiam definitivamente nas mãos erradas.


- Tudo limpo na sua parte? – a voz saiu grave e competente.

- Sim. Me dêem mais dois minutos e os sistemas de segurança estarão desativados.

- 03 e 05?

- Tudo limpo. Eles não conseguirão usar suas armas. – disse o chinês.

- 04?

- A fuga será fácil. Nos encontramos no ponto marcado, estarei lá.

- 01?

- Hai?

- Sistemas de segurança desativados.

- Certo. Operação iniciada.

Heero e Duo foram andando calmamente até um dos portões de umas das inúmeras fortalezas da Neo OZ e viram ele se abrir, como se o estivessem empurrando. Júlia os esperava com um sorrisinho. Duo comentou.

- Prático não?

- Muito. – respondeu a morena e ela estalou os dedos e os portões se fecharam novamente.

Eles seguiram pelos corredores escuros, que permaneciam assim graças à desativação da segurança. A jovem dava as direções, conforme ela sentia se algum guarda se aproximava. Foi quando uma luz vermelha iluminou todo o local. Júlia começou a correr.

- Venham, por aqui!

Eles a seguiram. Logo eles entraram na sala. A morena tirou o laptop das costas e começou a digitar rapidamente. O americano tentava recuperar o ar.

- O que foi isso?

- Sistema de emergência. Aparentemente eles possuem experimentos aqui que não podem ficar sem energia 24 horas.

- E agora?

- Agora... – ela digitou mais alguns códigos... – Heero!

- O que? – disse o japonês a encarando.

- O que significa esse Kanji?

O moreno revirou os olhos e foi olhar. Então terminou de digitar algo e a luz vermelha se apagou.

- Arigatou. – ela sorriu levemente – Não sou tão fluente em japonês assim, sabe...

- Vamos indo. – o ex-soldado perfeito não pôde deixar de evitar um pequeno sorriso divertido.

Duo apenas observava a interação e ria para si enquanto suspirava. Heero havia mudado. Ele não estava mais tão frio...


Merry ficou preocupado. Agora era o sistema de emergência que havia sido desativado. Isso só significava uma coisa...

- Voltarei para buscar você, minha deusa. – disse o homem passando a mão pelo mutante antes de sumir no seu dormitório. Se era um time de resgate, ele não iria atrasa-los.

Quase vinte minutos depois, o cientista voltou ao laboratório e tomou um tremendo choque: o container onde estava o mutante estava vazio. E era...

- Minha deusa? Minha deusa? – ele começou a procurar. O que tinha acontecido?

Uma voz suave foi ouvida atrás dele. Mas aquela voz lhe deu arrepios.

- Era você quem não parava de falar?

O homem virou-se e não pôde esconder seu choque.

- Uhn...no fim você é igual a todos os outros.


Eles adentraram num corredor e iam em direção a uma das portas, quando Júlia parou.

- Que foi?

- Parecia...que havia duas mentes dentro do laboratório. Mas agora só há uma.

- Precisamos ir. – disse Heero com firmeza.

Julgando ser só produto da sua imaginação, a morena abriu a porta do laboratório junto com os outros dois e viu o cientista com uma espécie de maleta na mão, como se os estivesse esperando.

- Vocês...são do time de resgate certo?

- Como você...

- Eu mandei um pedido, semanas antes. Achei que tudo estava perdido com o que aconteceu com os Preventers...

- Vamos sair daqui doutor. – disse o americano.

- Certo.

Eles saíram rapidamente de lá, sem notar um corpo escondido nas sombras do laboratório.

Fim da terceira parte

E ai? Logo tem mais!

Mystik