Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e Toei O nome Carlo é de autoria da fanficwritter Pipe
Boa leitura e divirtam-se :)
As namoradas do zodíaco
por Pisces Luna
Capítulo XXVIII: O pacto dos deuses
Ela e Seiya não tinham passado aqueles maravilhosos dias na mansão Kido e nem declarado o seu amor.
Nem Shun para Nana. Na verdade, Nana nunca fora ao santuário.
O santuário não tinha tido festas esdrúxulas, Shion nunca perdeu a compostura...
Shiryu não tinha viajado com Kiki para Rozan.
A mansão de peixes nunca fora ferida durante à noite, nem Câncer... na verdade, ninguém do shopping lembra de nenhum show na praça de alimentação feita por um moça vestindo uma máscara, ninguém nunca brigou no cinema.
Mu continuava passivo porque sempre tivera apenas um discípulo.
Aldebaran nunca abrigou alguém que não fosse do próprio santuário. Sempre foi só.
Saga e Kanon continuam brigando constantemente.
Máscara da Morte pretende tirar as máscara da casa de câncer. Nunca amou ninguém.
Aiolia está satisfeito por ter Aiolos vivo.
Shaka está meditando.
Dohko sente falta de Shiryu. Talvez escolha outro discípulo para treinar. Diz que queria que fosse uma amazona.
Milo sai todas às noites para procurar algo que ele esqueceu em um bar há muitos anos.
Aiolos protegerá Athena.
Shura não quer ser simpático.
Camus cuida de Hyoga. Irá para a Sibéria em breve.
Afrodite gosta de rosas. Nunca teve ninguém com quem pudesse dividir seus gostos por cavalos.
Shiryu foi embora.
Shun está com Ikki.
Ikki diz não estar com ninguém.
Hyoga queria uma namorada.
Seiya está dormindo...
Será que ainda saberíamos viver como antes?
Se sim, eu desejaria com todas as minhas forças que nenhuma amazona nunca tivesse pisado no santuário.
Mas eu, mesmo que pudesse, não mudaria o passado...
Perséfone adentrou o templo com sua postura altiva e disse:
"Trégua?"
O número de mortos era grande. No fim da tarde já havia muitas pessoas recolhendo os escombros e os empilhando ao lado das casa desabadas. Dentro da casa de Áries estavam sendo colocados os corpos das amazonas encontradas. Os cavaleiros tinham se machucado muito entrando em confronto com a deusa Perséfone, mas seus ferimentos não eram tão graves, afinal, eram guerreiros de longa data.
"Não achamos o de Juliane" - disse Shura com o corpo manchado pelo sangue - "Ela deveria estar perto da entrada do santuário, mas não há nada lá".
"Eu não fico triste..." - disse Dohko.
"Você tem esperança?" - perguntou Shura rude.
"Preferia que não tivéssemos encontrado o de Marcella".
O cavaleiro dourado tentou não ouvir, mas não demorou-se a lembrar que a namorada estava entre a pilha dos mortos em um canto da sala. Foi andando a passos lentos, mas não conseguia se aproximar muito, Shaka estava ao lado do corpo da moça, bem machucada.
"Deixe eu ficar aqui agora!" - pediu com a voz embasbacada - "Eu quero ficar com ela".
"Pode ficar..." - disse segurando os cabelos castanhos uma última vez.
Shura agarrou o corpo e ficou ao seu lado segurando como se ela ainda estivesse dormindo. Chorou em silêncio, não conseguindo suportar vê-la naquele estado.
"Eu falhei... falhei...".
Em outro canto estavam Alex e Sorento... vivos. Ele tentava apartá-la enquanto via que o corpo de Kassumi era velado por um Kanon em prantos, completamente infeliz.
Milo deitou-se ao lado do corpo de Luna que estava virado lateralmente, com os olhos fechados, sem a máscara. Não demorou para ver que era ela apesar da falta de hábito por ver seu rosto, agora muito branco e sem cor.
"O que está fazendo aí?" - disse Camus se aproximando vendo a situação.
Milo não respondeu e não ousou tocar a tez fria como o mármore da amazona.
"Ela não vai acordar".
Mais uma vez o silêncio e Milo não fez um movimento sequer. Ainda não estava acreditando que ela não estivesse dormindo.
"Porque não vai procurar a irmã dela, tenho certeza que seria a coisa mais grata que poderia fazer por ela" - retribuiu o cavaleiro de gelo.
"Já achamos... na enfermaria" - pronunciou-se, friamente, e pela primeira vez.
"Ela está viva?".
"Sim. Mas machucou a perna. Talvez com perda total..." - voltou a sua posição - "Saia daqui, Camus".
O cavaleiro de gelo atendeu ao pedido, um pouco preocupado, pensando seriamente em revirar os vidros de conhaque que, por ventura, não tivessem sido destruídos da casa de Aquário.
"YUKI" - urrou Mu ao ver quem vinha nos braços de Deba, tomando-a para si - "Ela está viva, não está?" - disse já tomando sua pulsação.
"Não!" - retrucou penoso - "Ela morreu".
"Acharam Lilits... ela estava no pântano".
"MERDA" - disse Kanon infeliz com as notícias desgraçadas que chegavam a todo momento - "ISSO É TUDO CULPA NOSSA".
Alex nunca foi de demonstrar sentimentos, mas naquele momento só conseguia chorar com ódio e uma tristeza profunda. Suas amigas estavam mortas.
Kanon arfava com as lágrimas pingando pela face, apoiando-se no chão, até que como em um passe de mágica tivesse percebido que Sorento estava ali.
"A culpa disso tudo é tua" - falou pegando-o pelo colarinho - "Vou... arrancar a SUA CABEÇA".
"KANON, PÁRE! ELE VEIO ME AVISAR. ELE ME SALVOU".
"E matou a Kassumi".
"Eu sinto pela sua dor, Kanon... de verdade" - retrucou o cavaleiro - "Eu não tenho o direito de ficar aqui. Vou voltar para junto do senhor Julian Solo, mas só quero que fiz o que fiz pela Alex".
"SUMA" - disse voltando-se para o corpo de Kassumi.
"Quando você vai?" - perguntou Alex chorando.
"Agora" - levantou-se - "Desculpe por não ficar para consolá-la. Como ficamos?".
"Como sempre. Vá logo, vão acabar te matando aqui".
Sorento não fez objeção e não teve companhia até a porta do santuário.
"Você... não pode estar...".
Eram ordens do mestre do santuário deixar todos os mortos referentes as doze casas na casa de Áries, mas ele desobedeceu as suas próprias metas, ainda sangrando e sofrendo pelos golpes que recebera ao combater Perséfone.
Achara Lolly deitava perto das rochas. Colocou-a em seus braços e a levou até o templo do mestre.
Chorava enquanto limpava o sangue da cabeça, pingando com os lábios ligeiramente abertos, a pele fria como o gelo. Já tinha trocado suas roupas por um camisolão azul seu, pois não suportava vê-la sangrar.
A única certeza que tinha é que queria ter ficado com ela mais tempo.
"Desculpas... nunca são sufici... entes" - gaguejava.
Ouviu alguém bater a porta.
"Shion... sou eu".
"Pode entrar, Athena" - disse baixinho.
Quando ela entrou assustou-se ao ver quem repousava como que adormecida sobre as colchas dele.
"SHION!".
"Eu já a levarei lá pra baixo para as honras" - disse chorando.
"Shion... elas ainda não estão mortas".
"Não brinque comigo, Saori".
"Elas ainda não chegaram ao Cocitos" - insistiu - "Eu tenho que ir a Star Hill e te contar uma coisa...".
"Para que?".
"Para recorrer aos deuses...".
"OS DEUSES NÃO PRESTAM PARA NADA" - disse com ódio. Levantando-se contra a deusa e chutando uma cômoda próxima - "Athena, nunca me perdoarei por isso".
"Vou oferecer algo em troca da vida delas".
"E o que é?".
"Guardar um segredo".
O templo em Star Hill estava exatamente como antes de Saga ser possuído por Ares. Empoeirado, porém com velas a um canto afastado. Shion e Saori reverenciaram os pilares santos e lá encontraram-na.
"Athena... veio e trouxe quem eu pedi".
"PERSÉFONE" - colocou-se entre as duas deusas pronto para lutar - "O que está acontecendo aqui?".
"Shion, sabe que se eu não consentir nenhuma delas irá morrer não é mesmo?".
"O que você quer?".
"Apenas uma resposta de Athena".
"Resposta?".
"Shion... filhos".
"O QUE??? Você é louca ou que?"
"CALE-SE, MORTAL INSOLENTE!" - disse retirando o capuz negro que cobria seu rosto de inimaginável beleza.
O mestre quase cambaleou para trás e caiu sentado em meio ao templo. Perséfone sorriu com desdém.
"Em dez anos, como me disseram anciãos de uma terra sagrada e longínqua , um casal dentre todos os abençoados por Afrodite terá um filho e esse será a reencarnação do meu amado Adônis".
"Não... estou entendendo mais nada".
"Shion, você conhece a lenda do presente de amor de Afrodite a Athena não é? Acha que Afrodite abençoou esse santuário a toa? Ela precisava de um ventre e um lugar em paz para gerá-lo também" - disse Perséfone - "Era um plano dela o tempo todo".
"ERA UM LUGAR DE PAZ, SUA VACA!" - urrou irritado e empurrando as vestes dos punhos colocando-se em posição de luta, o cosmo fumegava de ódio.
"Se vocês me derem a palavra de vocês, não permito que nenhuma delas morra e mais: uma delas gerará o meu amado".
"ATHENA" - olhou-a desvairado - "Não permitirá que uma sandice dessa ocorra".
"E temos escolha?" - disse séria - "A filha da deusa da colheita renasce com mais freqüência do que eu que precisa de 200 anos para retornar ao seu corpo".
"Qual é o acordo?" - perguntou Shion relutante.
"Permito que elas sobrevivam, você deixa que todos vivam livres e eu volto para reconquistar Adônis, e não forçá-lo a nada, dentro de 20 anos".
"SE ERA SÓ ISSO PORQUE TODA ESSA GUERRA?".
"Ela queria... nos punir por matar o homem que a fez rainha" - disse Saori - "E Afrodite por roubar Adônis".
"Adônis renascerá aqui?" - disse atônito - "E pretende conquistá-lo como? Velha?".
"O reino dos mortos nunca acaba, ele sempre estará em pleno equilíbrio, nós os deuses sempre reencarnamos. Se me derem sua palavra, aceito morrer pelas mãos de Athena se tiver um enterro digno".
"COMO?".
"Ela morre. Reencarna em seguida e dentro de 20 anos volta para reconquistar Adônis como mortal e não mais como divindade".
"E Hades?".
"Sou a mulher dele e nem em um milhão de anos esquecerei isso, pois foi um pacto dos deuses nossa união. E um pacto entre deuses não acaba mesmo com a reencarnação. Mesmo que eu morra, ainda me encontrarei com ele em outra era".
"E Adônis?".
"Viverei com ele pelo menos em mais uma vida. Me dê sua garantia Athena de que permitirá que ele retorne a vida através do filho de um de seus cavaleiros e eu lutarei por ele, contra Afrodite, na vida terrena" - sorriu um pouco irritada - "Como uma... mortal".
Shion encarou a deusa e desesperado disse:
"Aceite!".
"Tem certeza? Pode ser o filho de qualquer um. Até o seu se, por ventura, vier a tê-los... ".
"Quero Lolly viva! O que quer que eu diga? E porque estou aqui?".
"Você é o mestre do santuário, tem que ser testemunha do acordo. Isso quer dizer que terá que desistir de todos os códigos de ética milenares envolvendo a relação entre cavaleiros e amazonas e permita que eles vivam em paz" - disse Perséfone.
"Parece muito boazinha para quem trouxe tanto sofrimento" - rosnou.
"Também quero viver, Mestre" - falou desdenhosa e encarando-o de cima abaixo - "Tsc, tsc... um homem tão bonito e novo, tão velho na alma... espero que aproveite a segunda chance que os deuses estão dando a vocês...".
"Chega! O tempo está correndo e Shion será a nossa testemunha do acordo".
Athena e Perséfone se olharam e a deusa da sabedoria pegou a adaga dourada que trazia a tira colo, segurando-a em uma mão só. Elas apertaram as mãos e ergueram seus cosmos.
"Athena, promete permitir que Adônis reencarne pelo fruto do amor de um de seus cavaleiros com as amazonas, deixando-o viver sobre a proteção do santuário?" - perguntou Perséfone.
"Prometo. E você jura libertar o cosmo das amazonas, deixando que elas retornem aos seus corpos?".
"Juro".
"E também jura que nunca raptará o rapaz ao submundo, tentando conquistá-lo apenas como uma mortal e nunca forçá-lo a nada?".
Ela hesitou, mas terminou por dizer.
"Dou minha palavra".
Um cosmo muito grande se elevou quase como uma explosão, fazendo Shion cerrar as pálpebras. Quando tomou consciência do que tinha acontecido, Perséfone estava no chão com a adaga enterrada sobre seu peito e Saori ao seu lado velando o corpo humano.
"Ela foi para a outra vida dela" - disse triste - "Shion, apesar de tudo... ela é minha irmã".
Shion abraçou a deusa que se fizera de forte todo aquele tempo e que despencou sua cabeça sobre seu ombro.
"A guerra terminou" - falou o homem afagando seus cabelos loiros.
"Sim. Agora vamos tentar viver em paz".
"Athena, só não entendi uma coisa, como ela pretende competir com Afrodite?".
"Afrodite desistiu de Adônis nessa encarnação. Mas jurou perpetuar um bom lugar para seu corpo para que sempre retornasse da forma mais saudável e plena possível".
"Ou seja...".
"O caminho está livre para Perséfone".
O corpo de Mikage estava deitado numa cama, coberto por um lençol enquanto Shaka a velava. Até que sua mão caiu involuntária de debaixo do lençol para o vazio. O loiro choroso devolveu a mão dela para debaixo do pano.
"Estranho... parece que ela está ligeiramente quente".
Do outro lado do salão de Áries ainda deitado no chão, ao lado do corpo inerte da amazona de peixes, estava Milo que ouvia a voz de Aiolos ao longe.
"As valas estão abertas".
O cavaleiro fechou os olhos, rezando em pensamento para que aquilo fosse um pesadelo. Não era justo agora que tinham se reencontrado.
"Milo... porque está chorando?"
O cavaleiro abriu os olhos e sentiu um par de mãos delicadas tocarem seu rosto vermelho.
"Você está... viva? Ou eu estou morto?".
Ele tocou seu rosto enquanto ainda estava deitado ao seu lado, desesperado passou a mão por sua perna, braços, pescoço, cabelo e...
"Seu tarado, já tá passando a mão no meu peito é?" - disse com a voz tão fraca e um sorriso simples no rosto.
Ele sorriu, apenas tombando sobre ela e beijando-a com ardor. Ergueu-se rapidamente e a segurou no colo.
"ELA ESTÁ VIVA!".
"O que?" - disse Kanon se afastando do corpo de Kassumi que já estava coberto com um lençol - "Não brinque".
"Não estou brincando... É UM MILAGRE".
Shaka sorriu e mais do que depressa tirou o lençol de cima de Mikage que estava virada de lado e respirando normalmente, apenas com as escoriações normais.
"MIKAGE!".
"Hum... Shaka... deixa eu dormir mais cinco minutinhos".
Camus correu do outro lado do salão e tocou a tez ainda pálida da discípula.
"ATHENA SEJA LOUVADA".
E as demais amazonas também foram se levantando de seus leitos: Teffy, Kassumi, Marcella... todas feridas, mas vivas.
"Como é bom estar aqui" - disse Kassumi vendo Kanon - "Eu já te disse que amo você hoje?".
"Calada" - retrucou chorando.
"ESPEREM! ONDE ESTÃO MU E YUKI?" - gritou Aldebaran vendo a cena.
Shaka disse desesperado.
"Ele... queria enterrar o corpo sozinho".
"O que?".
Mu tinha acabado de cobrir o túmulo com terra, chorando e rezando um mantra solitário. Preferia dar um descanso rápido e sem sofrimentos para sua amada.
"Porque não te assumi antes?" - dizia cansado.
Ouviu alguém gritando atrás de si, era Aldebaran correndo desabalado.
"MU! ABRA O CAIXÃO".
"O que? Porque?" - disse irritado - "Não vou profanar o descanso dela".
"Arf... arf... você não sente?".
Eles ficaram em silêncio, um vento gelado batendo em seus rostos, até que ele sentiu, quase imperceptível um chama de um cosmo terno e bondoso.
Com um movimento de mão fez toda a terra se deslocar pela telecinese e o fez levitar da vala direto para o chão ao seu lado. Com um movimento brusco rompeu a tampa e ela, Yuki, ergueu seu tronco de súbito e respirou aliviada todo o ar que conseguiu, como saindo de um afogamento.
"MU" - foi a primeira palavra que disse quando conseguiu pegar ar - "Meu amor..." - ela chorou soluçando - "Eu... eu quase morri".
Ele também chorou, apenas apertando-a contra seu corpo, feliz. A primeira coisa que disse foi:
"Obrigado Athena".
Lilits estava descansando em um lindo esquife de gelo, entre as ruínas do santuário, em um lugar ao longe. Hyoga a admirava. Todas as suas curvas, todo o seu lindo rosto, chorando um pranto solitário.
"A culpa foi minha. Toda minha. Eu deveria ter ficado no santuário, não deveria ter ido proteger aquela garota".
"Eu sou muito grato a você, Hyoga" - uma voz grossa e máscula falou em suas costas.
"Gratidão. Pela vida da minha mulher. SUA AMIGA, CAMUS".
"Tire-a dai".
"Para que?"
"Para a vida".
"Vá embora e me deixe aqui com ela" - retrucou tocando o esquife - "Ela vai ficar assim, linda para sempre".
"Não Hyoga, ela vai viver junto com você" - ergueu seu punho e gritou com toda a força do seu cosmo - "EXECUÇÃO AURORA".
"PÁRE, CAMUS".
Tarde demais, o esquife tinha sido destruído e corpo de Lilits ao chão com os restos do gelo.
"IMBECIL. PODERIA TÊ-LA DESTRUÍDO".
Foi até o corpo dela e a carregou nos braços e foi com espanto que sentiu que seus músculos tremiam.
"Fri...frio...muito frio".
O loiro não entendeu nada. Apenas, espantado, abraçou-a contra seu corpo e passou a esquentá-la.
"Como?".
"Não sabemos" - disse Camus - "é bom vê-la viva, querida" - abaixou-se ao lado de Hyoga que sustentava a moça e beijou sua testa - "Vai ficar bem".
"Hyoga... porque... fez isso comigo?".
"Você não lembra de nada?".
"Não. Lembro de espectros. Nós vencemos?".
"Sim".
Ela suspirou aliviada.
"Então, por favor, me leve para casa".
Ele a carregou de volta ao seu ninho. Cuidaria dela pelo resto da tarde. Camus voltou para junto dos demais.
Juliane acordou bem longe dali em... um vulcão?
"Onde eu estou? Ai... tá quente".
Ikki estava ao seu lado de olhos fechados, segurando sua mão esquerda, erguendo seu cosmo. Tinha feridas e hematomas em seu corpo, sua armadura a um canto.
"O que está acontecendo? Onde eu estou?".
"Na cratera de um vulcão adormecido".
"Ikki... vamos sair daqui está muito quente".
"Para mim está ótimo".
"O que estamos fazendo aqui?".
"Nos recuperando".
"Você... me salvou... seu filho da puta!" - deu um tapa em seu braço enquanto chorava - "Eu ia derrotá-los se você não tivesse aparecido".
"É claro que ia. Mas, não devia estar me batendo e sim me recompensando".
"Não estou com saúde para fazer sexo!".
"E quem falou nisso?".
"Aposto que pensou" - se levantou - "Vamos ao santuário. Aldebaran, Calisto, Lilits!".
"Estão bem...".
"Como sabe?".
"SABENDO! PÁRE DE REPLICAR".
"Não quer ver Shun?".
Ikki não disse nada e apenas olhou para baixo e depois retrucou:
"É melhor mesmo voltarmos ao santuário, ao menos mais uma vez".
"O que você quer dizer com isso?".
"Nada. Vamos logo".
A amazona de libra estava na enfermaria velando sua perna dolorida e que não conseguia mexer em hipótese alguma. Dohko repousava ao seu lado vendo que Aspasie andava de um lado para o outro cuidando dos outros feridos.
"Está com sede?".
Elena balançou a cabeça negativamente.
"Quer comer alguma coisa?".
Dessa vez não vez movimento algum.
"Páre de olhar com essa cara de cachorro que caiu da mudança" - falou o mestre seriamente
"Você diz isso porque não vai ficar perneta".
"E quem disse que isso vai acontecer com você?".
"E precisa?" - perguntou tirando o lençol de cima da perna retorcida - "Aspasie falou que seria um milagre se não tivesse que amputá-la".
"Não se preocupe com isso. É quase superficial. E você é uma amazona ou um rato?".
"Ninguém vai ligar mais pra mim se não puder me mexer".
"Tolice" - retorquiu sentando-se na cama de vez - "Você é minha discípula agora. Mesmo que não possa mais andar direito isso não é impedimento, pois o que importa é a força do seu cosmo".
"Fale isso para o Shiryu cegueta. E você ainda não falou como está a minha irmã... onde ela está? Porque não está na enfermaria?".
Aspasie ouviu a pergunta e quase deixou cair seus utensílios médicos enquanto cuidava do ferimento de Nana que estava adormecida e em observação.
"Bem... ela está...".
"CHEGANDO" - disse Yume adentrando o lugar acompanhada por Saga que trazia mais uma garota nos braços: Yura - "Não acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos, mas estão vivas".
"O que?" - disse Aspasie agora sim fazendo uma bagunça maior ainda - "Como é possível?".
"Eu já sabia" - disse Dohko calmo - "Pude sentir o cosmo das garotas aumentando ao longe".
"E você não me disse nada seu... seu... velho!" - disse Aspasie revoltada.
"Olha o respeito, menina".
"Ahhh... tragam Yura para aquele leito ali do canto e Saga e Dohko, terão que sair porque agora vou ter que despi-la para tratá-la. Onde ela estava?".
"Na casa de leão" - disse Aiolos aparecendo junto de Aiolia - "Se acreditar em medicina alternativa, posso garantir que foi muito útil".
"Pera aí. Minha irmã estava MORTA?" - gritou Elena saltando do leito e quase caindo do chão - "DOHKO! ME LEVE VÊ-LA AGORA!".
"NÃO! ELA ESTÁ BEM! DEITE AÍ!".
"Isso aqui virou a casa da mãe Joana agora? Vão embora todos vocês e Elena, deite aí e fique quieta".
"Aspasie, quer ajuda com alguma coisa?" - perguntou Aiolos preocupado - "Está cansada, não dormiu a noite toda".
"Está tudo bem. Por favor, leve essa caixa de remédios para Calisto que está cuidando de Amy junto com Meme na casa de Câncer".
"Certo".
"Aspasie, quero ficar aqui com Yura".
"Mais tarde Aiolia, por favor, vá cuidar de sua discípula que também não está em muito melhor forma".
"Não tem problema, eu já a vi e... confio no Máscara da Morte".
"Você bateu a cabeça?" - perguntou Saga brincalhão.
Aiolia tentou sorrir.
"Bah. Desisto. Eu não sei o que Amy viu nele, mas sejam felizes. Desde que não se agarrem dentro da minha casa".
"Vamos saindo agora" - disse Dohko guiando-os - "Elena, não saia daqui. E pode deixar que vou ver como está sua irmã e as outras".
"Quero só ver!".
Os cavaleiros saíram e não demorou nada para Aspasie começar a examinar Yura que estava inconsciente, mas não sangrava mais.
"É incrível. Se não tivesse usando o protetor para o peito teria morrido antes de receber tratamento. Vai demorar para ficar boa e fico preocupada do pulmão ter sido perpassado".
"Não é melhor ela fazer um acompanhamento mais minucioso?" - disse Yume que acabara de chegar ao seu lado - "Eu posso cuidar disso para você".
"Por favor, faça isso. Estou preocupada. Apesar de Aiolia ter usado parte de seu cosmo para restaurar possíveis lesões internas nunca é demais prevenir".
"E Nana?" - disse apontando para a moça que dormia ao lado de outros cavaleiros feridos.
"Não fala coisa com coisa, geme, teve uma lança perpassada no braço e vai levar tempo para se recuperar. Onde está Shun? Ele ainda não veio vê-la".
"Não é culpa dele. Eu o deixei no dormitório se recuperando, ficou tão agitado por causa do estado de saúde dela que dei uma espécie de sedativo natural. Estava muito nervoso, mas quando acordar vai estar em ótima forma".
"Ele se machucou?".
"Sim! A guerra foi dura para os cavaleiros também apesar de não estarem reclamando. É incrível seu poder de regeneração".
"O que será que aconteceu nas doze casas?".
"Ninguém sabe".
"É verdade então? As amazonas estão vivas?".
Yume sorriu aliviada.
"Sim! É um milagre de Athena".
Aspasie sorriu e deixou uma lágrima teimosa rolar sobre sua face
"Obrigada minha amiga, não teria conseguido cuidar de ninguém sem a sua ajuda".
"Essa é minha função, afinal, sou a sacerdotisa da deusa".
"Por favor, não traga mais ninguém para enfermaria. Como vê, não tem mais nenhum leito por aqui".
"Com licença" - disse um homem alto e um pouco ferido entrando pela porta - "Posso ver a minha irmã?".
"Entre Máscara da Morte".
Elena se virou do leito para vê-lo entrar e só conseguiu dizer:
"Tem certeza que eu não morri? Estou vendo o diabo".
"Calada pigmeu estranho".
"Você vai ser só quando eu levantar daqui".
"Ainda bem que está viva e tagarela" - disse desarrumando seus cabelos - "Não vou com sua cara, mas é bonitinha".
"Sai para lá urubu. Eita, você bateu a cabeça é?".
Ele sorriu desdenhoso, passou pelo leito definitivamente e foi até o fim do corredor ver a irmã.
"Teimosa" - murmurou baixinho - "Tudo bem... Cacá está aqui com você agora".
Ela não se mexeu, ele pegou uma cadeira e ficou de costas para as demais, velando o sono da irmã caçula.
"E Amy?".
"Está bem. Graças a Zeus seu rostinho lindo não foi estragado".
"QUE BOM QUE ESTÁ PREOCUPADO COM A SAÚDE DELA" - disse Áspasie sádica.
"Ahh... sim. Isso também. Calisto está lá então passei aqui para ver Nana. Onde está o imbecil do Andrômeda?".
"Desmaiado tentando se recuperar dos ferimentos".
"É bom ele não morrer. Minha irmã ficará muito nervosa se isso acontecer".
"Ele não vai!" - assegurou Yume.
"Podem continuar o trabalho de vocês, eu fico aqui de costas, sem problemas".
"Certo, qualquer reação que ela apresentar por favor, nos avise".
"Aspasie, vou sair para ajudar a cuidar dos outros ok?".
"Volte depois Yume, por favor".
"Sim" - e saiu.
Verdade seja dita de que Shion não acreditava totalmente na integridade da promessa da deusa Perséfone. Deixou Athena em seus aposentos ao lado de um Seiya preocupado que não conseguia dizer nada para confortar um pouco mais sua mulher.
Sozinho e temeroso o mestre do santuário voltou para sua casa, onde encontrou tudo em silêncio e devagar seguiu pelo corredor até chegar em seu quarto.
Onde estava Lolly? Seu corpo inerte devia estar na cama onde tinha deixado na última hora. Saiu do lugar e com estrondo foi procurando por todos os aposentos do salão do mestre até encontrá-la...
"SHION!" - ela gritou de prazer erguendo-se da banheira de espuma e pulando em seus braços na porta - "Onde você estava seu negligente?".
Ele não acreditou no que estava acontecendo. Então era verdade, milagres existiam.
"Lolly... você...".
"Estou te molhando é... eu sei... desculpe" - soltou-se dele e voltou-se para a banheira - "A água está fria!".
Ele riu e se aproximou da banheira, ficando ao seu lado.
"Você... me perdoa?".
"Não tenho o que perdoar" - respondeu derramando uma lágrima - "Que bom que está vivo".
"É" - retribuiu sorridente e dando um suspiro penoso e aliviado - "Quero pedir uma coisa...".
"Será que cabemos os dois nessa banheira?" - disse tentando rir - "Não. Ainda tô com uns hematomas muito feios e não quero que você me veja assim!"
Ele fingiu não ouvir e beijou sua boca com volúpia, por fim disse:
"Gostaria de se casar comigo?".
Continua...
N/A:
Tá acabando a fic. E tá acabando 2008! *confetes* Quase quatro anos depois eu vou por fim a essa fic, mas que maravilha. Bem, vou sentir saudades, mas ainda tem algumas coisas que eu quero acertar direitinho.Espero que estejam gostando e obrigada pelo apoio dos novos leitores.
Até a próxima.
Feliz Ano Novo com muita paz, amor, alegria e saúde a todos vocês.
Beijos.
