Boa leitura!!
Guerra Mutante – quarta parte
O helicóptero já estava a postos com o loirinho ligando os comandos. Logo Wufei e Trowa surgiram, seguidos por Heero, Duo, Júlia e Dr. Merry.
- Área liberada?
- Sim, vamos indo. – respondeu o chinês.
Todos entraram no helicóptero. Merry encarava tudo com um olhar curioso, perdido até. A morena o observava de esguelha. O silêncio imperava dentro do veículo, todos preocupados em sair de lá sem troca de tiros.
- O que foi? – disse Duo, tocando o braço da jovem.
- Nada. – ela preferiu não falar em voz alta.
"-Tem algo de errado com ele."
O americano arregalou os olhos por um instante. E então franziu o cenho, olhando pra ela.
"- Consegue ler o que eu estou pensando?"
"- Como se estivesse falando comigo. Disfarce."
Duo olhou para frente, seus dedos passando pela placa de metal na nuca inconscientemente.
"- Porque acha que tem algo errado?"
"-Não consigo captar os pensamentos dele."
"- Como assim?"
"- Ou ele teve um treinamento para isso, o que eu acho pouco provável, ou...ele não é o Dr, Merry."
"- Acha que é uma sósia? Mas só havia ele no laboratório."
"- Não sei. Mas devemos ficar de olho nele, por precaução."
Abriu os olhos. Onde estava? Levantou-se e olhou a sua volta. Era um quarto mobiliado com móveis escuros.
Levantou-se da cama e foi andando até a porta, abrindo-a. Andou pelo corredor, descendo as escadas, decidindo virar a direita. Entrou numa sala, uma espécie de escritório. Vários livros adornavam a estante de mogno e um laptop fechado e desligado encontrava-se na mesa. Sorriu levemente e sentou-se na cadeira em frente à mesa, abrindo laptop e ligando.
Após quase meia hora de digitações, descobriu coisas no mínimo interessantes. Agora sabia que tinha informação suficiente para agir. Era questão de tempo e o plano poderia ser posto em prática.
Levantando-se da cadeira, saiu do escritório e se dirigiu até a sala, vendo que a casa parecia estar vazia no momento, exceto por um barulho vindo da cozinha. Dirigiu-se até lá e viu Quatre preparando um lanche. Ele se virou de repente e quase pulou de susto.
- Trowa! Não fica surgindo silenciosamente atrás de mim assim! – o árabe sorriu carinhosamente – Chegou faz muito tempo?
- Acabei de chegar. Está sozinho? – disse o moreno, cruzando os braços e encostando-se no batente.
- Ahan, é o meu turno de cuidar do Dr. Merry. Sabe, desde que nós os resgatamos ele praticamente desmaiou. Devem ter colocado algo no corpo dele naquele laboratório.
- Provavelmente. – disse e franziu o cenho, como que pensativo – Alguma idéia do que seja?
- Pode ser qualquer coisa, qualquer droga para que ele aos poucos não quisesse mais fugir. Quem sabe? – deu de ombros – Heero e Duo foram investigar sobre isso.
Trowa se aproximou e então o abraçou por trás, lentamente.
- O que está fazendo?
- Um lanche. E um para o doutor, caso ele acorde.
- Se importa se eu beliscar o seu lanche?
- Sabe que não. – disse rindo – Vem, vamos comer na varanda.
- Claro. – sorriu largamente.
- Não sei o que é, só digo que tem algo estranho. – comentou Júlia ao chinês, enquanto caminhavam de volta ao esconderijo.
- Captou algo diferente por um acaso? – disse Wufei sarcástico.
A morena apenas encarou-o e disse um palavrão em francês.
- É, você também. – replicou o outro sem perder um segundo.
- Já voltaram pombinhos? – exclamou o americano abraçando ambos, passando os braços por seus pescoços. Heero vinha logo atrás.
- Vejo que vocês também...pombinhos. – disse Júlia e Wufei não se conteve, rindo da cor vermelha que adornou o rosto de Duo.
- Algum progresso? – comentou o japonês parando ao lado da jovem, sem comentar nada sobre o que ela dissera.
- Nada de muito animador. Mas eu acho que... – ela parou na mesma hora, arregalando os olhos.
- O que foi? – perguntou Duo ao vê-la com aquela expressão.
Ela franziu o cenho e apressou o passo, os outros a seguindo. Eles logo chegaram na área onde o esconderijo ficava, vendo Trowa e Quatre sentados juntos na varanda. Ela gritou.
- Quatre se afaste!!!
Tudo ocorreu em segundos. Trowa num movimento rápido pegou a faca que usavam e prendeu o loirinho na sua frente, colocando a lâmina na garganta. O árabe arregalou os olhos, assim como os outros.
- Trowa o que...
- Ele não é o Trowa!! – disse Júlia, se aproximando cautelosa.
- Não sei como descobriu, mas lhe dou os parabéns garota...foi mais esperta que o loirinho aqui. – a voz era do moreno, mas o tom totalmente frio e desdenhoso.
- É um mutante não é? – disse cautelosa, os quatro se aproximando lentamente da varanda, tentando analisar a melhor maneira de tirar Quatre dos braços daquele falso Trowa.
- Isso significa que você também é, estou certa? – respondeu de volta – Ridículo...uma mutante ajudando esses humanos insignificantes. Realmente o mundo mudou para pior.
- O que você quer? – perguntou Duo – Solte o Quatre.
- Acha que vou soltá-lo tão fácil assim? Ele será minha garantia de saída daqui.
Um tiro, vindo da floresta, acertou por pouco o moreno, mas mesmo assim ele não largou do árabe. Trowa apareceu entre as árvores, apontando a arma para ele.
- Largue-o.
- Ora, o verdadeiro! – disse o falso Trowa, rindo – Talvez eu possa me revelar agora.
Todos assistiram quando o rosto de Trowa foi sumindo, como que descamando. O que surgiu no lugar foi o rosto de uma mulher, que tinha a pele azul e cheia de escamas. As mechas ruivas, laranja, brilhavam ao sol de fim de tarde as íris douradas o encararam com ódio.
- Humanos...todos iguais. – sentia a surpresa por parte deles e odiava isso.
- Mística. – disse de repente Júlia, fazendo todos se virarem para ela.
- Então sabe meu nome? – sorriu desdenhosa.
- Eu li sobre você. Um mutante membro da irmandade de Eric Lensher, que tinha como objetivo destruir todos os humanos.
- Não fale sobre ele dessa maneira, você não tem esse direito! – disse com ódio na voz, apertando mais a fava contra o pescoço do loirinho – Já que escolheu viver com esses humanos odiosos, deve morrer como eles.
Num movimento fluido acertou a nuca de Quatre, fazendo-o desmaiar. Pegou-o nas costas, dando um pulando e pendurando-se na calha da casa, seu pé atirando a faca na direção de Trowa. Júlia parou o movimento da faca na hora e viu quando ela aproveitou o momento de distração e sumira pelo telhado com o outro.
- Quatre!! – gritou Júlia entrando na varanda e começando a subir pela calha com agilidade, atrás dela.
- Trowa, Wufei, ajudem ela. Duo, vamos cerca-la por trás. – disse Heero num tom frio e autoritário.
- Certo. – concordaram os três, nem ousando desobedece-lo. Era o soldado perfeito quem estava ali.
Eles rapidamente se espalharam pela casa, o americano e o japonês seguindo pela borda da casa, se infiltrando na floresta. Eles retiraram a arma da cintura, desengatilhando.
Mística chegou ao outro lado da casa e deu um sorriso triunfante quando viu o helicóptero que os trouxera lá noites atrás.
- Perfeito.
- Parada aí! – gritou a morena.
A mutante olhou para Júlia e mostrou o dedo do meio, pulando do telhado, caindo em pé perfeitamente no chão, ainda carregando Quatre. Júlia foi atrás dela, pulando do telhado também, e caindo de joelhos no chão, mas erguendo-se e seguindo até ela.
Mística entrou no helicóptero e logo o ligou, o movimento forte das hélices fazendo uma pequena nuvem de poeira erguer-se do chão. A morena parou diante do veículo.
- Ah, você não vai sair daqui!
Ela ergueu as duas mãos e como uma força magnética, o helicóptero começou a descer. A ruiva tentou ergue-lo, mas o choque de forças estava fazendo com que ela perdesse o controle do veículo aos poucos.
Wufei e Trowa chegaram nessa hora e arregalaram os olhos quando viram uma fina linha laranja contornar o corpo da jovem.
- Júlia, cuidado, Quatre está lá dentro! – gritou o moreno.
Isso fez a morena arregalar os olhos e por um momento seu poder sobre o helicóptero se perdeu, fazendo com que Mística aproveitasse e o ergue-se rapidamente, logo saindo dali. Júlia caiu no chão, ofegante, assustada com a energia, com o poder que sentira fluir dentro de si naquele momento.
- Você está bem? – disse o chinês ajoelhando-se ao seu lado, colocando a mão em seu ombro.
- Não! – deu um safanão na mão dele, encarando-o com seus olhos coloridos – Ela o levou! Nós temos que descobrir onde ela foi, antes que...antes que...
- Ela não vai mata-lo. – quem dissera foi Heero, chegando com Duo – Ele é a garantia que não farão mal a ela e vai se aproveitar disso.
Júlia se levantou, encarando-o, raivosa.
- Como pode falar assim de Quatre?!
- Ele tem razão. – Trowa disse, calmamente – Eu, melhor que ninguém, sei o que se passa na sua cabeça, mas agora temos que manter a calma e acha-los.
- Não. – seus olhos, por segundos ficaram negros – Você não faz idéia do que se passa na minha cabeça.
A morena deu meia volta e adentrou na casa, indo para o escritório. Iria contatar o Dr. J, e isso seria agora. Tinhas suspeitas fortes de que não era só Mística quem sobrevivera e se isso fosse verdade, teriam problemas sérios. E teriam que contar com toda ajuda possível que pudessem arrumar.
Fim da quarta parte
Prometo tentar escrever o próximo capítulo mais rápido. xD Reviews são bem-vindas.
Mystik
