Guerra Mutante – quinta parte

Júlia abriu a porta com força, sentindo a madeira bater contra a parede. Ela seguiu em passos decididos até o escritório, os ex-pilotos Gundam atrás dela.

- O que pensa que pode fazer? – exclamou Wufei, quebrando o silêncio que se instalara.

- Se vamos atrás vo Quatre, precisamos de ajuda. – respondeu a morena, suscinta.

- Como assim, nós só precisamos descobrir o local para onde ela vai leva-lo. – disse Duo, colocando a mão no braço dela.

Júlia riu, mas era uma risada irônica.

- Você não entende, não é? Mística era o último mutante que nós deveríamos ter problemas. Ela consegue se transformar em qualquer pessoa ou objeto e com isso ela pode sumir no universo, em qualquer lugar. – ela suspirou – Além disso...eu tenho uma suspeita desde o começo dessa missão.

- Suspeita?

- Sim. Se o Dr. Merry estava pesquisando sobre os mutantes naquele laboratório, com cobaias vivas como a Mística... – ela chegou no escritório e abriu o laptop, já contactando o Dr. J – Pode significar que mais mutantes foram preservados da época de antes da colonização.

- E como você pode provar isso? – perguntou Heero, cruzando os braços.

- Para isso eu preciso falar com o Dr. J primeiro. – ela sorriu – Apenas aguardem.


Ela ajeitou os óculos enquanto digitava rapidamente no laptop, vez ou outra lançando seu olhar para o loiro amarrado e desacordado na cama. Sorriu calmamente, voltando a pesquisa a sua frente.

Depois de fugir daquele esconderijo, ela tratara de esconder o helicóptero em algum lugar seguro e levar o loirinho consigo. Não fora difícil se transformar em uma executiva e conseguir um quarto no hotel mais bem protegido da cidade. Assim que foi deixada a sós, ela conseguiu remédios suficientes para deixar Quatre fora de ação por ora. É, ela ainda tinha todas as cartas na manga para sobreviver.

A pequena pesquisa que fizera no esconderijo só atiçara sua curiosidade em saber mais sobre a Neo Oz e o seu líder, o porque dele ter mutantes como ela em seu poder. Na verdade não fora tão complicado descobrir; ainda estava para ser criado algum sistema que pudesse bloquear seu acesso, mesmo com tantos avanços tecnológicos. Humanos.

Após horas de pesquisa, ela descobriu uma coisa muito interessante e seus lábios avermelhados se curvaram num sorriso maldoso. Era perfeito demais para ser verdade. Ela levantou-se da cadeira e foi até o telefone do quarto de hotel, ligando para a recepcionista.

- Marian, em que posso ajuda-la?

- Eu gostaria de ligar para o número 555-9732.

- Um momento, por favor.

Após alguns minutos, a ligação fora atendida.

- Quem fala?

- Eu quero falar com Lance Alvers. É um assunto de interesse dele e da Neo Oz.

A linha ficou muda por alguns segundos.

- Como quiser. – respondeu o soldado da outra linha.

Ela sorriu. Minutos depois uma voz grossa atendeu.

- Como conseguiu esse número?

- Há quanto tempo...Avalanche.

- ...Mística?

- Só mesmo você para nos ter preservado todo esse tempo.

- Mas como você saiu do resfriamento? Quando? Eu não fui notificado de nada!

- Seus soldados são mais incompetentes do que eu imaginava. Desde quando você trabalha com humanos?

- Desde quando eu recuperei seus corpos. Você poderia ser um pouco mais agradecida, sabia?

A ruiva riu, sarcástica.

- Posso ficar agradecida com você em tempo.

Lance riu.

- Vai ficar agradecida comigo se eu disser que Eric está vivo?

Uma pausa.

- Precisamos nos encontrar.

- Sabia que diria isso. Quando consegue chegar na colônica L3?

- Dois dias. Tenho um refém comigo.

- Nossa, o que aconteceu com você?

- Conversaremos mais quando estivermos cara a cara.

- Te espero então.

Mística desligou o aparelho e logo voltou ao laptop, entrando no sistema do hotel e apagando o registro da ligação.


As horas passaram rapidamente, e logo já era quase três da madrugada. Júlia estava digitando algo incessantemente, revezando com Heero, depois de lhe contar seu plano.

Se Mística tinha sobrevivido, sua hipótese era que outros mutantes, do lado oposto da guerra, tinham sobrevivido também. E ela estava disposta a encontra-los, de qualquer maneira.

O Dr. J ajudava no que podia, repassando as informações que tinha ao seu alcance enquanto os outros pilotos se preparavam para deixar o esconderijo, pois logo abandonariam o local.

- Meus olhos doem. – sussurrou Júlia, esfregando um deles – Como você consegue aguentar Heero?

- Fui treinado para isso. – respondeu, sem tirar os olhos do laptop. Eles estavam sozinhos no escritório.

- Sim, mas já se passaram dez anos desde a última guerra.

- Certas coisas não se esquecem.

A morena riu.

- É, certamente que não. – ela suspirou – Você sabe que eu consigo ler sua mente, mesmo que sem querer né?

- E...?

- Você não vai mesmo contar sobre seus sentimentos para o Duo?

O japonês parou de digitar. Ele virou-se na cadeira e encarou-a, seus olhos azul cobalto faíscando. Ela encarou-o de volta, sem hesitar. Por fim, ele desviou o olhar, erguendos as íris para o teto.

- Isso não é da sua conta.

- Se eu dissesse que o sentimento é recíproco você faria algo a respeito?

Heero na hora voltou a encara-la. A morena sorriu, dando de ombros.

- Não tenho cem por cento de certeza, mas sinto uma grande angústia dele quando você está por perto, fora os pensamentos de que ele queria te contar algo.

- E você já deduziu que ele... – o mais velho suspirou - ...me ama?

- Você não vai saber se não...

Nesse momento o laptop apitou. Os dois voltaram o olhar para a máquina. Heero abriu o arquivo enviado e uma pasta com várias fotos foi aberta, assim como uma planta de uma instalação militar abaixo do solo.

Júlia ergueu-se e saiu do escritório correndo, indo até a sala de estar, parando no batente. Os três ex-pilotos Gundam pararam o que faziam ao vê-la chegar.

- Encontraram alguma coisa? – perguntou Trowa.

- Sim. – ela sorriu largamente – Precisamos de uma nave.

- Para onde vamos? – inquiriu Duo.

- Para o lago Alkalai, no antigo território do Canadá.

Fim da quinta parte