Guerra mutante – sétima parte
Duo girava a cadeira lentamente, seus olhos encarando o teto da nave, pensativos. Ele não estava totalmente alheio aos fatos ao seu redor, longe disso; seus instintos poderiam decifrar com clareza cada botão e cada função daquele painel de controle e ele poderia indicar de olhos fechados onde Heero se localizava apenas pela respiração pausada que sempre caracaterizara o japonês.
Heero.
O americano suspirou, fechando os olhos. Já fazia quase vinte minutos que Júlia entrara com Trowa e Wufei na estação abandonada e até agora nada. Nenhum contato.
- Acha que eles estão bem? – perguntou depois de todo aquele silêncio.
- Eles provavelmente estão melhor que a gente.
Duo girou sua cadeira, encontrando o japonês, que lia algum livro aleatório. Ele arqueou a sobrancelha.
- Você fazendo piadinhas? My God, dez anos mudam muita coisa mesmo.
Heero ergueu a cabeça do livro, encarando-o e Duo ficou surpreso ao ver humor naquelas íris azul-cobalto.
- Você não faz idéia. – o japonês fechou o livro que nem estava prestando atenção – Poderíamos começar pelo seu cabelo.
Duo riu, girando a cadeira novamente.
- Acredite, não foi uma mudança que eu quis fazer.
- Por você, hoje eles chegariam no seu joelho não?
O americano deu de ombros.
- Provavelmente.
Eles ficaram em silêncio novamente. Duo deu mais um giro na cadeira, parando-a de frente com Heero. Ele mordeu o lábio inferior, debatendo algo em sua mente, remoendo as palavras que Júlia lhe dissera.
- Você já terminou de queimar o seu cerébro e vai me perguntar o que quer que você queira perguntar?
Duo arregalou os olhos antes de começar a rir.
- Eu me esqueci dessa sua irritante mania de querer ser telepata.
- A pergunta?
O americano suspirou.
- Well, eu já ganhei um murro por muito menos então lá vai: você e Relena estavam juntos, não estavam?
Duo quase esperou o murro com os olhos fechados. Mas, para sua surpresa, Heero sorriu, um gesto quae melancólico e solitário.
- Aposto que muita gente apenas pensou que as coisas fossem assim não é?
Duo abriu e fechou a boca, sem saber o que dizer. Ele observou enquanto era Heero quem agora girava a cadeira, encarando o teto. Ele parecia nostalgicamente pensativo.
- Por incrível que pareça ela foi uma amiga única. Sabia até do meu maior segredo. – ele deu de ombros – Sempre soube que ela queria mais que isso. Mas ela...respeitou meu espaço.
- Relena respeitou seu espaço? Essa é nova hein?
O japonês arqueou a sobrancelha.
- Porque tem uma opinião tão ruim dela?
O americano cruzou os braços, não encarando o outro, dando de ombros. 'Porque ela te teve todo esse tempo. Porque você preferiu ficar com ela do que comigo, mesmo que você não soubesse como me sinto.', passou pela cabeça de Duo, mas ele ficou calado.
- E então?
Duo apertou ainda mais os braços em volta de si, seu pé direito batendo nervoso contra o chão.
- Porque sim Heero.
- Nossa, Duo Maxwell sem uma justificativa? Achei que não estaria vivo para ver uma coisa dessas acontecer um dia.
- O sarcasmo não lhe cai bem Heero.
- Nem a birra em você.
- Eu não estou fazendo birra.
- Você poderia me enganar.
Num rompante Duo levantou-se e bateu de frente com Heero, seu dedo indicador encostando e empurrando o japonês contra a cadeira.
- Acha que sabe tudo não é senhor soldado perfeito? Você não mudou nada, dez anos só te fizeram ser ainda mais arrogante, jerk!
Num movimento, Herro segurou-o pelo pulso.
- Você é quem não faz idéia Duo.
E antes que o americano pudesse responder, o japonês puxou-o ainda mais, fazendo cair em seu colo, antes de beija-lo. Duo ofegou dentro do beijo antes de puxa-lo pela blusa, se acomodando mais no colo do outro, aprofundando o beijo.
Os movimentos foram ficando cada vez mais frenéticos e afobados. Heero abriu a camisa de Duo de qualquer jeito, ouvindo os botões caírem ao redor deles no chão. Ele puxou-o pela bunda, grudando seus baixo-ventres de forma rude. O americano gemeu e mordeu aquela boca carnuda, suas mãos adentrando a camiseta de Heero, arranhando seus ombros. Logo ele desceu as mãos até a calça de Heero, abrindo o botão, sem demora enfiando sua mão dentro dela.
O japonês gemeu em surpresa antes de puxa-lo ainda mais perto, abrindo a calça de Duo também, logo fechando sua mão em volta do membro semi-rígido, sentindo-o pulsar em seus dedos.
- Heero... – a voz saiu estrangulada, entrecortada por beijos longos e quentes.
Eles começaram a masturbar um ao outro de forma rápida e quase desesperada, inconscientemente tentando compensar pelos dez anos perdidos. A mão livre de Heero segurava Duo em seu colo por uma das nádegas enquanto a mão livre de Duo se apoiava no ombro de Heero. Eles se beijavam longamente, suas línguas se entrelaçando de mesmo modo que seus dedos, suas ereções roçando constantemente uma na outra conforme eles se movimentavam naquela sensual dança.
A mão de Heero subiu pela coluna do americano até segura-lo pela nuca, puxando-o pelas pontas dos cabelos, sentindo a frieza da placa de metal lá. Ele terminou o beijo, movimentando sua mão mais rápido e mais forte. Seus lábios começaram a mordiscar seu queixo, logo indo até sua orelha.
- Você precisa deixar seu cabelo voltar a crescer.
Apenas aquela frase fez o corpo todo de Duo tremer, milhões de imagens invadindo sua mente, uma mais pornográfica que a outra. Ele arqueou as costas, apertando o membro em suas mãos.
- Vai querer puxar meus cabelos quando estiver bem fundo em mim Heero? – murmurou contra a pele dele, rouco.
Ambos tremeram com a força das sensações e aquela pequena frase fez o japonês retesar-se na cadeira e logo em seguida gozar abundantemente, sujando a roupa de ambos. Duo seguiu-o, apertando os dedos contra o ombro de Heero. Ambos ofegaram na boca um do outro enquanto a euforia do orgasmo se dissipava aos poucos.
Duo sorriu de encontro aos lábios de Heero, seu corpo se mexendo langorosamente contra o colo dele.
- Wow.
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- Há quanto tempo você está aqui embaixo?
Logan mal olhou para eles, seguindo em frente.
- Desde o começo da colonização.
Trowa e Wufei arregalaram os olhos.
- Isso é impossível.
O homem riu.
- Você notou que suas balas não me mataram certo? Eu só tenho essa aparência, mas meu nascimento... – ele franziu o cenho – O pouco que lembro dele, é no começo do século vinte antes da colonização.
Júlia assobiou, impressionada. Quando o chinês a encarou, ela apenas deu de ombros.
- É quase bom ter alguém que seja mais estranho que você, pra variar.
Logan riu baixo, seus lábios curvando levemente. Eles logo alcançaram uma porta de ferro, na qual o mutante facilmente abriu, dando espaço para eles entraram. Após todos passarem, Logan fechou a porta atrás de si, se dirigindo ao imenso computador instalado em uma das paredes.
- Parece...antigo. – comentou Júlia, mordendo os lábios.
- Tem certeza que iremos conseguir mexer nisso? – murmura Wufei.
- Muito obsoleto pra vocês? – considera Logan, cruzando os braços.
Trowa se aproximou, colocando a arma no coldre e estralando os dedos. Ele apertou um dos botões e logo luzes azuladas invadiram o local, revelando uma fileira de câmaras frias.
- Eu mexia muito com processadores antigos na L03. – informou apenas Trowa.
Júlia se afastou deles, indo em direção as câmaras, observando os corpos dentro de cada uma. Ela tocou no vidro gelado de uma das câmaras, limpando a condensação com a manga da blusa, observando o homem dentro. Ele parecia ter cinqüenta anos ou mais e seu rosto estava sereno, imóvel.
- Ele se chama Charles Xavier.
A jovem voltou seu olhar para Logan, que estava atrás dela, de braços cruzados. Ela pegou a ponta dos cabelos, torcendo entre os dedos.
- Que foi?
- Você me lembra alguém. – ele se aproximou – Seus poderes me lembram alguém.
Júlia arqueou a sobrancelha.
- Quem?
- O nome dela era Jean Grey.
- E o que houve com ela? – perguntou Júlia, voltando o olhar para Xavier, analisando-o novamente – Afinal, duvido que o exército original tinha tão poucos mutantes.
- Não pense em nós como exército. Acho que era mais uma...milícia.
A morena riu.
- Desculpa, mentalidade de soldado.
- Quando foi que entrou no exército? Você mal tem idade para beber.
- Na verdade não tenho mesmo, com apenas 18 anos. – ela sorriu, dando de ombros – Mas isso nunca me impediu.
- Aposto que muitos detalhes nunca te impediram. – comentou Wufei, parando ao lado deles.
- Como está o Trowa?
- Por fora está muito bem, eficiente como sempre. – ele olhou de esguelha para o moreno mexendo nos computadores antigos – Por dentro...ele está se segurando para não assassinar o primeiro que cruzar sua frente.
- O que aconteceu antes de vocês virem aqui? – perguntou Logan.
- Quatre foi seqüestrado, abduzido, que seja, pela Mística. – ela olhou para o mutante – Mais como uma garantia do que qualquer outra coisa.
- Quatre?
- O marido dele. – respondeu Wufei, agora analisando os corpos nas câmaras também.
Logan apenas arqueou a sobrancelha antes de falar.
- Nós devemos agir o mais rápido possível, pois Mística foi o pior mutante possível que poderia ser descongelado.
De repente um som baixo de motores sendo ligados foi ouvido e as câmaras começaram a se abrir lentamente. Trowa se aproximou, sua face neutra como sempre.
- Eles vão precisar de algo para aquece-los.
Logan apenas acenou afirmativamente com a cabeça, logo saindo por uma porta lateral. Júlia se aproximou, segurando Xavier pelos ombros, apoiando-o até que ele se sentasse no chão, seu corpo molhado pelo gelo derretido. O homem abriu os olhos, piscando lentamente.
- Olá...bem vindo de volta ao mundo dos vivos. – disse Júlia com um sorriso.
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A câmara fria se abriu a Mística, junto a Avalanche se aproximaram, pegando o corpo do homem antes que ele caísse ao chão. Eles o carregaram até a cadeira próxima, fazendo-o sentar lá, a mulher logo jogando um cobertor nos ombros dele. O homem piscava lentamente, tentando se acostumar a ter visão após anos sem nada. Mística ajoelhou-se em frente a ele, suas íris amarelas com profundo respeito e carinho.
- Bem-vindo de volta Eric.
Eric Lensher, também conhecido como Magneto, ergueu os olhos azuis, encarando a mutante a sua frente.
- Creio que tenho muitas informações para absorver. – sua voz saiu rouca e falha.
- Teremos tempo para isso. – informou Avalache, entrando em seu campo de visão – E o local adequado.
Mística ajudou Magneto a se levantar e logo eles abandonaram a sala onde os últimos mutantes haviam sido congelados. Eles entraram num helicóptero pertencente à Neo OZ e logo partiram do complexo militar. Ao longo da viagem, Mística forneceu todas as informações relevantes a Magneto, inclusive da sua 'garantia'. O mutante sorria conforme ouvi todas as informações atentamente, um plano de ação já se formando em sua mente.
Era hora de mostrar ao universo quem mandava.
Fim da sétima parte
