O Diário
III
Eu não sou um brinquedo!
Grécia, dia: 16/12
Faltam quatro dias para eu encontrar meu admirador. Agora são sete horas da manhã e eu não preciso trabalhar em outros assuntos, já que Hyoga está tendo aulas teóricas. Eu preciso ir ver algumas documentações de Saori Kido com o grande mestre.
Estou tão ansioso. Ansiedade é algo aterrorizante.
P.S: meus chocolates acabaram.
Camus guardou o diário embaixo da cama e saiu do quarto, pronto para mais um dia no santuário. Ao invés de descer as escadarias, Camus começou a subi-las, passando pela casa de peixes que estava vazia, indo até a casa do grande mestre.
Com passos lentos e receosos, Camus começou a procurar o grande mestre a fim de saber quais seriam suas obrigações. Ele parou no meio do salão e ficou em silêncio, esperando que fosse recebido.
- Bom dia, Camus.
- Bom dia, Shion – disse, olhando nos olhos do grande mestre.
- Eu gostaria de saber se você está com o tempo livre para cuidar da documentação de alguns bens da nossa Deusa – disse.
- Sim, estou livre. Está tendo algum problema? – indagou.
- Algumas pessoas desagradáveis estão querendo tomar os bens de Athena, alegando que ela não tem idade suficiente para cuidar do legado Kido – disse, exibindo uma face cansada.
- Eu cuidarei disso – disse – apenas preciso de toda documentação necessária.
- Obrigado, Camus. Felizmente nem todos os cavaleiros daqui possuem somente músculos, você é inteligente – disse, fazendo Camus abrir um lindo sorriso, sentindo-se feliz com o elogio
Shion começou a caminhar para os cômodos internos daquela casa, que era duas vezes maior que qualquer casa zodiacal. Eles passaram por estreito corredor de pedras, onde no final havia uma porta de madeira, que dava entrada para um amplo escritório.
Camus adentrou, olhando para aquele lugar que já lhe era familiar, ele ficou observando Shion pegar uma pasta recheada de documentos e a colocar em cima da mesa de madeira que estava bastante bagunçada.
- Perdão pela bagunça, Camus. Mas estou sem tempo ultimamente – disse, com seu tom sério e imponente de sempre. Shion era sempre superior, nunca perdia sua pose em nenhum momento, qualquer palavra sempre tinha um grande peso quando era proferida por ele.
- Sem problema. Afinal o santuário estava um caos, quando foi deixado em suas mãos – disse, andando até a mesa, a fim de ajudar Shion a recolher alguns papéis.
- Faz pouco tempo que aquilo aconteceu. Muitos cavaleiros novos estão chegando, os antigos estão rebeldes e desobedecem a algumas regras e Athena está muito debilitada ultimamente – disse, enquanto arrumava os papéis dentro de uma pasta amarela.
- Os novos guerreiros estão sendo bem treinados por Máscara da Morte e Shura. E os outros estão tratando de repassar as novas regras para os cavaleiros de prata e bronze – Camus disse – aos poucos as coisas vão se estruturando.
- Sim, tem razão. Eu agradeço sua ajuda, Camus – disse, entregando um punhado de folhas para Camus.
As ordens de Shion foram claras, quando ele terminou de falar o que queria, saiu do escritório deixando Camus trabalhar sossegado. O francês sentou-se na mesa, retirou suas sandálias e sentou na poltrona de veludo, deixando suas pernas em cima da poltrona. Ele pegou alguns papéis, observando-os com atenção, vendo o grande problema que estava acontecendo.
Camus soltou um longo suspiro e começou a analisar a papelada, pegando o telefone que estava em cima da mesa, começando a fazer ligações para os advogados de Saori Kido, começando a passar a situação.
As horas foram passando. Aquele escritório não havia janelas, apenas um ar condicionado era responsável pela ventilação. Camus não sabia que horas eram, e não fazia idéia de como estava o tempo lá fora, ele estava completamente desligado do mundo.
A porta do escritório abriu de repente, era um empregado que veio até Camus, que parou com o que fazia para lhe dar atenção.
- Senhor, o grande mestre está chamando – avisou.
- Avise que eu já vou – disse, voltando a ler um documento que lhe parecia ser bastante interessante, e sem perceber o tempo passou e Camus acabou esquecendo de ir ver o que Shion queria.
A porta do escritório abriu novamente e desta vez era Shion, que parecia estar impaciente. Ele aproximou-se da mesa, onde Camus o estava olhando seriamente.
- Não recebeu meu recado? – indagou.
- Ah! Esqueci! – disse, abrindo sua boca por um instante e arregalando seus olhos. Shion surpreendeu-se com a expressão de Camus. Desde quando aquário estava tão expressivo? Não sabia, mas gostou de vê-lo desse jeito.
- São seis horas, Camus – disse, vendo que Camus acabou mostrando outra expressão surpresa.
- Ah, quanto tempo fiquei aqui! – exclamou, passando a mão por seu rosto, fechando os olhos e sentindo uma leve tontura. Ele não havia comido nada o dia inteiro e sentia-se tonto por ter ficado horas e horas lendo.
- Você está muito cansado, está liberado por hoje – disse.
- Estou esperando um telefonema. Perdão, Shion. O que queria me falar comigo?
- Eu lhe chamei para tomar um café da tarde comigo. Aceitaria? Afinal eu irei tomá-lo agora.
- Eu adoraria, mas tenho que esperar o telefonema do...
Antes que Camus terminasse de falar o telefone começou a tocar, o francês atendeu rapidamente, começando a conversar com um dos advogados de Saori, falando sobre algumas coisas que ele achou importante informar.
Shion apenas observou a facilidade que Camus tinha para falar de negócios. Se ele não fosse um cavaleiro, com certeza seria um empresário muito bem sucedido. Shion sentou-se numa poltrona, encostando-se e fechando os olhos, esperando que Camus terminasse a ligação que durou por mais quinze minutos, até que o francês finalmente desligou.
- Pronto? – indagou Shion.
- Sim. Perdão – disse, arrumando os papéis, colocando-o em ordem e os guardando dentro de uma gaveta. Ele olhou para Shion que já estava de pé, caminhando até a porta, Camus o seguiu em silêncio, andando atrás de Shion até a sala de jantar.
Chegando no local, uma grande mesa estava recheada com o mais variados tipos de pães, bolos, tortas, sucos, frutas e frios. Shion sentou-se na ponta da mesa e Camus, sentou-se numa cadeira próxima de Shion.
Os olhos de Camus receberam um brilho especial quando ele viu o bolo de chocolate. Seu corpo estava necessitando de açúcar e não sabia o motivo para querer comer doce a todo minuto. Shion apenas observava o brilho no olhar de Camus, tentando imaginar o que se passava na sua cabeça.
- E como estão as coisas? – Shion indagou, começando a se servir.
- Complicadas, mas não será difícil resolver. Apenas levará um certo tempo – disse, olhando para Shion se servir.
- Sem cerimônias, Camus. Sirva-se logo – disse, impaciente. Às vezes tinha vontade de deixar de ser o grande mestre para livrar-se das pequenas futilidades que envolviam seu dia-a-dia.
O francês ouviu, mas mesmo assim esperou Shion se servir, para depois começar a pegar o que lhe interessava. Os dois ficaram conversando, enquanto comiam.
- Soube que está saindo mais com os cavaleiros, ultimamente – comentou.
- Sim, eu pensei em interagir com ele – disse, com um olhar cabisbaixo.
- Está se saindo bem? – indagou.
- Não muito – disse.
- Por que?
- Nada demais – disse secamente, não estava a fim de compartilhar seus sentimentos com Shion, mesmo que tenha criado uma amizade com ele no inferno de Hades.
Shion ficou em silêncio ao receber a última resposta de Camus, ele conhecia bem o cavaleiro para saber quando ele estava perdendo a paciência e não ia contrariá-lo. Quando terminaram o café da tarde, Camus agradeceu gentilmente e foi embora, despedindo-se de Shion com um aceno na cabeça.
Um vento quente passou pelo corpo de Camus, fazendo-se se sentir bem. Afinal havia ficado o dia inteiro naquele lugar. Ele não agüentava ficar tanto tempo lendo, anotando e falando sobre assuntos tão enfadonho com outros advogados.
Quando chegou na sua casa, Camus assustou-se com a presença de Milo. O cavaleiro de escorpião estava sentado no sofá da sala, olhando com certa impaciência, pelo visto ele deveria ter ficado muito tempo o esperando.
- O que quer? – Camus indagou, cruzando seus braços.
- Por que está me tratando assim? – indagou, com um olhar triste.
- Porque você fica zombando de mim, Milo – disse – não se divertiu o bastante naquela noite?
Milo levantou-se, caminhou até Camus, ficando de frente para o cavaleiro do gelo, que apenas o fitava com certa irritabilidade.
- Foi muito importante o que fizemos, Camus. Pelo menos para mim – disse – eu queria que você lembrasse do que eu estou dizendo.
Camus arregalou os olhos de repente e ao invés de ficar bravo, começou a sentir-se constrangido por ser ficado daquele jeito por Milo. Ele abaixou seu olhar, mas Milo segurou seu queixo e o puxou para encarar sua face.
- Não queria te chatear, mas eu sei que vou chateá-lo – disse novamente – eu sou seu amigo, Camus. Seu único amigo nesse lugar.
- Milo, eu estou cansado – disse - nos falamos outro dia.
- Como quiser, Camus, mas não se esqueça que você tem somente a mim nesse lugar – disse, aproximando seus lábios do rosto de Camus, que deu um passo para trás, assustando-se com a proximidade de seus rostos.
Um sorriso divertido desenhou-se na face de Milo, ele deu um passo para trás e foi andando para a saída, sendo acompanhado pelo olhar discreto de Camus, que saiu da sala, indo para seu quarto, jogando-se na grande cama de casal, sentindo seu corpo suplicar por descanso.
As pálpebras de Camus começaram a se fechar e ele acabou dormindo. Estava tão cansado que não conseguiu nem retirar suas sandálias, ficando esparramado na cama, indo ao mundo dos sonhos onde encontrava seu admirador secreto.
As horas passaram-se e Camus ouviu duas batidas na sua porta, ele abriu os olhos e olhou para o relógio que ficava pendurado na parede, vendo que já eram nove horas. Ele levantou-se e foi andando até a porta, abrindo-a e vendo que era um de seus empregados avisando que tinha visita.
Camus foi andando pelo corredor com passos lentos e incertos, ele nem havia lavado seu rosto. Quando chegou na sala, encontrou o cavaleiro de gêmeos que o olhou com certa surpresa.
- Camus, você está bem? – indagou.
- Sim, apenas cansado – disse – o que devo sua visita?
- Eu queria te convidar para jantar comigo – disse.
- Não, obrigado, não estou com paciência para aturar pessoas bêbadas e...
- Apenas nós dois – disse rapidamente, surpreendendo Camus, que parou de raciocinar por um instante.
Os dois ficaram olhando-se até que Saga se aproximou dele, colocando as mãos em seus ombros. Ele olhou nos olhos de Camus, vendo que ele estava um pouco surpreso com o convite.
- O que você me diz? – indagou.
- Ah, eu não sei – disse, olhando para baixo, constrangendo-se com a aproximação de Saga – "será que é realmente você, Saga?" – pensou em seguida.
- Vamos. E poderemos conversar um pouco, e eu queria falar com você – disse, apertando suas mãos nos ombros de Camus, chamando sua atenção.
- Tudo bem, mas espere eu me arrumar – disse, saindo da sala meio cambaleante. Afinal o que Saga tinha para falar que precisaria de um jantar? Camus suspeitava de suas intenções e já esperava que Saga fosse o famoso admirador.
Camus entrou no seu quarto e se olhou no espelho vendo que seu cabelo estava todo bagunçado e sua roupa estava amarrotada. Ele retirou suas roupas e abriu a porta de seu guarda-roupa e começou a pegar algumas peças. Pegou uma calça de sarja preta, uma camiseta da mesma cor e um par de sandálias, ele não seria louco de usar sapato fechado nesse calor.
E quando terminou de se vestir passou um pouco de perfume no seu pescoço e nos seus pulsos, passou um desodorante e penteou seus cabelos com os dedos, olhando-se no grande espelho do quarto.
E antes de sair do quarto, olhou para o seu celular, correndo até ele, vendo que havia recebido uma mensagem.
"Hoje eu definitivamente ficarei muito triste se não lhe ver".
- "Será que é o Saga? Ele está aqui... e não me viu o dia inteiro. Talvez seja ele, ou alguém que não me viu lá embaixo, hoje" – pensou, olhando com atenção a mensagem – "tenho o pressentimento que hoje irei descobrir".
- "Por que você está se arrumando tanto, Camus?" – pensou, olhando atenciosamente para seu rosto.
Um sorriso desenhou-se nos lábios de Camus ao pensar que talvez Saga fosse realmente seu admirador secreto, ele saiu rapidamente do quarto, e foi até a sala onde Saga estava esperando-o, sentado no sofá.
- Vamos? – Saga indagou, levantando-se.
- Sim – disse, acompanhando Saga até a saída da casa.
Eles saíram da décima primeira casa com passos lentos, eles começaram a comentar como foi o dia de cada um até chegarem na casa de gêmeos, onde uma linda mesa de jantar estava pronta para servi-los.
Camus sentou-se na mesa retangular que era de vidro, porém estava coberta com uma rica e decorada toalha azulada. Saga puxou a cadeira e sentou-se, olhando para Camus que se sentou ao seu lado.
- Sirva-se, Camus – disse, começando a servir-se daquele banquete de massas e carnes que pareciam brilhar de um modo especial.
Após servir-se, Saga abriu uma garrafa de vinho, servindo as duas taças, entregando uma a Camus que agradeceu com um sorriso gentil. O francês serviu-se com um pouco de nhoque, mas antes de comer, sorveu um pouco do líquido que estava em sua taça, adorando aquele aroma.
- O que gostaria de falar comigo? – Camus indagou, não agüentando mais aquele suspense. Entretanto não demonstrou através de seu semblante que continuava impassível.
- Vamos jantar primeiro. E diga-me, como está indo o seu novo trabalho – disse.
Camus suspirou, ele estava ansioso para saber o motivo daquele convite, mas Saga havia jogado um balde de água fria em sua euforia. Eles ficaram conversando sobre assuntos relacionados ao santuário, aquilo nem parecia uma conversa entre dois amigos.
O jantar teve um final, Camus sorriu de antecipação. Saga estranhou aquele sorriso fora de hora. Desde quando Camus era tão sorridente? Ele levantou-se, pegando a garrafa de vinho e pedindo para Camus trazer sua taça. Os dois caminharam até a sala da casa de gêmeos.
Eles sentaram-se em um grande sofá de couro branco que tinha algumas almofadas alaranjadas espalhadas. A porta da sala foi fechada por Saga que dirigiu seu olhar diretamente para o cavaleiro de aquário que estava encostado na janela de madeira, observando a noite.
Saga caminhou até Camus e encheu seu copo com vinho, chamando a atenção do francês que notou que sua taça estava muito cheia. Mas desta vez ele não ia cair nele truque, Camus não ia beber todo o vinho rapidamente para depois ficar a mercê de outro homem.
O cavaleiro de gêmeos encheu sua própria taça e colocou a garrafa em cima de uma mesa de vidro que ficava no meio do tapete de sala. Saga sentou-se no sofá, cruzando suas pernas, olhando para Camus que ficou na mesma posição, achando aquela situação bastante engraçada. Podia jurar que Saga o estava flertando com aquele olhar.
- Camus, eu te chamei aqui, pois tenho algo que preciso lhe dizer – disse – sente-se aqui, por favor.
Camus foi aproximando-se do sofá, sentando alguns centímetros de Saga. O francês olhou para os lábios de Saga para não perder uma palavra sequer, e seu coração já estava começando a bater mais rápido. Quando Saga abriu a boca, os ouvidos de Camus ficaram totalmente abertos para o que seu amigo diria.
- Eu queria te dizer a um tempo, que eu tenho muito interesse em você – disse com uma voz rouca e baixa.
- Interesse? – indagou, perplexo com a revelação. Saga estava sendo tão direto. E agora, o que faria?
- Sim – disse, colocando sua taça em cima da mesa, pegando a taça de Camus e colocando junto com a sua. Ele aproximou-se mais do francês que se afastou um pouco para trás, assustando-se com aquela investida. A situação estava fora de controle, Camus não havia imaginado que aquilo pudesse estar acontecendo.
Saga ergue sua mão tocando numa mecha azul petróleo de Camus, fazendo o francês arregalar os olhos com aquele toque. A mente de Camus estava caótica, ele não sabia se Saga era o admirador secreto, mas com suas investidas não havia dúvida. No entanto, o encontro seria daqui alguns dias. Então por quê Saga estava se revelando antecipadamente? Tinha suas dúvidas, mas não conseguia pensar em mais nada naquele momento.
- Camus... fale alguma coisa – Saga pediu, aproximando-se mais daquele corpo que tanto lhe seduzia, deslizando seus dedos pela face esbranquiçada do francês, vendo como ela mudou de cor rapidamente, ficando avermelhada.
- Eu... eu... – começou a gaguejar, amaldiçoando-se por estar mostrando sua insegurança. Por quê ele não afastava Saga? A resposta era simples, pois ainda imaginava que Saga poderia ser aquele que lhe entendia perfeitamente, Saga poderia ser seu admirador.
Como Camus não respondia, Saga inclinou sua cabeça para o lado e começou a aproximar sua cabeça dos lábios de Camus que ainda estava tentando falar alguma coisa, mas nenhuma palavra concreta saia dos lábios do francês, que estava em pânico. Quando os lábios de Saga encontraram os lábios de Camus, o mundo parou de repente para o francês que arregalou os olhos, encarando os olhos azuis escuros de Saga que lhe encaravam também.
Os lábios ficaram parados, apenas encostavam-se delicadamente ao outro. A mão de Saga deslizou pelo braço de Camus, subindo até seu ombro para escorregar até a nuca do francês, puxando-a na sua direção. Saga abriu sua boca e colocou sua língua para fora, pedindo passagem na boca de Camus, entrando com facilidade para explorar aquela cavidade quente e úmida.
O beijo não foi longo, porém foi o suficiente para deixar o corpo de Camus trêmulo. Saga se afastou, mas não retirou sua mão da cabeça de Camus, começando a acariciar seus fios azulados.
- Saga. Responda-me. Esse tempo todo era você? – indagou, sentindo seu coração bater mais forte, ansiando aquela resposta.
- Esse tempo todo? – indagou, sem entender – como assim, Camus? Esse tempo todo eu sempre admirei você em silêncio. Eu pensei que tivesse percebido.
- Você me admirava em silêncio? Por isso me mandou as mensagens? – indagou.
- Mensagens? Que mensagens, Camus? – indagou, sem entender o rumo da conversa.
Os olhos de Camus estavam mais arregalados que antes. Se não era Saga que estava lhe mandando as mensagens, então quem seria? Não podia imaginar outro cavaleiro de ouro sendo o admirador secreto. Outro beijo de Saga trouxe Camus a realidade, o corpo de gêmeos deu um impulso para frente, fazendo as costas de Camus bater contra o encosto do sofá; a mão de Saga que estava livre começou a deslizar pelo braço definido de Camus, numa leve carícia.
O ar estava começando faltar e ele era essencial para que o cérebro de Camus tivesse mais facilidade para raciocinar. De repente ele empurrou Saga para trás, com certa força, jogando o cavaleiro de gêmeos a alguns centímetros de distância. Saga ficou assustado com a reação de Camus, ele ficou parado, olhando para o francês que abaixou sua cabeça, pedindo desculpa num sussurro.
- Não, eu fui precipitado – Saga disse, tocando no seu peito, vendo que havia minúsculos flocos de gelo impregnados na sua camisa. Camus havia elevado um pouco de seu cosmos e sem perceber quase havia congelado o cavaleiro de gêmeos.
- Não, eu te machuquei. Desculpe-me – pediu, sem conseguir olhar para Saga.
Saga levantou-se do seu lugar, passando sua mão por seus cabelos, jogando sua franja para trás e respirando fundo em seguida. Ele caminhou até Camus, sentando-se ao seu lado, sem tocá-lo desta vez, pois realmente temeu que fosse congelado pelo francês. Camus podia parecer ser um homem delicado e sensível por sua aparência, mas ele ainda era um cavaleiro de ouro, e um dos mais poderosos do santuário.
A mão de Saga se dirigiu até o queixo de Camus, erguendo-o delicadamente para encontrar uma face constrangida. Camus desviou seu olhar para o lado oposto de Saga, não conseguindo encará-lo. Saga resolveu voltar na sua investida, ele puxou o queixo na sua direção e beijou novamente os lábios do francês.
- "Por que eu não saí daqui ainda?" – Camus pensou, sentindo a língua de Saga adentrar lentamente na sua boca, como se temesse que Camus fechasse seus dentes nela – "porque eu estou adorando esse beijo... essa atenção" – pensou em seguida, notando que a mão que tornou a deslizar para trás de sua nuca, puxando sua cabeça na direção de gêmeos, dando mais intensidade ao beijo.
O corpo de Camus começou a cair lentamente para trás, sendo coberto pelo corpo musculoso de Saga, que ainda continuava beijando-o, como se estivesse enfeitiçando, tirando-o da realidade enquanto o deitava discretamente. Quando a cabeça de Camus encostou-se ao sofá, os lábios de Saga se afastaram e com os olhos contemplou a face avermelhada de aquário que tinha uma respiração agitada. Os cabelos azul petróleo estavam esparramados pelo sofá, criando um grande contraste com as almofadas alaranjadas.
O desejo de Saga era nítido em seu olhar, ele inclinou-se para baixo e afundou sua cabeça na curva do pescoço de Camus, aspirando seu cheiro tão adorável, aquele perfume tão reconhecido. Camus era sempre muito perfumado, ele era uma pessoa charmosa e sempre estava muito bem apresentável, e não era apenas Saga que admirava e observava isso, os outros cavaleiros também comentavam, mas com um pouco de inveja na voz, criticando, julgando-o como metido. Mas Saga não dizia nada, ele reservava sua opinião quanto aos costumes do francês e apenas o observava em silêncio.
Os lábios de Saga fecharam-se na pele do francês, ouvindo um longo suspiro sair por seus lábios. Sua língua saiu timidamente, encostando-se à pele de Camus, sentindo seu gosto com mais intensidade e notando como Camus havia se arrepiado com esse gesto. Sem pensar duas vezes, Saga começou a lambê-lo com mais categoria, enquanto suas mãos puxavam os braços de Camus para cima, deixando-o lado-a-lado da cabeça do francês.
- Eu queria muito fazer isso – Saga revelou, num baixo sussurro.
- Saga... acho melhor pararmos – disse.
As ações de Saga estavam provocando reações incontroláveis no corpo do francês. Camus não sabia se podia continuar em frente, ele não estava seguro. Desde que Saga o empurrou para deitar-se no sofá, Camus começou a sentir uma inquietação no seu anterior. Algo não estava certo. Algo lhe dizia para sair dali.
- Nós dois queremos. Por quê parar? – indagou, voltando a beijar os lábios úmidos e avermelhados de Camus. O francês por sua vez começou a se remexer embaixo de Saga, sentindo que as mãos do geminiano se fecharam com mais força em seus braços.
- Saga – o chamou, com certa irritação. Camus odiava sentir-se preso, ainda mais numa posição como aquela – solta meus braços – pediu, num tom que não podia ser ignorado.
As mãos de Saga soltaram os braços de Camus, que continuaram na mesma posição. Gêmeos soltou um suspiro impaciente, ele olhou para o lado, mostrando uma face irritada. Camus percebeu as reações de Saga e levantou-se, afastando-se rapidamente dele, ficando em pé, olhando ao seu redor, achando que algo realmente não estava certo.
Camus fechou seus olhos e concentrou-se, ele precisava pensar no que tanto o estava deixando inquieto, e de repente seus olhos arregalaram-se, juntamente com sua boca. Saga sentou no sofá e o ficou observando com atenção.
- Saga... – Camus o chamou num tom mais baixo, olhando nos olhos de gêmeos, que não lhe diziam nada. Era diferente do olhar que estava recebendo, Saga parecia estar indiferente.
Saga abaixou sua cabeça e ficou em silêncio por um tempo. Camus não entendeu sua reação, mas também se sentiu ameaçado com aquilo. O francês caminhou até a porta, abrindo-a rapidamente, recebendo o ar fresco da noite e nesse momento, junto com o vento, Camus notou o que tanto lhe incomodava.
- "Milo..." – pensou, reconhecendo o cosmos de seu amigo escorpião. Milo estava ali há pouco tempo, olhando-os. Camus saiu da sala, sem olhar para Saga, passando pelo salão e começando subir para sua casa zodiacal, sentindo o rastro de cosmos de escorpião.
Quando chegou na casa de escorpião, Camus adentrou sem cerimônia começou a andar pelos cômodos, não encontrando seu anfitrião, mas podia sentir seu cosmos. Depois de procurar por quase todos os cômodos e incomodar alguns empregados do lugar, Camus resolveu ir embora, subindo para sua casa zodiacal.
Ao chegar na casa de aquário, Camus foi direto para o seu quarto, pensando em tudo que havia acontecido e na mudança de comportamento de Saga. Ele olhou diretamente para o seu celular, vendo que não havia nenhuma mensagem e sentou-se na cama, postando-se a pensar no que realmente aconteceu.
Antes que pudesse pensar em algo concreto, o sono começou a tomar o seu corpo que caiu lentamente na cama, deixando-se levar pelo cansaço. Seus sonhos não foram muito felizes esta noite e também não foram muito claros, sendo perturbadores na verdade. Camus suava na sua cama, ele movia seu corpo para os lados; o seu sonho ou pesadelo estavam lhe deixando agitado e antes que enlouquecesse, seu despertador tocou, salvando-o de qualquer coisa que fosse lhe ferir nesse mundo imaginário.
As pálpebras de Camus abriram rapidamente e ele sentou-se na cama, olhando seu despertador. O francês levantou-se e começou a caminhar até o banheiro, fechando a porta e indo direto para o chuveiro, retirando suas roupas, inclusive suas sandálias, pois havia dormido com elas. Quando sentiu a água fria tocar em seu corpo, lembrou-se dos toques de Saga e daquele olhar perturbador que havia recebido do geminiano.
Quando terminou de tomar seu banho, Camus secou seu corpo e seus cabelos. Ele saiu do quarto, e vestiu a mesma calça do dia anterior e uma camiseta branca que chegava abaixo de seu quadril. Seus cabelos úmidos deixavam a camiseta transparente nas costas. Camus passou seu perfume e olhou para o celular, vendo que não havia recebido nenhuma mensagem novamente.
Antes que fosse fazer suas obrigações, Camus pegou seu diário que guardava embaixo da cama e o abriu, pegando uma caneta, começando a escrever.
Grécia, dia: 17/12
Meu caro diário, eu preciso desabafar com você, meu ouvinte silencioso. Ontem Saga me convidou para jantar em sua casa para dizer que me achava "interessante", logo ele começou a me beijar e a situação ficou sem controle. No começo eu permiti, pois pensei: que mal haveria em me relacionar com outra pessoa? Mas de repente, eu resolvi dar uma chance ao admirador secreto que eu ainda desconheço.
Sim, eu pensei que fosse Saga realmente, mas ele não sabia das mensagens. Por um momento pensei que fosse realmente ele, mas eu não entendo meus sentimentos, pois eu me sinto tão aliviado por não ser Saga. Eu não sei o porquê ainda.
O cosmos de Milo estava na casa de gêmeos. Eu não sei o que ele viu, mas ele deve ter visto alguma coisa. Quando notei isso, Saga começou a agir estranhamente. Eu não sei porque isso aconteceu, mas eu estou tão inseguro, eu estou com medo... parece que estou me expondo tanto. De repente o Milo chegou em mim, e agora o Saga. E eu beijei os dois. Isso está certo? Eu acho que não. Eu nunca pensei que pudesse namorar alguém, mas acabei de perceber que eu não gosto de ficar me esfregando com várias pessoas.
Será que eu sou um romântico? Talvez eu seja, e é mais uma coisa que eu estou descobrindo em mim através de você.
Descobri que eu sou fraco com vinho, eu não posso mais cair em tentação. Não beberei mais vinho com Milo e Saga, nunca se sabe o que aqueles dois... vão aprontar.
Agora preciso ir, pois tenho que resolver alguns assuntos urgentes.
Camus fechou o diário e o guardou com cuidado embaixo da cama, ele saiu do quarto, fechando a porta e indo até a sala de jantar, onde seu café da manhã estava pronto. Camus comeu, foi escovar seus dentes e saiu de casa, indo para a casa do grande mestre. Quando chegou no seu local de trabalho, encontrou Shion que estava olhando alguns documentos com atenção, o ex-cavaleiro de Áries estava usando um manto azulado que cobria todo seu corpo, aquela vestimenta era uma penitência para ser usada naquele país tão quente.
- Bom dia, Camus – Shion o cumprimentou, mesmo estando de costas. Ele não precisava olhar para saber que era Camus que havia entrado na sala.
- Bom dia – retribuiu o cumprimento, aproximando-se da cadeira que ficava de frente para a mesa, sentando-se e começando a retirar alguns documentos da gaveta.
- Alguém ligou para você, não sabia do que se tratava e pedi para retornar mais tarde – disse, chamando a atenção de Camus.
- Deve ser algum advogado – comentou.
- Talvez. E quando isso estará resolvido? – indagou, olhando para Camus finalmente.
- Não sei, pois irá para julgamento. Creio que dentro de alguns meses estará homologado – disse.
- Eu estou pensando em adotar Athena, ou melhor dizendo, Saori Kido como minha filha enquanto isso, para não termos mais problemas com esses carniceiros – comentou.
- Concordo – disse.
- Mas eu tenho tantas coisas a fazer e não posso sair do santuário. Camus, você se importaria se fizesse isso?
Camus ficou um tempo em silêncio, surpreendendo-se com aquele pedido. Ele seria pai de Saori? Aquilo podia ser uma boa idéia para escapar de algumas pessoas indesejáveis no mundo dos negócios, mas não seria muito fácil entrar na justiça com tantos papéis.
- Acho melhor vermos isso com mais calma, Shion – disse.
- Sim, pode ser. Todavia pense a respeito, Camus – disse, baixinho com sua voz prepotente.
Shion afastou-se de Camus, andando até a saída do escritório, fechando a porta para deixar Camus em silêncio, totalmente concentrado naquele pequeno cômodo que não havia janelas. Apenas o som do aparelho do ar condicionado e o Tic Tac do relógio faziam companhia para Camus.
As horas foram passando e de repente a porta do escritório abriu, assustando Camus que quase caiu da cadeira, ele olhou para frente vendo que era Hyoga que estava na sua frente com uma respiração ofegante. Quando o cavaleiro de cisne acalmou-se, ele olhou para seu mestre.
- Hyoga, você não pode entrar aqui desse jeito – disse, num tom sério e autoritário. Afinal aquela era a casa do grande mestre, nenhum cavaleiro poderia entrar sem permissão.
- Eu precisava falar com você, mestre. É sobre o que me pediu – disse – eu descobri uma coisa.
- Descobriu quem manda as mensagens? – indagou, esquecendo-se da sua irritação, olhando atentamente para o rapaz a sua frente.
- Não, isso não, mas o que Milo e Saga estavam conversando – disse.
- Ah, e o que era? – indagou, sem muito entusiasmo.
- Mestre, eu peço para que você se acalme – pediu – o shun acabou ouvindo os dois conversando ontem à tarde. E depois me contou, eu teria vindo antes, mas não o encontrei na sua casa a noite.
- Diga logo, Hyoga – disse, com certa impaciência, levantando-se da poltrona.
- Eles... apostaram para ver quem... conseguia dormir com você antes do final do ano – disse, baixinho, olhando para Camus.
O coração de Camus deu uma batida mais forte e depois parou de repente. O seu corpo pareceu desligar-se por um minuto, ele caiu para trás, batendo as costas na poltrona que quase caiu para trás ao receber o peso de Camus. Os olhos do francês encheram-se de lágrima, surpreendendo Hyoga que correu até ele. O loirinho assustou-se com aquela reação de seu mestre, que aparentemente sempre foi frio e insensível a tudo.
Hyoga chamou Camus algumas vezes, mas ele não respondeu. Camus estava desligado do mundo, ele sentia seu corpo ser chacoalhado por Hyoga, mas não conseguia reagir. Seus pensamentos estavam caóticos, e aos poucos se sentiu sufocado.
- "Eu sou tão descartável assim para os meus dois amigos brincarem comigo desse jeito? Eu não sou um brinquedo! Eu sou uma pessoa, eu posso parecer frio, mas eu não sou uma máquina" – pensava – "Eu quero matá-los, os dois... eles ficaram rindo de mim, fazendo piadas, me convidando para sair, chamando-me, vindo até minha casa se desculpar. E isso era só para que eu me comovesse e deixasse eles me levarem para cama? Só isso?".
Um tapa trás Camus de volta a realidade, ele olhou para Hyoga que estava desesperado, seu pupilo havia lhe desferido um tapa com tanta força que seu rosto começou a arder. Camus ergueu sua mão até sua face, tocando na região que estava avermelhada. Seu coração voltou a bater normalmente e sua coloração começou a voltar ao normal, deixando Hyoga aliviado.
- Mestre, fale comigo – pediu, tocando nos ombros de Camus, sentindo que seu corpo tremia.
- Hyoga... deixe-me sozinho – pediu, num sussurro.
- Mas mestre, eu não posso deixá-lo nesse estado – disse.
- Por favor, Hyoga – gritou, fazendo sua voz ecoar por todo o escritório.
O loirinho ficou sem reação, ele afastou-se lentamente de Camus e começou a sair do escritório, dando uma última olhada para seu mestre, que inclinou seu corpo para frente, deixando sua cabeça bater contra a mesa. Hyoga sentiu vontade de voltar e abraçá-lo, mas sabia que Camus se irritaria.
- "Mestre... Nunca te vi assim" – pensou, fechando a porta.
Os olhos de Camus estavam úmidos pelas lágrimas que escorriam por sua face, seu corpo tremia levemente, sentindo uma dor sufocante invadir sua garganta e seu peito. Arrependia-se de tentar ser uma pessoa mais sensível aos outros, arrependia-se de tentar interagir com o mundo. Sentia que o mundo o rejeitava e no momento queria apenas rejeitar o mundo. Não queria viver com outras pessoas, não queria mais ser alguém diferente, ele queria voltar a ser um simples cavaleiro que doava seu corpo para o santuário.
As feridas de batalha eram diferentes, podia quebrar um braço ou uma costela, mas sabia que poderia ser curado, e mesmo que perdesse um membro de seu corpo, o motivo da perda era justificável. Ele era um cavaleiro, e sabia dos riscos de entrar numa batalha, mas só de pensar que a humanidade estaria a salvo, não se importava. Entretanto a dor que sentia no momento não era visível aos olhos, pois ela era interna, ela o corroia por dentro, dilacerando sua mente, levando-o a um estado de dor que não podia suportar.
Traição! Esse sentimento era abominável. Sentir-se traído, esse sentimento era o sentimento que estava rondando a mente conturbada do francês. Seu choro era baixo, mas na verdade sentia vontade de gritar.
A porta do escritório foi aberta abruptamente, chamando a atenção de Camus que arregalou seus olhos, porém não ergueu sua cabeça, pois não queria exibir sua face entristecida para Shion, que se aproximava com passos rápidos em sua direção. O grande mestre surpreendeu-se com o estado autodestrutivo de Camus, ele tocou na cabeça do francês, pedindo num sussurro para que Camus erguesse sua cabeça, mas Camus não o obedeceu, continuando na mesma posição.
- Camus, o que houve? – indagou novamente, ouvindo outro longo suspiro que saiu pelos lábios de Camus, que ainda estavam trêmulo – eu senti o cosmos de Hyoga. Ele lhe disse alguma coisa ruim?
- "Algo ruim? Ele apenas me fez abrir os olhos... e realmente, não tem como ninguém gostar de um cubo de gelo" – pensou, ficando cada vez mais triste. Quando alguém fica triste, a tendência é que a pessoa fique pensando em como é patética e de como o mundo a odeia. No final, a mágoa fica cozinhando dentro da mente da pessoa traída. Milo e Saga não foram felizes ao brincarem desse jeito com o francês, todavia quem mais destruía os sentimentos de Camus nesse momento era ele mesmo. A sua racionalidade.
- Camus! – Shion o chamou com impaciência – fale comigo! – pediu em seguida.
- Shion, eu... preciso resolver um negócio – disse, exibindo um olhar tão magoado para Shion, que achou melhor conversar antes com Camus para saber da situação.
- Não – disse.
- Não? – indagou, assustando-se com aquela negativa. Será que não era evidente que precisava sair dali?
- Primeiro eu quero saber o que aconteceu e não aceito negativa. Agora me conte o que houve e eu vou pensar se permito sua saída – disse, com um semblante sério.
A respiração de Camus pareceu se acalmar, ele levou suas mãos até seu rosto e começou a enxugar seu rosto lentamente. Talvez Shion tivesse agido corretamente, pois Camus estava muito fora de si e poderia fazer coisas que nas quais se arrependeria mais tarde.
Shion afastou-se caminhando até um canto daquele amplo escritório, sentando-se num sofá de couro antigo que estava de frente a uma pequena mesinha de centro onde havia uma pilha de livros. Camus levantou-se lentamente, indo até Shion, que o observava com atenção. Ele sentou-se ao lado do grande mestre e ficou com a cabeça baixa.
- Agora, diga-me o que aconteceu, Camus. Você não é do tipo que se impressiona tão fácil – comentou.
- Talvez você não me conheça tão bem para dizer isso – revelou, assustando Shion, que se acomodou melhor no seu lugar – talvez nem eu entenda meus sentimentos.
- Camus, eu nunca o vi assim – comentou, tocando no ombro do francês, chamando sua atenção – o que te chateou?
- Milo e Saga – disse num sussurro, porém foi audível para Shion, que ergueu suas sobrancelhas.
- O que eles fizeram?
- Eu estava tentando me relacionar com os cavaleiros. Tentei ser uma pessoa diferente, não, eu não tentei ser, eu tentei mostrar que sou diferente do que todos pensam – falou baixinho.
Enquanto isso Shion o ouvia com atenção sem saber o rumo real daquela conversa, mas não o interrompeu, deixando Camus desabafar.
- De repente aconteceu, Milo acabou me puxando para sua casa depois de ter saído junto com os outros cavaleiros. E... eu estava bêbado e ele também fez questão de me embebedar ainda mais, e acabamos dormindo juntos – disse, sem conseguir encarar Shion.
Quando ouviu o que Camus disse, Shion arregalou seus olhos, deixando suas grandes esferas rosadas expostas. Ele havia aberto sua boca e esqueceu-se de fechar, até pensou em encher Camus com várias perguntas, mas o francês continuou a falar, fazendo-o interromper seus pensamentos.
- Aconteceu, e ontem, o Saga veio em cima de mim falando que me achava interessante e começou a me beijar – disse baixinho, sentindo-se um puto com essa explicação. O que Shion ia pensar dele?
- E vocês... vocês dormiram? – indagou ao ver que Camus parou de falar.
- Não, eu o afastei, pois senti o cosmos de Milo. Ele estava lá nos olhando e agora eu sei o porquê. Eu pedi há um tempo para Hyoga investigar o que Saga e Milo estavam falando de mim, pois um dia eu os peguei falando no meu nome – começou a explicar, deixando Shion cada vez mais ansioso.
- E o Hyoga descobriu e veio lhe contar? – indagou.
- Sim. Ele descobriu – disse.
- O que ele descobriu, Camus? Fale logo – disse, mostrando sua ansiedade.
- Eles fizeram uma... aposta para ver quem conseguia ficar comigo até o final do ano – disse baixinho – brincaram comigo, ficaram fazendo piadas de mim, ficaram fingindo serem vítimas... para eu acabar cedendo.
Os olhos de Shion estreitaram-se e um olhar assustador desenhou-se na sua face, Camus o encarou sentindo um frio correr por sua espinha ao ver aquela expressão tão atípica. O francês lembrou de ter visto essa face uma única vez e foi no terrível inferno de Hades.
- E você quer tirar satisfações? – Shion indagou, com uma voz rouca e baixa, parecia que ele estava controlando sua respiração sem muito sucesso.
- Sim. Por favor, eu peço que me deixe ir falar com eles – pediu.
- Vocês vão brigar – disse – e eu não quero os cavaleiros de ouro em brigas. Você sabe que não irei admitir esse comportamento, Camus.
Camus abaixou sua cabeça. Shion tinha toda a razão, se Camus os encontrasse ele não se agüentaria e com certeza ir querer congelar os dois cavaleiros.
- Por que eles fizeram isso? – Camus indagou num sussurro, parecendo estar falando consigo mesmo.
- Porque você é uma pessoa que todos querem ver alguma reação, Camus – revelou, chamando a atenção do francês que o indagou sem entender.
- Está falando a respeito da minha postura? – indagou.
- Sim, você sempre esteve tão afastado, e só aparecia nas horas onde o santuário mais precisava. O que eu quero dizer é que você não se permitiu interagir com os demais, portanto eles idealizaram você de um jeito que apenas o provocando para saber como você realmente é – disse.
- Shion, você é tão... sábio – comentou, perplexo com o que ouviu. Talvez esse fosse o motivo de estar com tanta dificuldade para se relacionar. E esse devia ter sido o motivo para fazer aquela aposta.
- Eu apenas observo as pessoas e o ambiente, Camus. Eu já vivi muito. Eu tenho mais idade do que aparento – disse, tirando sua mão do ombro de Camus, levantando-se e o olhando de cima, sentindo pena do cavaleiro de aquário que parecia uma criança desprotegida.
- Eu sei, Shion – disse.
- Quer um conselho?
Camus ergueu sua cabeça, olhando diretamente para o semblante sério de Shion, procurando ouvir suas sábias palavras.
- Por favor – pediu.
- Não fale com Milo e com Saga, finja que isso nem o atingiu. Se eles vierem falar com você ou se desculpar. Fale com eles normalmente, e dê a entender que eles foram apenas um brinquedinho nas suas mãos e não ao contrário – disse, vendo como suas palavras tiveram impacto, pois a face de Camus estava mudando de expressão – pode ser difícil, mas não conheço ninguém melhor que você para falar coisas tão gélidas sem deixar de usar essa face impassível. Às vezes o que você acha ruim pode ser útil.
- "Tem razão, Shion. Se eles querem que eu me fique me martirizando... eu não posso mostrar isso" – pensou.
- Camus, você está liberado para fazer o que quiser. Apenas siga uma ordem: não confronte Milo e Saga, pois eu irei castigá-lo depois – disse – mesmo que você tenha razão, eu não permitirei brigas enquanto for o grande mestre.
- Sim, Shion – disse, baixinho – e eu vou para minha casa.
- Sim, acho melhor – concordou – mas antes, lave seu rosto. Acho que não vai querer sair por aí com essa cara de choro.
Shion afastou-se de Camus friamente, fechando a porta do escritório. O cavaleiro de aquário ficou um tempo sentado, pensando em como Shion o havia acalmado. E ele tinha toda a razão, se ele tivesse saído daquele jeito a procura de Milo e Saga, com certeza faria um papel ridículo na frente de todos e dos outros cavaleiros. Seria motivo de piada por um longo tempo.
Camus saiu do escritório e entrou no banheiro, começando a lavar seu rosto. Depois de ficar um tempo no banheiro, ele olhou-se no espelho e viu que sua face já estava apresentável, ele saiu do banheiro, indo para a saída daquela casa. O sol lhe atingiu a face quando saiu da casa do grande mestre, vendo que pelo seu posicionamento deveria ser uma hora da tarde.
- "Acho melhor falar com Hyoga" – pensou.
Ele desceu toda a escadaria chegando ao campo de treinamento, encontrando Hyoga batendo boca com Saga e Milo, que pareciam estar bastante irritados. Camus foi aproximando-se com passos lentos, chamando a atenção do trio que gelou ao ver sua aproximação.
- Hyoga, o que está fazendo aqui? – indagou, olhando para seu pupilo que estava com o cenho franzido e seus lábios estavam para dentro de boca, como se segurasse suas palavras.
- Mestre eu...
- Vá para a casa de aquário, Hyoga – pediu, interrompendo-o.
- Mas eu não vou deixar você...
- Agora – disse, num tom mais alto, mas Camus não mudou sua expressão.
Hyoga afastou-se lentamente daqueles três cavaleiros de outro, olhando para Milo e Saga com todo seu ódio, começando a se dirigir para as casa zodiacais. Quando Hyoga se afastou, Camus voltou sua atenção para os dois cavaleiros a sua frente.
- Camus, antes que você queira nos agredir, eu acho...
- Eu não vim agredi-los. Por quê agrediria vocês? – indagou, interrompendo Saga.
- Bom, mas eu sei que você quer conversar sobre...
- Eu não tenho nada para conversar, mas se quiserem falar comigo eu estarei disponível – disse, interrompendo Milo.
- Camus, eu acho melhor você não ficar pensando que...
- A respeito daquilo que descobri, nada me interessa. Vocês não passam de objeto de diversão para mim, espero que não tenham se apaixonado com um ou dois beijos meu. Não somos mais crianças – disse, fazendo Milo e Saga arregalarem os olhos.
- Camus, eu queria falar com você depois – Milo pediu.
- Sem problema, agora se me dão licença. E perdoem Hyoga, ele é uma criança ainda, ele não entende algumas coisas – disse, afastando-se dos dois cavaleiros – "Por Athena, como isso foi difícil... filhos da puta. Como puderam fazer isso comigo?" – pensou em seguida.
Milo e Saga se olharam de canto sentindo-se arrasados pelas palavras indiferentes de Camus, eles já estavam prontos para deter o cavaleiro de aquário contra eles, mas Camus era realmente uma pessoa surpreendente. Será que ele nunca perdia a classe?
Camus começou a subir apressadamente a escadaria, chegando na sua casa zodiacal, indo direto para a sala onde estava Hyoga. Quando entrou na sala, Hyoga levantou-se rapidamente do seu assento, indo até Camus.
- Mestre, você está bem?
- Sim, e espero que você não vá mais falar com os dois. Quer morrer?
- Não, eu não me importaria de enfrentá-los! – disse, elevando seu tom de voz – o que eles fizeram não tem perdão, mestre. Eu não agüentei ver você naquele estado.
- Hyoga, preste atenção. Eu vou fingir que nada aconteceu e você fará o mesmo. Não torne e falar com eles – disse com severidade – eu não quero meu nome na boca de ninguém, e nem brigas.
- Perdão, mestre. Você é sempre tão racional, mas eu fiquei assustado – disse.
- Hyoga, eu sou humano, nem você consegue ver isso?
- Mestre, ninguém pode conhecê-lo tão bem quanto eu – disse, assustando Camus por um instante – eu sei que você é sensível como qualquer pessoa, mas não demonstra. É que eu realmente nunca tinha o visto demonstrar... eu fiquei assustado – revelou.
- Perdão, Hyoga, mas foi um choque para mim – disse desanimado, caminhando até o sofá, sentando-se, sendo acompanhado por Hyoga que se sentou ao seu lado.
- Mestre e quanto às mensagens. Será que eram os dois? – indagou.
- "Os dois? Será?" – pensou, ficando aflito.
- Mestre. Pode ser os dois, pode ser eles – disse com mais empolgação.
- Eu não sei – disse – os horários não batem muito bem.
- Você já esteve com os dois ao mesmo tempo e recebeu uma mensagem?
- Não... – disse ficando desanimado – talvez tenha razão. Bom, obrigado por tudo Hyoga, pode ir indo agora. Depois peça alguma coisa para que eu o recompense.
O coração de Hyoga deu uma batida mais forte. Será que ele poderia pedir um beijo de seu mestre? Camus ficou olhando para a face de Hyoga que começou a ficar avermelhada.
- O que quer me pedir, Hyoga? – indagou, erguendo uma sobrancelha.
- Bom, eu sei que você vai achar estranho... e é um pedido difícil... e sei que vai ficar bravo... ainda mais depois disso que aconteceu... mas... eu queria que... você deixasse... como posso dizer? Bem... eu...
- Hyoga – o chamou, vendo que ele estava começando a se enrolar.
- Mestre... eu poderia beijá-lo? – pediu, olhando para a face surpresa de Camus que até moveu-se um pouco para trás, surpreendendo-se com aquele pedido.
- Co... co... como? – indagou com perplexidade, elevando seu tom de voz.
- Esquece – disse, saindo rapidamente da sala, sumindo da vista de Camus que ficou na mesma posição, com um olhar incrédulo. Desde quando Hyoga sentia vontade de beijá-lo? Será que ele estava gostando de seu mestre? Camus não sabia a resposta, mas ficou atordoado com o pedido.
Camus levantou-se meio cambaleante, indo para seu quarto como se fosse um zumbi sem vida. Ele sentou-se na sua cama e retirou suas sandálias, depois olhou para seu celular vendo que havia duas mensagens.
1° mensagem:
"Soube do que houve com você. E como alguém pode ter tanta classe? Você está sempre belo, Camus".
2° mensagem:
"Eu espero que o dia marcado chegue logo, pois quero abraçá-lo e confortá-lo. Porque você está sempre nos meus sonhos".
- "Será que você realmente existe?" – pensou – "bom, não custa esperar. Eu irei a esse encontro e se for uma brincadeira, mais uma brincadeira, Shion terá que me perdoar, pois eu não manterei a classe".
Camus respondeu a mensagem:
"Como soube do que aconteceu? Quem te contou? E nosso encontro ainda está de pé, mas aviso que se for brincadeira, não se preocupe com caixão, pois eu lhe farei um de gelo".
- "Acho que fui rude. Mas eu não agüento mais ser gentil... não quero mais me magoar" – pensou – "era mais fácil quando eu ficava sozinho".
Camus colocou o celular em cima do cômodo e pegou seu diário, abrindo-a rapidamente, pegando uma caneta e começou a escrever.
Grécia, dia: 17/12
Caro diário, hoje eu tive um dia difícil. Eu descobri que meus amigos estavam brincando comigo, apostando para ver quem conseguiria dormir comigo. Por quê eu me sinto tão usado? Eu deveria me sentir desejado. Mas não me sinto.
Será que é divertido para eles ficarem me alfinetando? Para todos eles. E algo me incomodou, agora há pouco. Hyoga me pediu um beijo. Desde quando ele sente algum sentimento carnal por mim? Eu não sei se conseguiria fazer isso, mesmo eu dizendo que daria o que ele pedisse como recompensa pelo excelente trabalho.
Eu não conseguiria. Definitivamente não. Se ele me pedir de novo eu terei que recusar. Espero que isso tenha sido uma recaída.
Graças a Shion eu não fui matar Saga e Milo. Talvez não conseguisse. Eles são fortes apesar de tudo. E Milo ainda teve a audácia de querer falar comigo. Como eu o odeio. Odeio, odeio, odeio, odeio, odeio, odeio, odeio, odeio... os dois! Odeio! Ah... que ódio!
Ah... enquanto eu escrevo, sinto o cosmos de Milo aproximando-se da minha casa, e... ah, ele entrou. Não acredito. Eu vou esmagá-lo... não... não posso. Eu vou...
Camus fechou o diário rapidamente, sem terminar de escrever, jogando-o em cima da cama, saindo apressadamente de seu quarto, com passos rápidos foi indo até a sala, onde encontrou Milo parado no meio da sala.
- O que quer?
- Eu queria falar com você sobre o que aconteceu.
- Ah, claro – disse, cruzando os braços, olhando para Milo que se sentou no sofá, olhando para Camus.
- Sente-se.
- Estou bem de pé, agora fale logo o que quer e vá embora – disse, não conseguindo conter sua voz.
- No começo foi uma brincadeira, Camus. Nós queríamos saber se você ia cair na brincadeira. Eu e Saga fazemos esse tipo de aposta, não foi somente com você – disse.
- Nossa, que bom! Isso é para me amenizar o que fizeram? – indagou, num tom cínico.
- Não, não tem desculpa. Camus você é meu amigo, e eu te magoei.
- Hei, você não é meu amigo Milo – disse – melhor corrigir-se.
- Camus, eu sempre gostei muito de você. Mas eu fiz essa aposta ridícula... mas eu quis desistir, mas não podia – disse, num tom baixo – eu... fiquei com ciúme, eu ... descobri que me apaixonei por você.
- Ah! E essa é a nova brincadeira? Vamos ver quem consegue fazer o coração de gelo acreditar primeiro? – indagou, com um sorriso amargo que logo morreu no seu rosto.
- Não! – gritou, assustando Camus – pára de falar assim comigo, pára! Eu estou falando sério. Camus, perdão, perdão. Se quiser pode me castigar, pode me bater, fazer o que você quiser, mas não diga que eu estou mentindo.
- Comovente – disse, batendo palmas em seguida – que belo artista. Ganharia o papel principal.
- Camus, foi terrível, mas tente me perdoar – pediu – quando eu o vi com Saga, eu não agüentei e elevei meu cosmos para que você percebesse minha presença e saísse dali. Eu não queria que ele te tocasse – revelou.
Camus ficou em silêncio, começando a acreditar nas palavras de Milo. Realmente, o cavaleiro de escorpião havia elevado seu cosmo num grau que ele pudesse sentir. Mas ao se lembrar que ele havia feito uma aposta com Saga; Camus voltou ao seu estado de raiva.
- Não acredito em você – disse, mesmo duvidando de suas próprias palavras.
- Não o culpo, Camus. Mas não pense que eu estou mentindo – disse, levantando-se do sofá, caminhando até Camus, que estreitou seu olhar.
- E o que quer que eu faça se for verdade? – indagou – quer que eu me jogue nos seus braços?
- Sim – disse, com um sorriso amarelo no rosto – mas isso seria um sonho se acontecesse.
- Até quem fim você disse algo que eu concordo. Seria realmente um sonho. Milo eu estou indignado com você. Saia logo da minha casa – disse, apontando seu dedo indicador para a saída.
Milo deu um passo à frente, ficando perigosamente perto do francês, que abaixou seu braço e olhou no fundo dos olhos de Milo, que estavam com um brilho diferente. Aos poucos a região encheu-se de lágrimas, mas nenhuma escorreu.
- "Milo... chorando?" – indagou em pensamento.
- Camus, se eu pudesse me redimir – disse baixinho.
- SOME! – gritou, assustando Milo que deu um passo para trás – "Seu choro nem chega aos pés do tanto que eu chorei hoje" – pensou em seguida.
O cosmos de Camus estava mais elevado, logo uma cor dourada estava envolvendo seu corpo e o ambiente ao redor estava ficando cada vez mais frio. Os móveis começaram a serem congelados lentamente. Milo abraçou seu corpo e começou a dar alguns passos para trás, indo para a saída, observando como o ambiente estava ficando mais frio. Quando saiu da sala, uma porta de gelo formou-se, impedindo que Milo voltasse para o cômodo.
Camus respirou fundo, parando de produzir gelo. Ele fechou os olhos e saiu da sala, pisando em uma pequena poça de água que havia se formado com o derretimento do gelo. Felizmente havia feito uma crosta fina de gelo no ambiente.
No seu quarto, Camus jogou-se na sua cama e começou a sentir seu peito doer novamente, junto com sua garganta por estar tentando segurar seu choro.
- "Por que eu não consigo chorar?" – pensou – "por que ele foi tão cretino? Isso não é amor. Ele poderia ter evitado, mas ele continuou até que eu descobrisse. É fácil falar que cometeu um erro depois que alguém apontou o erro".
Camus olhou para seu celular que tocou, ele pegou o aparelho, vendo que recebeu uma mensagem.
"Eu não sou falso. Não estou brincando. Eu quero que me conheça, pois eu já te conheço. Eu te admiro muito".
- "Espero que você possa entender realmente quem eu sou. Por favor, não seja ilusório, não seja apenas uma brincadeira. Seja a pessoa que fará com que eu me sinta incluído na sociedade. Que você me faça sorrir e permita que seja eu mesmo" – pensou, deixando algumas lágrimas escorrerem por sua face.
Continua...
Hum! Milo brincou e se ferrou. O que Camus fará com o escorpiano e com o geminiano? E para a alegria de todo mundo, o próximo capítulo não terá mais suspense, pois o admirador vai aparecer. Será que Milo vai deixar Camus em paz? Será que Camus vai se entender com a pessoa?
E será que Saga começou a gostar do nosso francês também? Descubram no próximo capítulo de "O Diário". Parece o locutor de Dragon Ball Z, quando acaba o episódio.
Espero receber comentários. Não sabe comentar? Tem um guia prático no meu perfil. Hahahaha... Não tem desculpa.
Obrigada a todos que comentaram e espero que apreciem a história.
11/7/2008
Por Leona-EBM
