Por Leona-EBM

Por Leona-EBM

O Diário

IV

Eu não sou uma máquina!

Grécia, dia: 18/12

Hoje eu acordei muito bem. São dez horas da noite e eu tive um dia cansativo no santuário. Parece que os advogados de Saori falam outra língua e eu temo que não possamos resolver logo os assuntos. Será que eu poderia adotá-la? Eu nunca pensei em ter filhos. Mas eu revelo que gostaria de ter um.

Nem Milo e nem Saga vieram me encher o saco hoje, eu fiquei surpreso. Mas acho que eles entenderam bem o recado. E eu ainda... sinto um frio na barriga quando penso em Milo. Que idiota que eu sou! Aquele canalha! Mas... será que ele me ama mesmo? Será que é verdade? Mas e se for... o que eu farei? Ah... sempre que eu penso naqueles lábios me beijando eu... ah! Chega. Eu não sou tão idiota. Tenho que parar com esses pensamentos.

Hyoga não veio falar comigo hoje, eu achei estranho. E será que ele ainda tem aquela idéia estúpida na cabeça? Eu temo que sim.

Eu estou com sono e logo vou conhecer a pessoa que me envia essas mensagens. Tomará que não seja uma piada. Pois ninguém desse santuário vai me segurar.

"Acho melhor nos encontrarmos. Dia 20/12 na montanha sul, abaixo do Ipê roxo. Assim que o sol se pôr. Espero ser recebido por seu sorriso".

Foi isso o que ele ou ela escreveu. Tomará que não seja ela...

Camus colocou a caneta na mesa e ficou lendo para os seus pensamentos transcritos, rindo baixinho ao ver a confusão de seus sentimentos quando falava em Milo. Afinal, ele só percebia o que realmente estava pensava quando estava escrevendo. Era como se algo o possuísse e o permitisse, o instigasse a revelar tudo o que sente, para que depois pudesse ler e entender a si mesmo. Talvez Athena soubesse do impacto desse diário na vida do francês. Talvez não tivesse sido apenas uma sugestão boba e sim um sério teste psicológico.

O diário foi fechado e devidamente guardado. Camus pegou uma toalha e entrou no banheiro, cantarolando uma música. Ultimamente estava ficando desse jeito. Talvez estivesse apaixonado pelo ser que lhe enviava as mensagens. Ou quem sabe por alguém mais próximo como Milo? Não sabia a resposta. Seu coração era incerto, mas sua racionalidade lhe dizia que estava apaixonado pelo desconhecido. Talvez fosse mais fácil admitir que amava um desconhecido do que um falso amigo. Milo o magoou demais!

Momentos mais tarde, Camus saiu do banho, usando apenas uma samba canção azul escura com alguns detalhes dourados, ele jogou a toalha em cima da cadeira do quarto e caminhou até sua penteadeira, passando um creme no corpo. Quando terminou, jogou-se na sua cama, abrindo um livro que estava lendo. Leu o suficiente e resolveu dormir, ou então não agüentaria o dia seguinte.

As horas passaram rapidamente, logo o dia substituiu a noite, exibindo um céu azulado e carregado de nuvens acinzentadas. O clima estava abafado, e era um aviso que a tarde choveria. O despertador de Camus começou a fazer sua função, acordando o cavaleiro de aquário, que abriu seus olhos e começou a se arrumar para mais um dia de trabalho. No entanto algo estava diferente nesse dia. Camus estava animado. Ele conheceria seu admirador amanhã.

Quando saiu da casa de aquário, Camus começou a subir a escadaria, indo até a casa do grande mestre. Como Shion não parecia estar por perto, Camus foi direto para o escritório, sentando-se na cadeira frente à escrivaninha, começando a trabalhar.

- "Como será que ele é? Pensando bem, poderia ser qualquer pessoa. Ele poderia ser um empregado meu, ou uma empregada. Por quê eu só penso em homens? Eu espero que seja um homem... e se for uma mulher?" – Camus pensava, enquanto fingia que estava lendo um documento importante que havia recebido a pouco por fax.

- "Se for mulher, eu ficarei em choque. Mas é possível, afinal tem novas amazonas que ficam rondando o campo de treinamento. E se for um empregado? Poderia ser a Mia, sim... ela ficou tremendo enquanto cortava meus cabelos. Será?" – continuava pensando, com um sorriso bobo no rosto.

Shion havia entrado no escritório a um tempo e percebeu que estava sendo completamente ignorado por Camus, que estava mexendo em alguma coisa na Internet. Shion aproximou-se, chamando Camus no seu tom habitual de voz, mas continuava a ser ignorado.

- Shion! – Camus gritou, arregalando os seus olhos, assustando-se com a presença de Shion que estava mais assustado que Camus. Ele havia dado um pulo para trás com o grito do francês.

- Camus, não me assuste desse jeito – pediu, num tom severo, recompondo-se imediatamente. Ele estreitou o olhar e ficou encarando o semblante do francês – você não ouviu o telefone tocando?

- Telefone? – indagou, olhando para o pequeno aparelho que estava em cima da escrivaninha que ficava atrás dele – "o telefone tocou?" – pensou em seguida – "eu nem ouvi".

- Camus, você está sentindo-se bem? – indagou.

- Ah... eu estou. Desculpe-me, Shion – disse, abaixando sua cabeça, colocando seus pensamentos em ordem. Ele tinha que parar de ficar imaginando como seria o encontro ou iria enlouquecer.

- Camus, eu sei que está sofrendo nesses dias pelo que me contou. Mas precisamos resolver os assuntos de nossa Deusa com urgência. Após seu trabalho, eu lhe permito um descanso de três dias – disse, secamente – você tem responsabilidades.

O corpo de Camus começou a ficar quente, seu rosto estava começando a ficar ruborizado. Aquilo estava sendo constrangedor. Nunca, ninguém daquele santuário havia chamado a atenção de Camus com relação à responsabilidade.

Um silêncio esmagador instalou-se no local, apenas o som alto do aparelho do ar condicionado e o 'tic tac' do relógio se comunicavam naquele ambiente. O som do telefone tocando pareceu ser um estrondo naquele lugar, despertando os dois cavaleiros de seus devaneios. Camus levantou-se rapidamente, empurrando a cadeira para trás, assustando Shion que deu um passo para trás, dando passagem para o francês. Camus foi até o aparelho que tocava, retirando o fone do gancho.

- Diga – Camus disse, com uma voz fraca para a pessoa do outro lado.

Shion respirou fundo e olhou para o computador, vendo que Camus estava estudando uma lei chata que ele sentiu dor de cabeça só de pensar que teria que ler também. Após alguns minutos, Camus encerrou a ligação e encarou Shion.

- Perdão, não ser repetirá – disse – eu realmente estou distraído, e não deveria permitir que isso influísse nas minhas ações.

- Espero que consiga se concentrar. Infelizmente não podemos nos desligar dos nossos problemas e nos concentrarmos em algo novo. Entretanto, isso não é admissível para um cavaleiro de Athena, Camus.

- "Por que ele está sendo tão severo?" – pensou por um instante, ouvindo que Shion não parava de lhe dar um sermão. E por quê? Porque ele havia se distraído por um minuto, não havia atendido o bendito telefone. E agora estava ouvindo um sermão que nunca havia ouvido na vida e ele não merecia, pois não estava sendo negligente, seu trabalho estava perfeito. Apenas por causa de um telefone! Uma chamada perdida!

- (...) entendeu, Camus? – Shion indagou, depois de um longo sermão, olhando para o francês, percebendo que ele não havia prestado atenção em quase nada que ele havia dito – Camus! Você está me ouvindo?

- Sim, Shion. Perdão, não irá se repetir – disse num tom seco, sentindo vontade de jogar toda aquela papelada para o alto e sair daquela sala. No entanto, sabia que não podia fazê-lo, pois seria severamente castigado e também não queria desrespeitar Shion.

O olhar de Shion estreitou-se, ele estava começando a perder a paciência. Aliás, desde quando um ariano tem paciência. Eles fingiam ter. Eles eram sábios na arte do fingimento. Eram calmos, de fato. Mas pacientes? Isso daria numa discussão profunda.

Camus notou o olhar que Shion o estava lhe lançando e antes que Shion abrisse a boca para falar, Camus achou melhor dizer algo ou a situação ficaria muito desagradável.

- Shion, eu estou realmente cansado, eu admito que não deveria permitir que minha vida pessoal influenciasse meu trabalho. Eu estou concentrado agora, pode deixar que eu irei cuidar de tudo e resolverei os problemas o quanto antes – disse, olhando para o semblante de Shion que ficou mais calmo – "pelo menos parece que ele não quer mais me matar" – pensou.

Shion virou-se e postou a caminhar para fora do escritório, mas antes de sair, vociferou:

- Não me trate como uma criança, Camus. E preste atenção quando eu falo com você.

- "Ah... então ele percebeu que eu tentei acalmá-lo. Como ser mais esperto que um homem tão vivido? Afinal, preciso de mais trezentos anos na Terra para pensar desse jeito tão transparente" – pensou, soltando um longo suspiro – "por isso ninguém quer trabalhar junto com Shion. Como o Milo disse uma vez: "Shion faz terrorismo com nossas mentes"".

Camus voltou a fazer seu trabalho, prestando atenção aos mínimos detalhes. Já era tarde da noite, Camus resolveu continuar no seu trabalho, pois queria terminar logo. Apenas precisaria de algumas assinaturas de Athena, ou nesse caso de Saori Kido e depois esperaria ir para julgamento para ver a homologação do processo.

A porta do escritório abriu lentamente, Shion adentrou, ele parecia estar cansado e surpreso ao ver o francês trabalhando até aquele horário. Camus ergueu seu olhar, encarando Shion.

- Não vai embora? – indagou Shion.

- Já estou indo, apenas preciso arrumar esse documento para Athena assinar – disse, mexendo numa pasta.

- Camus. Você sabe que horas são? – indagou.

- Não – disse, surpreso.

Shion ergueu seu braço e apontou para o relógio de madeira. Camus seguiu seu braço com o olhar e depois olhou para onde ele apontava, vendo os ponteiros de madeira marcarem: duas e meia da manhã.

A boca de Camus abriu num misto de surpresa e incredulidade. Ele mesmo não havia percebido o tempo passar. Obviamente o trabalho não era divertido, mas ficar lendo durantes horas tomava o tempo e Camus não percebia.

- Você por acaso, almoçou? – indagou Shion em seguida.

Camus balançou sua cabeça negativamente.

- Por acaso levantou-se dessa cadeira?

Camus balançou sua cabeça negativamente.

- Foi ao banheiro ao menos?

Camus balançou sua cabeça negativamente. Shion suspirou e olhou para o homem a sua frente com incredulidade. Como Camus poderia ser tão fanático por trabalho? Shion sentiu uma pontada de remorso no seu interior. Ele havia sido injusto.

O francês voltou sua atenção à pasta, fechando-a com um elástico, erguendo-se. Quando se levantou, Camus sentiu uma forte tontura, ele deixou seu corpo cair lentamente para trás, sentando-se novamente, apoiando seus cotovelos na mesa para depois passar a mão por seu rosto, apertando e massageando sua face.

Camus ouviu a voz de Shion ficar cada vez mais longe, ele tentou acalmar seu coração, mas logo um arrepio correu por seu corpo. Suas mãos estavam começando a ficarem frias e levemente suadas, porém suas costas estavam úmidas e um calor insuportável rodeou a área próxima do seu tronco. Uma forte pressão estava impulsionando a cabeça de Camus, que começou a baixar seu corpo, deitando-o na mesa à frente.

Uma mão fechou-se no ombro de Camus e isso foi à última coisa que ele sentiu antes de fechar seus olhos, perdendo a sua consciência. O motivo não era segredo e Camus logo iria descobrir que sua taxa de glicose estava baixa e que sua pressão também havia caído. Talvez fosse o motivo por seu corpo pedir tanto doce ultimamente. Ele estava com hipoglicemia.

Alguns minutos depois, Camus abriu seus olhos lentamente, vendo um teto azulado, diferente da cor do teto de seu quarto. Ele balançou a cabeça para o lado, encontrando Shion sentado numa poltrona, olhando-o com atenção.

- Está sentindo-se melhor? – indagou Shion.

- Hum... eu... – gaguejou alguma coisa, sentando-se na cama, sentindo que seu corpo tremia levemente e que suas mãos estavam tão pálidas como a neve de sua querida Sibéria.

- Não pode ficar tanto tempo sem comer, Camus. Isso é tão irresponsável. Eu ainda não acredito que estou sendo obrigado a chamar sua atenção novamente – disse, severamente.

- Ah... desculpe – pediu, abaixando a cabeça. Ele sentia-se um fraco e Shion tinha o dom da palavra. E esse mesmo dom servia para elogiar e acabar com uma pessoa, se assim Shion quisesse.

- Ficar pedindo desculpas não irá mudar o fato que está agindo feito uma criança – disse.

- Está certo, Shion! – disse, erguendo seu tom de voz. Ele estava realmente cansado, debilitado, com fome e uma vontade animal de comer chocolate. Camus moveu-se rapidamente, colocando seus pés no chão e se levantando, olhando para Shion que o encarava.

- Não pode falar assim comigo – disse – saia logo e volte no seu horário habitual hoje mesmo.

Camus não disse mais nada ou então ia cometer um erro. Ele saiu apressadamente daquele cômodo, vendo que era um quarto de hóspedes. Quando saiu da casa do grande mestre, ele foi rapidamente para sua casa zodiacal.

- "Eu preciso comer" – pensou, caminhando até a cozinha, abrindo as portas dos armários, fechando-as quando encontrava algo que lhe chamasse a atenção.

A pequena mesa da cozinha, onde Camus raramente a usava, agora estava cheia de mantimentos. Ele comia as coisas com voracidade, mas sem perder sua classe, mastigando corretamente e respirando no momento certo. E depois de sua refeição, Camus rastejou-se até sua cama, dormindo imediatamente.

O som irritante do despertador chamou a atenção do homem que estava jogado na cama, Camus abriu seus olhos lentamente, sentindo um sono incontrolável no seu corpo. Ele ergueu seu braço e jogou o despertador para longe, fazendo-o bater contra a parede. Ele fechou os olhos por apenas um minuto e quando o abriu novamente, viu que havia se passado mais de trinta minutos. Camus saltou da cama, correndo para o banheiro.

Momentos mais tarde, Camus estava tomando um rápido café da manhã, e fazendo um lanche para levar. Ele não queria ouvir outro sermão de Shion e tinha que se manter forte para o grande dia. Era hoje, dia 20/12, o dia em que conheceria o tão sonhado admirador secreto.

Não tinha como enganar o tempo ou retardá-lo, Camus estava atrasado. Ele saiu correndo, deixando algumas coisas para trás. Ele chegou ofegante na casa do grande mestre, indo direto para o escritório. E quando entrou, suspirou aliviado ao ver que Shion não estava ali. Camus sentou-se na sua cadeira e começou a procurar a pasta onde havia guardado os documentos para Saori assinar.

- Onde está? – indagou, falando consigo mesmo, olhando para todos os lados – eu havia deixado aqui – disse, num tom mais desesperado, começando a revirar o escritório.

A porta do escritório abriu e Shion adentrou, olhando para a bagunça que Camus estava fazendo no escritório. Por um momento Shion achou que Camus havia realmente enlouquecido depois que Athena o havia ressuscitado.

- Camus, o que você está fazendo? – indagou, indignado com a atitude do francês.

Camus estava ajoelhado no chão, olhando embaixo de um armário, ele ergueu sua cabeça, deixando seus cabelos cobrirem todo seu rosto, ele suava pelo esforço que havia feito. Parecia que tinha saído de um campo de guerra. Era uma cena hilariante que permitiu que um sorriso divertido se desenhasse nos lábios de Shion.

- Shion... você viu uma pasta amarela? – indagou, voltando a olhar embaixo do armário.

- Sim, eu a levei para Athena assinar – disse.

Camus sentou-se no chão ao ouvir aquela informação, ele respirou fundo e sorriu de canto. Finalmente havia descoberto o paradeiro daquela bendita pasta.

- Os documentos serão assinados e enviados para seus encarregados. Você está liberado, Camus. Obrigado pelo serviço – disse, vendo a expressão saciada de Camus.

- "Finalmente, não vou mais ter que ficar trabalhando com Shion. Tenho que concordar com você, Milo. Shion faz terrorismo" – pensou, abrindo um sorriso ainda maior.

- Já que você está tão bem humorado. Gostaria de tomar um café comigo? – indagou, perdendo-se nas expressões de aquário.

- Não, obrigado – disse, rapidamente, levantando-se imediatamente – "eu quero sair daqui" – pensou em seguida – "eu nem vi se recebi mensagens. Ah, será que eu recebi uma mensagem?".

Shion arregalou os olhos com aquela negativa, ele se incomodou um pouco, mas não demonstrou.

- Está liberado, Camus. Pode ir – disse, virando-se – mas antes, arrume essa bagunça – pediu, num tom severo, batendo a porta do escritório.

Camus arrumou o lugar rapidamente e quando terminou saiu correndo da casa do grande mestre. Por um momento acabou rindo. Parecia uma criança fugindo da escola após o sinal de encerramento.

Quando chegou no seu quarto, Camus correu até o seu celular, vendo que havia recebido uma única mensagem. Suas mãos curiosas correram até o aparelho, pegando-o e começando a ler a mensagem.

"É hoje. E espero que você não se assuste. Falaremos ao pôr-do-sol, no lugar combinado".

Os dedos ágeis de Camus digitaram a seguinte mensagem:

"Até lá".

A mensagem foi enviada e Camus esperou sua confirmação. Depois, saiu do quarto, descendo a escadaria, pois queria sair um pouco do santuário. Ele não agüentava mais ficar trancado entre quatro paredes, quando Camus chegou ao campo de treinamento, ele avistou seu pupilo que estava conversando com Ikki e Shun.

Camus sentou-se numa pedra que ficava próxima a uma grande árvore. Logo Hyoga foi até ele, andando em passos lentos, cabeça baixa e olhar envergonhado. Quando se aproximou, ergueu sua cabeça, encontrando a face impassível de Camus.

- Bom dia, mestre – cumprimentou.

- Hyoga, eu queria falar com você – disse.

O coração de Hyoga ficou acelerado e um frio correu por sua espinha, ele respirou fundo e se preparou para as palavras de Camus.

- É sobre aquele dia. Sobre o que você gostaria que eu lhe desse em troca de seu trabalho – disse pausadamente.

- Sim, mestre.

- Diga-me, Hyoga. O que você queria com aquele pedido? – indagou, cruzando seus braços em seguida, exibindo um olhar frio para o loirinho, que ficou trêmulo – "ele está tremendo... está com medo de mim, Hyoga?" – pensou em seguida.

- Eu... queria falar sobre isso – disse, depois de um longo tempo – perdão, Camus. Mas é verdade.

- Verdade? O que você pensa que eu sou?

- Eu não queria que se ofendesse – disse em desespero.

- E por quê você quer um beijo? – indagou.

- Porque... porque... eu gosto... de você... mestre. Desculpe-me – disse, enrolando-se em algumas palavras.

Camus ficou em silêncio, ele já havia analisado a situação para que não entrasse em choque novamente. O desespero estava transcrito nas ações de Hyoga, ele estava inquieto com o suspense que Camus estava fazendo.

- E você quer... um beijo? – indagou, olhando para Hyoga.

- Não, não mais. Perdoe-me, eu pedi algo impossível – disse.

Camus ia falar alguma coisa, mas ele parou de repente olhando para o seu lado direito, vendo que Milo e Saga os estavam observando, enquanto cochichavam alguma coisa. O sangue de Camus começou a ferver, apesar de estar tentando fingir ser indiferente a toda aquela história.

- Mestre, você ia me dizer algo? – Hyoga indagou, com um pouco de receio. Ele queria morrer se Camus o expulsasse de seus treinos e lhe encaminhasse para outro cavaleiro.

Hyoga olhou na direção de Camus, vendo que ele estava observando Milo e Saga que também o estavam olhando. O loirinho sentiu seu sangue ferver, pois não aceitava o fato de Milo e Saga ainda estarem vivos depois do que fizeram com seu querido mestre.

A respiração de Hyoga estava agitada, ele queria sair correndo dali, mas não podia fazer isso novamente. Seria ridículo! Alguns segundos passaram e Camus voltou sua atenção para seu pupilo, que parecia que ia desmaiar a qualquer minuto.

- Então você quer um beijo? – tornou a indagar, levantando-se da pedra, dando um passo na direção de Hyoga que abaixou a cabeça e fechou seus olhos, preparando-se para ser congelado e quebrado no meio por Camus.

- Sinceramente... eu queria – sussurrou.

A mão de Camus encostou-se ao queijo de Hyoga, erguendo seu rosto, e Camus olhou para o par de olhos azuis claros, a outra mão de Camus deslizou para a nuca de Hyoga, tocando nos seus fios aloirados, começando a acariciá-los em movimento circulares. A mão que estava no queixo deixou sua posição inicial começando a deslizar pela face de Hyoga que se derreteu com aquele toque, com o olhar penetrante de Camus.

- Tem certeza que quer um beijo? – indagou.

Hyoga não conseguiu falar nada, pois o dedão de Camus estava parado na frente de seus lábios, contornando-os em seguida, massageando sua boca. O loirinho apenas movimentou sua cabeça positivamente, vendo que um sorriso havia se desenhado nos lábios de Camus que deu mais um passo a frente.

- "Vamos ver... o que eles acham do cubo de gelo" – Camus pensou.

O mundo pareceu parar de repente para Hyoga e o resto das pessoas que estavam olhando para a cena. Camus inclinou seu tronco para frente, encostando seus lábios delicadamente na boca de Hyoga que ficou com o corpo mole de repente, mas Camus não o deixou se esquivar, ele desceu sua mão para a cintura do loirinho, puxando-o na sua direção, colando seus corpos, enquanto sua outra mão segurava sua nuca.

Num momento Camus parou de se mover para logo depois abrir seus lábios lentamente, colocando sua língua lentamente na boca de Hyoga que se abriu, permitindo que Camus fizesse o que quisesse com ele. A língua escorregou para dentro da boca de Hyoga, começando a massagear a língua do loirinho, chamando-a para fazer o mesmo. Camus movia sua cabeça para um lado e para o outro, enquanto trocava os lábios a quais chupava, movendo a cabeça de Hyoga junto.

Um minuto, dois minutos... seis minutos. E eles continuavam a se beijar até que Camus finalmente separou seus lábios, abrindo seus olhos, encontrando a face corada de seu pupilo que ainda estava de olhos fechados, por ainda estar extasiado com o beijo que acabou de receber.

- Aqui está o beijo, Hyoga. Obrigado pelo favor que me fez – Camus sussurrou, fazendo Hyoga abrir seus olhos, voltando à realidade.

- Uhum... – murmurou, não conseguia dizer muita coisa. Camus ainda o abraçava e isso o estava deixando desnorteado.

E para a infelicidade de Hyoga, os braços de Camus deixaram seu corpo e o francês deu um passo para trás e continuou a olhar para seu pupilo. Camus deu mais dois passos para trás e voltou a sentar-se na pedra. O francês olhou de canto para o lado, vendo que Milo e Saga estavam com os olhos arregalados e a boca ligeiramente aberta... juntamente com todos os cavaleiros que presenciaram a cena. E mesmo que contasse isso para alguém, ninguém jamais ia acreditar que o coração de gelo havia beijado Hyoga. Seria uma piada. Quem acreditaria?

- Hyoga, eu acho melhor você ir para sua casa, estudar, pois amanhã lhe aplicarei o teste – disse – espero que esteja preparado, pois irei castigá-lo severamente se não se sair bem.

Hyoga fez um "sim" com sua cabeça e começou se afastar com passos lentos e tortos, passando por seus colegas de bronze que começaram a lhe seguir, enchendo-lhe de perguntas sobre o que havia acontecido. Todos estavam curiosos e poderiam perguntar diretamente para Hyoga, pois nenhum deles tinha intimidade para se aproximar de Camus. E também, eles tinham que admitir que sentiam medo dele.

Aioria estava tentando falar alguma coisa para os novos guerreiros que estavam ouvindo seus ensinamentos, mas estava atropelando suas palavras. Aioros aproximou-se de seu irmão, tentando lhe ajudar, mas ele também estava em estado de choque. Até mesmo Máscara da Morte, comentando algo com shura que também estava sem saber o que falar.

A pergunta de todos era: O que raios está acontecendo com Camus nesses últimos dias?

- "Lá vem ele" – Camus pensou ao ver que Milo aproximava-se dele, com um olhar indignado.

- Camus! O que deu em você? – gritou, fazendo todos pararem com o que faziam para olhar para os dois amigos.

- Como assim, Milo? – indagou cinicamente, exibindo um sorriso divertido para escorpião.

- VOCÊ FEZ ISSO PARA ME PROVOCAR! – gritou tão alto que com certeza poderia ser ouvido por todo o santuário.

- O que eu fiz para te provocar? – indagou, exibindo um olhar sério e seco. Um olhar impassível que apenas Camus poderia expressar mesmo estando explodindo de alegria e raiva por dentro.

- Você... está... você está brincando. Só pode ser isso – disse, segurando-se para não pular no pescoço do francês a sua frente, para depois bater sua cabeça no chão repetida vezes para ver se Camus voltava a ser o que ele era.

- Milo, por favor. Recomponha-se – pediu – todos estão olhando para você.

- Estão olhando para você, Camus! Ultimamente você tem agido estranhamente! Você enlouqueceu – tornou a gritar. Aliás, Milo não falava, ele não conseguia se controlar, ele estava louco de raiva e ciúmes.

- Ah, que pena – disse num tom seco – desculpe-me se lhe deixei assim. Eu disse antes, eu avisei... lembra-se?

- Avisou o quê seu maluco? – indagou, controlando sua raiva.

- Avisei que não era para se apaixonar – disse pausadamente – "acho que exagerei um pouco..." – pensou em seguida vendo que os olhos de Milo ficaram menores e mais claro que o costume.

O cosmos de Milo começou a aumentar gradativamente, chamando a atenção de Camus para o perigo. Com certeza Milo não ia agüentar-se.

- Vai me atacar, Milo? – indagou, friamente.

- Não – disse baixinho.

- Não? Então por quê está elevando seu cosmos desse jeito?

- Porque eu vou arrebentar...

- Hum, vai me arrebentar? – indagou, levantando-se em seguida, descruzando seus braços.

- Não, você está louco. Primeiro vai ser aquele intrometido que fica xeretando a conversa dos outros e depois, eu vou pedir pessoalmente para Shion permita que eu te interne – vociferou.

Camus arregalou os olhos e antes que pudesse falar alguma coisa, Milo subiu da sua frente, movendo-se na velocidade da luz. O coração de Camus parou uma batida. Ele não podia permitir que nada de ruim acontecesse a Hyoga, e moveu-se rapidamente, indo atrás de escorpião.

Os outros cavaleiros se entreolharam sem saber o que fazer. Ninguém havia ouvido as últimas palavras de Milo, pois ele havia falado muito baixo e depois ele desapareceu e Camus também.

Milo parou de repente, procurando o cosmos de Hyoga. E quando o encontrou, voltou a correr.

- "Maldito, Hyoga. Se você não tivesse aberto a sua boca maldita, Camus não estaria fazendo isso... ele estaria comigo agora" – pensou.

Milo avistou Hyoga ao longe, preparando-se para atingir-o em cheio. Seu corpo ficou tenso por um minuto e antes que pudesse reagir, viu seus pés congelados. Escorpião olhou para trás, encontrando o olhar furioso de aquário.

- Camus, você está louco.

- Louco? Eu estou louco? Você realmente não presta, Milo!

- Você tem agido...

- Cala a boca. Não agüento mais ouvir isso. Eu sempre fui assim Milo, eu fingia que não gostava dos outros, que não me importava, que não ligava para seus apelidos idiotas. Mas eu sempre me importei, eu sempre quis ter amigos! Você nunca viu isso, você sempre sentiu orgulho se eu ser sozinho, por eu ter somente você como meu amigo... e que grande amigo! Você nunca percebeu como eu chorei naquele diga! – gritou, assustando Milo que parou de tentar se desprender do gelo, dando toda sua atenção à descarga de sentimentos de Camus.

- Que... dia? – indagou, receoso com a resposta. No fundo, sabia o motivo.

- Não se lembra? Não se faça de desentendido.

Milo fechou os olhos por um minuto, voltando ao passado, lembrando-se do dia que pensou que havia magoado Camus e perdido sua amizade para todo o sempre, mas para sua felicidade, no dia depois do ocorrido, Camus estava falando com ele normalmente, como se nada tivesse acontecido.

- Não pensei que você tinha se importado tanto – comentou, num tom mais baixo.

- Mas eu fiquei magoado. Como várias outras vezes eu também fiquei magoado. E como agora. Como eu estou magoado com você – disse, sentindo seu peito começar a doer. Mas desta vez Camus não segurou suas lágrimas, desta vez mostraria para Milo que ele também tinha sentimentos, que ele não era impassível ao mundo e suas feridas.

As lágrimas de Camus não eram de gelo e muito menos frias. Elas desciam por sua face, queimando-as com seu calor. Nesse instante Camus abaixou sua cabeça e ajoelhou-se no chão, permitindo-se a se expressar, permitindo-se chorar na frente de outra pessoa.

- "Chega... de tentar ser forte... eu não vou conseguir nada ocultando o que eu sinto" – pensou, permitindo-se pela primeira vez mostrar seus sentimentos a esse nível, a esse plano e principalmente para outra pessoa.

Milo desprendeu-se do gelo e aproximou-se de Camus rapidamente, como se ele pudesse fugir a qualquer instante, mas Camus não se moveu, continuando na mesma posição, tremendo levemente.

- "Eu não fazia idéia... de como... é bom chorar... como alivia... como me sinto leve fazendo isso" – pensou, não conseguindo mais controlar as emoções que afloram.

Os braços de Milo envolveram o corpo de Camus, abraçando-o com força, afundando sua cabeça na curva do pescoço do francês, sentindo algumas lágrimas caírem em suas pernas.

- Camus... perdão. Eu sou um péssimo ouvinte, observador e amigo – sussurrou – mas... eu admito que queria que você fosse somente meu amigo e de mais ninguém, por isso eu te ajudava a te isolar – confessou, sentindo-se um fraco em seguida – eu era tão inseguro na época.

- E me traiu... – Camus sussurrou – apostou meu corpo com outra pessoa, como se eu fosse um boneco de trapo que pudesse ser usado de jogado fora.

- Eu... eu não pensei... que realmente aconteceria, acabou ocorrendo essa aposta idiota.

- E você não a parou – disse, soluçando em seguida.

- Não, eu não parei, pois pensei que ia ganhar – sussurrou – não pensei que você... se deitaria... com outra pessoa. Mas você e Saga estavam tão... bem juntos que eu me intrometi.

- Grande coisa. Você me expôs, Milo – disse baixinho, cessando seu choro – e quem sabe dessa aposta também?

Milo engoliu em seco. Ele estava adorando ter Camus em seus braços e não queria soltá-lo, não queria deixá-lo ir para os braços de mais ninguém, mas sabia que Camus ia enlouquecer se ele soubesse que a aposta não era somente entre Saga e ele.

- Diga Milo... quem mais sabe da aposta?

- Todos estavam... na aposta – revelou, fechando os olhos com força em seguida, sentindo que Camus começou a tentar se afastar dele, mas Milo continuou segurando, mesmo sentindo seus braços serem congelados aos poucos e antes que Milo pudesse falar mais alguma coisa, Camus o jogou longe, a metros de distância e se afastou.

- "Todos sabem? Desde quando? Desde o dia que eu sai pela primeira vez... mas é claro. E será que todos iam querer flertar comigo? E qual era o maldito prêmio? Ver quem conseguiria me fazer chorar mais? Ver quem conseguia me expulsar do santuário? Quanto ódio!" – pensava, amargurado, começando a se mover para o local onde encontraria seu admirador secreto. Ainda era cedo, mas não queria se encontrar com mais ninguém.

Camus encostou-se a árvore, usufruído sua sombra majestosa que cobria grande parte do gramado. O corpo de Camus começou a escorregar até que ele deitou-se no chão, fechando suas pálpebras, lembrando-se do dia que Milo o havia feito chorar como se fosse um bastardo amaldiçoado na terra. Não havia sido algo tão terrível, mas eram pequenos, adolescentes e para adolescente, tudo significava o fim do mundo. A morte.

O sono acabou levando Camus. Ele estava cansado por não ter conseguido dormir direito. Seu corpo estava tenso e ainda sentia-se fraco com a falta de açúcar. Não estava sendo um bom dia.

O sol começou a se pôr no horizonte e Camus nem sequer notou a chegada da pessoa que estava envolvendo seus sonhos nos últimos dias. O admirador secreto sentou-se numa pedra, ficando dois metros de distância de Camus, observando-o dormir.

Cansado de ficar esperando que Camus acordasse, uma pequena pedra é atirada em seu corpo, acertando suas pernas. E outra pedra voou até Camus, batendo em seu ombro, despertando aos poucos o cavaleiro de aquário. As pálpebras de Camus foram abrindo-se lentamente, ele sentou-se no gramado e olhou para a pessoa a sua frente.

- Shion! – gritou, levantando-se rapidamente e encostando-se à árvore atrás dele.

- Até quem fim acordou – disse, exibindo um sorriso em seguida.

- O que está fazendo aqui? – indagou, fechando seus olhos por um minuto, passando os dedos por suas pálpebras, massageando-as – "O que eu menos quero agora é ter que discutir trabalho com Shion" – pensou em seguida, soltando um longo suspiro.

- Eu vim aqui... porque precisava falar com você – disse num inseguro, despertando a atenção de Camus. Desde quando Shion falava num tom baixo e inseguro?

E nesse instante Camus finalmente acordou, ele arregalou os olhos e olhou para o céu vendo que estava começando a ficar escuro e que a única pessoa que sabia que ele estaria ali seria... o admirador secreto. Que nesse caso seria... Shion!

- SHION! – gritou, arregalou os olhos e abrindo sua boca ligeiramente.

- Você gosta de gritar meu nome, Camus – comentou, com um sorriso divertido no rosto, exibindo seus dentes brancos, alargando ainda mais seus lábios, permitindo-se rir baixinho – por que fica toda hora gritando?

- Eu... estou... eu... – Camus não conseguia falar nada plausível. Realmente havia sido um choque.

- Está surpreso? – indagou, prevendo a resposta. Era óbvio que qualquer pessoa nesse mundo ficaria surpresa. Se Camus era taxado como cubo de gelo, Shion era taxado como terrorista destruidor de sonhos e egos.

- Muito – revelou – mas estamos aqui pelo mesmo motivo realmente? – indagou. Afinal, talvez Shion estivesse ali por outro motivo e o admirador tivesse desistido.

- Teria outro motivo? – indagou, começando a se cansar da desconfiança de Camus.

- Ah, sim, vários motivos. O fato de eu ter brigado com outro cavaleiro de ouro. Esse seria um grande motivo – disse, assustando Shion por um instante. Ele não sabia disso.

- Você brigou com outro cavaleiro? – indagou.

- Mais ou menos – disse – está aqui para me repreender? – indagou, sentindo-se esperançoso que Shion dissesse que sim e que começasse a lhe dar um sermão.

Shion levantou-se, sendo observado por Camus que respirou fundo, sentindo-se aliviado por Shion lhe exibir um olhar reprovador. Shion moveu-se mais rápido, ficando um palmo de distância de Camus, olhando para o cavaleiro de aquário com atenção.

- Por que brigou? Eu disse que você não podia fazer isso – disse num tom um pouco mais alto que o habitual. Por acaso Shion estaria irritado?

- Porque... ah, Shion, isso é tão complicado – disse, abaixando sua cabeça por um minuto. Ele realmente estava cansado e ainda por cima tinha que explicar em detalhes sua vida para Shion.

- Diga-me, Camus – ordenou, numa voz que soava como um trovão.

Camus abriu sua boca e contou a história em poucos detalhes, deixando Shion perplexo com que Camus havia feito. Não pelo fato de ter congelado Milo, mas sim por ter beijado Hyoga.

- Você beijou o Hyoga? – indagou, quando Camus terminou o relatório.

- Sim – disse – qual o problema? – indagou em seguida, não entendendo o motivo para tanta indignação. Afinal os cavaleiros viviam se beijando pelos cantos. E por quê ele em especial não poderia também?

- Você o beijou por quê ele pediu como pagamento?

- Já disse que sim – disse – vai querer me punir, Shion? Aceito a punição. Afinal eu desobedeci a suas ordens.

Shion fechou seus olhos, pensando no que faria. E ainda estava indignado pelo fato de Camus nem sequer mostrar-se surpreso por ele ser o admirador secreto. Afinal, Camus havia percebido que Shion era o admirador secreto? Shion tinha suas dúvidas.

- Camus, eu não vou te punir – disse – e eu não vim aqui para isso. Como você pode ser tão burro? Eu sou seu admirador, idiota – gritou em seguida, batendo sua mão na árvore à frente, ficando com seu braço esticado ao lado do pescoço de Camus, e seu outro braço fez o mesmo movimento, prendendo Camus.

- Vo... vo... você? – indagou, sentindo seu corpo tremer. E nesse tempo todo nem sequer desconfiou que pudesse ser Shion. E mesmo agora, mesmo nessa situação ainda estava duvidando. Não podia ser possível.

Shion buscou todo ar que estava ao redor e o inalou, respirando bem fundo em seguida, olhando para a face perplexa de Camus. Os dois não disseram nada, Camus estava envolto nos seus pensamentos e nervoso com a proximidade de Shion, ele estava tão perto. No começo não se importou, pois pensou que seria castigado, mas agora estava ficando receoso.

- Se Hyoga lhe pedir outro beijo, você daria? – Shion indagou, com uma voz baixa e rouca, chamando a atenção de Camus.

- "Eu daria?" – pensou, ele mesmo não sabia a resposta – talvez – disse baixinho – "eu acho que não. Ah, realmente não sei" – pensou em seguida.

- Camus... eu quero... dormir com você – disse pausadamente, num tom forte e confiante desta vez, fazendo Camus jogar seu corpo mais para trás, tentado fugir da investida de Shion, mas estava preso pelos lados, por causa dos braços de Shion, pela a árvore atrás e na sua a frente havia o próprio Shion.

- O QUE? – indagou num grito. Porém Shion nem sequer moveu um músculo de sua face, mantendo-se sério.

- Camus, por favor, nós somos dois adultos – disse secamente, inclinando-se para frente logo em seguida, segurando a cabeça de Camus com suas duas mãos, abrindo sua boca rapidamente e enfiando sua língua naquela boca tão desejada. No começo Camus tentou chutar e socar Shion, mas seus acessos foram cessando quando sentiu um carinho gostoso na sua nuca. Shion o acariciava com carinho enquanto diminuía a intensidade do beijo que começou a ficar carinhoso.

Os lábios se afastaram por um instante, as mãos de Shion largaram a cabeça de Camus, começando a deslizar por seus braços. Os lábios de Shion deslizavam pela face empalidecida de Camus, sentindo seu calor, adorando ficar próximo àquele hálito tão convidativo.

- "Eu... estou louco. Shion é a pessoa que eu sonhei? E eu... eu não sei o que faço. Eu dou uma chance? Mas é o Shion... o Shion... ah não, ele está me olhando" – pensava em aflito.

Porém Shion não disse nada. Ele sabia que Camus não podia raciocinar demais e não faria perguntas para aquário. Ele voltou a beijar sua boca com sofreguidão, arrancando alguns gemidos abafados de Camus que tentou se mover, mas o braço direito de Shion fechou-se na sua cintura. E sua outra mão começou a deslizar por suas pernas, apertando-as com força. A mão de Shion foi subindo até encostar-se às nádegas de Camus.

- Shion... – murmurou entre um gemido alto ao sentir a mão de Shion apertar suas nádegas sem nenhum pudor. Shion estava irreconhecível ou não. Pois ninguém sabia como era sua personalidade nesse tipo de situação.

- Por que não dar uma chance a nós dois Camus? Nós somos tão parecidos – disse baixinho, voltando a beijar os lábios do francês.

- "Ah... talvez sim... talvez eu devesse tentar algo... por quê não?" – pensou.

Após esse pensamento otimista, Camus relaxou seu corpo e parou de tentar empurrar Shion para longe, os braços de Camus envolveram a cintura de Shion, sentindo o corpo maior abraçando-o com força. Um sorriso desenhou-se nos lábios de Shion, que desceu sua cabeça até a curva do pescoço de Camus, beijando sua pele, lambendo-a, dando algumas mordidas de leve.

- Shion... – o chamou com uma voz rouca.

- O que foi agora? – indagou, continuando a beijar o pescoço de Camus.

- Aqui não – disse, sentindo suas bochechas ruborizarem em seguida. Afinal estava admitindo que deixaria Shion ficar com ele de uma maneira mais íntima.

Shion parou de repente e ergueu sua cabeça, olhando para o semblante de Camus. O grande mestre tinha que admitir que Camus tinha razão, naquele lugar eles estariam correndo o risco de serem interrompidos. Obviamente que ninguém iria ser louco o suficiente para impedir Shion o grande mestre de fazer alguma coisa em público com outro cavaleiro. Entretanto, tanto Shion como Camus não gostavam de chamar a atenção, ainda mais para esse tipo de situação.

- Minha casa ou sua casa? – Shion indagou, dando um selo nos lábios de Camus. Ele não conseguia parar de beijá-lo nem por um instante.

- Er... não sei – disse. Aliás, Camus não sabia como raciocinar. Parecia que estava drogado ou que tivesse acabado de acordar. Tudo estava sendo um choque – "Por Athena, isso não está acontecendo..." – pensou em seguida, sentindo um frio correr por sua espinha. Logo, logo iria enlouquecer!

Shion não disse nada, ele deu um passo para trás e buscou um pouco de ar, pois seu corpo queimava de desejo e queria possuir aquele corpo o quanto antes ou iria explodir. A mão de Shion agarrou o braço de Camus e começou a puxá-lo para fora daquele lugar, com muita velocidade, chegando a arrastar Camus por alguns caminhos, até que ambos começaram a subir as escadarias das doze casas.

- Acho melhor você não ficar me puxando – Camus disse, olhando para a primeira casa de Áries – vai indo e depois eu vou.

- Não – respondeu secamente, continuando a puxar Camus pelo braço.

- "Por favor, que eu não encontre ninguém" – desejou em pensamento.

- Vamos pelo caminho secreto – disse, desviando-se da rota principal e indo por um largo estreito e cheio de pedras que apenas os cavaleiros de ouro sabiam o caminho.

Camus podia sentir os cosmos de outros cavaleiros por perto, mas felizmente estava com Shion que conseguia bloquear suas presenças com perfeição. Habilidade digna de um mestre do santuário. Não era a toa que Shion havia ficado nessa posição.

Após um momento de apreensão, eles finalmente chegaram na casa do grande mestre. Shion não havia soltado Camus por nenhum segundo sequer, pois sabia que ele poderia desistir a qualquer momento.

- "Escritório?" – Camus indagou em pensamento, vendo que estava sendo literalmente arrastado para o escritório.

A porta do escritório foi aberta e Shion jogou Camus à frente com força, fazendo aquário passar a sua frente e adentrar no escritório, Shion adentrou logo atrás e trancou a porta, olhando para o corpo que estava a sua frente.

Camus ia perguntar o motivo de estarem no escritório, mas ficou em silêncio ao ver que Shion estava retirando seu manto azulado, ficando apenas com uma calça de pano e suas sandálias de couro. O coração de Camus estava acelerado, ele não sabia o que fazer. Nunca havia pensado em Shion como um amante e estava agindo somente por impulso.

A sandália de Shion voou longe e logo sua calça foi para o chão. Pelo visto Shion não queria demorar e seu pênis estava duro e ereto, não tinha como sua cueca esconder o grande volume.

Os olhos de Camus miraram o pênis de Shion e depois olhou para seu rosto que parecia estar febril e carregado de desejo. Shion não ficou muito tempo parado, ele avançou até Camus, começando a empurrá-lo pelo escritório, até a mesa onde Camus trabalhava fervorosamente.

Todos os objetos que estavam em cima da mesa foram varridos pelos braços furiosos de Shion. O telefone foi jogado ao longe, Shion não ia admitir interrupções, juntamente com o abajur que espatifou no chão e outros objetos que voaram para de baixo da mesa, dos armários e das poltronas.

A camiseta de Camus foi arrancada de seu corpo com a ajuda do francês, que achou melhor agir ou então teria suas roupas picotadas por Shion, que logo começou a retirar suas calças e sandálias, jogando-as bem longe do corpo do francês.

Os dois estavam sem suas roupas e Shion parecia estar satisfeito em ficar olhando para o corpo de Camus. O francês ficou um pouco constrangido com os olhares de Shion, mas não ficou assim por muito tempo, pois seus corpos logo se colaram.

Camus sentou-se na mesa com a ajuda de Shion que se colocou nos meios de suas pernas, voltando a beijar a boca de Camus, passando sua língua por suas bochechas em seguida, deslizando-a até seu pescoço, molhando todo o corpo do francês, que começou a sentir seu corpo esquentar, desejando Shion também.

As mãos de Shion deslizaram pelas coxas de Camus, apertando-as com força, deixando as marcas de seus dedos e unhas. E com impaciência jogou o corpo de Camus para trás, fazendo a cabeça de Camus ficar suspensa, caindo para trás da mesa que não era muito larga na horizontal. Camus tentou se erguer, mas não teve forças e ao sentir a boca de Shion no seu pênis; ele soltou um gemido alto.

Um sorriso divertido desenhou-se nos lábios de Shion, ele sempre desejou fazer isso enquanto via Camus trabalhando. E agora tinha uma visão completa do corpo arqueado de Camus, infelizmente não conseguia ver seu rosto. Sua língua deslizou pela extensão de seu pênis antes de abocanhá-lo por inteiro para começar a chupá-lo com força, pressionando sua boca, fazendo a sucção ficar mais apertada e prazerosa para o francês que gemia baixinho.

Com muito esforço, Camus ergueu seu tronco, sentando-se na mesa novamente, vendo seu membro entrando e saindo da boca de Shion, que o olhava enquanto o chupava, sem pudor algum. Era um olhar depravado que Shion tinha estampado em seu semblante.

- "Quem ia imaginar que você era assim" – Camus pensou por um instante.

O corpo de Camus começou a tremer em leves espasmos de prazer que aumentavam à medida que a língua de Shion envolvia seu pênis. Shion abriu mais as pernas de Camus e intensificou os movimentos, chegando a machucar Camus com sua agressividade, mas o francês nem conseguiu pestanejar.

Shion sorriu de canto quando sentiu o líquido quente de Camus adentrou por sua boca, ele olhou para cima vendo a expressão extasiada do francês que estava com a cabeça jogada para trás, deixando seus cabelos grudarem no suor de seu dorso. Shion levantou-se e puxou a nuca de Camus na sua direção, beijando-o com fúria enquanto abraçava seu corpo.

- Vou te dar tanto prazer que não vai mais precisar beijar nenhum outro cavaleiro desse santuário – sussurrou nos ouvidos de Camus, exibindo um sorriso sádico em seguida.

- Eu não fico beijando qualquer um por...

- Não interessa – disse, cortando-o – apenas não sentirá mais vontade de ter outro homem com você. Apenas eu – disse, num tom possessivo voltando a devorar a boca de Camus.

Após separarem seus lábios, Shion puxou Camus para fora da mesa e o virou de costas, jogando-o na mesa novamente, deixando o francês de barriga para baixo. Camus tentou erguer suas costas, mas sentiu o peso do braço de Shion nelas, empurrando-o para baixo. Shion aproximou-se, abraçando suas costas, começando a morder a cartilagem de sua orelha, enquanto suas mãos voltaram a massagear o pênis de Camus.

A outra mão de Shion deslizou até as nádegas de Camus, indo até o seu meio, começando a inserir seu dedo naquele lugar tão apertado, ouvindo Camus gemer mais alto, com a dor da invasão. Afinal, aquela era a segunda vez que estava fazendo aquilo. E desta vez estava sóbrio.

A mãos de Camus fecharam-se na mesa, enquanto cerrou seus dentes ao sentir outro dedo lhe invadir. Shion largou o pênis de Camus e preocupou-se em fechar seu braço na cintura do francês, prendendo-o. Shion segurou seu pênis que estava implorando por alívio e o pressionou contra o corpo de Camus, que ficou tenso de repente, fechando ainda mais o caminho para Shion.

- Tente relaxar, Camus – pediu, dando vários beijos pelo dorso do francês, mas Camus continuava tenso. Não era fácil deixar seu corpo relaxado enquanto sabia que logo sentiria muita dor.

A cabeça do membro de Shion começou a pedir passagem lentamente naquele corpo que tremia levemente. Camus gritou quando Shion empurrou sua glande para dentro do corpo seu corpo. Shion moveu-se um pouco para trás e voltou a entrar com mais força, colocando seu pênis pela metade.

- "Ah... eu não lembro que doía tanto. Será que Shion é maior que... Milo?" – pensou por um momento, sentindo seu coração disparar. Definitivamente Shion era bem maior que Milo.

O pênis de Shion adentrou por inteiro numa única estocada, fazendo Camus gritar mais alto ainda. Shion parou por um instante, ele esperou Camus acalmar sua respiração, enquanto acariciava suas mechas azuis petróleo, enrolando o cabelo de Camus em sua mão.

O quadril de Shion afastou-se e voltou a mover-se para frente novamente, balançando o corpo de Camus, que batia suas pernas contra a mesa balançando-a. Os braços de Camus ficaram cruzados na sua frente, onde ele afundou sua cabeça, gemendo cada vez mais alto com as investidas que estava recebendo de Shion.

A mão de Shion que estava envolvida pelos cabelos de Camus foi puxada para cima, erguendo a cabeça do francês que gemeu mais alto com o puxão. Os cabelos de Camus pareciam ser as rédeas de Shion que o estocava com fúria. Ora ele olhava para o corpo de Camus, ora tentava olhar para seu rosto, ora olhava para seu pênis entrando e saindo daquele corpo. Tudo estava delirante para Shion. Enfim, ele estava tendo o que sempre quis.

A mão de Shion voltou a massagear o pênis de Camus, começando a deixá-lo duro novamente, masturbando-o com força e com velocidade, deixando Camus cada vez mais louco. O quadril de Camus movia-se para frente e para trás, desejando que Shion o masturbasse com mais intensidade e quando fazia isso, aumentava o ritmo das estocadas que recebia, deixando Shion delirante com aquilo. Finalmente Camus estava interagindo.

Entretanto Shion largou o pênis de Camus ao sentir que seu orgasmo estava se aproximando, ele voltou a dar atenção ao seu próprio pênis, puxando o corpo de Camus para trás com força, enterrando-se no seu interior enquanto despejava seu sêmen dentro do corpo do francês. Shion continuou movendo-se até que saiu de dentro de Camus, olhando para o francês que estava jogado em cima da mesa.

Camus estava com o rosto deitado contra a mesa. Ele sentia sua respiração acelerada e seu coração disparado. O francês sentiu Shion o puxar para cima pela cintura, fazendo-o ficar de pé, puxando-o até o sofá do escritório, sentando Camus no móvel. Camus arrumou-se melhor no sofá, pois não conseguia sentar direito; ele estava com a parte de baixo dolorida.

Shion sentou-se ao seu lado e puxou a mão de Camus, levando-a até o sexo de Camus.

- Vamos Camus... faça para eu ver – pediu, dando um beijo na palma da mão de Camus e depois a empurrando para o membro do francês.

A face de Camus estava mais vermelha que antes, ele achava aquilo vergonhoso. Shion fechou a mão de Camus no seu pênis e começou a masturbá-lo, segurando a mão do francês, que acompanhava os movimentos que Shion impunha. Aos poucos voltou a gemer, sentindo prazer e nesse momento Shion retirou sua mão, ficando sentado em silêncio ao lado de Camus, observando-o.

As pálpebras de Camus fecharam-se, ele não queria olhar para Shion. Apenas deixava sua mão lhe dar prazer, sentindo seu corpo começar a se ascender novamente, e não demorou a gozar nas suas mãos. Shion sorriu com aquela cena que ele julgou ser maravilhosa e puxou a mão de Camus, lambendo-a de modo depravado.

Quando Camus abriu os olhos, Shion puxou sua cabeça, voltando a beijá-lo na boca, com intensidade, deixando sua língua subjugar a língua de Camus, pressionando-a num cantinho enquanto Shion devorava sua boca. Shion avançava lentamente, ficando por cima de Camus, que se deitou no sofá.

Shion abriu as pernas de Camus e voltou a colocar um dedo dentro do corpo do francês, que tremeu levemente, assustando-se com aquela invasão. Afinal Shion queria mais? Camus abriu os olhos, encontrando um sorriso estampado na face de Shion.

- Está pronto para me receber? – indagou num sussurro sedutor. Shion lambeu os lábios de Camus em seguida.

Camus limitou-se a fazer um "sim" com a cabeça, animando Shion que segurou seu próprio membro que estava ficando ereto. Shion o tocou, começando a massageá-lo e ele logo ficou ereto, voltando a penetrar Camus. E agora podia ver suas expressões à vontade.

Camus virou sua cabeça para o lado, gemendo alto. Porém Shion não permitiu que ele ficasse assim, ele retirou os cabelos que cobriam a face de Camus e puxou sua cabeça para frente, colocando sua mão na testa do francês, impedindo que ele se movimentasse novamente.

- Camus, fique de olhos abertos – pediu ou melhor ordenou. Shion não sabia pedir. Ele não estava acostumado a pedir nada.

Shion foi premiado com um par de olhos azuis escuros que o encaravam agora, e então ele voltou a dar atenção ao que fazia, movendo seu corpo para cima e para baixo, olhando diretamente para a face de Camus que estava vermelha e com a boca aberta por onde seus gemidos saíam.

O corpo de Camus foi puxado para cima, fazendo-o ficar sentado no colo de Shion, sentindo o pênis do grande mestre entrar bem fundo no seu corpo. Aquilo foi doloroso, Camus ficou parado e Shion alisou suas costas, enquanto beijava seus ombros. Aos poucos Shion voltou a mover-se, fechando seus braços na cintura de Camus, começando a sacudi-lo para cima e para baixo.

- "Eu acho que... vou morrer" – Camus pensou por um momento, não conseguindo controlar seu corpo por um segundo sequer. Seus cabelos moviam-se para cima e para baixo, ele olhou para Shion, que estava lhe observando com atenção. Aliás, Shion não deixava nada passar por seus olhos.

Seus corpos se movimentavam em uníssono. Suas respirações estavam mais aceleradas que o normal. Ambos não conseguiam pensar em mais nada; eles queriam apenas continuar a se esfregar no outro até que o torpor que estavam sentindo saísse de seus corpos, pois pareciam que iriam enlouquecer.

A sala começou a ficar mais quente ou os corpos de ambos pareciam estar entrando em combustão em seus interiores. Shion acabou gozando pela segunda vez dentro do corpo do francês, cessando as investidas, saindo de dentro de Camus e o abraçando em seguida. Os dois ficaram sentados daquele jeito, abraçados.

Shion deu um beijo rápido nos lábios de Camus e se levantou, caminhando até suas roupas, pegando-as e fazendo o favor de pegar as de Camus também, o francês o observou com atenção.

- "Agora vai falar para eu me vestir e ir embora... como Milo fez" – pensou, entristecido.

As roupas de Camus foram jogadas na sua direção. Shion estava começando a se vestir, e Camus voltou a se vestir também, olhando para as marcas que estavam em seu corpo. Shion o havia arranhado e beliscado demais.

- "E agora vou ser chutado novamente... como Milo fez. Ou mesmo Saga..." – pensou em seguida, calçando suas sandálias.

Shion terminou de se vestir e aproximou-se de Camus, puxando-o para cima em seguida, voltando a abraçá-lo, afundando sua cabeça na curva do pescoço do francês.

- Camus... eu acho melhor...

- Eu já estou indo – disse rapidamente, cortando Shion.

- Não vou deixar você ir embora – disse, um pouco irritado por ser interrompido – como ia dizendo. Eu acho melhor tomarmos um banho e irmos para meu quarto. Não quero que os empregados fiquem te olhando.

O coração de Camus parou uma batida. Ele permitiu que um sorriso desenhasse em sua face. Era tão raro receber carinho, que até havia pensado que todos poderiam ser iguais.

- Eu não vou deixar você sair assim. Não pense que vou deixar. Pode ser uma situação nada profissional, mas você é meu subordinado nesse santuário e vai me obedecer – disse em seguida, num tom seco. Shion afastou-se e puxou Camus pela mão, voltando a arrastá-lo pela casa.

- Ah... ta – disse. Camus não tinha muito que falar, e tinha que admitir que não havia ouvido nada do que Shion havia dito, pois estava tão feliz por não lhe rejeitarem que apenas movia seu corpo ao ritmo do passo de Shion, pois seu pensamento estava longe – "talvez... eu tivesse cometido um erro... se não me permitisse tentar algo com você... Shion" – pensava.

Quando entraram no quarto de Shion, o anfitrião fechou a grande porta de metal atrás dele. O quarto do grande mestre parecia ter sido construído para um Deus. Ele era imenso, cheio de tapetes, quadros, com janelas enormes de cristal que eram ocultados por cortinas brancas de seda. Sua cama era enorme, e cheia de almofadas ricamente decoradas com fios de ouro. Havia vários móveis devidamente organizados. Definitivamente não parecia um quarto.

A mão de Shion puxou Camus até outra porta de metal, abrindo-a, revelando um ambiente maravilhoso cheio de plantas e flores. O teto era de vidro. Eles podiam ver a lua minguante exposta no céu, sorrindo para eles. E no centro daquele lugar havia uma piscina feita de pedras.

Shion começou a retirar suas roupas, enquanto Camus observava o lugar com atenção. E quando Shion terminou de se despir, ele começou a arrancar as roupas de Camus, jogando-as em cima das suas e quando terminou, começou a puxá-lo para dentro da piscina.

Os dois entraram e sentaram-se no chão daquela grande banheira d'água. A água chegava até seus ombros, e se fossem mais para o fundo, ela cobriria suas cabeças, porém eles ficaram no raso.

- Isso foi uma loucura – Camus comentou, num tom baixo e rouco.

- Concordo. Arrepende-se? – indagou, aproximando-se de Camus, puxando-o pelo braço, colocando o francês no meio de suas pernas, colando seu peito as costas de Camus, que permitiu ser abraçado, jogando sua cabeça para trás, deitando-a no ombro direito de Shion.

- Não – disse – e quando teve essa idéia de me mandar mensagens?

Shion ficou pensativo por um momento, ele deu um beijo na nuca de Camus e suspirou.

- Athena sugeriu – revelou.

- Athena?! – indagou, surpreso.

- Sim – disse – acho que nada passa desapercebido por ela. Ela disse que era para eu me expressar.

- Hum... ela me deu um diário para me expressar também – comentou, chamando a atenção de Shion.

- E você escreve? – indagou, surpreso.

- Às vezes. Eu me sinto bem... é estranho – comentou – existem coisas que eu nunca pensei, mas com o diário eu revelo... parece que algo me instiga a escrever.

- Mas você se sente bem fazendo isso?

- Por incrível que pareça, sim – revelou – e Shion... por quê eu?

- Ah, eu não sei Camus. Eu me identifico com você e sinto-me bem ao seu lado... eu já sentia isso faz um tempo, e quando comecei a trabalhar no santuário... acabei entrando mais em contato com você – disse – eu não sei explicar, eu acho que não é fácil explicar esse tipo de sentimento. Ainda mais para mim, afinal, somos dois homens.

Camus não disse nada, ele fechou os olhos e permitiu-se ficar em silêncio, sentindo o corpo de Shion lhe envolver.

- Tem uma coisa que eu queria lhe perguntar, Camus.

- O que seria?

- Você e Milo já namoraram no passado?

- Não – disse rapidamente.

- Mas... você gostava dele?

- Não desse jeito.

- E Milo?

- Eu não sei, ele vivia comigo, mas éramos amigos apenas. Apesar de que às vezes ele fazia comentários constrangedores – revelou – mas eu não dava importância, pois Milo tem uma personalidade difícil.

- E quando você ficou com ele. O que sentiu?

- Por que quer saber, Shion?

- Porque eu quero. Responda – disse, impaciente.

- Não quero falar sobre isso – disse, sentindo-se angustiado.

- Você gosta dele? Eu não acredito, Camus! – disse num tom indignado.

- Eu... não gosto dele – disse, sentindo um pouco de receio – "ele me traiu... me usou para ser popular entre os outros... me ofendeu" – pensou em seguida.

- Você não gosta dele ou está tão furioso que não sabe o que sente? – indagou, virando Camus de repente, olhando-o nos olhos.

- Eu... o odeio – disse, fechando os olhos com força, sentindo a raiva subir por seu corpo.

- Eu acho bom – disse, um pouco enciumado – Camus, quer ficar comigo?

- Como assim? – indagou.

- Ficar comigo, oras. Não entende?

- Um relacionamento sério? – indagou, sentindo um frio percorrer sua espinha.

- Sim. Sem segredos, não quero ocultar o que sinto por você – disse, acariciando a face de Camus.

- Er... todos sabendo? – indagou, sentindo vergonha só de pensar nos que os outros comentariam.

- Sim. Óbvio. Eu quero ficar com você e quero que saibam que você é meu, assim não existirão problemas com Milo e os outros – disse.

- "Eu não sou seu" – pensou, não gostando daquele jeito possessivo – eu preciso pensar nisso, Shion – disse em seguida.

- Pensar no quê Camus? Por quê não se permite a tentar algo comigo? – indagou, contrariado.

- Eu... eu estou confuso Shion. Eu não... não sei – disse, calando-se em seguida. Ele nunca havia pensado em Shion como um namorado, e não sabia se estava agindo por simples impulso. Camus poderia estar agindo contra seus hábitos habituais, mais ainda sim tinha a racionalidade de aquário.

- Aceite Camus, fique comigo – insistiu, inclinando-se para frente, beijando os lábios de Camus – eu te farei feliz, eu te darei qualquer coisa.

- Shion... eu preciso pensar – disse baixinho, abaixando sua cabeça em seguida – desculpe.

- Tudo bem, eu espero sua resposta até amanhã – disse – e agora, vamos dormir. E você vai dormir aqui comigo – disse em seguida, sorrindo, voltando a beijar os lábios de Camus.

- "Por Athena... o que eu faço? Se eu aceitar... Shion vai mostrar a todos que estamos juntos, e eu não vou poder me separar dele assim... seria um choque... Athena, minha Deusa, por favor, ajude-me a clarear meus pensamentos" – pensou – "E por quê eu não paro de pensar em você... Milo? Seu traidor!".

Continua...

Eu estava na dúvida entre Shion e Shura para o admirador secreto. Mas achei melhor ser Shion mesmo. Ou preferiam Shura?

Espero que tenham gostado desse capítulo. Vocês acham que a história acabou? Hum... será que Milo vai ficar quietinho no seu canto só por quê Camus está envolvido com Shion? Hum... e será que Hyoga vai se recuperar depois desse beijo? E quanto a Saga... Ele não morreu nessa história.

Para quem gosta ou não de Athena, nessa fanfiction ela é realmente uma Deusa que deseja a felicidade de todos seus cavaleiros, e é desprovida de sentimentos carnais.

Obrigada pelos comentários. E espero que comentem esse capítulo.

16/7/2008

Por Leona-EBM