Por Leona-EBM

Por Leona-EBM

O Diário

V

Eu te perdôo, mas com uma condição!

Os raios solares invadiram o grandioso santuário, juntamente com uma brisa fria que vinha do horizonte, certamente o dia não se manteria quente e o céu acinzentado anunciava que choveria mais tarde. No alto das escadarias, mais precisamente no quarto do grande mestre do santuário, dois formosos cavaleiros dormiam tranqüilamente, deixando os raios solares modelarem seus corpos.

As pálpebras de Camus abriram-se lentamente tentando se acostumar com a claridade, ele sentou-se lentamente na cama e olhou para o homem que estava deitado ao seu lado. O francês levantou-se da cama em silêncio e caminhou até o banheiro, fechando a porta por um minuto. Camus parou na frente da pia de mármore e começou a lavar seu rosto, olhando-se no espelho em seguida.

- "Já amanheceu... e o que eu faço?" – pensou – "Shion deve ter acordado quando levantei... ele deve estar me esperando. Ele quer uma resposta".

Camus ficou mais um tempo no banheiro, pensando em como encararia Shion. Com uma mão jogou seus cabelos para trás, e soltou um longo suspiro, Camus abriu a porta do banheiro e encontrou Shion sentado na cama, olhando diretamente para ele.

- "Como pensei... ele já acordou" – pensou, olhando para os olhos de Shion.

A porta do banheiro foi fechada e Camus encostou-se a ela, olhando para os olhos de Shion. Ambos ficaram em silêncio, Shion esperava uma resposta e Camus não sabia o que dizer.

- "Será que eu posso sair correndo?" – pensou por um instante – "que ridículo... claro que não posso".

- Camus.

A voz de Shion tirou Camus de seus pensamentos, o francês olhou com mais atenção para Shion, esperando que ele dissesse alguma coisa, mas Shion apenas ficou em silêncio.

- Camus. Responda-me agora mesmo – Shion pediu, levantando-se lentamente, indo até um roupão, vestindo-o em seguida.

- Eu não sei – disse, abaixando sua cabeça.

- Previsível de aquário. Insegurança – disse, secamente, caminhando na direção de Camus, parando a um palmo de distância de Camus – por quê não permite tentar algo comigo? Está pensando em outra pessoa provavelmente e eu estou pensando que talvez esteja pensando em Milo. Estou certo?

Os olhos de Camus miraram o nada, ele não conseguia encarar Shion, parecia que ele tinha o poder de ler seus pensamentos. Os dedos de Shion pararam no queixo de Camus, puxando seu rosto para cima, para poder olhá-lo nos olhos.

- Camus, eu te quero – revelou – te quero muito. Por favor, deixe-me tentar mostrar como eu posso te fazer feliz.

Um arrepiou correu pelo corpo de Camus ao ouvir essa confissão. O francês respirou fundo e levou sua mão até os cabelos esverdeados de Shion, enrolando alguns fios em seus dedos, brincando com eles enquanto olhava para Shion com seriedade. Chega de ser um adolescente sem saber o que fazer! Camus estava determinado.

A mão de Camus deslizou pelo rosto de Shion, contornando seus traços, deixando Shion a mercê daquele toque tão raro de aquário. O dedão de Camus parou na frente dos lábios de Shion e começou a contorná-lo com atenção, sentindo como a boca de Shion abriu-se, deixando seu hálito escapar entre seus dentes, atingindo as narinas de Camus.

O corpo de Camus foi inclinado para frente, ele deixou seus lábios encostarem-se aos lábios de Shion, iniciando um beijo lente e molhado. A língua de Camus adentrou na boca de Shion, começando a mexer com a língua do grande mestre, enquanto seus lábios chupavam os lábios inferiores de Shion. A mão de Camus ficou alisando os cabelos esverdeados com atenção. O beijo foi lento e demorado, quando terminou, Camus afastou-se com os olhos fechados, após um minuto ele abriu seus olhos e encarou Shion.

- Isso foi um beijo de despedida? – Shion indagou.

- Não. Foi um beijo de começo. Eu aceito Shion – disse seriamente, voltando a beijar a boca de Shion.

Shion ficou surpreso com aquelas palavras, ele abraçou o corpo menor com fúria, deixando suas mãos deslizarem sem nenhum pudor pelo corpo de Camus. O beijo foi mais forte desta vez, pois foi comandado por Shion, que prensou Camus na porta, esmagando seu corpo.

- Você não vai se arrepender, Camus – Shion disse, após encerrar o beijo com uma voz ofegante.

- Não me faça me arrepender, Shion – disse.

- Depende de você também, não somente de mim. Não me culpe pelos erros que cometeremos, pois você também terá sua parcela de culpa. Brigas não são feitas somente com uma pessoa, Camus. Eu quero deixar isso claro, eu não estou lhe forçando a ficar comigo, então, você também tem que me prometer fazer feliz – disse, pausadamente com seu tom baixo e sábio.

- Tem toda razão, eu não sou tão egoísta, Shion. Não me entenda mal – disse.

- Eu sei que você não é; eu não ficaria com alguém que fosse. Eu te conheço bem e por isso gosto de você – disse, acariciando a face de Camus – agora vamos nos vestir e tomar café da manhã, pois eu tenho um dia cheio.

Os dois começaram a se trocar e saíram rapidamente no quarto chegando a um cômodo com uma mesa cheia de alimentos. Shion sentou-se na ponta da mesa e Camus sentou-se ao seu lado; e eles começaram a conversar sobre o que eles fariam no futuro.

Após encerrar o café da manhã, eles levantaram-se e se beijaram, despedindo-se.

- Camus, antes de ir. Gostaria que dissesse a todos que encontrar, caso caia no assunto, que nós dois estamos juntos – Shion disse, exibindo um olhar impossível de ignorar.

- Ah... tudo bem – disse, abaixando a cabeça, sentindo suas bochechas ruborizarem-se em seguida. Aquilo era constrangedor! Como ia chegar em outro cavaleiro falando que tinha um dono? Camus não estava sentindo-se à vontade.

Os dois se despediram com mais um beijo meloso, Camus começou a caminhar para fora da casa do grande mestre, sentindo a brisa fria da manhã. Ele começou a descer a escadaria, sem encontrar nenhum cavaleiro e logo chegou na sua cada zodiacal, assustando-se com a presença de Hyoga.

- O que faz aqui? – indagou, vendo seu pupilo cochilando no sofá da sala.

- Ah, mestre! – gritou, assustando-se. Ele realmente acabou caindo no sono.

- O que faz aqui, Hyoga? – tornou a indagar, cruzando os braços.

- Bom, o senhor pediu para que eu fizesse o teste com você hoje – disse, um pouco receoso – e já são nove horas.

Camus arregalou os olhos e depois voltou a seu semblante impassível. Ele não estava com cabeça para aplicar nenhum teste em Hyoga, aliás, não havia preparado nada para esse dia. O francês ficou olhando para o loirinho que estava amuado no canto do sofá.

- Eu esqueci, desculpe-me – pediu.

- Ah, sem problema. Eu esperarei até você fazer o teste – disse.

- Não vai dar para ser hoje – disse – vou marcar para semana que vem.

- Ah, está tudo bem mestre? – indagou.

- Por que não estaria? – retrucou.

- Soube que ontem, você e Milo brigaram e você sumiu depois – disse.

- Quem lhe disse isso? – indagou, sentindo-se incomodado.

- Todos estavam comentando. Parece que Milo ficou machucado, o senhor realmente quase congelou o seu coração. Milo foi levado para o hospital, ele está em repouso – disse.

O coração de Camus pareceu parar uma batida com essa notícia, ele abriu seus olhos com mais intensidade e ficou olhando para os lábios de Hyoga, vendo como eles se moviam, enquanto contava a notícia.

- Ele está bem? – Camus indagou, num misto de preocupação e desespero.

- Sim, acho que está fora de perigo – disse.

- De perigo? Como assim de perigo?

- Mestre, eu acho que você deu um golpe muito forte nele. Você não se lembra? Quando o encontraram, Milo estava em parte congelado e com alguns furos pelo tórax provocado por algumas estacas de gelo – disse pausadamente, olhando para as reações de Camus.

Camus não disse mais nada, ele deu meia volta e saiu apressadamente da casa de aquário, sendo seguido por Hyoga que andava atrás dele em silêncio. Camus forçou seus sentidos e localizou o cosmos de Milo que estava na enfermaria do santuário. Aquário começou a descer as escadas apressadamente até que atingiu o campo de treinamento, passando rapidamente pelo local.

Alguns cavaleiros olharam para Camus com certa intimidação, todos tinham o conhecimento que Milo havia contado sobre a aposta e ninguém queria conversar com Camus no momento. Talvez por medo de sua reação, talvez por terem visto o estado de Milo. Camus também não sentiu vontade de falar com ninguém, ele continuou caminhando, até chegar ao hospital.

A arquitetura do lugar não era grandiosa. Era um pequeno hospital com apenas dez quartos e uma sala de emergência para casos mais sérios. Na entrada, havia uma enfermeira que estava sentada no sofá, lendo uma revista. Raramente havia visitas e cavaleiros internados.

Camus adentrou no lugar, chamando a atenção da moça, que se levantou rapidamente, aproximando-se de Camus com um sorriso no rosto.

- Eu quero ver Milo – Camus disse.

- Ele está em repouso, senhor. Qual seu nome? – indagou – talvez outra hora possa visitá-lo.

- Ele já acordou pela intensidade do cosmos dele. Eu quero vê-lo agora – disse, passando reto pela mulher que achou melhor deixar Camus passar. Hyoga pediu desculpas para a enfermeira e caminhou até Camus, que adentrou num dos quartos, onde Milo estava em repouso. Hyoga encostou-se na porta do lado de fora.

Com passos lentos, Camus aproximou-se da cama, vendo que Milo estava deitado com muitas faixas enroladas no seu tronco e em sua mão direita havia uma agulha por onde ele recebia alguma medicação.

As pálpebras de Milo abriram lentamente, encarando a pessoa que estava ao seu lado, quando viu que se tratava de Camus, Milo abriu a boca para falar algo, mas nenhum som saiu.

- Milo, perdoe-me – pediu – eu não queria deixá-lo assim. Agi por impulso.

- Camus... a culpa... foi minha – disse num leve sussurro – eu já estou bem, eu não me defendi... do seu ataque, porque quis que você me atingisse realmente. Eu mereci.

- Deveria ter desviado – disse – isso não tira o fato de eu estar zangado com você.

- Camus... será que algum dia você vai me perdoar? – indagou, erguendo na sua mão, tocando na mão de Camus, fechando seus dedos na mão do francês.

Camus ficou em silêncio, engolindo em seco. Ele olhou para dentro de si mesmo, tentando sentir alguma coisa no momento e a única coisa que veio até seu coração foi um sentimento angustiante. Ver Milo naquele estado e por sua causa não era agradável.

Camus sentou-se na beirada da cama, e apertou a mão de Milo com mais força. Camus limitou-se a dar um leve sorriso e passou sua mão pela franja de Milo, retirando algumas mechas azuladas de seus olhos, para poder encará-lo melhor.

- Milo, me diga. Por quanto tempo eu consigo ficar bravo com você? – indagou, rindo baixinho em seguida.

- Esse está sendo o tempo... máximo. Você nunca ficou tão bravo – disse, rindo baixinho em seguida – eu acho que nunca te deixei tão magoado.

- Tem razão. Você nunca me magoou tanto. E eu pergunto. Valeu a pena?

- Camus, eu nunca havia te visto assim. Por isso eu não pensei que te magoaria tanto, você nunca se importou. Bom... eu achava que não se importava. Eu estou arrependido. Por favor, perdoe-me – pediu, dando algumas tossidas em seguida.

- Não achou que me magoaria? Por acaso é tão evidente que tenho um coração de gelo? Eu não tenho Milo, eu nunca tive – disse, num tom cabisbaixo – mas eu te perdôo, eu perdôo você de novo e de novo, porque somos amigos. E por sermos amigos, você vai ser o primeiro a saber.

- Saber o que? – indagou com curiosidade.

- Eu achei alguém para mim, alguém que prometeu me fazer feliz. Eu estou com essa pessoa – disse – eu estou com Shion. Eu espero que você fique feliz por mim, se você ficar feliz, eu te perdôo.

Milo ficou sem palavras, ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Ele olhou para Camus que apenas o olhava com seriedade, não transmitindo mais nada no olhar.

- Eu não aceito... – Milo disse num sussurro.

- Então eu não te perdôo – disse em seguida – eu não vou te perdoar, até você aceitar.

- Isso é injusto. Apenas me perdoe Camus – pediu – não me peça para eu me sentir feliz nos braços de outro.

- Esse é o trato – disse – se quiser ser meu amigo novamente, fique feliz comigo e me apóie no meu relacionamento.

Milo fechou os olhos e soltou a mão de Camus, ele não podia admitir aquilo, ele jamais ia apoiar que Camus ficasse com Shion.

- Mas justo o Shion! O Shion... aquele terrorista de mentes? Por quê Camus? Eu posso te fazer feliz. Dê-me uma chance – pediu, abrindo os olhos em seguida.

- Eu estou dando uma chance para ele, para nós. Ele me entende, ele é tão mal visto como eu sou – disse, abaixando o olhar.

Com um pouco de dificuldade, Milo sentou-se na cama e arrancou a agulha que estava na sua mão, jogando-a longe, chamando a atenção de Camus que não ficou surpreso com o comportamento de Milo. Ele estava acostumado com as explosões de escorpião. Milo moveu-se rapidamente e abraçou Camus com força, aproximando seus lábios do ouvido do francês.

- Eu sei que somos perfeitos juntos. Aquário e escorpião, está no astral. Por quê não fica comigo? – indagou.

- Porque já foi o nosso tempo – disse, afastando-se do abraço de Milo com facilidade, ajudando-o a deitar-se em seguida – e o tempo não volta. Recupere-se logo.

Camus virou-se de costas e saiu rapidamente do quarto, sem olhar para trás; e se por acaso Camus tivesse dirigido seu olhar para Milo novamente, ia notar que escorpião estava chorando. Quando saiu do quarto, encontrou Hyoga que estava com um semblante assustado, ele havia ouvido a conversa.

- Hyoga, você não tem mais o que fazer? – Camus indagou com impaciência, ele mesmo tinha que admitir que ficou perturbado com as palavras de Milo.

- Desculpe-me, mestre. Mas você está mesmo com o... Shion? – indagou com receio.

- Sim, estou – disse – agora vá procurar o que fazer.

Camus começou a caminhar para fora do hospital, recebendo a brisa úmida. O céu estava se fechando cada vez mais, logo choveria. Camus começou a caminhar na direção de sua casa zodiacal, passando pelo campo de treinamento. Antes que Camus se afastasse do local, um cavaleiro de ouro postou-se na sua frente.

- Camus, eu queria falar com você.

- O que você quer Aldebaran? – indagou o francês, mantendo seu semblante sério, apesar de seu olhar ser ameaçador – "vai pedir desculpas pela maldita aposta?" – pensou em seguida.

- Eu queria falar com você a respeito da aposta – disse, chamando a atenção de Camus. O próprio francês não suspeitou que Aldebaran ia ser tão direto.

- Diga – disse secamente.

- Eu não fazia parte – disse – eu não entrei em algo tão patético e sem consideração. Tirando eu, Shaka e Mu. Nós três não estávamos participando, o resto estava, mesmo que neguem – disse – eu sou muito sério, e não queria que pensasse algo errado de mim.

Os pensamentos de Camus foram organizados rapidamente. Certamente ele tinha que concordar que Mu e Shaka era um casal evidente e provavelmente não participariam da aposta e que Aldebaran era uma pessoa cheia de princípios, isso é, quando não estava bêbado.

- Tudo bem, isso já está esclarecido – Camus disse – não se preocupe. Agora com licença.

Antes que Camus começasse a caminhar novamente, Aldebaran deu um passo para o lado entrando novamente na sua frente.

- Mas antes eu quero dizer, que Milo tentou parar a aposta. Mas foi inútil – disse – portanto acho que deve desculpas a ele. você não poderia tê-lo ferido daquela maneira tão covarde.

- Covarde? – Camus indagou num tom mais alto, chamando a atenção dos outros cavaleiros.

- Ele gosta de você, isso é evidente. Mas você é tão frio e calculista que só pensa nas suas obrigações como cavaleiro, e nem sequer nota as pessoas ao seu lado. Definitivamente um coração de gelo não entende o sentimento dos outros – disse, elevando seu tom de voz.

- Coração de gelo? – indagou, rindo baixinho – Milo é um coitado, eu devo me desculpar quando ele se recuperar – disse secamente em seguida.

Os punhos de Aldebaran cerraram-se, ele não fazia idéia de como Camus estava naquela situação, mas apenas via o francês por fora, como Milo ou outro cavaleiro daquele santuário. Aparentemente Camus era uma muralha de gelo, impassível a tudo.

- Vai me atacar, cavaleiro de touro? – indagou, notando que o cosmos de Aldebaran estava elevando-se.

- Você não deveria provocar tanto – disse – Milo é meu amigo, nosso amigo. Você não poderia dormir com ele e depois dizer para ele não se apaixonar, e depois, beijar Hyoga daquele jeito para provocar ciúmes e depois atacá-lo! Não podia.

- Como é incrível a sua visão dos fatos. Eu realmente sou um monstro – disse, pausadamente para que Aldebaran ouvisse cada palavra – "certamente, que visão horrível eu passei. Mas ninguém quer saber o meu lado, todos querem somente me julgar. Claro, todos têm um preconceito formado sobre mim, então não adianta tentar inverter os fatos, pois sempre verão o lado ruim" – pensou em seguida.

- Você deveria parar de ficar se insinuando para o Milo ou provocando ciúmes nele – disse, bufando em seguida.

- Ah, me insinuando? Entendo. Não se preocupe, eu já tenho alguém comigo agora – disse, sentindo um frio na barriga. Se ele dissesse que estava com Shion não teria mais volta.

- Alguém? – indagou com curiosidade.

- Sim, eu estou com alguém agora. Então não se preocupe, e eu já fui falar com Milo, nós estamos acertados. Então, poderia sair da minha frente? – indagou, apontando seu dedo indicador na direção de Aldebaran, que parecia estar perplexo.

- Pediu desculpas para Milo?

- Sim, minhas sinceras desculpas. Eu agi por impulso e ele não se defendeu, acabou dando nisso no final. Foi um acidente – disse, afinal Camus não queria ser visto como vilão.

- Milo aceitou suas desculpas? – indagou com desconfiança.

- Ele não só aceitou como pediu perdão pela aposta. E está sabendo que eu estou com outra pessoa, portanto, não tenho mais nada a falar. Sendo que nós voltamos a nossa amizade – disse, vendo as expressões de Aldebaran ficarem mais calmas.

Um suspiro deixou o corpo de Aldebaran, ele abriu um sorriso de canto acalmando-se, pois ele estava preste a atacar aquário. Seus músculos relaxaram e Aldebaran começou a balançar seus ombros para trás, alongando-os. Ele estava tenso.

- Então, já que você fez tudo isso. Não tenho o que falar. Mas me diga Camus, quem é a pessoa que está com você? – indagou, não agüentando segurar sua curiosidade.

- Por que quer saber? – indagou o francês – afinal, você pensa tão mal da minha pessoa. Por quê quer saber da minha vida?

- Camus, desculpe-me eu me exaltei – disse – eu gostaria de saber.

- Shion – disse baixinho.

Os olhos de Aldebaran arregalaram-se, ele abriu a boca e começou a gaguejar, Camus não esperou ele dizer nada, o francês postou-se a caminhar, passando reto por Aldebaran e sendo observado pelos outros cavaleiros que não entenderam o motivo de Aldebaran ter ficado paralisado daquele jeito. Camus afastou-se e os outros cavaleiros aproximaram-se de Aldebaran.

- "Agora eles podem me deixar em paz... eu vou me isolar com Shion, e Milo não vai aceitar o meu relacionamento e eu não vou perdoá-lo por isso. No final... me isolarei novamente. Será que alguém saberá como eu sou verdadeiramente?" – pensava, enquanto subia as escadarias.

Quando Camus chegou na casa de aquário, adentrou rapidamente no seu quarto e olhou para o seu celular vendo que havia uma mensagem. Camus aproximou-se rapidamente e viu que havia uma mensagem para ele.

"Eu estou feliz por nós dois... espero que venha me ver a noite".

Camus não respondeu a mensagem, não havia necessidade. Ele olhou para o espelho, tentando reconhecer seu rosto. Camus não entendia o motivo de estar triste. Com passos rápidos foi até a cama e pegou seu diário embaixo do colchão, abrindo-o rapidamente e sentando-se na escrivaninha do quarto.

Grécia, dia: 21/12

Caro diário, você não acreditaria na reviravolta da minha vida. No final, eu acabei descobrindo que Shion era meu admirador secreto, eu fiquei muito assustado. Afinal, Shion sempre foi um líder para mim, nada mais.

Milo foi seriamente ferido por mim, eu não queria machucá-lo, mas acabei atacando-o mortalmente, felizmente ele está bem. Eu acho. E no fundo, todos acham que eu sou o grande vilão. Como são egoístas. Além de me apostarem, ficaram bravos por eu ter reagido! Isso tem cabimento?

Shion mostrou-se muito diferente do habitual, talvez eu o julgasse. Não! Eu o julgava, assim como todos me julgam. Eu aprendi uma coisa importante, sempre veja as pessoas com novos olhos, pois a cada dia ela é uma coisa diferente. Talvez eu tenha demorado a aprender, mas agora eu entendo que todos mudam com o passar dos dias. Até mesmo eu.

Aceitei Shion como meu companheiro... mas eu estou confuso. Será que seremos felizes? Eu não o amo. Aliás, eu acho que não amo ninguém. Apenas gosto dele, eu espero sentir isso que chamam de amor. Eu não faço idéia do que seja isso. Será que meu amor pela Deusa é igual ao amor por um homem? Será que meu amor por Hyoga é igual ao amor por um homem? Ou meu amor por Milo é igual por um homem? São diferentes tipos de amor, e eu não sei se existem outros... e não sei qual é o certo.

Eu estou perdido. Eu estou com raiva, estou magoado e... assustado com Shion, eu acho que estou ficando com alguém bastante ciumento e possessivo. Bom, eu tenho quase certeza. Shion não se mostra frágil em momento algum.

Caro diário, eu queria saber o motivo das minhas angústias. Eu deveria estar feliz com o que está acontecendo. No final, Milo está sofrendo como eu desejei. Meu admirador me entende perfeitamente e está disposto a ficar comigo. Meu pupilo cresce a cada dia. O que falta? O que falta para eu estar bem comigo mesmo? Eu não sei. Você teria a resposta?

P.S: Nunca pensei que adorasse me sentir dominado. Como isso é constrangedor.

P.S. 2: Senti muita vontade de beijar e acariciar Milo no quarto, mas pensei em Shion. Acho que ele me mataria. Estou me sentindo um puto.

Camus começou a reler o que escreveu, ficando ruborizado quando leu seus comentários finais, ele riscou a última frase "estou em sentindo um puto" com força, quando releu. Depois ele fechou o diário e o colocou em cima da escrivaninha.

O tempo foi passando e a tarde foi chegando com o encerramento da claridade do dia. O céu estava num tom mais escuro, e uma fina garoa caía pelo santuário. Camus acordou de repente ao som de um trovão, ele olhou para os lados vendo que eram sete horas da noite.

- Como eu dormi! – comentou consigo mesmo, passando a mão por seu rosto, massageando seus olhos.

Camus caminhou até o banheiro, tomando um banho demorado, fazendo sua barba e suas necessidades. Quando terminou de se arrumar, saiu com uma toalha enrolada na cintura, indo até seu armário, colocando uma calça de sarja bege e uma camiseta vinho que chegava um pouco abaixo de seu quadril. Seus cabelos foram jogados para trás e penteados com atenção.

- "Será que eu subo?" – pensou, sentindo um frio na espinha – "ele deve estar me esperando".

Antes de Camus decidir se ia subir ou não, o seu telefone celular começou a tocar, o francês caminhou até o aparelho, atendendo-o imediatamente.

- Alô?

- Camus. Por quê ainda não subiu?

- Ah. Eu já estou indo Shion.

- Venha logo.

- Sim. Eu estou indo.

- Estou te esperando, até logo.

- Até logo, Shion.

A ligação foi encerrada. Camus colocou o aparelho no mesmo lugar e calçou suas sandálias, saindo do quarto em seguida. Ele caminhou por sua casa, sentindo o vento frio da noite atingir-lhe.

- "Que saudades da Sibéria" – pensou por um instante.

Camus saiu de sua casa zodiacal e começou a subir rapidamente, antes que ficasse ensopado por causa da chuva que estava começando a ficar mais forte. Ele passou pelas casas zodiacais rapidamente e chegou na casa do grande mestre, olhando para os lados com atenção.

Ao longe Shion aproximava-se com um sorriso animado no rosto, ele estava com um ótimo humor. Quando se aproximou de Camus, ele entregou uma toalha ao francês que a recebeu com um agradecimento, começando a secar seu rosto e parte de seus cabelos.

- Como foi seu dia? – Shion indagou, tocando no ombro de Camus, puxando-o na sua direção, para lhe dar um beijo no rosto em seguida.

- Apenas dormi – disse, fechando os olhos por um minuto, lembrando-se da conversa que havia tido com Milo e Aldebaran naquela tarde.

A mão de Shion deslizou até a mão de Camus e o puxou para o interior da casa. Camus deixou-se ser guiado por Shion que comentava alguma coisa sobre seu dia, e não demoraram a chegar no quarto do grande mestre.

- "Acho que eu vou vim aqui sempre..." – Camus pensou, sentindo um frio correr por sua espinha. Ele sabia o que lhe esperava.

- Eu soube que foi visitar Milo no hospital – Shion comentou, pegando a toalha da mão de Camus e jogando-a numa poltrona de madeira que ficava num canto do quarto.

Camus soltou um longo suspiro e caminhou até um sofá vermelho de couro, sentando-se no meio do móvel, jogando sua cabeça para trás. Aquele assunto ia deixá-lo tenso com certeza, ele ainda sentia remorso de ter machucado Milo daquele jeito.

- Você falou com ele? – Shion indagou.

O grande mestre aproximou-se de Camus, sentando-se numa mesa de madeira que ficava na frente do sofá. Agora ele estava próximo a Camus e na sua frente, assim poderia conversar com ele, olhando em seus olhos, apesar de Camus não o encará-lo no momento.

- Camus? – Shion o chamou, vendo que não tinha respostas.

- Eu... fiquei muito mal por deixá-lo daquele jeito – revelou.

- Imagino. Afinal, vocês são amigos de infância – Shion comentou – e você sentiu mais alguma coisa?

- Por que quer saber, Shion? – indagou, erguendo seu rosto, encarando Shion com atenção.

- Porque sim – disse, franzindo seu cenho por um instante para logo depois voltar a sua expressão impassível.

- Isso faz mal, sabia? Ficar especulando. Por quê não se contenta comigo aqui. Eu estou com você – disse.

- Eu não irei me contentar se souber que sente algo por outra pessoa – retrucou – agora me diga. O que vocês conversaram?

Um longo suspiro deixou os lábios de Camus, ele olhou para o lado oposto de Shion, tentando organizar seus pensamentos. Ele não queria falar sobre Milo no momento, ainda mais com Shion.

- Camus?

- Shion. Apenas pedi desculpas e ele fez o mesmo – disse – e contei sobre nós também.

Um sorriso desenhou-se nos lábios de Shion desta vez, ele levantou-se, sendo acompanhado pelo olhar de Camus. Shion inclinou-se para frente e puxou Camus pelos braços com velocidade, levantando aquário rapidamente do sofá. Shion o abraçou em seguida, afundando sua cabeça na curva do pescoço do francês.

- Agora todos sabem sobre nós. Vamos começar algo bom, Camus. Algo que seja feliz para ambos – comentou.

- Todos sabem? – indagou sem entender.

- Sim. Sabem... você contou a Aldebaran, não foi? – indagou.

Camus ficou em silêncio, ele havia se esquecido desse pequeno detalhe. Estava na boca de Aldebaran, estava na boca do mundo. Definitivamente não tinha mais volta, ele havia aceitado toda aquela situação.

- Alguém veio falar com você? – Camus indagou. Afinal como Shion saberia dessa conversa?

- Sim. Algumas pessoas vieram falar comigo – disse.

- Que pessoas? – indagou com curiosidade. Aquela situação estava lhe deixando desconfortável – o que elas vieram dizer?

- O primeiro a me visitar foi Milo – disse.

- Milo? O Milo!? – indagou com perplexidade, afastando-se de Shion para olhá-lo nos olhos.

- Sim. O próprio, isso é tão evidente, Camus – comentou com escárnio.

Camus voltou a sentar-se no sofá com um olhar assustado. O quê Milo veio falar? Ele não imaginava que escorpião ia ser tão audacioso.

- Quer saber sobre o que conversamos? – Shion indagou, olhando Camus de cima.

- Claro – respondeu – que pergunta!

- Mas não vou te narrar o fato – disse.

- Ah, você vai sim, Shion – disse, com certa irritabilidade.

- Não. O diálogo foi apenas entre nós. Um diálogo sem testemunhas e não é ético passá-lo a você.

- Eu quero saber.

- Não precisa. Apenas imagine, não houve nenhuma briga se é o que pensa. Apenas conversamos, obviamente para esclarecer algumas coisas. Nada que você deva se preocupar, se quiser, converse com Milo depois, todavia, ele certamente terá a mesma resposta que a minha.

O corpo de Camus estava se remoendo de curiosidade, ele sentia vontade de enforcar Shion até ele confessar a conversa que havia tido com Milo, mas sua racionalidade falava mais forte. O francês levantou-se rapidamente e afastou-se de Shion, caminhando até a porta do quarto.

- Para onde está indo, Camus? – Shion indagou com surpresa.

- Vou falar com Milo – disse, tocando na maçaneta da porta.

- Ele não vai lhe dizer nada a mais – disse – ao menos que você dê algo em troca a ele. E é óbvio que ambos sabemos o preço.

- "Milo... só vai me contar se eu largar Shion. E se eu sair agora... estarei falando adeus a Shion e não irei conseguir ver se ele é a pessoa que me fará feliz. Eu estou curioso, mas posso perguntar depois... posso perguntar amanhã..." – Camus pensou, fechando a porta em seguida, encostando sua cabeça na madeira fria e lisa, fechando os olhos em seguida.

Shion aproximou-se do francês com uma expressão aliviada, ele mesmo havia pensado que Camus ia realmente deixá-lo. O grande mestre abraçou o corpo de Camus e deu um beijo carinhoso em sua nuca, vendo que havia causado alguns arrepios no corpo do francês.

- "Talvez eu não deva saber sobre a conversa... talvez não seja bom" – pensou, sentindo o toque carinhoso de Shion em seu corpo.

- Camus, eu posso amá-lo hoje? – Shion indagou com uma voz rouca e baixa.

- Pode... – Camus disse num sussurro.

- Camus. Você está gostando de mim? – indagou, fazendo o possível para não mostrar a insegurança que estava sentindo no momento. Apesar da personalidade difícil, Shion era uma pessoa como outra qualquer.

- Eu... gosto de ficar com você. E gosto... de dormir com você – disse, sentindo suas bochechas queimarem de vergonha.

- Era isso o que eu precisava ouvir – disse, com um sorriso vitorioso nos lábios – e se quiser fazer alguma coisa comigo. Peça.

Os lábios de Shion fecharam-se com mais intensidade na nuca de Camus, começando a arranhá-la com seus dentes, para logo em seguida passar sua língua pela parte avermelhada. As mãos de Shion deslizaram até o abdômen de Camus, acariciando-o por debaixo da camiseta.

Camus virou-se por conta própria e abraçou o corpo de Shion, afundando sua cabeça na curva do pescoço do ariano. Ele começou a chupar a região do pescoço, dando leves mordidas em sua pele, enquanto ia empurrando Shion na direção da cama. O ariano apenas ficou mais animado com as ações de Camus, deixando-se levar pelo francês.

Quando se aproximaram da cama, Shion foi literalmente jogado para trás, batendo seu corpo contra o colchão, Camus começou a subir em cima do corpo do ariano, voltando a beijá-lo na região do pescoço, enquanto suas mãos arrancavam aquele manto azulado de seu corpo. E com um pouco de dificuldade e ajuda de Shion, Camus conseguiu retirar as roupas do grande mestre, jogando-as no chão do quarto.

Camus sentou-se no abdômen de Shion e ficou olhando-o por um tempo, admirando sua beleza até que começou a retirar sua camiseta, sem tirar os olhos de Shion que adorou aquele show. O botão da calça de Camus foi aberto e seu zíper foi puxado para baixo, mas ele não retirou a calça, e inclinou seu tronco para frente capturando os lábios de Shion com os dele.

Após encerrar o beijo, Camus desceu sua cabeça pelo corpo de Shion, lambendo cada pedacinho de sua pele, demorando no seu abdômen onde ele lambia cada músculo de Shion. Um longo suspiro deixou os lábios de Shion, ele estava impaciente com a demora de Camus. O francês ouviu, mas não se apressou, continuando a beijar seu abdômen até que desceu sua cabeça a virilha de Shion, começando a lamber e chupar suas pernas vagarosamente.

A mão impaciente de Shion fechou-se nos cabelos azulados de Camus, empurrando sua cabeça até seu pênis que pedia por alívio. Camus afastou-se da mão de Shion e voltou a sentar em seu abdômen, olhando para o ariano que o encarava sem entender.

- Vamos, Camus! – Shion pediu, com certa urgência.

O francês sorriu de canto, fazendo Shion se perder naquela expressão tão única que aquário estava lhe dando. Camus segurou os pulsos de Shion e os levou até o alto da cabeça do ariano, prendendo-o ali.

- Fica quieto – Camus pediu, passando sua língua pelos lábios de Shion, que se abriram pedindo um beijo, que Camus não deu.

Camus estava provocante. Pela primeira vez estava agindo, e Shion estava adorando o jeito do francês, apesar de estar impaciente. Logo ia acabar com tudo e subir em cima do francês, para dominá-lo como desejava, mas suas ambições foram por água abaixo, quando Shion sentiu seus pulsos serem presos por grossas algemas de gelo.

Os olhos de Shion arregalaram-se ao ver que não conseguia se mover, ele olhou para cima vendo que seus punhos estavam presos e antes que pudesse tentar se soltar, Camus fez mais duas algemas de gelo, prendendo seu antebraço. Assim estava perfeito! Shion não se mexeria.

- Você não precisa me prender, Camus. Eu não vou fugir – Shion disse, tentando se soltar.

- Se você ficar se mexendo, eu vou te congelar por inteiro e deixar as partes que eu quero para eu brincar – disse baixinho, voltando o tórax de Shion.

- Esperto... não esperava isso de você – comentou num tom baixo, sentindo-se derrotado.

- Cansei se você ficar me jogando de um lado para o outro. Eu sou um homem também. Eu quero tentar algo também... – disse, baixinho quase num sussurro.

A boca de Camus desceu até as virilhas de Shion, lambendo a mordendo a região. Shion se remexia na cama, desejando que Camus colocasse sua boca em seu pênis, mas Camus não o fazia, apenas passava longe do local desejado.

- Pare de me provocar – Shion mandou, com uma voz controlada.

- E se eu não parar? – indagou, fechando sua mão no membro de Shion, que gemeu baixinho com o toque.

- Eu vou ficar bravo – respondeu.

- Grande coisa – retrucou.

Shion abriu a boca para responder, mas parou quando sentiu a língua de Camus deslizar pela extensão do seu membro. Um gemido baixo deixou os lábios de Shion, ele se remexeu na cama, querendo mais contato com a boca de Camus, movendo seu tronco para cima, mas Camus apenas lambia sem membro, às vezes chupava sua glande, mas nada muito profundo.

Camus levou um dedo a sua boca enquanto, e sua outra mão tomava conta do pênis de Shion. O francês olhou para Shion que estava com os olhos fechados e a boca aberta, ele estava distraído em seu próprio prazer. Camus chupou seu próprio dedo e o levou até o meio das nádegas de Shion, desejando fazer a mesma coisa que Shion havia feito com ele. Afinal, Camus nunca havia ficado por cima de outro homem antes. Ele sentia curiosidade.

Os olhos de Shion arregalaram-se ao sentir o dedo de Camus pressionar sua entregada, adentrando aos poucos no seu corpo. O ariano moveu-se para o lado tentando se esquivar, mas o outro braço de Camus segurou sua perna, imobilizando-o.

- Camus, não! – mandou, num tom alto e autoritário.

- Você disse que eu podia fazer o que quisesse também – disse o francês.

- Isso não! – retrucou.

Camus ignorou, ele continuou a empurrar seu dedo em Shion, sentindo sua resistência, até que finalmente o colocou por inteiro, ouvindo um gemido alto de dor do ariano. O francês sorriu de canto, mas seu sorriso sumiu ao ver que Shion estava tentando se soltar de suas algemas de gelo.

- Não se mexa, Shion – Camus pediu, num tom baixo e calmo.

- Quando eu me soltar, Camus... espere por mim – disse.

- Mas eu ainda nem terminei, Shion. Pare de se mexer ou vou congelá-lo – disse.

- Terminou? Como assim terminou? O que pensa que vai fazer? – indagou em desespero.

- O que você fez comigo, oras. Não é óbvio? – disse, com escárnio.

- Você não era assim – reclamou.

- Eu sou assim – disse, um pouco incomodado. Afinal, como Shion podia saber como era seu comportamento na cama? Ele devia saber que aquarianos são curiosos e adoram novas experiências. Assim como Camus queria experimentar como era ser ativo.

- Camus, não! Não e não!

O francês retirou seu dedo de dentro de Shion, sentindo que o corpo do grande mestre havia relaxado. Ele inclinou seu corpo para frente e levou sua mão até as algemas de gelo, sendo observado por Shion. Todavia, Camus não estava ali para soltá-lo e sim para prendê-lo com mais intensidade. Desta vez o braço inteiro de Shion foi congelado e seu abdômen recebeu um cinto de gelo, onde o prendia, para não ficar se remexendo na cama.

- Isso é desconfortável, Camus. Está muito frio – Shion reclamou. Na verdade não o incomodava tanto, mas queria ser solto o quanto antes.

Uma parte do colchão foi congelada, aliás, o ambiente estava ficando cada vez mais frio. Camus arrumou-se na cama e retirou suas roupas com cuidado, jogando-as em cima da cadeira. Shion apenas o observava, vendo que Camus estava com os olhos bem claros desta vez, pois estava usando seu cosmos no momento, ele congelava as coisas ao redor com delicadeza.

O corpo de Camus cobriu o de Shion, voltando a beijá-lo nos lábios, o ariano recebeu o beijo muito bem. Ele estava encantado com a iniciativa de Camus. Definitivamente sua vida não seria entediante com aquário.

- Nunca fez isso antes, Shion? – Camus indagou, entre o beijo.

- Não – respondeu.

- Em tantos anos. Nunca? – indagou com perplexidade.

- Não – tornou a responder, com certa impaciência.

Um lindo sorriso desenhou-se nos lábios de Camus, ele voltou a descer seu tronco até o membro de Shion e desta vez o abocanhou sem cerimônia, começando a chupá-lo com sofreguidão, arrancando gemidos de prazer e desespero de Shion. A cabeça do ariano balançava de um lado para o outro, enlouquecido com aquele frio e arrepio que corria por todo seu corpo.

A respiração de Shion estava agitada, ele abriu ainda mais a boca quando sentiu o dedo de Camus invadindo-o novamente. O ar que saia por seus lábios estava quente e entrava em contraste com o ambiente que estava ficando cada vez mais congelado. Shion estava perdido em seus pensamentos, mas travou ao sentir Camus querer colocar mais um dedo no seu corpo.

As pálpebras de Shion fecharam-se e ele achou melhor se concentrar ou ia ficar a mercê de aquário. Aos poucos conseguiu reunir suas forças e para a surpresa de Camus, Shion se teleportou da cama para outra parte do quarto.

- Que sem graça – Camus falou baixinho, olhando para a cama. Ele estava sentado no colchão, sozinho desta vez.

Um par de braços fortes envolveram o corpo de Camus por trás, Shion o abraçava, enquanto afundava sua cabeça na curva de seu pescoço. Aos poucos o ambiente parou de ser congelado, Camus ia retirando a intensidade de seu cosmos.

- Agora é minha vez, Camus. Definitivamente você é bem desobediente – Shion disse, com uma voz rouca e sexy.

Camus foi puxado para trás pelos braços de Shion, ele deixou-se ser levado pelo ariano até que Shion o empurrou na direção da parede, esmagando o corpo de Camus com o seu. Shion o abraçava por trás, beijando seus ombros e pescoço.

O corpo de Camus foi virado, ficando de frente para Shion que o encarava com um olhar cheio de desejo e malícia. Um sorriso sádico desenhou-se em seus lábios, ele estava imaginando o que faria com Camus e só de pensar já ficava animado. O francês por sua vez, sentiu um frio na barriga ao ver aquele olhar.

- "Ele vai judiar..." – pensou Camus por um momento.

Os lábios de Shion fecharam-se nos mamilos de Camus, começando a mordê-los e com a outra mão beliscava o mamilo solitário com força, machucando-o. Camus se remexia, sentindo aquela dor incômoda. Quando Shion terminou com um mamilo, ele passou para outro, voltando a torturar o francês que gemia baixinho de dor, pedindo para que Shion parasse.

Com um sorriso vitorioso, Shion voltou a descer sua boca, ajoelhando-se no chão, ele ficou parado na frente do membro do francês. Camus sentiu medo de ele fizesse alguma loucura, mas para sua felicidade Shion apenas beijou seu pênis e o colocou na boca, começando a chupá-lo.

A mão de Camus parou na cabeça de Shion, fechando seus dedos em seus cabelos esverdeados, aumentando o ritmo que Shion o chupava. As mãos de Shion fecharam-se nas coxas de Camus, onde ele havia enfiado suas unhas, apertando sua carne, desejando-o para ele.

O tronco de Camus inclinou-se para frente ao sentir seu corpo contorcer-se de prazer. Seus gemidos ficaram cada vez mais intensos, às vezes chamava o nome de Shion entre eles, deixando o ariano mais animado com o que fazia. Quando Camus gozou, Shion fez questão de engolir cada gota de seu sêmen.

O coração de Camus estava acelerado, ele havia adorado aquela boca lhe chupando, mas sabia que não havia acabado. Shion puxou as pernas de Camus para cima num movimento rápido e forte, que somente um cavaleiro poderia fazer.

- Segure-se em mim, Camus – Shion pediu, abraçando o corpo do francês.

As pernas de Camus fecharam-se nas costas de Shion, o francês afundou sua cabeça no pescoço de Shion, como se estivesse descansando. Shion por sua vez concentrava-se em como ia realizar sua tarefa. Ele segurou seu próprio membro e desceu o corpo de Camus até ele, começando a introduzi-lo no seu interior.

Um gemido alto deixou os lábios de Camus. Ele foi descendo seu corpo ao pouco, sentindo Shion lhe invadi-lo por completo e naquela posição parecia que entrava por completo. Camus foi encostado na parede com o membro de Shion dentro dele. Eles se encaravam com um olhar febril.

- Eu vou ensinar a você... quem manda aqui – Shion disse, olhando para os lábios abertos de Camus, ele estava amando aquela visão.

Shion o abraçou com mais força e começou a mover seu tronco para cima ao mesmo tempo em que descia o corpo de Camus para baixo, começando a sair e penetrá-lo sucessivamente com velocidade e impacto. Camus apenas gritava de dor e prazer, ele abraçou Shion e afundou sua cabeça em seu pescoço para conseguir se controlar e se segurar melhor.

Seus corpos suavam com aquele exercício, aos poucos Camus começou a escorregar e estava difícil para Shion segurá-lo mesmo ele sendo o cavaleiro mais poderoso daquele santuário. Aquela situação não podia continuar. Aos poucos Shion parou os movimentos e saiu de dentro de Camus, que colocou suas pernas no chão. O francês foi caindo para trás, batendo suas costas na parede. Ele olhou para Shion, que estava com os seus cabelos no rosto, parecendo um selvagem olhando para sua presa.

Camus foi puxado e inclinado a ir para o chão, e ele obedeceu, ficando de quatro para Shion que se postou atrás dele. O ariano abriu as pernas de Camus para poder olhá-lo melhor, depois de apreciá-lo, segurou seu próprio membro e voltou a inseri-lo no corpo de Camus, fechando seus braços em sua cintura para movê-lo para frente e para trás.

- Como eu quis fazer isso com você hoje... não consegui nem trabalhar direito – Shion revelou, com a voz ofegante.

- Pervertido... – Camus disse entre um gemido.

O tronco de Camus inclinou-se para frente, ele deitou sua cabeça nos seus braços que estavam cruzados a sua frente. Ele abriu sua boca buscando por mais ar, enquanto abria mais suas pernas para Shion que o penetrava sem dó, chacoalhando o corpo do francês para frente e para trás.

Um rugido deixou a garganta de Shion, ele havia gozado finalmente. Ele se afastou um pouco e sentou-se no chão, vendo que Camus havia deitado no chão também de bruços. Shion ficou olhando para o corpo estirado a sua frente, vendo as marcas que havia deixado, sentindo orgulho delas.

Camus moveu seu corpo para o lado e ficou deitado de barriga para cima. Ele levou sua mão até sua franja, jogando-a para trás com a ajuda de seu suor, ele olhou de canto para Shion que lhe sorria. O ariano aproximou-se de Camus e o puxou, para sentar-se também e quando Camus sentou, Shion o beijou nos lábios, abraçando-o.

A mão de Shion deslizou até o membro de Camus que estava um pouco desperto, ele começou a masturbá-lo, enquanto observava as expressões de Camus. O francês até tentou parar os movimento de Shion, mas desistiu ao ver seu olhar reprovador. Aos poucos seus gemidos foram ficando cada vez mais evidentes e o prazer começou a consumi-lo novamente, voltando a gozar.

- Quer mais? – Shion indagou, mordendo o lóbulo de sua orelha.

- Quero dormir – disse.

- Hum... está certo. Eu estou cansado também.

Shion continuou abraçado a Camus e em um segundo ambos foram teleportados para a cama de casal. O francês sorriu e beijou Shion nos lábios, aquela técnica era muito bem-vinda em alguns casos. Os dois deitaram-se e se abraçaram.

- Minha cama está gelada – Shion reclamou num sussurro.

- Assim você vai lembrar de mim – Camus disse.

- Tem razão. Você poderia congelar alguns móveis para eu lembrar de você quando você está ausente – disse, rindo baixinho.

Camus estendeu a palma de sua mão e sua outra mão cobriu a mesma mão, começando a concentrar seu cosmos na região. Shion ajeitou-se mais na cama e ficou olhando para as mãos de Camus com atenção, querendo ver o que ele ia fazer.

- Aqui está – Camus disse, revelando sua mão onde havia um pequeno coração de gelo lapidado.

Shion pegou o objeto em sua mão, vendo o brilho intenso daquela peça e de como ele era gelado, porém ele não derreteria tão fácil, nem em cem anos ele derreteria.

- Acho que não seria interessante congelar os móveis – Camus disse, vendo a expressão maravilhada de Shion.

O ariano não disse nada, ele pulou na direção de Camus e o abraçou, com o coração de gelo em suas mãos, começando a dar vários beijos em sua face, em agradecimento.

- Eu estou muito feliz com você – Shion revelou – eu te amo, Camus.

O francês travou de repente sem saber o que dizer, porém Shion não queria nenhuma resposta, ele apenas disse o que sentia. O ariano tornou a beijá-lo, deixando o francês mais à vontade. Definitivamente Shion podia usar sua sabedoria tanto para aterrorizar mentes inocentes como para confortar pessoas perturbadas. Camus agradeceu mentalmente e aceitou o beijo.

OoO

Algumas casas abaixo da casa do grande mestre. Milo estava recuperado fisicamente, apesar de seu emocional estar bastante caótico. Ele saiu de sua casa zodiacal a fim de ir falar com Camus. Ele não aceitava aquela situação, aquilo estava sendo um erro, na sua percepção é claro.

- "Camus... perdoe-me, mas eu não posso aceitar sua felicidade com outra pessoa" – pensou.

O escorpiano começou a subir a escadaria até chegar à casa de aquário, vendo que a mesma estava vazia. Milo soltou um longo suspiro de decepção, ele imaginava onde Camus estaria naquele momento. Com passos lentos e desanimados, Milo caminhou até o quarto do francês, olhando com atenção para os lados, desejando não encontrar nenhum empregado.

Quando entrou no quarto de Camus. Milo sentou-se na cama do francês e passou sua mão pela parte afundada do colchão, Camus deveria dormir daquele lado. Os olhos de Milo fecharam-se, relembrando da noite que havia tido com Camus.

- "Como fui estúpido" – pensou, entristecido.

Milo deitou-se na cama do francês e ficou ali por um tempo, sentindo seu coração encher-se de angústia. A sensação de estar perto da pessoa que ama, mas ao mesmo tempo tão distante o sufocava.

- "Eu preciso sair daqui ou vou enlouquecer" – pensou.

Milo sentou-se na cama e olhou ao redor. Ele aproximou-se da escrivaninha de Camus vendo que havia um vidro de perfume que o francês usava. Com um movimento rápido a tampa foi retirar e Milo aspirou o aroma daquela loção.

Os pensamentos de Milo estavam à deriva, mas ele parou de repente ao ver um caderno de capa dura em cima da escrivaninha. Ele guardou o frasco do perfume e pegou o caderno nas mãos e o abriu.

- "Um diário?" – pensou, começando a ler as primeiras linhas. De repente o coração de Milo deu uma batida mais forte. Ele fechou aquele caderno e o abraçou no peito – "O que eu faço? Leio, não leio? Eu... claro que leio" – pensou, saindo correndo do quarto do francês.

Milo saiu furtivo da casa de aquário tomando cuidado para que as gotas de chuvas não molhassem a preciosidade que estavam em suas mãos. Ele estava curioso, na verdade louco de vontade de ler as confissões de Camus.

- "Será que Camus escreveu sobre mim?" – pensou, olhando para o céu, deixando algumas gotículas d'água atingirem-lhe o rosto, onde havia um sorriso ansioso e cheio de esperança.

Continua...

Hum... Quem mais colocará as mãos nesse diário? Que perigo Camus está correndo. Agora seus pensamentos podem ser revelados!

Você ficaria feliz para receber o perdão da pessoa que ama? Ou lutaria por ela até o final mesmo que ela te odiasse? Como será que foi a conversa entre Shion e Milo? Mistérios.

Espero que estejam gostando do capítulo. Desculpe a demora para postar, mas como estou de férias na faculdade, eu fui viajar. Eu mereço um descanso.

Obrigada a todos que comentaram, foi muito animador e um ótimo incentivo. Sempre que eu estou desanimada eu releio os comentários. Então, se gostaram da história. Comentem. Eu agradeço.

31/7/2008

Por Leona-EBM