Ela olhava para o teto, pensando...Era bom, era bom sentir o cheiro dele, sua pele...Que lhe importava o que os outros achavam? Que lhe importava se o elfo dizia que tinha "ido com a cara dela" e não queria que se envolvesse com o Mestre, para que ela não sofresse? Não se importava! Ela o amava! Ann fechou os olhos e pensou consigo mesma:

Ah, Príncipe...Mesmo que destroces o meu coração...Mesmo que destruas a minha vida...Eu ainda te amarei, para o resto da eternidade minha alma sempre e sempre se sentirá atraída pela tua.

-My Lord?

Abraxas Malfoy estava seriamente preocupado com o seu senhor, há dias ele não saía do quarto, só fazia pensar, e ponto.

-Sim Malfoy?

-Eu estou preocupado com o Senhor, Milord.

-Oh, sim, extremamente preocupado. E o que eu tenho haver com isso?

-Milord, há dias o Senhor não come, não dorme, não se "diverte", não nos dá instruções...Isso é...sério. Mesmo um bruxo com tamanho Poder como o Senhor acabará por se esgotar...

-Mr. Malfoy me diga quando foi que eu pedi para o Senhor se meter na minha vida?

Malfoy ficou surpreso, não que não estivesse acostumado com as ofensas do seu Senhor, mas a aparência dele estava deplorável, havia profundas olheiras sob seus belos olhos castanhos, seus cabelos estavam desalinhados e sua aparência era fantasmagórica.

O que houve com ele...?

-O que houve comigo? O que houve comigo, Malfoy, é isso que quer saber?

Esquecera que seu Senhor era legimente.

-Eu lhe digo, Malfoy. Eu estou confuso. Sim, confuso, não consigo entender algo. E só sairei deste quarto quando compreender.

Malfoy se assustou mais ainda, havia um brilho maníaco e irredutível em seus olhos que ele conhecia muito bem.

-Posso ajudar em algo?

-Oh, sim, claro que pode.

O que estava havendo? Ele estava gentil.

-Caia fora do meu quarto! Assim estará ajudando muito!

Saiu rápido antes que o seu Senhor decidisse se divertir as custas do sofrimento dele ou de sua família. Voldemort fechou os olhos e voltou a pensar.

Preciso encontrar uma resposta, preciso...

(Mudança de cena, Malfoy e outros Comensais estavam num pub de Londres não muito recomendável)

-Ele tá mal mesmo, Abraxas?-Rosier virou o rosto e chamou uma garçonete para reencher sua caneca.

-Está, Evan. Trancado em um quarto, não quer sair...

-Sabem do que ele precisa?-Dolohov perguntou.

-Do quê, Antony?-Perguntou o mais velho de todos, Malfoy, esperando alguma pérola do caçula dos comensais.

-Mulher.-Disse Dolohov com simplicidade.

Todos gargalharam gostosamente com aquela tosca afirmação. Malfoy fez um ruído seco, como se estivesse dividido entre o riso e a repreensão. Dolohov se contentou em, simplesmente, agarrar a garçonete de "formas avantajadas" que o servia. Depois de um segundo, Malfoy se decidiu pela repreensão e o riso. Deu um tapa na cabeça dele e exclamou:

-Claro que não seu idiota!

-Eu sei do que ele precisa.-Disse Rosier tirando do bolso um cartaz com o brasão de Hogwarts.

Todos se inclinaram para ler o aviso e sorriram, concordando.

(Volta ao quarto da Ann, ela está pintando)

Ele entrou sem bater, sabia que não precisava, sabia que ela não se importava.

-Pintando de novo, Ann?

-Príncipe, não chegue assim, silenciosamente, pelas minhas costas que eu me arrepio toda!

-Se arrepia, é? Perguntou ele, zombeteiro, enquanto encostava seus lábios naquele pescoço alvo -E não me chame de Príncipe...Para você eu sou apenas Tom.

-NÃO! Me-larga!-A garota, ofegante, saiu porta a fora, correndo.

-Que quadro interessante...

O homem olhava para um quadro onde se via uma mocinha de cabelos prateados presa a uma serpente em seu aperto mortal, e esta, ao mesmo tempo em que tentava se livrar expressava um louco prazer pela situação.

-É assim que você nos vê, Ann...?-O homem tinha uma melancolia louca no olhar...

Nem ela. Nem ela consegue esconder o medo...

Concluindo isso um sorriso esgarçado surgiu em seus lábios, era bom se sentir temido.

Ann estava encolhida num canto da cozinha, lágrimas escorriam por seu rosto e uma voz ecoava em sua cabeça, era a voz de sua tia.

Ainda era uma menininha e chorava, encolhida num canto do quarto. Sua tia gritava com ela coisas, das quais Ann só se lembrou de uma parte.

-Você é um buraco negro! Está vendo esse guarda? Ele morreu por sua culpa!

-Ele dizer mal da mamãe...

-Não interessa! Você é uma aberração! Não pode matar pessoas! Seu monstro! Foi isso o que aconteceu com a "mamãe", sabia?! Você sugou toda a vida existente na minha irmã! E fará o mesmo com todas as pessoas que te amarem, que te odiarem, que você ame ou que você odeie! Viu?! Monstrinho!...

Ela chorava, ensandecida, puxava seus cabelos e arranhava suas faces.

Não...Não quero machucá-lo, não quero que ele sofra...Não...Prefiro morrer!

-Senhorita! Senhorita Ann, Hunter está aqui para ajudá-la, não chore senhorita! Por favor,...Senhorita triste, Hunter triste também...Hunter vai chamar seu senhor, seu senhor acalmará a senhorita...

Ann agarrou o braço do elfo, desesperada.

-Não...-disse ela numa voz rouca de dor-...Não chame...Por favor...

Duas pequenas lágrimas rolaram dos olhos do elfo.

-Hunter não quer ver senhorita chorando, Hunter quer senhorita rindo...Por favor senhorita, ao menos tome uma poção para se acalmar...

Ann sorriu amargamente

-Eu não sei fazer poções...

-Hunter pedir ao seu Senhor. Hunter fazer qualquer coisa para deixar senhorita feliz...

-E-eu só querer¹ um copo d'água. Sim?

-Hunter providenciar, senhorita ficar aí, sentada e esperar por Hunter, Hunter já voltar com água.

Ann sorriu, melancolicamente, tentando parecer gentil. Com aquele gesto Hunter ficou exultante.

-Hunter, por que está pegando uma das minhas taças, seu vermezinho imundo?

Rosnou Voldemort entre dentes.

-A pequena senhorita está chorando senhor, senhorita treme tanto que Hunter veio pegar taça de metal para pôr água para senhorita não quebrar copo, Hunter está...-Falou o pequeno elfo amedrontado.

-Ann? Ann está se sentindo mal?-Voldemort perguntou de forma meio maníaca.

O elfo levou as mãos à boca, puxou as próprias orelhas e começou a guinchar:

-Hunter mau! Hunter mau! Senhorita ficar brava! Hunter não dever contar! Hunter mau! Hunter mau!

Voldemort ia sair, quando a figura esguia da menina entrou na sala.

-Hunter, tudo bem? Ouvi gritos...

O elfo a encarou com os olhos marejados e gritou:

-Hunter desobediente, senhorita, além de não pegar água suficientemente rápido, Hunter contar para Lord que senhorita chorar! Hunter já se castigar por isso, senhorita!

Ann o olhou, apavorada.

-Não Hunter! Não deve se castigar! Isso é horrível! Já estou abusando de sua boa vontade fazendo pegar água para mim! Não precisa de nada disso! Você não é meu escravo!

Isso só fez o elfo guinchar mais alto, desta vez gritando que não era merecedor de tamanha bondade, etc., etc., etc. Voldemort entendeu: era óbvio que Ann não tinha a menor noção da relação bruxos x elfos. Pegou a taça, segurou o braço de Ann com força, tirando-a de perto do elfo soluçante que ela estava consolando. Na porta, virou-se para o elfo e disse, numa voz fria:

-Prepare um lanche adequado para a sua senhorita. E rápido.

O elfo abriu um largo sorriso manchado de lágrimas e sumiu. Voldemort continuou arrastando a jovem e confusa bruxa em direção ao seu quarto.

-Tom, o que está havendo? Por que tratou Hunter assim?

Voldemort a sentou em sua cama, ia conjurar um caldeirão, mas perguntou-lhe, ignorando suas perguntas:

-Ainda quer a poção reanimadora?

Ann, confusa, fez que não com a cabeça.

-Não, não precisa, estou melhor, o que está havendo?

Ele disse, meio curioso, meio impaciente:

-Você nunca tinha visto um elfo antes, garota?

Ann arregalou os olhos e disse:

-Elfo?

Voldemort bufou:

-É, seres parecidos com Hunter. Elfos Domésticos. Sua família não tinha um?

-Eu me lembro de uma "elfo" baixinha e verde feito o Hunter me pondo para dormir, mas um dia a minha babá apareceu e disse que, a partir daquele momento, ela que ia cuidar de mim.

-Entendo...Ouça: Elfos são seres inferiores e repugnantes, são nossos servos, não precisa tratá-los como iguais, entende?

-Sim, Tom.

¹Ann não está acostumada a falar inglês, portanto, fala errado.