Era uma casa de tijolos aparentes, porém muito limpa e, na medida do possível, já que havia duas crianças pequenas em casa, arrumada.

As crianças, duas meninas da mesma idade, brincavam no quintal. E, dentro da casa, uma mulher de cabelos brancos e curtos, porém jovem, varria a casa cantarolando baixinho. O Sol brilhava lá fora e as meninas riam bem alto.

Ann olhou para o céu, levou a mão ao colar, fechou os olhos, sorriu e disse:

-Chegou a hora.

Pôs a vassoura encostada na parede e se encaminhou para o quarto.

A aura de magia poderosa era evidente no lugar. Quem prestasse muita atenção, perceberia que esta emanava da moça.

O ar foi ficando tão denso que era difícil de respirar, mas, em momento algum, Ann ostentou em seu rosto algo que não fosse serenidade.

Uma hora depois, a magia era tanta e tão intensa que rasgava a sua pele, havia vários cortes, profundos e superficiais, em diversas partes do seu corpo, inclusive nos pulsos. Pegou o fiel diário e uma pena, molhou-a no sangue e escreveu:

A dor de saber o futuro nos corrói por dentro.

Fechou o diário, inspirou fundo e deixou sua garganta se dilacerar, de dentro para fora.