Kagome sentia-se deslocada e ridícula a bordo do reluzente Mercedes, símbolo de uma posição social que já não era sua. Ainda bem que o Sr. Holman ia vendê-lo! De agora em diante não haveria mais vestidos desenhados especialmente para ela, nem compras impulsivas, nem tapetes desenrolados a sua frente quando entrava num banco. Teria de administrar as despesas com cuidado, sempre de olho no final do mês. Era algo a que não estava acostumada, mas que de certo modo a fascinava. Um verdadeiro desafio, que poria à prova em definitivo sua capacidade de enfrentar problemas de cabeça erguida.
Conseguiria, sim, tinha certeza. Apenas precisava de tempo.
Quando dobrou a esquina, avistou o carro de Inuyasha.
— Não, meu Deus — murmurou baixinho, enquanto seu coração disparava desenfreado. — Outra briga não, por favor.
Desceu do Mercedes, contente por estar de jeans. Pelo menos ele não veria seus joelhos tremendo feito gelatina.
Inuyasha veio ao seu encontro e, embora esperasse vê-la triste, sur preendeu-se com a palidez acentuada de Kagome. Havia vestígios inequívocos de lágrimas em seu rosto, e os olhos verdes haviam ganhado uma sombra arroxeada. Devagar, ele tocou-lhe os lábios secos e descorados,
— Perdão, Kagome— falou, sem preâmbulos. — Fui um grosseirão, bem sei. Em meu egoísmo, nem pensei no quanto você devia estar triste. Desculpe, sim?
Essa compreensão inesperada, aliada ao torvelinho de emoções que a perseguira no dia, fez com que as parcas defesas de Kagomese desmoronassem. Lágrimas quentes rolaram livremente pelo seu rosto.
— Eu é que peço desculpas — soluçou, enquanto tentava em vão secar as lágrimas. — Oh, Inuyasha, eu não falei por mal, acredite!
Enternecido diante de tanta fragilidade, Inuyasha alegrou-se por ter voltado. Sem dizer nada, apanhou-a no colo, pouco se importando com os olhares curiosos dos transeuntes, e levou-a para seu carro, enquanto beijava-lhe o rosto molhado.
Shippou pulou para o assento traseiro, piscando um olho para o tio.
— Mantenha a calma, minha senhora — anunciou Inuyasha, ao mes mo tempo em que a depositava carinhosamente sobre o banco estofado. — Isto é um seqüestro.
— O que os meus vizinhos vão pensar? — perguntou ela, em meio aos soluços.
— Que você está sendo seqüestrada, é claro. Shippou, nós vamos levar a moça para casa. Ela será obrigada a lavar, passar e cozinhar para nós. E, se tiver bons dotes domésticos, será também obrigada a se casar comigo.
— Mas você me mandou pegar o Mercedes e ir para o...
— Não na frente do pequeno, madame — atalhou Inuyasha, com um sorriso brejeiro. — Ele não deve aprender essas frases.
Shippou rolou os olhos para cima.
— Céus, de que século você é, tio Inu? Já larguei as fraldas há muito tempo, se quer saber!
— Culpa da TV — retorquiu Inuyasha. — Muito sexo e violência para meu gosto. Acho que vou quebrar o aparelho em pedacinhos...
— Mas eu não sei cozinhar — informou Kagome, sorrindo entre as lá grimas. — Exceto omelete.
— Com bacon?
— Acho que sim...
— Então está perfeito. Que me diz, Shippou?
— Genial!
Meia hora depois, o carro parava em frente à casa da fazenda. Shippou, aflito para assistir seu programa favorito, correu para dentro.
— Pode entrar, Kagome— gritou ele. — Kirara está no meu colo. Ela adora esse programa também.
— Gatos não têm capacidade de enxergar a TV, Sr. Shippou — riu Inuyasha, escoltando Kagomepara a cozinha.
— Kirara tem — retrucou o garoto, sem se atrapalhar. — Este gato é mágico.
Inuyasha fechou a porta que dava para a sala, abanando a cabeça com indulgência. Os ruídos da televisão e os gritos entusiasmados de Shippou chegavam até eles, acompanhados dos miados de Kirara.
— A gente acaba se acostumando com a barulheira — disse ele, aproximando-se. Seus olhos claros estudaram-na com atenção, fixando-se no coque que Kagome fizera pela manhã. — Por que você prende seu cabelo?
Os dedos morenos retiraram os grampos com delicadeza, um por um, até que os cachos, libertos da prisão, cascatearam sobre os ombros de Kagome.
— Agora sim — murmurou. — Muito mais bonito... Muito mais a minha Kagome.
— Eu disse coisas terríveis para você, Inuyasha.
— E eu respondi com outras piores. Sabe do que mais? Foi sim plesmente uma briguinha de amantes a que tivemos. Daquelas que todo o casal inventa, para depois a reconciliação ficar mais gostosa.
— Nós não somos amantes! — protestou ela.
— Mas seremos.
Kagomecorou até a raiz dos cabelos.
— Eu... não dou para isso.
Inuyasha curvou-se e beijou-a com doçura. Seus braços possantes puxaram-na com firmeza, apertando-a contra si.
— Ora vamos, querida — sussurrou, a boca quase colada à dela. — Não me obrigue a lutar...
Kagome quis protestar, mas não pôde. A língua morna e exigente de Inuyasha penetrou-a, produzindo uma sensação vibrante e sensual em seu corpo amolecido.
— Assim, Kagome, assim, meu bem...
Ele ergueu-a no ar e prendeu-a na parede com seu corpo maciço, a fim de que Kagome o sentisse por completo, enquanto sua língua investia em seus lábios com paixão, simulando uma união carnal que ela ainda desconhecia.
Quando a depôs no solo suavemente, Kagome ofegava, entontecida de desejo.
— Acho melhor você se casar comigo — disse ele, com a voz enrouquecida. — Não sei por quanto tempo mais posso protegê-la.
— Do quê? — perguntou ela, entorpecida.
— Preciso dizer, querida?
— É um passo muito grande, Inuyasha.
— Sei disso. Mas nós estamos nos consumindo em desejo, não vê? Quero que seja minha, Kagome. Não falo de bancos de trás de um carro, nem de um motelzinho qualquer de beira de estrada, mas de um lar de verdade.
— Sou pobre. Não, não me olhe assim, por favor. A verdade é que vou me tornar uma carga pesada para você. Posso trabalhar, mas minha contribuição será pequena, e...
— E como você acha que os outros casais se arranjam? — cortou ele, com doçura. — Pelo amor de Deus, Kagome, isso é o de menos! Eu também sou pobre, moça. Para mim, você é muito mais desejável agora, sem todo aquele dinheiro para nos atrapalhar. Sabe disso, não?
— Sei, Inuyasha. Agora sei. Não devia ter sido tão agressiva naquela hora, lá no escritório, mas... Deus, eu estava com tanto medo de que Você não me quisesse mais!
Ele puxou-a de novo, fazendo-a sentir seu corpo estuante de mas culinidade e desejo.
— Acha ainda que não a quero, pequenina?
A demonstração foi tão eloqüente que Kagome baixou a cabeça, a fim de esconder o novo e intenso rubor que lhe invadiu as faces.
Inuyasha riu alto, forçando-lhe o queixo com o dedo até que ela, vencida, ergueu de novo a cabeça.
— Você é um tesouro que eu tive a sorte de encontrar — murmurou ele, rindo ainda. — Como vai agir na noite de núpcias? Vai desmaiar ou se trancar no banheiro? Aposto que nunca viu um homem nu na vida...
— Acho que vou acabar me acostumando — brincou ela.
— É bom que acabe mesmo. Então, Kagome? Sim ou não?
Ela inspirou fundo. Recusava-se a analisar a situação por enquanto. No momento, tudo o que interessava era o desejo ardente que os con sumia em brasa.
— Sim, Inuyasha. Quero me casar com você.
Houve um silêncio prolongado entre os dois. Da sala vinham os sons confusos da televisão e da torcida de Shippou que acompanhava o "mocinho". Mais ao longe, um cuco cantava seu canto solitário, saudando a noite que principiava a descer em matizes de ametista. De repente, Inuyasha tomou-lhe a mão e beijou-a com ternura, os olhos de diamante lapidado emitindo uma luz nova que a envolveu em encantamento. Fosse como fosse, naquele momento não se via relutância nem arrependimento neles. O coração de Kagome desprendeu-se e voou alto, para além das nuvens.
— Ei, campeão, venha cá um minuto — chamou Inuyasha, abrindo a porta. — Kagome e eu vamos nos casar, garotão!
Shippou entrou correndo, o rostinho iluminado com um sorriso que ia de orelha a orelha.
— Genial! Quando?
— Na semana que vem — respondeu Inuyasha com decisão. Seus olhos buscaram os de Kagome, desafiando-a a contestá-lo.
— Então... — Via-se ansiedade e expectativa no rosto de Shippou. — Então eu posso ficar para ver?
Inuyasha contemplou-o durante algum tempo,
— No que me toca, sobrinho, você pode ficar até chegar à maioridade.
— E no que me toca também — juntou Kagome.
Shippou baixou a vista, encabulado. Como o tio, o garoto tinha o dom de guardar os sentimentos para si mesmo, mas dessa vez seu embaraço era visível.
— Seria um prazer, tio Inu. Mas... eu não vou atrapalhar?
— Nem um pouco. Não teremos tempo para nenhuma lua-de-mel por enquanto, e além disso você precisa ser matriculado na escola de Jacobsville o quanto antes. Vou necessitar de muita lábia para convencer o diretor a aceitá-lo no meio do ano, mas ainda assim pretendo tentar. — Shippou arregalou os olhos.
— Então não vou ter de voltar à escola militar?
— Não, a menos que você decida de outra forma. Já dei início a uma ação para obter sua tutela, campeão.
— Puxa, tio Inu! — O entusiasmo do garoto era tão patente que Kagome e Inuyasha se entreolharam sorrindo. — Nem sei o que dizer! Eu... puxa vida...
— Diga que concorda e volte para sua televisão. E feche a porta quando passar, que eu ainda não acabei de beijar Kagome.
— Ah, sei — fez o garoto, com uma careta. — Aquele negócio sentimental que parece chiclete passando de um para o outro.
— Esse mesmo — concordou Inuyasha, rindo do tom rosado que tingiu as faces de Kagome no mesmo instante. — Daqui a uns anos você vai gostar desse tipo de chiclete.
— Duvido — murmurou Shippou, abaixando-se para pegar Kirara. — No duro, tio Inu, eu gostaria muito de ficar com você. Mas meu padrasto não vai topar.
— Deixe que eu cuido disso. Por enquanto, volte para a sala. Eu chamo quando o jantar estiver pronto.
Quando se viram a sós, Kagome voltou-se para Inuyasha. Seus olhos pareciam dois espelhos de esmeralda.
— Eu pensei que não tivesse mais nada na vida. Mas tendo você, Inuyasha, tenho tudo.
Ele colocou as mãos nos bolsos e estudou o bico dos sapatos, sem saber o que responder. No fundo, tinha dúvidas que o atormentavam. Queria Shippou em casa e queria possuir o corpo jovem de Kagome, mas receava especular mais adiante. Vivera uma vida sem conhecer o amor verda deiro, e não tinha certeza sobre seus sentimentos em relação a ela.
— Disse algo que não devia? — perguntou Kagome, preocupada. Inuyasha se aproximou e fitou-a com gravidade.
— Não, de forma nenhuma. Mas não será fácil para você conviver comigo. Sou um solteirão empedernido, Kagome, e estou longe de ser rico. Não posso lhe dar vestidos de seda nem levá-la a restaurantes caros toda a semana...
— Nada disso me interessa — cortou ela, acariciando-lhe o queixo bem escanhoado. — Oh, meu Deus, eu nem acredito! Ficar com você todos os dias, todas as horas, todos os minutos... É bom demais!
O coração de Inuyasha se enterneceu ante a idéia de que Kagome encarava o simples fato de estar a seu lado como uma bênção. Inclinou-se para beijá-la, colhendo-a entre os braços.
Kagome enlaçou-o pela cintura, abandonando-se com raro prazer às pequenas faíscas que pulsavam em seu sangue. Amava esse homem como nunca supusera ser capaz de amar, e ele a queria para compartilhar toda uma vida a dois.
— Por Deus, Kagome—murmurou ele, arrebatado. — Espero ser homem o bastante para satisfazê-la na cama. Você é tão feminina, tão desejável e adorável... E como beija, céus!
— Bem, tomara que tudo isso seja um elogio...
— E é — volveu Inuyasha, lutando para manter o autocontrole. Kagome o deixava confuso. Seus beijos nada tinham de inocentes, e ela sabia colar seu corpo ao dele de uma forma que lhe tirava o fôlego. Na cama, Kagome o faria chegar ao extremo do arco-íris. Com certeza. Ela se fez séria de repente.
— Nunca passei a noite com ninguém. Nunca soube o que é fazer amor, e...
— Eu sei, querida. Você vai aprender comigo. E Kagome... estou contente de ser seu professor.
— Eu também. Estou contente por ter... me conservado assim como sou para você.
Ele mordiscou-lhe o lobo da orelha.
— Sabe pelo menos como é? Sabe como funciona uma união sexual, Kagome?
— Eu... acho que sim.
Pequeninas centelhas irisadas dançaram nas pupilas de Inuyasha. Kagome sentiu seu hálito de tabaco e café, aspirando-o com volúpia.
— Nunca fui delicado com mulher nenhuma — sussurrou ele, dan do-lhe beijos curtos e doces — mas prometo que com você será diferente. Só com você, Kagome.
— Inuyasha — ciciou ela, fechando os olhos.
Os beijos aumentaram de intensidade. Inuyasha sentia que o auto controle o abandonava devagarinho, enquanto suas mãos sôfregas subiam e desciam pelo corpo adorável e macio, criando uma tempestade turbilhante de paixão.
— Não agüento mais... Kagome, Kagome!
O gemido atormentado soou como um pedido de socorro e deu a ela a força necessária para se desvencilhar. Kagome se afastou com delica deza, sentindo as pernas bambas e a respiração acelerada. E viu que algo semelhante se passava com Inuyasha, que inspirava profundamente, em busca de alento.
— É como ter sede, não é mesmo? — comparou, com a voz entre cortada. — Por mais que se beba, nada satisfaz.
— Porque só bebemos alguns pingos — explicou ele, puxando a carteira de cigarros do bolso. Suas mãos tremiam ligeiramente. — Você é fogo, moça!
Ela o fitou amorosamente. Esse homem bonito ia ser seu marido. Perder a fortuna pareceu-lhe, de repente, um sacrifício mínimo. Pois se tinha nas mãos o maior tesouro do mundo!
— Mostre-me onde estão os ovos — pediu. — Vou preparar a melhor omelete que você e Shippou já provaram. E com o tempo, prometo aprender a fazer outros pratos.
— Não se preocupe com isso, querida. Eu sei cozinhar.
— Então você pode me ensinar!
— Posso. E outras coisas também... — Ela sorriu.
O jantar transcorreu num clima de quase euforia. Shippou riu, contou histórias e anedotas para os dois, fez pequenos animaizinhos com os guardanapos de papel e até ensaiou um ou dois números de mágica, para grande assombro de Inuyasha.
No fim da noite, já em frente ao apartamento de Kagome, Inuyasha co mentou:
— Mal posso acreditar na transformação de Shippou. Saiu da crisálida e virou borboleta neste pouco tempo em que ficou na fazenda. Perdeu o ar triste e até parece que ganhou corpo. Espantoso!
— Efeitos do amor — sentenciou Kagome, risonha. — Como é o padrasto dele?
— Não o conheço muito bem — Inuyasha deu de ombros. — Pelas cartas de Rin, sei que é um homem ciumento, cheio de ressentimentos contra o garoto. Tratou-o muito mal enquanto minha irmã vivia. Já pode imaginar como o trata agora, não é?
— E ainda assim vai lutar para não lhe dar a custódia de Shippou?
— Tenho certeza que sim. Mas não se preocupe, querida. Sei apreciar uma boa briga.
— É, já ouvi falar. — Inuyasha riu.
— Cresci lutando para me defender. Não tive escolha, entende? Meu pai cuidou disso lindamente, aliás. Por causa dele... — Os olhos cinzentos se escureceram de repente e cessaram de brilhar na noite estrelada. — É outro problema que você terá de enfrentar, se se casar comigo. Muitas pessoas não saberão que sua herança não existe mais, Kagome. Haverá muito falatório desagradável.
— Não me importo. Enquanto falam de mim, esquecem-se de falar dos outros, e isso já me serve de consolo.
— Você não se abate com facilidade, não é mesmo? — perguntou ele, entre surpreso e curioso.
— Não depois que você entrou em minha vida — volveu ela, brin cando com os pelos bastos e negros que saíam da camisa de Inuyasha. Eram tão macios como imaginara desde o princípio. — Estou feliz demais para me deixar abater. — Ele franziu a testa.
— Kagome, eu vivi sozinho por muito tempo. Mesmo para Shippou não é fácil conviver comigo. Eu... acho que... no começo as coisas poderão ser duras para você. Sou um homem difícil, querida.
— Não faz mal. Desde que não me apareçam mulheres nuas pela casa, acho que vou dar conta do recado.
Inuyasha riu baixinho.
— Não existem outras, sossegue. Nos últimos anos tenho me portado como um anjo — Ele se inclinou para beijá-la de leve, recusando-se a permitir que o beijo ateasse nova fogueira em seu peito. — Durma bem, pequenina. Shippou e eu passamos pelo escritório amanhã na hora do almoço.
— Hambúrgueres, aposto!
— Acertou. Deus, como gostaria que já estivéssemos casados! Eu a carregaria para cima neste instante e passaria uma boa hora tirando sua roupa.
— Não tenho tanta roupa assim — protestou ela, rindo.
— Você não me entendeu, pequenina. Mas vai entender um dia. Logo, espero.
— Na primeira vez em que saímos você não quis me beijar — lembrou-se ela de repente.
— Faltou-me coragem. Queria tanto beijá-la que me assustei. — Os dedos morenos acariciaram-lhe o queixo. — Achei que você iria me deixar viciado, assim como as drogas fazem. E eu estava certo.
— Está aí um tipo de vício que me agrada — fez ela, risonha.
— E a mim também. Boa noite, doçura.
Em vão Kagome aguardou na soleira. Inuyasha não se voltou para trás nem uma única vez, nem mesmo quando deu a partida no carro. Shippou acenou-lhe alegremente, e ela retribuiu o aceno com um aperto no co ração. Era como se Inuyasha estivesse habituado a agir de modo im pulsivo e nunca parar para pensar no que fizera.
E ela, estaria dando o passo certo? Ia se casar com um homem cujo único sentimento era desejo. Um desejo avassalador e poderoso, mas... apenas desejo.
Adormeceu preocupada, mas pela manhã, assim que despertou, soube que nada mais importava na vida. Não podia viver sem Inuyasha. Se era assim, o melhor a fazer seria tirar dessa certeza o melhor proveito, e batalhar para que um dia Inuyasha chegasse a amá-la com igual in tensidade.
— É verdade mesmo?
Kagome ergueu a cabeça dos formulários e sorriu. Sango entrara como um furacão e olhava-a com ar de quem acabara de ver um marciano.
— Se se refere ao meu casamento com Inuyasha Taisho, sim. É a pura verdade.
— Você é doida! — desabafou a outra, abanando-se freneticamente, embora não fizesse calor nenhum. — Tudo o que Inuyasha quer é a custódia de Shippou, querida. Sou sua amiga, e gosto de você como se a conhecesse desde pequena, por isso sinto-me à vontade para dizer o que penso. Acha que ele a ama, Kagome?
— Minha loucura não vai tão longe. O fato é que eu estou apaixonada. — A afirmação foi feita com encantadora simplicidade. — E tenho esperança de que um dia ele me ame. Vivo dessa esperança, Sango.
— Não é justo!
— Para mim é. E para Shippou também. O garoto é vivo, esperto, cheio de energia. Ele perderá tudo isso se continuar a depender do padrasto.
— Bom, quanto a isso, concordo — Sango sentou-se na beira da escrivaninha, soltando um suspiro comprido. — Tomara que você saiba bem o que está fazendo. Não consigo imaginar Inuyasha perdidamente apai xonado, se é que me entende. Além disso, Miroku me contou que ontem vocês tiveram um desentendimento.
— É verdade. Fomos bastante agressivos um com o outro, mas mais tarde conseguimos nos explicar. Inuyasha foi maravilhoso comigo e me propôs casamento. Não fui capaz de recusar, apesar de conhecer muito bem que razões o moveram. Sango, eu o amo muito.
Diante disso, a amiga se calou. Observando Kagome, retrocedeu alguns anos no passado e viu-se no lugar dela, loucamente apaixonada e sonhando com algo que lhe parecia impossível de alcançar. Naquele tempo, Sango teria cometido qualquer loucura para manter acesa a chama da esperança. E lutara com ferocidade pelo futuro, exatamente como Kagome agia agora.
— Entendo o que quer dizer, querida — disse, afetuosamente. — E desejo, do fundo do coração, que você se dê bem.
— Obrigada, Sango.
Quando Inuyasha chegou, encontrou Kagome sozinha no escritório. Sango saíra com Miroku, e os demais funcionários achavam-se em hora de folga.
— E Shippou? — perguntou ela, depois de receber um beijo.
— Foi ao cinema. É um menino esperto, aquele. Acha que noivos precisam ficar sozinhos de vez em quando. Sendo assim, que tal com prarmos os ingredientes para um belo piquenique ao lado do rio? Juro que vou achar um lugarzinho romântico e afastado, onde poderemos namorar à vontade.
— Feito! — exclamou ela, feliz. — Mas tenho de esperar que o primeiro funcionário volte do almoço, para não deixar o escritório vazio.
Dez minutos depois, os dois atravessavam de mãos dadas o grande pátio do edifício.
— Estamos despertando a atenção, pequenina. O pessoal sabe que estamos noivos?
— Ao que parece, sim.
— Falatórios de cidade pequena são terríveis. Bom, para mim não faz diferença. E para você?
— Nenhuma.
Pararam numa loja de frios e queijos, onde Inuyasha escolheu cui dadosamente o que havia de melhor, além de refrigerantes e pães.
— Você parece uma adolescente entusiasmada numa festa ao ar livre — disse Inuyasha, sorrindo.
Kagome sentou-se e ajeitou a saia vaporosa sobre o gramado, atirando os cabelos para trás e fechando os olhos. Pouco depois, reclinou-se apoiada nos cotovelos, enquanto inspirava o ar puro da tarde.
— E assim que estou me sentindo agora. Ah, que paz!
— Prepare-se, porque essa paz não vai durar muito. Eu cuido disso... — Não entendendo o que ele queria dizer, Kagome arregalou os olhos de espanto.
Inuyasha esticara-se por cima dela, cobrindo-a inteiramente com seu corpo maciço. Seus olhos líquidos pareciam mais claros, e fitavam-na com uma intensidade que a fez estremecer. Devagar, ele se apoiou tam bém nos cotovelos, deixando que parte de seu peso se transferisse para Kagome.
— Esta é uma boa ocasião para iniciar nossas aulas — sussurrou. Delicadamente, moveu os quadris para a frente, de forma a amoldar-se aos dela. Foi o bastante para sua respiração se tornar mais acelerada. Kagome entreabriu os lábios, arrebatada pela transformação que pressentiu sob o jeans dele.
— Há séculos atrás, quando eu era um adolescente ardoroso, isto era uma rotina para mim, Kagome. Hoje está sendo uma surpresa mais do que maravilhosa. Gosto do modo como meu corpo reage ao seu.
— Ele não... reage mais dessa forma com outras mulheres?
— Só com você, ao que tudo indica. Devo estar ficando velho. Ou isso, ou o fato de eu estar com uma virgem me rejuvenesce...
Ela não pôde deixar de rir. Inuyasha aproveitou o momento e colou sua boca à dela, penetrando-a suavemente com a língua, enquanto sua perna separava as dela sobre a gaze vaporosa.
— Não temos muito tempo para namoro de mãos dadas — ciciou ele, seu hálito mesclando-se com a brisa. — E nós devemos nos conhecer fisicamente antes de nos casar. Isso facilitará nosso relacionamento sexual, Kagome.
— Mas eu nunca fiz nada parecido — volveu ela, nervosa.
— Nunca chegou a esse ponto?
— Não. Meus pais mantinham uma vigilância severa quando estavam em casa. Quando viajavam, deixavam-me com uma tia muito boazinha, mas igualmente severa.
— Talvez eles tivessem razão — rebateu Inuyasha, com calma. — Mas nós vamos nos casar. Um dia, eu vou colocar uma sementezinha bem no fundo de seu ventre, e você há de gerar meu filho.
Essas palavras provocaram uma reação em Kagome. Ela abriu muito os olhos e corou, fitando-o com espanto.
— Você ficou excitada só de ouvir, não foi? Sim, estou vendo, nem precisa responder. Deus, que seios lindos você tem, Kagome.
Dessa vez ela ficou escarlate. Inuyasha riu, encantado.
— Não devia provocá-la tanto, querida, mas eu adoro quando você fica assim vermelhinha. E algo a que não consigo resistir. Muitas outras coisas em você são irresistíveis... como isto, por exemplo...
Unindo o gesto à palavra, Inuyasha se debruçou e colocou a boca aberta sobre o seio intumescido de Kagome.
Tinker: Esse inu é muuuito bronco mesmo com ela né, todo indelicado. Mas ele no fundo ta ficando cada vez mais na dela e não está sabendo lidar com isso, e acaba usando o sobrinho como desculpa HAHAHHAHAHA aguarde os proximos cap, que só tende a explodir tudo entre eles.
neherenia sereniti : ele está bem confuso no fundo, ele não sabe lidar com o sentimento q tem por ela hahahahaha vamos aguardar pra ver, espero que tenha gostado deste cap. beijooos
