Se Kagome tivesse voado naquele instante para perto do sol, a sensação de calor não teria sido tão intensa. Seu corpo pareceu explodir num vulcão de lava incandescente, tal a força da emoção que a invadiu no minuto em que a boca de Inuyasha envol veu-lhe o seio. Sob a fazenda vaporosa, a língua quente traçava caminhos em espirais de fogo e paixão, entorpecendo-a.

— Mais, Inuyasha... mais...

Alucinado de desejo, ele desabotoou a blusa vaporosa que os separava e buscou sofregamente a pele acetinada com as mãos, com os olhos, com a boca. Kagome entregou-se por completo ao êxtase de ser tocada, apertando-o contra si e murmurando palavras desconexas. Nenhum pensamento de protesto cruzou sua mente atordoada; só se alimentava dos beijos febris, da quente sensualidade das mãos sobre sua pele nua.

— Você é linda, Kagome— murmurou ele, embevecido. — Seus seios...

— Quero ser sua, Inuyasha.

— E eu quero ser seu.

— Agora, aqui.

Ele sacudiu a cabeça, lutando para recuperar a sanidade.

— Não. Agora não. Ainda não nos casamos, pequenina.

— Não importa — Kagome agora chorava, o corpo inteiro clamando pelo sexo.

— Importa, sim.

Delicadamente, mas com firmeza, Inuyasha soltou-se e ajeitou a blusa no lugar, brigando consigo mesmo para desviar a vista dos seios magníficos que pareciam chorar sua prisão. Depois sentou-se na grama e embailou-a no colo, murmurando palavras de conforto e carinho, as mãos a cariciando-lhe os cabelos macios que cheiravam a jasmim.

— Sou um homem de sorte, Kagome— disse, quando finalmente o choro sentido cessou. — De muita sorte.

— Engana-se, Inuyasha. Eu é que tive a sorte de encontrá-lo.

Ele a fitou com ternura, os olhos de prata fundindo-se no mar de esmeralda.

— Nós vamos dar um passo importante na vida. Pelo nosso bem, e pelo de Shippou, espero que seja o passo correto.

— Será, Inuyasha.

De alguma forma, Kagome tinha absoluta segurança do que dizia. Mas não escapou à sua percepção que Inuyasha não partilhava a mesma certeza.

A semana seguinte voou como num passe de mágica. Kagome intercalava os minutos livres entre Inuyasha e as compras febris com Sango, nos preparativos para o grande dia. Depois de muito hesitar, ela acabou optando por um vestido de sóbria elegância, cuja única riqueza residia, exatamente, na simplicidade. Era um conjunto curto cinza-pérola, de corte reto. Fiel a seus novos princípios, ela escolheu essa cor porque mais tarde as duas peças combinariam bem com qualquer outra de seu guarda-roupa.

A cerimônia teve lugar na singela igreja local, da qual Inuyasha era membro. Metade da população de Jacobsville compareceu ao casamento e fez questão de apresentar seus cumprimentos ao jovem par, pois a essas alturas todos já sabiam que Kagome perdera a herança. Até Kouga, o antipático meio-primo de Inuyasha, mostrou-se surpreendentemente po lido e atencioso.

Naquela tarde, Shippou foi para a casa dos Ballenger, onde permaneceria hospedado durante a curta ausência do tio. Seria uma lua-de-mel de dois dias apenas. Kagome e Inuyasha seguiram viagem até San António, jantaram a beira do rio e apreciaram o espetáculo encantador dos mariachis, seresteiros mexicanos que passavam em canoas lentas, tocando suas músicas típicas e exibindo com orgulho chapéus de abas imensas.

— Não há lugar mais bonito no mundo — suspirou Kagome, contem plando o marido do outro lado da mesa.

Marido. Seu marido...

Inuyasha sorriu, bonitão como nunca dentro do temo cinza que usara no casamento.

— Isto é bem diferente de Nice ou St. Tropez. Não está desapontada?

— Nem um pouco. E espero saber torná-lo tão feliz quanto me sinto neste momento.

Inuyasha engoliu o último pedaço de torta e fitou-a com um brilho guloso nos olhos.

— Que tal subirmos ao nosso quarto agora? Estou louco para ver quantas vezes você vai enrubescer antes de eu lhe mostrar o que é fazer amor.

Kagome sentiu o coração subir-lhe à boca.

— Tudo bem — assentiu, envergonhada.

Mal teve coragem de erguer os olhos enquanto Inuyasha pagava a conta e a escoltava rumo ao hotel.

— Está assustada, Kagome?

— Um pouco. Não gostaria de desapontá-lo, Inuyasha. Sei que você tem muita experiência e...

— Nunca me casei antes, lembra-se? Nem tive de dar aulas de amor a uma mulher linda como você. — Os olhos límpidos fitaram-na com súbita seriedade. — Vou tentar não machucá-la muito, querida,

— Não estou preocupada com... isso.

Quando entraram no quarto, Kagome esticou a mão para acender a luz, mas o marido deteve-a.

— Será mais fácil para você no escuro — disse ele, com gentileza, puxando-a para si. — Não quero que me veja nu por enquanto.

— Você tem cicatrizes? — riu ela, nervosa, tentando fazer graça.

— Não. Mais tarde você entenderá melhor o que quero dizer. Por enquanto... — Ele tomou-a no colo para depositá-la carinhosamente na cama. — ...vamos aproveitar estes momentos. Quero que você se lembre deles com alegria até o fim da vida.

Fremente de expectativa, Kagome deixou-se despir em silêncio, enquanto Inuyasha oferecia-lhe amostras do que estava para vir. A cada botão, a cada colchete desprendido, ele a beijava e acariciava, a fim de aliviar-lhe a tensão. Entremeava os beijos com palavras gentis, até desnudá-la por completo. Então esticou-se sobre ela, ainda vestido. Seus olhos fulgu ravam na penumbra quando ele tomou-lhe o rosto entre as mãos.

— Você é linda... E vai ser minha! Minha Kagome...

Seus lábios se aninharam nos dela, ao passo que sua mão começou a massagear-lhe os seios túrgidos, fazendo-a gemer de prazer. Dos seios a mão foi para o ventre macio, e de lã para mais baixo, em busca dos pêlos sedosos do púbis.

— Não se assuste, pequenina — sussurrou ele, tocando-a pela pri meira vez nos pontos mais íntimos. — Relaxe e sinta meu toque. Sinta meu desejo. E me deseje com a mesma intensidade. Kagome, oh, Kagome...

Devagar, com todo o cuidado, ele avançou mais um pouco com o dedo, sempre tateando. E foi mais fundo, mais fundo. Porém Kagome, apesar das precauções do marido, deixou escapar um gemido doloroso.

— Deus, esta não será a melhor noite de sua vida, pequenina. Escute, não prefere que eu espere até que um médico faça esse serviço? — A expressão de Inuyasha denotava compreensão. — Não quero assustá-la, mas esta... esta barreira não será fácil de romper. Você sabe que eu preciso transpô-la a fim de lhe dar prazer, não sabe?

Kagome engoliu em seco.

— Sei. Mas um médico...? Prefiro que seja com você. Vai doer muito?

— Um pouquinho, com toda a certeza, meu bem.

Inuyasha deitou-se de costas e puxou-a para perto, agoniado de desejo. Sua vontade era mandar os cuidados para o inferno e saciar o corpo faminto, mas não desejava magoá-la. Acima de tudo, não queria assus tá-la.

— Eu não sabia, Inuyasha. Nunca tive problemas de saúde, e nem pensei em fazer exame pré-nupcial... Oh, meu Deus, acho que estraguei tudo!

— Nem diga isso, bobinha.

Os braços possantes envolveram-na mais uma vez, protetores e con fortantes. Sem pressa, fazendo uso de seu formidável poder de auto controle, Inuyasha retomou as carícias interrompidas, até alcançar o triângulo sedoso do púbis. Dessa vez, no entanto, seus dedos apenas a tocaram de leve, em movimentos rotatórios, tão suaves e sensuais que Kagome começou a se derreter por dentro. Quando se deu conta do que estava para acontecer, ela arquejou e tentou puxar-lhe a mão, mas já era tarde. O prazer chegou de surpresa, ofuscando-a, fazendo-a arquear o corpo e gemer baixinho.

Algum tempo depois, ele se ergueu da cama e acendeu o abajur. A visão do corpo amolecido da mulher, dos seios empinados, da saciedade que lia nos olhos verdes, deixou-o satisfeito. Seu corpo tremia de desejo ainda, mas ele dera prazer a Kagome.

— Nem é preciso dizer que gostou da experiência, pequenina. Eu também gostei. E quero mais...

Enquanto falava, Inuyasha começou a se despir.

Kagome contemplava-o com visível encantamento. Inuyasha pareceu-lhe um deus romano, grande e poderoso, a pele bronzeada do dorso coberta por uma penugem tênue e negra. Quando ele tirou a última peça e se voltou, Kagome prendeu a respiração, incapaz de desviar a vista. Mesmo em seus sonhos mais eróticos, jamais vira tanta pujança masculina. Es tava, efetivamente, diante de um deus romano.

Ele se ajoelhou na cama, os olhos brilhando de desejo insatisfeito.

— É a minha vez, pequenina — disse, deitando-se sobre ela com mil cuidados. — Quero receber o que lhe dei.

— Oh, sim, por favor! Ensine-me, Inuyasha...!

As bocas se buscaram com sofreguidão apaixonada. E, nas lições que se seguiram, Kagome aprendeu a banir timidez, receios e inibições. Quando ele gritou alto pela segunda vez, o corpo de deus erguendo-se no espasmo supremo e depois tombando exaurido, Kagome sorriu de feli cidade. E adormeceu nos braços do marido.

Voltaram na manhã seguinte para casa. Inuyasha justificou a decisão secamente, afirmando que não havia razão para ficarem brincando quando eram os médicos que resolveriam de uma vez por todas a situação. Obediente, Kagome submeteu-se a uma pequena cirurgia na segunda-feira pela manhã, embora experimentasse um certo embaraço na hora de explicar ao médico seu problema. O doutor mostrou-se comp reensivo.

— Seu marido foi delicado e tomou a decisão correta, acredite. Se ele tivesse sido impaciente, a senhora ainda estaria sofrendo.

Três dias depois, sentindo-se bem disposta e restabelecida da inter venção, Kagome resolveu que proporcionaria uma noite inesquecível para o marido. Pediu a Sango que ficasse com Shippou, comprou uma camisola que parecia uma nuvem e colocou uma garrafa de champanhe no con gelador. Naquela tarde, ela pedira licença a Miroku para ficar em casa e gastara horas diante do fogão, preparando uma ceia especial.

Pouco antes de Inuyasha chegar, Kagome inspecionou-se com ansiedade diante do espelho. Pusera o vestido mais atraente que tinha, um longo de cetim preto com uma fenda comprida ao longo das pernas e decote generoso. Esse vestido ficava bem com um coque elaborado, mas ela deixara os cabelos soltos, do jeito que o marido apreciava.

— Nada mau, nada mau — disse baixinho, sorrindo para a própria imagem.

Nesse instante, ouviu o ronco de um motor se aproximando. Kagome perfumou-se rapidamente e voou para baixo, a fim de acender as velas sobre a mesa. O ruído da porta batendo com violência sobressaltou-a. Será que Inuyasha tivera algum problema no trabalho? Bem, fosse como fosse, ela saberia como solucioná-lo.

Com o coração aos saltos, Kagome foi para a sala. Mas seu sorriso morreu no mesmo instante, diante da expressão carregada de fúria do marido.

— Você não me contou que tinha uma tia rica. Rica o bastante para comprar metade deste maldito país!

Kagome precisou de alguns instantes para se situar.

— Ah, você se refere à tia Kana? Bem, é que...

Mas parou, assustada. Nunca vira Inuyasha naquele estado, e isso a punha nervosa.

— Miouga Rollins ligou para meu escritório há alguns minutos. — Ele contraía as mandíbulas, num visível esforço para se controlar. — E me pediu para transmitir as boas novas para você, Kagome. Boas novas, que ironia! Sua tia morreu ontem à noite e deixou tudo para você. Satisfeita?

Kagome caiu pesadamente sobre o sofá, branca como cal. Agora entendia a súbita tempestade que lia nos olhos atormentados de Inuyasha.

— Tia Kana morta? Mas eu recebi uma carta dela ainda na semana passada. Não percebi nenhum sinal...

— Você não me contou nada! — acusou ele. — Por quê, em nome dos céus?

— Não me lembrei, Inuyasha — murmurou, enquanto lágrimas si lenciosas começaram a descer devagar pelo rosto que fora maquiado com tanto cuidado. Para ele. — Eu... gostava muito dessa tia, mas não era por causa do dinheiro. Estou triste por tê-la perdido.

— Pois pode começar a se alegrar, porque ela a deixou milionária da noite para o dia. Bem, imagino que você queira pegar o primeiro avião para ir ao enterro, não é assim? Seu tio vai junto. Ele me avisou que já providenciou as passagens e telefonará mais tarde.

Com um gesto brusco, Inuyasha tirou a gravata. Seus olhos claros lançavam farpas fininhas, que atingiam direto o coração de Kagome.

— Não é minha culpa — disse ela, desesperada.

— Sei que não é, mas mesmo assim nossa situação mudou por completo. Não vou continuar casado com você, Kagome. Para mim, chega.

A figura maciça de Inuyasha dançava num borrão confuso através das lágrimas.

— Mas e Shippou? A ação contra o padrasto?

— Não sei...

A ligeira hesitação de Inuyasha fez com que ela se erguesse do sofá e se aproximasse timidamente.

— Escute, eu vou pedir a tio Miouga que mantenha segredo dessa história. Podemos continuar casados o tempo suficiente para livrar Shippou do padrasto. Depois... depois podemos nos divorciar.

— Divorciar? — Ele soltou uma gargalhada curta e desagradável. — Anular é um termo bem mais adequado. Ou você já se esqueceu? Brincamos na cama, minha cara, mas não fizemos sexo de verdade. No fim das contas, foi bem melhor assim. Você continua virgem e intocada, para todos os efeitos. Pode achar um desses janotas ricaços e se casar com ele.

— E você?

Inuyasha deu-lhe as costas, sacudindo os ombros com indiferença.

— Eu fico com Shippou.

— Não me quer mais, Inuyasha?

— O que eu quero não vem ao caso — replicou ele com frieza, cuidando para esconder o rosto. — O que não vou tolerar é ser objeto de falatórios em Jacobsville. Outro Taisho caça-dotes, sim senhor! Era só o que me faltava... Especialmente numa hora destas, em que tenho o futuro de Shippou em minhas mãos.

— Entendo.

Kagome agora tinha os olhos secos, fixos no vazio. A dor anestesiara-a. Perdera Inuyasha, e não havia nada no mundo que o demovesse de sua decisão. Era um homem orgulhoso demais para conviver com uma esposa milionária. E mesmo que fosse menos orgulhoso, os falatórios acabariam Prejudicando o futuro de Shippou.

— Eu vou ligar para tio Miouga — disse alto.

Mas falou com as paredes. Inuyasha saíra, deixando a porta aberta.

Na manhã seguinte Inuyasha levou Kagome e Miouga Rollins ao aeroporto. Os Ballenger mostraram-se compreensivos e dispensaram-na do serviço por dois ou três dias. Para consolo de Kagome, suas olheiras e sua apatia foram atribuídas à perda da tia, e ela dava graças aos céus por Inuyasha não ter ido ao escritório; caso contrário, a carranca sombria do marido certamente os teria feito mudar de idéia,

— Obrigado pela carona — disse Miouga, visivelmente embaraçado, ao cabo de uma viagem tensa e hostil. Era evidente que os recém-casados não curtiam nenhuma lua-de-mel. — Kagome, vou esperá-la na fila de passageiros.

— Irei ter com você daqui a pouco, titio.

Quando Miouga se perdeu entre a multidão, ela volveu os olhos opacos para o marido. Na véspera, Inuyasha voltara tarde da noite e dormira no quarto de hóspedes,

— Pelo visto, você não descansou nada durante a noite — disse ele, num tom seco e formal.

— Muito pouco. Eu gostava um bocado de tia Kana.

— Não fui compreensivo ontem à noite. Desculpe, Kagome...

— Não tem por que se desculpar — cortou ela, erguendo o queixo. — De minha parte, pretendo cumprir meu trato. Ficarei com vocês até o dia do julgamento. Depois, como você sugeriu, poderemos requerer anulação do casamento.

— E depois? O que pretende fazer sozinha?

Ela deu uma risada amarga. Sentia a morte na alma.

— Que lhe importa? — indagou, abaixando-se para apanhar a maleta. Não o olhava diretamente, para não se trair. — Não contei nada aos Ballenger sobre a herança, e espero que você faça o mesmo. Enquanto eu não me encontrar com os advogados, não existe certeza de nada.

— Escute, nem sonhe em recusar essa herança por minha causa — avisou ele, num tom de alegre despreocupação, como se Kagome não sig nificasse mais que um cisco em sua roupa. Deixá-la desistir de uma fortuna em nome de uma ligação baseada em sexo parecia-lhe no mínimo criminoso. — Só me casei com você por causa de Shippou, como sabe.

Diante do olhar doloroso que recebeu de volta, juntou depressa:

— Bem, concordo que me senti atraído pelo seu belo visual. Mas vou sobreviver muito bem sem você.

A palidez de Kagome acentuou-se um pouco mais.

— Pelo menos um de nós sai de coração inteiro dessa história — disse ela, depois de um silêncio. — Adeus, Inuyasha.

— Adeus!? Não acha que está sendo dramática demais? Até breve é melhor.

— Interprete como quiser, mas para mim é adeus. Vou voltar, sim, para o bem de Shippou, e vou ficar com vocês até o julgamento. Quanto a nós dois, ao nosso casamento, é adeus. Mesmo.

Kagome deu-lhe as costas e encaminhou-se para o portão de embarque, sentindo o gelo da morte no coração. Contou os passos, pensando que cada um deles a levava para o vácuo da solidão e do esquecimento. Não se virou nem uma vez. Estava começando a aprender a não olhar para trás, exatamente como Inuyasha fazia.

A curta estada em Miami foi exaustiva. Kagomee Miouga dedicaram-se a empacotar e despachar os objetos de tia Kana, separando aqueles que deveriam ser vendidos. Ao final do segundo dia, os dois se dirigiram ao luxuoso escritório dos advogados, onde foram recebidos com toda a deferência.

— O testamento foi alterado recentemente, sem meu conhecimento — anunciou o advogado, cofiando os bigodes manchados de nicotina.

— A empregada de Kana encontrou-o na gaveta da cômoda. Está de vidamente legalizado por duas testemunhas.

Miouga Rollins assobiou baixinho.

— Não vá me dizer que ela deixou a fortuna para os gatos...

— Não — riu o homenzinho, extraindo um documento da pasta. — É algo bem melhor que isso. O dinheiro deverá ser empregado na cons trução de um orfanato especial para crianças portadoras de câncer in curável e... Srta. Taisho! A senhorita está se sentindo bem?

Kagome achava-se à beira, da histeria. De alegria e alívio.

— Quer dizer que eu não vou receber herança nenhuma?

O advogado olhou-a, assombrado. Percebera a reação de Kagome, mas não queria acreditar no que via.

— A senhorita não queria esse dinheiro?

— Eu? — Kagome controlou-se para não sair dançando ali mesmo. — Não, de forma nenhuma. Estou muito feliz assim.

— Pois eu não estou — resmungou Miouga, coçando a cabeça. — Bem que gostaria de herdar um ou dois móveis de tia Kana.

— Mas ela cuidou disso, sossegue — tornou o advogado, servindo-se de uma alentada dose de conhaque. A reação daquela moça bonita deixara-o atordoado. — De acordo com o testamento, todos os quadros e objetos de arte devem ser vendidos num leilão. O dinheiro apurado será dividido entre vocês dois. Calculo que cada um receberá a respeitável quantia de duzentos e cinqüenta mil dólares. E há as jóias de Kana, que ficarão com a senhorita, sob a condição de que não sejam vendidas.

— Eu jamais pensaria em vendê-las — volveu Kagome, sorrindo. — Algumas têm mais de três séculos e pertenceram às casas mais nobres da Europa. Essas jóias têm de ficar na família, é claro, e serem usadas pelos descendentes.

Nesse momento, sua voz falseou e seus olhos perderam o viço. Des cendentes... Que descendentes?

— Bem, pelo menos não ficamos de mãos vazias mais uma vez — comentou Miouga, assim que deixaram o luxuoso edifício. — Você não queria o dinheiro de tia Kana, Kagome? Verdade mesmo?

— Não, não queria. Para começo de conversa, Inuyasha não teria se casado comigo, caso eu fosse rica.

— É, o homem tem um trauma violento por causa do pai. Bom, diante dessa novidade seu casamento vai ganhar bases mais sólidas, não é mesmo?

— Pode ser, tio Miouga.

Kagome foi lacônica de propósito, para não se alongar num assunto pessoal como aquele. Em sua opinião, se Inuyasha a amasse de verdade, tanto fazia ter ou não dinheiro, ser mendiga ou princesa. Ele a rejeitara por causa dessa nova herança, porque não queria uma esposa milionária. Para todos os efeitos, era uma forma de preconceito tão danoso e des trutivo quanto qualquer outro.

Pois muito bem; não forçaria nada com relação a Inuyasha. Voltaria a Jacobsville e diria a ele que o inventário de tia Kana levaria algum tempo ainda para ser levantado, e que enquanto isso seria obrigada a trabalhar para se sustentar. Não contaria que o destino a lograra pela segunda vez e que a herança se reduzira a uma quantia apenas razoável. Ele a repudiara, e talvez tivesse lhe prestado um favor, pois Kagome sentia que seu amor por Inuyasha crescia de maneira assustadora. Um amor sem esperança, unilateral, que poderia aleijá-la para o resto dos dias.

Por causa de Shippou, não sumiria da vida de Inuyasha Taisho por enquanto. Ficaria com ele e o garoto até que a adoção fosse decidida. Depois disso, escolheria sozinha seu caminho.

Mas não deixava de ser irônico o fato de ter entrado virgem no casamento e dele ter saído da mesma forma, conquanto tivesse experi mentado momentos de prazer inesquecíveis. Estranha era a vida!

Ser pobre já não a assustava como antes. Se tivesse o amor de Inuyasha, Kagome se sentiria a mulher mais rica do mundo. Como passara momentos ternos e maravilhosos a seu lado! Quanta doçura e ternura lera nos olhos de diamante! Por vezes, chegara a acreditar que ele quase a amara, principalmente nas horas mais arrebatadas. Mas desejo não era sinônimo de amor.

Impossível conviver com alguém que a encarava como uma sobre mesa apetitosa. Kagome queria ser desejada, sim, mas amada também, e na mesma proporção. Inuyasha impusera condições que não a satisfaziam. "Seja pobre, para que exista um bom relacionamento entre nós", dissera ele. Não com essas palavras, mas o conteúdo era o mesmo. Se houvesse amor verdadeiro, nem riqueza nem pobreza contariam. Nem todos os mexericos do mundo.

Com um sorriso triste, ela fechou a mala e desceu as escadas. Devia voltar para o marido e fingir que não o amava. Brincar de casinha com ele, conversar com ele, rir com ele. Tudo para, no dia do julgamento, o juiz entregar Shippou ao "jovem e feliz casal", como certamente diria.

Jovem e feliz casal...

Kagome reprimiu um soluço seco e ergueu o queixo.


Genteeeeeeee desculpa a demora pra postar, mas tava muito corrido, agora da pra postar com mais frequência, quem ai esta acompanhando esse casal cabeça dura ?kkkkk

Tinker: esses doooooooois são foda viu, o trem só ta começando a pegar fogo, vamoooos ver o que ele vai arrumar agora né, pq nunca vi uma pessoa cabeça dura como ele hahahhahaha está gostando?

neherenia sereniti : poooois éee, ainda tem uma nuvem escura em cima desse casal e os atrapalhando hahahahhahaha vamos ver como vaão se sair né, está gostandoo?