Foi um choque encontrar Inuyasha esperando-a no aeroporto.

— Nós poderíamos pegar um táxi — começou, nervosa, enquanto o tio contemplava-os com curiosidade,

— Bobagem. Não me deu trabalho nenhum vir buscá-los. — Inuyasha forçou um sorriso despreocupado, tratando de esconder a intensa alegria que o invadira no momento em que vira a esguia silhueta da mulher descendo do avião. Era forçado a admitir que esses dois dias haviam se escoado com exasperante lentidão. Que sentira falta de Kagome, de seu riso e de seu aroma de jasmim. Além disso, experimentava uma sensação incômoda de culpa, pois tratara-a com rudeza num momento de dor e solidão.

— Foi muita gentileza sua, Inuyasha — interveio Miouga, entregan do-lhe a maleta de Kagome. — Para dizer a verdade, odeio táxis.

Ela acompanhou-os em silêncio, ignorando os olhos claros que a buscavam com calma insistência. Tentava convencer-se de que não se interessava mais pelo que o marido dissesse ou fizesse. Ele a magoara pela última vez, prometeu-se. Não faria papel de boba ingênua nova mente.

Depois que deixaram Miouga, não trocaram nenhuma palavra até che garem à fazenda, cujo silêncio surpreendeu Kagome.

— Shippou está na escola — explicou Inuyasha, depois de levar a bagagem de Kagome para o quarto.

— Escola? Você conseguiu, então, convencer o diretor?

— A diretora — corrigiu ele, abaixando-se para acariciar Kirara. — Não foi muito difícil.

Inuyasha brincou um pouco com o gato e depois se pôs de pé, os olhos límpidos e quietos perscrutando-a com gravidade.

— Como você está?

— Bem—retrucou ela, com secura. — Não estou sofrendo, Inuyasha, portanto não precisa se preocupar comigo. Não pretendo lhe causar nenhum problema. Agora, se me dá licença, vou trocar de roupa para preparar o jantar.

— Você não tem de preparar nada...

— Eu não me importo — cortou Kagome, dando-lhe as costas e dirigindo-se para o quarto. — Já sabe quando será o julgamento?

— Na semana que vem — disse Inuyasha, depois de um minuto. Entre amargurada e vitoriosa, Kagome continuou andando e deixou-o plantado na sala. Já servia de consolo saber que o todo-poderoso Inuyasha parecia tão pouco à vontade quanto ela, mas a ferroada que sentira na boca do estômago continuou a importuná-la durante muito tempo. Na semana que vem, repetia-se. Dispunha de apenas alguns pobres e míseros dias para desfrutar do marido. Depois disso seria a morte da alma.

O jantar decorreu tenso e calado. Shippou, que chegara alegrinho, logo farejou problemas no ar e fechou-se num mutismo sentido. Só no fim da refeição é que falou:

— Uma pena o que aconteceu com sua tia. Você gostava dela, não é? É por isso que está triste?

— É, Shippou — concordou ela, fazendo-lhe uma festa no queixo. — Tia Kana era uma mulher sensacional, amiga certa nas horas incertas.

— Verdade que era muito rica?

Kagome odiou a pergunta, porém sabia que ela fora movida apenas pela natural curiosidade infantil!

— Sim, é verdade. Mas dinheiro não é tudo na vida, querido. Dinheiro não compra saúde nem felicidade.

— Assim mesmo, compra um monte de coisas boas. Como video-games, por exemplo.

Kagome não pôde deixar de rir, apesar de Inuyasha fechar a carranca e se levantar da mesa com brusquidão. De propósito, ela continuou a conversar com o menino e demorou-se mais que o necessário para comer o pudim.

Por fím, ergueu-se para empilhar os pratos e levá-los à cozinha. Só então ele se aproximou para ajudá-la, embora sua expressão se conservasse fechada, os olhos obscurecidos por uma sombra que Kagome não conseguiu identificar. Raiva? Irritação? Desprezo? Não sabia. Mas, com certeza, não era amor.

— Ouvi você conversando com Sango Ballenger ao telefone, um pouco antes do jantar. Já pediu sua demissão?

— Não, ora essa! Inventários levam muito tempo para ficar prontos, Inuyasha. Até eu enxergar a cor do dinheiro, preciso trabalhar para me sustentar.

— E Miouga Rollins?

— Também terá de esperar para receber a parte dele, como eu.

— Não foi essa a impressão que tive. O homem falou pelos cotovelos até a hora em que o deixamos. Parecia mais do que agitado com o presente caído do céu...

Kagome não respondeu. Inuyasha punha-a nervosa, e sua simples presença fazia-a estremecer por dentro. Impossível ficar a seu lado e não se lembrar dos beijos ardentes, daquela noite única e maravilhosa num hotelzinho modesto, onde ela entrevira as portas do paraíso. Mesmo à distância, Kagome podia sentir o sabor de Inuyasha nos lábios, o aroma de tabaco e couro nas narinas... A mão de Inuyasha em seu corpo. Amava-o com quieto desespero, sabendo que o amaria da mesma forma fosse ele o que fosse, mendigo, ladrão ou deus. Contudo, Inuyasha não nutria o mesmo sentimento por ela.

— Acho que devia ter ido a Miami com você — disse ele, de repente. — Você me parece exausta. Os documentos, os objetos de sua tia, sua tristeza... Garanto que tio Miouga deixou toda a carga em cima de seus ombros.

— Ele cuidou dos funerais, com a ajuda dos advogados. Eu limpei a casa e... —Kagome interrompeu-se, pestanejando para segurar as lágrimas, e lavou de novo o mesmo prato. — Tudo me pareceu tão triste e vazio sem ela.

Inuyasha enfiou as mãos nos bolsos e estudou o bico das botas, hesitando alguns segundos antes de replicar, com voz rouca:

— A fazenda também ficou assim sem você.

Ela suspendeu o trabalho por um instante fugaz. Depois continuou, sem se voltar.

— Obrigada, mas não é preciso fingir. Não moro aqui o tempo suficiente para que minha ausência seja notada, Inuyasha. Você cozinha melhor do que eu, e cuida de tudo com toda a competência. Eu... não passo de uma ajuda conveniente e temporária. Tenho perfeita consciência disso.

Inuyasha, por seu lado, tinha perfeita consciência de algo muito diferente: da dor imensa que trespassava o coração de Kagome. Imbecil que fora, tratando-a daquele modo! Agira com tamanha eficiência, pronun ciara palavras tão certeiras, que Kagome agora julgava-o mais feliz sem ela!

— Shippou me pediu para levá-lo ao cinema. Parece que é um filme ótimo, com espadachins e duelos. Não quer ir conosco?

— Não, obrigada. Estou cansada demais para aproveitar um filme de aventuras. Vão os dois, e divirtam-se. Quanto a mim, vou para a cama daqui a pouco.

— Por que não repousa por uma ou duas horas? Nós podemos esperar.

— Não gosto de cinema — improvisou ela rapidamente. — Obrigada, de qualquer modo.

Inuyasha deu um passo à frente.

— Você tem passado por maus momentos, Kagome, e eu não fui nada companheiro. Escute...

— Não quero sua piedade — atalhou ela, a voz calma e serena, apesar do tumulto que a proximidade do marido causava em sua mente. — Estou aprendendo a caminhar sobre meus próprios pés, Inuyasha. Não posso mentir e dizer que está sendo fácil, mas acho que conseguirei superar esta fase sem a ajuda de ninguém. Depois do julgamento, pre tendo me mudar para aquele mesmo apartamento. Por sorte, o aluguel está pago até o fim do mês que vem e...

— Você está partindo do princípio que eu vou ganhar a causa, mas há fortes possibilidades de que isso não aconteça. Além do quê, se você deixar a fazenda logo depois do julgamento, o padrasto de Shippou poderá apelar da decisão, caso eu ganhe. Tentará reabrir o caso, alegando que este é um lar instável para o enteado.

Incrível como ele parecia resolvido a mantê-la ali, apesar de não a amar. Tudo em nome do sobrinho, que, no fim das contas, era a única pessoa de quem Inuyasha gostava.

— Está bem — aquiesceu Kagome, sem saída diante da lógica irrefutável. — Então fico aqui até você achar que não precisa mais de mim.

— Nesse caso, você ficará até a velhice.

Kagome voltou-se devagar, os olhos muito grandes e surpresos. Mas a cozinha estava vazia.

Ao cabo de algum tempo, sacudiu os ombros e voltou para a pia. Tanto sonhava de olhos abertos, que acabara escutando palavras que gostaria de ter ouvido, mas que na realidade Inuyasha jamais pronunciara.

Nos dias que se seguiram, a rotina logo se estabeleceu na fazenda. Kagome e Inuyasha voltaram a trabalhar, e Shippou ia todos os dias à escola. O menino, sorridente e corado, oferecia a imagem acabada de um garoto feliz, oriundo de um lar igualmente feliz.

Kagome trabalhava com afinco, e não foram poucas às vezes em que se dispôs a permanecer no escritório até altas horas da noite. Miroku e Kohaku desmanchavam-se em elogios; Inuyasha não.

— Você só trabalha — resmungou, de mau humor, numa noite em que Kagome retornou mais cedo. — E Shippou e eu, não contamos?

— Tio Inu, todo o mundo anda elogiando o trabalho de Kagome— interveio o garoto, a boca cheia de suspiro e morango, — Tio Kohaku me disse que ele tem economizado uma grana legal... quero dizer, um bom dinheiro por causa dela.

Inuyasha depositou a xícara de café sobre o pires, produzindo um tinido seco e irritado.

— É, eu já soube.

— Você também trabalha até tarde todos os dias — disse Kagome, fi tando-o com calma. — E eu não reclamo.

Os olhos de diamante tornaram-se frios quando a encararam.

— Pois devia reclamar. E, agir de acordo com uma mulher recém-casada.

Inuyasha insinuava algo que estava fora da compreensão de Shippou, mas não dela. Kagome se fez escarlate e baixou os olhos.

— Bem, nós... nossa situação é diferente — balbuciou. — Não é uma situação normal...

— Podemos cuidar disso.

Sobressaltada, ela ergueu a vista. Não se notava zombaria nem ironia nos olhos irisados que a fitavam.

— Não há mais tempo. — Ele ergueu uma sobrancelha:

— Como disse?

Shippou ergueu-se da mesa e jogou o guardanapo.

— Estou farejando uma briguinha por aqui, por isso com licença. Vou assistir ao meu programa.

Segundos depois, a televisão explodia num rock furioso.

— Diminua essa barulheira, demônio! — trovejou Inuyasha.

— Opa, desculpe, tio Inu.

A barulheira diminuiu, com efeito. Inuyasha, contudo, continuava a encarar Kagome com expressão sombria.

— Somos marido e mulher, caso tenha se esquecido. Podemos e devemos compartilhar a mesma cama.

— Era só o que faltava! — Kagome pôs-se a dobrar os guardanapos, sem perceber o que fazia. — Quando a situação de Shippou estiver resolvida, não pretendo ficar aqui mais do que o estritamente necessário. E não quero correr o risco de trazer ao mundo um filho bastardo.

De repente, a carranca de Inuyasha desmanchou-se. De zangado ele passou a... triste. Ferido, magoado. Kagome se arrependeu de imediato do que dissera. Amava o marido, mas ele só queria seu corpo, e isso a punha em guarda permanente. Não quisera ofendê-lo; tudo o que fizera fora lutar pela própria sobrevivência emocional, utilizando-se das poucas armas de que dispunha.

— Não foi isso o que quis dizer — murmurou baixinho. — Mas você há de concordar comigo, Inuyasha. Uma criança, a estas alturas dos acontecimentos, poderia complicar ainda mais nosso... nossa...

— Não sabe que filhos podem ser evitados? — Dessa vez era evidente o sarcasmo na pergunta.

— De qualquer modo, não ficarei aqui por muito tempo. Reconheço que estou atrapalhando sua vida sexual, e peço-lhe desculpas por isso, mas logo estarei longe daqui e você poderá... sua vida poderá voltar ao normal.

— Então é isso — volveu ele, erguendo-se lentamente, os punhos cerrados caídos ao longo do corpo. — Na sua cabeça, estou necessitado de mulher, e você serviria para me... me acalmar enquanto estivesse por perto.

As faces de Kagome ardiam em brasa.

— Não comece agora a fingir que sente outra coisa por mim a não ser desejo. Além do mais, não se esqueça de que sou rica.

Os punhos cerrados relaxaram de súbito.

— É verdade — disse ele, absorto.

Inuyasha quase se esquecera desse detalhe. Lembranças voltaram-lhe vividamente à cabeça: a cobiça do pai, os murmúrios descontentes da cidade quando sua segunda mulher cometeu suicídio. A vergonha, o desprezo de todos, à vontade de sumir de Jacobsville.

Muito calado, ele apanhou o chapéu do cabide. Minutos depois, dei xava-a sozinha.

A dois dias do julgamento, Inuyasha e Shippou perderam sono e apetite. Brigavam entre si, tinham explosões inexplicáveis de mau humor e fe chavam-se num mutismo sombrio durante as refeições. A tensão se fez tão palpável que Kagome tinha vontade de rasgar o ar com uma faca.

Naquela noite, depois de presentear os dois com um jantar especial, Kagome tirou da bolsa mais uma arma conciliatória: três filmes que alugara naquela tarde, escolhidos a dedo. Três filmes de aventuras, recheados de tiros, correrias e sexo, bem ao gosto deles.

— Oba, genial! — gritou Shippou, entusiasmado com os títulos. — Você acertou em cheio, Kagome. Obrigado!

— Pensei que você não gostasse desse tipo de filme — comentou Inuyasha, enquanto a ajudava na cozinha.

— Não sou apaixonada por eles. Mas achei que seria uma boa idéia distrair os dois... quero dizer, Shippou... enfim, acredito que isso sirva para tirar o julgamento da cabecinha dele.

— E da minha também. Foi gentil de sua parte, obrigado.

— Tem alguma notícia do padrasto de Shippou?

— Algo me diz que ele anda nos espionando.

— Por quê?

— Para ver se encontra alguma prova contra nós. É bem característico dele.

— Você... você andou cometendo alguma... indiscrição?

— Se quer saber se tenho procurado outras mulheres, a resposta é não. Enquanto estivermos casados, você será a única.

— Obrigada — fez ela, só para ter o que dizer.

— E quanto a você? Espero que tenha retribuído na mesma moeda. — Kagome deixou escapar uma risadinha nervosa.

— Oh, não se preocupe comigo. Poucos homens vão se interessar por mim, agora que sou pobre.

Inuyasha ergueu a cabeça vivamente.

— Pobre? Você acaba de herdar uma fortuna incalculável.

— Hã... É verdade, sempre me esqueço disso — Kagome teve vontade de morder a língua. — Seja como for, não pretendo quebrar os votos que fiz diante do altar.

— Tenho certeza que não, Kagome.

Havia uma doçura inesperada na voz de Inuyasha, que a fez encará-lo com espanto. Ele se aproximou e tomou-a pela cintura, os olhos subitamente doces:

— Não precisa piscar desse modo. Posso parecer mau, mas seria incapaz de causar-lhe algum mal físico.

— Sei disso. — A voz dela saiu fininha e apagada. — E... não, você não tem cara de mau. Gosta muito de Shippou, não é verdade?

Ao vê-la em seus braços, frágil e embaraçada, Inuyasha puxou-a um pouco mais e encostou seu rosto ao dela.

Kagome fechou os olhos, incapaz de reagir. O hálito morno do marido bafejava-lhe o canto da boca, como que pedindo permissão para entrar.

— Sim, é fácil gostar de crianças. Mesmo as mais rebeldes. Crianças sabem receber e devolver o amor, Kagome.

— Entendo.

— Não, você não entende coisa nenhuma — volveu ele, com brusquidão. — Erga o rosto para mim, Kagome. Quero sua boca.

Ela tentou protestar, mas o beijo silenciou-a. Os lábios de Inuyasha apartaram os dela com impaciência, o corpo maciço colando-se sofre gamente às curvas delicadas, as mãos viajando-lhe pelas costas.

Soltando um gemido suave de adoração e capitulação, Kagome ergueu-se na pontinha dos pés e abandonou-se ao beijo. Seu corpo se recusava a obedecer às ordens insistentes que recebia da razão, A língua de Inuyasha acariciava-lhe a boca docemente, acompanhando a curva de seus lábios, sem forçar entrada, enquanto a mão continuava a viajar pelo seu corpo, provocando fagulhas elétricas.

De repente, o som de passinhos miúdos fez com que ele erguesse a cabeça.

Mais que depressa, Kagome tentou se soltar, mas Inuyasha segurou-a com firmeza.

— Ele não é cego — murmurou-lhe ao ouvido. — Mantenha-se firme.

Kagome levou algum tempo para entender o que Inuyasha queria dizer. Mas bastou que o marido a puxasse com força contra si, para perceber que o desejo dele era tão intenso que não havia como escondê-lo. Muito menos de um adolescente esperto como Shippou.

— Desculpem, vocês dois — disse o garoto, embaraçado. — Vim buscar um refrigerante.

— À vontade, sobrinho. Nós somos casados, sabia? — riu Inuyasha, para desanuviar o ambiente.

— É, às vezes eu me esqueço. Já era tempo de vocês começarem a agir como um casal, ufa! Até que enfim eu vejo um beijo de verdade entre os dois...

Dizendo isso, Shippou piscou um olho matreiro antes de sair e fechar a porta de mansinho.

— Com sua permissão, endosso todas as palavras de Shippou — disse Inuyasha, sem largá-la. — E chega de desviar a vista de mim. Você já me viu nestas mesmas condições, e com muito menos roupa para nos atrapalhar.

— Pare com isso, por favor.

Ele suspirou e deixou-a, pegando um cigarro do bolso.

— Você se envergonha com facilidade demais para uma mulher casada — disse, tirando uma longa tragada. Seus olhos brilhavam como tochas. — Tomarei cuidado para você não engravidar, sossegue. Quero que se deite em minha cama hoje.

Quando Kagome esboçou um protesto indignado, ele espalmou a mão no ar e encarou-a com severidade.

— Trate de me ouvir com atenção, mocinha. Se até um garoto de oito anos é capaz de perceber que não vivemos como um casal normal, o padrasto dele também será. Ainda corro o risco de perder Shippou, e isso é algo que não tolerarei em hipótese nenhuma.

— Mas...

— Ainda não acabei. Se há uma coisa que não combina com sua personalidade, ela se chama fingimento. Portanto, não finja que não gosta de meus beijos, nem finja que não me quer na cama. Neste preciso momento, você está tão excitada quanto no dia de nosso casamento. A diferença, minha querida — e Inuyasha se aproximou um pouco mais — é que agora podemos fazer sexo até o fim. Podemos chegar até onde você nem imagina, Kagome.

Ela entreabriu os lábios para umedecê-los, perdida no transe dos olhos claros. Subjugada, entregou os pontos. A longa batalha terminara. Não havia mais como fugir. E mesmo que tentasse, seu coração não o permitiria.

Inuyasha jogou longe o cigarro e abriu a porta.

— Shippou, nós vamos nos deitar mais cedo. Trate de apagar a televisão às onze.

— Não vai dar tempo de assistir aos três filmes...

— Assista amanhã. As onze, está entendido?

Quando se viram sozinhos no quarto, Inuyasha tomou-a nos braços ali mesmo, ao lado da porta. Seu corpo possante esmagou-a contra a parede, indicando de maneira inequívoca e clara que o desejo não só permanecia, como crescia a cada minuto. Enquanto a beijava, seus dedos febris iam-lhe arrancando as peças de roupa, parando de vez em quando para explorá-la. Por fim, quando os seios saltaram livres, dois pássaros palpitantes de vida, ele prendeu a respiração. Gemendo de prazer, enterrou a cabeça no vale entre os seios, beijando-o com volúpia. O perfume de jasmim entontecia-o, despertava seus instintos masculinos em cada fibra dos músculos tensos.

Dócil e submissa, Kagome deixou-se carregar para a cama. Foi com ver dadeiro fascínio que observou o marido despir-se, e apesar de o quarto estar banhado apenas pela luz prateada da lua, o que ela viu foi o suficiente para atordoá-la.

— Você já sabe o que nos espera, pequenina — sussurrou ele, em bevecido diante do corpo escultural que o aguardava. — É a mulher mais linda que vi em toda a minha vida... Kagome!

A voz rouca e quente provocou um frêmito no corpo da esposa, que se soergueu, apoiando-se num cotovelo. O sangue transformou-se em fogo selvagem nas veias quando ela percebeu que Inuyasha se inclinava devagar, em busca de seus lábios. E quando veio o beijo, Kagome deixou-se levitar num mundo de sensações maravilhosas. Sentiu que havia ternura e tormento na alma do marido, algo que ela tinha o poder de confortar e aplacar. Sem pensar mais, enlaçou-o pelo pescoço e puxou-o docemente para baixo.

Inuyasha mergulhou o rosto nos cabelos perfumados, ébrio de desejo. Mordiscou os mamilos rosados e firmes, sugou-os com frenesi, rodeou-os com a língua, passando de um para outro com sofreguidão.

Sua mão buscou a curva da cintura fina, o ventre liso e macio, as coxas. E foi pousar nos pêlos sedosos do púbis, com infinitos cuidados, acariciando devagar. Sentiu sob os dedos os músculos firmes e tensos da mulher, virando consoantes com os dele. E seu coração se encheu de vitoriosa alegria quando ela, instintivamente, apartou as pernas para recebê-lo.

Kagome gemia baixinho, jogando a cabeça de um lado para o outro do travesseiro, o desejo se apoderando de todo o seu ser de forma avas saladora. Tristezas e incertezas já não existiam em sua mente; só con seguia se concentrar naquele momento supremo que lhe trazia ondas intoxicantes de embriaguez. Deixou-se levar por elas, mergulhando com gozo nas águas da paixão desenfreada.

Antecipando o gosto que teria, Inuyasha finalmente deitou-se sobre a mulher, cobrindo-a com seu corpo vigoroso. Buscou-lhe a boca avi damente, invadindo-a com a língua úmida, ao mesmo tempo em que invadia o ventre morno e macio, enterrando-se em deliciosa evasão.

— Sim, Kagome— murmurou ele, num sussurro quase inaudível. — É assim que se faz amor. Você não sabia que o contato era tão íntimo e bonito, sabia?

— Não... não... — ela tinha a respiração entrecortada, mas algo de maravilhoso e estranho se avolumava dentro de si. Algo que ainda não compreendia, mas que a levava para um abismo que ela adivinhava cheio de estrelas fulgurantes.

— Oh, céus — gemeu Inuyasha, quando as pernas de Kagome enlaça ram-no pela cintura, convidando-o a ir mais fundo. — Oh, céus... Estou perdendo o controle... Kagome!

E foi o que aconteceu. Alucinado pela espera de dias, esgotado e vencido, Inuyasha arqueou o dorso uma última vez antes de desabar ofegante sobre o corpo macio da mulher, num turbilhão de convulsões.

— Desculpe — murmurou, ao cabo de alguns minutos, sentindo-se vazio e pesado. — Deus, como estou arrependido! Desculpe, por favor!

— Arrependido do quê? — A curiosidade de Kagome espicaçou-se diante da insistência do marido. — De ter feito amor comigo?

— De não lhe ter dado prazer.

— Quer dizer, do jeito como fizemos no dia do casamento? — Ela sorriu, enrolando uma mecha dos cabelos negros de Inuyasha entre os dedos. — Mas ainda temos tempo para isso, não temos?

Ele se soergueu devagar, fitando-a cheio de perplexidade.

— Mas... Então pensa que o que aconteceu foi só para me dar prazer? Só para mim?

Foi a vez de Kagome se espantar.

— Não foi?

Inuyasha puxou-a para si, embalando-a, rindo baixinho.

— Você não existe! É única em um milhão, sabia? Deite-se aqui, vamos. Levante sua perna, assim...

Ela arquejou quando Inuyasha a penetrou pela segunda vez. Não esperava por aquilo tão depressa. Ouvira dizer que os homens tinham de esperar horas antes de... antes de...

O corpo poderoso e vibrante começou a se mover devagar dentro dela, tirando-lhe o fôlego.

— Inuyasha — começou, assustada com as vagas brilhantes que a arrastavam para o desconhecido. — Eu...

Não pôde continuar. Um grito abafado escapou-lhe da boca, enquanto uma onda de espasmo carregava-a numa nuvem dourada.

— Acompanhe meu ritmo, querida. Sinta-me por inteiro... Assim... — Os movimentos se tornaram mais rápidos e vertiginosos, levando-a para cima, para além do infinito. Kagome sentia Inuyasha mergulhar e subir, mergulhar e subir, e seu êxtase ia num crescendo de gozo quase intolerável, até que seu corpo, arqueando-se, desmanchou-se num mar de lava incandescente. Nesse momento, sentiu que algo se desprendia do marido e a inundava por dentro.

Ofegantes, respirando entrecortada mente, os dois retomaram de man sinho a terra, os corpos molhados de suor. Sem querer quebrar o ma ravilhoso encantamento, deixaram-se ficar entrançados, respirando o aro ma um do outro.

— Esse, Kagome, é o verdadeiro ato de amor — disse ele por fim, afastando-lhe uma mecha dourada da testa.

— Mas eu pensei... Lá no hotel foi diferente...

— É outra forma. Mas nada se compara ao que experimentamos hoje, não concorda?

Ela se aninhou nos braços possantes, tomada de uma leseira gostosa.

— Foi como se nos transformássemos numa pessoa só...

— Exato.

Kagome fechou os olhos, amolecida.

— Posso ficar aqui com você? — Ele apertou-a com doçura.

— Tente escapar.

— Não quero...

Inuyasha sorriu e mordiscou-lhe a orelha.

— Sinto vontade de recomeçar tudo, mas vou ser paciente e esperar até amanhã cedo. Não doeu, Kagome? Nem na primeira vez?

— Não — mentiu ela, aconchegando-se mais.

Na verdade, doera um pouquinho só. E da segunda vez fora um paraíso.

— Só nos resta um problema, Kagome. Esqueci-me de usar preventivo... Desculpe mais uma vez. Esqueci por completo.

Mas ela já nada ouvia. Adormecera como criança, os longos cílios repousados sobre o rosto de porcelana. Inuyasha beijou-os de leve e ajeitou-se ao lado da mulher. Sua mão buscou o ventre liso e macio, onde descansou.

— Você adoraria um bebê, Kagome. E eu também... Talvez ele já esteja aí dentro. Se estiver, pode ser que eu a convença de que ele será uma bênção, não uma maldição.

Por entre a névoa do sono, ela ouviu o marido falar qualquer coisa sobre bênção e maldição, mas não compreendeu. Lutou um pouco para abrir os olhos, e em seguida desistiu. Ali estava tão bom, tão quente...


E aaaaaaaaaai gente o que acharam deste cap? Me mandem Review, ela está quase chegando ao fim :( então já gostaria de saber se vocês querem que eu publique uma outra adaptação, o que acham?

Tinker: O inuyasha está sendo lapidado aos poucos, é um ogro mesmo hahahahahahha mas você já consegue ver umas mudanças nele, ele tem medo de sofrer e acaba sendo um bruto hahahahaha mas a kag ta conseguindo derreter esse coraçãozinho de pedra.. hahahahahah

neherenia sereniti : Também acho que ele merece uns sacodes pra ver a beleza que tem diante de si, mas acho que ele ta caindo em si hahahahahahahha só não quer demonstrar mt pra ela, espero que esteja gostando