N/A-Aqui está o último capítulo. Ficou bem maior que os outros porque é o último, e porque eu acrescentei algumas coisas ao rascunho inicial. Estou inspirada hoje! E ouvi essa música dos Los Hermanos mais de 50 vezes, para pegar o... hum, 'clima' do capítulo. Se eu ouvir de novo... argh!

Capítulo 3

Promessa

Não vão embora daqui , eu sou o que vocês são

Não solta da minha mão

Não solta da minha mão

Eu não vou mudar não, eu vou ficar são

Mesmo se for só, não vou ceder

Deus vai dar aval sim, o mal vai ter fim

Naquela noite chovia também. Fazia um pouco de frio e o vento soprava as árvores, de forma tranqüila. Kana já estava de saída, e aquela era apenas mais uma noite. Como naquele momento eu poderia saber com quanto carinho eu guardaria a lembrança daquela noite, para sempre, por nós dois?

Kana já estava com a mão na maçaneta da porta quando parou, se virou, e perguntou soando meio aborrecida, meio decepcionada.

-Não vai me pedir para ficar?

Olhei pela janela. A chuva era pouca e não havia raios, o vento soprava calmo, e não parecia haver risco algum. Confesso que fiquei surpreso com aquela pergunta, mesmo assim, perguntei sem jeito:

-Você quer ficar esta noite então?

Ela sorriu para mim docementre, levemente corada, colocando o cabelo para trás da orelha. Como fazia todas as vezes que se envergonhava quando eu a olhava, mas ao mesmo tempo se alegrava por eu a estar olhando.

-Quero.- ela respondeu se aproximando sem me encarar, o casaco ainda na mão. - Hatori... eu...

Ela gaguejava, parecendo procurar algo com os olhos, repirando nervosamente. E eu... eu não estava entendendo nada.

-Hatori...- ela repetiu.

-Hum?-perguntei, passando a mão no rosto delicado dela.

-Eu... eu quero que algo aconteça esta noite.- ela respondeu, finalmente erguendo os olhos, encontrando com os meus.

Mas, para o quê? Eu na mesma hora a olhei espantado, corando de vergonha e surpresa, como um adolescente. Mas, era mesmo dessa maneira que ela me fazia sentir. Um adolescente, cheio de coisas novas para descobrir, uma vida inteira e maravilhosa pela frente. Muito diferente do velho que me sinto hoje.

-Você quer mesmo ficar?-perguntei, sem saber mais o que falar.

E ela riu, me desorientando completamente, enquanto jogava o casaco no chão, e segurava meu rosto com as duas mãos delicadas.

-Eu quero. Mas, você vai ter que me ajudar. Eu não sei como... bem, como isso funciona.

-Hum, na realidade é uma química muito simples do corpo. - começei a falar descontroladamente. Um verdadeiro idiota.- O cérebro envia sinais para as glândulas que...

Felizmente, ela tapou minha boca antes que eu falasse demais.

-Você, por acaso, já pensou nisso de uma forma não química?

-Nas duas vezes que fiz... não. - murmurei corado. Fazia tanto tempo que eu me sentia tão perdido quanto ela.

-Acho que vamos ter que dar um jeito nisso. - ela murmurou, antes de me beijar.

De onde vinha aquele jeito dela? Sem qualquer defeito, perfeito em cada mínimo e delicado detalhe. Como ela conseguia fazer com que um simples beijo se tornasse algo inesquecível? O toque da boca dela na minha... Mesmo se eu tentasse, mesmo se eu realmente quisesse tentar, eu encontraria alguém igual à ela? Nem mesmo Mayuko... não, nem mesmo Mayuko poderia.

Meus dedos, sozinhos, correram para a blusa dela, tirando-a enquanto Kana erguia os braços. Havia algo queimando dentro de mim, como eu sabia que queimava dentro dela. Quaríamos o contato um do outro, pele contra pele, eu me sentia sem ar somente com a idéia. Mesmo assim não havia pressa ou movimentos bruscos. Não fazíamos aquilo por puro desejo, ou química, mas sim porque parecia que não agüentávamos mais ficar separados em dois corpos.

A blusa dela escorregou de meus dedos e caiu suavemente no chão. Bege... o sutiã dela não era preto, nem vermelho, não havia brilhos ou rendas, nada. Um simples sutiã bege, que guardei na memória com mais força do que qualquer um que vi antes ou depois. E o corpo dela era tão pequeno e frágil. Ela era tão linda! Era... ainda o é, mas não mais para ser mostrada a mim.

Senti as mãos dela tirando meu paletó, depois meu colete, minha gravata, quase como em um silencioso e importante ritual. Por fim senti os dedos dela no botão de cima de minha camisa, e o simples toque do tecido contra meu peito me fez prender a respiração. Ela desabotoava os botões um por um, lentamente, aquela sensação de quentura correndo por meu corpo, enquanto eu a beijava delicadamente por todo o rosto.

-Você... é... maravilhosa...- eu murmurava entre cada beijo. E cada vez que eu repetia, ela se tornava ainda mais maravilhosa, de forma que eu precisava falar tudo de novo.

A sensação de ver-me quase nu... uma mistura de medo e de vontade se apoderaram de mim, conforme ela abria minha camisa. Os dedos dela roçavam meus ombros, aumentando a sensação de quentura, e ao descer a camisa as mangas se prenderam em meus punhos por causa dos botões fechados, de forma que eu não podia mexer as mãos, estava preso.

Ela riu, colocando o cabelo para trás da orelha, tentando me desprender. Eu me sentia tão patético naquela situação, tímido sem saber o que fazer, e preso, mas pude ouvi-la murmurar a palavra 'adorável'. Assim que me libertou, ela procurou por meu cinto, soltando-o com mais lentidão, de forma que entendi que, como eu, apesar de ansiosa ela também estava nervosa. Como eu desejei poder abraça-la naquela hora!

Eu a ajudei a abaixar minha calça, corando violentamente, totalmente despido. Eu podia sentir os olhos dela sobre mim, e o olhar decidido que ela me lançou, com um sorriso. Não havia mais tristeza, eu não era mais um rejeitado. Não perto dela. Kana não deixava, nem nos piores momentos, que eu me sentisse o infeliz que antes fora, e agora em parte ainda sou. Ela me aceitou uma segunda vez naquele dia, com aquele olhar.

Ela então tirou a própria saia, mas deixou o sutiã para mim. Queimando por dentro, desci primeiro uma alça, beijando-a delicadamente no ombro, depois no outro, antes de abrir e jogar a peça no chão. Ali estávamos nós, sem mais segredos, ou qualquer coisa a esconder. Somente nós dois, compartilhando o mesmo momento, sentindo o mesmo, como se fóssemos apenas um. Ela, sem palavras, dirigiu-se a meu quarto, e quando a segui até lá, encontrei-a se deitando em minha cama e abrindo os braços, me dando boas-vindas. Eu deitei por cima dela, mas sem toca-la realmente em nenhum ponto, erguido sobre meus braços. Eu precisava ter cuidado para não abraça-la e estragar tudo.

Ainda me lembro, mais claro que nunca, ela olhando em meus olhos, sorrindo, procurando entender o que se passava dentro de mim. E não foi preciso traduzir em palavras, ela entendeu. Pois logo sorriu, traduzindo em seu riso minha própria felicidade! E ela parecia tão feliz também! E eu a beijei, primeiro na boca, sua lingua se encontrando co a minha, então seu pescoço, os ombros, por fim chegando a seus seios. Sempre naquele ritmo rápido, mas carinhoso, como se sentisse que se parasse por um momento, a coragem me faltaria.

Eu me sentia tão feliz naquele momento, que temia a cada instante ir longe demais, arruinando o que tínhamos. Eu não sabia como lidar com tanta felicidade e com toda aquela compreenção e ternura que ela me oferecia. Como, então, entender que aquilo jamais poderia ser arruinado?

Ela repirava rapidamente, eu a beijando novamente na boca, enquanto se preparava para receber-me. Seus dedos agarravam meu ombros, me puxando automaticamente para mais perto, onde eu não podia ir. Se nos abraçássemos eu me transformaria. Oh, como detestei a maldição naquele momento, mas ao mesmo tempo a agradecia, pois ela apenas nos tornara mais próximos.

E, de repente, em um instante éramos apenas um, tudo o mais esquecido. Eu era apenas mais um homem apaixonado amando e sendo amado de volta, por sua namorada. Eu vi os olhos dela se fecharem naquele instante, por causa da dor. Mas, quando, preocupado, pensei em me afastar, senti os dedos dela se enroscarem nos meus, como nossos corpos estavam, e como ela os queria manter.

Minha boca tremia, e eu não sabia direito o que fazer, mil emoções tomando conta de mim, desde uma egoísta felicidade, à preocupação com Kana. Eu estava assustado, como algo assim poderia existir? Aquela conecção entre nós dois. Nunca havia sentido algo igual àquilo, e sei que jamais sentirei novamente. Não poderia sentirr da mesma maneira, com a mesma força, com o mesmo significado. Nunca irei me sentir tão absolutamente feliz como naquele momento, e na realidade, nem desejo me sentir. Não sem ela.

Não havia outro lugar que eu mais desejasse estar do que ali, junto à Kana.

-Eu... eu te amo...- murmurei no ouvido dela, pela primeira vez.

-Eu também te amo, Hatori.- ela sorriu, segurando-me em cada lado do rosto, e me beijando a testa, o queixo, o pescoço, os ombros, ao mesmo tempo que suas mãos corriam por minhas costas. Como se ela quissesse ter certeza que toda e qualquer parte de mim a havia tocado de alguma forma.

E aquela sensação... parecia crescer dentro de mim com cada beijo, com todo toque. À cada instante parecia maior, devorava-me por dentro, da forma mais maravilhosa que eu poderia imaginar. Os beijos de Kana, seu amor por mim, sua voz... tudo parecia fazer aquela sensação aumentar, enquanto eu sentia meu corpo inteiro se preparar para algo, minha boca tremendo descontroladamente.

-Te amo.- ela murmurou junto a meu ouvido, seus mãos em meus cabelos, sua respiração acelerada no meu rosto, fazendo-me descontrolar ainda mais.- Desde... desde a primeira vez que o vi.- ela suspirou, antes de me beijar.

E, naquele instante, aquela sensação pareceu explodir dentro de mim. Mas, não era como eu achara que seria, desejo ou prazer próprio... era na realidade prazer em amar e ser amado. Era amor, puramente amor, passando de um corpo para outro, com tal inexplicável ternura que somente os que um dia sentiram o mesmo, poderão entender. E todos os dias agradeço a Kana, por ter me ensinado e mostrado esse sentimento, que por um instante, foi maior que nossos corpos juntos, nos unindo completamente.

Caí ofegante na cama, ao lado dela, meio zonzo e fraco. Nossas mãos entrelaçando-se rapidamente uma à outra, estávamos sem coragem de nos deixarmos sozinhos.

-Eu... eu gostei muito do que fizemos.- murmurei, e até para meus ouvidos aquelas palavras soaram fracas demais, mas eu não sabia o que falar. Então, a olhei feliz, mas para minha surpresa encontrei-a olhando tristemente para o teto.- O que foi? Eu te machuquei?

-Não.- ela riu tristemente, me dando um beijo, antes de voltar a encarar o teto.- Só estava pensando, se assim como eu, você vai continuar me amando amanhã... depois de já termos...

-Amanhã.- sussurrei no ouvido dela, entre beijos.- E depois... e depois... e depois... Até não restar mais nenhum sentimento dentro de minha alma, por tê-lo dado todo a você. E mesmo assim, ainda depois disso, vou ama-la com a lembrança de todo o sentimento que um dia tive, e que você pegou todo de mim, apenas para você. Só para você!

E ela me beijou de volta, sorrindo e assim iluminando tudo a sua e minha volta. Como ela sempre fazia ao sorrir.

-Casa comigo?- perguntei.

-O quê?- ela perguntou surpresa, e eu precebi que havia me excedido, na felicidade do momento.

-Desculpe. Não devia ter perguntado agora e dessa maneira. Devia ter esperado, feito direito! Ter perguntado primeiro a seus pais, comprado as alianças e preparado algo especial...

-Hatori!- ela exclamou, me interrompendo em minha falação aflita, e quando a olhei vi que Kana sorria seu sorriso mais lindo.- Eu me caso com você! A qualquer dia... à qualquer hora... com ou seu alinça... até com você na sua forma Juunishi no casamento... eu caso! E você me fez tão feliz com o pedido que apartir de hoje eu serei incapaz de parar de sorrir.

E como para selar uma promessa, ela me beijou. Sim, a esperança de um futuro ao lado dela... se naquela hora soubéssemos o que iria acontecer... o nosso destino.

Ainda bem que, para não arruinar tudo, não sabíamos.

XXX

Hatori estava em seu escritório, tarde da noite, terminando alguns relatórios. Estava exausto, tanto física, quanto emocionalmente. O encontro com ela... Não havia paz. Até Mayuko precebera que algo acontecera, por mais que ele tentasse esconder. Estava enlouquecendo, quase chorando nas piores horas, as mãos tremendo incontrolavelmente e um aperto no coração que parecia sufoca-lo. Ele havia se acostumado à falta dela, havia aprendido a viver mergulhado naquela tristeza, que se tornara a presença dela perto dele.

Mas, agora que exprimentara novamente a felicidade de tê-la, nem que por apenas um instante, sorrindo para ele... Como se esquecer daquilo? Daquela sensação de calor e conforto que ela lhe dava? Como se esquecer novamente dela? Abaixou a caneta, perdido em pensamentos, em lembranças que deixara escondidas por tanto tempo, e agora pareciam querer revanche, sempre presente, sempre o atormentando.

Uma batida na porta o despertou com um pulo. Quem seria àquela hora?! A clínica estava fechada, e até mesmo sua atendente já havia ido embora! Irritado, mas tentando se controlar, Hatori se levantou e abriu a porta. E por um segundo seu coração pareceu parar. Do lado de fora, o esperando com uma expressão amedrontada, estava Kana. E ele precisou de todo o seu controle para não exprimir nenhum sentimento, nenhum grito de alegria ou de tristeza, que se misturavam dentro dele. Nada, apenas a olhar da forma mais fria que agüentasse.

-Posso... posso entrar? - ela perguntou nervosa, colocando para trás uma mecha de cabelo, em um gesto tão familiar que fez Hatori engolir em seco.

Sem uma palavra, surpreso e sensível demais, ele abriu mais a porta dando um passo para o lado, para deixa-la passar. Se perguntando, se ela sequer imaginava que instantes antes, ele estivera pensando justamente nela. Hatori fez sinal para que Kana se sentasse, e dando a volta na escrivainha, sentou-se em seu lugar, de frente para Kana. Faziam cinco dias que ela recebera alta do hospital, e eles não haviam se visto desde então. Ele podia ver o gesso do braço dela, por debaixo da manga larga do casaco, coberto de assinaturas. A pancada no rosto dela de uma bonita e suave coloração arroxeada. Fora isso, e o cabelo comprido, ela continuava a mesma menina de suas lembranças.

Mas, o que ela fazia ali? Além de deixa-lo atordoado e, absolutamente, feliz? Viera por que descobrira que ele pagara todas as despesas do hopital, quando ele mandara dizer que a família Souma o fizera? Ou estava ali para perguntar sobre ele? Mas, para que iria até ali só para perguntar se ele estava bem, quando podia ter telefonado?

-Me desculpe... por aparecer de repente, tão tarde.- ela murmurou, sem graça, o despertando.

Se ela ao menos soubesse o quão pouco, o modo com que ela aparecia, valia para ele, desde que ela estivesse ali. Se Kana soubesse o quanto a presença dela simplesmente nublava todo o resto.

-Não se preocupe.- ele respondeu por fim, sem encara-la.- Está com algum problema? Alguma dor? Precisa de algum remédio?

-Não, não é nada disso.- ela riu nervosamente.- Eu... eu não devia ter vindo!

Ela exclamou, de repente se colocando de pé, se dirigindo para a porta. Mas, assim que colocou a mão na maçaneta, parou, e soando calma perguntou com um fiapo de voz.

-Não vai me pedir para ficar?

Ele mal ouviu as palavras dela, mas estas lhe eram tão familiares, que foi como ouvi-la anos atrás. Se virando, ela o encarou ainda com aquele sorriso nervoso e triste, e disse:

-Acho que minha vontade de ficar, e falar, se tornou maior que meu bom senso. Se importa se eu...?

Hatori, com a garganta queimando, acenou que não com a cabeça, e apontou a cadeira que ela acabara de deixar. Suspirando, Kana se sentou, desta vez se recostando no encosto, e cruzando as pertas, como se assim se forçasse a ficar. Ela parecia tão incerta do que fazia. Então, respirando fundo e encarnado as próprias mãos, que torciam desajeitadas a manga do casaco, ela disse:

-Eu... eu andei pensando em várias coisas desde... desde que Hatori-san deixou o hospital. Coisas que eu acreditava já ter esquecido...

Ele abriu a boca surpreso, seu coração disparando desesperadamente no peito, cheio de dor e esperança. Seria... possível, que ela se lembrasse? Que eles um dia...? Não, não podia ser! Ele abriu ainda mais a boa em choque, incapaz de qualquer outro movimento ou pensameneto, os olhos fixos nela, o coração não querendo se arriscar, mas se arriscando assim mesmo, com todas as suas forças.

-Eu não sei se Hatori-san havia percebido que, no tempo em que trabalhamos juntos, eu...- ela secou uma lágrima que teimara em escorrer, e assim outras vieram, e escorreram sem controle até seu colo.- Que eu sentia mais que admiração por Sensei. Que eu um dia senti algo mais.

Os olhos de Hatori se encheram de lágrimas, e cada batida de seu coração doía, de forma que ele apenas desejava que tudo parasse. As várias memórias, os sorrisos, os beijos, os felizes momentos juntos, até mesmo os jantares divididos no silêncio da clínica... tudo passava diante de seus olhos como se tivessem acontecido momentos antes. Mas, eles nunca cruzavam a mente dela. Para ela eles nunca haviam existido. Ela não os revivia ou sentia falta de cada um, como Hatori fazia.

-Hatori-san parece surpreso em ouvir isso.-Kana continuou, por entre lágrimas.- A verdade, porém, é que eu o amei desde a primeira vez que o vi.

E ele precisou segurar as lágrimas, para que não o denunciassem. A última vez que ouvira aquelas palavras, aquelas mesmas palavras, fora na noite em que Kana e ele... sorriu levemente.

-Não quero que Hatori-san pense que eu não amo meu marido!- ela se apressou em explicar, interpretando erroneamente o sorriso dele, o surpreendendo.- Eu o amo, ele é uma boa pessoa e um bom marido. Não posso reclamar de nada, ele me faz rir e me dá paz. Mas, por algum motivo... eu não consegui parar de pensar em Hatori-san nesses últimos cinco dias!- ela exclamou, desesperada.- A sua imagem fica voltando à minha mente, sempre presente, em todos os momentos, como não acontecia à anos! É só pensando no rosto de Hatori-san que consigo dormir à noite, suas palavras ecoando em meu ouvindo, sempre dizendo meu nome da maneira mais doce que alguém jamais disse. Mas, Hatori-san nunca me chamou desta maneira, não é mesmo? Isso apenas acontece porque, somente pensando e imaginando Hatori-san fico tranqüila, não por causa de meu coração, mas devido à minha alma. É nela que sinto, a todo momento, como se esperasse por algo bom, como se estivesse próxima daquilo que traria minha maior alegria. E quando penso no que poderia ser essa coisa boa, o que vem à minha mente, é Hatori!- ela exclamou, por entre lágrimas, então corando continuou mais calma, encarando o chão. O que foi sorte senão teria visto a expressão de profunda ternura e saudade nos olhos dele. - E mesmo quando consigo empurrar Hatori-san para a parte mais sombria de minha mente, essa sensação de algo maravilhoso se mantém, algo só meu que mantenho fundo na alma. Como um segredo, que me dá felicidade, mesmo quando não consigo lembrar exatamente o que é, ele continua em mim. Sem que eu precise me lembrar, ele continua como se gravado à minha alma, grande demais para caber em meu coração, e tão maravilhoso que é impossível ser ignorado. Entende, agora? Por que vim vê-lo? Eu precisava, pois, não parece haver outro lugar para mim agora, mesmo que sendo errado, mesmo eu não podendo ficar. - ela riu.- Como pode me entender, se nem eu me entendo? Devo, como ameaço desde os 10 anos de idade, finalmente ter cruzado a linha entre a sanidade e a loucura.

E quando finalmente ergueu os olhos, envergonhada, encontrou Hatori se levantando, dando a volta na mesa, e parando à sua frente, secando delicadamente suas lágrimas. O gesto pareceu natural, mas ao mesmo tempo seu coração parecia explodir em seu peito, aquela felicidade que já sentia com a lembrança dele se multiplicando mil vezes. Ela fechou os olhos, sentindo os dedos dele em seu rosto, e nada poderia tê-la confortado mais. E, de repente, ela se sentia bem e em casa, como não sentia à muito tempo.

-Então.-ele falou, e ela percebeu a voz dele carregada de emoção. -Então, me deixe ser esse segredo, essa felicidade que você guarda, mesmo esquecendo meu rosto. E isto basta, não posso pedir mais nada de você, Kana.

'Ser a alegria de seus dias, estar um pouco em cada sorriso seu, é muito mais do que eu poderia esperar.' ele pensou, sem poder dizer 'É minha própria felicidade'.

-O quê?- ela perguntou, erguendo surpresa os olhos, encontrando com os dele. Havia um brilho diferente nos olhos dele, algo novo. Próximo a algo que já havia visto antes, e que ele tentara esconder, mas que ela notara mesmo assim. Mas, não desta vez, desta vez era diferente.

-Volte para casa, para seu marido. Kana-san diz que ele é uma boa pessoa e lhe traz um pouco de paz, quando minha lembrança não a incomoda. Então, não o deixe preocupado. Apenas seja feliz. E saiba que me fez muito feliz também, Kana-san.

-Eu... eu não o ofendi?

-Não, não ofendeu. - ele sorriu levemente, voltando para seu lugar atrás da mesa, e longe dela.- Apenas não quero que se preocupe.

-Não me preocupa.- ela sorriu, se levantando e secando as lágrimas.- Não sei direito por que vim... não entendo... parecia tão importante! Fui tão boba! Mas, não iriei mais atrapalha-lo, Hatori-san. Vou seguir seu conselho, e voltar para casa. Meu marido deve estar mesmo preocupado, eu não andei bem nos último dias, e agora desapareci. Até outro dia, Hatori-san.

E se levantando e se curvando, ele a viu partir mais uma vez. Mas, desta vez, era diferente. Ao invés de o peso em seu coração ter aumentado pela nova partida dela, ele simplesmente desaparecera. Mas, desaparecera sozinho. A presença dela continuava em sua mente, seu coração e em sua alma, desta vez, porém, livres. Não havia mais tristeza ou solidão. Ele finalmente entendera que, não eram as lembranças esquecíveis e mutávies que importavam, mas o que sentiam um pelo outro. O que ainda sentiam um pelo outro. E se fora sempre assim, se eles continuavam se sentindo os mesmos um próximo ao outro depois de tanto tempo, então... ele sorriu, os olhos brilhando... então significava que eles nunca estiveram separados.

XXX

Estávamos sentados em minha varanda, com os pés dentro da água do lago do jardim. Estava um dia frio e triste, mas não para nós. Havia um cobertor em nossos ombros, uma xícara fumegante de chá na mão de cada um, e a cabeça de Kana estava apoiada confortavelmente em meu ombro, me aquecendo mais que as duas outras coisas. Olhávamos para o nada, apenas aproveitando a presença um do outro, sorrindo envergonhados vez ou outra, lembando do porquê de Kana ainda estar lá, em pleno final de semana.

-Obrigada por... fazer amor comigo.- ela murmurou em meu ouvido, de repente, e eu corei ainda mais e ela riu.- Não precisa mais ficar vermelho por causa disso, Hatori!

-Acho que sempre vou corar.- respondi, corando ainda mais.

-O que vamos dizer à nossos filhos se o pai deles viver corando o tempo todo?- ela riu.

-Isso é mais uma charada?- brinquei- Não, acho que simplesmente vamos ter que dizer que a mãe deles é bonita demais para deixar o pai deles tranqüilo.

-Mesmo depois que estivermos velhos e esquecidos? - ela perguntou, e eu a beijei na testa.- Vamos fazer um acordo? Um dia, quando estivermos bem velinhos e esquecidos, e eu te disser que você é minha felicidade, você vai ter que entender, mesmo que não se lembre porquê e como, de que somos feitos um para o outro. De como nos sentimos ontem à noite, unidos e nos amando. Você vai se lembrar? Mesmo que eu diga todos os dias e você não lembre de mais coisa alguma? Mesmo não se lembrando da promessa em si?

-Prometo, mesmo achando que não vou precisar que você fale. Como poderia me esquecer de algo assim?

-É para o caso de que, por algum motivo, você esqueça. Vai ser nosso código secreto. O que vai nos unir, quando tudo o mais parecer perdido em algum lugar de uma lembrança já esquecida.

-E você, o que faço para você lembrar, caso você seja a esquecida?

-Hum...- ela murmurou pensativa, então sorriu.- Nada. Apenas continue me olhando deste modo e me ame. E eu não precisarei de mais nada, porque Hatori já mora aqui dentro.- ela sussurrou em meu ouvido, colocando minha mãe em seu próprio peito, onde pude sentir seu coração bater. - Já é parte de mim. Tarde demais para ser ignorado ou desamado. Tarde demais. Meu amor já é maior que a lembrança e o tempo. Sempre juntos.

E ela me beijou. Sempre juntos, suas palavras sendo repetidas alegremente em minha cabeça. Sim, sempre juntos naquilo que realmente importava.

Fim

N/A- Ok, espero que não queiram me matar! Eu queria ser o mais fiel possível ao manga verdadeiro, mas sem perder a chance de que dizer eles se amam, e não esqueceram um do outro para serem felizes sozinhos, oh não! Dava para interpretar que mesmo esquecendo as memórias, ela se lembrou da promessa, e foi dizer a ele o quanto ainda o amava, sem saber ela mesma disso. Bem, pelo menos foi isso o que pensei depois que terminei de escrever (essas fics realmente ganham vida própria). Quem gosta dessas coisas de lembrança assista 'O Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças', com o Jim Carrey e a Kate Winslet, e vai entender o que eu quis dizer. Eu AMO essa filme!

Eu classifiquei a fic como M por causa desse capítulo, mas não sei se merecia um M. Talvez apenas um K+. Mas, quem sabe pessoas não leiam só pela classificação e apenas descubram meu erro no final? Mais leitores! Hahaha! Oh, do que estou reclamando?! Muito obrigado a todos aqueles que chegaram até aqui! Espero realmente que pelo menos ALGUÉM tenha gostado. COMENTEM por favor, para eme animar para um próxima fic (pretendo na próxima escrever um final mais feliz que este, por assim dizer. Já que eu achei esse bem feliz.) OBRIGADA a todos mesmo!!! E viva Fruits Basket!!! Yehhh!

Ah, e eu sou meio melosa né? Mesmo não suportando filme/livro/manga/anime/etc & tal...melosos.

Clara Evans!- Desculpe a demora! Eu queria muito saber o que você achou do final, e eu caprichei bastante para você, minha fiel amiga que comenta! Sim, finalmente o Hatori parou de sofrer porque agora sabe que a Kana ainda o ama! O amor deles só virou coisas boa! Além do mais, um dias desses esses dois se reencontraram viúvos e internados no mesmo asilo (hum, dá para fazer uma fic sobre isso, hahahah), e finalmente livres!!! Muito obrigada pelo elogio! Agora sou eu quem se sentiu importante!!! Sim, cinqüenta flores... nunca faça isso se presa sua sanidade e a paciência do seu irmão que quer usar a internet. Beijos e até, espero, uma próxima! LoveSouma