Cap. 2 O Sonho.
Tom sonhou com a casa do pai. Ele nunca tinha estado lá é claro, mas imaginava como devia ser. Sonhou encontrar com o pai e quando se preparava para azará-lo com um Avada Kedrava o pai se transformou. No lugar apareceu um homem muito estranho usando uma capa negra com capuz. Tom não podia ver o rosto dele. Apesar de ser uma figura de fazer medo em qualquer um, o rapaz não sentiu temor. Muito pelo contrário, a figura lhe parecia mais familiar que o próprio pai, mesmo Tom sendo a cara deste. Se aproximou e o homem levantou o capuz revelando o rosto. Era muito branco, com o nariz em forma de fenda e os olhos vermelhos. A imagem lhe causou certa aversão, mas o homem não se importou. Na verdade ele parecia nem sequer vê-lo. Passou direto e se sentou numa poltrona que não estava ali antes, Tom olhou em volta e viu que não estava mais na casa imaginária dos Riddle. Estava num quarto escuro, iluminado apenas por alguns archotes com velas. Havia uma lareira de mármore num quanto, uma parede coberta por uma estante cheia de livros e um piano num outro canto. O homem que passara por ele olhava para o aposento com um olhar que misturava decepção e raiva.
A porta se abriu e uma mulher entrou, ela era muito parecida com Meg, mas seu olhar era muito mais frio. Usava um vestido preto e curto que marcava sua silhueta com um colar delicado de prata, o pingente era um coração feito de uma pedra azul. Ela fechou a porta atrás de si, se aproximou da poltrona e ajoelhou-se. Falou sem levantar a cabeça:
-Milorde, os aurores já descobriram nosso esconderijo. Logo seremos atacados.
-Já sei Bella. aquela voz era assustadoramente parecida com a de Tom.
-E o que faremos senhor? ela levantou a cabeça.
-Lutaremos ora. Ate a morte se for preciso.
-Os outros foram embora senhor. Todos os outros.
Fez-se um breve silêncio.
Ele se levantou e caminhou ate o piano.
-Imaginei que fariam isso. Eles sabem que vou perder.
Ela o olhou nos olhos.
-Não. O senhor não vai perder para um pirralho. Tenho total confiança no seu poder falou segura.
-Você realmente acha que tenho chances? Mesmo com tudo apontando para o contrário?
-Acho.
-Isso seria um milagre. falou ele enquanto se deixava cair em frente ao piano.
Ela se aproximou e ficou do outro lado do piano.
-Me disseram o mesmo quando o senhor caiu. Bem, você está aqui. Desde então acredito em milagres.
-Todos que se diziam tão fiéis a mim fugiram. Abandonaram-me no momento em que mais precisei deles. ele falou isso com uma tristeza que a mulher pareceu estranhar.
Ela se aproximou dele e se ajoelhou a seu lado, mas não da forma servil como fez da primeira vez. Ajoelhou-se e olhou bem nos olhos dele.
-Eu nunca te abandonaria milorde. Nunca. falou apaixonadamente.
-Mesmo que você perca a vida para isso?
-Milorde, você é a minha vida.
Ele a olhou. Apesar das coisas que a mulher disse o homem não demonstrou retribuir. Apenas a olhou. Sem expressão.
-Eu amo você. ela falou como se quisesse falar essa frase a muito tempo.
Ele não respondeu. Virou-se e começou a tocar. Ela limpou uma lágrima e disse:
-Não me importa que não seja correspondida. Amo-te por nós dois. –virou o rosto dele para ela e o beijou. Apesar do carinho dela o homem só a correspondeu com desejo. Nada mais Sempre amei. E vou sempre amar.
Bella se levantou e foi se sentar na poltrona. Ele começou a tocar. Enquanto tocava falou:
-A única forma que eu possuo de lhe retribuir seu amor é tocar pra você. Só toquei pra uma pessoa ate hoje. Não sei amar, e muito menos ser amado.
-Não me importo. Só quero que saiba que não está sozinho.
-Estou sim. Por dentro estou. Sempre estive.
Tom sentiu a orelha arder, olhou para o lado e viu um travesseiro voando em sua direção. Acordou e viu Eduard lhe batendo e chamando:
-Vamos, vamos! A Meg já deve estar te esperando!
Pollux olhou com desprezo pra Eduard e falou:
-Você parece um grifinório.
-Só estou acordando-o.
-Pois me bata mais uma vez e eu prometo que terá uma morte lenta, cruel e profundamente dolorosa. falou Tom irritado se sentando na cama.
Pollux riu. Eduard não se importou com a ameaça, encarou como uma brincadeira.
-Arrume-se Tom. Eu quero falar com você antes do passeio a Hogsmeade. Pollux disse isso e saiu do quarto.
-O quê ele quer com você?
-Como posso saber?
-Ora! Você não um Legimens?
-Sou, mas não fico usando minha habilidade toda hora. Só quando me parece útil.
-Você poderia usar com a Meg, iria fazer maior sucesso fazendo tudo o que ela quer sem ela nem falar. falou sonhador.
-Quando eu digo útil me refiro a algo melhor do que uma simples garota. falou Tom como quem explica o óbvio a uma criança. "Às vezes Eduard é tão simplório" pensou Meus interesses são bem maiores.
-O que custa agradá-la?
-Não me importo com isso. ele já estava indo em direção a porta.
-Você vai acabar sozinho.
Tom se lembrou do homem do sonho.
"-Não me importo. Só quero que saiba que não está sozinho".
-Estou sim. Por dentro estou. Sempre estive."
Parou um instante, balançou a cabeça como que querendo espantar aqueles pensamentos e girou a maçaneta.
Quando chegou na sala comunal encontrou apenas Pollux num canto lendo um livro.
-O que queria comigo Pollux?
Ele fechou o livro e indicou uma poltrona a Tom.
-Saber por que vai sair com uma garota se vai ir à casa de seu pai. Ou desistiu?
-Eu nunca desisto. E Meg será um álibi. Para todos os efeitos vou passar o dia todo com ela.
-Se a perguntarem?
-Ela vai confirmar minha história.
-Ela sabe o que vai fazer?
-Claro que não. Ate parece que não me conhece! Tom se sentou em frente ao outro com elegância. Na verdade, não era nem pra você saber.
-Não confia em mim Tom? Pollux pareceu ofendido.
O rapaz ia dar um não seco como resposta, mas Pollux não era tão idiota quanto Eduard, e bem mais útil devido sua família.
-Não é que não confie. Só que era melhor que isso fosse um segredo.
-Com certeza. Qualquer um que saiba disso pode se tornar uma ameaça futura.
-Nesse caso minha única ameaça é você. falou com simplicidade, mas com o olhar frio.
Fez-se um silêncio no qual Black se mexeu desconfortavelmente na poltrona e passou as mãos nos cabelos negros e cacheados. Tom viu o medo na mente do outro. Enquanto ele o temesse seria fiel. Enquanto acreditasse no seu poder seria fiel. Mas apenas nessas condições, pensou Riddle.
"-Todos que se diziam tão fiéis a mim fugiram. Abandonaram-me no momento em que mais precisei deles". Tom piscou. Era só um sonho. Nada mais.
-Eu nunca o trairia Tom.
Ele acordou e retomou o ar frio.
-Isso é muito bom... se levantou devagar Sabe, hoje vou perder meu pai... se aproximou e falou bem baixo para Pollux...Não queria perder meu grande amigo também.
Black engoliu em seco e tentou falar da mesma forma calma que o outro.
-Não perderá. Fique tranqüilo.
-Bom. Muito bom. retrucou sorrindo e batendo a mão carinhosamente no ombro do outro Porque amigos vêm e vão, não é mesmo?
-Mas não fiéis como eu.
Nesse momento Eduard entrou correndo com um pedaço de pergaminho na mão. Tom se virou para ele e Pollux respirou fundo tentando reaver a calma.
-Tom uma coruja trouxe isso. entregou o pergaminho ao amigo É um bilhete. Da Meg.
O sonserino leu o bilhete escrito com uma letra caprichada e floreada:
"Querido Tom,
Eu te esperando perto da estátua da corcunda de um olho só, no pátio. Por favor, não me faça esperar muito. Daquela que te quer muito bem,
Meg."
-Queria entender o quê você faz que essas garotas babam por você. falou Eduard com seu habitual tom de admiração na voz.
-Deve ser esse olhar assassino. ironizou Pollux.
-Não, não. Não fique com ciúmes. Esse olhar é só pra você. ironizou Tom de volta.
Os dois se encararam por milésimos de segundos, mas Eduard não percebeu a tensão no ar.
-Vocês têm cada brincadeira. Ô humor negro viu!
-Bem, eu não tenho tempo pra essas... Brincadeiras. A Meg está me esperando... E meu pai também.
-Ãhh? perguntou Eduard confuso.
-Não interessa Eduard. Vá à alguma loja de logros se divertir, vai. Eu tenho trabalho a fazer.dizendo isso Tom saiu das masmorras com um sorriso nos lábios.
N.A.: Sinceramente, na hora em que comecei a escrever a fic achei que ia ficar muito ruim. Afinal Tom Riddle não é um personagem fácil de se descrever, mas estou realmente gostando de fazê-lo. Espero que vocês também.
Gente queria pedir desculpas se Voldemort ficou meio sentimental, mas é necessário pra que eu possa desenvolver a fic. Não é que ele está desistindo, pelo contrário, Voldemort lutaria. A questão é que, pelo menos pra mim, sede de poder é diferente de burrice. O Lord vai saber a hora em que a derrota se aproxima. O cara é inteligente demais pra não saber. O Dumbledore é um exemplo. Voldemort não lutou com ele, pois sabia que o velho diretor não era a mesma coisa que um mero auror.
Queria agradecer também à minha beta, Isabelle Lestrange, super inteligente e gente boa. Obrigada pelas dicas viu mocinha?
Bem, é isso. Deixem um comentário se discordarem. Se concordarem também na verdade. Obrigada por estarem lendo e ate o próximo capitulo que eu ainda nem comecei a escrever. Tchau.
