Cap. 3 O Encontro parte um - Vamos Passear?
Tom avistou Meg ainda a uns seis metros de distância. Ela andava de um lado pro outro devagar e com o olhar ansioso. Quando o viu a garota sorriu e perguntou:
- Dormiu bem Tom?
Ele parou por um segundo assustado com a pergunta, mas logo terminou de se aproximar sorrindo, enquanto respondia:
- Sim. E você?
- Dormi muito, muito bem. – só faltava pular de emoção.
- Isso é ótimo, não? - ele olhou o relógio e continuou, educado - Vamos? Senão não vai dar nem pra aproveitar, não acha?
Ela assentiu com um movimento com a cabeça. Eles foram de braços dados e em silêncio até os portões. Algumas garotas faziam cochichos quando os viam passar. Tom achou graça dessa atitude.
- Às vezes as pessoas são tão engraçadas e estranhas, não acha?
- Você acha essas garotas estranhas? – perguntou Meg.
- Sim, acho. Você não?
- A gente só acha estranho o que não entende.
- E você as entende? – ele ficou animado com o provável início de conversa. Não estava agüentando vê-la ficar em silêncio apenas sorrindo.
- Sim, entendo. Elas estão falando porque não acreditam que você está saindo comigo. Ou não aceitam.
- Se você usar a lógica isso continua sendo estranho. Veja bem: você é linda e inteligente. Por que eu não sairia com você?
Meg ficou escarlate e muda.
- Constrangi você? – perguntou ele divertido.
- Não, não. Imagina. Continuando... ehh... aonde paramos mesmo?
- Você ia me explicar porque elas não entendem que eu esteja saindo com você.
- Sim. Bem, apesar de você me achar... linda – ela sorriu – Elas não acham. É ciúmes.
- Ou seja, é falta de lógica.
- Você acha que ter ciúmes de alguém é falta de lógica?
- Sim, acho. Esse ciúme não tem razão. Eu não o entendo.
- A gente tem ciúmes quando gosta de alguém.
- Você justifica uma ação sem sentido com outra com menos sentido ainda.
Ela parou e o olhou nos olhos.
- Mas o amor não tem que ter sentido. Simplesmente se ama.
Ele a olhou de volta com uma expressão de descaso.
- Simplesmente se ama. Tsc. E você acha normal tomar atitudes que se justificam numa coisa que não tem nenhuma explicação racional?
- A vida não pode ser explicada numa equação matemática, Tom.
- Em uma não. Mas em algumas quem sabe.
Ela o olhou abismada. Não imaginava que ele pensasse dessa forma.
- Por quê?
- Por que o quê? As equações?
- Não. Por que você pensa desse jeito em relação ao amor?
- Amor é apenas um sentimento idealizado pelo homem, ou uma justificativa para seus desejos e principalmente erros. Ele não existe na realidade.
- Você nunca amou ninguém? Nunca foi amado por ninguém?
- Não. E se quer saber não sinto falta.
Meg pegou a mão dele e falou carinhosamente:
- Claro que foi amado. Só não aprendeu a perceber e receber, por isso rejeita essa idéia, mas na pior das hipóteses pelo menos seus pais o amaram.
Tom olhou desviou o olhar sorrindo e balançando a cabeça.
- Você não me conhece, Meg.
Ela virou a cabeça dele de frente pra ela de novo.
- Então me deixa te conhecer. – respirou fundo tomando coragem - Deixa-me te ensinar a reconhecer e gostar de ser amado.
- Não saberia corresponder a isso. – retrucou frio.
- Então, por favor... me deixa te ensinar a amar. É tudo que eu mais quero
Eles se olharam por um momento. Era a primeira vez que alguém olhava pra Tom daquele jeito. 'Não', pensou, 'já me olharam assim antes'.
"Ela se aproximou dele e se ajoelhou a seu lado, mas não da forma servil como fez da primeira vez. Ajoelhou-se e olhou bem nos olhos dele.
- Eu nunca te abandonaria milorde. Nunca. - falou apaixonadamente.
- Mesmo que você perca a vida para isso?
- Milorde, você é a minha vida".
Tom ficou atordoado por um instante. 'Aquele homem, eu sou aquele homem'. Repreendeu a si mesmo. 'Isso não faz sentido.'
- Tom? Você está bem? Está com o olhar estranho. Sem expressão...
Ele a olhou. Apesar das coisas que a mulher disse o homem não demonstrou retribuir. Apenas a olhou. Sem expressão.
'Eu não quero ser esse homem.' Ele teve medo. Teve medo de ficar daquele jeito. Medo de ficar sozinho. 'Você nunca sentiu medo. Vai sentir de algo sem importância como isso?'
O rapaz balançou a cabeça como quem espanta uma mosca. Mas a mosca era insistente.
"- Não me importo. Só quero que saiba que não está sozinho".
- Estou sim. Por dentro estou. Sempre estive."
Riddle esfregou a testa por alguns instantes, despertando ainda mais a preocupação de Meg.
- Tom?
Ele se recuperou e voltou a olhar da forma segura de sempre para a garota à sua frente.
- Dê-me duas razões para querer aprender amar.
- Ahn?
- Convença-me. –falou decidido.
Ela respirou fundo.
- Não saberia te convencer apenas com palavras. Se você me der esse dia...
Ele fez que ia responder, mas ela continuou rápido:
- Só esse dia. Tenho certeza que consigo.
Silêncio.
- Deixe-me tentar. Por favor. – a garota olhou-o quase suplicante.
Tom avaliou o pedido. Não tinha nada a perder. Se ela não o conseguisse, ele poderia esquecer aquele sonho idiota e ainda engrossaria seus argumentos contra esse sentimento. Se conseguisse... Bem se conseguisse seria uma experiência nova e quem sabe prazerosa.
- Ok. Só metade deste dia, pois ainda tenho coisas a fazer.
Ela abriu um enorme sorriso e o abraçou. O rapaz, que não estava acostumado a essas demonstrações de afeto, se assustou. Ela se afastou muito vermelha olhando para os próprios sapatos.
- Desculpe.
- Não há o quê se desculpar. – ele armou um daqueles sorrisos perturbadores que só ele sabia fazer e estendeu a mão a ela - Vamos?
-Sim. Vamos.
Meg se sentiu a mais importante das mulheres. Encarregada de tentar ensinar Tom Riddle a amar.
Era inverno, e as ruas e tetos das casas de Hogsmeade estavam brancos por causa da neve. As residências e lojas em estilo medieval pareciam de brinquedo com fiapos de fumaça saindo das chaminés. A avenida principal estava cheia. Faltavam poucos dias para o Natal, portanto além dos vários alunos ainda tinham os numerosos bruxos, de vestes coloridas e chapéus pontiagudos, que haviam trocado o Beco Diagonal pelo vilarejo este ano para fazer suas compras. Apesar da neve o tempo não estava muito frio, talvez devido à aglomeração de pessoas. 'Uma cerveja amanteigada cairia bem agora', pensou Meg.
- Quer uma cerveja amanteigada? – perguntou Tom, atencioso.
- Nossa parece que você leu meus pensamentos.
Ele sorriu.
- Tem um lugar novo, Três Vassouras se não me engano, que vende uma muito boa pelo que dizem. O que acha de conhecê-lo?
- Perfeito pra mim.
Eles foram abrindo caminho até o tal Três Vassouras. Quando chegaram encontraram a estalagem quase vazia, afinal ainda era pouco conhecida. Meg escolheu uma mesa próxima a uma grande janela enquanto Tom foi buscar as cervejas. 'Devia ter pedido algo pra comer', pensou ela quando o rapaz voltou à mesa.
- Você quer comer algo? – perguntou ele.
A garota arregalou os olhos. Era a segunda vez que ele acertava seus pensamentos em menos de meia hora.
- Era nisso que eu estava pensando!
- Sério? Que coincidência! – 'não acredito que estou seguindo um conselho do Eduard', pensou ele.
- É mesmo.
- Então? Quer?
- Não. Mudei de idéia. Prefiro que fique aqui.
- Está confusa hoje hein? - ele se sentou. - O que você reserva pra mim?
- Como assim?
- O certo era que eu te levasse em algum lugar, mas como a srta. aceitou um 'desafio', quero saber como pretende vencê-lo.
- Se eu te contar perde a graça.
Ele sorriu e tomou um gole de sua cerveja.
- Tom?
- Hum?
- Você já teve alguém?
- Se eu tive alguém? Você diz... uma garota?
- Sim.
- Já sai com várias, mas nunca duas vezes com a mesma.
- Por quê?
- Porque elas eram burras. E burrice me tira do sério. Fora que não me apego a ninguém.
- Medo?
Ele se jogou um pouco pra frente.
- Aprenda uma coisa sobre mim: me fazer medo é quase tão difícil quanto me matar. – voltou ao seu lugar - A razão é que não vejo sentido em depender de um sentimento que pra me fazer feliz tem que ser recíproco.
- Então não é tão difícil de fazer medo quanto diz. Você já tem medo. Medo de errar, por isso se apóia naquilo que domina, a razão, e também medo de depender de alguém ou algo, por isso é tão solitário.
- Já pensou em seguir a carreira de psicóloga? – perguntou em tom de ironia - Porque essa foi uma boa tentativa, muito boa mesmo, mas infelizmente errada. Simplesmente não acho proveitoso pra mim me prender a alguém. E daquilo que eu não posso tirar proveito eu descarto. Simples assim. – ele tomou mais um gole.
Meg abaixou a cabeça, balançando-a e sorrindo. Voltou-se para a janela.
- Mas por que você perguntou isso?
- Curiosidade.
- Curiosidade não existe. Se perguntarmos algo é porque temos uma razão, mesmo que tola, para fazê-lo.
- É que você me parece tão sozinho... – respondeu sem se virar.
- E isso te incomoda?
Ela se virou para ele.
- Ninguém deveria ser sozinho. E se depender de mim, você nunca será.
Tom ficou olhando-a. Apesar de às vezes parecer fútil, ele viu que ela era forte, à sua forma, mas forte. Sorriu. O primeiro sorriso sincero que deu naquele dia.
- Que foi?
- Nada. Você é muito bonita sabia?
- Obrigada. – Meg ficou totalmente rubra - Você já disse isso hoje.
- Eu sei. Queria ressaltar esse fato importante e principalmente gritante.
Ela abaixou a cabeça sem graça.
- Você já fez suas compras de Natal? –perguntou ela repentinamente.
Ele ergueu os ombros.
- Não tenho a quem presentear.
- Presenteie a você mesmo. Vamos?
- Fazer compras? – perguntou confuso.
- É.
- Sério? Tantas coisas que podemos fazer e nós vamos logo às compras?
- Não reclame. Achei que tinha liberdade para escolher aonde vamos.
- Pra você ver como a liberdade pode ser perigosa nas mãos erradas.
Ela se levantou e pegou a mão dele guiando enquanto dizia:
- Deixe de ser rabugento. Anda Tom!
- Oh Merlin! – ele deixou algumas moedas na mesa e se deixou levar pela garota – Só espero que não seja roupas o que você vai comprar.
- Homens são todos iguais. Até os inteligentes.
- Principalmente os inteligentes não gostam de comprar.
- Anda, e sem reclamar.
Eles entraram numa loja que tinha de tudo. Roupas, perfumes, livros, enfeites.
- O que acha? – perguntou a garota a Tom, mostrando um vestido vermelho que estava experimentando.
- Realmente eu preciso responder? – o vestido era justo, decotado, comprido e tinha uma fenda que ia até metade da coxa - Mas pra quem você usar esse vestido, posso saber?
- Ora, pra mim. E quem sabe pra você também...
Ela voltou sorrindo para o provador. Tom resolveu dar uma volta na loja. Estava pensando em comprar algo para Meg. Encontrou um perfume amadeirado muito gostoso. Quando estava levando-o para o caixa viu um colar de prata com um pingente azul de coração. Tom largou o perfume e pegou o colar. Era lindo. O preço um pouco amargo, mas como ele havia conseguido dinheiro com seus amigos, "ajudando-os" em algumas coisas, podia se dar a esse luxo. Pagou o colar e voltou para onde estava Meg.
- Onde você estava?
- Passeando na loja.
- Agora é a sua vez de experimentar algumas roupas.
-O quê?
- Não adianta nem tentar reclamar.
Meg o fez vestir todas as roupas que achou bonita. Depois de constatar que ele ficava bem em quase todas, começou a mandá-lo vestir fantasias, que iam de mafioso a vampiro, ela fazia par é claro. A brincadeira acabou quando ele se recusou veemente a vestir uma fantasia de homem das cavernas.
Ao contrário do que Tom imaginou, eles saíram da loja sem sacolas. O pouco que Meg comprou cabia nos bolsos das vestes por serem coisas pequenas.
- Você bem que podia ter colocado a fantasia. – comentou em tom falsamente triste.
- No dia em Tom Riddle usar aquilo, mesmo que por brincadeira, se prepare para a chegada do Anjo do Apocalipse.
- Você é muito engraçado.
- Se sou engraçado vestido assim, imagine com aquilo. – falou indignado.
Meg riu com vontade da cara séria do outro.
- Você tem que se soltar mais.
- E se soltar mais significa pegar um tapete de banheiro, cortá-lo e jogá-lo por cima do ombro?
- Como você é rabugento! – ela disse como se falasse com uma criancinha.
- Já que você quer que eu me solte mais poderia sugerir algo menos pré-histórico, não?
- Que tal um restaurante? Daqui a pouco vai dar a hora do almoço.
- Onde fica esse restaurante?
- Fora da rua principal. É meio tradicional lá, família antiga, mas é muito bonito, e a comida é ótima.
- Depois dessa propaganda, quem sou eu pra dizer não.
- Você vai gostar.
N.A.: Capítulo pobre? Um pouco. É que esse capítulo seria enorme e eu queria atualizar um pouco mais rápido por isso cortei-o pra encurtar o tempo. Mas fiquem tranqüilos, O Encontro parte dois (horrível né? Eu sei) vem logo. Estão gostando? Tomara que sim, se não estiverem podem falar eu agüento.
Se eu demorar a atualizar peço que não queiram me matar. É que meu curso pega pesado (aliás, eu deveria estar fazendo relatório de química orgânica agora :P), mas vou me esforçar ao máximo pra que a espera de vocês seja mínima. Obrigada por lerem, beijos.
Lady Bellatrix.
