Cap.: 4 O Encontro parte dois – Vou tocar pra você.

O restaurante ficava bem fora da rua principal. Tom nunca tinha ido naquela parte de Hogsmeade, havia mais casas do que lojas. E meio tradicional é porque Meg é boazinha. O rapaz se sentiu dentro de um condomínio de bruxos sangues-puros, as casas eram grandes, altas e de belas fachadas escuras. Jardins bem cuidados, mas sem vida aparente. Não havia ninguém na rua, exceto os jovens, que caminhavam aos cochichos e rindo muito.

- ... Você teria morrido de rir. Eu fiquei coberta da cabeça aos pés por uma gosma verde e nojenta. Minha mãe me deixou de castigo por semanas.

- Você era uma criança bem agitada hein?

- Pode falar: eu era uma peste. Minha mãe vivia falando que ia envelhecer uns 10 anos a mais comigo antes de eu entrar na escola.

Eles riram mais um pouco ate Meg perguntar:

- E você?

- Eu o quê?

- O quê é que você fez que os seus pais quase arrancaram os cabelos?

- Meus pais estão mortos. –falou sem demonstrar emoção.

A garota ficou muito sem graça.

- Desculpe. Eu não sabia... Perdoe-me...

- Calma, não tem problema. Não me lembro deles. Fui criado num orfanato.

- Mais uma vez desculpe.

- Já disse que tudo bem. Você queria saber o que fiz que irritaria um pai...hum... Eu matei o coelho do meu colega de quarto no orfanato e pendurei-o no lustre quando tinha uns oito anos, porque o garoto me irritou.

Ela arregalou os olhos e depois riu.

- Já te disseram que o seu humor é muito negro?

- Depois reclamam que não digo a verdade. Quando falo ninguém acredita.

Ela riu mais e apontou para uma casa com paredes de pedras, portas escuras e detalhes de prata, as janelas eram grandes e bonitas. As portas estavam abertas, mostrando um interior iluminado com velas apesar de ainda ser dia.

- O restaurante é ali.

Eles entram e se sentaram num lugar próximo a um piano. Havia poucas e silenciosas pessoas no lugar.

- Não sabia que havia lugares assim aqui em Hogsmeade.

- É muito antigo. Pouca gente vem aqui. De Hogwarts mesmo acho que sou a única que conhecia.

Tom avaliou o ambiente à sua volta, era o tipo de lugar que gostava de freqüentar, bem sonserino. Um senhor veio atendê-los.

- O que desejam?

Meg olhou para o cardápio e depois para Tom.

- Por mim qualquer coisa está bom. – respondeu ele ao olhar.

- Strogonoff então. –ela entregou o cardápio ao homem que se curvou e foi embora.

O rapaz ficou olhando-a um tempo em silêncio.

- O que foi?

- Você tinha falado em estragar a surpresa, mas fale a verdade: você ainda não pensou no que pode fazer pra me convencer não é? – falou astuto.

- Bem... Não. Mas o improviso está indo bem. – acrescentou insegura – Não está?

Ele inspirou fundo e depois sorriu.

- Não vou te responder. Tente descobrir.

- Você gosta de complicar não é?

- É que assim o jogo fica mais divertido.

Ela sorriu.

- Já que você falou em jogo...

- Sim?

-Vamos fazer um jogo dentro do jogo.

- E como seria?

- Você me conta algo só seu, não precisa ser um segredo, mas algo... hum... profundo. E em troca eu te conto algo meu. Pode ser?

'Como se eu precisasse que ela me contasse.'

- Claro. Pode ser interessante. Quem começa?

- Pode ser eu. Deixe-me pensar... – ela assumiu um ar triste – Quando eu era pequena me escondia no sótão pro meu pai não me ver.

- Ahn? Por quê?

- Porque ele não gostava de mim. Não falava. Mas era assim. Eu nunca fui a filha que ele queria ter. Não sou... forte o suficiente. Ele sempre me olhou com certo desprezo. disse de cabeça baixa.

Ele a olhou um tempo. Viu a sua mente. A viu chorando sozinha num lugar escuro e cheio de poeira. Era pena o que sentia? Tom nunca sentiu pena de alguém, talvez por que achasse esse sentimento sem razão, ou porque não gostava que sentissem pena dele. Mas... sentiu uma tristeza pela garota à sua frente. Colocou a mão no queixo dela e levantou devagar sua cabeça. Os olhos da garota estavam marejados.

- Desprezo? Eu acho que ele sente é inveja.

Ela sorriu.

- Você deve estar me achando uma tola não é?

- Por chorar? Não. Por se importar com que os outros pensam de você? Aí sim. Nunca chore porque não consegue agradar a essa ou aquela pessoa. Você só tem que agradar a si mesma.

O sorriso dela se abriu ainda mais. "Que sorriso lindo". Tom tirou a mão de seu rosto rápido e virou o olhar para a paisagem que podia ser vista por uma janela próxima. "O que é que está acontecendo com você?".

- Qual o seu segredo?

Ele se assustou.

- Ahn?

- O jogo lembra? -perguntou Meg. - É a sua vez.

- Ah! Sim... o jogo. – ele tentou pensar rápido em algo que pudesse dizer, mas que não considerasse realmente importante. - Bem... – mas antes que pudesse pensar em tal coisa uma lembrança, ou sentimento, ele não saberia explicar, lhe veio à cabeça e Tom não conseguiu se impedir de falar – Nunca ouvi a voz da minha mãe.

Uma tristeza invadiu o peito do rapaz. Uma tristeza que ele nunca sentiu antes. Nunca ouvi a voz da minha mãe. Era estranho como essa frase lhe caiu como chumbo. Nunca havia realmente falado isso pra si mesmo, sempre pensou que não precisava dela mesmo. Dela nem de ninguém. Achava-a fraca por ter morrido, mas depois que descobriu o que seu pai a fizera... "Eu não quero matar meu pai por mim. É por ela...".

- Deve ser difícil pra você.

- Sim. É.

- Quer falar sobre isso?

- Você realmente vai ser psicóloga. E não, não quero.

- Se quiser, quando quiser, eu estarei aqui pra te ouvir, ok?

- Ok. Mas eu não vou precisar.

- Você escolhe.

O senhor voltou com os pratos. Quando o homem saiu, eles começaram a comer em silêncio até que Tom o quebrou:

- Por que você se preocupa comigo?

Ela piscou os olhos surpresa. Ficou muito corada e respondeu em voz baixa:

- Ora, porque... – abaixou ainda mais o volume da voz ate o rapaz não conseguir ouvir.

- Ahn?

Meg respirou bem fundo, levantou a cabeça e falou rápido, quase sem respirar:

- Porque-eu-gosto-de-você.

Ele apenas a olhou.

- Isso eu sei, mas por quê?

Ela focou ainda mais surpresa. Por quê?

- Não sei... Eu só gosto.

- Só gosta? Eu não entendo isso.

- E quem disse que as razões do coração foram feitas para serem entendidas? Eu gosto de você e pronto! – ela falou mais alto do que pretendia.

Quando reparou isso conseguiu ficar ainda mais vermelha. Ele a olhava com a cabeça apoiada nas costas das mãos e ar de educado interesse.

- Ninguém deveria gostar de mim.

- Agora sou eu que pergunto: por quê? Você é super inteligente, lindo...

- Você nem é capaz de citar mais uma qualidade em mim que não seja minha aparência e meu cérebro.

- Claro que sou! Você é decidido, divertido, carinhoso quando quer ser, tem um senso enorme de liderança... É o único garoto de quem eu já gostei...Eu...Eu amo você.

- Não te incomoda saber que seu sentimento não é retribuído? – perguntou como se ela tivesse comentado o tempo.

- Não. Amo-te por nós dois. – falou sem deixar de olhar nos olhos dele.

"- A única forma que eu possuo de lhe retribuir seu amor é tocar pra você. Só toquei pra uma pessoa até hoje. Não sei amar, e muito menos ser amado".

- Só conheço um jeito de tentar te retribuir. Vou tocar pra você.

Ele se levantou e foi ate o balconista lhe perguntar se poderia usar o piano de cauda, voltou com uma resposta afirmativa. Sentou-se em frente ao instrumento negro e começou a tocar uma música lenta e triste, mas ainda assim bonita. Tom parecia outra pessoa quando começava a tocar, demonstrava uma emoção muito diferente do seu normal. Meg fechou os olhos e começou a se imaginar dançando com ele, que a olhou e parecendo adivinhar, desta vez sem legimência, enfeitiçou o piano e a puxou pra dançar.

Colocou a mão direita em torno da cintura dela puxando-a pra mais perto e entrelaçou os dedos dela nos seus com a mão esquerda. Era engraçado como não precisavam ensaiar passos. Apesar de nunca terem dançado juntos, um sabia exatamente como o outro ia se mover sem Tom nem ao menos usar de Legimência. O rapaz era mais alto que Meg o que a obrigava a erguer um pouco a cabeça para olhar nos olhos dele. Davam passos largos e em círculos grandes. Ele a afastou um pouco e a girou puxando-a de volta com força e obrigando-a a ficar ainda mais perto dele.

"Como ela é linda".Tom sorriu. Ela sorriu de volta e abriu a boca para dizer algo, mas ele a interrompeu aos sussurros:

- Shiiiiii... Às vezes uma única palavra é capaz de estragar todo um dia, o que dizer de um momento. Apenas escute a música.

Ela acatou. Deitou a cabeça no peito dele e começaram a dançar mais devagar. Direita, esquerda, direita, esquerda. Ouvindo apenas a música e a respiração um do outro. Ainda ficaram assim mais alguns segundos depois da música acabar. Ela levantou a cabeça devagar e voltou a olhar pra ele, fechou os olhos e ficou como quem espera, ele começou a se aproximar, mas quando seus lábios estavam quase se tocando, cerca de centímetros de distância, Tom bateu o olho numa espécie de relógio bruxo pendurado numa parede bem à sua frente. Afastou-se rápido de Meg.

- Tenho que ir. – falou afobado.

- Já? Por quê? – obviamente ela ficou muito desapontada.

- As coisas que disse que tinha que fazer, lembra? Falta pouco para o tempo limite do passeio se esgotar.

- Não tem como você fazer isso outro dia? – ela não acreditava que ele tinha que ir logo agora.

Por um momento ele ficou na dúvida, mas voltou ao normal bem rápido.

- Não. Tenho que fazer isso hoje. Não vou adiar em hipótese alguma.

A segurança dele foi como um balde de água fria em Meg. Ela mordeu o canto do lábio inferior, respirou fundo e retrucou com uma voz que julgou ser calma:

- Como quiser. Como eu lhe disse há pouco: você escolhe. Só espero que não se arrependa.

Ele ergueu uma sobrancelha. "Engraçado ela falar assim. Até parece que sabe".

- Eu nunca me arrependo.

- Então tchau. – ela foi até a mesa e pegou suas coisas.

- Não precisa ficar nervosa.

- E quem disse que estou nervosa? – ela estava visivelmente nervosa - Tchau Tom. – e saiu.

Ele pagou e saiu também. Tinha esfriado mais e o chão estava muito mais escorregadio. O sonserino puxou o cachecol para o rosto e começou a andar, tinha que sair de Hogsmeade para poder aparatar. Andava de cabeça baixa e pensando em Meg. "Será que ela ficou muito brava? Ora Tom! O que isso importa? É só uma garota! Por que você se importaria com ela? Só se for porque ela tem que confirmar que passou o dia com você. É, é por isso que estou me preocupando. Só por isso". Entrou no pedaço menos denso da floresta pra pegar um atalho. Como andava rápido e de cabeça baixa, não viu o tronco de árvore à sua frente, onde bateu com força. O susto o fez cair de costas e bater a cabeça numa pedra. Tom perdeu os sentidos, ficou ali, longe do campo de visão de qualquer pessoa que passasse pela estrada, caído entre as folhas úmidas.

N.A.: Esse capitulo eu realmente gostei de escrever. Espero que vocês também. Se deu uma caída em algum momento desconsiderem por favor, afinal são 23:40hs e eu tive doze horários de aula hoje, estou pingando sono.

Gente eu já disse que amo vocês? Não? Que absurdo! Então digo agora: eu amo vocês muito, muito, muito! E como fica meio difícil me retribuírem tocando pra mim eu me contendo com alguns (alguns quer dizer: vários) comentários. Façam-me feliz!

Ou... ou,ou,ou me mande um e-mail: enquanto isso...

Tenho algumas propagandas a fazer:

1°: Vocês já leram A Última Dança da Lisi Black? Se a resposta é não eu recomendo que vão ler porque ela é ma-ra-vi-lho-sa! Eu queria escrever assim um dia.

2°: E a fic O Penúltimo Encontro de uma tal de Lady Bellatrix? Ela é boazinha também (mentira ela é ótima, por que vocês não vão lá ler pra conferir hein? Boa idéia não?).

3°: Tanto essa aqui quanto O Penúltimo Encontro foram betadas por uma outra tal de Belle Lestrange (qualquer semelhança com o meu nick é mera coincidência) que cumpre muito bem esse cargo, diga-se de passagem. A propaganda que eu queria fazer dela é só essa, que ela é a melhor beta que tá tendo como diria minha sobrinha, e só queria que vocês também soubessem disso (rsrsrs) e não, eu não vou ganhar nada dela por isso.

Beijos pra todos vocês e ate a próxima atualização.

Lady Bellatrix.