Cap. 5 1° de Setembro de 1962
Tom abriu os olhos devagar, a luz o cegou por um instante. Estava deitado numa cama com lençóis muitos limpos, as paredes eram claras e a decoração discreta e de bom gosto. Ele se virou e viu uma mulher dormindo. Ela tinha cabelos negros com mechas caindo no rosto, uma expressão tranqüila e familiar. Tom tentou afastar os cabelos para ver se descobria quem era ela, mas a mulher começou a acordar, abriu os olhos muito azuis e sorriu para ele.
- Bom dia.
- Bom dia. – falou ele ainda confuso.
- Dormiu bem, meu amor?
"Amor?".
- Ahn... Sim.
Ela continuou deitada, sorrindo e olhando pra ele. Ao mirar bem seus olhos, Tom percebeu quem era. Mas não, não fazia sentido, aquela mulher devia ter uns quarenta anos. Só que se parecia tanto...
Os pensamentos de Tom foram interrompidos por batidas apressadas na porta.
- Pai! Mãe! Levantem-se! Estamos atrasados! – gritou uma voz masculina.
- Ai Charles, larga de ser estressado! Dá tempo de nos arrumarmos calmamente. Deixa o papai e mamãe dormirem em paz! – retrucou uma voz feminina num volume bem mais baixo.
- O Charles, como sempre, ansioso. - comentou a mulher se levantando. E falou mais alto para quem estava do outro lado da porta – Nos já vamos descer, podem ir. E sem brigas, ouviram?
Tom ainda ficou deitado na cama. Quem eram aquelas pessoas? O que estava acontecendo?
- Amor, eu já vou descendo ok? Vê se não demora senão seu filho vai ter um infarto. – disse a mulher em tom brincalhão, enquanto saía do quarto.
"Filho?" Ele se sentou bruscamente na cama. "Ok. Acalme-se. Deve haver uma explicação racional pra isso". Levantou-se e começou a observar cada detalhe. Nunca vira aquele lugar em toda a sua vida. Não fazia a menor idéia de como havia chegado lá.
- Tom! As suas roupas estão na passadeira. E, segundo o Charles, sua colônia acabou. A Annabelle já foi comprar, ok? – gritou alguém, aparentemente do andar de baixo.
- Ahn... Annabelle?
- É, a Annabelle. O Charles se recusou a ir, diz estar ocupado. Você o conhece, né?
"Conheço?".
- Arrume-se rápido está bem? Afinal você prometeu ao Órion que passaria na casa dele pra buscar o Sírius.
"Sírius?... Órion?... O que está acontecendo aqui?".
Ao lado da passadeira havia um grande espelho. Quando se olhou nele, Tom ficou assustado. A imagem refletida era de um homem mais velho, bonito, barba cerrada, uns poucos fios brancos que lhe davam um charme e algumas cicatrizes no peito, que ele não tinha antes. Quando passou a mão na nuca sentiu uma pequena falha, como se tivesse se cortado ali.
- O que está acontecendo aqui? Que lugar é este? – pensou alto.
- Sua casa. Ou pelo menos a casa que você poderá ter.
Ele se virou rápido, procurando a origem da voz. Deparou-se com uma mulher usando um longo vestido, olhos amendoados, cabelos lisos e castanhos claros, olhava-o com uma expressão carinhosa.
- O quê? Quem é você? –a cada momento ficava mais confuso.
-Sou a sua mãe, Tom.
-O QUÊ!? Mentira! Minha mãe morreu. Você não pode ser a minha mãe!
Ela se aproximou devagar e pegou a mão dele.
- Posso sim. Tanto que sou.
Ele se desvencilhou.
- Isso é uma piada? Um sonho?
- Não, meu filho. Não é nada disso.
- Então... se você está aqui... eu... morri?
- De forma alguma.
- Então... o que está acontecendo? Quem são essas pessoas?
- A mulher é sua esposa, Meg. As vozes que você ouviu pertencem aos seus filhos, Annabelle e Charles.
- Meg?... Filhos?... Eu não... – Tom se deixou cair numa cadeira próxima.
Ela se ajoelhou em frente a ele e, mais uma vez, segurou suas mãos.
- Você está tendo uma oportunidade única, meu filho. Que você nasceu para ser grande, você já deve saber, mas cabe a você escolher que tipo de grandeza. Você está tendo a chance de conhecer os dois lados e de escolher conscientemente qual irá seguir.
- Mas... Por quê?
- Eu sou uma mera mensageira. Não conheço as razões do Destino.
- E o que devo fazer?
- Você vai conhecer um dia da vida que você sempre considerou não seguir. Se resolver que a quer, deverá deixar seu pai viver.
- O QUÊ?
- Você tem que abrir mão desse ódio, pois isso vai acabar te consumindo, te dominado. Mas como eu disse, você escolhe.
Ele escondeu o rosto com as mãos, e quando olhou de novo percebeu que a mulher se fora da mesma forma que veio, de repente.
Tom ficou sentado na cadeira digerindo o que a mulher... o que sua mãe lhe disse. Se é que ela não foi uma alucinação... Se é que tudo aquilo não fosse um sonho...
Meg entrou no quarto.
- Você ainda está assim? Vamos Tom, pro chuveiro! É o primeiro dia de aula, você como professor tem que estar apresentável.
- Professor?!
Ela sorriu.
- Desculpe, esqueci que seu ego é sensível. Você como mestre em Defesa Contra as Artes das Trevas tem que estar apresentável. Afinal, o que seus alunos vão pensar? – ela o empurrou para o banheiro.
Ele se virou de repente e perguntou:
- Nós somos felizes?
Meg ergueu as sobrancelhas e sorriu.
- Ora, Tom! Que pergunta estranha! Claro que somos.
- Estou falando sério. Eu te faço feliz? Eu preciso saber disso.
Ela ficou mais séria, mas ainda sim o olhando docemente.
- Muito. Muito mesmo. Desde o dia em que me deu esse colar - e apontou para um colar com um pingente azul, o colar que ele havia comprado em Hogsmade quando ainda estudavam em Hogwarts – eu passei a ser a mulher mais feliz deste mundo.
Ela o beijou levemente, e quando se afastou um pouco, Tom disse:
- Só isso?
E a puxou de volta para um beijo longo e intenso. Quando se separaram, ela falou meio sem ar:
- Nossa! Isso tudo são saudades antecipada? Vai, vai tomar seu banho logo antes que se atrase ainda mais.
Durante o banho, Tom decidiu aproveitar este dia. "Não vou perder nada mesmo, afinal isso ainda pode ser apenas um sonho". Saiu para um corredor bem iluminado. Havia algumas portas, duas chamavam a atenção. Uma pelos vários cartazes afixados: Não Entre; Propriedade Particular; Cuidado: Rabeo-Córneo; Perigo; Mantenha-se Longe Annabelle; Perigo: Bruxo Poderoso e Irritado.
O outro por responder a esses cartazes: Até parece que alguém quer entrar aí; Realmente a propriedade é particular mesmo, do papai e da mamãe; Rabeo-Córneo? Mini-pufe ele quis dizer; Psicologia inversa. Ele diz fique longe pra pedir minha companhia, mas NÃO! Eu não vou te dar essa honra, não adianta implorar; Você esqueceu de dizer perigo de quê. Mas eu explico: perigo de intoxicação devido a odores venenosos liberados por meias imundas; Qual? O papai?
Tom desceu as escadas rindo, quando encontrou a cozinha ainda se divertia.
- O que foi papai? – perguntou uma garota de uns dezessete anos. Cabelos encaracolados e negros assim como os olhos. Vestia o uniforme de Hogwarts com um distintivo de prata exibindo um MC por cima da serpente da Sonserina.
- Gostei dos cartazes lá em cima.
- Essa garota só sabe me infernizar mesmo viu. – falou um garoto de no máximo treze anos, também usando uniforme de Hogwarts, que entrava nesse momento na cozinha.
- O que eu posso fazer se você não tem imaginação? Eu te ajudei dando um charme a mais a àquelas frase batidas.
- E eu que sou sem imaginação, ainda por cima!
- O papai gostou.
- O papai sempre gosta do que você faz. A monitora-chefe perfeitinha! Quem vê até pensa.
- Chega! Tom, você não vai dizer nada? – perguntou Meg se sentando à mesa.
- Eles têm que aprender a resolver as desavenças deles sozinhos, não acha?
Ela o olhou com ar de: 'que desculpa mais fajuta'. Voltou-se para seus filhos:
- Vocês vão entrar na plataforma assim?
- Ah mãe deixa vai!
- A gente promete que não chama a atenção!
Meg procurou apoio em Tom que tomava seu café tranqüilamente.
- O que você acha?
- Bem... – ele baixou a xícara – Eu acho que eles conseguem.
- Aéééé!!! –comemorou Charles.
- É por isso que eu amo meu pai viu! – Annabelle deu um beijo na bochecha do pai – Vou subir pra pegar meu malão tá?
- Ok. Charles vá também. – disse o Tom estranhando a própria fala. "Estou sendo pai deles?".
Quando se voltou para Meg se deparou com um olhar cortante.
- O quê? Você pediu minha opinião!
- Porque eu achei que ela seria sensata.
- Deixa eles, vai!
- Você os paparica demais.
- Não vai brigar comigo por causa disso, vai?
- Vou pensar. – respondeu emburrada.
- Briga comigo não mamãe. – disse ele já de pé beijando o ombro dela.
- Suborno não vale, viu? – falou segurando o riso.
- Ah, é? Quem instaurou essa regra nunca viu esse seu pescoço. – e começou a beijá-la mais e fazer-lhe cócegas.
- Pára Tom!
- Só se você falar que não está brava comigo.
- Ai o amor é lindo. – falou Annabelle parada na porta com um sorriso no rosto.
- O que foi? Está com ciúmes, é? Tem pra você também.
- Não! Sai pai! Pára. – falou em meio às gargalhadas.
Charles, que estava no pé da escada, começou a gritar:
- Eu queria chegar na estação hoje ainda, sabiam?
- Ai que garoto chato! – reclamou Annabelle saindo do abraço de Tom e tornando a pegar seu malão.
- Deixa seu irmão Annabelle.
- Mãe, não me chame de Annabelle! Sabe que prefiro só Belle!
- É pra fazer dupla com a Bellatrix. – disse Charles voltando à cozinha, com tom de ironia – Bella e Belle. Depois sou eu quem não tenho imaginação.
- Cale a boca garoto! Fique sabendo que na escola meu apelido é Anny.
- Chega! Vocês já estão me cansando! Tom leva logo esses garotos pra casa do Órion.
Tom suou frio. Não sabia nem quem era Órion, quanto mais aonde ele morava.
- Vamos de pó de Flu? – perguntou Charles.
"Pó de Flu! Ótimo!"
- Sim, vamos. Você vai primeiro, ok?
- Está bem.
- Vamos então? Tchau mãe. – A garota deu um beijo no rosto da mãe e foi arrastando o malão pra sala.
- Tchau, dona mãe.
- Dona mãe?
- É. Dona mãe. – Charles também a beijou e foi sorrindo pra sala.
- Tchau mãezinha. – disse Tom, puxando-a pela cintura.
- Tchau papai. Comporte-se ouviu?
- E desde quando eu não comporto? – e deu um beijo nela.
- Coloquei seu malão ao lado da lareira, ok?
- Ok. Tenho mesmo que ir?
Meg sorriu.
- Claro que tem. Vai, vai logo senão eu que não vou mais te deixar ir. Anda mocinho.
Na sala Anny e Charles já estavam esperando em frente à lareira.
- Pode ir Charles.
O garoto pegou um pote no console, pegou um punhado de pó, entrou na lareira e gritou:
- Grimmauld Place, n° 12. – e chamas verdes subiram até a altura da cabeça dele. Quando abaixaram, ele não estava mais lá.
"Grimmauld Place? Essa é mansão Black! O que será que aconteceu com Pollux?"
- Posso ir papai?
- Claro... Vá Anny.
- Estude bastante filha.
- Eu sempre estudo, mãe. - em seguida desapareceu nas chamas.
- Tchau amor. – Meg deu um selinho em Tom e ajeitou suas vestes.
Ele a olhou com uma certa tristeza, estava gostando da companhia dela.
- Adeus.
- Nossa! Até parece que está indo pra guerra! – ela sorriu – Vou estar aqui te esperando, viu? E vê se não dá bola pra nenhum rabo de saia! Porque eu sei muito bem que todas essas garotinhas de Hogwarts têm você como sonho de consumo.
- E quem disse que gosto de garotinhas? – deu um beijo nela – Gosto é de mulher como você.
Dizendo isso entrou na lareira e, segundos depois, desapareceu.
A sala da mansão Black não estava tão escura como o normal, havia uma pequena, na verdade mínima, corrente de ar fresco e em vez de cheiro de mofo, o perfume era de rosas.
- Não gosto da minha casa assim. – reclamou um homem de ar nobre, bem vestido com vestes negras e elegantes.
- Isso é coisa dela. Chega na nossa casa pra passar duas semanas e já se acha a senhora do lugar. – reclamou um jovem por volta dos catorze anos, feições bonitas, olhos acinzentados e cabelos com charmosos cachos negros caindo sobre os olhos. Ele se jogou de qualquer jeito numa poltrona.
- Pensei que gostasse das mudanças.
- Teria gostado. Se não tivesse sido ela quem as fizesse.
O homem revirou os olhos e se sentou com toda a pompa, numa poltrona próxima à lareira.
- Você gosta é de reclamar. Está sempre arranjando um motivo.
- Ora! Mas foi você que co...
- Senhor! Eu sei que você já perdeu a muito o respeito por mim, mas ainda sou seu pai, portanto me chame de senhor, ouviu bem Sírius?
Sírius fez cara de tédio e se corrigiu com ainda mais tédio:
- Ora! Mas o senhor mesmo quem começou.
- Acontece que você reclama de tudo. Tanto das coisas que eu faço quanto das coisas que ela faz.
O rapaz resmungou baixinho:
- Que culpa tenho eu se vocês só fazem lixo?
- O que disse, Sírius Black?
- Que o Charles chegou cedo.
- Mas ele não che...
Nesse momento um garoto entrou tropeçando na sala.
- Ahh... Bom dia Sr. Black. – cumprimentou com o rosto cheio de fuligem, mas ainda assim formal.
- Bom dia, Charles.
- Olá Sírius.
- Colé? – respondeu despreocupado.
- Como foi que você cumprimentou seu amigo?
Sírius inspirou fundo, levantou-se e fez uma ridícula e floreada curvatura:
- Bom dia, meu tão estimado colega de estudos. – levantou a cabeça, pegou a mão de Charles, que segurava o riso e, balançando o braço do garoto freneticamente, falou com um falso entusiasmo – A felicidade que sinto em revê-lo não pode ser resumida com meras palavras. Estou simplesmente honrado com sua presença em minha humilde mansão. – e fez um gesto amplo mostrando a 'humilde mansão', que de humilde não tinha nada.
Charles quase soltou uma gargalhada, que disfarçou fingindo ser um acesso violento de tosse.
-SÍRIUS! SERÁ QUE VOC... – começou a berrar seu pai, que foi interrompido por um barulho vindo da lareira.
Desta vez quem apareceu foi uma garota, mas esta não entrou tropeçando. Pelo contrário, entrou com todo o estilo.
- Como vai, Sr. Black? Bem, espero. – perguntou educada.
- Annabelle! Muito bem, querida, obrigado. – respondeu o homem que, visivelmente, gostava da garota.
Sírius se posicionou rápido em frente a Annabelle e pegou sua mão com delicadeza.
- Meu coração se enche de felicidade em ver tão bela donzela. – e beijou sua mão - Como vai Srta. Riddle?
- Bem... – respondeu ela surpresa - E você?
- Pode ter certeza que bem melhor agora, depois de sua aparição quase divina. – ele sorriu e fez mais uma curvatura.
- Sírius! – sibilou o Sr. Black – Pare de me fazer passar vergonha!
- Vergonha? Vergonha teria Afrodite diante da dama aqui presente.
Annabelle estava com um tom tão escarlate que parecia que ia passar mal daqui a pouco.
- Fico feliz que aprecie a beleza de minha filha, a questão é saber se a respeita como se deve. E, principalmente, se a merece. – falou Tom saindo da lareira e espanando um pouco de pó do ombro.
- Tom! Meu amigo! Seja bem vindo à minha casa! – disse o homem, apertando a mão do recém-chegado.
"Esse deve ser Órion, e o mais jovem, Sírius".
- Como vai Órion?
- Bem, muito bem. E Meg?
- Ela está ótima.
Tom deu uma vasculhada rápida na mente do bruxo à sua frente. "Filho de Pollux! Ah sim! Isso explica muita coisa..." Mas quando tentou de novo não conseguiu.
- Pai? Está se sentindo bem?
- Sim, sim Anny. Não se preocupe. Foi uma tontura passageira.
- Quer se sentar Sr. Riddle? Um copo d'água?
- Aceito a poltrona, mas só. Obrigado, Sírius.
- Tem certeza, pai? Está pálido.
- Sim, tenho Charles. Não se preocupem.
- Bem, já que é assim. Sírius vá pegar seu malão.
- Quer que eu vá chamar ela?
-Sim, quero.
-Minha querida reencarnação da deusa Vênus, será que poderia fazer um favor a esse seu admirador?
- Éééé... claro. – respondeu olhando pro pai.
- Será que se eu te mostrasse o quarto da fera você poderia chamá-la?
Anny olhou para Tom.
- Charles, vá junto.
- Nossa, Sr. Riddle! Ate parece que não confia em mim! – falou fingindo estar ofendido.
- Sírius! –sussurrou seu pai perigosamente.
- Estou indo. – falou enquanto girava nos calcanhares e fazia um sinal para que os outros o acompanhassem, mas saiu falando – Não se pode mais nem brincar nesta casa.
Quando os três saíram, Órion se voltou para Tom.
- Mil desculpas pelo meu filho, Tom. Ele não tem jeito, mas lhe garanto que é só brincadeira. Sírius respeita muito Annabelle.
- Eu sei. Ele é jovem, só isso.
- Às vezes ele não se parece nada com um Black.
- Sírius tem muito potencial.
- Ele é um rebelde!
- Rebeldia essa que se for respondida da forma errada pode separá-los. Como disse, ele tem muito potencial. Eu sei reconhecer um grande bruxo quando vejo. É uma habilidade que, sem falsa modéstia, nunca me falha. E posso afirmar que seu filho é um desses que têm tudo pra ter muita glória.
- Assim espero, Só que às vezes duvido disso. Ele é um Grifinório. Não acredito que meu filho seja um Grifinório. Ainda me lembro que quando ele foi escolhido pra essa casa você em chamou a atenção para o fato de que isso não o impediria ser grande, mas... Grifinório?
- Não crie conflitos desnecessários com ele. Não vou mentir dizendo que gosto da Grifinória. Não gosto, mas é seu filho. Lembre-se disso.
Órion balançou a cabeça.
- Ele não se parece nada comigo.
- Apesar de ser da casa de Godric, não sei se você reparou, mas ele tem características sonserinas, ou seja suas.
- Qual, por exemplo? – perguntou o outro surpreso e com ar de dúvida ao mesmo tempo.
- Manipula com maestria. Vai me dizer que não reparou que ele estava acariciando o ego de minha filha não por gostar dela, mas por querer que ela faça algo pra ele? É uma habilidade tipicamente sonserina não acha?
- Olhando por esse lado...
- Não existe ninguém cem por cento grifinório ou cem por cento sonserino.
Órion ficou pensativo.
Ouviu-se um barulho vindo das escadas, Sírius com um malão e Charles com outro, apareceram.
- Onde estão as garotas?
- Descendo. – Sírius se jogou novamente numa poltrona.
Tom se levantou.
- Acho melhor irmos rápido, pois já estamos atrasados.
- Tem razão. Vou apresá-las. – mas antes de Órion de se levantar...
- Não há razão para isso. Já estamos aqui.
Quando Riddle olhou pra origem da voz levou mais um susto. A voz vinha de uma garota que, por um segundo, o fez pensar que era Meg, mas essa era mais bonita ainda. Curvas bem delineadas pelas vestes justas, maquiagem leve, olhos... os olhos...
"A porta se abriu e uma mulher entrou, ela era muito parecida com Meg, mas seu olhar era muito mais frio".
"A mulher do sonho..."
- Algum problema Sr. Riddle? – perguntou a garota com um sorriso provocante.
Tom reparou que olhava a garota de forma de poderia ser mal interpretada. "Ainda bem que ninguém reparou."
- Nã..não. Nenhum.
- Vamos? – perguntou Anny animada – Mal posso esperar pra voltar às aulas. Vocês não?
- Com certeza. Afinal, tem muitas regras a serem quebradas esperando por mim. –respondeu Sírius marotamente.
- Nem pense nisso, hein Sírius? Nem pense.
A garota continuava a olhar fixamente para Tom. Ele tossiu chamando a atenção pra si.
- Hum... Vamos? Todo mundo pronto? – todos responderam que sim – Bem... Então vou na frente.
- Eu vou logo atrás. –falou a garota.
- Ah...Aham.
Tom resolveu entrar logo na lareira e sair do campo de visão daquele olhar.
Mal chegou à estação e um senhor mal-humorado esbarrou nele.
- Desculpado viu?
- Não dormi bem. Dá licença? – perguntou com falta de educação.
- Se não dormiu bem por que levantou? Teria feito um bem aos outros se tivesse ficado lá.
O homem saiu resmungando.
- Que cara estranho.
- O senhor e o professor de Poções trocando carícias como sempre, não é mesmo?
Tom se virou assustado. A garota aparecera de repente.
- Ahh... é.
- Isso é pura inveja.
Por que o... – "por que eu não consigo ver o nome dele na mente dela?" – ... Professor de Poções teria inveja de mim?
- Ora! O professor Guildersten é feio, mal-amado, chato, burro, ou seja, exatamente o seu oposto. – sorriu insinuante.
- Ahh... Obrigado, mas não sou tudo isso. – "quantos anos tem essa menina?" – Os outros estão demorando não acha?
- Um pouco. E não é tudo isso? Claro que é. E tenho certeza que muito mais também.– se aproximou e falou só pra ele ouvir – Mulher de sorte a sua. Queria ser ela, digo, como ela.
Tom se afastou. "Que garota louca! Em plena estação!".
- Mais uma vez obrigado. Seu namorado não está te esperando?
- Não tenho namorado. E mesmo que tivesse, ele esperaria mais um pouco.
- O que será que deu nessa lareira? – Anny chegou reclamando e fazendo a garota fechar a cara – Você conseguiu chegar normal Bella?
- Sim. Por quê? – perguntou com um jeito de inocência que fez Tom levantar a sobrancelha.
- Sei lá. Ela deu um chilique. Funcionava de jeito nenhum, mas o Sr. Black deu um jeito.
- Ah... O titio. Claro.
- Anny, os garotos vão demorar ainda? –Tom se aproximou da filha.
Como resposta a ele, Charles apareceu e, logo em seguida, Sírius.
- Essa lareira pirou. – comentou o primeiro – Esquisito, não é Sírius?
- Esquisito é ela ter pirado logo depois da Bellatrix passar por ela. – falou astuto.
- Por que isso é esquisito, priminho querido?
- Só sei que é. Não acha, prof. Riddle?
- Ahh... Acho. Acho que é melhor correrem. O Expresso sai em dois minutos. É melhor irem.
Enquanto os garotos embarcavam, Tom ia para a cabine dos professores, e no meio do caminho encontrou Bellatrix.
- Nos vemos no castelo, professor. – falou sorrindo.
Tom passou a mão na nuca. "É. Não vai ser tão fácil quanto pareceu."
N.A.: Oi gente! Capítulo longo né? Espero que estejam gostando da fase dois da nossa história (nossa porque essa fic também é de vocês né claro meu leitores queridos).
E a Bellatrix? Gostaram? Adorei fazer o Sírius cumprimentando as visitas. Não sei se vocês sabem (claro que não né Rafaela eles não te conhecem dah!), mas eu faço parte do movimento SÍRIUS BLACK, COME BACK! Entrem vocês também, afinal aquela morte foi no mínimo sem imaginação. Ele praticamente tropeçou! TROPEÇOU! Que morte indigna!
Hoje não tem n.a. enorme, estou tentando me controlar. Ah! Se vocês quiserem conversar comigo, adicionem meu MSN: . Vou adorar conversar com vocês. Beijos. Ate o próximo capitulo!
Lady Bellatrix
