Capitulo 7 – Severo Snape
"Merlin, você está brincando comigo."
Ficar sozinho com aquela garota era, sem dúvida, a última coisa que Tom queria naquele dia.
- Seremos só nós por pouco tempo Bellatrix. Logo o resto da Sonserina estará aqui.
- Então é melhor aproveitarmos nosso tempo, não acha? – perguntou se aproximando.
- Hãã... Boa idéia! – disse ele se afastando.
- Sério? Você também acha? – Bella parecia que tinha acabado de ganhar um presente de Natal muito esperado.
- Sem dúvida. O que acha de começarmos?
Ela teve que se controlar muito pra esconder sua imensa vontade de sair pulando.
- Não precisa repetir... – ela tornou a se aproximar, mas seu professor se desviou e se sentou numa mesa perto da lareira.
- Seu malão já está aí? – mas não esperou resposta – Claro que não. Pois bem. Não precisamos de livros mesmo.
- Hã? Livros?
- É. Livros. Sente-se. – ela obedeceu.
- Pra quê livros?
- Ora! Pra que eu lhe ensine Defesa Contra as Artes das Trevas. Afinal, esse é o único assunto que uma aluna como você que corre um sério risco de tomar bomba pode querer com um professor. Não acha?
Ela o olhou confusa um instante, mas logo se recompôs e tornou a sorrir.
- Prefere continuar com esse jogo então? Ótimo. Adoro jogar. – inclinou-se sobre a mesa e completou – Ainda mais com você.
"Jogar? Escolheu o oponente errado. Você ainda teria que comer muito feijão com arroz para me vencer."
- Tem algo em que eu possa lhe ser útil? Em relação à matéria, é claro.
- Ah... Como se faz Amortentia?
- Matéria errada. Não ensino poções. Mas sei como afastar Veelas. Interessa? – falou com um sorriso disfarçado.
Ela respondeu sem interesse, pois estava mais preocupada em olhá-lo.
- Não muito... – apoio o queixo nas palmas das mãos e os cotoveles nos joelhos para perguntar de repente – Você é um vampiro?
- Senhor, por favor. E, por que seria?
- É que dizem que eles têm um grande poder de sedução, isso me fez ter dúvidas em relação a sua natureza.
- Os vampiros só seduzem a quem lhes interessa seduzir, portanto não se preocupe. Já que esse não é o caso.
- Será mesmo? – e sorriu de um jeito que Tom não gostava. Como se ela soubesse mais que ele.
- Acho que isso é o que você queria que fosse verdade, não é?
- Isso é o que é verdade.
Tom sorriu.
- Por que não admite isso, senhor? Tem medo de mim?
- Sua modéstia me emociona. Modéstia não só em relação a essa certeza de que seu sentimento é recíproco, mas também em achar que eu a temo.
- Pois essa é a única explicação que eu vejo. – falou segura.
- Eu não temo ninguém. – sibilou Tom.
- Prove. – retrucou ela da mesma forma.
"Quer saber? Não vou deixar essa garota achar que tem algum controle sobre mim. Ela acha que sabe jogar? Então vou ensiná-la a jogar um jogo de gente grande."
- O que foi professor? Está medindo as conseqüências?
Tom olhou em direção aos dormitórios e depois em direção à saída. Depois se levantou e ficou em pé atrás da poltrona dela e falou:
- O que te faz pensar que é assim tão irresistível?
- Não acho que sou irresistível, mas que o atinjo de alguma forma, isso eu sei.
Ele abaixou a cabeça e sussurrou:
- Você me atinge... ou será que sou eu que te atinjo?
Ela não respondeu.
- Diga-me Bella, posso te chamar assim, não posso? – não esperou resposta – O que mais te atrai em mim?
- Como? – ela estava com um leve sorriso nos lábios.
- Por que você tem essa obsessão por mim? É por gostar do meu perfume? – e se aproximou mais um pouco – Ou será que é algo relacionado à minha pele? – e acariciou o braço dela – Ou será que é... – virou-se e ficou de frente pra ela, que mal se movia – o despeito que sente, porque sabe que nunca vai me ter? – levantou-se de uma vez.
Ainda estática, Bellatrix acompanhou seus movimentos em direção ao dormitório.
- Snape está aqui? – perguntou ele com voz casual.
Ela respondeu com a voz meio atordoada:
- Ah... sim, quer dizer – recuperou -aw e respondeu mais forte – Sim.
- Bom. – mas antes de começar a subir as escadas, a voz da garota o interrompeu:
- Isso foi golpe baixo, Tom. Mas foi bom, atiçou mais ainda a minha vontade.
De costas, ele falou:
- Resumindo: despeito por saber que não vai ter o que quer. – e continuou seu caminho sem dar tempo da garota retrucar.
Enquanto subia se censurou. "Você é um professor! Dar corda pra isso não é bem o que professores devem fazer." Mas um outro lado respondeu: "ah! Foi divertido deixá-la atordoada. Ela é muito metida pro meu gosto, onde já se viu? Achar que eu a temo?"
Quando chegou ao alto da escada não precisou nem decidir por qual quarto começaria a procurar. Snape apareceu olhando para os lados, e quando viu o professor levou um susto, que logo disfarçou.
- Bom dia professor Riddle.
- Bom dia senhor Snape. Assustei-o?
- Não, não. De forma alguma. Estava só... procurando por um amigo. E o senhor? O que faz aqui?
- Procurando por você.
- Por mim? – apesar de perguntar, Snape não pareceu se surpreender de verdade – Por quê?
- Não sei... Quem sabe por você ter roubado as malas de quatro grifinórios?
- Não sei do que o senhor está falando.
Tom não tinha paciência para aquilo.
- Ande logo, Snape, todo mundo já sabe.
- Sabe do quê, senhor? Eu não fiz nada. Acabei de chegar, como todo mundo.
Tom não pode deixar de admirar a cara de pau do aluno. Era incrivelmente convincente.
- Só que, ao contrário de todo mundo, você já teve tempo o suficiente pra se vingar dos rapazes que o provocaram. Você é bem rápido, diga-se de passagem. Nunca ouviu falar que vingança é um prato que se come frio?
- Como? – a imparcialidade do garoto foi substituída por surpresa – É impressão minha, ou o senhor está do meu lado?
- Vamos dizer que eu o compreendo. Mas não, não estou do seu lado.
- Agora quem não compreende sou eu.
- Se eu ficar cem por cento do seu lado, terei problemas futuros. Mas também não estou do lado dos outros que te provocaram. Afinal, somos da mesma casa, não é mesmo? – Tom colocou a mão direita sobre o ombro do rapaz.
- Então vai me ajudar?
- Você me ajuda, eu te ajudo.
- Como assim?
- Primeiro você me diz onde estão as bagagens para que eu as leve até Dumbledore...
- E faça uma média com o diretor?
- Modo curioso de falar, mas resumindo, é isso mesmo. Depois eu assumo o papel de seu advogado. No final das contas você ainda vai sair por cima.
O rapaz o olhou desconfiado.
- O senhor nunca foi muito com a minha cara. Por que me ajudaria?
- Ora, porque sou diretor da sua casa. E quero ganhar a taça esse ano, portanto não me convém que meus alunos percam pontos.
Snape não demonstrou muita reação, olhava diretamente nos olhos de Tom. E, pela primeira vez, Tom sentiu que alguém tentava invadir sua mente. Apesar de sua Legimência ter falhado desde que esse "sonho" começou, a sua Oclumência ainda estava impecável.
- Não entre numa batalha que não pode ganhar, Severo. Não sou um dos seus colegas de classe.
O garoto não se surpreendeu por não conseguir.
- Se diz a verdade, por que não posso conferir?
- Confio em você tanto quanto você em mim. Acha mesmo que vou deixá-lo penetrar na minha mente?
- Você é o professor mais estranho dessa escola...
- Posso até ser, mais também sou o mais parecido com você.
Snape pensou nessa frase.
- Se é tão parecido assim, então posso ter certeza que vai me trair.
"É, gostei dele."
- Pense bem, você sabe que eu vou achar o que quero de qualquer forma, e se eu achar você terá sérios problemas. Por outro lado, se me entregar terá uma pequena chance de conseguir se safar ileso. Mas você é quem escolhe.
Snape fez um muxoxo.
- Quem me entregou? Não só no fato de ter dedurado quem pegou as malas nojentas, como também em dizer que estavam aqui.
- Não vou te dizer. Porque senão você só vai me dar mais trabalho. As malas?
O garoto deu as costas e entrou mais no corredor.
Não é possível que ele escondeu no quarto. Não é tão burro assim.
O rapaz foi até o final do corredor. Lá tinha uma armadura com uma espada. Snape abaixou essa espada e a armadura se moveu. Ela veio pra frente, depois pro lado, deixando uma porta de pedra à vista. Esta se abriu para o lado devagar.
- Tive que pôr aqui por causa de um maldito mapa que eles têm. Se eu saísse das masmorras e colocasse em outro lugar eles saberiam. Essa, talvez, seja a única passagem secreta desse castelo que aqueles marginais não conhecem, afinal, nunca entraram aqui.
- Inteligente... Nem eu conhecia essa passagem.
- Ninguém além de mim conhecia. – o rapaz de cabelos oleosos entrou, Tom foi logo atrás.
O lugar parecia um escritório, havia uma estante cheia de livros de capas pretas, poltronas confortáveis, castiçais de prata, garrafas de vinho, e muitos objetos estranhos.
- Que sala é essa? – perguntou o professor enquanto, maravilhado, passava o dedo sobre os títulos dos livros na estante. Todos sobre Artes das Trevas. – Como você a encontrou?
- É uma espécie de versão sonserina da famosa Sala Precisa. Não é tudo que aparece aqui, só coisas úteis pra alguém... hã...
- Curioso. – completou Tom com um sorriso.
- É, mais ou menos isso. Eu a achei numa das minhas incontáveis noites sem dormir. Eu passava pelo corredor pensando em mil formas de causar dor ao Potter, e me perguntando como realizar esses "projetos". Então ela se abriu pra mim. É meu refúgio.
- Belo refúgio... belíssimo... – Tom não acreditava como nunca achou aquela sala antes. Era perfeita. O ajudaria muito quando voltasse ao seu tempo.
Snape ficou parado apenas o observando.
- Fico feliz em ver que gostou tanto quanto eu, professor.
Tom não escutou direito. Tinha acabado de ver um livro muito raro e muito útil sobre magia negra antiga. Estava à procura daquele volume há meses.
- Para alguém que leciona Defesa Contra as Artes das Trevas o senhor parece muito interessado nestas mesmas artes.
Tom voltou à realidade. Lembrou-se de seu papel ali.
- Bem... temos que conhecer nossos inimigos não acha?
- Claro... claro...
O rapaz o olhava com desconfiança, mas seu professor sempre foi um bom ator. Tom assumiu um ar sério.
- E as malas?
- Ah sim! – Snape foi ate um baú de mais ou menos vinte centímetros de comprimento e tirou quatro malões de lá com um aceno de varinha. – Aí estão.
- Vejo que você é um bom aluno de feitiços. Não desperdice esse talento com coisas como essas.
- Eles mereciam uma lição.
- Não é você quem deve julgar isso. Da próxima vez procure um professor e diga o que aconteceu. Você não tem poder para castigar um aluno.
Por enquanto.
Tom se assustou. Snape não moveu os lábios, mas o professor tinha certeza que ouvira sua voz. Sua Legimência havia voltado ou sua Oclumência tinha falhado?
- Algum problema, professor? – o sonserino demonstrava um leve interesse. De repente o professor lhe pareceu um ótimo objeto de estudo.
- Não, Snape, não há problema algum. Vamos embora? – mal terminou a frase e já começou a andar em direção à saída. Não queria ficar na mesma sala que o rapaz enquanto sua mente estivesse tão vulnerável. Mas Snape não saiu do lugar.
- O que houve Severo? Há mais alguma coisa ainda?
- Só uma... observação. Há alguns minutos o senhor disse que nós somos parecidos.
- Sim, disse. Qual o problema? – Tom já havia se arrependido dessa frase alguns minutos atrás. Temia que o garoto tivesse pensado na mesma coisa.
- Bem, eu concordo. Somos muito mais parecidos do que pensei.
Tom olhou discretamente para uma mesinha atrás do aluno. Havia anotações de feitiços que ele mesmo parecia ter inventado, livros de Magia Negra abertos em capítulos que com certeza eram proibidos pelo Ministério e coisas do tipo.
- Talvez sejamos, Snape, talvez. – dizendo isso o professor saiu da sala, deixando pra trás um rapaz muito curioso e, de certa forma, satisfeito. Havia encontrado um aliado, só bastava convencê-lo.
N.A.: desvia de um Avada, se esconde atrás de uma armadura
Milhões de desculpas gente, mas finalmente aí está o novo capítulo. Curtíssimo, eu sei. Mas agora o resto da história finalmente voltou à minha mente perturbada e então eu vou voltar a postar. Aééé. Vou tentar não deixar que as outras histórias tirem minha atenção dessa ate que o ponto final de Escolhas seja escrito.
Se bem que se eu seguir meu pequeno roteiro esse virá daqui a três ou quatro capítulos no máximo. [
É uma pena, porque eu realmente gosto de descrever o jovem Tom Riddle.
Mas enquanto o triste momento não chega vocês podem deixar reviews. Acreditem, o botãzinho roxo aí não morde. Quem comentava no floreios, por favor comete aqui também. Quase choro quando vejo o numero zero aqui. /
Ate o próximo capitulo gente.
