Um aviso antes de começar: Este capítulo é de transição entre a introdução e a fic de fato, então não estranhem se ele parecer meio parado... No quinto capítulo, a ação começa para valer!
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Capítulo IV - Que está na fantasia dos infelizes?
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I - Que está no dia a dia das meretrizes?
-Este cheio de maresia me enoja... – comentou um rapaz quando o táxi onde estava passou próximo à praia em Atenas. Um outro, sentado ao seu lado, apenas riu.
- Do que está rindo, Aquiles?
-De que será, meu caro Heitor? Justo você não gostar de mar ou o cheiro dele? – questionou Aquiles, os olhos vermelhos brilhando de excitação.
Heitor suspirou, cerrando os olhos azuis mesclados e dando de ombros. Não iria começar uma discussão sem sentido com o irmão na presença de um taxista.
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Irritado, Kamus voltou ao Santuário sem dizer uma única palavra à Shura e Aioria, que caminhavam mais atrás, morrendo de medo da Execução Aurora com que haviam sido ameaçados alguns minutos antes.
Pisando duro, o aquariano ignorou Mu e Aldebaran e só não fez o mesmo em Gêmeos por que Saga o deteve no meio do caminho.
-Que cara é essa, Kamus? Aconteceu alguma coisa no museu?
-Como sabe que fomos ao museu se o senhor não estava aqui quando precisávamos?
-Hei, calma aí... O que eu ia fazer lá, Kamus? Só você já era suficiente para convencer a organizadora da exposição com o disfarce que criamos.
-Esse é o problema, Saga... – Shura interveio, chegando junto com Aioria – A história não colou.
-Como é que é?
-A equipe do Louvre já esteve por lá e retirou os convites.
-Não é possível! O Shion garantiu que eles não viriam até Atenas!
-Mas vieram!- disse Kamus, ríspido, voltando a subir pelas dozes casas. Shura esperou o amigo se distanciar e começou a rir sozinho.
-O que foi, Shura? – Saga perguntou, curioso. Aioria nada disse, apenas deu de ombros.
-Você acha mesmo que ele está assim só por causa da missão que falhou na primeira? Meu caro Saga, você não conheceu a assessora do museu!
-O que tem ela?
-Digamos que a senhorita Sheila colocou nosso amigo em seu devido lugar...
Shura voltou a rir, até Aioria esboçou um sorriso. E Saga só não acompanhou o amigo porque seus sentidos pressentiram o perigo iminente...
-Ei! Vai lançar esse troço em outro, Kamus! – gritou o espanhol, se desviando a tempo de um Pó de Diamante lançado bem na sua direção.
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Jéssy foi a primeira a chegar em casa, suspirando sozinha. A tela que pintava no cabo estava bem segura em suas mãos, não se cansava de olhar para ela. Ou melhor, para o modelo ali retratado. Que olhos, que sorriso devastador, meu Deus!
Com cuidado, deixou a tela sobre seu cavalete, mais tarde trataria do acabamento e da moldura.
-Ah, até parece que aquele francês não mexeu com você! – a garota ouviu a voz de Samara na sala, zombando de alguém. Curiosa, resolveu descer para encontrar as amigas e saber do que falavam.
-Sah, não enche! Aquele cara era um idiota metido a besta!
-E lindo de morrer!
Sheila ia responder à altura, mas se deteve para não dizer besteira. Bufando, a jovem jogou a bolsa sobre o sofá e subiu para o quarto, precisava de um banho urgente para relaxar!
-De que francês vocês estão falando? – Jéssy perguntou para Silvana. Mas quem disse que a outra ouviu a pergunta?
-Ih, esquece a Sil que ela não está aqui hoje...
-Hã?
-Um gato de olhos e cabelos negros atravessou o caminho dela hoje, sabe... – Samara disse, gesticulando displicente. "Isso sem contar o gato que cruzou o meu caminho também!".
Suspirando, alheia ao que as amigas falavam de si, Silvana sentou-se no sofá, a cabeça longe. Ainda bem que Atenas não era tão grande, pensou. Assim, teria outras chances de encontrar novamente a encarnação de Apolo na terra...
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II - No plano dos bandidos, dos desvalidos?
Estava tudo pronto. Cenários montados, peças expostas e painéis enfeitando todo o salão principal. E, bem no centro, exposto em uma redoma de vidro duplo temperado e vigiada por duas câmeras exclusivas, a grande estrela da exposição.
Solene, o velocino de ouro repousava, esperando os visitantes. Gente de todo mundo que iria a Atenas especialmente para vê-lo de perto.
Ou então com outras intenções, ainda escusas...
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A noite, mesmo sem estrelas, era um belo espetáculo na cidade. E Vincent gostava de noites assim, traziam uma calma incrível ao seu espírito sempre inquieto.
Sentado na mureta da varanda de seu quarto, ele brincava com as chamas das velas acesas sobre a mesa. Passava a mãos sobre elas, estalava os dedos, fazia-as crescer com um simples sopro.
-Parece uma criança com seu brinquedo preferido... – comentou Heitor, aparecendo de repente. Sentou-se na mureta ao lado do amigo, ficando em silêncio por alguns instantes.
-Está confiante?
-E por que não estaria? O plano de nosso mestre é perfeito, nada poderá nos atrapalhar... Nem mesmo Atena e seus cavaleiros.
Heitor sorriu, compartilhando da opinião do amigo. O silêncio tomou conta novamente do ambiente, quebrado alguns minutos depois.
-Já pensou na primeira coisa que vai fazer quando ele estiver em nosso poder, Vincent?
-Claro... – um brilho vermelho tomou conta de seus olhos, um sorriso malicioso na face – Por um acaso já viu a assessora do museu?
-Ah, entendi... – Heitor riu – Cara, será que ela teria alguma amiga para me apresentar?
Ambos riram. Então, um leve tremor foi sentido e os dois rapazes ouviram uma sonora gargalhada vinda da piscina do hotel, seguida de uma rajada de vento.
-Esse Aquiles não tem jeito mesmo... Ás vezes eu me pergunto se ele não foi adotado! – comentou Heitor, ao vislumbrar a figura do irmão atormentando Lars no deck.
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Estava sem sono e por isso tinha resolvido descer até a cozinha e beber um copo de leite, receita infalível para uma noite bem dormida. Descalça mesmo, Jéssy saiu de seu quarto e foi até o outro cômodo. Porém, estancou o passo ao ouvir uma voz vinda de lá e percebeu que a luz estava acesa.
-Eu sei que vocês sabem se cuidar, mas isso não é justo, Amanda! Eu não vim morar na Grécia pra essa droga continuar assim!... Tá, eu já entendi... Tá bom, se cuida... Um beijo... Tchau...
Suspirando, Sheila desligou o telefone e se virou para a pia, apoiando os braços na beirada e baixando a cabeça. Sentiu os olhos pesarem e ficarem embaçados.
-Sheila?
Virou na direção da voz e viu Jéssy parada junto à porta, encarando-a com curiosidade. Sorriu, ainda que de um jeito torto.
-Está sem sono?
-Sim... Vim tomar um pouco de leite.
A ruiva abriu a geladeira, pegou a garrafa e foi até a pia atrás de um copo. Nesta hora, a mão de Sheila em seu braço a deteve.
-Você ouviu a conversa, não foi?
-Eu? Imagina, eu não... – Jéssy ainda tentou negar, mas não dava – Eu ia entrar na cozinha bem na hora que ouvi você dizer aquela parte de vir morar na Grécia...
Sheila soltou o braço da amiga e se sentou em uma cadeira, pensativa. Jéssy deu a volta na mesa e se sentou de frente para a outra.
-Quer falar sobre isso?
-Acho que não... Ainda é cedo, Jéssy... – a jovem disse, entre suspiros.
Em silêncio, ficaram as duas na cozinha até altas horas da madrugada. E isso era somente o começo de tudo.
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III - Em todos os sentidos
Aioria estava na frente do espelho, decidindo se usaria uma gravata vermelha ou azul marinho na festa do dia seguinte. Qual ficaria melhor com seu terno?
"Azul! Combina com seus olhos!", ele ouviu uma voz feminina e sorridente em sua mente. Balançou a cabeça para os lados, como poderia estar imaginando aquela garota do museu lhe dando dicas se a conhecia menos de um dia?
Se fosse Marin, escolheria a vermelha. Então o leonino a devolveu na gaveta e resolveu que a azul ficaria melhor em si.
Combinava com seus olhos...
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Preto? Vermelho? Verde? Oh, dúvida! Os três vestidos estavam em cima da cama e Samara sentada no chão, pensando. Com qual iria à festa da exposição? Levantou-se e começou a andar de um lado para outro.
-Pensa um pouco, Sah... – ela disse a si mesma – Você quer impressionar sua amigas, os convidados ou alguém em especial?
Um sorriso se formou em seus lábios ao lembrar-se de Aioria. E decidida, ela pegou o vestido ideal entre as mãos e correu atrás de um ferro para passá-lo.
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Preto total! Aquele visual sim combinava com seu jeito e personalidade, certamente arrancaria suspiros por onde andasse. "Credo! Tô parecendo o Miro pensando assim, eu hein!", Shura pensou, fazendo uma careta.
Pegando um de seus sapatos, ele começou a engraxá-lo, pensativo. Odiava aquele tipo de festa, ou melhor, vernissage. Frescura de francês! Mas, quem sabe não fosse tão ruim como pensava...
Quem sabe a musicista não estaria também por lá?
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Silvana estava empolgada com a festa de inauguração da mostra. Nunca tinha ido a uma dessas, parecia ser algo interessante e inesquecível! Terminando de ajeitar o vestido já passado sobre uma cadeira, a garota suspirava.
Se aquele rapaz de olhos negros conhecia os outros dois que estavam no museu, certamente a chance de encontrá-lo seria grande...
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Não estava com sono. Muito menos com vontade de ficar em sua casa. Mesmo sem as estrelas iluminando o caminho de pedras, Kamus andava pela encosta, pensativo.
Ainda não tinha engolido aquela história toda dos caras do Louvre e muito menos a petulância da tal Sheila. Mulherzinha antipática, sem graça e mal educada!
A sorte dos santos de Atena era que a deusa atendia também pelo nome de Saori Kido, e sua influência como presidente da Fundação Graad era enorme. Após explicar o ocorrido a ela, bastou alguns telefonemas e, em poucas horas, os convites para a vernissage estavam em suas mãos.
Suspirou, cansado. Estava começando a odiar a idéia de servir de segurança para um troço daqueles!
-Só você está detestando essa idéia, Kamus? – questionou Saga, aparecendo sabe-se lá de onde.
-O que disse?
-Seus pensamentos... Deveria tomar mais cuidado com eles.
Kamus deu de ombros e retomou seu caminho, Saga caminhando ao seu lado. Foram alguns minutos de silêncio até o aquariano se lembrar de algo.
-Saga?
-O quê?
-Onde você estava quando fomos ao museu?
O geminiano pigarreou e fez um suspense. Depois, sorrindo meio de lado, encarou o céu acima de sua cabeça.
-Estava por aí, admirando a paisagem...
Bem, de certa forma, não estava mentindo. Realmente, aquela ruiva era uma beleza admirável...
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IV - Será, que será
No sábado a noite...
"Ótimo! Está tudo fluindo bem e funcionando direito... Espero que seja assim até o fim da noite!", pensou Sheila, conferindo os últimos detalhes antes de as portas do museu se abrirem. Observando o entorno, viu os inúmeros convidados chegando, cheios de sorrisos e expectativas.
Voltando para o salão principal, deu um último telefonema para checar como estavam as coisas na tenda onde seriam servidos os comes e bebes, na pista de dança e então parou em frente à redoma onde o velocino estava.
-É inacreditável que pessoas irão pagar para ver esse troço esquisito... – ela disse, entre suspiros – Ai, essas sandálias estão me matando! Detesto salto!
-Sheila, querida! – o senhor Constantinos apareceu, chamando pela assessora. Ela revirou os olhos de tédio e sorriu, voltando para ele.
-Sim?
-Os convidados estão chegando, precisamos recebê-los!
Acompanhando o diretor do museu, a jovem foi até a porta para receber os convidados.
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-E aí, tô bonito? – Aquiles inquiriu ao irmão, antes de descerem do carro, na porta do museu. Heitor revirou os olhos.
-Ninguém merece... Estamos em missão e você vem me fazer uma pergunta idiota dessas?
-Ah, qual é? Com certeza vai ter alguma gata nessa festa e eu não vou perder a oportunidade!
Uma discussão começou, mas os demais mantinham-se alheios a ela. Lars tentava ajeitar a gravata que estava torta, Vincent repassava mentalmente cada passo do plano para a noite.
-Deveria relaxar, Vincent... Não há nada a temer. – disse-lhe calmamente seu mestre, sentado de frente para o rapaz dentro do carro.
-Estou calmo, mestre... Apenas quero ter certeza de que nada irá falhar.
-Não irá, meu caro... Você é um excelente guerreiro, confio nisso.
-Obrigado...
Em um outro carro, quatro rapazes vestindo seus elegantes ternos, também chegavam ao museu. E claro, tomando todo cuidado para ocultar seus cosmos e não serem reconhecidos ou terem a sua presença notada.
Aquela noite prometia muito.
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E aí, o que estão achando? Gostando? Algum ponto que deveria ser melhorado, já que são vocês aqui? E que tipo de guerreiros acham que Vincent e os demais são, hein?
Quantas perguntas! Bem, algumas respostas e aventuras no próximo capítulo, quando a ação começa para valer... Beijos!
P.S.: Amanda é minha irmã mais nova, gente!
