Este capítulo é especialmente dedicado à Saory – San...

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Capítulo VI - O que não faz sentido?

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I - O que será, que será?

Pelos vidros fumê do carro, Sheila e Jéssica viram quando chegaram a uma enorme mansão, guardada por diversos seguranças e cães raivosos. Engoliram em seco, o que iria acontecer dali para frente?

O carro estacionou cantando pneus e os rapazes saltaram dele, enquanto o homem de cabelos grisalhos descia de um outro que os acompanhava.

-Eu já disse que não sou um saco de batatas para me carregar assim, nas costas! – gritou Sheila, sendo novamente carregada por Vincent.

-Ow, isso dói! – gritou Heitor, ao levar uma mordida de Jéssy ao suspendê-la novamente pela cintura, para que não tentasse fugir.

-O que está acontecendo aqui? Eu mandei trazer apenas o velocino e não essas duas garotas! – disse o homem de cabelos grisalhos, encarando Vincent e os demais.

-Elas testemunharam tudo, mestre... Não podiam ficar no museu e nos denunciar.

-Senhor Kríacos?! Eu não posso acreditar que o senhor seja o responsável por tudo isso! – exclamou Sheila, ao reconhecer aquele que era um dos maiores mantenedores do museu de Atenas.

-Eu vi esse cara conversando com o senhor Solo na festa!

-Menos gritos, por gentileza, senhoritas... Estão em minha casa e não admito escândalos!

Furiosa, Sheila quis bater naquele homem e Vincent a segurou com mais força.

-Me solta, seu ridículo! Desgraçado!

-Vincent, leve-a daqui e a prenda em um dos quartos do terceiro andar... Faça o mesmo com essa ruiva, Heitor.

Sob protestos e tentativas frustradas de fuga, as duas garotas foram levadas para dentro da mansão. O senhor Kríacos, então, voltou-se para Lars e Aquiles, em silêncio aguardando ordens de seu mestre.

-Onde está o velocino?

-Está aqui, mestre... – disse Lars, abrindo a caixa. Com os olhos violetas brilhando de excitação, o homem pegou o precioso objeto e ficou-o admirando.

Agora sim nada poderia fazê-lo parar. O mundo finalmente se curvaria diante de seus pés...

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Quando chegaram à casa, indicada por Samara, os cavaleiros entraram depressa, não podiam perder tempo. E a garota, espantada, precisava de uma xícara de café urgente.

-Como... Como vocês conseguem correr nessa velocidade? – ela perguntou à Aioria, com a voz e as pernas trêmulas.

Nunca, em toda sua vida, tinha sequer imaginado um homem correr à velocidade da luz. Shura, deitando Silvana no sofá da sala, encarou os companheiros, que se entreolharam. E agora, o que fariam? No calor da situação, acabaram revelando parte de suas habilidades... Como explicar o que acontecia à garota?

-Onde fica o quarto da Silvana? Ela não pode ficar aqui, no sofá... – Shura falou, encontrando a desculpa perfeita para se livrar do interrogatório que fatalmente aconteceria.

Samara indicou a escada e explicou qual era o quarto. Restavam Saga, Kamus e Aioria... Bem, na verdade, somente o cavaleiro de Leão, por que...

-Hã... Onde é o banheiro? – Saga perguntou, displicente. E logo subiu as escadas também.

Kamus nada disse ou perguntou, simplesmente foi até a varanda da sala e por lá ficou, precisava de um tempo sozinho para pensar e decidir por onde começaria as buscas.

-E então? Vai me dizer alguma coisa ou vai fugir como os outros? – Samara questionou, com os braços cruzados e cara de poucos amigos.

Aioria engoliu em seco e tossiu. E agora, como saía dessa?

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-Ai! Cuidado, seu idiota! – Sheila gritou, quando foi jogada pro Vincent em cima de uma cama. O rapaz limitou-se a sorrir e saiu do quarto depressa, trancando a porta.

Possessa, a jovem saltou da cama para o chão e correu até a porta, disposta a mandá-la abaixo com batidas e murros. E, no quarto ao lado, Heitor acabava de trancar Jéssy.

-Droga! Olha a situação que eu fui me meter!

Tentando pensar para encontrar uma saída, ela ouvia a amiga esmurrar a porta do quarto ao lado. Foram longos minutos até Sheila desistir, cansada e com os punhos doloridos.

Nervosa e subitamente sentindo medo, ela voltou até a cama e então notou uma porta de comunicação com o quarto ao lado. Forçou a maçaneta, tentou de todo jeito, mas ela não abria.

-Jéssy?

-O que foi?

-Veja se consegue abrir essa porta pelo seu lado!

A garota tentou e não obteve sucesso também. Desolada, Sheila deixou-se escorregar pela parede até sentar-se no chão. Abraçando as pernas, ela baixou a cabeça e praguejou, baixinho.

No outro quarto, Jéssy também se sentou no chão, junto à porta. Não era hora para chiliques ou arroubos de raiva. Era preciso esperar que alguém aparecesse e acabasse com aquela loucura toda.

Bem, não havia outra coisa a se fazer mesmo...

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Foram apenas minutos, mas para Aioria parecia uma eternidade. O olhar inquisidor de Samara o lembrava em muito o de Marin quando a amazona se sentia contrariada. Baixando a cabeça, ele suspirou, tristemente.

Então Samara descruzou os braços e ficou observando o cavaleiro. Aquela reação tão deprimente acabou desarmando a garota e ela desistiu do interrogatório. Por enquanto.

-Aioria?

-O quê?

-Você quer um café ou água, sei lá...

-Eu aceito o café.

Puxando o rapaz pela mão, Samara o levou até a cozinha. E pouco depois, Kamus voltava da varanda para dentro da casa, com uma idéia na cabeça.

Rapidamente, ele subiu as escadas de acesso ao segundo andar da casa, disposto a encontrar o escritório ou o local de trabalho de Sheila.

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II – A Cúmplice

Com cuidado, Shura entrou pelo quarto e deitou Silvana em sua cama. A garota remexeu-se um pouco, virou-se para o outro lado, mas não acordou. Suspirando, o rapaz encontrou uma coberta sobre uma poltrona e a cobriu.

Silvana murmurou algumas palavras que Shura não compreendeu e puxou a coberta até a cabeça, cobrindo-se totalmente.

Eu quero uma mulher

Que seja diferente

De todas que eu já tive

De todas tão iguais

O cavaleiro riu com tal atitude, parecia até uma criança. Afastando-se da cama, ele percorreu a extensão do quarto com os olhos e viu sobre um aparador, a caixa do violino. Curioso, ele a abriu e não deixou de imaginar em como seria ouvir a melodia suave que aquela garota tocava.

Percorrendo as cordas com as pontas dos dedos, fechou os olhos, como se pudesse realmente ouvir uma doce canção...

Que seja minha amiga

Amante, confidente

A cúmplice de tudo

Que eu fizer a mais

Lembrava-se agora de como a conhecera, há alguns dias... Estava encostado em um dos muros do museu quando vira o carro vir pela ladeira, a toda velocidade e... Aquela garota atravessando a rua sem olhar! Era uma questão de segundos, a sua sorte era a velocidade da luz com que os cavaleiros de ouro haviam sido abençoados.

Sentiu o corpo pequeno fraquejar em seus braços, o medo tomar conta de Silvana. E depois o alívio que vislumbrou nos olhos castanhos quando eles se abriram para si...

No corpo tenha sol

No coração a lua

A pele cor de sonho

As formas de maçã

Ouviu um resmungo ou algo assim vindo da cama, Silvana deveria estar sonhando com algo. Ou alguém. Puxou de volta a coberta até a altura do peito da garota e sorriu ao vê-la ressonar baixinho, os cabelos espalhados pelo travesseiro e o lençol à sua volta.

Com cuidado para não acordá-la, fez-lhe um carinho no rosto rosado...

A fina transparência

Uma elegância nua

O mágico fascínio

O cheiro das manhãs

Tinha curiosidade em saber mais a seu respeito. Sabia que era brasileira, que estudava música no conservatório do museu e... Mais nada além. Com poderia, então, sentir tanto fascínio por Silvana?

Talvez fosse seu jeito, ou a maneira como se comportava. Parecia até uma menina descobrindo coisas novas. E aqueles olhos eram tão vivos, tão... Sedutores.

Eu quero uma mulher

De coloridos modos

Que morda os lábios sempre

Que for me abraçar

-Shu... Shura...

O cavaleiro franziu o cenho, estaria Silvana sonhando com ele? A garota remexeu-se novamente na cama, virando para sua direção. Shura sentou-se ao lado dela e, para sua surpresa, sentiu sua mão ser agarrada por ela, que a segurou com força junto ao peito.

E essa agora? Como sairia dali sem acordá-la?

-Silvana... Silvana... – ela a chamou, sussurrando, em uma tentativa de se soltar da garota.

No seu falar provoque

O silenciar de todos

E seu silêncio obrigue

A me fazer sonhar

Claro que estava sonhando! Com um homem maravilhoso de olhos e cabelos negros, que sorria para si e a abraçava com força, ambos sentados na mureta da varanda de seu quarto.

As estrelas iluminavam a noite e o casal. Silvana, sentada à frente de Shura, descansava a cabeça sobre o peito forte, ele fazia carinhos em seus cabelos. Quando imaginaria que, ao sair do Brasil para estudar, encontraria um homem tão especial como aquele?

Que saiba receber

Que saiba ser bem – vinda

Que possa dar jeitinho

Em tudo que fizer

Um novo suspiro e Silvana acabou afrouxando a mão e Shura conseguiu se soltar. Delicadamente, ele ajeitou a coberta e, em uma reação que não soube explicar, beijou os lábios vermelhos.

Sorrindo para si, ele foi até a varanda e fechou as cortinas para que a claridade da lua não invadisse o quarto de uma vez.

-Bons sonhos... – ele disse, apagando a luz e fechando a porta do quarto.

Que ao sorrir provoque

Uma covinha linda

De dia, uma menina

A noite, uma mulher

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III - Que todos os avisos não vão evitar?

Sentado no sofá de sua sala particular, o senhor Kríacos não se cansava de olhar para o velocino, apenas esperando o dia amanhecer. Estava tão entretido que não viu quando Lars entrou pela sala, com um semblante muito sério.

-Mestre?

-O que quer, Lars?

-É sobre algo que aconteceu no museu, quando íamos embora.

-Está falando sobre aquelas garotas que Vincent e Heitor trouxeram para cá? – o senhor Kríacos remexeu-se no sofá, inquieto.

-Não, mestre... É sobre outras garotas.

-O quê?

-Duas amigas viram quando saímos pelos fundos e tentaram nos impedir... O Aquiles deu um jeito de atrasá-las, mas isso não é garantia de que ficarão em silêncio sobre nós.

-Entendo... – o senhor Kríacos suspirou, sorrindo cinicamente – Muito bem! Quero que você e Aquiles voltem à Atenas e dem um jeito nessas garotas... Ms nada de trazê-las para cá!

-O que quer que façamos, mestre?

Silêncio por alguns segundos. Então o senhor Kríacos encarou seu subordinado com um brilho tenebroso no olhar.

-Podem fazer o que quiserem, desde que as matem depois...

Assentindo, Lars saiu da sala. E sorriu ao imaginar tudo o que poderia fazer com aquela garota antes de matá-la...

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Sexto capítulo!!! Ficou bonitinho, eu achei... Bem, no próximo, um certo destaque para um geminiano e uma canceriana... Quem serão, né Jéssy!

"A Cúmplice", música e letra de Juca Chavez.