Sétimo capítulo de "Roda Viva" e seguimos dando certo destaque a alguns personagens... Me digam, o que pode dar a combinação Gêmeos + Câncer? Não sabem?

Então leiam mais um capítulo desta fic...

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Capítulo VII - Por que todos os risos vão desafiar?

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Parte I - Por que todos os sinos irão repicar?

Em silêncio, Vincent rodeava o velocino, sorrindo de vez em quando, imaginando tudo o que poderia realizar com ele em mãos. Não viu quando mais alguém entrou pela sala, segurando dois cálices de vinho.

-No que está pensando, meu rapaz? – perguntou o senhor Kríacos, estendendo um dos cálices a ele.

Vincent bebeu de seu vinho demoradamente, um brilho levemente avermelhado em seus olhos verdes.

-Acho que não precisa me responder... – o velho sorriu meio de lado – Se quer tanto assim, basta pedir.

-Como?

-Ele pode tudo... – O senhor Kríacos apontou o velocino, que adquiriu um leve brilho dourado – E está em meu poder. Peça que farei realidade...

-Que seja assim, mestre...

Com um brilho ainda maior em seus olhos, Vincent tomou o velocino entre as mãos, mentalizando o que tanto queria naquele momento.

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-Como ela está? – perguntou Samara, ao ver Shura entrando pela cozinha.

Suspirando, o cavaleiro sentou-se à mesa e aceitou o café que lhe era servido. Bebeu tudo de um gole só e fitou a garota, parecia mesmo preocupada com a amiga.

-A Silvana está dormindo, não se machucou. Nós temos que nos concentrar agora em encontrar a Sheila e a Jéssica e também o velocino.

-O velocino? Os caras que seqüestraram as duas queriam aquele troço esquisito? Palhaçada...

-Palhaçada? – questionaram Aioria e Shura ao mesmo tempo, com cara de quem não entendia nada.

-Claro! Pra que alguém iria querer um negócio idiota e sem valor nenhum daqueles? Dominar o mundo?

Ironizando, Samara chegou até a rir de suas constatações, mas parou ao ver que os dois rapazes permaneciam sérios, a encarando com certo descrédito.

-Que foi? Vai me dizer que vocês dois são daqueles que acreditam nas histórias que os gregos contam?

Trocando olhares, ambos suspiraram. Pelo jeito, seria um novo interrogatório a começar.

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Parte II – Poço de Sensibilidade

Sentada no chão, abraçando suas pernas, Jéssy respirava fundo para manter-se calma. Mas como havia se metido naquela encrenca? Maldita impulsividade, sabia que um dia teria problemas com isso...

Baixando a cabeça, ela fechou os olhos e suspirou. Era para ser uma viagem divertida e não um tormento como aquele! Pensativa, repassava em sua mente os acontecimentos das últimas horas. E acabou lembrando-se de algo que, em meio à encrenca que estava metida, era como um sonho reconfortante.

Por entre ruas, entre carros e placas

Luzes, cheiros e toques

Eu sou um poço de sensibilidade

-Lembrança-

Era difícil de acreditar que aquele deus grego existia mesmo e estava ali, novamente materializado em sua frente. Galante, Saga pegou duas taças de vinho e entregou uma à Jéssica.

-Então... Ainda não me falou sobre o meu retrato. Quando posso vê-lo?

-Ah, o retrato... – Jéssy corou de vergonha, não sabia onde enfiar a cara – Er, desculpe por isso, eu não tinha a intenção de atrapalhar seu descanso e...

-Mas quem falou que você me atrapalhou, Jéssica? Foi interessante a situação e você pinta muito bem!

-Obrigada.

Então uma música mais animada começou a tocar e vários casais foram para o meio da pista. Sorrindo, Saga ofereceu novamente seu braço à garota.

-O que acha de dançarmos um pouco?

-Dançar? Olha, eu sou meio desajeitada.

-E o que tem isso? Venha, é só se soltar no ritmo e pronto!

Encantada com o sorriso que Saga lhe dirigia, Jéssica acabou aceitando o convite...

-Fim da lembrança-

Te buscando na cidade

Eu sou um poço de sensibilidade

O banheiro ficava de frente para um dos quartos. Apurando seus sentidos, Saga sentiu o cheiro de tinta e solvente e logo deduziu quem seria a ocupante do cômodo. Aproximando-se, ele tocou a maçaneta e a porta se abriu sem problemas, estava apenas encostada.

Assim que entrou, a primeira coisa que reparou foi no retrato, que descansava sobre um cavalete de madeira. Não estava terminado ainda, alguns elementos eram apenas rabiscos e rascunhos.

Mas a sua figura estava ali, representada com perfeição. Parecia até que se a tocasse, ele desviaria os olhos do livro para si, tão vivas eram suas cores e traços. Fechou os olhos, lembrando-se do dia em que servira de modelo involuntário àquela garota.

-Lembrança-

Seus sentidos estavam certos, ele era realmente observado por alguém. Ficou quieto por alguns momentos, estudando os traços e trejeitos da garota que pintava, como se ele próprio estivesse a memorizá-los para um retrato.

Uma pequena brecha e Saga levantou-se, silencioso e rápido. Estava curioso em ver mais de perto tanto o quadro como a artista em si. Cauteloso, aproximou-se por trás e espichou o pescoço para observar o que ela fazia.

Estava concentrada em rabiscar os rascunhos da paisagem, mas a representação do cavaleiro já ganhava cores. Nunca tinha imaginado que seus cabelos pudessem ter um tom de azul tão vivo como aquele!

Sorriu ao vê-la levantar o olhar e não encontrá-lo mais sentado debaixo da sombra da coluna, onde estaria?

-Belo desenho, senhorita. – disse-lhe, a voz rouca bem ao ouvido, causando arrepios na pele do pescoço da garota.

-Fim da Lembrança-

Entre veludos e cetins

Fantasias e brinquedos

Desejos e um certo medo

Cheiros e toques

Eu sou um poço de sensibilidade

Que loucura era aquela, não era momento para pensar em deuses gregos! Precisava se concentrar e pensar em um meio de reverter sua situação, dar um jeito de avisar a polícia, qualquer coisa que a tirasse dali o mais rápido possível.

Ouviu Sheila soltar um grunhido do outro lado da porta, no que estaria pensando? Fechou os olhos novamente, e seus pensamentos voltaram outra vez ao cavaleiro.

-Lembrança-

-Você não é daqui, certo? – perguntou Saga, enquanto dançava com Jéssy, sem largar uma das mãos da garota.

-Sou brasileira, mas resolvi morara aqui em Atenas por uns tempos.

-Por conta dos cursos de artes do museu?

-Como sabe?

-Bem, você pinta quadros, esqueceu?

Jéssica ficou vermelha, Saga riu. Como ficava ainda mais bonita daquele jeito! Voltando ao normal, mas ainda um pouco hesitante, Jéssy resolveu que era sua vez de fazer as perguntas.

-E você?

-O que tem eu?

-É daqui, o que faz... Essas coisas.

-Eu sou grego, nasci em Atenas. Trabalho com... – Saga parou um segundo para pensar e ordenar suas idéias – Na Fundação Graad, com pesquisas históricas.

-Mesmo? Nossa, sabia que antes de vir para cá eu tentei uma bolsa de estudos com a Fundação?

Animada, Jéssy emendou um papo sobre seus projetos e Saga ouvia a tudo muito atento. Suspirava de vez em quando, porque se sentia incomodado em mentir para a garota?

-Fim da Lembrança-

Te buscando na cidade

Eu sou um poço de sensibilidade

O seu sorriso no meu dia-a-dia

A sua palavra em meu vocabulário

Minha professora

Eu aprendi tudo errado

Percorreu o quarto com os olhos atentos, viu que havia outros quadros pendurados nas paredes, diversos porta retratos sobre os criados mudos e na mesa. Suspirando, ele entrou pela varanda e viu sobre a mesa de pedra inúmeras bisnagas de tinta, pincéis diversos e telas ainda em branco. Um atelier ao ar livre.

Recostou-se na mureta, mirando o mar grego iluminado pela luz das estrelas. Respirando fundo, sentiu um leve perfume amadeirado no ar, sabia muito bem de quem era aquele cheiro suave...

-Lembrança-

Os olhos castanhos o encaravam com surpresa, o que ele estava fazendo ali, atrás de si?

Saga sorriu, um sorriso tão limpo e sincero que a garota acabou por se perder nele, até deixou cair as bisnagas de tinta no chão.

Um perfume amadeirado chegou às narinas do cavaleiro, era reconfortante e suave...

-Fim da Lembrança-

Te buscando na cidade

Eu sou um poço de felicidade

Com seu nariz furando o vento

Com um certo ar de autoridade

Eu fico louco, louco de saudade

-Ah, chega! – Jéssica exclamou, balançando a cabeça para os lados.

Suspirando, ela se voltou à porta e ia abrir a boca para chamar a amiga quando percebeu um soluço. Sheila estava chorando, era isso?

Na casa das garotas, Saga lançou um último olhar para as estrelas e saiu do quarto, não podia mais perder tempo com lembranças e devaneios. Tinha um trabalho a fazer.

Sou um cara afortunado

Perto de ti

Eu sou um poço de sensibilidade

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Suspirando,a jovem arrumava suas últimas roupas na mala azul, a franja que caía a toda hora sobre seus olhos castanhos não paravam de jeito nenhum no rabo de cavalo! Então, uma menina, de estatura menor, entrou pelo quarto, parando junto à beliche.

-Já está tudo pronto?

-Quase... Só falta essa mala...

A jovem abriu uma gaveta e dela tirou mais algumas camisetas e também uma pequena agenda, que entregou à outra garota.

-Guarde bem isso, pode ser útil para você e também para o pai e a mãe.

-O que é isso?

-Alguns telefones que podem ser úteis enquanto eu estiver na Grécia... A gente não sabe se aqueles caras vão mesmo parar com tudo quando eu já estiver em Atenas.

Fechando a mala, a jovem a levou até a sala do apartamento, onde estavam as demais bagagens. A outra garota, então, a abraçou com força pelas costas, o choro incontido molhando a blusa da outra.

-Pára com isso, Amanda... Você sabe que é uma situação provisória...

Tentava parecer forte, mas era em vão. Sabia muito bem que talvez demorasse a voltar.

Mas para ver sua família em paz, não se importava de desistir de seus sonhos e abdicar de sua carreira. Da vida que estava construindo.

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Sétimo capítulo! E que passagem final foi essa, Margarida? Bem, lembram-se da conversa telefônica que a Jéssica ouviu alguns capítulos atrás? Pois é, algumas coisas começam a ser explicadas por aqui...

E no próximo capítulo... O que fazer com um leonino de coração partido? Acho que a Samara vai descobrir rapidinho... E alguns segredos revelados que vão fazer um aquariano começar a considerar uma mudança de opinião em relação a uma certa assessora.

Beijos e até lá!