Então, oitavo capítulo... Será que alguém aí arrisca algum palpite sobre o segredo da Sheila? E as intenções do Vincent? E Heitor, como vai fazer com a nossa querida Jéssy?

Isso é claro, sem contar Lars e Aquiles, de volta à Atenas... Ah, chega de perguntas e vamos ao capítulo!

Nota: Gente, no capítulo anterior me esqueci de colocar as informações sobre a música tema! Chama-se "Poço de Sensibilidade" e é do Ira!, uma das bandas que mais gosto! Quem quiser ouví-la, está no CD "Acústico".

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Capítulo VIII - Por que todos os hinos irão consagrar?

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Parte I - E todos os meninos vão desembestar?

Não foi difícil para Kamus encontrar o quarto da assessora, a porta do dos fundos estava aberta e ele viu por ela diversos jornais sobre a cama. Só podia ser ali! Entrando com cuidado, ele deu uma olhada meio por cima e viu dezenas de fotos enfeitando as paredes, jornais e revistas sobre uma mesa e uma estante onde alguns prêmios lhe chamaram a atenção.

"Jovens talentos do jornalismo, segunda edição... Interessante. Pena que o que tenha de inteligente tenha de arrogante!", pensava, observando um por um dos troféus. E, entre eles, alguns porta retratos da jornalista em ação pelas ruas de alguma cidade no Brasil.

Uma leve brisa chamou sua atenção e ele foi para a varanda, onde encontrou o laptop e mais jornais. Caramba, ela devia ser viciada em notícias! Sentando-se em uma cadeira, o cavaleiro ligou o computador, precisava investigar para ver se sua idéia tinha fundamento.

Ao ligá-lo, uma foto se abriu na tela, era o papel de parede do computador. Um casal de meia idade vestidos com roupas de festa, abraçados a uma garota muito parecida com Sheila, só que menor. E a própria, vestida com uma beca negra e abraçada a um outro homem, sorridente. Provavelmente, uma foto da formatura, com os pais e parentes.

Uma outra janela pulou na sua frente, pedindo uma senha de acesso. E agora? Apoiando a cabeça com uma das mãos, Kamus se pôs a pensar. Então seus olhos detiveram-se outra vez nos jornais... Jornais! Por que não tentar? Digitou o nome de um e nada. Depois outro, outro e... Na quarta tentativa, acertou. Um título em outra língua, devia ser português.

Na área de trabalho, alguns links para matérias, fotos e um com o nome do museu de Atenas. O que procurava certamente estaria ali. Abriu o arquivo e viu que se tratava de listas com nomes, mas do quê seria difícil saber: estava organizada em português e não em grego!

Suspirando, resolveu imprimir o arquivo. Depois pediria para uma daquelas garotas traduzir. Certamente o chamariam de curioso ou fuxiqueiro, mas era seu pescoço que precisava manter inteiro! E, claro, ainda tinha as duas encrenqueiras para salvar...

Após executar seu trabalho, saiu da varanda e voltou ao quarto. Deteve-se mais uma vez na estante com os prêmios e resolveu pegar um outro para observar melhor. Porém, uma caixa estava bem ao lado. Aí...

-Droga! – exclamou, abaixando-se para juntar os inúmeros papéis que se espalharam pelo chão. Eram recortes de jornais diversos, a maior parte com fotos da assessora e de uns caras meio estranhos. Percebeu que um dos recortes estava em francês, era do Le Monde.

-Por Atena, eu nunca pensei que... – ele disse, pensando em voz alta, mas calou-se antes de concluir a fala.

Nunca que imaginaria ser aquele o motivo da estadia de Sheila na Grécia. E até mesmo de seu jeito meio arrogante.

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-E então? Vão me dizer por que fizeram essas caras quando falei do velocino?

Samara estava novamente de braços cruzados. E desta vez não recuaria em seu interrogatório. Aioria olhou meio suplicante para Shura, o que diriam?

-Bem...

O espanhol encarou Samara e simplesmente saiu da cozinha, como se dissesse à Aioria "Te vira, maluco!". O leonino ficou quieto, suando frio. Grande amigo!

-Aioria, quer parar de enrolar e falar de uma vez!

O cavaleiro suspirou, como podia aquela garota lembrá-lo tanto assim de Marin? Baixou os olhos, tentando encontrar alguma palavra que o ajudasse.

-Aioria? – Samara o chamou, segurando o rosto do leonino pelo queixo. Não gostou de ver uma sombra de tristeza nos olhos azuis do rapaz - Não quer me contar o que está acontecendo com você, antes de me explicar tudo?

Aioria encarou os olhos castanhos da garota, tão compreensivos. Por que não tentar?

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Sentado no beiral de uma janela do corredor, Heitor estava observando o céu, pensativo, quando viu Vincent subir a escadaria, acompanhado de um dos criados.

-Para quê isso? – o rapaz questionou, ao ver o criado segurando algumas tolhas limpas e Vincent levando um vestido preto bem seguro em suas mãos.

-Ah, isso aqui... É parte da realização do meu primeiro desejo.

-Como?

-Você sabe, Heitor... Por que não aproveita e pede algo também? Tenho certeza de que o mestre vai atendê-lo.

Despedindo-se com um aceno, Vincent rumou para o terceiro andar. E Heitor, passando os dedos sobre a mordida que Jéssica havia lhe dado, sorriu. Até que a idéia de Vincent não era de todo má...

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-Então é naquela casa que as garotas moram? – perguntou Aquiles à Lars, apontando a casa que ficava no fim de uma ladeira de pedras.

O outro apenas assentiu, ajeitando os cabelos para não atrapalhar. Com um olhar ferino, ele se pôs a caminho à frente do amigo.

A violinista não perderia por esperar. E nem a amiga, conforme Aquiles pensava...

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Parte II – Bonita Demais

Aioria falou tudo praticamente de um fôlego só, temendo não ter coragem de ir até o fim. Falou sobre a paixão que tinha pela amazona de Águia desde adolescente, os problemas que enfrentaram para ficarem juntos e o fim do relacionamento. Ao final, foi impossível conter as benditas lágrimas que teimavam em querer correr por seu rosto.

Samara ouviu a tudo atenta. E, ao ver o cavaleiro se desmanchar em lágrimas, não resistiu.

Porque você que é tão bonita

Tem esse ar distante assim

Diz porque o seu olhar hesita, hesita

Eu tenho amor em mim

Ainda que timidamente, deu a volta pela mesa e ficou de pé ao lado da cadeira onde Aioria estava sentado. Sentindo as mãos trêmulas, ela cerrou os olhos e pousou uma delas sobre os cabelos do rapaz, oferecendo-lhe um carinho.

O conforto logo se transformou em um abraço caloroso, a cabeça de Aioria aconchegada ao peito da garota.

O amor é a coisa mais bonita

É feito dois igual a um

E no entanto seu olhar hesita

Você tem medo de depois

-Pode chorar, Aioria... Não tem essa história de que homem não chora, que não sofre por amor... Se está doendo, por que vai segurar e sofrer?

Uma criança. Era assim que Aioria parecia, quase soluçando e apertando com força o corpo de Samara. A garota apoiou seu queixo na cabeça do rapaz, as mãos acariciavam os cabelos e costas dele.

Por quanto tempo ficariam assim, era difícil dizer.

Bonita

Talvez bonita demais

Bonita

Bonita de nunca ser minha, jamais

Finalmente mais calmo, Aioria limpou o rosto e ergueu os olhos azuis para Samara, tentando sorrir.

-Obrigado.

-Não precisa agradecer, Aioria.

Puxando uma cadeira e a colocando de frente para si, o cavaleiro indicou que Samara se sentasse. Ela obedeceu e ele suspirou, pensando por onde iria começar a falar.

-Samara, não dá mais para esconder ou disfarçar. Eu vou te contar tudo sobre eu e os meus amigos, mas por favor, não me interrompa...

E assim, meu amor, reflita, reflita

Bonita

Pra que ser assim bonita

Bonita...

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Sentado em uma poltrona, Kamus terminava de ler o recorte do Le Monde e também alguns outros em grego e inglês. A cada linha, uma nova surpresa.

Nunca que imaginaria que Sheila tinha passado por aquilo antes de ir morar em Atenas. Foi então que entendeu que a jovem tinha seus motivos para agir com desconfiança em relação aos outros.

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-Sheila? – chamou Jéssica, encostando-se novamente na porta.

No outro quarto,a assessora enxugou uma lágrima e respondeu, com a voz baixa e estrangulada.

-O que foi?

-Você está bem?

Um suspiro. Sheila baixou a cabeça, Jéssy ficou na expectativa. Depois de alguns minutos, a voz da jovem foi ouvida novamente.

-Você tem paciência para ouvir uma longa história?

-A que você precisar, Sheila...

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Oitavo capítulo! Bem, este foi mais curto que os demais por conta de alguns eventos que descreverei no próximo. A intenção era colocá-los aqui, mas aí ficaria muito grande e quebraria o clima entre a Sah e o Aioria.

Bem, o próximo capítulo dará um passeio pelo passado agitado e cheio de revelações da Sheila, o que será que ela tem para nos contar? E Kamus, como vai agir daqui para frente em relação a ela?

A música deste capítulo é "Bonita Demais", do Daniel Jobim.

Nota 2: Sah e Sil, me digam uma coisa... Vocês acham estranho se verem por aqui, na terceira pessoa? A Jéssy comentou isso comigo e fiquei curiosa em relação à opinião de vocês! Tipo, em outras fics eu não acho tão estranho me ver na terceira pessoa, mas eu mesma escrevendo... É estranho, não?