Nossa, eu não imaginava que a luta entre Lars e Shura fosse repercutir da maneira que aconteceu... Chamá-lo de FDP foi algo que eu nunca imaginei, eu gosto muito desse "Quarteto do Mal".

Agora, só fico aqui pensando o que vão dizer do Aquiles depois deste capítulo!

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Capítulo XI - Vai abençoar

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Parte I - O que não tem governo, nem nunca terá?

Foram longos minutos, admirando-se no espelho que cobria boa parte de uma das paredes do quarto. O vestido azul jazia sobre a cama, o modelo preto e extremamente decotado emoldurava-lhe o corpo naquele momento. Os cabelos, soltos e bem escovados, caíam como ondas sobre seus ombros.

"Por que estou fazendo tudo isso para aquele filho da p...?", perguntava-se, sem conseguir afastar-se do espelho ou desfazer o sorriso em seu rosto.

Duas batidas na porta e o som do trinco sendo aberto chamaram sua atenção e Sheila voltou-se para Vincent, que lhe sorria abertamente.

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-O que deu no Shura para ele sair daquele jeito? – questionou Samara, correndo para a sala junto com Aioria.

Estavam a poucos passos da escada de acesso ao primeiro andar quando um leve tremor os fez estancar a corrida. Os objetos que decoravam mesas, estantes e cantos foram ao chão, Samara só não teve o mesmo destino porque se segurou no corrimão da escada.

-Um terremoto?

-Não pode ser... Atenas não está em uma região instável.

Um segundo tremor, mais intenso que o anterior e os móveis sambaram pela casa, objetos de vidro e cerâmica se espatifaram e a garota quase rolou pela escada, sendo amparada pelo leonino.

-Mas o que pode ser isso? – ele se questionou, até sentir algo estranho no ar.

Era um cosmo, mas não de seus amigos. Era carregado de tensão e fúria, e se dirigia à casa. Franziu o cenho, quem ou o que poderia ser?

-Fique aqui, Samara e não saia. Eu vou lá fora ver o que está acontecendo.

Samara assentiu e apertou com força a mão do cavaleiro, que segurava a sua. Um pedido mudo para que tivesse cuidado

-Não se preocupe, vai ficar tudo bem. – disse Aioria, aproximando-se da garota e dando-lhe um beijo na testa.

Saiu logo depois, apressado. E Samara ficou sentada no sofá da sala, apreensiva.

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Aioria ganhou a saída rapidamente e encontrou o portão de ferro da entrada aberto e as pedrinhas brancas do caminho todas espalhadas. Então uma movimentação junto às heras que enfeitavam a mureta chamou sua atenção.

-Apareça, quem quer que seja!

-Não precisa ficar nervoso, nem gritar... – Aquiles falou, saindo de trás do chafariz e postando-se à frente do cavaleiro. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente e um sorriso idiota bailava em sua face.

O leão pô-se em posição de ataque, atento a qualquer movimento do rapaz.

-Por que sua amiga também não saiu? Seria interessante tê-la por perto para assistir sua derrota.

-Tente chegar perto da Samara e será um homem morto.

-Está com ciúmes? Ridículo...

O sangue de Aioria fervia em suas veias e ele cerrou os punhos, pronto para lançar sua Cápsula do Poder e acabar de uma vez por todas com aquela palhaçada. Aquiles, por seu lado, apenas deu de ombros e esticou os braços na direção do chão, fechando os olhos.

Em poucos segundos a terra começou a tremer e Aioria quase perdeu o equilíbrio. As pedras se espalharam ainda mais e, dentro da casa, Samara se encolheu toda no sofá, com medo.

-Você ainda não viu nada, Cavaleiro de Atena...

Com estas palavras, Aquiles abriu os olhos e o vermelho de suas pupilas deu lugar a um castanho escuro quase negro e a força do tremor aumentou de intensidade, rachando o chão.

Dentro da casa, o caos tomava conta de tudo. Desesperada, Sah correu para debaixo de uma mesa e por lá ficou, protegendo a cabeça com os braços. No jardim, a rachadura logo se transformou em uma cratera que aumentava cada vez mais seu tamanho, e bem na direção de Aioria.

-O que vai fazer para escapar, cavaleiro?

Aioria tentou dar um pulo para trás, mas seu gesto foi inútil. A cratera se abriu bem debaixo de seus pés, o leonino nem teve tempo de se defender. Caiu, no buraco vazio e escuro que se formou no jardim.

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De repente, os tremores cessaram. Samara ainda ficou um tempo debaixo da mesa, até que levantou a cabeça e percebeu que tudo estava calmo. Engatinhando, ela saiu de seu esconderijo e voltou ao sofá.

Então um aperto tomou conta de seu peito e ela imediatamente deu um pulo, pensando em Aioria. Era certo que ele a tinha mandado ficar dentro da casa, mas a sensação de que alguma coisa havia acontecido a ele não a deixava em paz. Apreensiva, mandou às favas as ordens do rapaz e correu para o jardim.

-Aioria! Aioria! Mas o que é isso? – ela se perguntou ao se deparar com a cratera no jardim, bem à sua frente.

-Melhor tomar cuidado ou vai acabar fazendo companhia àquele imbecil... – Aquiles disse, surgindo atrás de Samara.

Ela se virou e, ao se deparar com aqueles olhos vermelhos a fitando, sentiu medo. E uma raiva muito grande também.

-O que você fez com minhas amigas? E com o Aioria, seu cretino?

-Nossa, um elogio desses vindo de uma garota tão bonita... – Aquiles zombou – Suas amigas estão bem. E quanto ao cavaleiro de Atena... Por que não procura no fundo dessa cratera?

Samara arregalou os olhos, não podia ser verdade. No desespero, tentando se afastar do rapaz que se aproximava de si, ela foi recuando e acabou escorregando na borda da cratera. E somente não caiu porque Aquiles foi mais rápido.

-Por que não esquece aquele idiota e aproveita a noite comigo? Podemos nos divertir tanto juntos, pequena...

-Me solta, seu nojento!

Aquiles sorriu, mulheres difíceis costumavam lhe dar mais prazer na conquista. Puxando Samara para mais perto de si, colando seus corpos, ele a segurou pela nuca e tomou a boca pequena em um beijo arrebatador e sufocante, a garota se debatia de todo jeito, mas como escapar?

Então, do fundo da cratera, uma aura dourada se ascendeu e uma espécie de rugido reverberou pelo jardim, assustando os dois jovens.

-Mas que diabos foi isso? – questionou Aquiles, soltando Samara com tudo.

Aproximou-se do buraco e um soco certeiro em seu queixo o fez voar longe e bater contra a mureta. Com um salto, Aioria pulou de volta ao jardim, o brilho da fúria estampado em seus olhos azuis.

-Eu lhe disse que seria um homem morto caso se aproximasse da Samara!

Seu cosmo se ascendeu de maneira aterradora, formando a imagem de um imponente Leão atrás de si. Aquiles se levantou, mal conseguindo se manter de pé. E viu, estarrecido, um ponto de luz brilhar no ombro direito de Aioria.

-O que é isso?

-O seu passaporte para o inferno... Relâmpago de Plasma!

O ponto de luz se transformou em centenas, milhares de outros pontos que atingiram Aquiles na velocidade da luz. E, como ele estava muito próximo da mureta, não teve chances de se defender. Caiu, no vazio do abismo.

-A... Aioria! Você.. Você está...

Samara tremia dos pés à cabeça, mal conseguia articular uma frase completa. Aioria foi até ela e a abraçou, tentando acalmá-la com palavras acolhedoras em seu ouvido.

-Eu pensei que tivesse morrido...

-Eu sou um cavaleiro de Atena, Sah... Não vou deixar esse mundo assim tão facilmente...

A garota levantou o rosto e sorriu. E Aioria, encantado, baixou a cabeça e tocou os doces lábios em um beijo terno e cheio de promessas. O leão estava, finalmente, se libertando de sua jaula dourada.

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Parte II - O que não tem vergonha, nem nunca terá?

Ainda agarrada ao travesseiro, Jéssica dormia tão profundamente que não percebeu quando a porta do quarto foi aberta e alguém entrou, trancando-a novamente. Com passos lentos e silenciosos, Heitor aproximou-se da cama e se sentou na beirada, admirando a garota.

Com cuidado, tirou alguns fios ruivos que estavam sobre a testa. A garota resmungou um pouco, mas nada de acordar. Ele, então, correu o olhar pelo corpo todo, as pernas descobertas porque a barra da saia estava levantada.

Devagar, ele pousou sua mão sobre uma das pernas de Jéssica e a acariciou levemente, subindo até o limite em que o tecido permitia.

-Eu a farei minha, princesa... – sussurrou, baixando a cabeça até tocar os lábios rubros pelo batom que ela usava.

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Galante, Vincent ofereceu o braço à Sheila e a levou até o andar térreo, onde um jantar caprichado havia sido preparado para os dois. Puxando a cadeira, ele a fez se sentar e lhe serviu uma taça de vinho tinto, sorrindo abertamente.

"Eu vou enfiar esse seu sorriso em um lugar que vai doer e muito, seu desgraçado...", ela pensava, mas retribuindo o sorriso. Todos os seus gestos eram feitos de maneira automática, como se alguém os estivesse controlando.

-Gosta da cozinha francesa, Sheila? – ele perguntou, indicando ao criado que a servisse.

-Prefiro a companhia, Vincent... – "Céus! De onde saiu isso?", ela falou e pensou, fitando-o com um brilho divertido no olhar.

Vincent sorriu, bebendo demoradamente de sua taça. Tudo corria como o planejado. E a noite estava apenas começando para ambos...

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-Então é aqui o covil dos abutres... – Saga disse a si mesmo, observando o entorno da mansão. Kamus não lhe deu ouvidos, tentando verificar uma maneira de entrarem sem serem percebidos.

-Há muitos guardas e cães por aqui, Saga... Precisamos encontrar uma maneira de entrarmos sem chamar a atenção.

-Hum, acho que isso é impossível... – o geminiano falou, ao ouvir os latidos dos cachorros e luzes na direção onde estavam – O lugar é bem mais vigiado do que imaginávamos.

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E aqui se foi mais um capítulo! Com ele, as coisas começam a se encaminhar para o fim e a ação toma cada vez mais conta da fic! E no próximo, alguém arrisca qual dourado vai dar mostras de seu poder? E Heitor e Vincent, vão conseguir atingir seus objetivos?

Beijos e até o próximo capítulo!!!