Capítulo XV – Que nunca foi lá
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Parte I – Olhando aquele inferno
Havia de passado uma semana desde o ocorrido. A exposição era um sucesso, o velocino tinha sido restaurado. As garotas continuavam com suas aulas, os cavaleiros com seus afazeres, sempre buscando uma ou outra brecha para poderem estar com suas meninas.
Mas Camus e Sheila, desde o desfecho de tudo e daquele beijo, não mais se viam ou se falavam. E a jovem parecia meio introspectiva sem eu mundo, o cavaleiro se tornara mais fechado e frio.
Então chegou o fim de semana. E com ele, uma grande notícia.
-Sheila, telefone para você. Parece que é o editor do jornal para onde trabalha. – disse Silvana, passando o aparelho para a miga, que revisava uma matéria sobre a atividade pesqueira de Atenas.
-Alô? Oi, Eduardo... Não, pode falar, sem problemas... Sim, estou sentada... Fala logo, caramba! O QUÊ? Eles estão... Presos? Mas todos? Como assim?
O grito da jornalista foi ouvido pelas amigas, elas correram para o quarto de Sheila. E a encontraram segurando telefone junto ao peito, chorando e rindo ao mesmo tempo.
-O que aconteceu, Sheila? – perguntou Jéssy, a primeira a se aproximar.
-A quadrilha, Jéssy... Estão todos presos! A Polícia Federal e a Interpol pegaram todos! Eu... Eu posso voltar quando quiser ao Brasil!
As amigas, soltando gritinhos de felicidade, se jogaram sobre a jornalista, em um bolo de abraços, afeto e alívio...
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Parte II – Vai abençoar
Na casa de leão, tudo estava calmo. Na varanda da sala, Aiolia e Samara estavam sentados sobre a mureta, observando o pôr-do-sol abraçados um ao outro. Beijando os cabelos macios, o cavaleiro sorriu.
-Quanto tempo até terminar seu curso no museu?
-Acho que mais um ano, Olia.
-Um ano? – O cavaleiro fitou a namorada, surpreso – Mas não era apenas um curso de férias?
-Era... Mas eu ainda tenho muita coisa para aprender. E um bom motivo para querer ficar em Atenas por mais tempo.
Aiolia sorriu, acariciando o rosto delicado. Cheio de carinho e afeto, ele beijou sua pequena, seu tesourinho...
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Parte III – O que não tem governo e nunca terá?
-Não vale olhar antes, hein Saga!
-Já disse que não vou fazer isso, Jéssy!
Estavam na sala da casa de Gêmeos, Saga com os olhos bem fechados. Jéssica, sorrindo, terminou de posicionar um cavalete bem à frente do cavaleiro e então foi para o lado dele, saltitante.
-Pode abrir!
O cavaleiro abriu os olhos e ficou maravilhado. Ali estava o quadro que Jéssica pintara de si. Os tons vivos, os traços bem marcados. Parecia até que sairia de pintura e daria um sorriso para si mesmo.
-Ficou... Perfeito!
-Quem bom que gostou... Mas devo confessar que a paisagem e o modelo ajudaram no resultado final.
-Com certeza... Mas os méritos são todos da artista – Saga disse, enlaçando a cintura de Jéssica – E eu nunca vou me esquecer desse dia, sabia?
-Mesmo?
-Claro... Afinal, foi quando te conheci...
Com um enorme sorriso, Saga beijou Jéssica, ambos caminhando na direção do sofá e caindo sobre ele, deitados. Uma nova vida para o cavaleiro de Gêmeos começava ali...
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Parte IV – O que não tem vergonha, nem nunca terá?
Na casa de Capricórnio, uma música suave invadia o ambiente. Extasiado e de olhos fechados, Shura apreciava cada acorde tocado por Silvana, viajando em sensações e pensamentos.
Ao término da canção, a musicista deixou o violino de lado e se sentou junto ao cavaleiro no sofá de couro azul e macio. Ele a abraçou e ficou brincando com uma mecha dos cabelos castanhos, sorrindo.
-Essa missão... Sabe, no começo, eu não queria participar não. Mas hoje agradeço á Atena por ter me convocado para ela.
-E posso saber o porquê, senhor Shura?
-Simples... Porque graças a ela, eu te conheci, senhorita Silvana.
Acariciando o queixo delicado, Shura tocou os lábios da garota, primeiro em um selinho doce, depois, em um beijo avassalador e quente. Silvana enlaçou a nuca do cavaleiro, nem seus mais doces sonhos poderiam se comparar àquela realidade...
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Parte V – O que não tem juízo?
Camus estava sentado em sua poltrona de couro branco, lendo um jornal francês e tomando sua taça de vinho branco. Foi então que ouviu passo ecoarem por sua casa e, ao levantar os olhos, deu de cara com Sheila à sua frente, de braços cruzados e expressão séria.
-Foi você, não foi? – ela começou, encarando olhar frio de Camus.
-Não entendi, senhorita.
-A prisão da quadrilha que fazia tráfico internacional de mulheres. Você mexeu nas minhas coisas, viu os recortes de jornal e minha agenda, sabia de tudo. Eu só queria saber, como fez isso?
-Eu contei sua história para Atena... – ele disse, sem alterar sua expressão, ficando de pé e circundando a mesinha onde estava o vinho – E ela, como vocês brasileiros dizem "mexeu os pauzinhos". A Fundação Graad tem uma grande influência pelo mundo, para eles não foi difícil.
-Entendo.. – Sheila suspirou, descruzando os braços – Então, acho que lhe devo um muito obrigado, não?
Silêncio. Camus olhava para sua taça de vinho, Sheila não sabia se ia embora ou se ficava por ali. Havia mais coisas a serem ditas...
-Pretende voltar ao Brasil? – o cavaleiro perguntou, quebrando o silêncio. Ela voltou a encarar Camus.
-Não, eu recebi uma proposta do jornal para trabalhar no escritório deles em Londres. Ser correspondente internacional de política e guerra, é meu sonho desde que me formei.
-Está feliz, então.
-Sim, mas... – ela suspirou novamente, tomando coragem para falar – Mas, se tivesse um bom motivo para ficar em Atenas, trocaria a proposta por ficar aqui, com minhas matérias de turismo.
Silêncio novamente. Sheila fitava Camus, havia expectativa em seu olhar, uma certa aflição. O cavaleiro pegou sua taça, tomou um gole de seu vinho e voltou a depositá-la sobre a mesinha. E então, com o mesmo olhar frio que mantivera o tempo todo, voltou-se para a jornalista.
-Boa viagem... – disse, simplesmente.
Engolindo em seco, sentindo lágrimas querem vir aos olhos, Sheila sequer agradeceu. Deu as costas para o cavaleiro e saiu da casa de Aquário, à passos rápidos. Camus ficou de pé, olhando para o vazio. E, sem querer, um nó se formava em sua garganta.
Talvez, tivesse feito uma besteira. Mas agora era tarde demais para consertar...
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E acabou! Ah, que peninha... Mas peraí, Camus e Sheila acabam assim, sem se acertar? Não pode, Sheila?
Claro que não pode, por isso, convido a todos para lerem, já disponível em meu profile...
"Como é que se diz eu te amo"
Sequência de "Roda Viva" e presente de natal deste ano para minhas lindas Sah Rebelde, dama 9 e Saory-San II!
Beijos!
