Finalmente, temos o casal problema... E sua música tema! Espero que gostem...
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Capítulo IV – O que eu também não entendo
Camus e Sheila
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Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Desligou o telefone um tanto preocupada, a amiga não parecia muito bem. Segundo Jéssica lhe contara, Silvana e Shura tinham brigado, por isso ela parecia tão amuada. Suspirou, sabia que cedo ou tarde aqueles dois se entenderiam.
Ajeitando a boina que usava, foi até a janela de seu apartamento e ficou um tempo observando a cidade, dali tinha uma ótima vista do Olho do mundo(1) e da região central. Fechou os olhos, era o terceiro Natal que passava longe da família, mas desta vez era diferente. Estava ali única e exclusivamente por questões de trabalho e não porque fugia de um bando de bandidos psicopatas ou uma quadrilha de loucos homicidas. É, seu pesadelo acabara.
Tinha conversado com os pais e a irmã pelo telefone, ficou imaginando suas caras quando recebessem os presentes. Um barco vikking em miniatura para a coleção do "velho", uma autêntica saia de tweed para a "metade(2)" e uma caixa de madeira com diversos chás ingleses para a "mamma".
Estava ficando cansada de estar sozinha, naquele apartamento. Então vestiu seu casaco de tweed, enrolou um cachecol no pescoço e saiu para a rua. Era noite de Natal. E queria ver gente.
Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir
Caminhava pelas ruas frias de Londres, observando as pessoas apressadas, carregando pacotes de presente ou pratos para a ceia. Fechou-se em seus pensamentos, lembrou-se novamente das amigas na Grécia. Atena iria oferecer uma ceia no Santuário, as três iriam para lá. Passou a recordar de sua vida em Atenas, até que fora um tempo agradável. Descontando, é claro, aquele maldito francês.
Um idiota metido a besta que havia lhe dado todos os motivos para ir embora e nenhum para ficar. Suspirou, como poderia ainda pensar tanto nele? Diabo de cubo de gelo insolente, maldito fosse Camus de Aquário!
Sua caminhada teve fim bem em frente ao famoso Big Beng, todo enfeitado com luzes natalinas. Levantou o olhar para apreciar melhor o prédio e logo percebeu um floco cair sobre seu nariz.
Começava a nevar. Uma neve brilhante, como nunca vira antes.
-Parece até pó de diamante... – disse para si mesma, estendendo a mão luvada, como se assim pudesse pegar algum floco e guardá-lo.
-É, digamos que seja essa a inspiração, Sheila...
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito, mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender
Estreitou os olhos, conhecia aquela voz, aquele tom gélido e impertinente. Virou-se para o incauto, bufando.
-O que faz aqui, Camus de Aquário?
-Pensei que uma viagem à Londres seria uma boa idéia... – ele disse, fitando-a com seriedade – E, além disso, ninguém merece mais um Natal ao lado daquele Escorpião cheio dos querer.
-Ah, e vir até aqui atazanar minha paciência lhe pareceu uma ótima diversão natalina, não é mesmo?
Camus ia abrir a boca para falar algo, mas Sheila não lhe deu ouvidos. Pisando duro, a jornalista deu meia volta e somente não foi embora porque o cavaleiro a segurou pelo braço. Voltou-se a ele, tentando se soltar. Mas o aquariano não parecia disposto a deixar a brasileira ir.
-Me escute, por favor...
Sheila bufou novamente, mas acabou cedendo. Quem sabe assim se livrava logo daquele encosto siberiano?
Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
-Eu sei que dei todos os motivos do mundo para você ir embora de Atenas e nenhum para ficar quando me contou que viria para Londres... – Camus disse, entre suspiros – Mas tente entender que... Que...
-Entender o quê? Dá para ser menos enrolado?
-Hum... Entender que eu fui treinado minha vida inteira para servir Atena e a humanidade. Que tive de aprender a não ter sentimentos para poder vencer em uma batalha... Que por conta disso, eu ainda não sei lidar muito bem com eles...
Camus a soltou, percebeu que Sheila não iria embora enquanto ele não dissesse tudo, Isso fez com que tomasse coragem e seguisse em frente.
-Que por causa disso, eu lhe disse "boa viagem", quando, na verdade, queria lhe dizer outras duas palavras...
-Quais palavras?
-Fica comigo... – ele disse, finalmente – Não somente naquela época, mas agora. Não no sentido de abandonar tudo aqui em Londres e ir para Atenas, mas... Para ter um motivo, por menor que seja, para voltar um dia...
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranqüilo, tranqüilo
Sheila ficou em silêncio, de cabeça baixa. Camus suspirou, ao menos uma vez tinha que admitir: seguir os conselhos de Milo de Escorpião não fora ruim. Pelo menos, tinha dito tudo o que desejava à jornalista.
De repente o silêncio foi quebrado pelo som das badaladas do Big Beng. Sheila levantou os olhos e Camus percebeu que ela sorria, meio de canto.
-Está ouvindo as badaladas? É meia noite... Feliz Natal, Camus de Aquário... – ela disse, aproximando-se do cavaleiro – E aqui está seu presente...
Puxou-o pela nuca, beijando-lhe os lábios frios. Os dela estavam quentes, e a sensação térmica provocada pelo beijo acabou colando os corpos um no outro. Sim, Sheila agora tinha um motivo para voltar para Atenas. E isso enchia o coração antes frio de Camus de alegria.
-Sheila... – ele a chamou, apartando o beijo – Feliz Natal e... E... Eu... – ele tentou dizer, meio sem saber o que ou como fazer.
-Você? – ela perguntou, incentivando-o a continuar.
-Eu... Eu te amo...
Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também
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Fim! E o casal problema virou casal solução... Gostaram?
Um super Natal a todos que se dispuseram a ler e me agüentem em 2008, eu não vou parar de atazanar a todos tão cedo...
Beijos!!!
(1)Olho do Mundo ou Roda do Milênio, a famosa super roda gigante que fica às margens do rio Tâmisa, em Londres. Quando viajar para lá, será o primeiro lugar que vou visitar, adoro roda gigante!
(2)Então a Amanda é baixinha, tem 1,50 m de altura. E essa história de "metade" é o seguinte: um amigo dela, alto para caramba, estava zoando com a minha irmã e ela, com uma raiva danada, disse: "Ah é, só porque você é grande acha que é dois!", e ele rebateu assim: " E só porque você é pequena acha que é metade!"... Hilário!
