Capítulo 3

No dia seguinte, Hanyuu decidiu virar uma mercenária. E virou. Seu novo uniforme era um tanto 'chamativo' e ela pôde finalmente comprar uma arma no estilo katar descente. Hanyuu agora era escalada para missões que outras pessoas não fariam. Ela trabalhava para quem pagasse melhor. Para os mercenários, não... para Hanyuu não existia mais o bem e o mal. Para ela existia apenas o cliente e ela. Não vou dizer que ela gostava de ser um capataz dos ricos e poderosos. Aliás, odiava. Mas era o trabalho dela, e na hora de fazê-lo, ela o fazia sem nem piscar os olhos. Como já disse, ela trabalhava para quem pagasse melhor, independente do trabalho. Naquela hora, seu trabalho envolvia o cliente, ela, e uma vítima.

Estava um calor tenebroso na cidade de Alberta. A cidade dos vendedores sempre fora agitada, sempre suja e quente. Incontáveis lojas de rua estavam espalhadas nas calçadas, ali perto do navio que a mercenária acabara de desembarcar havia um bardo tocando e uma odalisca dançando ao som da música, seguida de várias crianças que passavam para ver o espetáculo e acabavam se encantando pelo som do bandolim também. Num dos cantos havia um poring que ninguém notava, sempre atento esperando algo que pudesse roubar. Era um mundo novo para Hanyuu, mas não suficientemente encantador para quem vive na central Prontera.

O trabalho de Hanyuu não era muito digno de prêmios. Ela tinha que matar um comerciante famoso em Alberta, um ferreiro que sempre ajudava os mais pobres. Se qualquer morador de Alberta soubesse, diria como ela era fria e sem coração de aceitar um trabalho desses. Mas a mulher que a contratara não pensava assim. Ela sabia a verdade por trás do capote do ferreiro.

Hanyuu passou despercebida pelas pessoas, pois estava usando uma enorme capa que escondia seu uniforme, e ninguém parecia saber que ela era uma mercenária, até que chegou numa pequena tenda que vendia itens caros a preços estupidamente baratos. Ela examinou o vendedor. Um homem de cabelos grisalhos e rosto arredondado, sempre expressando um sorriso. Mas o que a fez perceber que era sua vítima foi o enorme e inconfundível nariz que o homem possuía. Hanyuu parou, ajeitou a cabeleira desarrumada com uma das mãos e respirou fundo. Então caminhou até a tenda e parou na frente do homem, com toda a inocência de uma garota de 14 anos tem... quando é uma mercenária.

- Com licença - Disse ela, afagando as próprias mãos como se estivesse nervosa, e levemente corada, mas era por causa do sol mesmo - Eu estou meio perdida por aqui... O senhor parece sábio, poderia me dizer onde fica a sede dos mercadores? Eu tenho um importante recado para entregar lá.

- Bem, já está na hora da pausa mesmo - Disse o homem sem hesitar - Eu levo você até lá.

- Muito obrigada! - Respondeu Hanyuu, curvando-se.

Ela devia ter feito teatro. Era realmente uma boa atriz.

Durante quase todo o caminho, o homem foi conversando e fazendo perguntas irrelevantes para Hanyuu, que a cada 20 segundos olhava para trás. Até que ele notou isso.

- O que aconteceu?

- É que eu não gosto de ficar no meio das pessoas - Hanyuu parecia corada de vergonha. A verdade é que ela havia conseguido uma candura emprestada de uma desordeira do clã para essa missão. Deixava realista, não?

- Está bem então, vamos por aqui.

Os dois entraram numa rua estreita e comprida, no meio de dois prédios velhos. O homem, interessado, perguntou:

- Por que não gostas de ficar junto às outras pessoas?

- Não sei. Talvez porque eu sou uma mercenária, e eles me olham como se eu fosse uma assassina sem coração...

- Mercenária? - O homem perguntou baixinho.

Hanyuu passou a mão pelo rosto, tirando a candura e revelando sua falta de expressão.

-... E não é que eles podem ter razão?

Ao dizer isso, ela empurrou o ferreiro que caiu, e Hanyuu ficou de joelhos em cima dele, segurando seu braço direito com uma das mãos e mostrando a jur afiada na outra. Agora que o velho a olhava bem nos olhos, ele pôde notar que ela não tinha nada a ver com a garota tímida que viera lhe pedir informação há cinco minutos atrás.

- Sabia que vender monstros passivos clandestinamente como animais domésticos é ilegal, Corin-san? Apesar de que você conseguiu bastante apoio para desviar de todas as acusações que lhes fizeram.

- Como você...? - O homem mal falava, de tanto espanto que lhe vinha.

- Eu fui contratada para matá-lo, Corin-san. meu pagamento é relativamente alto para que eu nem respire antes de terminar meu trabalho, mas eu gostei de saber sobre o senhor. E o senhor me dá nojo - Hanyuu fez uma cara de extrema repugnância, como se fosse cuspir em Corin.

- Pare agora mesmo! Se você não se afastar agora eu vou gritar, e toda a cidade virá me socorrer e descontar a fúria toda em vo...

Antes que Corin pudesse terminar a frase, Hanyuu cravou-lhe a jur no pescoço. E então levantou.

- Não vai mais - Disse ela, enrolando um pano branco em volta da lâmina, e esse logo se tingiu de vermelho.

Depois de olhar para trás, só para verificar se não havia testemunhas, ela tirou do bolso uma asa de borboleta, um item que a permitia estar em Prontera a hora que quisesse, quando quisesse. Jogou a asa para trás, e essa começou a liberar um misterioso pó ao redor de seu corpo. Logo ela se via nas ruas de Prontera novamente.

Realmente, não existia bem ou mal. Até as pessoas mais bondosas pecavam.


A mulher que havia a contratado se chamava Yue. Você deve saber, seguidora do bem, amante da natureza e dos monstros passivos, entre outras coisas. Era uma espadachim que vira com os próprios olhos o comércio ilegal do velho Corin, e deu queixa na cavalaria de Prontera (algo equivalente com a polícia civil), mas estes nada fizeram, por causa da boa aparência do ferreiro. Sem ter mais o que fazer, ela foi até o clã dos mercenários, para dar um fim a aquilo.

- Mas nós queremos algo em troca - Disse o líder dos mercenários, alisando o queixo.

- O que quiserem! - Respondeu Yue, aflita.

- Antes de entregarem os monstros para Prontera, queremos ver a mercadoria primeiro.

- Vocês irão pegar os monstros? - Ela pareceu hesitar com a idéia.

- Não, não. Iremos apenas tirar deles alguns itens. Acho que não vão se importar, não é?

Yue murmurou algo parecido com um sim. Hanyuu era a escolhida daquela vez. Estivera ouvindo tudo.

"Mercenários... Todos eles são iguais."


Na mesma noite, ela já estava em Alberta novamente. Vários gatunos, mercenários e desordeiros se esgueiravam por entre as grades das jaulas onde ficavam os monstros, tentando pegar alguma coisa. Os monstros mais fracos, como porings ou lunáticos eles nem sequer passavam os olhos. Yue estava observando tudo de longe, e nem viu quando Hanyuu passou por ela.

Aquela madrugada estava gelada. Alberta, ao contrário de Prontera, ficava completamente deserta de noite. O vento era frio, e ela hesitava até em colocar a mão para fora da capa, para passar os dedos nas tampas e nas grades das gaiolas. Ficara observando os monstros. Naquele lugar havia apenas monstros fracos como os citados acima. Eles olhavam para Hanyuu com a expressão igual a de cachorros pedindo comida. Encontrou então algumas caixas. Caixotes velhos fedendo a peixe que desembarcavam dos navios todos os dias. Continuou passando a mão pelas caixas, como se ainda fossem gaiolas. Nem olhava para onde estava indo. Olhava apenas para os próprios pés, pensando em como ansiava chegar em casa e dormir finalmente.

Percebeu então que seus dedos toparam com algumas barras. Viu então que tinha tocado em uma jaula maior que ela. De cara ela não reconheceu o que tinha dentro, pois a sombra da criatura estava submersa na escuridão das caixas que tapavam o brilho da lua. O ser começou a se esticar. Começou a vir na direção de Hanyuu e agarrou as grades, ainda de joelhos.

Hanyuu se agachou na altura do monstro, e percebeu que dentro daquela jaula que ninguém via estava uma Alice. Um monstro forte comparado a vários outros, mas ao mesmo tempo fraco por ser fiel demais à causa de empregada. Seus cabelos pareciam negros por causa da noite, e seu uniforme de empregada estava sujo e rasgado. Tinha olheiras. Hanyuu nunca havia visto um monstro ter olheiras de cansaço. A Alice fitava-a como os porings ou lunáticos (ou como os cachorros).

- Não me olhe desse jeito - Disse ela, levantando-se.

Mas a Alice continuava a olhar para ela com seus olhos vermelhos e naturalmente brilhantes. Hanyuu suspirou.

- Vamos, você está livre agora - Ela enfiou a jur no meio das correntes que fechavam a gaiola e as fez quebrar - Saia daí.

A Alice voltou para o fundo da gaiola e pegou sua vassoura velha. Levantou-se, e continuou olhando para Hanyuu do mesmo jeito. A mercenária apenas deu as costas e começou a andar, mas sentiu que a Alice a segurara. Virou, mas tudo o que viu foi um ovo. Naquele momento, Yue estava olhando para ela.

- Este ovo... - Hanyuu ia explicar, mas Yue a cortou com um sorriso.

- É seu agora. Foi o jeito que a Alice encontrou para dizer 'Muito Obrigada'.

Hanyuu olhou para o ovo. Então o abraçou, e colocou-o dentro da bolsa de pano.


Respondendo as reviews:

Kirara-sama Bakinha x3: Que bom que estás gostando 3 Eu adoro escrever esse tipo de coisa, mas nunca encontro leitores para fanfics como essa. E se esforce! Só treinando muito você vai chegar no 99 ;D

Bejeweled Lust: Na verdade, eu realmente tenho uma char no Ragnarök chamada Hanyuu. E sim, eu gosto de Higurashi no Naku Koro ni. Na verdade, Hanyuu é meu nick, e este eu tirei do anime. (y)