Assim que entrei no meu apartamento seguido por Aoi, me sentei no sofá o fitando.
- Pode falar Aoi. – fechei os olhos, encostando minha cabeça no encosto do sofá, vendo-o se sentar no sofá em minha frente.
- Você vai falar o que está havendo com você Ruki? Você nunca foi assim... – senti o olhar de preocupação do moreno sobre mim, não conseguindo esconder o sorriso. – E nem pense em dizer que não foi nada, por que até suas coreografias mudaram, derrepente, você parou de querer dançar com o Uru...
- Não é nada disso - respondi, cortando-o. – Eu simplesmente acho que as fãs enjoariam muito rápido de sempre ser o fanservice entre as mesmas pessoas.
- Ruki nunca fizemos fanservice, sempre foi só um "agrado" pra alegrar as fãs.
- Eu sei Aoi, mas acho melhor trocar os pares um pouco...
- É por causa do Reita não é? –Abaixei minha cabeça, me lembrando da cena que vi antes de sair da sala do estúdio, e eu senti meus olhos marejarem novamente.
- N-não... -respondi fraco, quase num sussurro, tentando abafar minha voz chorosa.
- Antes de eles saírem você sempre brincava com ambos, com o Reita então! Eu cheguei a acreditar que estavam juntos até! Um começava uma frase, o outro completava... Vocês pareciam perfeitos juntos...
- Não pra ele. – respondi frio, tentando fazer Aoi parar de me torturar dizendo aquelas coisas... Que eu também pensava. – Você e o Uruha antes também, não se soltavam pra nada.
- Não tente fugir do assunto, estamos falando de você e do Reita.
- Falando o que?! Mas que inferno! Nunca tivemos algo, nunca! – Não pensei que dizer essas coisas para outra pessoa me machucaria tanto, nem imaginei que eu me sentiria desse jeito assumindo algo que para mim era quase óbvio.
- E por que não? – o olhar do guitarrista, de preocupado deu um pequeno espaço para a curiosidade.
- Eu não sei ok? Eu não sei mesmo! – abri os olhos, erguendo um pouco meu rosto, o bastante para olhar nos olhos de Aoi.
- Se... Ele quisesse... você teria tentado algo com ele, como...compromisso? – não esperava uma pergunta assim, por alguns segundos, eu não senti meu coração bater... Tudo ficou em silêncio, e eu me senti perdido, eu amava Reita isso pra mim era algo tão natural como sair na rua e ser extremamente assediado, mas... nunca imaginei um compromisso sério, enfrentar um preconceito...eu não saberia se ele aceitaria passar isso, comigo.
- Eu... –abaixei minha cabeça, não esperava que fosse me expor dessa maneira para Aoi, éramos amigos... Claro, mas isso esse era um tipo de assunto que eu só falava com. Reita. – não sei se ele faria tudo isso... Por mim.
- Ele vai fazer por Uruha... - eu pude perceber claramente a voz triste de Aoi, mas, achei melhor comentar depois- Por que não tentaria com você?
- Ele... Escolheu o Uruha... não eu.- ouvi ele suspirar, fechando os olhos.
- Ruki, por que você sempre repete isso? – o tom de voz de Aoi parecia de que de um pouco triste, tinha passado para um pouco de irritação, e de fato, não queria irritá-lo.
- Por que... -sorri fraco, abaixando meu rosto- por que... se eu não me lembrar disso sempre...eu vou...-senti algumas lágrimas umedecerem meu rosto- eu vou...sempre ter esperanças...de que...ele vai dizer...que me ama...-não consegui controlar o choro, sentindo meu rosto cada vez mais molhados, me dei ao trabalho de tentar secá-lo, mesmo que logo em seguida estivesse molhado.
- Ruki... -a voz de Aoi parecia surpresa e preocupada- você... ama o Reita?-sorri fraco, olhando-o de forma triste.
- Tanto quanto você ama o Uruha – sorri fraco novamente, olhando para o teto.
-Nós... Nos apaixonamos pelas pessoas erradas?
- Não... - abaixei meu rosto olhando-o e ele sorriu- Só... nos apaixonamos ou cedo...ou tarde de mais por essas pessoas...-me levantei do sofá, indo até Aoi, abraçando-o de forma carinhosa, sendo correspondido no mesmo instante, e antes que mais alguma palavra fosse dita, a porta de meu apartamento foi aberta até que de modo agressivo, me fazendo arregalar os olhos e apertar o abraço ao reconhecer aquela voz com uma evidente preocupação.
- Baixinho? Bai... -ele se calou ao me encontrar, eu me senti paralisado e não tive forças de me afastar do abraço. – Desculpe, não queria interromper... Vocês– o tom na voz dele fez com que eu me arrepiasse, soltando Aoi do abraço, me sentando olhando-o.
- Como... Entrou? –me limitei a perguntar, olhando o chão.
Continua...
