- Com a chave que você me deu... -ele parecia estar com um certo tom de irritação na voz, me fazendo tremer aos poucos. – Mas, acho que... Não é mais comigo com quem ela vai ficar. – Ergui o olhar, vendo-o tirar a chave que reconheci de minha casa de seu chaveiro, oferecendo-a para Aoi, e como num movimento inconsciente, peguei a chave que estava em meu bolso, tirando a uma chave que eu tanto gostava de ter, sentindo minha vista se embaçar ao separá-la da minha, estendendo-a para Reita.
- Não vou... Mais precisar disto então? –tentei encará-lo, mas o olhar triste que vi em seus olhos, me fez abaixar o rosto, sentindo grossas lágrimas escorrerem.
- O Uruha já tem as dele. -ele me respondeu frio, e de novo, doeu.
- E eu já tenho as minhas – Aoi respondeu, antes mesmo que eu falasse algo – Inclusive... A do quarto –ele sorriu de modo sarcástico para Reita, que se limitou a me olhar novamente, e eu senti o peso de seu olhar.
- O que... Veio fazer aqui...Rei...ta? – não ergui meu rosto, vendo-o guardar a chave em seu bolso, e a que eu o dei esquecida em cima da minha mesa de centro.
- Sabe Ruki... -a falta daquele apelido carinhoso...machucava.- Eu fiquei preocupado com você...você pareceu triste no ensaio e achei que quisesse conversar...mas parece que já tem alguém com você, não é mesmo? –ele sorria de um modo que eu quisesse desviar o olhar a cada vez que eu tentava olhá-lo.
- Na verdade... Uruha e Kai me chamaram para decidirmos algumas coisas sobre a banda, e eu vim com Ruki por que assim como você, fiquei preocupado com ele.- Aoi levantou-se do sofá, acariciando de leve meus cabelos, sorrindo.- Melhore, Ruki...eu não quero mais te ver triste...não por...-arregalei meus olhos, e ele sorriu ainda mais- não por...um motivo tão...fraco.- eu sorri, me levantando abraçando-o mais uma vez.
-Arigatou... Aoi –apertei um pouco o abraço, sentindo novamente o olhar de Reita sobre mim, me desfazendo do abraço.
- Até depois, dorme bem – Aoi me deu um leve beijo na testa, dando um "boa noite" para Reita, passando pela porta e indo embora.
- Eu... Vou embora – Reita estava com uma voz fria, que chegava a me assustar até.
- Fica... -arrisquei pedindo, em um tom quase como de um sussurro, e ele rui de forma um tanto sarcástica.
- Agora que seu namoradinho já foi embora você quer brincar comigo?- ergui meu rosto, olhando-o nos olhos meio boquiaberto.
- Aoi não é meu namorado. –respondi, ficando sério.
- Pareciam ser pelo jeito que estavam se abraçando.
- Ao menos eu não estava com ele jogado no sofá beijando o pescoço dele. - dessa vez, fiz questão de falar mais pausadamente, vendo Reita ficar com uma leve expressão de surpresa. - E se estivesse, seria no mínimo, em minha casa.
- Você está em sua casa. – ele me respondeu tão sério quanto eu, e novamente.
- Não com meu namorado. – o olhei sério, me sentando no sofá.
- Você... - ele pareceu se esquecer completamente que estávamos "discutindo", me olhando quase...espantado.
- Não Reita, eu não estou namorando. – o cortei, olhando-o novamente. – Já que vai ficar por aqui, se senta. –logo depois eu me lembrei que não estávamos como antes, nos entendendo, ou conversando... Ultimamente sempre que conversávamos, Kai precisava ir nos interromper.
- Você... Está melhor? – a voz dele estava claramente hesitante, mas por quê? Por que... Comigo?.
- Eu não estava mal. - respondi meio baixo, evitando olhá-lo.
Senti meu coração ir a mil quando Reita se levantou de meu lado e sentou-se em meu colo, olhando diretamente em meus olhos, dando aqueles doces sorrisos que me faziam... Amá-lo cada vez mais.
- Baixinho... – eu não consegui não sorrir ao ouvi-lo me chamar pelo apelido. – Eu te conheço a tempo o bastante pra saber que você está me escondendo algo...
- Iie... Rei-chan...-ele riu, me abraçando, encostando o rosto perto de meu pescoço, fazendo com que eu me arrepiasse.
- Quando foi que ficamos tão distantes? – ele me perguntou quase num sussurro, apertando o abraço.
- Quando... Eu deixei de ter espaço na sua vida...- eu respondi no mesmo tom, abaixando o rosto, sentindo algumas lágrimas ameaçarem cair.
- Ruki... -ele ergueu o rosto com os olhos arregalados.- de onde você tirou isso? Você sempre vai ter um espaço... Enorme, na minha vida. – abaixei o rosto, quase respondendo que não, não seria o espaço que eu queria, não como... Eu precisava.
- Eu... Não sei...-solucei baixinho, sentindo o polegar de Reita enxugar meu rosto, Deus, como ele podia me fazer tão bem e tão mal ao mesmo tempo?
- Não pense mais isso... –não respondi, apenas o abracei com mais força, sentindo nossos corpos ficarem próximos... Próximos de mais, mas mesmo assim não pensei em afastá-lo ou coisa do tipo...Ter o calor dele, era algo mais do que maravilhoso para mim...era o que de fato, me ajudava a querer continuar vivo.
- Baixinho... – Reita me chamou com a voz um pouco falha, acariciando de leve minha nuca, me fazendo fechar os olhos aos poucos.
- Hai? -encostei minha testa na dele, assim que senti o abraço ser desfeito, sem abrir os olhos com. um pequeno sorriso.
- Vai ver o Aoi ainda hoje? – abri os olhos um tanto rápido, podendo ver uma clara curiosidade e... Algum sentimento que achei melhor não perceber...
- Vai ver o Uruha? –perguntei, num tom completamente hesitante, não conseguindo esconder meu rubor, desviando nossos olhares.
Continua...
