- Eu... Achei que...talvez...você...-ele parou o carinho em minha nuca, e eu o olhei e tive a nítida certeza de que se aquele maldito pano não estivesse em seu rosto, ele estaria corado, muito.
- Que eu? –perguntei meio impaciente para saber do que Reita iria tratar, ele deu uma leve risada, voltando a acariciar minha nuca,
- Calma! –novamente ele riu, puxando de leve meus fios loiros- Quando foi que você ficou tão curioso hein? –ele me perguntou rindo de leve, e eu abaixei o rosto, o abraçando.
- Quando você não estava perto... Quando você sumiu e não me viu mudar...-apertei o abraço sentindo algumas lágrimas escorrerem.
- Não diz isso, Ru-chan... Estamos nos vendo todos os dias...-ele voltou a acariciar minha nuca, me abraçando.
-Essa é a diferença, Reita. –ergui meu rosto olhando-o. – sempre estivemos juntos não nos vendo... - ele não me respondeu, apertando o abraço, soltando um breve suspiro. – Mas, me diz o que iria me propor? –ri de leve, tentando melhorar o clima.
- Acho melhor... Esquecer...- ele abaixou o rosto, e eu senti que ele iria desfazer o abraço, me fazendo puxá-lo para mais perto, beijando de leve sua bochecha.
- Me diz Rei-chan... -sussurrei, acariciando as costas de Reita delicadamente.
- Eu estou pesado não estou? –ele riu, tentando desviar o assunto, saindo de meu colo, e eu segurei a barra de sua camisa para que continuasse em meu colo, mas ele ignorou, e sentou-se ao meu lado me olhando.
-Você não é pesado, Reita. – por que ele nunca entende as coisas? Eu não queria que ele se afastasse... Eu estava me sentindo tão bem...com ele.
Ele apenas riu, me puxando pelo braço de leve, me abraçando, eu não disse nem questionei nada, apenas retribui o abraço.
- Não vai falar nada, baixinho? –o tom da voz dele era até que divertida, e aquele sorriso, de fato, encantador.
- O que... Eu deveria dizer, Rei-chan? –sorrio, apertando o abraço.
- Nada - ele sorriu, afagando de leve meus cabelos, beijando minha testa. - Nada mesmo. – eu sorri, ainda abraçando-o.
- Rei-chan... O que ia me propor? -perguntei, não escondendo um delicado sorriso.
- Eu ia te perguntar o que acharia de comprarmos algo bem gostoso pra comermos – eu não deixei de perceber o sorriso que estava nos lábios dele e eu o retribui.
- Claro o que quer pedir? –sorri, desfazendo o abraço um pouco, apenas para olhá-lo.
- Não sei baixinho, tem alguma sugestão? – ele continuou sorriso, acariciando meu rosto, me fazendo corar.
- Torta de morangos? – eu sorri, fechando os olhos ao sentir o toque em meu rosto, mas não obtive resposta, e quando pensei em abrir os olhos, senti os lábios de Reita prensados de leve contra os meus, se afastando logo em seguida.
- Vamos pedir por telefone? –aquele sorriso meigo, me fez corar ainda mais.
- C-claro... -sorri de volta, ainda sem entender o porquê de Reita ter-me "beijado".
- Quem liga? –ele manteve aquele doce sorriso, me soltando do abraço aos poucos.
- Você vem aqui na minha casa... Vai passar a noite aqui, e ainda tem dúvidas que você que vai pedir a torta? –sorri de um modo divertido, dando-lhe um leve tapinha no ombro.
- Baixinho... Você é folgado. -vi ele rir, pegando o telefone que estava próximo ao sofá, pedindo a torta, e antes que eu percebesse, estava com a cabeça encostada no peito do baixista, assim que ele desligou o telefone, enlaçou minha cintura com uma das mãos, acariciando-a.
- Eu... Chegava a ter saudades disso, sabia? –ele não me olhou e continuou o carinho. Eu sorri com as palavras doces dele... Ele era sempre tão doce comigo.
- Eu... Também...-sorri, fechando os olhos.
- Quer me falar agora o que estava havendo com você hoje cedo? –ele me perguntou num tom baixo, encostando os lábios no lóbulo de minha orelha, fazendo minha pele se arrepiar.
- Rei-chan... -ergui meu rosto, fazendo nossos olhos se encontrarem.- Não...estrague tudo –sorri meio triste, por saber que um momento como o qual estava passando com Reita seria...apenas um momento, nada mais.
- Você... Não confia mais em mim não é? –ele estava fazendo de novo. Aquele tom de voz, aquele olhar triste, ele estava conseguindo me fazer querer dizer tudo a ele, mas... Eu não poderia.
- Claro que confio! –sorri do modo mais doce que pude, voltando a encostar minha cabeça no peito do baixista. Ele apenas suspirou, começando a fazer um lento carinho em minha nuca, e eu sem perceber, escorreguei minhas mãos para a cintura do loiro, abraçando-a delicadamente.
Ficamos naquela posição sem dizer nenhuma palavra, e só nos afastamos aos poucos quando a campainha foi tocada, o pedido havia chego, nunca o odiei tanto, ele me soltou dando um leve beijo em minha bochecha, indo atender a porta, logo voltando.
- Dessa vez... A torta é por minha conta –ele sorriu, me estendendo a mão livre. –Vamos comer? –eu apenas sorri, enlaçando nossos dedos, caminhando até a cozinha, arrumei a mesa, sentando na cadeira, vendo Reita logo fazer o mesmo.
- Quer que eu te sirva? –sorri, cortando um pedaço da torta.
- Hm...seria interessante –ele riu, me olhando de forma nada decente. – Muito interessante. –novamente, os risos.
- Reita, eu estou falando da torta! –eu ri, corando me sentindo lisonjeado ao imaginar o tipo de pensamentos que fariam Reita me olhar daquele jeito.
- Eu sei, eu sei –ele ainda ria um pouco- pode sim Ru-chan, eu ficaria muito grato. – por fim ele parou de rir, pegando o prato de minha mão, colocando-o em sua frente esperando que eu me servisse também, e logo o fiz, começamos a comer, trocando discretos olhares algumas vezes.
- Ah, eu comi demais –ele riu de leve, me ajudando a tirar a mesa.
- Eu também –ri, colocando as louças na pia.
- Bom baixinho, acho que já vou pra casa –ele não parecia muito entusiasmado com o que dizia, e eu deixei claro na minha expressão que não queria isso quando arregalei os olhos. – Você está melhor...vou indo então...
- Dorme aqui. –pedi, caminhando até ele, puxando-o pela manga da camisa de leve. – Não quero ficar sozinho...
- Chame o...-imaginei o nome que ele fosse dizer, e logo o cortei.
- Eu quero que você, fique comigo, ou é pedir demais isso? Vai ver o Uruha por isso está com tanta pressa? – ele me olhou quase espantado. –eu te pedi...pra não estragar tudo...-suspirei pesadamente, me sentando no sofá, vendo-o fazer o mesmo.
- E o que eu estraguei, Ru-chan? –ele me olhou meio curioso.
- Quando foi a última vez que ficamos assim, Reita? Conversando, comendo juntos... Ficando juntos, você se lembra? –o olhei nos olhos, com um tom de voz extremamente claro de ...decepção.
- Eu me lembraria se você não tivesse começado a me evitar. –ele virou o rosto, me fazendo abaixar a cabeça.
Continua...
