- Eu não teria começado a te evitar se... -me dei conta do que estava prestes a dizer, e me calei suspirando.

- Se o que Ruki? Porque você não me diz logo? Se for alguma coisa que eu faço, eu posso tentar mudar, que droga! –ele se aproximou de mim, erguendo meu rosto, fazendo com que nos olhássemos

- Esquece ok? Deixa pra lá isso. –desviei o olhar, tentando livrar meu rosto da delicada mão de Reita.

- Não dá Ruki! Se fosse algo que eu não percebo...que eu não sinto até que tudo bem, mas meu Deus, como você quer que eu ignore isso? –ele voltou a colocar a mão em meu rosto, dessa vez, as duas, encostando sua testa na minha, não me dando espaço para desviar o olhar ou algo assim. –Ru-chan...onegai...não me esconda nada...

- Do mesmo jeito que você escondeu que começou a namorar com o Uruha?- abaixei o olhar, tentando o máximo possível não manter nenhum tipo de contato visual.

- Ruki, desde quando isso te importa tanto?-arregalei os olhos, sentindo minha barriga gelar.

- Desde sempre...isso é algo importante pra você não é? Eu nunca te escondi nada...e você sequer me conta que tinha começado a sair com o Uruha...-respondi num tom baixo, tentando me afastar um pouco.

- Eu não sabia que isso te importava. –ele sussurrou, acariciando meu rosto com uma de suas mãos.

- Tudo o que é sobre você...me importa, Reita...me importa demais...- ele continuou o carinho e eu fechei os olhos.

- Eu...não quero te esconder mais as coisas...- senti sua respiração contra a minha, me fazendo abrir os olhos.

- Então... Não me esconde...-sussurrei, subindo uma de minhas mãos para sua nuca, puxando-o um pouco mais para perto, dando-lhe um tímido beijo, até sentir a língua de Reita pedir permissão para aprofundar o beijo, sendo logo cedida, retribui o beijo com mesma intensidade, e fiquei satisfeito ao ver como ele parecia ansioso por aquele beijo, e se eu não soubesse que minha mente estava me pregando uma peça, eu teria certeza que ele queria tanto quanto eu, rompemos o beijo apenas quando o ar começou a nos fazer extrema falta.

Minhas bochechas estavam com um tom avermelhado e eu estava um pouco ofegante, mas não foi por isso que me senti envergonhado, mas sim pelo modo que Reita ficou... Indiferente a aquele beijo.

Reita caminhou até a cozinha, pegando mais um pedaço de torta, me deixando ainda meio surpreso, mas achei melhor deixar de lado o que havia acontecido e liguei a tv, vendo Reita se sentar ao meu lado, enlaçando meu pescoço com seu braço, me puxando, fazendo com que minha cabeça ficasse encostada em seu peito e automaticamente, fechei meus olhos.

Passamos alguns instantes na mesma posição, variando apenas o carinho que Reita fazia ora em minha nuca, ora em minhas costas, e eu estava realmente, amando tudo aquilo, mas não demorou muito para que a idéia de andar armado voltasse a minha cabeça, assim que ouvi o celular de Reita tocar, e logo ser atendido.

"- Moshi Moshi?" –ele olhou para mim, beijando minha testa, mas logo dando um pequeno suspiro.

"- Hai, Uru..." –se todo o meu ódio não tivesse me deixado cegamente irritado, eu juraria que Reita não queria falar com Uruha.

Ele me olhou durante alguns segundos, me fazendo desviar o olhar.

"-Daqui a pouco estou ai" –senti meus olhos se arregalarem com suas palavras, ficando com a boca entreaberta por alguns instantes.

Quando eu ouvi ele dizer aquelas palavras, precisei fazer um esforço sobre-humano para não deixar as lágrimas escorrerem, apenas me levantei de perto dele, me virando de costas quando o ouvi desligar o celular e ele veio falar comigo.

- Eu...-ele parecia meio hesitante com a voz, e aquilo me machucava, muito.

- Tchau. –tentei parecer frio, sem conter algumas finas lágrimas que se formaram em meus olhos.

- R-Ruki... –ele estava com os olhos arregalados de leve e meio boquiaberto...eu não precisava estar olhando-o para saber como estava sua expressão...eu o conhecia bem...de mais.

- Pode ir, anda...vai logo.-continuei tentando parecer frio, até sentir os braços do baixista em meu abdômen, me abraçando

-Eu...te prometi...-ele continuava com aquela voz hesitante, apertando o abraço.

- Some daqui, Reita.- soei mais frio do que eu mesmo pensei que conseguiria, senti os lábios de Reita tocarem em minhas bochechas delicadamente, logo se afastando.

-Perdão...-ele sussurrou, desfazendo o abraço que havia me dado.

- Por que, Reita?-aquele pedido de perdão foi a gota d'água.- Por que eu tenho que me conformar com o fato de você estar com outra pessoa? Por que a culpa não é sua você estar apaixonado pelo Uruha? Por que você não pode mais ficar comigo como antes? Vai pro inferno, Reita. –me virei para olhá-lo, e ele estava como eu imaginei, olhos arregalados, boquiaberto, com um olhar...curioso, e eu me recusei a dar alguma explicação.

- Ruki...do que está falando?- o tom de sua voz era quase...perdida, de um jeito que chegava a quase me irritar, se não me machucasse tanto.

- Vai embora.- disse, simples, ignorando sua pergunta.

- Depois...não reclame que estamos distantes – ele disse, quase sério, e eu novamente ignorei suas palavras, mas não a pontada de dor que senti ao ouvi-las.

- Vai embora, agora. –eu pedi em um tom um pouco mais alto, ouvindo-o abrir a porta e não consegui conter minhas palavras- Obrigado por estragar tudo...–murmurei baixo, sabendo que ele havia ouvido- Durma bem, Reita.

- Você também, Ruki. –ele me respondeu, com um tom de voz indiferente e eu cheguei a ficar surpreso como ele era superdotado em me machucar só com a voz, e saiu pela porta.

- Ficaria mais agradável...se você ficasse como tinha me prometido...-murmurei, assim que o ouvi fechar a porta, sentindo uma fina lágrima escorrer em meu rosto.

Por que eu não aceito de uma vez que ele ama o Uruha?

É difícil, mas eu não imaginava que seria tanto...

Fui tomar alguma coisa pra ver se me distraia, e acabei conseguindo me distrair, de outro jeito. Meu telefone tocou.

- Moshi Moshi? –respondi, sem o mínimo ânimo.

- Ru-chan...preciso conversar com você. –estava completamente evidente a pressa na voz do moreno.

- Pode falar, Aoi-chan. –continuei sem ânimo, mas um pouco interessado.

- Posso ir ai? - ele me perguntou meio receoso.

- Claro...-respondi, meio preocupado.

- Ok, Bye – não tive tempo de responder por que Aoi havia desligado a ligação, e me deixou surpreso o fato de não se passar nem três minutos e o guitarrista já tocar minha campainha.

- O que houve, Aoi? Que pânico todo foi aquele? –perguntei, me assustando ao vê-lo pálido, puxando-o para dentro de meu apartamento, trancando a porta, sentando-o no sofá.

- Eu...-ele estava com um olhar distante, o que só me preocupava mais.

-Aoi! Fala! –elevei um pouco minha voz, vendo-o sair do 'transe' que parecia ter entrado.

- O Uruha...eu...o Kai...-ele pareceu um pouco perdido em suas palavras.

- O que tem? – tentei acompanhar seu pensamento.

- Eu...posso confiar em você, sempre...né? – ele me perguntou, incerto, me deixando levemente ofendido.

- Claro, baka! –sorri o abraçando delicadamente sempre.

- Hoje...quando eu saí daqui e cheguei no estúdio, o produtor havia chamado o Kai...e só estávamos na sala eu e o Uruha...

- Hm...-murmurei, formando a cena em minha mente.

- Eu me sentei ao lado dele, e começamos a conversar... Trocamos alguns abraços...alguns selinhos...- a cada palavra que Aoi dizia, eu o via corar mais, já imaginando qual teria sido o próximo ato.- Enfim...alguns beijos –cheguei a pensar que ele fosse explodir de vergonha- E...eu acabei me deitando sobre ele...-arregalei meus olhos e abri minha boca de leve, espantado com as palavras de Aoi, sem o cortar. –Ele...começou a brincar com...você sabe que meu e...quando ouvimos o barulho da porta nos afastamos, por sorte antes do Kai nos ver...-minha expressão continuava espantada.- mas logo ele saiu de novo e...-vi seus olhos descerem para suas calças- o Uruha "concertou" o que tinha deixado 'errado" aqui –arregalei ainda mais os olhos quando entendi de que se tratava, não contendo uma leve risada- e...eu não sei mais o que fazer...eu...

- Beijei o Reita. –o cortei, corando, abaixando a cabeça.

- Você...o que? –ele simplesmente se "esqueceu" do que dizia, e me olhou surpreso.

- Se o Uruha falar alguma coisa...o Reita não vai poder fazer nada...-corei novamente.

- Ok, dane-se minha vida um pouco...como foi hoje? –ele sorriu, acariciando meus cabelos delicadamente.

- Pra variar –senti uma lágrima escorrer de meus olhos- o Reita estragou tudo...tudo estava perfeito...e ele precisava estragar –disse num tom baixo, secando minha lágrima.

- O Reita...não tem mesmo jeito...-ele suspirou, me abraçando de leve

- Nem o Uruha – respondi, fazendo um leve biquinho- não gosto que fale mal do Rei-chan...mesmo que ele mereça...

Não seguirei o riso, vendo Aoi rir também, logo nos desfazendo do abraço.

- O Reita deveria estar aqui...não deveria?- abaixei a cabeça, suspirando.

- O Uruha ligou pra ele...-Aoi arregalou um pouco os olhos, e eu suspirei novamente- Não, não deve ter sido pra falar nada de vocês...acho que foi...sexo –suspirei novamente, vendo como Uruha era...vazio.

Continua...